Notas iniciais
Leitoras maravilhosas, MIL PERDÕES pelo sumiço. Eu perdi um capítulo gigante de Forasteira. E juro... Eu me desesperei. Fiquei puta por ter perdido. Agora estou reescrevendo cada parte, mas não é a mesma coisa. :( Então, resolvi quebrar em dois capítulos para poder detalhar como estava na primeira vez. Peço muitas desculpas, mesmo!

Me perdoam???

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Paralelamente a isso, uma linda surpresa: a 15º recomendação de Forasteira que veio pelas mãos da Tomoe Oak, uma nova leitora que, pelo o que entendi, pegou o bonde andando e viciou em Forasteira... Que linda! Obrigada por suas palavras tão gentis e por gastar seu tempo me escrevendo uma belíssima recomendação como a que fez! ♥ Meu coração pulsa de felicidade. Eu adoro leitoras que pegam a fic para ler agora porque tem tanto material, né? E quando fico sabendo que a pessoa leu tudo numa tacada só me sinto lisonjeada, pois quer dizer que a história conseguiu prender e surpreender. Espero seguir sem decepcioná-las jamais.

Ah e um beijão para uma nova leitora que se manifestou aqui o nome dela é Aurora! Obrigada por me acompanhar, viu?

beijos enormes da Amora

Luna mergulhara de vez numa escuridão profunda. Yago, a única família que havia lhe restado em pé naquele apocalipse estava morto. E não fora morto de uma maneira qualquer. A crueldade estava impressa naquela decapitação. Quem fizera aquilo desejava nada menos que causar um sofrimento profundo.

Acigana caiu aos pés do que restara de Yago e derramou as lágrimas quentes e grossas na grama do pátio da prisão. Ela sentia braços envolverem sua cintura, vozes sussurrarem ao seu ouvido palavras de conforto... Mas âncoras de mil toneladas prendiam seus joelhos ao chão. Ela fechava os olhos e cobria com as mãos o rosto, ao mesmo tempo, sentia vontade de se despedir de Yago. Mas aquilo estaria longe de ser um velório comum. “Ele foi torturado antes de ser morto? Sofreu muito? Pensou em mim antes de morrer?”. Tais perguntas gritavam dentro da sua cabeça e Luna simplesmente não conseguia se conectar ao que acontecia ao seu redor. Então, ouviu um nome que injetou força em seus músculos e adrenalina no seu coração: Yanka. Alguém dissera o nome da pequena.

- Yanka! – Luna se ergueu imediatamente e começou a dar voltas em torno daquela cabeça, completamente desorientada. – Yanka não pode ver isso. Não pode ver... – ela repetia em um tom muito baixo, passando a mãos pelos cabelos de forma nervosa, tentando decidir o que faria com aquele pedço de Yago, jogado diante dos seus pés, tal qual lixo.

- Vamos enterrá-lo, Luna e ... – Rick se aproximou e colocou uma mão no ombro da cigana, que estagnou imediatamente, focando nos olhos azuis do xerife. Ela o mirou por um momento e, de repente, segurou firme em seus ombros, chacoalhando Rick tanto quanto tinha forças para tanto.

- Você disse que não me queria mal, que não causou nenhum mal a minha família, NÃO DISSE? – ela perguntava nervosa, entredentes, as lágrimas ainda formando rios em sua face.

- Eu disse e é verdade, Luna. Não fizemos isso para Yago. Você sabe que não. – Rick tentava manter a calma.

- Então, me ajude a não deixar Yanka vê-lo assim. Você pode fazer isso? Acha que pode fazer isso por mim? Por nós duas? – ela implorava, desta vez, parecendo mais frágil que perigosa, mas sem desgrudar as mãos dos ombros de Rick.

