Forasteira

16 Perdendo Luna


Notas iniciais
Como me dói escrever essas coisas. Mas espero que gostem! beijos da Amora

Luna já estava alguns metros afastada de Daryl. Ela voltava para o interior da prisão depois daquela conversa surreal que haviam acabado de ter. Ele precisava colocar a cabeça para raciocinar. Carol aparentemente tinha mentido para ele sobre a cigana. E ele, retardado, tinha caído como um pato. Isso era fato. Mas a troco de quê? Só conseguia achar uma explicação plausível: ciúme. Se fosse isso, Daryl estava ferrado pra valer, porque tinha caído na tentação de transar com a mãe de Sophia na noite anterior. E esta era a segunda maior fonte de angústia dele. Se para Luna um beijo já era uma questão e tanto, imagina um contato íntimo deste tipo? Ficou com medo do que ela poderia pensar e se lembrou do que Yago falou para ela naquela noite fatídica, no acampamento... Ele dissera que Daryl a trataria como uma puta rameira, que a usaria e depois a descartaria. “Droga! Merda! Merda!”.

Ele queria entrar e enfiar a mão na cara de Carol, exigindo uma explicação para a mentira, mas sabia que agora teria de ter muito cuidado. “Uma mulher ciumenta fode com a sua vida direitinho” – era o que Merle dizia e era o que Daryl mais temia neste caso. Precisaria se controlar. Mas uma coisa já estava decidida: em Carol ele não encostaria um dedo mais. Não depois de ter ouvido Luna dizer que o queria mais próximo dela do que deveria. Ouvir aquilo pareceu ter injetado vida em suas veias. O caçador nunca se sentira da maneira como se sentia agora... Ele definitivamente não entendia as pessoas que se diziam apaixonadas e que ficavam correndo atrás de alguém, como um louco obcecado. E olha só para ele agora? Se pudesse estaria pendurado naquele pescoço, se embriagando com o cheiro de incenso de Luna... E o mundo poderia explodir, que ele provavelmente nem iria reparar.

– E ai, maninho? Já está comendo um caminhão de esterco por causa da cigana, né?

Ele nem tinha reparado Merle se aproximar.

– Do que você tá falando?

– Tô falando da Luna. De quem mais seria?

– Não estou a fim de conversar agora...

– Mas vai! Você ficou louco? Está se apaixonando neste mundo de merda? Já é difícil sobreviver sozinho, imagina com uma maluca dessas pendurada na suas costas...?

– Merle, tô falando sério. Não quero conversar.

– Então é verdade! Você está caidinho por ela...

– Eu vou entrar... Se quiser fique ai falando sozinho. Só não faça nenhuma merda que obrigue o Rick a te expulsar, porque se isso rolar, eu juro, você vai ter que enfrentar isso sozinho desta vez! – Daryl cuspiu no chão, se virou e caminhou até a entrada da prisão. Tudo o que ele não precisava era do Merle falando na sua cabeça.

Chegando no pavilhão, Daryl viu uma cena que gelou sua espinha.

Luna e Carol estavam conversando a sós em uma das celas. Ele chegou devagar e tentou ouvir o que falavam.

– Luna, querida... Quero que entenda. Eu adoro Daryl e não quero que ele se machuque. Por isso eu o avisei... Mas fiz sem maldade!

– Carol, tem ideia do quanto ele estava magoado comigo por causa do que você disse?

– Do que eu disse? Foi você mesma quem me falou que não poderia se envolver com um não-cigano.

– Sim, eu não posso e continuo não podendo. Mas há uma enorme diferença entre não poder se envolver com um não-cigano e não querer se envolver com uma pessoa especificamente, não acha?

– O que eu acho é que vocês deviam deixar esta amizade mais clara. Porque alguém vai acabar se magoando e espero, de verdade, que este alguém não seja ele...

– Daryl salvou minha vida, salvou Yanka... Você acha que eu quero vê-lo machucado? — Luna estava indignada. Tão indignada que não conseguia esconder isso.

Carol chegou bem perto dela, olhou-a com um sorriso que não tinha nada de amigável e disse:

– Eu sei muito bem que você gosta dele. Porque fica se fazendo de santinha se você o deseja hein, Luna?

– Eu... Eu não sei direito o que sinto...

