Forasteira
53 Carl doente
Notas iniciais
Coisas importantes: deixem seus comments e críticas para eu melhorar cada dia que passa. Quero que a história as deixem sem fôlego e estou tão ansiosa porque teremos uma virada na história muito MUITO importante.
É isso! E então, vocês gostaram da Fic de Santos Justiceiros? Vou cadastrá-la.
Beijos enormes da Amora.
No dia seguinte, Luna levantou antes de Daryl. Tomou cuidado para não acordar o caçador e foi parar debaixo do chuveiro. La tinha sonhado a noite toda com o bebê de Carol e Yago. Sentia que precisava voltar para a prisão. Algo lhe dizia que tinha que estar lá para proteger o bebê. Ensaboou-se devagar, lavou os longos cabelos e tomou uma boa ducha, fria mesmo. Desligou o chuveiro, secou-se e se acomodou numa nova troca de roupa.
Quando saiu do banheiro, Daryl já tinha aberto os olhos.
- Está acordado há muito tempo? – ela perguntou.
O caçador negou com a cabeça, sem tirar os olhos dela. Ele parecia vidrado. Internamente, se perguntava quanto tempo aquilo iria durar. Toda vez que Luna aparecia diferente diante de seus olhos, era como se todo o ar de seus pulmões tivessem sido roubados. Ele a adorava como uma deusa. Mal podia acreditar que aquela mulher era de verdade e que era sua esposa agora. De um jeito diferente do que tinha imaginado, mas era.
- Cada dia que passa você fica mais bonita, Luna. – Ele declarou, os olhos ainda na cigana.
Luna riu, tímida, e balançou a cabeça como se não acreditasse.
- Estou falando muito sério.
- Obrigada, Daryl. Você é u cavalheiro. – agradeceu baixinho.
- Sou?
- É, sim. Muito!
- Você só pode estar maluca...
- Então, estamos os dois loucos, não é?
- Estamos sim... Como é que eu devo chama-la agora?
- Como assim?
- Senhora Dixon?
Luna gargalhou. Daryl o cara durão, queria agora dar um títul à ela, como sua esposa.
- Pode ser, se você preferir. Mas ainda não tivemos o casamento reconhecido, não se esqueça.
- Teremos. Eu vou dar um jeito nisso... – Daryl viu Luna arrumando as coisas dentro da mochila.
- Já vamos embora? Temos mais um dia aqui. Tem que ser três dias, não?
- Teoricamente... Mas Yago não terá como saber. Além disso, precisamos voltar Daryl. Estou muito preocupada. Com um mau presságio. Preciso cuidar de Carol e do bebê que ela carrega e...
- Você não tem que cuidar de ninguém, Luna. Você não vai se arriscar por isso.... Não posso nem sonhar em perdê-la por causa de Carol uma segunda vez... – Daryl pendeu a cabeça para baixo. – Eu fiquei estraçalhado da última vez que você me deixou. Não quero mais passar por isso. É um saco.
Luna se aproximou e sentou-se na cama, pegando a mão dele.
- Mas aquele bebê significa muito para nós. Lembre-se Daryl, agora você também tem alma cigana, se estamos juntos. O bebê de Carol é a continuação do nosso bando.
- Podemos fabricar um bebê meu e seu e continuar este bando nós mesmos....
- Não, não podemos. Apenas os filhos de um cigano homem nascem ciganos natos. Yago é o único cigano de nosso bando ainda vivo – se Deus quiser... – Luna lembrou-se de que ele estava sob o poder do Governador. – Sem contar que o grupo precisa de nós para ajudar na proteção, na caça... Temos que ir, Daeyl.
O rapaz finalmente concordou. Ele esperava aproveitar completamente aquela pequena lua-de-mel com sua cigana, mas pelo viso aquilo focaria para depois.
Assim que organizaram todas as coisas e comeram um atum enlatado com alguns pêssegos em calda, também enlatados, eles se prepararam para deixar o hotel.
Durante o caminho, precisaram eliminar cinco walkers, mas tudo foi bem mais tranquilo do que imaginaram.
Entraram no carro e seguiram viagem até a prisão. Assim que chegaram os portões se abriram e Daryl viu Rick correr em sua direção. Quando o caçador saltou do carro, Rick o pegou pelo colarinho.
