Notas iniciais
Aqui está um pouquinho de Nathan Wood, o "it boy" da história, hahaha . Mas acho que ainda não vai ser dessa vez que Nat conhece Amora, talvez, mais tarde. Espero que gostem !

Abaixei a cabeça e encostei o queixo no ferro gélido que me separava do mar. O vento batia com força no meu rosto e bagunçava cada vez mais meu cabelo. Morar em um petroleiro a quase oito meses, talvez, não me tenha feito bem.

Fiquei olhando para o mar. Na verdade, era a única coisa que tinha para fazer ultimamente, olhar para o mar. Eu começara, nas ultimas semanas, a sentir saudades de casa, dos meus pais, do meu irmão John, de tudo que eu deixara pra trás em Londres. Talvez eu não servisse para ser o que sou, estudei demais para chegar aqui, mas talvez, não devesse ter me esforçado tanto, talvez era melhor ter ficado com meu Pai, ter estudado Economia, e ter aceitado os negócios da família. Mas aí eu não estaria sendo o Nathan, estaria sendo apenas um Wood.

– Wood !

– Sim Capitão. — eu disse me virando e alinhando a coluna.

– Wood, quero que vá verificar novamente a densidade e pureza do material arrecadado hoje pela manhã. Acho, não, tenho certeza que seu amigo Cook não verificou corretamente.

– Sim Senhor, já estou indo.

O Capitão foi embora, nós os chamávamos assim por ser ele que mandava em toda pesquisa química do Petróleo naquele navio, o poder dele, era igualado ao de um Capitão.

Me dirigi para a sala, os corredores do Petroleiro são bem estreitos, e arredondado nos cantos, as luzes piscam as vezes, mas não em todos os níveis do navio. Cheguei a sala em que realizaria os testes, me preparei e depois de um tempo, me peguei aéreo, em outro lugar, em um lugar muito distante. Me peguei pensando em Nina Bailey, uma menina com quem namorei alguns meses. Eu achava mesmo que me casaria com ela, que teríamos filhos, e que seriamos felizes. Ainda hoje me sinto culpado por ter feito Nina chorar, ainda hoje lembro da cena de seus belos olhos verdes cheios de lágrimas, seu cabelo ruivo bagunçado e mãos tremulas. Nina e eu a essa altura já tínhamos terminado, a mais ou menos, um mês, Nina não aceitava o fato de eu querer passar 8 meses longe dela, e da minha família, ela achava uma ideia muito egoísta. A melhor saída que encontramos, foi terminar tudo. Cada um foi para seu lado, ela buscava algumas coisas do meu apartamento de vez em quando, e me trazia algumas coisas minhas que estavam no apartamento dela. Nina tinha a chave do meu apartamento, e prometera a mim, que quando acabasse de pegar e me entregar os nossos pertences, devolveria a chave. Hoje em dia fico pensando, talvez a culpa não seja só minha, mas eu tive sim, uma ponta de culpa. Sabia que Nina ainda gostava de mim, e sim, eu ainda gostava dela, mas tava mais disposto a agarrar meu sonho com unhas e dentes.

Na véspera da minha viagem e hospedagem quase infinita no petroleiro, eu levei uma garota muito bonita que conheci em um Pub, que ficava no centro, pra casa. A menina era muito bonita, cabelos negros, olhos azuis, bochechas rosadas, e seios lindos. Nem mesmo lembro o nome da moça. Sei que estávamos quase chegando na melhor parte, quando ouvi um choro abafado. Nina estava em pé na porta do quarto com uma carta na mão, que parecia que iria cair de suas mãos, de tanto que ela tremia. Eu levantei correndo, deixando a moça nua em minha cama, ignorei o fato de também estar nu, andei até Nina e toquei o braço dela, o que fez surtar e gritar comigo, coisas que não entendi direito, só ouvi mesmo ela dizer que eu havia trocado ela por uma puta, não era verdade, mas não seria a melhor hora pra explicar isso a ela. Nina pegou suas últimas coisas e saiu desordenada do meu apartamento. Eu fiquei em pé, nu, na sala, olhando para a porta, sem saber o que fazer. Voltei para o quarto, e a moça estava vestida, e prestes a ir embora.

