Notas iniciais
Primeiro dia no trabalho, coisas novas, mudanças e surpresas. Será que vai ser logo de cara ?

De repente acordei assustada, olhei para o teto, e não era o da minha casa. Olhei para o relógio, ainda marcava 4h37, mas por que ? Eu só teria que acordar às 7h00. "Que droga ..", pensei, "..perder o sono é uma droga." Olhei mais uma vez para o teto, era branco, com um belo e simples candelabro de vidro bem trabalhado. Olhei em volta, paredes bege, cortinhas marrons, e uma janela grande eram parte da decoração do quarto frio. Eu ainda não estava acostumada com a nova casa, com a nova vida. Me lembro do que minha Mãe dizia, antes de falecer: — Amora, a fases da vida em que passamos por grandes mudanças. Uma grande mudança está por vir na sua vida, mas tenha certeza que não será a única. — Eu sabia que ela estava se referindo à morte dela, que estava cada dia mais perto, mas não sabia quais eram essas outras mudanças.

Sem perceber, peguei no sono, e acordei com o relógio tocando, que barulho irritante. Levantei e dei de cara com Dragão, meu gato. Dragão era um filhote, um gatinho preto tão lindo, seu pelo brilhava como estrelas no céu noturno. Dragão era meu companheiro mais leal nessa nova etapa da minha vida.

Peguei Dragão no colo e me encaminhei para a sala, deixei Dragão em cima da mesa e me virei para ver a roupa que estava em cima do sofá, era linda, e estava separada por um motivo: era meu primeiro dia no novo emprego, queria parecer bonita e confiante. O look era estonteante, porém, simples, havia uma blusa branca de linho, uma bela saia com estampa levemente florida, um coturno preto bem delicado e um lindo sobretudo bege, com botões negros, que cobria todo o look e me ajudava a aguentar o frio Londrino.

Logo que terminei de me arrumar, me juntei a porta de saída do apartamento, olhei para minhas pernas e examinei mais uma vez a meia calça preta, estava perfeita. Olhei para Dragão e disse: — Me deseje sorte bebê.

Saí de casa, quase correndo, fui pegar o metrô, não queria chegar atrasada. Eu havia sido convidada a escrever uma coluna diária no jornal The Fact, era uma ótima oportunidade para uma jovem de 24 anos, na verdade, era um sonho se realizando. O The Fact era um dos jornais mais influentes de Londres, ele contava com sites, rádios e aplicativos para celular para aumentar a dimensão de seu público alvo, era simplesmente, incrível.

Peguei o celular para olhar o endereço certo do prédio que servia de base para o The Fact, olhei fixamente para o celular e percebi que faltava apenas uma estação para eu descer. Eu desceria na EustonStation, e andaria por mais dez minutos para chegar ao prédio, e foi o que fiz. Quando avistei o prédio, fiquei encantada, tinha um ar antigo mesmo assim, as janelas pareciam dar um tom jovial a ele.

Quando cheguei perto da portaria avistei um homem magro e elegante, que parecia estar a minha espera pois quando me aproximei mais, ele acenou e sorriu, retribuí educadamente.

- Amora De Lana, estou certo ? — disse o homem sorrindo.

- Certíssimo Senhor. — sorri de volta.

- Ah por favor Amora, me chame de Jean.

- Será uma honra, Jean.

Ele pegou no meu braço e me levou para dentro do belo edifício. A primeira impressão que tive de Jean era que, ele era gay. Jean era bonito, aparentava seus trinta e poucos anos, mas já haviam cabelos brancos surgindo em suas têmporas, era elegante, e bastante, afeminado.

Chegando no elevador, ele apertou o botão e enquanto esperávamos me falou do meu trabalho, e da minha sala. Disse que era pequena, mas bem aconchegante, disse também que eu estava bonita, que eu tinha arrasado no look. Nessa hora eu pensei "valeu a pena escolher a roupa antecipadamente.". Quando a porta do elevador abriu, entramos os dois de uma vez, um rapaz sentado em um banco perto dos botões olhou para nós e nos cumprimentou:

- Bom dia Senhor Young. Bom dia Senhorita. Para que andar estão indo ?

