Forasteira

52 [PAUSA] Degustação


Notas iniciais
Oi, minhas lindas e maravilhosas. Estou aqui para anunciar que estou trabalhando também numa nova fanfic sobre o filme Santos Justiceiros. Sim, com o Norman tb! Não abandonarei Forasteira, nem que a vaca tussa. Só dei este tempinho por conta do meu níver, mas tá quase pronto um novo capítulo dela :)

Gostaria demais de contar com vocês para opinarem sobre o começo da nova FIC. Vocês me ajudam? Please? Espero que sim!!!

Nesta nova fic, Murphy e Connor MacManus, os Santos Justiceiros, resolvem dar fim a Dom Brandani, o chefão da máfia ítalo-brasileira que opera em Boston. Eles atacam a mansão do mafioso em plena festa de São Vito, porém, quando estão prestes a executar o velho, sua neta, Bié Brandani, interrompe tudo e estraga os planos dos irmãos MacManus. Eles decidem levá-la e trocá-la posteriormente pelo próprio Dom Brandani.

O problema é que Murphy e Connor não imaginavam que estavam lidando com uma jovem sagaz, inteligente, feminista ao extremo e que promete tirar os McManus da linha. Especialmente Murphy que alimentará por Gabriela Brandani um tipo de obsessão sexual louca. Como será que isso vai acabar?

Vamos descobrir juntas?

Beijos enormes da Amora

Capítulo 1 — Boston, a cidade proibida

– HAHAHA! Dá uma olhada nisso aqui... – Connor estende a mão entregando o caderno policial do Boston Times para Murphy, que está atirado na cama ao lado.

– “Polícia acredita que máfia brasileira está por trás do consumo crescente de cocaína em Boston”. Brasileiros? Sério? – se pergunta incrédulo numa meia risada, ainda de olho no jornal.

– Pelo visto estas belezinhas aqui vão ter que começar a falar brasileiro. – Connor limpa um dos silenciadores com uma flanela velha.

– Português!

– Quê?

– Eles falam português.

– Mas de que porra você está falando?

– Os brasileiros. Falam português, sua mula! – corrige Murphy.

– Que seja... Não interessa. Eles merecem nossa misericórdia, irmão. Vamos rezar por eles... Ouvi dizer que estes ai são descendentes dos malditos italianos. Essa raça saiu da Itália só pra fazer merda mesmo? Inacreditável...

– Brasileiros com italianos? Imagina só esta mistura! Puta merda. Bem, vamos dar um jeito nisso muito em breve. – concorda Murphy se levantando e arrancando a regata branca imunda por cima da cabeça. – Mas, agora preciso de um banho. – Diz, fungando debaixo de uma das axilas. – Affffeeee!

– Irmão, você podia matar um desses brasileiros só com essa levantada de braço, pelo visto. Puta nhaca. – Connor rola de rir, ainda com as costas apoiadas na cabeceira de metal de sua cama velha que mais parece um leito antigo de hospital.

....

– Susie? – Dom Brandani chamou de sua sala de estar, o jornal estendido na mesa de jacarandá à sua frente. Nenhuma resposta.

– SUSIEEE? – desta vez gritou e ouviu a governanta morena, gordinha e baixinha batendo os sapatos com salto pequeno no chão de madeira da mansão.

– Chamou, Dom Brandani? – perguntou.

– Mulher, você precisa ir ver aquele otorrino que te falei. Você está surdinha da Silva.

– Desculpa, estava na cozinha passando as ordens para as cozinheiras. A festa será amanhã e alguns pratos precisam ser preparados ainda hoje... – a mulher ajeitava os óculos de pesadas armações pretas no rosto, enquanto se justificava. Sabia que seu patrão não estava bravo. Dom Brandani era alguém extremamente afável. Seus 64 anos o tornaram bastante complacente. A única coisa que não perdoava era deslealdade e braço curto. Gostava de trabalho duro. E toda a sua organização funcionava assim. Não era à toa que estava milionário.

