Notas iniciais
Carol tem muito com o que se preocupar... só isso que posso dizer! Boa leitura para todos. Beijos da Amora :)

– Você vai precisar disso aqui. – Daryl chegava novamente na cela em que Luna estava e estendeu uma toalha limpa e uma barra de sabonete.



– E Yanka?



– Fique tranquila. Ela está com Beth agora. Eles vão arranjar comida para ela. Vai ficar tudo bem...



Um breve momento de silêncio. Luna e Daryl se olham... Ele sabia que ela estava com medo. Nunca havia saído do acampamento e sua família estava provavelmente morta. Sabia que ela depositava toda sua confiança nele agora. E Daryl se sentiu tão... importante.



– Acho que alguém vai ter que me ajudar a fazer essa limpeza... Eu não alcanço, sabe? – Luna não podia pedir que ele fizesse isso, teoricamente. Mas, ao mesmo tempo, não conhecia ninguém mais ali. Para quem pediria?



– Quer que eu te ajude ou prefere que chame uma das mulheres? – fazer aquela proposta doeu mais do que Daryl gostaria de admitir. Ora, uma oportunidade de ver um pouco mais de pele de Luna era tentador.



– Não sei... – sussurrou. – O que acha?



– Acho que... – suspirou – Acho que você ficaria mais à vontade se eu chamasse alguém. Mas eu posso fazer isso por você, te respeitando e sabendo quais são meus limites. – disse e olhou para o lado. Não queria que ela visse a ansiedade brilhar nos seus olhos.



Luna pensou. Ele tinha razão. Seria melhor chamar alguém.



– Tá certo. Então você acha que pode chamar alguém para mim?



Daryl concordou, escondendo como pôde sua frustração. Saiu em busca de Carol. Ele tinha intimidade com ela e sabia que podia contar com a mulher.



– Carol, pode me fazer um favor?



– Claro, Daryl! O que precisa? – ela respondeu, os olhos brilhando.



– Luna precisa limpar a ferida e terá de fazer isso no banho. Você pode ajudá-la por mim?



Carol ficou chocada com o pedido. Ela nunca imaginou que Daryl chegaria ao cúmulo de pedir algo para alguém especialmente se fosse para salvar a pele de alguém que ele conhecia há poucos dias. Quantos meses Carol levou para que ele ao menos aceitasse trocar mais de três palavras com ela? Aquilo era uma grande mudança e ela não conseguiu deixar de se sentir ameaçada.



– Claro! Vamos lá! – respondeu.



(...)



– Luna, esta é Carol. Ela vai te ajudar a limpar essa ferida. Carol, precisa ser bem limpo. Vou ficar do lado de fora do vestiário, se você precisar de algo ou qualquer coisa acontecer, me chame, tá?



Carol concordou.



Luna e ela entraram no vestiário. A cigana deu uma última olhada para trás e encarou Daryl nos olhos antes da porta se fechar atrás dela. Por um momento, se arrependeu de sua decisão. Queria que ele estivesse ali com ela. Mas, ao mesmo tempo, não queria parecer rude com Carol.



– Pronto, querida. Fique à vontade. Você pode se despir e se lavar tranquilamente. Quando tiver terminado, você me chama e a gente dá um jeito nesse machucado, certo?



Luna sorriu e assentiu. Se livrou do vestido, da roupa íntima e da sua bota. Abriu o chuveiro e sentiu as gotas de água quente caindo. Aquilo parecia mágica. Era muito reconfortante. Sentiu a água descer e banhá-la inteira. Começou a se lavar com sabonete. Ela estava realmente suja daquela viagem louca. Enquanto usava o sabonete em cada pedaço do seu corpo, tentava entender como sua vida pôde ter mudado tão radicalmente em 24 horas. Seu acampamento, sua família se foram... Mas isso não significava que ela não era mais cigana! Mas como se manter fiel às suas raízes num lugar onde ninguém podia compreendê-la? Ela precisava criar Yanka segundo as tradições ciganas. Teria forças para isso? E quando ela crescesse e quisesse se casar? Como faria? Com quem seria? Não tinham ciganos ali... Sua cabeça girava em torno de tantas questões que nem percebeu que estava debaixo do chuveiro há meia hora... Resolveu chamar Carol para darem fim naquilo de uma vez por todas.



Carol a sentou num banco, afastou seus longos cabelos e começou a higienizar a ferida. Aquilo ardia, mas Luna aguentou firme. Sabia que se começasse a chorar não pararia mais. Ainda não tinha tido tempo para o luto. E nem sabia se algum dia teria. Afinal, agora eram ela e Yanka e precisava proteger a pequena a todo custo.



– Você é tão... diferente! De que país é? – Carol quebrou o silêncio para tristeza de Luna.



– Sou americana mesmo. Meus pais eram romenos. Somos ciganos. – disse da maneira mais resumida que conseguiu encontrar.



– Nossa, que diferente! E você vivia onde?



