Forasteira

26 Problemas à vista


Notas iniciais
Meninas, infelizmente vai doer! Me perdoem, mas é necessário...

Beijos enormes da Amora.

– Daryl... – Luna estava com os olhos cheios de lágrima – Onde você conseguiu isso?



– Não importa. Não foi nada difícil. Mas se fosse, eu teria ido buscar do mesmo jeito... Entende agora que você não precisa ter medo. Não vou fugir de você. Não quero só levar você para a cama, como o Yago disse...



– Eu queria poder aceitar agora. Queria muito! – Ela fechou os olhos e as lágrimas escorreram por seu rosto. – Mas não posso. Não é algo que eu decida sozinha. E, além disso, preciso de um sinal. Um sinal divino de que eu poderia me liberar da promessa que meu pai fez.



– Não era para você se entristecer. Queria que ficasse alegre e não que chorasse. – Daryl disse, afagando o cabelo dela e sentindo a lufada gostosa de incenso atingi-lo em cheio.



– Eu prometo para você que vou tentar resolver as coisas... Obrigada por isso! – Luna colocou a mão por cima da mão em que Daryl segurava as alianças. – Posso pedir que você guarde para o momento certo?



– Claro, cigana! – ele sorriu o sorriso mais lindo que Luna havia visto na vida. E pensou que seu corpo estava se derretendo ali mesmo.



Eles se arrumaram para voltar para a prisão. Levavam dois coelhos e alguns esquilos para comer. Enquanto atravessavam a mata, Luna parou e disse:



– Preciso te contar uma coisa. É algo bobo, mas enfim... É um segredo.



– Um segredo? – Daryl levantou a sobrancelha daquele jeito que só ele conseguia fazer. A expressão dava ao caçador um semblante entre sexy e bravo.



– É... Meu primeiro nome não é Luna.



– Tá de brincadeira? – tá o segredo era bobo, mas pegou Daryl de surpresa.



– Verdade!



– E por que não me disse isso antes?



– Não posso. Teoricamente.



– Por quê?



– É um costume cigano muito antigo. Quando nasce um bebê, a mãe sussurra no seu ouvido seu primeiro nome. Só os dois podem saber qual é. Os ciganos acreditavam que os maus espíritos não poderiam chamar pelo nome da criança simplesmente por não saberem como chama-la.



– Então você tem um nome antes de Luna. É isso?



– Sim.



– Você vai me dizer qual é?



– Se você prometer não ficar me chamando pelo meu primeiro nome... E se guardar este segredo comigo...



– Mas quando estivermos só nós dois, vou poder te chamar pelo seu primeiro nome? – ele perguntou baixinho, chegando perto da cigana de um jeito que a deixou arrepiada.



– Tá. Mas sem exagerar... – Luna disse dando dois passinhos para trás. Quando Daryl ficava muito perto, ela tinha medo de não conseguir resistir a ele.



– Ok. Então manda bala...



– Estrela. – Luna disse e abaixou a cabeça, tímida.



– Sério? — Daryl sorria de leve.



– Sim. Meu nome completo é Estrela Luna Sara Kalí Ciobanú.



– É perfeito. – Daryl estava sendo sincero.



– Acha mesmo?



– Acho sim, Estrela. – ele disse sustentando o sorriso.



– Minha mãe dizia que estrelas tem luz própria.



Daryl parou e fiou olhando aquela criatura que tinha o nome mais apropriado que ele conhecia.



– Que foi? Porque está me olhando assim? – ela perguntou sem-graça.



– Nada. É que...



– É que...?



– Você é tão... – ele engasgou. Ele queria dizer uma coisa e não sabia como ela ia interpretá-lo. Então resolveu mudar a palavra. – tão bonita!



Luna deu alguns passos na direção dele e ficou bem cara a cara com Daryl.



– Daryl Dixon, você não ia dizer isso.



– Claro que ia. Eu sempre falo isso pra você. – e era verdade. O problema é que ele mentia mesmo muito mal.



– Não, não ia. Fale pra mim o que você ia dizer antes...



– Não dá.



– Dá, sim. Claro que dá! Fale. – ela estava muito curiosa.



– Vou ofender você.



– Ah, meu Deus! Agora quero mesmo saber. Fala, Daryl!



– Não. Vamos voltar. – ele a puxou pelo braço fazendo-a caminhar.



– Porque não pode me dizer o que ia dizer?



– Porque não quero que você fique encafifada.



– Daryl, preciso demais saber.



– Você é teimosa.



– Diga, por favor!. Você não pode me deixar assim, tão curiosa. O que há de mais em você falar? Eu sei que você não falaria nada por mal e eu prometo que não...



– SEXY!



– Quê?



– Sexy. Eu ia dizer que você é muito sexy. Mas... – Daryl parou diante da cara de espanto de Luna. – Tá vendo!



Ela estava muito envergonhada agora. Não ofendida, mas envergonhada. E se virou para começar a andar.



– Ei, é um elogio. Não é para você ficar brava!