– Certo! Você tem razão, como sempre, Susie! Você tem ideia de onde está Gabriela?

– Sua neta estava na piscina hoje cedo, Dom Brandani...

– Essa garota... O que vou fazer com ela, Susie?

– Amá-la? – ela sugeriu e se arrependeu logo em seguida. Susie adorava Gabriela, a neta de Dom Brandani. E sabia que parte de suas rebeldias se devia ao fato de que não fora cuidada e amada adequadamente quando criança. A mãe de Bié, Luciana ou Little Lucci, se envolvera com um membro da Vory Zakone, a temida e perigosa máfia russa. Kiril, o pai de Bié, foi julgado no tribunal da Vory Zakone como traidor. Sua sentença foi leve, pois o único crime era ter se envolvido com uma “puta brasileira”. Ele pôde ficar com Little Lucci, mas a criança no ventre dela deveria ser dispensada. Sem ter coragem ou forças para fazer um aborto, Lucci abandonou a bebê na porta da casa do pai logo após o parto. Tudo para poder viver ao lado de Kiril, seu grande amor. Sua única instrução foi batizar a garota como Gabriela.

Dom Brandani amou a neta assim que viu aquele bebê de olhos verdes oliva, como o de sua mãe, a bisavó de Bié, Maria. E decidiu chama-la de Gabriela Maria Brandani. Bié crescera entre os Estados Unidos, o Brasil e a Sicília, na Itália. Sempre que perguntava pela mãe, Dom Brandani respondia que ela tinha partido para viver um grande amor, mas que ela tinha avós, tios, primos em abundância para amá-la. E era verdade. Só de tios, somava 16. Primos, então, incontáveis. Porém, mesmo cercada de parentes, o vazio no peito de Bié crescia. Não podia comemorar dia dos pais ou dia das mães. No Natal e no seu aniversário sempre esperava por um cartão de felicitações que jamais chegou. Aos 13, Bié desistiu de esperar. E foi ai que os problemas começaram. A rebeldia se instalou, junto com a adolescência.

– Bié sempre foi muita amada, Susie. Você bem sabe como fiz das tripas o coração por esta garota. E ainda assim não pensaria duas vezes antes de dar minha vida por ela! Tudo culpa de Luciana. Como ela teve coragem de nos deixar por um porco da Vory Zarkone que sequer lutou pela própria filha? – questionou o senhor estremecendo de raiva.

Dom Brandani era uma figura temida e respeitada. Líder da máfia siciliana na América Latina, seus negócios começaram no Brasil, onde aportou pensando ser a Argentina. Para sua sorte, havia muitos outros italianos em São Paulo que o ajudaram e depois se trasnformaram em contato. Começara os negócios excusos fornecendo uísque contrabandeado aos cassinos clandestinos. Depois passou a trabalhar com ópio e outros entorpecentes. Até que nos anos 90, a Greg Scarpa, líder de um dos principais braços da máfia italiana nos Estados Unidos, foi detido pela polícia e anunciado como antigo colaborador do FBI, para espanto geral do comando italiano. Então, o posto de chefe foi oferecido a Dom Brandani, alguém considerado tão competente quanto confiável.

Ele aceitou desde que pudesse liderar ao seu modo e que não precisasse abrir mão do braço brasileiro dos seus negócios, que iam de vento em popa. Assim foi acordado.

Gabriela se mudou com o avô primeiro para Nova York, onde se adaptou bem. Com o passar dos anos, no entanto, a polícia da cidade fechou o cerco sobre os comandos mafiosos e Dom Brandani foi obrigado a se mudar para Boston. Os problemas começaram. Bié detestou a cidade desde o começo. E a cidade parecia detestar Bié na mesma intensidade. Prova disso é que o tempo de neve maltratava os ossos tropicais da garota de uma tal forma que pensava que iria morrer de hipotermia.

