Forasteira
33 Pressentimentos
Notas iniciais
beijos enormes da Amora
"Minha Santa Sarah que olha por todos nós ai dos Céus, peço que a Senhora ilumine meus caminhos, me arranque da escuridão, guie meu destino e serene meu coração."
Luna repetiu a pequena prece em voz baixa enquanto aguardava o sono chegar. O dia tinha transcorrido razoavelmente bem. Porém, tantas coisas estavam acontecendo que sua cabeça parecia não descansar um minuto sequer. O filho de Yago, a proposta de Woodbury, sua dependência de Daryl Dixon... Ela só queria ter um minuto de paz e silêncio dentro da própria mente.
Para piorar, havia um nó em sua garganta que a cigana não conseguiu desfazer. Um incômodo sutil, como um zunido baixo e persistente que nos faz questionar se estamos ouvindo corretamente e quase nos leva à loucura.
Luna estava com medo de pensar á respeito, pois sabia o que era. Ela conhecia bem aquele estado. Era um pressentimento. Detestava ter pressentimentos. Sempre detestou. Nunca quis se antecipar ao futuro. Mas naquela noite teria dado um braço para saber o que viria adiante.
A cela parecia pegar fogo, seu corpo estava quente, chegou a pensar que estivesse com febre, mas... Não! Ela sabia que não era nada físico. Forçou-se a fechar os olhos e a cor que se formou na sua cabeça foi um azul tão profundo e cristalino. Era o azul dos olhos de Daryl. Sentiu seu espírito deixar seu corpo e abordar o espírito do caçador. Suas almas se entrelaçaram assim que se viram uma diante da outra. Luna se sentia segura e plena. Aquele azul invadia todo o seu ser, acalmando-a.
Então, as paredes ao seu redor começaram a ceder. E percebeu que não eram feitas de concreto. Eram como tendas, feitas de tecido. E estes tecidos caiam aos seus pés e aos pés de Daryl. Por trás daquelas cortinas de tecido Luna ouviu ua voz doce chamar pelo seu nome. E instintivamente se soltou de Daryl e acompanhou o som.
A voz dizia que ela, Luna, estava livre para amar.
Livre para amar! E então a cigana finalmente caiu num profundo e aconchegante sono.
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