– Você vai embora também ?

– Não sabia que tinha namorada, Wood. — ela falou vestido seu vestido curto e justo.

– Não tenho.

– Então por que aquela menina ficou brava por ver o que viu ? Por que ela tinha sua chave ? E por que ela disse que você a trocou ?

Eram perguntas demais, mulheres demais, eu tava confuso e acabei não conseguindo responder a menina sem nome. Ela saiu do quarto, chegou na porta se virou e disse pra eu nunca mais ligar pra ela. Não lembro de ter pego o telefone dela, mas de qualquer forma, eu não ligaria mesmo, estaria a mais de 50.000 km longe dela, não faria sentido.

– Wood ?! Wood ?!!

– Cook ?

– Está sonhando rapaz ?

– É, acabei perdendo a noção das coisas, me desculpa. — falei, ainda tentando esquecer aqueles pensamentos.

– Sem problemas, mas, foca mais em seu trabalho. O Capitão está furioso que meu resultado deu errado, não quer que o seu também dê.

Cook estava certo, eu deveria focar.

...

Três semanas se passaram, enfim eu poderia ir para casa. O navio Petroleiro atracou em uma ilha pequena ao Sul da Itália e de lá fui de avião para casa.

Cheguei por volta das 22h45, abri a porta do meu apartamento, e tinha cheiro de velho. Pensei que me sentiria em casa, mas me senti um estranho, como seu eu não tivesse na minha própria casa, eu queria fugir dali, mas, onde eu dormiria. Geralmente, eu dormiria com a Nina, mas a essa altura, ela já devia ter outro cara, ou não iria querer olhar pra mim de novo.

Arrastei a mala para o meio da sala, e liguei a TV na tomada, em quanto a TV iniciava, fui na cozinha ver se tinha alguma coisa na validade. Por incrível que pareça, havia um biscoito de chocolate que parecia ter uma validade eterna. Comi aquele negócio assim mesmo, a fome estava me matando.

Acordei no meio da noite suado no sofá, tinha tido um pesadelo, só não lembrava exatamente com o quê. Levantei e fui ao banheiro, lavei o rosto e fiquei me olhando no espelho, meu rosto estava pálido, e minha barba tomava conta do meu rosto, e meu cabelo, nem sei o que dizer, cachos enormes e selvagens que dominavam meu ser. Decidi fazer a barba, para poder ver melhor meu rosto.

Quando acabei, me olhei novamente, e estava quase vendo o Nathan Wood que fui um dia, o Nathan Wood de 28 anos, mas não era ele ali do outro lado do espelho, ainda era o Wood, o cara que se sentia com quase 50 anos.

Voltei para o sofá, a cama parecia não ser mais minha, e adormeci de novo.

...

Na manhã seguinte acordei e me dei conta que não tinha comida em casa, decidi ir em um Café comprar um Capuccino e talvez um Croissant. Fui a um Café que eu já estava acostumado a ir, antes de ficar oito meses fora, Petit Café era o nome dele, era charmoso e aconchegante, e o que eu tava precisando naquela hora era mesmo aconchego. Chegando lá, havia uma fila de mais ou menos 5 pessoas, fazendo pedidos demorados, e escolhendo coisas que não sabiam se realmente queriam. Fiquei esperando na fila mais ou menos dois minutos, e então chegou uma menina atrás de mim, ela falava ao telefone, e parecia uma maritaca, falava tanto, e tão rápido, "Não Samantha, eu sei que estou atrasada, me desculpe, mas é que eu não tomei café, e você sabe que não posso ficar sem açúcar no sangue. Eu sei Samantha, avisa pra ele que estou chegando. Obrigado Samantha, até.", coitada da Samantha, resolvendo problemas a essa hora da manhã.

– Caramba, essa fila não anda. — a menina que estava atrás de mim disse para ninguém.

– Pode passar na minha frente . — eu disse.

– Não precisa Senhor, tudo bem. — ela falou, se esforçando para sorrir educadamente.

– Eu insisto, ouvi que você está atrasada para o trabalho.

– É sim, estou.

– Então, aproveita. — Falei esticando o braço, dando a deixa para ela passar a minha frente.