- Daryl, ficou maluco? Estava cogitando seriamente em sair em busca de vocês dois... O Merle disse que você levou Luna porque ela queria se oferecer para a troca proposta pelo Governador. Devia ter falado comigo antes de sair por ai como um louco caralho... – ele parou de falar quando Daryl ergueu o dedo anelar da mão esquerda, exibindo a aliança que um dia fora de Rick e Lori.
Rick olhou para a joia e deu um suspiro...
- Você e ela se casaram? Você fugiu para se casar com ela, é isso? – Rick perguntou baixinho, mas rindo um pouco.
- Isso. – Daryl deu um sorriso de canto de boca.
- Parabéns, irmão! – Você quase nos matou de susto, mas essa é uma ótima notícia. Estou feliz por vocês.
- Oi, Rick. Espero que não esteja muito bravo com a gente... – Luna se aproximava dos dois.
Rick estendeu o braço e puxou-a pela mão esquerda, fazendo-a exibir a aliança de Lori.
- O anel era dela, não é? Vou entender se quiser de volta... – Luna murmurou.
- Rick a puxou para um abraço, ignorando todas as regras dos ciganos sobre mulheres não poderem tocar gadjés e toda aquela pataquada que, agora, não parecia importar nenhum pouco.
- Luna, ficou perfeita em você. Estou muito contente por você e Daryl. Muito! – os olhos do policial brilhavam e ele parecia verdadeiramente emocionado. Grimes admirou mais uma vez a mão de Luna adornada pela aliança. – Linda...
- E, então? O que rolou nesses dois dias? – Daryl quis saber vendo Glenn e Maggie se aproximarem aos poucos e já com preguiça de explicar o porquê do sumiço mais uma vez.
- Tudo na mesma. Carol não está lá muito conformada com essa gravidez. Ela nos pediu pílulas de aborto.
- Não! Ele não pode fazer isso... Porque quer tirar a vida de um ser inocente? – Luna se chocou.
- Luna, ela não ama Yago. Você deve saber disso... – Rick ponderou.
- Eu entendo, mas a pobre criança não tem culpa. Vou falar com ela, convencê-la do contrário e...
- Luna, o fato de você e Daryl estarem juntos oficialmente não vai ajudar nisso, pode ter certeza... – Rick advertiu desta vez.
- Juntos oficialmente? – Glenn que chegara perguntou chocado.
- É Glenn... Parece que Luna e Daryl agora são um casal de verdade. – Rick respondeu apontado a aliança no dedo de Luna e no dedo de Daryl.
- Uau! Caras, meus parabéns! Glenn abriu um enorme sorriso e parecia genuinamente contente pela notícia. – Para um cara durão como você, conseguir uma princesa como a Luna é um grande feito... Ai! – disse levando uma cotovelada de Maggie.
- Luna, parabéns por isso! Maggie a abraçou e deu um beijo na bochecha da cigana que retribui de imediato.
- Saiam todos vocês da minha frente! Deixa eu dar uma boa olhada na minha cunhada! – Merle abriu espaço entre todos que estavam na roda e parou em frente a Luna. Pegou-a pelo queixo e meio que examinou o rosto da cigana. – Você é uma bela de uma gracinha, cigana. Daryl teve muita sorte! – disse soltando-a. – Parabéns, irmãozinho. Agora você tem uma mulher. Antes tarde do que nunca. – Disse, rindo. Daryl, de cara fechada, sabia que aquilo era o mais próximo que Merle conseguiria de uma demonstração de carinho e aceitação.
- Maggie, sabe onde está Yanka? – Luna foi logo perguntando.
- Melhor perguntar isso para o Merle. Yanka se apegou à ele e os dois parecem pai e filha... –Maggie riu sabendo que o comentário deixaria Merle puto da vida.
- Que culpa eu tenho que a Praga não larga do meu pé? Tive que cuidar dela, né? Nunca vi uma criança tão esfomeada... Também a ensinei a matar zumbis.
- VOCÊ O QUÊ? – Luna quase enfartou ao ouvir aquilo.
- Isso mesmo, cunhadinha. Ensinei a Praga a matar zumbis. A treinei para enfiar uma faca ou qualquer coisa afiada na cabeça deles. Tava achando o quê? Que pode deixa-la indefesa para sempre? Ela precisa saber sobreviver, caralho! – Merle esbravejou.
