Notas iniciais
Chegando agora de uma festa, as oito e meia, resolvi vim postar para vocês *---* Por isso, vou só postar e qualquer erro me digam depois, eu to morta de sono.
Boa leitura.

[Música — Burning Love — Elvis Presley]


E de fato Atena acordou suando. Até que para um sonho, Poseidon podia ser quente o bastante e até mesmo legal, mas só em sonho. Olhou para o lado, onde Artemis e Apolo dormiam de conchinha. Ainda bem que ele não estava acordado. Suspirou, levantando-se e foi tomar seu banho.

Saía dele meia hora depois, ainda a recordar, com muita raiva por isso, de como Poseidon fora encantador e muito sexy, a ponto de fazê-la esquecer de tudo e todos quando passou pela sala de estar e viu o casal, não admitido que isso é certo, deitados um do lado do outro, com os fios negros dela sendo erguidos em todos os movimentos que ele fazia de subir a mão e descê-la, levando os cabelos a escorrer como uma cascata para as costas, que só agora Atena via, com bolinhas arroxeadas que variavam de grande a pequena ao ponto de esconder-se na blusa de alcinhas azuis, meia puída pelo uso da mesma.

Ambos pareciam bastante concentrados no filme antigo do Fantasma da Ópera, com a garota quase dormindo, a cabeça pousada sobre o peito dele e encolhida contra o corpo enorme do cara. O super herói dela, sorriu Atena, finalmente dando alarde de sua presença. Apolo Lennis apenas retribuiu o repuxar de lábios e Artemis só a olhou, aparentemente nem um pouco a fim de levantar-se daquela proteção.

— Bom dia pra vocês — Disse Atena, após servir-se de um pouco de café em sua xícara de porquinho. Cuspiu ao constatar de que era adormecido e fez uma careta. — Isso daqui é de ontem. Ninguém comprou ou fez café?

— Acabei de levantar e Artemis queria assistir TV — Apolo quem falou, ainda no mesmo movimento de puxar o fio de cabelo da irmã até lá em cima e deixar cair, entretido nisso e no filme. — Hermes não apareceu em casa e Afrodite deve chegar a qualquer momento, ela ligou para cá avisando que precisava da ajuda de vocês para escolher algo.

Enquanto Apolo lhe explicava onde as pessoas se encontravam, Atena abriu a geladeira. E outra vez vazia, não devia me surpreender, ninguém fica em casa mesmo. De quem é a vez de fazer as compras? Se antes foi Hermes, e da outra, Apolo... Minha vez. Fez uma careta, para então fazer uma nota mental de passar no supermercado e trazer biscoitos caseiros da confeitaria que adorava. Ao menos, as louças estavam lavadas e guardadas e o balcão encontrava-se impecável, o aço inox dos objetos quase resplandecendo de tão limpos, obra de Afrodite, a única que conseguia isso.

Os moveis da cozinha eram bem simples, situado ao canto direito partindo da porta de entrada, acoplado a sala de estar, o local onde fazia seus cafés da manhã e jantares (porque ninguém se via durante o resto do dia) era composto por uma geladeira dupla rente ao teto, de forma que tampava um lado completo do cômodo, um balcão que ia de um lado a outro, a pia dupla, um fogão de cinco bocas e armários embaixo do granito e quase grudados ao teto. Um verdadeiro mundo prateado.

— Acho que só eu vou. — Apanhou uma maçã. Estou virando um cavalo. — Artemis, você vai querer passar horas andando por um shopping escutando sobre a história da moda?

De onde estava, encostada contra o balcão de que dividia a sala da cozinha, uma presa a outra, Atena viu Artemis erguer a cabeça, uma risada escapando dos lábios meio arroxeados.

— Você faz parecer que será horrível.

— Mas vai ser — Deu uma mordida, seu sumo escorrendo pelo canto da sua boca rosada antes de secá-la. — Imagina, eu, uma nerd de carteirinha, encarando vitrines de lojas, encarando várias marcas (que nunca serão decoradas por mim) que podem até mesmo usar animais para criar aqueles sapatos. Isso tudo na companhia de uma modelo famosa ao estilo Barbie me puxando de um lado a outro. Sinceramente, é um pesadelo.

Artemis revirou os olhos, virada por completo em sua direção, quase sobre Apolo que nem dava atenção à conversa delas, preferindo o jogo de futebol americano, agora que mudara o canal, a chiliques sobre ir ou não ir.