– Obrigado. — ela falou, assentindo com a cabeça e sorrindo levemente.

A menina era muito bonita, quer dizer, não me imaginei com ela, mas ela era realmente bonita, aparentava ter 20 à 25 anos, tinha cabelos negros e levemente ondulados um pouco acima dos ombros, sua pele era de um tom de chocolate ao leite, seus olhos eram pouco amendoados e um pouco puxados nos cantos e sua boca, nem sei o que dizer, era linda. Ela usava um sobretudo, botas e luvas, por isso não reparei muito em seu corpo, mas seu rosto, era lindo. Não pude evitar de continuar falando com ela.

– Nathan..

– O quê ? — ela se virou, perguntando.

– Meu nome é Nathan Wood, prazer.

– O meu é Amora De Lana, o prazer é meu, e obrigado por ter sido tão gentil comigo Nathan Wood.

– Desponha Senhorita.

Lá estava eu, flertando novamente. Agora sim, quase Nathan Wood.

– Amora, que nome bonito.

– É, também gosto dele. — ela respondeu, um tanto irônica.

Chegou a vez dela de fazer o pedido, ela pediu rapidamente, sabia o que queria, o que me impressionou. Na hora de pagar, ela abriu a bolsa para pegar o dinheiro, um tanto desajeitada, admito que ela era. Quando conseguiu pegar a carteira, sua bolsa caiu no chão, e espalhou todos os seus pertences.

– MERDA ! — ela exclamou, e em seguida se desculpou com as pessoas do recinto. — Desculpem-me, eu estou um pouco estressada.

As pessoas não pareciam se importar com ela ali abaixada pegando as coisas dela, então abaixei para ajuda-la.

– Obrigado mais uma vez, Nathan Wood. — ela falou ainda de cabeça baixa, pegando suas coisas.

– Nat, pode me chamar de Nat. E desponha. — eu sorri para ela.

Tudo se acalmou quando ela pegou o café dela, e foi embora. Eu já estava com meu cappuccino e croissant na mesa quando percebi um pequeno caderno florido caído em baixo de uma das mesas. Imediatamente pensei em Amora. Levantei da minha mesa, e andei até a mesa em que estava o caderno, abaixei e o peguei. Levei um tempo examinando o pequeno caderno, tinha a capa dura, e pequenas florzinhas rosas por toda a capa. Abri, e bem na primeira folha, a da contra capa, estava escrito "Amora De Lana 888-32453 . email: amoradelana@covc.com . ", era realmente dela. Voltei para minha mesa, e fiquei imaginando em qual momento esse caderno voara da bolsa dela, encarei aquele número, e pensei em ligar. Talvez mais tarde.

...

Mais tarde, em casa, eu tava sozinho, mais uma vez. Pensei em ir ver meus pais, mas eu não estava preparado. Fiquei olhando para TV que passava um filme nacional sobre sexo, mas estava no mudo, e eu nem estava com a cabeça no filme, e sim na Amora. Eu queria entregar o caderno, queria vê-la de novo, mas não era uma atração que eu estava sentindo, havia alguma coisa na Amora que me deixava feliz. Abri o caderno mais uma vez, e evitei ler as coisas que estavam escritas nele, olhei de novo para aquela primeira página, frisei bem aquele número "888-32453", não parava de olhar para ele. Olhei para a hora, 20h03, pensei "ainda está cedo.", cacei meu celular no bolso, e comecei a discar o número que estava escrito no caderno. Fique repetindo baixinho:

– Oito.. oito .. oito.. três ..

Quando terminei de discar, olhei para a tela do celular, e apertei o botão para chamar. Começou a chamar, chamou uma, duas, três, na quarta vez eu pensei em desligar, foi então quê eu ouvi a voz doce de Amora dizer do outro lado:

– Alô ?

Notas finais
Que lindos esses dois. Bom, esse capítulo foi uma apresentaçãozinha do Meu Querido Nathan Wood. Ele ainda é meio galinha, ma isso vai mudar em. No próximo capítulo, vou voltar no tempo pra explicar o almoço da Amora com o tal amigo de Emy, e o por que dela estar atrasada no dia que conheceu Nat. Espero que tenham gostado !