– Não estou brava... É que eu não deveria parecer sexy. Entende?



– Entendo. Por causa da sua promessa. – Luna assentiu. — O problema, Estrela, é que você não tem como ter controle sobre o que se passa na minha cabeça. – ela corou e ele achou graça.



Continuaram caminhando até chegar à prisão. Luna decidiu levar a caça para dentro e Daryl ficou na parte externa para limpar as flechas. Ele estava pensando na tarde que tinha tido com Luna e imaginando se aquele dia tão bom podia ser real em meio ao caos. A cigana era uma injeção de vida que enterravam direto na sua jugular. Era uma pena que não tivesse nem uma parca ideia do quanto era linda. Do quanto ela conseguia seduzi-lo com gestos tão ridículos, como quando ela joga os longos cabelos para trás quando estão caindo no rosto.



– Oi.



– Uma voz feminina arrancou Daryl dos seus devaneios. Mas não era Luna...



– Ah, Carol.



– Você tem um minuto?



– Pode falar.



– Aqui não. Vamos na torre?



– Carol, não vai rolar. – Daryl não queria ter que afastá-la de cima dele quando Carol já tivesse sem sutiã.



– Daryl, não estou te chamando lá para te atacar. Só quero privacidade porque o que eu tenho pra falar é bem sério...



– Certo. – Daryl respondeu depois de pensar um pouco.



Eles seguiram para a torre e Daryl se certificou de que não tinha ninguém olhando.



– E então? – Daryl perguntou assim que chegaram no topo.



– Veja isso. – Carol estendeu uma pequena caixa.



Daryl a pegou.



– O que é?



– Veja o que tem dentro...- Carol falou em tom desafiador.



Daryl retirou um tipo de caneta ali de dentro. Tinha uma janela com duas hastes azuis.



– Não sei o que é. – disse Daryl estendendo a caixa e a caneta de volta para Carol.



– É um teste de gravidez, Daryl. – Carol falou irritada.



– Teste de gravidez?



– Sim.



– De quem?



Carol revirou os olhos.



– Meu, né? Lógico!



– E daí?



– E daí que deu positivo. Estou grávida. E adivinha quem foi a única pessoa com quem fiz sexo há exatamente um mês?



Carol disse aquelas palavras e Daryl sentiu que o mundo tinha se aberto debaixo dos seus pés. Aquilo não podia estar acontecendo. Ele tinha engravidado Carol. Luna jamais aceitaria isso.



– Tem certeza?



– Olha para o teste! – ela disse, sem paciência.



– Você não toma pílula?



– Ah, claro... No meio do apocalipse zumbi minha maior preocupação é tomar pílula...



– Você devia ter me avisado, Carol!



– Por quê? Você teria parado tudo para colocar uma camisinha? Eu não tive tempo nem de respirar antes que você me penetrasse...



Certo. Nisso, Carol tinha razão.



– E o que vamos fazer?



– Eu pensei muito e é o seguinte: não acho que seja justo que eu crie outra criança sozinha no meio do apocalipse zumbi. Porém, tenho vontade de ser mãe de novo. Ainda mais agora que Sophia se foi... – Carol deixou algumas lágrimas escorrerem. – Mas, só vou ter esse bebê se você assumir a paternidade e ficar comigo, Daryl. Não como pai apenas, mas como homem também. Por isso, quero que pense bem. Do contrário, vou pedir que traga pílulas abortivas. E tudo bem. Sem drama.



Daryl estava em choque. E estava puto porque se sentia extorquido.



– Carol, ter ou não o bebê não tem nada a ver com estarmos juntos. Isso é sacanagem da sua parte. – Daryl sabia que não queria ficar com Carol e sabia que provavelmente a gravidez dela acabaria com qualquer chance dele com Luna. Afinal, a cigana tinha até previsto a chegada de dois filhos na vida de Daryl. Mas o caçador não estava pronto para pedir que matassem seu bebê. Não era certo! A ideia o deixava arrepiado.



– Pode não ser justo. Mas sei que se você nos der esta chance – e Carol acariciou de leve a própria barriga – vai amar estar em uma família. Uma família como a que você não teve a oportunidade de ter, Daryl! E sei que pode voltar a gostar de mim, como era antes de Luna aparecer. – ela parou para tomar fôlego – Bem, é isso. Pensa e depois me fala sua decisão.



Carol ia saindo e Daryl a pegou forte pelo braço.



– Carol, não quero uma palavra sobre isso para a Luna. E desta vez estou falando sério! – ele disse fazendo a melhor cara de mau que conhecia.



– Sem problemas. – ela decretou – Mas se apresse. Minha barriga vai crescer. Não vou conseguir esconder tanto tempo. E também preciso de uma resposta rápido para fazer o que for preciso.



Ok. Carol estava grávida e ele era o pai. Conclusão: Daryl nem precisou de Yago. Ele mesmo tinha fodido tudo!



Notas finais
Espero que me entendam... E não queiram me matar!

beijos da Amora