Atena notou a mão esquerda dele deslizando pelas costas da garota de short largos cinzas de dormir e meias coloridas que tinha desde pequena, em um ato completamente protetor e carinhoso. E ela parecia gostar.

— Não seja tão dramática, Afrodite nem é tão purpurinada assim, Atena.

— Imagina, Art, Dite é o cúmulo da simplicidade.

— Isso foi sarcasmo?

Apolo riu.

— Sim, isso foi um grande sarcasmo. Atena é a rainha do sarcasmo.

— Por favor, lembrem o meu lado bom também.

— Quer mesmo que um de nós diga que você é um gênio? — Brincou Artemis, erguendo uma das sobrancelhas que parecia Atena estar meio amarelada naquela pele albina. — Esquece, não vou aumentar seu ego.

— Não precisa, eu...

Antes que terminassem de falar, a porta foi aberta com um rompante, e o cheiro de colônia cara, daquelas que deveriam ter matado um unicórnio para criá-lo pode ser sentindo em qualquer lugar do apartamento.

Afrodite Danniels, em um short jeans e blusa folgada esfarrapada, que ficou um luxo, mas faria qualquer outro ficar parecendo um mendigo, entrou toda sorridente, os olhos verdes hoje delineados com rimel rosa para combinar com o tom da bolsa.

— Bom dia, fofoletes — Anunciou de um jeito extravagante, típico da modelo, esbanjando autoestima e alegria para aquele cômodo sem graça. Beijou cada um no rosto. — Apolo. Art. Vocês estão lindos desse modo (Artemis corou aqui para a graça de todos), parecem até um casal apaixonado que voltou de férias de Verona, aiai, adoro esses filmes. Hey, Loirinha, porque tá com essa roupa, já está pronta ou ia para algum lugar?

Atena olhou para si mesma, sem compreender. Não se encontrava muito diferente dos outros dias, só que hoje havia resolvido colocar um par de calças jeans azul claro (que admitia ser mais colada) e uma blusa preta que infelizmente tinha uma fenda até o meio das costas, as mesmas botas do dia anterior e um lenço vermelho envolta do pescoço para esconder as marcas que Apolo havia feito em sua nuca. Chupões nunca são bons assuntos quando se é uma nerd. Ainda mais uma nerd que mora com dois caras e tem uma vizinha louca.

Talvez, só o que houvesse de diferente fosse o pequeno quadrado de gaze colado em sua testa, algo que até mesmo ela, não muito vaidosa, admitia ser horrível.

— Eu tenho uma prova hoje — Suspirou, sua cabeça já doendo de imaginar o quão ferrada estava. — E eu estou um trapo, a roupa tinha que mostrar ao menos um pouco de alegria.

— Crise de existência, parte 2, aqui, no NatGeo — Disse Artemis, piscando. — Você é linda, Atena. Qualquer dia desses vamos te mandar para um psicólogo.

— Verdade, Loirinha. Querida, homens não gostam de garotas com baixo estima. — Afrodite sorriu. — A não ser os melhores amigos que te conhecem bem mais, mas isso é apenas um fato.

É fácil vocês falarem, Atenas quis dizer, mas segurou a língua e apenas assentiu, resolvendo que era hora de ir. Jogando o talo da maçã fora, lavou as mãos rapidinho, para então ir apanhar a bolsa, um livro de literatura russa que estava lendo e as chaves do carro. Deu um beijo na testa de Artemis antes de ir embora.

— Apolo, cuida dessa mocinha, não deixa ela fazer loucura.

— Pode deixar, Atena — Apolo sorriu, abraçando cuidadosamente a cintura da dita cuja. — Ela não some da minha vista por ao menos uma semana.

— Obrigada, papai.

Atena saiu rindo da brincadeira de Artemis, para finalmente ir embora, tensa para uma prova que não estudava há dois dias e que mal sabia o quanto poderia se ferrar com isso.



— Vocês terão quatro horas para responder a prova — Dizia o professor Maxwell para os únicos dois integrantes daquela turma de segunda chamada enquanto pousava um maço de cinco folhas na mesa em frente à Atena que suspirou. — Poderão sair somente quando ambos tiverem acabado para não haver divisão de conhecimento — Bonito nome para cola, e afinal, como é que se cola quando só existem duas pessoas? — Entregarei seus celulares na saída e não me perguntem nada, estou aqui apenas para aplicá-la, não para lhe darem respostas. Bem, boa prova.

