Forasteira
29 Descoberta e proposta
Notas iniciais
- Luna, eu preciso te contar uma coisa... – Daryl não sabia como começar. Como se começa o fim de um sonho?
- Qualquer coisa. – ela disse docemente, pegando suas mãos tão grosseiras e fazendo um carinho.
- Carol veio falar comigo... – viu Luna abrir os olhos e enxergou o medo dentro deles. Sentiu-se tão mal...
- E o que ela disse?
- Nada de importante. – ele acabara de mudar de ideia. Como podia ferir aquela pessoa que era o ser mais importante da vida de Daryl. – Só queria que soubesse para não pensar bobagem...
- Ela ama você. Sabe disso, né?
- Ama? Como assim ama? Ela nem sabe direito quem eu sou...
- Sabe, sim. Ela enxerga o mesmo que eu enxergo.
- O que você enxerga?
- Daryl Dixon, você é tão bonito. – Luna agora olhava bem dentro dos olhos cristalinos do caçador – por dentro e por fora.
- Você só pode estar cega, Luna.
- Se estou cega, quero continuar cega o resto da minha vida.
- Não tem medo de sacar que eu sou só um caipira ignorante, grosseiro...?
- Não fale assim de você mesmo! – Luna estava irritada agora. – Eu odeio que fale assim.
- Por quê?
- Porque você me ofende. Eu gosto tanto de tantas coisas em você...
- Então, me diga uma.
- Adoro o jeito como a sua franja cai por cima dos seus olhos. E adoro a cor dos seus olhos. São faróis para mim. Eu veria seus olhos do outro lado do planeta. E o jeito como me trata... faz com que eu me sinta importante.
- Mas você é importante! – Daryl riu de canto de lábios.
- Engraçado... Só você me diz isso.
- Você também é linda.
- Isso também só você me diz... – Luna corou.
Um minuto de silêncio.
- Tem alguma ideia do efeito que causa em mim? – Daryl disparou.
Luna só o olhou.
- Não me olhe assim! – Daryl pediu, incomodado.
- Por quê?
- Porque você me olha como se eu fosse perfeito e tô bem longe disso.
- Se você tivesse me encontrado fora desse apocalipse zumbi, ainda teria gostado de mim? – Luna quis saber.
- Tá brincando? Eu teria roubado você daquele acampamento e levado você comigo na moto do Merle. – ele fez graça.
- Estou falando sério!
- Eu também.
- Daryl, tem um minuto? – Ele se virou e viu Carol parada, esperando por ele. E por algum motivo ele quis assassiná-la.
- Carol, é rápido?
- É, sim.
- Eu já volto, cigana.
Luna assentiu.
Daryl andou com Carol para alguns passos longe dali.
- E então, já contou à ela?
Daryl a segurou firme pelo braço e a arrastou para trás da torre de vigília.
- Porque você tá fazendo isso?
- Porque preciso de resposta. Lembra?
- Não. Você não quer resposta. Você tá me chantageando.
- Não estou. Já disse que podemos dar um jeito nisso com pílulas se não quiser ficar comigo...
- Porque não podemos ter este bebê e sermos pais cada um no seu canto, porra?
- Porque eu quero uma família e porque eu sou de outro tempo. Ou você achou que era só a vadiazinha travestida de virgem que você arranjou que sente vontade de ter você só pra ela? Então sugiro que você conte logo para ela que estou esperando um filho seu... – Carol ia terminar de gritar algo mais. Não conseguiu.
- Repete. Por favor, Carol... – Luna despontava do lado esquerdo da torre. Daryl ficou transtornado. A cigana parecia, pela primeira vez, irada.
- Vou ter um filho de Daryl. Estou grávida. – Carol repetiu em alto e bom som.
- Obrigada pela franqueza. Que bom que alguém se deu o trabalho de me contar a verdade.
- Luna...
- Cala a boca, Daryl! – ela estava gritando. Ele nunca a vira gritando daquele jeito. – Você pediu para se casar comigo sem me contar...?
- Quando eu te dei as alianças, eu ainda não sabia. Juro!
- Você deu alianças para ela? – Carol fez uma careta.
- Dei. Dei alianças para ela porque caso não tenha notado nós apenas transamos. Não estou apaixonado por você. Estou apaixonado por ela, porra. É o que você quer saber? Pronto já sabe.
