Notas iniciais
Nesse capítulo voltamos no tempo para ver como foi o almoço de Amora e Emy, e também avançamos para mostrar o ponto de vista de Amora quando conheceu Nathan Wood. Espero que gostem !

... Olhei para aquele cara, e não acreditava no que estava vendo. Forte, elegante, cabelos louros e olhos verdes, boca rosa e um nariz fino e muito pontudo. Ele era o tipo Menino Modelo, "Meu Deus, o que é isso ?" eu pensei.

– E aí Amora, gostou ?

Eu fiquei muda, sem saber o que dizer. Ele era tão, como devo dizer, patricinha. Quer dizer, ele era uma versão masculina de uma patricinha, na verdade ele parecia muito com a Emy, pareciam irmãos. Eu olhei fixamente nos olhos dela e disse:

– Vamos nos sentar, estou faminta.

Ele só sorriu e assentiu, nem fomos devidamente apresentados. Até essa hora, não sabia nem o nome dele. Sentamos e escolhemos nossas comidas. Eu fui a primeira a escolher, e fiquei observando Emy e o estranho escolherem seus pratos. Percebi que ele usava roupas de marca, marcas que para mim, eram supérfluas. Ele usava anéis, e um relógio enorme, que me parecia ser de ouro. O relógio chamava tanta atenção quanto seus sapatos de couro intensamente ilustrados.

– Garçom ! — Emy exclamou.

– Sim Senhorita ? — o rapaz alto disse ao chegar a nossa mesa.

Emy começou a dizer o que cada um queria, em quanto eu fingia conferir alguma coisa em meu celular. Percebi o rapaz me encarando. Se eu tivesse a pele branca, com certeza meu rosto estaria vermelho.

– E aí Amora ? Você e o Harris não se falaram. — disse Emy com um olhar malicioso.

– Bom, é verdade. Mas, você não nos apresentou devidamente. — falei, olhando para o celular.

– Sou Harris Cox. — ele sorriu.

– Amora De Lana. — passei minha mão por cima da mesa em direção a ele.

Ele apertou minha mão e balançamos nossas mãos para cima e para baixo, num ato de extrema, desorientação.

Por todo o tempo, durante o almoço, só se ouvia a voz da Emy, contando coisas que, realmente, eu não queria saber. Porém, ao contrario de mim, Harris parecia interessado no que Emy tinha a dizer, e toda vez que ela terminava de contar algo, ele completava com "Emy, você é tão engraçada.", "Emy, você é tão gentil.", "fabulosa", "incrível", "Emy, Emy, Emy ..". Fiquei observando os dois conversando, e comecei a lembrar de casa em quanto saboreava meu petit gateau. Me veio a lembrança do meu Pai, quanto tempo não falava com ele, três semanas se passara desde de a última vez que ouvi sua voz. Meu Pai estava aproveitando a vida no meu antigo país, em quanto eu estava em outro continente tentando ser alguém na vida. Meu Pai era um homem bonito, quer dizer, as mulheres o achavam bonito, ele era, interessante. Gostava de como sua pele escura brilhava sob a luz, e o belo jeito que sua barba grisalha formava um contraste com a pele cor de café. "Pai, por onde deve estar andando uma hora dessas ?" fiquei pensando.

...

Aquele almoço só me fez ver o quanto me sentia sozinha naquela cidade, minha única amiga era Emy, que era uma boa amiga, mas não muito, sei lá, compreensiva. Eu precisava de alguém sabe, precisava de amigos. Na noite daquele dia, liguei para o meu Pai, tentei mostrar para ele que estava feliz, e que tinha sido bom o primeiro dia de trabalho. Ele estava feliz também, estava em uma ilha, com uma nova namorada:

– Ah Papai ... outra ? — falei em um tom cansado.

– Ué minha filha, você sabe que sua Mãe foi a única mulher que me teve só para ela. — ele disse, tentando me explicar algo inexplicável .

Rimos bastante, contamos um para o outro os momentos mais importantes que aconteceram conosco nas últimas três semanas, e desligamos depois de 40 minutos por causa do fuso horário.

