Forasteira

27 Necessidade e vontade


Notas iniciais
Lindas, obrigada por estarem comigo. Fiquei preocupada com o capítulo Riacho. Achei que mais gente o comentaria. Decepcionei vocês? Espero que não!

beijos enormes da Amora ♥

Daryl não conseguia pensar em mais nada que não fosse Luna. Ele sentia que estava bem perto de perdê-la. Ok. Ele tinha uma escolha: bastava dizer a Carol que não ficaria com ela e ela decidiria interromper a gravidez. Pronto. Ninguém precisaria saber de nada. Mas ele teria coragem de fazer isso? Com seu bebê?

Por um segundo desejou poder ser Deus, se é que Ele existia, para mudar tudo e trocar seu filho de ventre. Se este feto estivesse se desenvolvendo dentro de Luna ele seria agora o homem mais feliz do mundo. Sua imaginação imediatamente recriou a situação... Luna sentada na beira do Riacho, com os pés na água, acariciando uma proeminente barriguinha. O bebê deles. Um filho gerado por Daryl e Luna. Que diferença! O caçador fechou os olhos e os abriu depois de um tempo.

Seu instinto de sobrevivência gritava por Luna. Se ele estava prestes a perdê-la, queria passar a maior quantidade de tempo ao seu lado. Desceu as escadas da torre de vigília e entrou correndo na prisão. Passou por Carol, dando-lhe um olhar de aviso para que se mantivesse distante. Começou a procurar a cigana em cada uma das celas.

- Daryl, está procurando Luna? – Beth perguntou e ele assentiu com a cabeça.

- Ela foi dar banho em Yanka. Deve estar no vestiário...

Ele correu para o local e encostou o ouvido na porta. Luna e Yanka cantarolavam em romaní provavelmente.

- Tia, quando o Yago voltará?

- Em breve, Yankinha. Só vamos rezar e pedir pra Santa Sara protege-lo, tá?

- Combinado...

Daryl bateu na porta e chamou por Luna.

- Daryl? Pode entrar estou penteando o cabelo dela...

Ele entrou e a cena que viu não fez bem para seus nervos. A pequena estava encostada na tia, de olhos fechados, enquanto Luna terminava de pentear seu cabelo. Daryl engoliu em seco. Luna era uma mãe perfeita, mesmo sem ser mãe.

- Oi, aconteceu alguma coisa?

- Não. Só preciso conversar com você.

- Tá. Vou coloca-la para dormir e ai a gente conversa. Pode ser? – ela deu um pequeno sorriso que aqueceu todo aquele mundo gelado em que estavam vivendo.

- Tá certo.

Daryl saiu e se sentou na escada entre o andar de cima e o andar debaixo da ala d celas que eles ocupavam. Viu Luna ajeitar Yanka numa cama e fazer um afago na sua cabeça. Depois saiu e foi ao encontro de Daryl.

- Pronto.

- Vamos dar uma volta?

- Tá bom.

Eles caminharam para fora da prisão e sem saber onde leva-la Daryl acabou optando pela torre de vigília mesmo.

- Hoje é a sua noite? – quis saber Luna, se referindo ao turno de vigia.

- É... – Daryl estava tentando organizar os pensamentos.

- Aconteceu alguma coisa? Você não parece bem... – Luna tocou o braço do caçador e ele se arrepiou.

- Luna... – sussurrou baixinho.

- Você está me assustando. Se precisar falar algo, pode falar...

- Eu quero você. Eu quero tanto que acho que estou ficando doente.

Luna se espantou com aquela afirmação e com o tom tão baixo da voz de Daryl. Ela colocou a mão na sua testa parra saber se ele estava com febre. Nada. Estava gelado. O caçador segurou a mão dela forte e a olhou direto nos olhos. Luna não conseguiu resistir aquele olhar de súplica e acabou com a distância entre eles, abraçando-o, tentando esquentá-lo com seu calor.

Daryl sentiu seu corpo reagir ao contato de Luna imediatamente. Seu coração batia mais forte, sua pele esquentou, e sua ereção já ameaçava pressionar Luna. Será que ela tinha alguma ideia do que era aquilo? Sentiu a cigana aconchegar a cabeça no seu ombro e aproveitou para inalar todo o cheiro de incenso que se desprendia do seu cabelo. Com as mãos ele acariciava as costas dela, tentando manter-se respeitoso. Ao abraça-lo, certamente Luna havia lhe dado um voto de confiança.

Internamente, Luna estava apavorada. Daryl Dixon era tão forte e valente e agora estava ali como um bichinho assustado. E ela era o motivo disso tudo. Não conseguiria se perdoar se ele ficasse realmente doente. A ideia de ser a fonte dos males de Daryl fez seus olhos se encherem de lágrimas e ela tinha necessidade, urgência de dizer para ele...