- Achei que fosse alguém diferente Daryl Dixon. Você conseguiu partir meu coração uma segunda vez. Como fui idiota! – e Luna se retirou correndo para a prisão. As lágrimas pesadas e quentes caindo do seu rosto.
- Podemos ecolher as pílulas, se você faz tanta questão dela... – Carol disse provocativa.
- Aborte meu filho e você vai se arrepender de ter nascido! – e saiu correndo atrás de Luna.
Quando chegou à prisão, viu a garota nos braços de Maggie, que olhava para ele com cara de descrença e nojo. Glenn, fazia um carinho de leve nos cabelos de Luna e Yanka chorava baixinho perto da tia.
- Luna... – Daryl suspirou, mas Glenn correu para afastá-lo dali.
- Me solta, Coreia! Me solta ou eu juro que meto uma flecha na sua cabeça! – Daryl estava descontrolado. Ele só queria tomar Luna nos braços e explicar para ela... Pedir perdão e consertar tudo.
- Não é uma boa ideia, Daryl. Não é! Acredita em mim!
- Carol quer foder com a minha vida e eu não entendo o porquê! – ele largou a besta no chão com força e se encostou na parede.
- Jura que não tem ideia de porque a Carol está fazendo isso?
- Não! – ele foi sincero.
- Ela tá a fim de você. Ela sempre foi a fim de você Daryl. Desde que Sophia era uma de nós. Achei que soubesse. – Glenn disse.
- Não. Não sabia.
- E porque você transou com ela?
- Porque eu sou um cara, um desgraçado que está sem sexo há um ano e eu encontrei essa mulher que é a mulher da minha vida e ela simplesmente não pod fazer sexo comigo. Então, acabei cedendo a primeira que se esfregou em mim... Porra, Glenn! Você é um cara também. Vai me julgar agora?
- Não, Daryl. Só queria ter certeza...
- Certeza de quê?
- De que você gosta da Luna.
- Não gosto dela.
- Não?
- Não! Eu amo aquela cigana, caralho! E estou fodido pra valer! – a expressão de dor em seu rosto era evidente e Glenn só tinha visto Daryl chorar uma vez, quando descobriu que Merle tinha ficado acorrentado naquele telhado, em Atlanta.
- Ela está me chantageando... – Daryl disse depois de tomar fôlego.
- Como assim? – Glenn se assustou. Daryl contou todo o papo sobre a mentira que Carol inventou sobre Luna não querer que ele se apaixonasse, o dia em que Daryl acabou pegando Carol na torre e a proposta indecente que havia recebido de Carol.
- Cara, a Carol está surtada... – o coreano não sabia nem o que falar. – Você precisa dizer isso à Luna!
- Ela já achava que Carol era uma escolha mais óbvia para ser meu par romântico nessa merda de fim de mundo antes dessa gravidez. Imagine agora... Ela nunca vai me aceitar de volta!
- Daryl? Glenn?
-E aí, Rick? – Glenn disse. – Já soube da última da Carol?
- Não, mas agora não temos tempo. Olha o que eu achei no portão da prisão. – estendeu um pedaço de papel para Glenn.
“TEMOS ALGO QUE PERTENCE À VOCÊS E VOCÊS TÊM ALGO QUE QUEREMOS. ACEITAMOS TROCAR ANDREA E MICHONNE PELA GAROTA DE NOME LUNA E A CRIANÇA QUE ESTÁ COM ELA. YAGO ESTÁ CONOSCO. FICARÁ EM WOODBURY E É JUSTO QUE TENHA SUA FAMÍLIA DE VOLTA. ALÉM DISSO, OFERECEMOS UM PERÍODO DE TRÉGUA. VOCÊS TÊM DOIS DIAS PARA PENSAR. ENCONTREM-NOS NO BAR DA CIDADE PARA A TROCA. ASS. POVO DE WOODBURY."
Daryl se contorceu de raiva, arrancou a faca que carregava com ele e enterrou na mesa!
- Yago, seu filho da puta. Devia ter matado você quando tive a chance!
- Não é uma troca ruim. Deviam deixar a cigana decidir. Agora que não fará mais nenhum sentido ela ficar aqui. – o palpite vinha de quem Daryl menos queria ver na frente: Carol.
.
.
Fale com o autor