Aquela ultima frase ecoou pela sala enorme com paredes em madeira clara, como uma comprovação de que era desnecessário falar com eles daquele modo como se fossem duas crianças birrentas. Por precação, o Professor Maxwell, aproveitando-se dos semicírculos crescentes em cada degrau que as cadeiras eram dispostas, mesas extensas de um lado a outro a cada nível, colocou Atena no extremo esquerdo da quarta fileira, a fim de que se encontrasse longe do outro participante, evitando a tal "troca de informações." Desnecessário.

Atena olhou para o outro lado, com milhares de nada confortáveis cadeiras entre eles, para Poseidon que parecia completamente tranquilo. Ainda perguntava-se o que diabos ele fazia ali, quer dizer, ela não tinha prestado atenção no que o garoto de cabelos negros havia lhe dito no dia anterior, nem se quer fez questão disso, e agora se achava curiosa, típico dela, para saber qual curso ele fazia para que tivessem provas de História da Arquitetura e o fato de nunca tê-lo visto comparecer nenhuma aula.

Poseidon não era uma pessoa que se passava despercebida, ainda mais quando sorria para ela do jeito que sorria agora, disso Atena tinha certeza, mas como nunca, se quer, havia o visto? Ah, ele estava no Alaska, tinha dito isso para Apolo... E ainda assim a mente inteligente dela não conseguia juntar alguma parte do curso que precisasse de estagio ainda no começo, claro, a não ser que ele já estivesse para terminar. Ai ele teria bem mais de vinte anos. O que será que ele faz?

Uma tossida a fez perceber que encarava, com o cenho franzido, os olhos verdes dele e Atena corou ao virar-se para encarar o Maxwell que, por trás dos óculos quadrados e básicos, a olhava com as sobrancelhas desbotadas pelo tempo arqueadas.

— Desculpa — Sussurrou ela, sem graça, começando a ler a prova. Sabia que Poseidon ria dela, baixinho, mas incrivelmente alto para aquela sala silenciosa.

Já fazia três horas que Atena encontrava-se somente a responder, uma depois da outra, o assunto vindo facilmente para sua mente que associava, juntava e formava frases complexas que sua mão escrevia em letras cursivas bonitas de quem um dia desenhara. Só parou para respirar no instante em que o sol bateu em seu rosto, atravessando as paredes de vidro no sentido direito e a cegando momentaneamente, ao sair detrás de uma grande e pesada nuvem acinzentada como seus olhos, que se revoltaram e fitaram onde Poseidon se encontrava.

Atena sorriu, surpresa pela visão. Poseidon dormia, o rosto virado em sua direção com um filete de baba escorrendo da boca entreaberta de alguém que se encontrava no décimo andar da terra dos sonhos e indo cair bem ao lado de sua prova, uma pocinha transparente se formando na madeira cor de palha. O cabelo estava bagunçando, meio jogado de um lado para outro, e uma das mãos, pendendo na parte contraria da mesa, segurava, debilmente, uma caneta esferográfica preta.

Apolo, parece que encontrei alguém que dorme mais fácil que você, ela riu baixinho após avisar ao professor que havia terminado. Atena assisti-lo tocar no ombro de Poseidon, que meio grogue resmungou antes de compreender de quem se tratava. No instante em que levantou, Poseidon pareceu perceber a piscina que havia enchido e correu para tampá-la com a mão enquanto que com a outra passava as provas. Atena não podia enxergar a expressão do professor de costas, mas tinha certeza de que se pudesse, o veria arqueando as sobrancelhas brancas como os cabelos em sinal de "você é uma criança?" e riria muito disso, mais do que já ria sem chamar a atenção do mesmo.

Assim que o senhor de setenta anos, meio encurvado pela idade e com roupas que o denunciavam ser muito mais nerd que ela, saiu em direção à sua mesa ajeitando as provas, Atena viu Poseidon enxugar o canto da boca e a mesa com a beirada do moletom da GAP acinzentado e massagear onde ficara vermelho. Tudo isso enquanto ela subia as escadas uma vez que a porta ficava no ultimo andar.

Passado milhares de anos, ele pareceu percebê-la. Ela o viu corar, ou assim achava, era meio difícil quando ele estava de frente a luz solar e seus olhos claros reclamavam por tanta claridade. Claro, o tom dourado da pele dele também dificultava, o tipo de cor que se ganha quando se ficam horas e horas expondo-se aos raios amarelos ou ao menos uma hora por dia. E por isso, Atena tinha a certeza de que era tão branca. Mais um defeito.

Então, ela estava do lado de fora, para dentro dos corredores cheios de universitários andando de um lado a outro em grupinhos muitos divididos de acordo com seus cursos, alguns eram amigos antes mesmo de chegarem ali.