Daryl estava dois passos atrás e um sentimento de ciúme e tristeza se misturavam dentro dele. O caçador tinha esperanças de que estava conseguindo trazer Luna de volta a realidade que eles tinham antes dela perder a memória, mas a Luna pré-Woodbury jamais estaria pedindo ajuda a Rick antes de pedir ajuda a ele próprio. Sentiu os dedos das mãos formigarem e fechou os punhos, contando até cem para se acalmar e não deixar aquele momento horrível ainda pior.

- Claro. Vamos enterrá-lo agora mesmo. Luna, eu realmente sinto muito por isso. Não desejávamos mal para Yago. Não desejávamos...

- Eu agradeço, mas não precisa ser hipócrita, Rick. Yago estava do outro lado, estava com o Governador, contra vocês. Impossível que não tivessem raiva dele ou coisa semelhante... – ela abaixou um pouco a cabeça.

- Ao contrário do que você pensa, Luna, nós estávamos tentando trazer Yago para a prisão antes de você ser levada a Woodbury. – quem falava agora era Hershel. Seu tom sábio e calmo prendiam completamente a atenção de Luna.

- Como assim? – ela quis saber.

- Yago veio até a prisão, nos pediu socorro, nós o acolhemos. Quando ele foi capturado pelos homens de Woodbury passamos dias montando um plano para salvá-lo de lá. Mas ele sinalizou que gostaria de ficar e... Bem, de toda forma queríamos ele aqui porque Yago tem sementes neste grupo. Sementes que vão muito além de você e Yanka...

- Doq eu está falando, Hershel? – Luna estava desorientada. Yago sempre dissera que ela e Yanka eram as prioridades de sua vida e que mataria e morreria por ambas. O que mais poderia motivá-lo a voltar?

- Yago engravidou Carol, Luna. O filho que ela carrega no ventre é dele... Ele terá um filho dentro dos domínios desta prisão. E há uma mulher grávida que precisaria com certeza da ajuda dele para criar este inocente que vem ai...

- Carol me disse que o bebê é de Daryl... – Luna praticamente sussurrou. Daryl já ouvira aquela acusação antes. E era tão absurda que ele tinha vontade de esmurrar uma parede por saber que Luna tinha dúvidas a respeito daquele golpe fracassado que Carol tentara lhe aplicar. O velho golpe da barriga.

- Não, Luna. O filho que Carol carrega dentro de si é de Yago. Ela mesma admitiu isso para todos nós quando Daryl se negou a ficar com ela só por conta do suposto filho que eles tinham feito juntos. – Hershel tinha tanta firmeza e segurança no que falava!

Luna virou-se e deixou seus olhos se encontrarem com as orbes azuis do caçador. Sua boca estava entreaberta, sinalizando o golpe que tomara. Sua mente estava completamente confusa. Tudo girava... Todas as histórias que lhe contaram ali e em Woodbury se misturavam e não faziam o menor sentido. Seu rosto não disfarçava o tamanho do espanto. Porque Carol mentiria para ela? Porque se daria o trabalho de difamar Daryl Dixon?

- Cigana, você entende que eu não estuprei Carol? – Daryl respirava fundo para conversar com ela o mais tranquilamente possível. Ele se aproximou e tomou uma de suas mãos entrelaçando seus dedos nos dedos dela.

- Mas que história é essa de Daryl ter estuprado Carol? – Maggie soltou uma risada nervosa pelo nariz. – Todos nós aqui sabemos que ela é obcecada por ele, que tentou ficar com ele à força... Luna, você não acreditou realmente que...?

Luna estava completamente perdida e se afogando aos poucos nos oceanos límpidos que eram os olhos de Daryl. Aquele azul tão claro parecia incendiar seu corpo. Reuniu as forças que tinha para responder.

- Ela me disse. Tudo o que ela me contou bate perfeitamente com as memórias que tenho do meu próprio estupro. – Uma dor alucinante invadiu seus nervos e a fez soltar a mão da mão de Daryl num solavanco. Como se tivesse se dado conta que segurava algo podre.