...

Mais três semanas se passaram, eu fui definitivamente contratada pelo The Fact e estava me sentindo realizada. Dá pra acreditar que eu tinha minha própria secretária ? Bem, na verdade, Samantha Patel era mais como uma tutora, tomava conta de mim na empresa, ela era 10 anos mais velha que eu, e bem mais experiente, nunca ocupou um cargo como o meu no The Fact por não ter a "qualificação" adequada. Injusto. Ela era uma das mulheres mais inteligentes que já tive o privilégio de conhecer.

Samantha costumava me ligar a noite, e algumas vezes pela manhã, para me lembrar do que eu deveria levar para o trabalho, e o que eu deveria fazer durante o dia, mas naquele dia foi diferente. Eu estava super ultra mega atrasada para o trabalho, um atraso de quase 1h30. Eu acordei atrasada, e não consegui pegar o metrô que pegava todos os dias. Saí sem tomar café, coisa que não podia acontecer, eu sou diabética, e não posso ficar sem açúcar no sangue. Saí da Euston Station e me senti fraca, "minha glicose, deve estar muito baixa" pensei. Avistei um café muito charmoso a minha frente, a mais ou menos 40 metros. O nome cintilava a luz do sol que tentava sair de trás das nuvens. Petit Café era o nome, fui avançando na direção do café, com cautela pra não me sentir ainda mais fraca, e acabar desmaiando. Quando eu estava quase perto do café, minha bolsa vibrou, "quem me liga a uma hora dessas ?!" exclamei em pensamento. Olhei para a tela, Samantha Patel e uma foto de Samantha estavam a mostra no visor:

– Alô ?

– Onde você está ? — Samantha disse rápido, sem ao menos me desejar bom dia.

– Eu sei que estou atrasada. — falei em um tom baixo.

– Atrasada, e muito. 1h30 de atraso Amora. Na terceira semana de trabalho. Você tem que andar na linha, não pode dar mole. Senhor Young já perguntou por você.

– Não Samantha, eu sei que estou atrasada, me desculpe, mas é que eu não tomei café, e você sabe que não posso ficar sem açúcar no sangue. Eu sei Samantha, avisa pra ele que estou chegando. Obrigado Samantha, até. — eu disse entrando no café.

– Não demore Amora, até.

Encerrei a chamada, coloquei o celular de volta dentro da bolsa, e olhei para cima, uma fila gingante, bom, não tão grande, umas seis pessoas talvez, mas pessoas que demoravam quase 3 minutos para fazer seus pedidos. Depois de esperar um minuto naquela fila, sem me mover, acabei exclamando:

– Caramba, essa fila não anda. — mesmo sabendo que ninguém me ouviria.

Abaixei a cabeça, e senti minhas pernas falharem. "Merda, agora não." Foi então que eu ouvi alguém dizer:

– Pode passar na minha frente .

Levantei o rosto, e olhei para o dono da frase. Era um rapaz bonito, dono de um belo cabelo negro, com cachos selvagens na altura do pescoço, sua barba era bem feita, tinha um pequeno bigode, voltava a se formar na parte de baixo do queixo, não era grande, mas dava um ar de homem decidido. Seu nariz era da medida certa, seus olhos de um castanho tão bonito que me faziam ficar perdida e sua boca, simplesmente linda.

– Não precisa Senhor, tudo bem. — eu sorri desconcertada.

– Eu insisto, ouvi que você está atrasada para o trabalho. — ele falou em um tom bondoso e simpático.

– É sim, estou.

– Então, aproveita. — ele esticou o braço esquerdo apontando para um espaço livre a sua frente.

– Obrigado. — eu disse, assentindo com a cabeça e tentando sorrir, ainda um pouco tremula pela falta de açúcar.

Abaixei a cabeça novamente, por me sentir cada vez mais fraca, pensei que não iria aguentar esperar minha vez, pensei que desmaiaria antes que eu tivesse a chance de ingerir um grão de açúcar.

– Nathan.. — eu o ouvi dizer.