- Mas você a levou para fora? Para perto dos zumbis? É maluco? – Luna também gritava. E Daryl tentava acamá-la apoiando as mãos em seus ombros.
- Não, lógico que eu não ia fazer isso. Eu não sou maluco. Eu a treinei da parte de dentro da cerca. Tá vendo aqueles ali, ó? – Merle apontou para uma linha de zumbis mortos ao longo da cerca, do lado de fora. – Praguinha foi quem deu cabo deles. Ela é muito rápida e esperta... – Deixou escapar para se arrepender logo depois. Ia ficar parecendo um pai meloso e isso era tudo o que não queria parecer.
Luna fez força para se conter. Brigar com Merle agora não ia ajudar. Precisava ir ver Carol e tentar convencê-la a ter o bebê.
- onde está Carol? Quero falar com ela, Rick! – foi logo pedindo, enquanto Daryl tirava a mochila e as outras coisas do carro com a ajuda de Maggie e Glenn.
- Luna, não é um bom momento. Ela está dormindo agora. Deixe-a descansar. Além disso, Maggie tem razão: ela vai surtar quando souber de você e Daryl. Ela realmente se envolveu com ele... Sei que isso a incomoda, óbvio! Mas teremos que lidar com mais essa emoção. – ele falou tentando manter a calma e transmiti-la para Luna. – Fora isso, tem o Carl... – não conseguiu completar. Seus olhos se apagaram e uma aura de dor tomou conta do policial na mesma hora.
- O que tem Carl? – Luna perguntou sobressaltada. Ela havia se apegado muito às crianças todas: Carl, Beth... Não aguentaria saber que algo aconteceu a qualquer uma delas.
- Calma. Ele está vivo! Mas está muito, muito doente. Uma febre que vem de tempos em tempos, dor, vômito... Hershel não tem ideia do que pode ser. Estou preocupado que meu filho não consiga... – Grimes se calou. Só de pensar na possibilidade de perder Carl também um pesar lascinante tomava conta de seu coração. Como sobreviveria? Ele perderia toda e qualquer razão para continuar adiante.
- Rick! Vamos salvá-lo! Me leve até ele. Quero cuidar dele... Por favor! – Luna implorou.
- Certo! Ele vai ficar muito feliz em vê-la! Venha! – disse tomando-a pelas mãos. – Daryl, Carl está doente e vou levar Luna para vê-lo, tudo bem?
- O garoto está bem? – Daryl se preocupava com o pequeno Grimes. Tinha se apegado a ele também. Muito mais do que costumava admitir. – Ele precisa que a gente busque remédios? Podemos ir já, Rick! – ele se ofereceu.
- Já buscamos o que Hershel prescreveu. Mas nada passa. Ele vai precisar ser forte para aguentar... – Rick abaixou a cabeça, engolindo o choro.
- Não vamos perder mais ninguém, Rick. Entendeu? Mais ninguém! Nem que eu precise vasculhar cada farmácia desta droga de país. Eu prometo. – Daryl colocou uma mão sobre o ombro de Rick e o policial assentiu. Eles tinham se tornado realmente irmãos durante aquela jornada. Era algo muito valioso.
- Vou lá ver o Carl, então. Vamos? – Luna puxou Rick e ele a guiou para dnetro da prisão, sob o olhar de Daryl. Era algo absolutamente idiota, mas foi difícil ver Luna, sua mulher, sendo levada por outro cara para qualquer lugar que fosse. Realmente, após longos 32 anos, o amor tinha atingido Daryl Dixon de jeito com direito a todos os elementos no pacote, incluindo um ciúme louco. Se pudesse, decretaria uma lei que determinasse que todo e qualquer ser do sexo masculino não poderia chegar a menos de 5 metros de Luna. Pegar em sua mão e leva-la para longe dele, então? Seria punido com pena de morte. “Que porra estou pensando... É o Rick! Ele não representa perigo...”. Sacudiu a cabeça e decidiu esquecer aquilo, por mais difícil que fosse.
Dentro da prisão, Luna encontrou Carl na cela de Hershel que a recebeu calorosamente, assim como Beth e Yanka.
- Meu doce! Meu pequeno diamante... que saudades! – Luna abraçou Yanka forte contra o peito.
- Tia Luna, agora Daryl é meu tio também? – aquela menina estava ficando esperta demais.