Apesar de extremamente culta e estudiosa, Bié acabou expulsa de quatro escolas e a saída encontrada por Dom Brandani foi matriculá-la num internato, o Saint Edwiges, nas redondezas da cidade. Inclusive, naquele exato instante, Bié deveria estar lá. Mas fora pega no pomar da escola, fumando um cigarro, empanturrando-se com um saco de cerejas in natura e lendo Virgínia Woolf. Sim, Virgínia Woolf, a feminista cujas convicções deixavam as freiras do Saint Edwiges de cabelo em pé.

Por esse motivo, Gabriela tomará uma advertência e tinha sido enviada para casa para passar uns dias com a família, pensando nos graves delitos que havia cometido. “Freiras estupidas... Eu fumo em seu pomar e o que ganho? Liberdade! Se isso é a ideia delas de castigo, por favor, me mandem logo para o inferno!” – retrucou Gabriela quando o avô lhe lançou o olhar repreendedor.

– Bem, Susie. Diga à Bié que quero que ela participe da festa de São Vito amanhã. Faça com que fique decente, elegante e comportada. Não suporto vê-la nos trapos que ela chama de roupa. – instruiu Dom Brandani enquanto Susie concordava.

Gabriela usava o desleixo como forma de protesto na casa de seu avô. Ela sabia que ele zelava pela boa aparência. E por isso deixava seu lado selvagem fluir. Andando com os longos cabelos ondulados presos em rabos de cavalo nada caprichosos e usando vestidos de algodão com aparência barata com alguma blusa de moletom por cima. Os esmaltes nas unhas, ela deixava descascar. Quando demoravam a estragar, ela mesma cuidava de arrancar as pontas para que parecesse que ela havia se esquecido de fazer as unhas.

Susie subiu as escadas da mansão de Dom Brandani e rumou pelo corredor esquerdo. Ao fim, enxergou a porta do quarto de Bié escancarada. Lá dentro ouviu a garota cantarolar algo... Ela sabia. Estava em português. Bié amava Caetano Veloso e tinha uma vasta coleção de discos do cantor. A voz do baiano ecoava no quarto. “Tarada, mesquinha, pensa que é dona e eu me pergunto quem lhe deu tanto Axé...”

– Bié?

– Susie?

– Amanhã é dia de São Vito.

– Eu sei... A festa!

– Isso!

–Tem algo para vestir? Deixa eu ver suas unhas...

Bié estende as mãos de unhas roídas e dá uma gargalhada divertida.

– Não estou apresentável? Devo ficar bonita? Para quê? Para arranjar um bom partido mafioso que agrade ao meu avô?

– Não fale isso, Bié! Você sabe que seu avô pretende que sua vida seja dferente da que ele leva... Por isso você estuda nas melhores escolas...

– E nas mais hipócritas também. Mas sei que você só cumpre ordens, Susie e não vou te dar trabalho. Pode escolher o que quiser para mim. Vou usar sem reclamar, como uma boa menina.

– Mesmo? – os olhos de Susie brilharam.

– Mesmo. Não me importo. Pelo menos terá comida boa.

Susie acordou e tratou de abrir o closet de Bié, lotado com tudo do bom e do melhor. A garota não usava nada daquilo. Preferia os trapos comprados em supermercados como o Walmart e as calças jeans velhas e desgastadas.

Enquanto averiguava o armário, viu Gabriela apanhar o romance de Virgínia Woolf, afundar na cama e se dispersar. Sabia que Bié jamais toparia um vestido glamouroso, cheio de brilhos... Precisaria ser algo simples. Então separou um vestido estruturado, de saia rodada, com detalhes em tiras pretas e um sapato Mary Jane.

– Isto terá que servir, Bié.

– Menos os sapatos. Vou usar meu Converse, Susie.

– MAS...

– Sem mais, nem menos já fiz uma grande concessão aceitando particpar desta pataquada. – disse aumentando o som ainda mais.