- Sim.

- O que disse? – Ele perguntou sem saber.

- Eu disse sim, aceito. Quero me casar com você, Daryl.

Luna abriu os olhos e jurou ter visto uma estrela se iluminando só para ela. Aquele era o sinal que ela pedira a Santa Sara? Esperava que fosse, porque queria se tornar mulher do caçador.

- Você não precisa da aprovação do Yago? E sua promessa? – Daryl fora pego de surpresa.

- Eu preciso de tudo isso, teoricamente. Mas agora o que eu preciso mais é de você. Eu quero que você fique bem e eu quero ficar bem também. Mas não conseguimos paz quando estamos longe um do outro. Pelo menos, comigo tem sido assim... – Luna corou.

- Comigo é assim desde o dia em que você apareceu na minha vida... – ele estava tão feliz e tão triste ao mesmo tempo. Aquilo era tudo o que ele precisava ouvir. Mas justo agora Carol aparecia grávida.

- Então... Não tem jeito. Acho que isso é o destino nos amarrando um ao outro. – ela disse baixinho.

Daryl se separou do abraço e tomou o rosto de Luna entre suas mãos. A cigana era a melhor coisa que havia acontecido na sua vida toda. E ele teria rejeitado qualquer proposta de voltarem no tempo, para quando esse apocalipse não passava de ficção científica, pois isso significaria abrir mão de conhecê-la.

- Luna, eu preciso beijar você. – disse num fôlego só e olhando sério para os olhos dela.

Daryl notou que a respiração dela se alterou, ficou mais rápida e que suas bochechas estavam coradas. Então, ela fez um aceno mínimo com a cabeça, indicando que ele poderia seguir adiante. O rapaz não esperou mais. Ansiava por isso há tanto tempo... Passou uma das suas mãos por trás da nuca de Luna, fazendo um carinho suave. Usou a outra para envolvê-la pela cintura e a trouxe para pero do seu corpo de novo. Foi inclinando a cabeça para seus lábios alcançarem os dela e pouco antes de se encontrarem, Luna suspirou e soltou a respiração pela boca. Estava nervosa e Daryl achou aquilo tão gracioso quanto sexy. Sentiu a calça jeans surrada incomodá-lo e teve certeza de que estava excitado.

Ele tocou de leve os lábios da cigana e ficou um tempo só assim até que ela se acostumasse. Depois, envolveu sua boca macia com a dele e, aos poucos, abriu passagem com a sua língua... “Ah, caralho! Ela tem um gosto tão bom!”. Daryl tinha sede de Luna. E estava matando esta sede agora. Sugando cada gota dela como um peregrino perdido no deserto e que acabara de encontrar um oásis. Quando faltou ar, Daryl se desprendeu de Luna e continuou depositando pequenos beijos por todo o seu rosto, sua boca e seu pescoço.

- Eu amor você. Eu amo você. – Era tudo o que ele conseguia dizer. E desejou morrer ali, nos braços daquela mulher maravilhosa para não ter que acordar e enfrentar a dor do rompimento amanhã.

- Estou com medo. – ela disse.

- Não tenha. – ele completou e continuou beijando sua face.

- Eu gosto quando você me beija...

- Então temos isso em comum. – ele sorriu de canto.

- Você disse que me desejava daquele jeito... – ela corou – Ainda deseja?

- Meu Deus, Luna! Muito. Cada dia mais. – ele estava sendo sincero.

- Quando chegar a hora...

- Quando você decidir que chegou a hora... – ele corrigiu.

- É, isso. Quando eu decidir que chegou a hora promete que será cuidadoso?

- Claro que sim. Não tem como ser diferente. Eu vou fazer muito carinho em você e deixá-la tranquila. Vai ser bom. Eu juro. Mas só vai acontecer quando você quiser.

- Tá bom. Obrigada! – ela disse sorrindo e pela primeira vez tomou a iniciativa de beijá-lo.

Daryl se sentiu tão sortudo e feliz. Ele queria casar com ela amanhã e fazer amor com ela amanhã. Assim, quando tudo acabasse ele pelo menos não teria morrido sem experimentá-la. Mas aquilo era algo escroto de se fazer. Então, estava fora de cogitação. Precisaria pensar. Mas decidiu fazer isso amanhã. Naquele momento ele só queria beijar Luna.

Notas finais
Gente, vocês acham que Daryl deve fazer o quê? Ele ama tanto a cigana... Que dor no coração. E me contem depois se o capítulo Riacho ficou ruim? Please? beijos enormes da Amora