- Que memória de estupro? Luna, do que você está falando? – Hershel perguntou.

- Quando eu estava em Woodbury, fizeram uma sessão de hipnose para saber se conseguiam resgatar uma parte das minhas lembranças do passado. Não consegui me recordar de tudo, mas de uma das vezes em que fui violentada, eu me recordei muito bem. E ela combina perfeitamente com os relatos de Carol e... Não é possível! – Luna levou as mãos a cabeça que latejava. – Eu não aguento mais não saber o que é real e o que é mentira. Porque ninguém pode simplesmente me dizer a verdade? É só o que eu peço. Já não basta todo esse sofrimento? Porque isso está acontecendo comigo e justo agora? – ela não segurou um soluço. Aninhou o rosto entre as mãos, encolheu os ombros e chorou como há muito tempo queria ter chorado. Tendo espasmos e sentindo a enxurrada de lágrimas molhar seu rosto e seus cabelos.

Daryl se desesperou ao vê-la tão fragilizada e suplicante. Ele fez menção de envolvê-la com seu corpo, mas Hershel o segurou antes que pudesse alcança-la.

- Daryl, não é uma boa ideia. E você sabe disso... – cochichou. Apesar de Daryl achar Hershel irritante e intrometido ás vezes, não podia deixar de concordar que aquela não era uma boa hora para ele abraça-la.

- Luna, querida... – Hershel se aproximou e afagou as longas cascatas castanhas. – Venha comigo. Quero que me conte sobre esta sessão de hipnose e o que viu nela. Você confia em mim?

Luna não aguentava mais segurar aquele segredo com ela. Precisava repartir, dividir o peso com alguém e naquele grupo todo a pessoa em que mais confiava no momento era o senhor de barba branca que lhe falava agora.

- Mas e Yago...? – perguntou, secando o rosto com as mãos. Sentindo os olhos quentes e ardentes pelo choro compulsivo.

- Vamos enterrar a cabeça de Yago em nosso cemitério. Ele não vai ser desonrado. Nós prometemos pra você, Luna! – Glenn fez questão de ressaltar.

- Podemos enterrá-lo, então? – Luna questionou de novo. – Um enterro decente e digno?

- Claro, Luna. Um enterro como os outros de nós receberam.- Rick disse apontando uma ala distante da prisão onde podiam se ver montes adornados com cruzes de madeira improvisadas.

Apesar da dor ser gigante, aquilo deu algum alívio à cigana.

- Mas você tem de ir com Hershel e conversar com ele, entendeu? Tem de nos dizer o que contaram pra você sobre seu passado em Woodbury. Luna, eu garanto pra você que muito do que disseram é mentira. Nós a acolhemos aqui e amamos como parte deste grupo. Nunca, jamais teríamos deixado ninguém maltratá-la ou estupra-la. Eu tive uma esposa, tenho um filho. Hershel tem duas garotas... Acha que podíamos conviver com uma atrocidade desta sem impedir? Sem fazer nada para te defender? Não. Absolutamente não. Daryl é meu amigo, meu homem de confiança. Ele é um cara bom. – Rick repetiu esta frase olhando diretamente para o rosto do caçador, que abaixou a cabeça em sinal de timidez e gratidão, ao mesmo tempo. – Mas se ele escolhesse encostar em você desta maneira nojenta, eu teria estourado os miolos dele, entendeu? – Rick voltou os olhos para Luna novamente.

A garota assentiu e fungou mais uma vez, tentando se recompor. Ela precisava descobrir a verdade, custe o que custasse.

- Vamos, gente! Vamos cavar uma covaa para Yago e tirar a cabeça dele daqui... Antes que Yanka veja. – Rick ordenou. – E, Luna, vá com Hershel, abra seu coração. Nos dê uma chance, por favor, ok?

- Luna saiu acompanhada do senhor e voltou para a ala das celas sem trocar novos olhares com Daryl.