- É, sim, Yankinha. Ele é seu tio também. Mas vamos viver todos juntos, entendeu? Todos num só acampamento.
- Eu gosto dele e do Merlee, tia...
- Do Merle?
- É! Ele me ensinou a matar aquelas coisas. Foi tão legal! Ele pode viver com a gente, por favor, por favor, por favor? – Yanka fazia aqueles olhos de menina pidona que só ela mesmo sabia fazer.
- Claro que pode, meu anjo. Agora deixa a titia ver o Carl, tá? Ele está muito doente...
- Estou rezando para Santa Sara curá-lo. Mas acho que minha oração não é tão boa quanto a sua, tia! – Yanka disse abaixando a cabeça... Parecia muito chateada pela situação do pequeno Grimes.
- A oração das crianças é sempre a melhor de todas, Yankinha. Continue rezando! Santa Sara vai nos ajudar a curá-lo. Você vai ver só! – disse Luna, se afastando da garota e se aproximando do leito de Carl.
Ela pegou na mão do garoto que abriu ligeiramente os olhos.
- Luna... – suspirou baixinho.
- Oi meu lindo garoto dos olhos azuis... – disse, acariciando os cabelos negros do filho de Rick.
- Senti sua falta... – Carl disse, tossindo um pouco.
- Eu também sentia a sua... Mas agora estamos todos juntos de novo. E você precisa ficar bom para que eu te ensine a caçar... Lembra?
- Lembro! – Carl sorriu um pouco e seu sorriso fez o coração de Luna se desmanchar numa poça.
- Hershel, quais são os sintomas?
- Basicamente, ele tem febre de tempos em tempos. Crises graves que chegam a 39 ou 40 graus. Dores de cabeça, vômito frequente. Achamos que pudesse ser algum tipo de infecção alimentar. Mas não... Até tratamos os sintomas, mas eles voltam depois de um tempo.
- E há quantos dias ele está assim?
- Desde que você e Daryl sumiram... – Hershel parecia ligeiramente chateado pelo sumiço deles dois. Mas Luna ignorou.
- E você disse que a febre dele acontece de tempos em tempos?
- Sim! As crises correm num intervalo de cerca de seis em seis horas...
- Céus! Eu sei muito bem o que ele tem, Hershel! – Luna falava, com uma expressão preocupada.
- Sabe o que meu filho tem, Luna? O que é? Diga... Não esconda nada! Quero a verdade! – Rick tinha se abaixado e ficado agora olhos nos olhos com a cigana.
- Ele tem malária! Não é contagioso. Ela é transmitida por um mosquito. Ocorre principalmente em florestas quentes e úmidas. É o caso de onde estamos exatamente agora! Precisamos urgentemente tomar duas providencias: primeiro fazer uma ronda e verificar onde estão os focos de água parada, pois o mosquito que transmite malária se reproduz em locais assim....
- Tem o rio... Não seria lá que este mosquito está se reproduzindo? -= Beth tentou.
- não! O rio é água corrente. Deve ter algum poço ou algum lugar aqui dentro da prisão com água parada. Talvez alguém tenha tentado estocar... Se tivermos algo assim aqui dentro, logo todos nós estaremos com malária também, Rick! Precisa dar um jeito de fazer uma ronda! – Luna falava bem séria e Rick tentava absorver toda aquela informação com cuidado.
- Certo! Posso providenciar isso. E quanto ao Carl? – ele quis saber.
- Os ciganos tratam malária há anos com as folhas de uma planta chamada Cinchona. Tínhamos uma plantação de Cinchona perto do meu antigo acampamento, onde Daryl e Merle me encontraram. Sempre cultivamos ervas e plantas medicinais onde acampamos. Preciso ir até lá busca-las. E preciuso ir ainda hoje!
- Ir aonde? – Daryl acabava de chegar e estava parado à porta da cela de Hershel.
- Daryl, Carl está com malária. Precisa de uma infusão de Cinchona, uma planta que tínhamos plantado ali perto do acampamento...
- Mas lá está tomado por walkers. E o pior: é um lugar alto! Difícil de fugir se precisarmos. Você lembra como foi da última vez... – ele disse, um tanto arrependido de ter trazido aquelas lembranças ruins de volta.