– Eu sei muito bem o que você sente. Ou vai me dizer que nunca se imaginou nos braços fortes de Daryl? Nunca se viu envolvida pelo corpo dele? Nunca desejou sentir vocês dois unidos como um só ser?

– Você e eu somos muito diferentes uma da outra. Minha ideia de romance é outra...

– Mas nisso somos iguais. Sentimos vontade de ter Daryl em nossas camas. Por mais que você negue! — Carol estremeceu de raiva.

Luna ficou abismada. Aquilo era uma mudança e tanto no rumo das coisas. Ela não desconfiara de que Carol tinha um interesse tão direto em Daryl. E pelo visto, não era de hoje que a fantasia de se tornar a mulher do caçador tinha tomado a cabeça da mãe de Sophia.

– Não sou casada. Não posso ter intimidade com homem algum. E mesmo que um cigano entrasse por aquela porta, não poderia aceita-lo como marido, porque sou consagrada a Santa Sara Kali. Fui prometida a ela quando tinha horas de vida. Mas você é incapaz de entender a importância de tudo isso, não é? É uma piada pra você...

– Você vai querer me dizer que é virgem agora?

Luna não respondeu.

– Pelo amor de Deus! Quantos anos você tem, hein? Não é mais nenhuma adolescente! Então foi por isso que Daryl ainda não tentou se deitar com você. Deve ser péssima de cama. Uma virgem estúpida que não sabe o que fazer para ter o homem que deseja... Tenho pena de você.

– Não se dê o trabalho de ter pena de mim. Eu tenho orgulho do que sou.

Aquele papo estava esquentando e Daryl previa a grande merda que estava prestes a vir.

– Quer saber do que eu tenho orgulho? Eu tenho orgulho disso aqui... – Carol subiu a camiseta e mostrou as marcas roxas que os dedos de Daryl tinham imprimido em sua pele branca na noite em que transaram. – Sabe o que é isso, Luna? Isso é o resultado de uma noite de sexo selvagem com seu querido Daryl. Agora você já sabe na cama de quem ele se deita! Por isso, mocinha, aprenda qual é o seu lugar e nem pense em roubar o homem alheio. Isso é muito feio. E vá vestir uma calça. Essa sua mania de saias é patética. Que golpe barato de sedução... – Carol virou as costas e saiu da cela.

Luna estava estática. Não conseguiu se mover. Estava processando o que Carol tinha acabado de lhe revelar. Daryl entrou na cela na sequência. Estava em pedaços, como ele iria mentir e dizer que não, que não tinha cedido à quela tentação?

– Luna...

Ela se virou e ele viu as lágrimas se formando nos seus olhos grandes.

– Diga pra mim que não é verdade. Diga que não se deitou com ela, por favor! – agora ela já soluçava, cobrindo o rosto com as mãos.

Daryl não soube o que dizer... Deu dois passo a frente, queria ficar perto da cigana.

– Não! Fique bem ai onde está!

– Luna... Não faça isso. Eu ainda quero tentar ajeitar as coisas entre nós dois.

– Nós dois? Ou nós três? Não sabia que Carol fazia parte dos seus planos!

– Não faz. Ei, Luna... Ela não faz. Desde o dia em que coloquei meus olhos em você, acabou todo o resto. Não consigo enxergar mais nada que não seja você, cigana. Até o cretino do meu irmão já notou...

Luna chorava como criança agora. Seu coração estava partido em mil pedaços e ela não sabia se conseguiria colar tudo outra vez, voltar a ficar inteira novamente.

– Yago tinha razão sobre você... E ele morreu tentando me avisar sobre o que você faria comigo. Maldito o dia em que nossos caminhos se cruzaram, Daryl Dixon! – Luna saiu correndo, deixando Daryl estarrecido.

Então ele acordou do transe e saiu correndo atrás dela.

– Beth, por onde Luna foi?

– Ela foi por ali, tentei avisá-la para não entrar na outra ala, mas ela estava chorando, não me deu ouvidos...

Santo Cristo, Luna ia se embrenhar prisão adentro, justo na ala comprometida, onde T-Dog havia sido mordido. Daryl pegou a besta e saiu em disparada. Tantas coisas passavam pela cabeça dele, mas a principal era que ele escalpelaria Carol viva se Luna sofresse um arranhãozinho sequer.

–