Susie resolve deixar o quarto antes que a garota decida que irá usar um trapo qualquer no lugar do vestido. “Que Dom Brandani não tenha u ataque cardíaco ao ver sua neta em um par de Converse em plena festa de São Vito!”.

[Bié: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=83788939&.locale=pt-br]

....

– Bar vazio hoje, Dock? – perguntou Connor enquanto pegava um copo de legítima cerveja irlandesa.

– Hoje é dia de São Vito. Os italianos estão fora das ruas hoje. Dom Brandani decretou toque de recolher em respeito à data.

– Tá de brincadeira? Mafiosos com mania de religião me deixam... realmente chateado, para não dizer fodido. – Murphy rosna, entredentes.

– E haverá alguma festa, por acaso, Dock? – Connor sonda.

– Sim, muitas. A principal será na casa do próprio Dom Brandani. Dizem que não sobrou um único uísque para vender nas lojas de bebidas de Boston. A coisa vai ser grande este ano! – responde o velho dono do bar irlandês.

– E todos podem beber? Até os seguranças da mansão Brandani?

– Poder, não podem... Mas quem é que conseguecontrolar algo assim? Só se sabe que foram chamados reforços para a segurança. Parece que Bié Brandani estará presente na festa este ano.

– Quem? – quis saber Connor.

– Bié... Gabriela, a neta de Dom Brandani. Filha de Little Lucci...

– Little Lucci...? Porque este nome me soa tão familiar? – Murphy questiona.

– Porque vocês mataram o marido dela, Kiril, naquela chacina dos mebros da Vory Zakone. – Dock lembra os irmãos.

– Vadia! Equantos anos tem a vadia júnior? – Murphy questiona raivoso.

– Não fale assim, Murphy. Bié é só uma garota. Acabou de completar 17. Dizem que é bastante inteligente e que não se orgulha da família mafiosa que tem. Também ouvi dizer que tem planos de voltar para o Brasil...

– Brasil? – Connor se assusta.

– Sim! Dom Brandani também chefia o braço brasileiro da máfia.

– Pera aí... Ele tem algo a ver com isso aqui? — Connor estende o recorte de jornal com a manchete sobre o crescimento do consumo de cocaína em Boston.

Dock avalia...

– Eu acho que Dom Brandani está 300% ligado a esta notícia. Mas não preocupado. Ele tem informantes no FBI e em todos os órgãos oficiais. Tem alguém grande recebendo grana para não colocar asmãos nos chefões da máfia ítalo-brasileira. – Dock termina.

– Bem, talvez esta festa seja nossa oportunidade, Murphy.

– Verdade, irmão.

– Não me digam que pretendem...

– Obrigado pela cerveja, Dock. – diz Connor jogando um maço de dinheiro sobre o balcão e saindo.

– Até mais, Dock!

...

O salão da mansão Brandani está lotado. O avô de Bié circula alegremente, cumprimentando e rindo entre os convidados. Gabriela, ao contrário, estava achando tudo uma chatice sem tamanho. Arranca os fones do seu iPod de dentro do cardigã preto que jogou por cima daquele vestido patético e corre para a sala do vinho.

A sala da vinho era enorme, por trás das paredes móveis, uma enorme adega, onde seu avô buscava os mais caros vinhos para degustar em âmbito particular, somente com os principais chefes de sua organização. Ela sabia que tinha apenas alguns minutos de sossego ali. Todos já tinham comido, a música começava a animar e, em breve, seu avô se reuniria ali, na sala do vinho, para sua habitual ronda. A “ronda” era a reunião onde ele alinhava as ordens com seus principais subalternos.

