Forasteira
28 O Governador descobre Luna
Notas iniciais
Beijos enormes da Amora
- E ai, o que conseguiram tirar dele?
- Batemos bastante. Ele parecer saber pouca coisa mesmo, chefe... O tal do Rick não parece confiar muito nesse cara, não.
- Isso pode ser um bom sinal... Mais alguma coisa?
-Achamos isso com ele. Talvez o senhor queira ver – disse estendendo uma foto dobrada ao meio.
O Governador segurou o retrato nas mãos e trouxe para mais perto do rosto para conseguir enxergar melhor. A foto mostrava uma garota de cabelos muito compridos, olhos grandes e roupa estranha, sentada em um pedaço de tronco de madeira. Uma flor amarela encaixada atrás da orelha. A figura era, no mínimo, pitoresca. Philipe perdeu alguns minutos analisando com cuidado aquela mulher. Quando terminou, disse:
- Vou conversar com ele. Vocês ficam de guarda na porta.
Adentrou a sala e se deparou com o rapaz sem camisa e com os olhos vendados. As marcas dos murros de seus homens tinham deixado um olho roxo, um nariz quebrado e muitos hematomas e sangue escorrendo por toda parte. Estava óbvio que ou ele era durão ou realmente não tinha muita informação para dar.
Philipe caminhou até a cadeira em que estava sentado, arrancou a venda de seus olhos e segurou a foto diante do rapaz.
- Quem é esta mulher?
Yago pensou alguns segundos e respondeu:
- Uma garota da minha família...
- Uma garota da sua família? E ela é o que sua? Prima? Irmã? – chegou seu rosto bem mais perto do rosto de Yago – Esposa, talvez?
- Não. Não é esposa. É uma prima de segundo grau! – Yago estava temeroso por conta do interesse repentino daquele cidadão horripilante na foto de Luna. O homem era alto, esguio, aparentava ter uns 40 anos... Usava um tapa-olho no olho direito. Parecia um personagem de filme de terror. E sua tranquilidade ao falar fazia com que a espinha de Yago gelasse.
- Onde está a garota agora?
- Está na prisão...
- Está viva?
- Sim... O que isso tem a ver com este interrogatório?
- Você parece gostar dela... Você a ama?
- Não! Ela é só uma prima... – Yago resolvera mentir. Estava ficando com medo pela vida de Luna.
- Então não vai se importar se resolvermos incendiar a prisão com ela lá dentro...?
- Não! Espera! Não faz isso... Ela não merece isso e está com uma criança também.
- Filha dela?
- Não. Filha de outra prima nossa. Ela só tem 6 anos. Ela é cuidada como uma filha pela garota da foto.
Seis anos. Quase a idade de Penny.
- Então, se importa com esta garota? – o Governador sacudiu a foto diante dos olhos de Yago.
- Sim.
- Você a ama?
Yago não sabia qual era melhor resposta a dar, mas resolveu dizer a verdade.
- Sim.
- E qual é o tamanho da sua lealdade a Rick?
- Não tenho nada a ver com ele. Estou lá por Luna. O resto que se dane! – vomitou as palavras com sinceridade.
- Luna? É o nome dela?
Yago assentiu.
- Belo nome. Exótico... “Luna”. Você são de que lugar do mundo?
- Somos daqui mesmo. Mas somos ciganos. – as cordas estavam incomodando Yago e ele se retorcia na cadeira tentando achar uma posição em que fizessem menos atrito com seu pulso já corroído. – Luna sempre foi a cigana mais bonita do nosso bando. Seu pai nunca permitiu que se casasse.
- Ciganos? Encantador! Ela é um belo espécime feminino. Deve ser bastante cortejada? Sei que o grupo de Rick conta com mulheres bonitas, mas esta... Esta é especialmente... Como um dos meus guardas gosta de falar, mesmo? Ah, claro! Esta é especialmente “deliciosa”. – Philipe riu do incômodo que falar sobre a garota causava em Yago. Era visível que o desagradava. — E se, por acaso, Luna viesse viver em Woodbury com a menina que cria? Isso o agradaria?
- Se não as machucassem...
- Não machucamos mulheres e crianças. – Philipe mentiu.
- Então me agradaria. O que quer em troca?
- Você entendeu rápido a minha proposta. É um rapaz esperto... Quero saber como Rick organiza a proteção da cadeia. Quero horários, esquemas, detalhes das armas que tem...
- E...?
- E se tomarmos a prisão de volta, prometo trazer sua Luna para você. O que me diz?
Yago pensou um pouco. Ele não tinha muitas opções. Se não aceitasse, seria morto, provavelmente, já que não tinha grandes informações sobre Rick para fornecer. Mas sabia o esquema de proteção do grupo... Quem sabe aquela também não era uma saída para afastar Luna do gadjé filho da mãe!
- Aceito. Mas precisa trazer Luna e Yanka sãs e salvas.
- Trarei, meu amigo. Eu juro! – disse desamarrando Yago.
- Pode me devolver a foto? – Yago pediu.
- Temo que precisarei dela ainda. Como vou reconhecer sua musa se não tiver uma imagem dela? Se eu a ver, não irei atirar e não deixarei que atirem, meu garoto.
- Certo. – Yago não tinha muitas opções.
- Vou pedir que cuidem desses seus machucados. A coisa foi feia. Desculpe por isso. Mas estamos só nos dfendendo de Rick e seu bando.
Philipe saiu e deixou Yago nas mãos de seus homens que não entenderam nada quando o Governador deu ordem para que cuidassem de Yago e lhe dessem abrigo e comida.
Mais tarde, em seu escritório, Philipe pregou a foto de Luna em um painel de cortiça. Serviu-se de uísque sem gelo, sentou-se diante do retrato e ficou observando. A moça era diferente de tudo o que ele já havia visto. Diferente até da sua falecida esposa. Tinha lábios carnudos e uma beleza selvagem. Dava para ver um pouco de sua silhueta pelo vestido colado ao corpo e com saia rodada. Parecia esguia, mas tinha curvas. Seus ombros que estavam à mostra eram bem desenhados e a cintura, fina. Philipe gostou. Na verdade, Philipe não só gostou, como desejou aqueles lábios carnudos na sua boca, no seu pescoço e depois poderiam ir descendo ate chegarem em lugar melhor.
O Governador derrubou o porta-retrato onde sua antiga família lhe sorria, abriu o zíper, fechou o olho bom e se masturbou imaginando a mulher do retrato nua em sua cama, pedindo para que ele a possuísse. Quando chegou ao orgasmo, um nome escapou da sua boca, em meio a respiração arfante: “Luna!”.
Ele a encontraria e a traria para Woodbury. Ele a traria para seus braços.
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Notas finais
Beijos enormes da Amora
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