- Sim, eu me lembro. Nunca vou esquecer... Não teria como! – Luna se segurou para não deixar as lágrimas brotarem. – Mas Carl precisa! E eu vou até lá, sem problemas.
- Não pode ir sozinha. Vou com você! Sei o caminho, posso ajudar! — Daryl decidiu já empunhando a besta.
- Eu posso ir também, Glenn se ofereceu.
- Não é bom que muita gente saia daqui. O Governador pode nos atacar, lembrem-se! – Rick argumentou um tanto inquieto.
- Posso ir só, gente. Eu sei como chegar até aqui. Ninguém precisa se sacrificar indo comigo e... – Luna foi interrompida e Daryl agora segurava forte um de seus braços.
- Você agora é minha mulher e não vou deixar que se arrisque assim, sozinha, enfrentando uma horda de errantes, entendeu? Vamos juntos. Eu e você. – ele disse olhando com aqueles olhos profundamente azuis dentro da alma de Luna. O rapaz estava agitado, mas ela sabia que sua preocupação era genuína. Ela via o amor cintilando no olhar dele e mais uma vez se perguntava o que ela tinha para que este homem tão singular e especial se apaixonasse assim, profundamente.
- Mulher? Como assim sua mulher? – Caro, estava parada diante da entrada da cela. Céus! Aquilo estava aumentando numa proporção explosiva. E Rick decidiu tomar a dianteira para evitar que as coisas inflamassem de vez.
- Carol, devia estar repousando. Andou passando muito mal estes dias e não precisamos de outra pessoa doente, entendeu? – falou na esperança de que a mulher se recolhesse. Em vão.
- Não, Rick. Espera ai. Quero que Daryl me diga. Quero ou ir da boca dele... – Carol caminhou até o caçador e o enfrentou com o olhar.
- Não tenho nada para falar com você. Já disse tudo o que tinha pra dizer, Carol. – ele queria encerrar o assunto. Da última vez em que ele e Carol tiveram uma discussão, Luna o deixou e ele sofreu a pior dor de sua vida. Não queria repetir a dose.
- Não, na verdade você não me disse que tinha uma mulher agora! – ela retrucou exaltada.
- Pois é isso mesmo que você ouviu. Eu e Luna estamos juntos agora. – tentou ser conciso.
- Juntos ou CASADOS? – Carol estava sendo enfática, enquanto olhava a mão de Daryl adornada pela aliança.
- Casados, Carol! – Rick era quem falava. – Você terá de aceitar isso. Quant mais cedo, melhor. – o xerife tentava colocar ordem aquilo.
- Onde foi que arrumou uma aliança para esta vagabunda? – a mãe de Sophia perguntou, raivosa, ainda fitando Daryl, que agora estava ficando vermelho também de raiva.
- Eu doei minha aliança e a de Lori para os dois...
- Rick, você não podia ter feito isso comigo! – Carol se sentia duplamente traída. Afinal ela estava naquele grupo muito antes de Luna. Achava que o xerife teria mais consideração com ela do que com uma cigana recém-chegada sabe-se Deus de onde.
- Carol, pelo amor de Deus! Os dois se gostam, querem ficar um com o outro. O mundo está acabando! Vamos deixar as pessoas terem algum gosto de felicidade ou o que sobrou dela. – Hershel interferiu.
- Então, suponho que finalmente tenha aberto as pernas para ele não é, sua cadelinha cigana! – Carol se dirigia à Luna, que se sentiu tão exposta e chocada com aquele comentário que não conseguiu responder. – É isso, não é? Adeus, lenda da cigana virgem! Bem que Yago me disse que você não teria forças para resistir. Ele já previa que você treparia com Daryl na primeira oportunidade que tivesse... – Carol se aproximava de Luna e a acuava num canto da cela até que Rick a segurou, impedindo que avançasse mais. – Me solta, Rick.
- Carol, você está fora de controle! Fora de controle!
Carol continuou se debatendo e, quando conseguiu se soltar, correu direto para Luna e com toda a força que tinha aplicou um soco no estômago da cigana, que caiu semi-desacordada no chão tamanha a força do golpe.
- Sua cadela, putinha disfarçada de cigana. Como ousa vir aqui e roubar o homem de outras mulheres! – gritou e sentiu uma mão apertar sua garganta e quase erguê-la do chão.