Bié tocou em um interruptor escondido entre uma estante de madeira e outra e uma porta disfarçada também de estante se abriu. Um corredor que dava acesso a grande adega se apresentou. Ela entrou e deixou a entrada encostada, quase fechada. Estava frio e Bié apertou o cardigã contra o corpo. Tudo bem. Preferia passar morrer de frio do que ficar fazendo média com a italianada. Tinha saudades do Brasil, de sua vida sob o sol. Em Boston o frio cortava sua carne. Era como um castigo constante. No iPod, os primeiros acordes de Luz de Tieta... Caetano Veloso e Gal Costa. O som do Olodum atrás... “Existe alguém em nós e em muitos dentre nós este alguém que brilha mais do que um milhão de Sóis e que a escuridão conhece também”. Os olhos de Bié se encheram de lágrimas. Ela era brasileira. Não podia se sentir mais deslocada nos Estados Unidos. Em Nova York vivia em Little Brazil. Aquelas ruas tão abrasileiradas eram um balsamo para suas saudades. Costumava dizer que em Little Brazil até a temperatura era diferente. Fazia mais calor e o verão durava mais ali. Fechou os olhos e deixou o calor da música e das lembranças de sua infância em terras brasileiras aplacar o frio da adega.

...

Bié despertou com o barulho de um estampido. Era abafado, mas ainda assim alto o suficiente para ser ouvido por de trás das paredes falsas. A bateria de seu iPod já era... Ela foi se aproximando da porta e ouviu algo sendo murmurado e... a voz de seu avô!

– Vocês pensam que não irão atrás de vocês, porcos miseráveis? – Seu avô só se referia a alguém como porco miserável quando a coisa estava realmente feia. Será que tinha descoberto algum traidor dentro da organização?

Bié engatinhou para fora da porta falsa e se acomodou atrás de um móvel colonial. O que espiou dali gelou sua espinha e precisou conter um grito dentro de si: seu avô, de joelhos, e dois homens de pé com seus revolveres apontados para a cabeça dele, murmurando algo que lhe pareceu como uma das orações que aprendera no Saint Ediwiges. Eles estavam quase terminando. Bié sentiu que algo muito ruim aconteceria porque havia sangue e outros corpos por todos os lados da grande sala de vinho. Então tomou uma decisão.

– NÃO! Por favor! POR FAVOR, parem! Ele é meu avô. – gritou, as lágrimas descendo pelo rosto, o cabelo bagunçado e o vestido todo amassado. Ela caminhou, com as mãos para o alto, para que vissem que estava desarmada.

– Fique ai onde está garotinha. Isto não é com você. – Connor disse.

Bié não parou, continuou andando. Conforme se aproximava, seu avô lhe pedia:

– Para trás, Bié! Não deixe que eles te matem. Eu juro por Deus que vou buscar a alma de vocês dois no inferno se ferirem minha neta. PORCOS MISERÁVEIS.

– VÔ! – Bié estava ajoelhada e agarrada ao pescoço do velho Dom Brandani!

– Terão de me matar também se quiserem atirar... – ela bradou enquanto se segurava forte no senhor ajoelhado.

– O que vamos fazer? – Murphy perguntou.

– Não podemos atirar. Ela é uma criança... – Connor respondeu. – Vamos leva-la com a gente.

– Não! Não se atrevam a tocar na minha Gabriela. Miseráveis! – Dom Brandani se estrebuchava, enquanto Connor fazia força para arrancar Bié dos braços do avô.

– Vem comigo, garotinha! – ele puxava pela cintura. O vestido de Bié subiu revelando uma boa parte de suas coxas tenras de menina. Ela tinha pernas fortes, Connor se martirizou por estar reparando no corpo de uma adolescente. Concentrando-se, puxou mais forte e finalmente conseguiu desgruda-la do velho.

– Vamos levar sua neta agora. Se a quiser viva, terá que trocar de lugar com a garora. Você sabe que tem sido um homem desprezível, Dom Brandani. Espero que faça a escolha certa ou então... Pode dar adeus à menina. – Connor acabou o discurso e junto com Murphy sumiram na escuridão da sacada da sala de vinho.

Dom Brandani gritou e urrou de dor. Tinham levado sua Bié. Precisava garantir que ela voltaria viva.

...

– Ei, acorda!