Aquele homem... Meu Deus! Ela não sabia se estava enlouquecendo, mas ela tinha uma enorme vontade de que ele não fosse nada do que descreveram para ela. Seu coração batia mais forte toda vez que o arqueiro se aproximava ou que a tocava, como quando tinha tomado uma de suas mãos.

Hershel sentou-se na cama da cela e convidou Luna para fazer o mesmo.

- Meu anjo, você perdeu a memória recente. Quero que saiba uma coisa, Luna... Algo aqui dentro da sua cabeça está como um fio desconectado. Suas lembranças não foram deletadas. Você só está com problema para acessá-las.

- O que isso muda na prática? Continuo a mercê das versões que cada um resolve contar para mim... E fico cada dia mais confusa e com medo. – ela estava sendo muito honesta.

- Ah, Luna... Isso muda tudo. Veja: seu cérebro pode não conseguir lhe mostrar as imagens do passado, mas ele entende que as possui ainda. O que significa que emocionalmente você está ligada á elas ainda.

- Desculpa, não estou entendendo ainda... – ela estreitava os olhos, fazendo esforço para compreender o que Hershel queria lhe mostrar.

- Aqui. – Hershel estendeu a mão e apontou para o lado esquerdo do peito de Luna. – É ai dentro que você deve procurar os indícios de que a versão que estão lhe contando é verdadeira.

- Você quer dizer que eu vou sentir a verdade, é isso?

- Quero dizer que por mais que você não se lembre, você continua amando as pessoas que amava antes e que por ventura esqueceu o quanto elas significavam para você.

- Está falando de Daryl?

- É, Luna. Estou falando de Daryl Dixon. Você o amou e ainda o ama muito. Eu tenho certeza que você sente o conflito quando ele está por perto. Você sabe que disseram que ele é um monstro, mas seu coração dispara por este monstro. É visível e qualquer um pode perceber a batalha interna que você trava para não se render a ele.

Luna corou violentamente. Primeiro por aquele homem estar lendo tão claramente seus pensamentos mais íntimos. Segundo, porque uma mulher que deseja dar uma chance ao homem que a estuprou não parece ter valor algum.

- Não precisa ter vergonha. Se quer saber algo, saiba que a sua história com Daryl é o Romeu e Julieta dos tempos atuais. – Hershel deu uma risada e viu um sorriso se formar nos lábios de Luna. — bem, mas agora preciso saber um pouco das memórias que você ressuscitou em Woodbury. Se quiser se deitar, relaxar... Quanto mais à vontade você estiver, mais fácil será se recordar.

Luna ajeitou o corpo e encostou as costas na parede perto da cama. Ela fechou os olhos, respirou fundo e começou a contar...

...

Rick e os outros retornaram à ala das celas. Hershel os esperava. Luna tinha adormecido e agora Yanka estava ao seu lado. A expressão no rosto do senhor não era nada boa e Daryl, que vinha logo atrás do xerife, percebeu de cara que a coisa era bem piro do que podia supor.

- E então, Hershel?

- Rick, Luna teve um segundo colapso aqui. Precisei de Beth e Carl para contê-la.

- Tudo isso por causa das memórias que ela recuperou em Woodbury...?

- Sim. Ela não podia estar pior. E não podiam ter feito um serviço tão sujo quanto esse sem que alguém muito inteligente estivesse por trás...

- Hershel, conte pelo amor de Deus o que aconteceu! – Daryl implorou, dando um passo a frente.

Hershel o fitou com uma expressão que era um misto de dó e dor.

- Vamos sentar, Daryl. Você vai precisar!

(CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO)

Notas finais
Só uma frase pra vocês: sentem-se na cadeira, como o Hershel pediu pro Daryl fazer. Porque vem bomba por ai! As memórias de Luna são chocantes. E vocês verão o porquê no próximo capítulo!

Deixem seus reviews???

beijos enormes da Amora