– Nosso acampamento era fixo, no Texas. Mas quando tudo isso começou, tivemos que mudar e viemos para a Geórgia. Desde então, trocávamos de cidade sempre que ficava impossível conter os errantes. Muitos homens morreram. Neste último ataque, do qual Daryl salvou a mim e a Yanka, nem sei se sobrou alguém vivo... – ela não conseguia continuar.



– Sinto muito! Também perdi minha filha. Sei como é difícil. – Sabe? Daryl a amava muito. Procurou por Sophia dias seguidos, quase morreu por isso. Sou muito grata pelo o que ele fez...



– É, também tenho uma dívida de gratidão com ele.



– Ele é um cara fechado, mas tem bom coração.



– Verdade. – concordou Luna.



– E também é bem bonito, assim como você. Dariam um casal encantador... – Carol agora jogava verde, esperando colher maduro a qualquer momento. Se Luna tivesse interesse em Daryl, ela descobriria.



– Gosto dos olhos dele. Mas não... Não seremos um casal. Nem agora, nem nunca. Sou cigana e não tenho permissão para me envolver com gadjés. Quero dizer, com não-ciganos...



– Mas está longe de seu acampamento agora, Luna...



– O que não faz de mim menos cigana. Tenho responsabilidades e devo servir como um exemplo para Yanka, que ainda é uma criança. – Luna esperava colocar fim naquele papo que não a estava agradando.



– Ele parece se importar muito com você... Não tem medo que ele se apaixone?



– Não. Ele conheceu meu acampamento, aprendeu uym pouco sobre as leis romís e sabe que isso nunca acontecerá. Além disso, ele é bem bonito, como você disse, pode escolher a mulher que quiser para fazê-lo feliz, não é?



– É, sim. – Quem ele quiser... – Carol concordou.



Longo e constrangedor silêncio.



– Vou pedir para o Daryl buscar sua roupa. Fique aqui, ok?



– Certo, obrigada. – Luna se sentiu aliviada. Carol era solícita e mesmo assim a deixava muito incomodada.



– Ei, Daryl – Carol o chamou e o rapaz veio correndo.



– que foi? Tá tudo bem?



– Tá, sim. Pra quê isso tudo? A ferida é grande, mas ela vai sobreviver... Ela trouxe roupas naquela mochila?



– Sim.



– Traga aqui para que ela se vista.



– Certo!



Daryl correu e rapidamente voltou com a mochila.



Carol a levou para Luna.



– Vou deixar que você se seque e se troque, tá? Qualquer coisa, é só gritar, ok?



–Obrigada de novo, Carol! – Luna não via a hora de se ver só.



Abriu a mochila e tirou uma saia longa, uma blusa e achou por bem amarrar um lenço no pescoço. Para evitar muitos olhares. Abriu novamente a mochila, tirou um pente e desembaraçou o cabelo.

(Luna: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=80149254&.locale=pt-br)

Voltou a vestir a bota, fechou tudo e saiu. Quando abriu a porta, se deparou com Daryl sentado no chão, as costas encostadas na parede. Parecia preocupado.



– Oi. – Luna cumprimentou



– Oi... Como você está?



– Bem... Acho que agora a ferida está bem limpa. Porque ficou aqui?



– Não conseguiria ir lá pra fora sem ter certeza de que daria tudo certo. Quer dizer, você podia desmaiar ou algo assim... Vamos lá. Hershel tem que dar um jeito de fechar essa ferida. – ele pegou a mochila de sua mão e seguiram rumo à cela.



Enquanto andavam, Daryl a olhava de rabo de olho. Ela estava linda. Seu cheiro, intensificado. Não conseguia raciocinar muito bem perto daquela mulher. Fato.



– Você está... bonita. – disse, olhando para o horizonte, evitando encontrar o olhar com o dela.



– Você acha mesmo? Estou com um rasgo enorme nas costas... – eles riram.



Daryl parou de andar. Luna parou também. Ele olhou para ela, meio sem jeito.



– Posso? – perguntou, esticando a mão em direção ao rosto dela.



– Sabe que não, Daryl... – ela fixou o chão da prisão.



– Não estamos mais no seu acampamento.



– Eu sei, mas me sinto mal.



– Tem medo de mim? Ainda? Não vou ataca-la. Não faço isso, apesar de parecer um caipira movido a instinto...



– Não fale assim...



– Não fale assim o quê?



– Não fale assim de você mesmo. Não gosto de ouvir você dizendo que é um caipira ignorante. Não fale assim. Me faz mal.



– Por quê?



– Não gosto que falem mal de pessoas de quem... gosto. – ela estava mais vermelha que um pimentão, certamente.



– Então, me deixa tocar seu rosto! Não vou agarrar você. Só quero... – suspira – Só quero que saiba que me importo com o que aconteceu com você, com sua família e com a pequena. Quero consola-la de um jeito decente. Não tenha medo de mim. – esticou o braço de novo em direção ao seu rosto. Ela segurou sua mão no ar. Entrelaçou os dedos nos dedos dele.



– Não é de você que tenho medo. – estava nervosa, dava pra ver e Daryl a sentia tremer de leve. – Tenho medo de mim mesma, caçador!



Bem perto dali, Carol ouvia a conversa e não estava nada feliz.