- Vadia desgraçada, da próxima vez que bater na minha mulher é melhor rezar para eu não estar por perto porque vou meter uma flecha na sua cabeça! – ele gritava enquanto apertava mais o pescoço de Carol. A mãe de Sophia jpa engasgava e tossia, sentindo falta de ar. Rick levantou- se do chão, aproveitando que Beth tinha ido socorrer Luna, e tratou de segurar Daryl, evitando que o caçador asfixiasse Carol.
- Por favor, gente! Podemos nos concentrar em salvar a vida de Carl? E também precisamos fazer uma ronda pra acabar com os focos de água parada, como Luna disse. Então, colaborem, por favor! – Rick gritava, autoritário agora. Daryl assentiu e Carol saiu dali, batendo o pé.
- Luna você tá bem? – Daryl se ajoelhou diante da cigana que ainda tinha uma expressão de dor no rosto.
- Tudo bem! Nossa, Carol é mesmo forte quando quer... Meu Deus! – a cigana reclamou de leve.
- Não sei como não a matei por isso! Aquela desgraçada... Me perdoa por isso, Forasteira! – ele pediu, segurando o rosto dela em suas mãos e aplicando um beijo de leve em sua testa.
- Não foi culpa sua, Daryl...
- Se Carol não tivesse essa porra de obsessão comigo, não a teria machucado assim... Eu não aguento ver alguém te machucando! É insuportável pra mim, cigana! – Daryl afagava a cabeça da garota agora. Ele realmente parecia mortificado pelo soco que Luna levara. Se tivessem batido nele não estaria doendo tanto, certeza.
Luna sorriu para ele, sentindo-se sortuda por tê-lo por perto.
- Bom, precisamos ir buscar a planta para o Carl. Se você for comigo, podemos usar a moto? –ela perguntou.
- Tem certeza que está bem para ir? – Daryl quis saber.
- Sim, certeza!
- Então vamos de moto!
- E vou chamar Maggie, Glenn, T Dog e Oscar para fazermos a ronda. Luna, não tenho como agradecer pelo que está prestes a fazer por Carl. – Rick se aproximou da cigana e aplicou um beijo em cada uma de suas mãos, para desespero de Daryl, que sentiu o peito explodir de ciúmes.
...
Luna e Daryl estavam na estrada há uns 30 minutos e já se aproximavam do antigo acampamento da cigana. Ele a sentia agarrada em sua cintura e com o rosto enterrado no vão do seu ombro. O calor que vinha de Luna aquecia todo o seu mundo e despertava seu corpo. Seu cheiro de incenso, mel canela e cravo o entorpecia de maneira deliciosa. Por incrível e estúpido que possa parecer, embora a garota não pudesse ver, este aroma absurdamente sexy fazia com que seu membro ficasse tão duro que o caçador chegava a sentir dor entre as pernas. Ele a desejava de uma maneira doentia. O sexo com ela era perfeito. O caçador definitivamente pensava que podia passar anos, talvez décadas, apenas fazendo amor com Luna em todas as superfícies que eles encontrassem. E também na água, em pé, encostado numa árvore qualquer ou até mesmo naquela moto. “Caralho! Minhas bolas doem... “, ele pensou e desejou chegar logo para sair de cima da moto e aliviar a pressão que comprimia seu saco naquele exato instante. O que mais o deprimia era saber que Luna era extremamente inexperiente e tímida e, certamente, não iria querer ficar se agarrando com ele na prisão. Por esse motivo Daryl cogitava seriamente sequestra-la para mais uma temporada naquele velho hotel da cidade.
- Chegamos! – Luna anunciou vendo a paisagem que lhe era tão familiar.
Daryl estacionou a moto. Ela desceu e ajeitou a saia e verificou se seus punhais e sua faca estavam onde deveriam.
Daryl a seguiu e, disfarçadamente, puxou a calça e cueca para baixo, de forma que pudesse aliviar de leve a pressão. Aquilo estava doendo demais!
Ele se virou para ver onde a garota estava e a flagrou já adentrando o acampamento. Luna tinha o rosto banhado em lágrimas agora pois se deparara com esqueletos completamente descarnados. Os integrantes do seu antigo bando tinha sido reduzidos a nada, literalmente. Ela engasgou e se virou para vomitar quando enxergou um esqueleto miúdo. Era de alguma criança... Daryl também sentiu algo voltando na garganta. Ele teve certeza naquele instante que precisaria tirar Luna rapidamente dali, ou ela morreria de tristeza.