– O quê ? — eu me virei intrigada.

– Meu nome é Nathan Wood, prazer.

– O meu é Amora De Lana, o prazer é meu, e obrigado por ter sido tão gentil comigo Nathan Wood. — eu falei, tentando parecer grata pelo o que ele fez por mim.

– Desponha Senhorita. — ele deu uma pausa, parecia que estava pensando. — Amora, que nome bonito.

– É, também gosto dele. — eu respondi em um tom irônico, pois achei que ele estivesse brincando com o fato do meu nome não ser um dos mais normais.

Enfim chegou minha vez, fiz meu pedido rapidamente, já sabia o que queria:

– Café Mocha no copo e um sanduíche de frango no pão integral. Por favor. — eu disse bem rápido.

– 13,50€ Senhora. — falou a mulher sentada no caixa do outro lado do balcão.

Eu abri minha bolsa para pegar o dinheiro, mas minhas mãos tremulas não ajudavam, no momento em que peguei minha carteira, por uma fração de segundos, soltei a bolsa em cima do balcão, e ela virou no chão, espalhando tudo que era meu.

– MERDA ! — eu gritei indignada. Ainda com a cabeça baixa continuei: — Desculpem-me, eu estou um pouco estressada.

Eu estava interrompendo o fluxo da fila, mas ninguém parecia se importar. Foi então que o vi abaixar para me ajudar.

– Obrigado mais uma vez, Nathan Wood. — eu falei, quase automaticamente.

– Nat, pode me chamar de Nat. E desponha. — ele sorriu.

Conseguimos pegar todos os meus pertences e colocar de volta na bolsa, quando levantamos meu lanche já estava pronto. Paguei o lanche, peguei minhas coisas e fui embora, sem ao menos me despedir de Nathan, quer dizer Nat.

...

Mais tarde, no trabalho, abri a bolsa para pegar minha agenda. Tomei um susto quando percebi que ela não estava alí, tive certeza de ter colocado ela na bolsa pela manhã. Entrei em pânico, naquela agenda tinham contatos importantes, pensamentos, planos. Eu teria que começar tudo do zero.

Apresentei um dos meus projetos para Jean naquele dia, e ele percebeu que eu não estava muito bem. Estava abalada pelo fato de ter perdido minha agenda. Ele acabou relevando minha desatenção na apresentação e pontuou meu projeto com nota 8.

– Obrigado, muito obrigado Jean.

– Nada criança, seu projeto é muito bom. Mesmo com essa apresentação quase mesquinha. Que desatenção foi essa ? O que houve com você ?

– Perdi minha agenda, a que estava meus planos, projetos e tudo mais. Estou desorientada.

– Tenho certeza que você dará um jeito criança.

– É vou sim, obrigado pelo apoio Jean.

– Tudo bem criança, está liberada.

Fui até minha sala, peguei minhas coisas, e fui correndo para o metrô. Sentei naquele banco gelado, encostei minha cabeça na janela, e fiquei pensando na minha agenda, dei ela como perdida, achei que não a veria nunca mais. Tentei lembrar das coisas que estavam escritas nela, queria chegar em casa e reescrever tudo em outro lugar para não perder todas as informações.

Acabei chegando cedo em casa, 19h47. Entrei no apartamento, tranquei a porta. Estava tão cansada. Decidi tomar um banho. Fui para o banheiro, me despindo pelo caminho. Abri o chuveiro, e a água quente parecia abraçar o meu corpo, comecei a relaxar, foi quando ouvi meu telefone tocar. Saí correndo do banho, o celular estava na sala, me enrolei na toalha, e saí molhando toda a casa, quase tropecei no Dragão. Parei na frente do celular, estava em cima do sofá, sequei bem a mão, olhei para a tela "número desconhecido", então, atendi:

– Alô ?

Notas finais
Esse capítulo mostrou o ponto de vista da Amora do dia em que ela e Nathan se conheceram. E aí, como vai ser essa conversa ? No próximo capítulo, um pouquinho de Amora e Nathan finalmente se conhecendo.