Four Seasons

7 Diário de Bordo de Poseidon


Terceiro lugar: Índia.


Como eu tinha te dito, eu não sabia para onde iríamos até Deméter aparecer com sua filmadora e três passaportes para a Índia, lugar que ela disse que sempre quis conhecer e escolheu já que ninguém tomava uma atitude. Aparentemente, ela não compreendeu que eu e Hefesto estávamos começando a gostar de Tóquio. Mas, claro, a busca pela minha inspiração não acaba nunca, e então, vou te contar, pra você ter o que falar sobre esse país em seus filmes, sobre os dias que estamos tendo aqui.

A pobreza é constante, em cada lugar que você olha enquanto está caminhando pelas ruas de Delhi, a capital da Índia. Mas, por outro lado, é divertido ver o quanto o trânsito é caótico. É tipo de lugar que ter uma Ferrari não rola, podem acabar com ela rapidinho. O pessoal adora buzinar, é uma confusão, principalmente quando se está em um Tuk-tuk, um táxi que parece uma pequena combi aberta nas laterais, boa pra tirar fotos.

E, juntando isso com o fato de vivermos entre comércios, com direito a comprar especiarias, em especial no Mercado Alto (que é onde a elite daqui anda) e o dever de comprar um sári para Demeter (já que todos a olhavam, surpresos, por ela estar de short) acabamos por conhecer muito da cultura daqui.

É um lugar colorido pra caramba, (o que minha máquina aparentemente gostou) e cheio de pessoas expressivas e divertidas. Um lugar que eu não esperava gostar, mas estou curtindo. Têm teares, vacas, motos, tudo misturado, gerando uma mistura do antigo com as construções com o novo, vindo do que Hefesto falou ser da grande explosão da economia. Ao que parece, o que menos sabe sobre a Índia sou eu. De toda forma, acabei aprendendo algumas coisas. Sim, eu sei, é um milagre, mas sem brincadeira, Hades.

Falando sobre o que Deméter me explicou, o Taj Mahal é feito de arcos concêntricos, bulbos pintados de ouro e jardins metricamente contados e perfeitos. Mas, toda essa arquitetura se perdeu quando vi o sol nascendo por trás do monumento. Foi... Sensacional. Vou te mandar as fotos depois, aqui consigo mexer melhor no computador e imprimir mais de uma. E essa parte merece.

Acabamos por aceitar as loucuras de Démeter, indo a cada lugar com um guia turístico, mas logo deu um jeito de escapar, porque sabe, né? Eu e historia às vezes temos um pé de guerra. Ela fez aquelas tatuagens típica da índia, de hena. Me disseram que a maioria das famílias tem a tradição da aplicação. Depois, no outro dia, fomos ao Baha'i, ou conhecido também como Templo de Lótus por causa de seu formato, sendo ele o prédio mais visitado do mundo. Na verdade, é uma casa de culto, uma das que que existem pelo mundo e que não são criteriosas, abertas a todos, qualquer um de qualquer religião pode entrar. O nosso guia, outra vez a pedido da minha irmã, explicou que a ideia daquele lugar era a unidade da religião, unidade do homem e unidade de deus, tentativa de unificar o mundo. Foi um lugar bem espiritual no qual consegui muitas fotos e, por incrível que pareça, me fez apreciar aquela cultura.

Acabei aprendendo ioga, sendo o pai dessa técnica Maharishi, em que se têm três fatores principais: assana, pranayama e a meditação, só não me peça para explicar que ai eu não sei, mas estou me sentindo orgulhoso por ter decorado esses nomes estranhos. E a filosofia deles é: viver bem com corpo, mente e alma saudáveis. Algo que você iria gostar, bem zen. Quando, inspirado para criar o filme, você vier, não se esquece de ir até lá.

Continuando, mais a noite, voltamos ao mercado alto para comprar brandy e fumar o hookak em narguiles. É tipo os nossos pubs, entende? Um modo de socializar, em que a galera bebe e fuma antes de comer, enquanto conversam. Foi muito sem noção, não que eu nunca tivesse provado, mas, foi... Diferente. Enfim, isso não vem ao caso, mas parece Hefesto gostou bem mais do que eu. E é um saco viajar com dois filmadores que vivem parando. Mas, às vezes, eles são legais. Só às vezes. Como agora, que estão quietinhos, arrumando seus vídeos ao mesmo tempo em que escrevo.

Então, vamos continuar, antes que eu esqueça tudo. Fomos a Qutub Minar, o mirante mais alto do mundo feito em tijolos com 70 metros de altura, considerado o marco do país junto com o Taj. E é deslumbrante. Aquela coisa antiga, paredes de calcário todas ornamentadas, clima meio épico e muito bonito. Até eu que sou difícil de surpreender, me surpreendi. E, para completar, Deméter e Hefesto, me fizeram vestir um Kurta, que é a roupa masculina da moda em que a galera usa em qualquer ocasião, todo bordado a mão. De começo, achei estranho, com o tempo me acostumei e até comprei um pra mim, uma lembrança dessa exótica terra.

Comemos no Buhkara, onde, literalmente, colocamos a mão na massa, comendo com os dedos o naan, uma massa que não decorei do que era feito, mas que gostei. Considere quando for comer lá. Passamos também pelo Lal Quilal ou Forte Vermelho, que são apartamentos e salões bem cuidados e protegidos para as acomodações da elite mas, no entanto, ninguém mais vive lá. Realmente, deve ser difícil morar em lugar tão grande com um monte de gente, além de meio longe da cidade. Após isso, Demeter quis ir à casa de oração mais popular por lá, Birla Mandir que fora inaugurada por Gandhi. Foi legal saber que um dos lideres da paz esteve ali. Então, em um canto mais afastado, encontramos Angra, uma cidade menor, na qual fomos ao Forte Agra, que havia começado a ser construído no império de Akbar, tinha 2,5 km de muro e procurava unir o mundo, tem as três principais religiões. O pessoal daqui acredita muito nisso, de poder unificar, queriam que fosse verdade.

E gostei muito ao saber que haviam haréns, muitos, de onde se vê o Taj Mahal através da maioria das janelas. E foi assim que passei quatro dias aqui. Meio corrido, cansativo, contudo, prazeroso para caramba. Um tipo de lugar inesquecível. Bem ao estilo de seus filmes, Hades.

Então, do Taj Mahal Hotel que fiz o favor de lembrar que tem 565 quartos, deitado em uma das camas desse confortável e luxuoso hotel, eu finalizo minha viagem pela Índia por aqui. Pela primeira vez, estou acostumando e gostando desse caderninho, escrever essa viagem está sendo legal. Bem, eu tô morto, minhas mãos estão doendo por causa da máquina e de escrever, então, até a outra página.

E, antes que pergunte para onde vou, outra vez não sei. Pra onde a vida ou Deméter me levar. Só espero que seja legal como aqui foi.

“Próxima parada... a descobrir.”


PS: O nome dela é Ishtar, uma garotinha que conheci. Sem qualquer perversidade, mente maléfica de Hades.



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Notas finais
[betado após um desligamento acidental do pc que me fez perder o cap betado até o PS. Ou seja, orgulhosamente e duplamente betado]