- Cigana? Pode me responder? – ele perguntou quando a viu se escorar na lataria de um dos trailers, meio se segurando para não desabar.
- Sim... – respondeu com dificuldade.
- Vamos apenas pegar o que precisamos e vamos sair daqui. Não precisa ver uma cena tão triste... – Daryl parou quando ouviu grunhidos se aproximando dos dois. Preparou a besta e ficou a postos. Quando o walker saiu de trás do trailer, Luna soltou um grito.
- NÃO! Espere... – ela se colocou na frente do errante e de Daryl.
O zumbi era uma mulher. Metade de seu maxilar fora arrancado, tinha a pele escurecida e manchada de sangue quase preto, cheirava à podridão. Era Magdala! Luna reconheceu pelo lenço ainda preso ao cabelo.
- É Magdala... – disse e o zumbi avançava em direção à Luna.
- Não, Luna. Magdala se foi... ISSO É SÓ UM MONSTRO! – Daryl berrou e acertou uma flecha entre os olhos da errante.
Luna caiu sobre os joelhos. Tudo doía agora. O pesar daquele luto enorme pela sua gente, a falta de esperança neste mundo horrível, o bebê de Yago que corria sérios riscos, o soco que Carol havia lhe dado e o medo latente e desesperador que Luna tinha de Daryl perceber que ela não era grande coisa e abandoná-la... O rapaz correu para ampará-la.
- Não é hora disso, Forasteira. Venha! Levante. Vamos atrás da erva... Não me deixe sozinho nesse mundo de merda, porque não vou aguentar sem você! – o caçador colou a testa na testa de Luna e ficaram assim por dois minutos inteiros. Ele a amava tanto, chegava a ser desesperador.
- Pense em Carl e Yanka! Não pode deixa-los! E o filho de Yago... – Daryl tentou e funcionou. Luna começou a se erguer e foi para perto da horta, ainda intacta, graças aos Céus. Ela começou a extrair a Cinchone da terra e todas as outras plantas e ervas medicinais que considerou útil. Queria plantá-las na prisão. Eles precisariam certamente. Depois, foi até sua tenda e recolheu algumas peças de roupas para ela e outras para Yanka.
Foi então que se lembrou de algo: seu tio tinha o punhal que havia sido de seu pai e o guardava num baú em seu trailler. Ela correu até lá. Abriu e vasculhou todo o seu interior e achou uma foto de seus pais antiga e o punhal. Apertou-os contra o peito! Levaria seus queridos pais consigo para onde quer que fosse.
- Está pronta? – Daryl quis saber?
Ela assentiu. Então montaram na moto e partiram em direção à prisão.
...
- Conseguiram a erva? Rick perguntou assim que Luna saltou da moto.
- Sim! Rick, vai ficar tudo bem com Carl, eu prometo! Vocês conseguiram achar o foco de água parada? – ela perguntou já correndo para dentro da prisão.
- Sim! Você estava certa, um grupo de prisioneiros numa ala da prisão tentou estocar água. Mas pelo visto acabaram virando comida de zumbi. Só encontramos seus ossos... – E Luna engoliu em seco se lembrando dos corpos dos seus entes queridos que encontrara no antigo acampamento.
Usando o cabo do punhal de seu pai, Luna macerou as folhas da Cinchone e ferveu um pouco de água para fazer uma infusão forte. Carl a bebeu assim que ficou pronta. Era viscoso e amargo, mas Luna não o deixou desistir de tomar a bebida.
Assim, passaram-se dias. E Luna jamais saiu do lado de Carl. Durante suas crises de febre, ela o amparava, segurando-o no colo, sem se importar com o banho de suor que o garoto lhe dava toda vez que ficava febril. Ela só se distanciava para buscar vegetais na mata e ferver uma sopa para Carl. O garoto estava obviamente melhorando. Toda vez que Daryl ia visitar o pequeno Grimes na cela de Hershel e a via com o menino nos braços não conseguia deixar de pensar que mãe maravilhosa a cigana daria para seus filhos e em como, no meio deste inferno, ele tinha encontrado o amor na mulher mais incrível do universo.
As crises de Carl foram se espaçado. E numa noite em que Luna olhava o garoto dormir, Rick entrou e se sentou ao lado da cigana.