Alguém batia de leve em seu rosto. Bié estava com uma dor de cabeça tão grande que sequer tinha forças para abrir os olhos, mas o fez. Quando aconteceu deu de cara com dois pares de olhos azuis reluzentes observando-a. Quem eram? Onde estava?

– Gabriela, não é? – perguntou o mais bronzeado. Ela assentiu com a cabeça. – Meu nome é Connor, este é meu irmão Murphy. Você está com a gente agora. Ela olhou para o lado. O irmão de Connor, Murphy, a examinava de um jeito estranho. Ele tinha uma pinta perto da boca, tipo uma versão masculina bastante atraente de Cindy Crawford. Bié quis rir com esta comparação, mas achou por bem segurar o riso. Pelo bem de sua própria vida.

– Vou atrás de algo para comer. Fique de olho nela, Murphy.

Bié de encolheu no canto e segurou um lençol contra seu corpo. Ainda estava de vestido. O mesmo usado na noite anterior, na festa de São Vito. “Esses caras iam matar meu avô....” – lembrou-se.

– Você é bonita. – ele disse finalmente. – Tem uma cara bem italiana, mas ainda assim é bonita.

– As italiana são bonitas. – corrigiu Bié.

– Não são, não. Você é. – ele rosnou. Seu jeito grosseiro e incisivo fizeram com que Bié tremesse. De medo ou de ansiedade? Isso ela não sabia.

– Vocês vão me ...

– Estuprar? Lógico que não! Não somos o monte de lixo do seu avô!

– MEU AVÔ NUNCA ESTUPROU NINGUÉM...

– Ah é, mocinha? Mas por acaso ele sabe o que o pessoal que está abaixo dele faz com as esposas e filhas de quem tem dívidas?

Bié ficou chocada. Ela odiava a máfia. Odiava sua família por estar envolvida naquilo. Mas nunca, nem em seu pior pesadelo imaginou estivessem envolvidos, mesmo que indiretamente, com algo tão nojento quanto estupro.

– Preciso vomitar... – saiu correndo em direção ao pequeno banheiro no fundo do quartinho imundo em que se encontravam.

Enquanto colocava seu jantar todo para fora, Bié sentiu uma mão grande e grossa dar apoio para sua testa, como um pai faria enquanto sua filha passa mal. “Um pai... Não tenho pai, nem tenho mãe”, pensou.

Quando não havia mais nada para colocar para fora, ela deu descarga e se sentou diante do vaso sanitário. Murphy se sentou ao lado dela e ofereceu uma escova com pasta de dente.

– Aqui... Se quiser escovar os dentes... – a voz dele estava mais calma agora.

– Obrigada. Vou aceitar! Mas, espera... De quem é essa escova?

– É minha.

– Vai ter coragem de me emprestar? Acabei de vomitar o mundo!

– Pode usar, Gabriela.- ele disse tranquilo.

Murphy era uma cara realmente mais bonito quando estava calmo. Bié o olhou... Seus braços magros, mas fortes estavam cobertos de tatuagens que pareciam ter significado religioso. Seu corpo, sob a camiseta preta e a calça jeans, parecia forte também. Ela nunca havia visto um homem tão... sexy de perto.

– Pode me chamar de Bié... – deu de ombros, se levantou e começou a escovar os dentes.

Ele continuou sentado enquanto ela terminava o serviço. Então se lembrou de que estava de vestido.

– Ei, não olhe minha calcinha! – ralhou ela.

– Não estou olhando. Você é sempre assim, é?

– Sempre assim como? – perguntou para, logo em seguida, começar um bochecho com água.

– Assim tão geniosa... – Murphy completou.

Ela secou a boca depois de escovar os dentes numa toalha ali perto...

– Não. – se abaixou de novo e ficou no nível de Murphy, que estava sentado no chão. – Costumo ser bem pior. Nem meus pais foram capazes de gostar de mim de tão desprezível que sou. Você vai me odiar também, Muph! – decretou e ele jurou que viu uma lágrima descer dos olhos oliva de Gabriela. Então ela saiu, indo afundar no colchão da cama velha.