Caminhou entre eles sem se destacar, os passos calmos e sem qualquer preocupação. Chegou até a gostar no momento em que o sol tocou sua face, banhando-a com calor. Havia feito a sua prova, respondido todas as perguntas e tinha quase certeza de que gabaritara. E afinal, os dias estudando fizeram bem. Sua vida social, aparentemente inexistente, sumiu por completo em troca disso, mas quem se importava com isso quando seria alguém importante e teria para sempre os melhores amigos do mundo?

Um zumbido chato, o som de alguém que não participava de seus devaneios sobre como poderia engolir três livros de uma vez naquele resto de dia, resgatou-a da sua realidade alternativa. Um homem alto de calças jeans, como todas às vezes, e moletom cor de céu noturno corria em sua direção, os cabelos negros despenteados se arrumando com o vento e um sorriso que fez metade das garotas pararem para fitá-lo.

Quando toda essa atenção dirigida a ele passou para ela quando Poseidon parou a sua frente, Atena sentiu-se extremamente desprotegida, mesmo que se reprimisse por isso. Já não era mais uma garotinha de óculos fundo de garrafa e ninguém mais brincava de um jeito nada legal com ela. Era uma adulta, inteligente e tendenciosa, decidida na vida. Ou foi isso que pensou que deveria mostrar, mas o que fez foi segurar com força a alça de sua bolsa de couro envelhecido. Não precisava desviar o olhar dele para saber que agora todos fofocavam. Maldito Poseidon, você precisava ter tanta presença?

— Hey, você saiu correndo.

A voz dele, rouca como ela classificara, como Kurt Cobain tinha quando ainda era vivo, denotava certo sinal de alegria que ela momentaneamente não compreendeu (E nem iria, não enquanto fosse cabeça dura, mas isso aqui fica só nos créditos e por trás das câmeras), mas que a fez dar um sorriso pequeno. O extinguiu assim que se lembrou dos olhares direcionados a eles.

— Estou com pressa.

— Quer carona?

— Não — Seja educada. — Obrigada, estou com o meu carro aqui.

— Ah, sim, sussa. — O sorriso dele aumentou. — Então, te vejo por ai?

Sem saber como responder para aquele linguajar meio "mano", Atena assentiu vagarosamente com a testa franzida, tentando decodificar aquela gíria. Apolo a usava, contudo, nunca quisera compreender o porque. Não até agora. Ou seria ele meio surfista? Ao ver que respondera a perguntar, não entendo porque ele continuava ali a sua frente, Atena deu um passo para trás, um sorriso mínimo aparecendo em seu rosto e ia virar-se para ir embora quando uma mão segurou seu braço. O que ele está fazendo?

— Hey, Atena. — Ela ergueu o olhar dos dedos quentes dele contra seu braço desnudo, os tons de café e leite se contrastando para os olhos verdes meio movimentando. Ele está... Sem graça? — Pode me acompanhar em um café?

Mas eu já tomei e não quero sua companhia, meus livros me esperam. Mas Atena mordeu seu lábio inferior, tentando ler aquele tom nas orbes que a lembravam muito do mar perto da casa de seu pai, também eram calmo e cheio de ondinhas como aqueles eram. Em troca, ele também parecia analisá-la.

Atena, que mal faz? Se ele quiser te machucar ou qualquer coisa do tipo ele não vai poder, estarão em local publico, além do que... Você prometeu para Afrodite que ia tentar ser amiga de mais pessoas. Ela suspirou. Afrodite, você me paga.

— Tudo bem, vamos.

O sorriso dele cresceu, evidenciando duas covinhas nas bochechas dele que ela acabara de notar que existiam. Isso lhe dá um ar travesso, percebeu ela, sem notar que também tinha os lábios repuxados, mais preocupada em perceber que Poseidon era um garoto em corpo de um homem. Quer dizer, ao menos visualmente... Ela ainda descobrir muito mais sobre aquele cara.

Poseidon acenou para o lado dos carros com a cabeça enquanto a virava na direção indicada.

— Vamos no meu carro, depois eu te deixo aqui e você vai pra casa com o seu.

Eu sei que vou me arrepender.

Notas finais
[Trabalhosamente e orgulhosamente betado]
To muito cansada, faz um dia inteiro que não durmo e sei que vou ficar com uma ressaca daquelas depois de dormir... Então, para me ajudarem a melhorar, postem rewis ^^
Beijinhos e até a próxima.
No próximo eu falo mais.
Tô morta aff
Nivea
;D