- Bom dia ! — eu e Jean respondemos em coro. — Quinto andar por favor Gary. — Jean continuou.

Quando chegamos ao quintoandar, percebi que as luzes eram mais claras do que as do Hall. Andei ao lado de Jean, tentando ignorar os olhares em cima de mim, muitas pessoas a minha volta, carregando papeis, notebooks, tablets e celulares, se comunicando e me olhando.

O quinto andar era dividido por saletas, e tinha um largo corredor com alguns balcões, que me pareciam ser as secretarias que os ocupavam. Andamos até a sala 505, paramos na porta, olhei para Jean enquanto ele abria a porta.

- Sua nova sala ! — ele exclamou, entusiasmado.

Entrei devagar, ela era bonita, e realmente pequena, Havia uma mesa similar a de escritório uma cadeira confortável e um computador muito bonito em cima da mesa, que parecia ser de mogno. Atrás de tudo isso, havia uma grande janela, tão grande que ia do chão ao teto da sala. E para dar um tom de paisagem, tinha uma Palmeira Chamaedoria, que era linda e bem tratada.

- A sala é linda Sr.Young. — falei sorrindo.

- Jean, Amora, é Jean. Não se esqueça. — ele falou passando a mão em cima da mesa. — Que bom que gostou criança, agora, mãos a obra. Samantha, trará seus objetivos de hoje, não me decepcione.

- Não o farei Jean.

- Claro que não vai criança. Boa sorte hoje, no fim do dia, envie tudo para o meu e-mail. Está em um lembrete em seu computador. Avaliarei seu trabalho.

- Tudo bem.

- Então, até mais.

- Até Jean, e obrigado.

- Não me agradeça ainda menina. — Ele fechou a porta sorrindo.

Quando me vi sozinha na sala, me aproximei da grande janela, e fiquei pensando nas mudanças que minha Mãe havia falando, "grandes mudanças". Me perdi em meus pensamentos e me assustei quando ouvi uma batida leve na porta pesada de madeira, respondi a seguir:

- Pode entrar.

- Senhorita De Lana, trouxe seus objetivos que o Senhor Young mandou.

- Muito obrigado Samantha. — sorri para ela

- Nada Senhorita De Lana, e boa sorte. Se me permite dizer, é um ótimo cargo esse que a Senhorita está ocupando, muitos jovens lutam por ele.

- Imagino que sim Samantha, e obrigado.

Ela saiu, e eu fui dar uma olhada nos papeis, era tanto papel, tantos objetivos. Então mais uma vez fui interrompida em meus pensamentos. O celular tocou, e eu esqueci que ainda estava com a bolsa ao lado do corpo. Estiquei meu braço para pega-lo, e ver quem era .

- Alô ?

- Hello Frieeend.

Pela voz entusiasmada, sabia que era Emily Smith, uma amiga que eu conhecera a muito tempo, uma típica inglesa, loura dos olhos azuis, com poucas sardas nas bochechas e perto do nariz. Emily era sempre muito alegre, e patricinha.

- Hello Emy

- Queria te desejar boa sorte pra hoje no emprego novo.

- Obrigado Emy.

- E então, quer almoçar comigo hoje. Duas mulheres solteiras e sozinhas no centro de Londres, topa ?

- Emy, você é sempre muito engraçada. — falei rindo. — Tudo bem, depois te falo a hora do meu almoço, mas eu topo.

- Ah, vou aproveitar, e levar um amigo lindo pra te apresentar. Aposto que vai gostar dele.

- Não Emy, não.

Mas era em vão, ela já havia desligado, Emy sempre fizera isso, sempre ignorava minhas opiniões.

Trocamos mensagem durante a manhã, e decidimos ir almoçar às 12h40.

Na hora marcada, lá estávamos nós duas, e aquele cara ...

Notas finais
Hmmm, primeiro dia no trabalho, vida nova, amiga espalhafatosa, chefe gay, e cara gato ? Será mesmo ? E Amora, será que gostou do cara ? Muitas dúvidas. O próximo capítulo revelará um pouco da identidade de Nathan Wood. Espero que tenham apreciado.