- Nunca vou poder agradecer o que tem feito por meu filho, Luna. – ele sussurrou para não acordar Carl.
- E nunca vou poder agradecê-lo por ter aceito a mim, Yanka e Yago aqui, Rick. Você realmente salvou nossas vidas, sabe? Meu bando foi reduzido a nada... – as lágrimas já se formavam nos olhos da cigana. – Precisa ver como estava meu acampamento... Perdi tantos que amo! E eu realmente amo seu filho também. Não quero perde-lo. Não vou deixa-lo partir. Eu prometo! Prometo pra você... – ela dizia olhando diretamente nos olhos claros do xerife e limpando as lágrimas que rolavam de seu rosto com a mão esquerda.
Rick Grimes viu aquela bela e doce mulher, de longos cabelos escuros, usando a aliança que ele escolhera na mão, prometendo que jamais abandonaria seu filho. Ele nunca notara o quanto a cigana era bonita e maternal, ao mesmo tempo. Seus traços exóticos eram simétricos e excitantes. O corpo da garota, agora mais magro, ainda não tinha perdido as curvas. Daryl tinha 100% de razão em estar louco por ela. Era perfeita. Seus valores e seu senso de humanidade, impecáveis! E mais: tinha um cheiro delicioso vindo dela. Um perfume que nunca sentira antes. Quando deu por si, estava segurando o rosto de Luna e beijando seus lábios macios com fúria e vontade.
O xerife nem se deu conta de que a cigana se debatia e tentava se desvencilhar de seus braços. Ele se moveu e fez com que Luna escorregasse da parede em que estava com as costas apoiadas e se deitasse no chão. Rick cobriu o corpo dela com o seu e sua língua exigiu passagem entrando fundo na boca da cigana que, assustada, tentava sair dali. Que mulher maravilhosa, que gosto delicioso Rick só queria mais, mais, mais... Queria de Luna tudo o que Lori tinha se negado a dar-lhe nos últimos meses. A lealdade e a dedicação incondicionais! A pureza de sentimentos e toda a verdade que a cigana passava naquilo que dizia ou fazia. Ele amava até o fato como ela se distanciava dos outros homens. Ele quis tanto que Lori tivesse tido a mesma força de vontade...
Enquanto explorava a boca de Luna, Rick sequer reparou que Daryl acabara de chegar à porta da cela. O caçador ficou aturdido. Ali estava Rick, o cara que considerava como um irmão, beijando Luna, sua mulher, aparentemente à força.
Daryl quis soca-lo, mata-lo, tortura-lo... Mas se limitou a arrancar o xerife de cima de Luna.
- Oque pensa que esta fazendo, Grimes? Tá beijando a boca da minha mulher, sabia? Poruqe caralho fez isso? Não vê que ela está morrendo de medo? – ele gritou, enquanto Luna se desfez em lágrimas no chão, sem forças para levantar. Ela sabia que Rick não era como ele. Não era Philipe, o diretor do seu colégio que tentou estupra-la quando ela tinha 15 anos. Mas estar no chão com um homem beijando-a à força trouxe todas as malditas lembranças de volta.
Rick parecia perdido, como se tivesse se desligado da realidade por alguns minutos e agora retomasse a consciência. Daryl andava de um lado para outro e resolveu amparar Luna.
- Ei, Forasteira. Tá tudo bem... Shhhh. – ele a apoiou em seu peito e adeixou chorar. Ele sabia o que a cigana estava revivendo. E queria matar Grimes por ter feito aquilo.
- Desculpa, Daryl! Desculpa, Luna... Eu não sei o que deu em mim! Eu não estou bem... Vou lá pra fora.
- Nunca mais encosta nela, Grimes. Nunca mais! – Daryl teve tempo de gritar. Por dentro seu coração explodia de ciúmes e dor, pela traição de seu melhor amigo.
Notas finais
Por favor, me digam se querem Grimes na luta pelo coração da cigana, viu? Tomarei esta decisão basead no comentário de vocês, certo?
Outra coisa: e este soco que Carol deu no estômago de Luna? Quem mais acha que isso terá uma consequência louca para os rumos da história, hein? hein? O que vocês chutam que pode ser?
Espero os reviews ansiosamente! Não me abandonem ♥ ♥ ♥
beijos enormes da Amora
Fale com o autor