Murphy ficou estático. Estava incomodado. Seu corpo doía inteiro. Ele olhou para baixo, o jeans estava apertado. Porra! Ele estava excitado. “Que grande monte de merda eu sou... Excitado por causa de uma garota!”. Ele se levantou e foi até um baú, no quarto, pegou algo parecido com um chicote de várias pontas, arrancou a blusa preta, expondo seu peitoral e ali mesmo, se ajoelhou e, sob as vistas estarrecidas de Bié, começou a se flagelar.

–NÃO! O que está fazendo? – a garota gritou quando o chicote estalou contra as costas e perfeitas claras de Murphy.

– Saia daqui garota. Eu pequei. Preciso me redimir. – E continuou a se chicotear, cada vez mais forte. Tentando segurar os gemidos de dor dentro da boca. Bié se ajoelhou diante dele e pediu insistentemente para parar. Aquilo era horrível de ser.

– PÁRE! Por favor... Estou com medo! – ela começou a chorar. Se aquele maluco era capaz de fazer isso consigo próprio o que não faria com ela, neta de Dom Brandani?

– Menina, você tá me tirando do sério. Não se mete nas minhas coisas... – e continuou a sessão de autoflagelamento.

Aqueles olhos azuis agora reluziam de dor. E tinha também algo como alívio em seu olhar. Com certeza, Murphy estava muito satisfeito por se autopunir com tanta severidade. Mais uma chibatada e algumas gotas de sangue espirraram das costas dele e pousaram, violentas, no rosto de Bié.

Murphy olhou estupefato para a menina que agora limpava o líquido vermelho da face. Ela estava assustada, apavorada e ... linda. Dava para ver que era uma garota nova. Dock disse que ela tinha feito 17, mas parecia ter amadurecido precocemente. Fruto da vida entre bandidos.

O rapaz deixou o chicote cair no chão e ficou olhando para Bié. O peito subindo e descendo numa respiração frenética. Aquela menina era mesmo diferente. Ela se aproximou de joelhos, devagar, parando bem a sua frente.

– Porque está se batendo?

– Porque pequei.

– Pecou? – ela perguntou chocada... Aquilo era algo tão Idade Média. Nem parecia que estavam em pleno século XXI.

– Na verdade, estava olhando suas pernas lá dentro. E você é só uma menina... – Murphy confessou em parte, de cabeça baixa. Na real,decidira se martirizar porque nos breves segundos em que esteve olho no olho com Gabriela lhe dizendo que ele a odiaria, o rapaz imaginou-se encurralando-a contra a parede do banheiro, levantando seu vestido, rasgando sua calcinha e metendo tão fundo e duro dentro dela que ela gritaria de horror e de prazer. Por isso, havia ficado excitado. Por isso precisava se punir.

Bié o olhava com os olhos olivados, quase amarelos, quase verdes. E com a mancha de sangue ainda no rosto, ela se aproximou e deixou seus lábios roçarem nos lábios vermelhos de Murphy.

“Puta merda. Estou beijando uma criança... E não uma criança qualquer. É a neta de um mafioso. Sangue ruim, como ele. Mas quero, caralho! Quero beijá-la mais”, pensou quando ela, para seu infortúnio, descolou suas bocas. Tinha sido um beijo cálido, casto até. Sem línguas. Mas Murphy imaginou que precisaria se autoflagelar noite adentro... As coisas que imaginou fazer com Bié eram completamente impuras, insanas... deliciosas.

Notas finais
Por favor, gente!!! Contem o que acharam??? Só vou cadastrá-la e continuá-la se vocês a aprovarem. Deixem todos os comentários e críticas possíveis. Certo? Ah e quero saber se vcs querem que Connor tb se apaixone pela Bié. Contem pra mim?

beijos enormes da Amora