Forasteira

14 Mais uma na multidão


Notas iniciais
Gente, recebi uma segunda recomendação para minha fic da Miaaaa! Nem tenho como agradecer os elogios lindos que ela me fez. Muito, muito obrigada. Isso me impulsiona a escrever mais e mais. ♥ ♥ ♥

Beijos enormes da Amora

- Abre pra mim?

Merle olhou para os lados e achou que estava ficando maluco. Não tinha ninguém. Estava ouvindo vozes agora? Que merda era aquela?

- Oi? Abre pra mim?

Olhou para baixo e viu uma Yanka com os bracinhos estendidos. Ela tinha um pacote nas mãos. Devia ser alguma comida embalada que tinham dado para ela.

- Desde quando crianças da sua idade já saem puxando papo com adulto?

- Eu tenho 6 anos já! Me ajuda abrir isso aqui?

Merle pegou o pacote desajeitadamente e passou a faca na extremidade da embalagem abrindo-a. Era um bolinho e o fedor que subiu era insuportável.

- Você não pode comer isso aqui. Tá um lixo. Tá estragado!

- Duvido!

- Duvida o quê, Praga? Mete seu nariz aqui dentro! – segurou Yanka e enfiou o pacote debaixo das narinas da menina.

- Aiiii, que fedido.... Vou vomitar!

- Não em mim! Vá lá vomitar na sua tia!

- Você acha que eu vou vomitar de verdadinha? É só jeito de falar... que bobinho! – Yanka ria de se matar.

- Não tenho paciência com crianças... Vá lá brincar com o Carl, vai!

- O Carl é muito quieto... Quero conversaaaar!

- Então, vai conversar com a Beth.

- Não quero! Quero conversar com você!

- E você lá tem assunto para conversar comigo?

- Quero um braço assim igual ao seu. Me ensina a fazer um igual?

- Ensino, claro. Deixa eu ver... O primeiro passo é cortar essa sua mãozinha fora! – E Merle segurou o pulso direito de Yanka e fingiu que iria serrá-lo com seu braço-faca.

- AHHHHHHHH! ELE VAI ME MATAAAAR! – a menina berrava

- Cala a boca, Praga! Ou o Rick me chuta daqui. Não vou te serrar. Tô só brincando. “Que bobinha” – Merle emendou imitando uma vozinha infantil.

- Qual é o seu nome?

- Merle.

- O meu é Yanka.

- Não. O seu nome é Praga. Apelido: Praguinha!

- Praga??? Gostei! O que quer dizer Praga?

- Quer dizer... – Merle parou e viu que a dúvida da garotinha era legítima. E não teve coragem de falar a verdade – Deixa pra lá. Mas não me importa que seu nome seja Yanka. Pra mim, você é Praga.

- Tá bom! Combinado, MarshMerle!

- Que porra é essa agora?

- O que quer dizer “porra”?

- Menina, você está me tirando do sério. Que é isso ai de que você me chamou?

- Marshmellow, MarshMerle! Marshmellow, MarshMerle! – Yanka saiu correndo pelo corredor da prisão cantarolando.

“Cara, sério, de onde saiu esta criatura? Era o que me faltava. Virei babá e tenho coisa muito mais importante pra fazer do que ficar verificando a fralda da criança” – Merle refletia em silêncio. Ele sabia que o governador queria retomar a prisão e que um confronto seria apenas questão de tempo. Como eles iam lutar com aquele bando de mulheres e crianças? O que iam fazer com a Praga, por exemplo? Ela ia ser a primeira a tomar um tiro de bobeira. Era criança e toda criança é estúpida. Vão sacudir um pacote de bolacha e ela irá correndo, prontinha para tomar uma bala na cabeça. Merle chacoalhou a cabeça, não gostou de imaginar a cena. Precisava bolar um jeito de conseguir uma trégua ou o grupo de Rick ia levar a pior.

(...)

— Luna? Luna? – Daryl sussurrava perto do ouvido da cigana.

- Hum...

- Como você está?

- Com dor...

- Quer que eu traga alguma coisa pra você comer?

- Estou sem fome.

- Mas você precisa botar algo pra dentro...

- Estou com frio, Daryl.

Daryl olhou em volta e não achou nada com que pudesse cobri-la. Foi até suas coisas, pegou o poncho encardido e estendeu sobre o corpo de Luna.

- Tá melhor agora?

- Tá, sim! Obrigada...

- E vai comer um pouco?

- Não consigo. Posso comer amanhã?

- Tudo bem. Amanhã. Sem falta.

- Amanhã sem falta, caçador... – ela falava meio mole. Parecia exausta.

- Eu preciso dar um pulo lá fora. Você vai ficar ok aqui?

- Onde Yanka vai dormir?

- Vou pedir que ela durma aqui com você esta noite. Amanhã vamos procurar um lugar pra vocês ficarem, tá?

- E você?

- Eu durmo fora. Não gosto das celas. – Luna estendeu a mão e se agarrou ao braço de Daryl. É, ela estava mal mesmo. Sã, a cigana jamais tocaria nele daquele jeito...

- Dorme com a gente?

- Não precisa ter medo. Aqui é seguro...

- Por favor? Eu estou tão cansada, Daryl...

- Tudo bem. Eu volto, mas só vou me deitar mais tarde. Não me espere. Durma. Vai te fazer bem. – Ele disse, ajeitando o braço da cigana na cama novamente. Preparou-se para sair da cela e quando estava na porta...

- Ei, caçador? – Daryl se virou para ela – Obrigada por isso tudo.

- Não tem de quê, Luna. Dorme, tá bem?

Pegou a besta e foi dar uma volta lá fora. Precisava de ar, precisava arejar a cabeça. Aquele dia estava até que acabando bem em vista de como havia começado!

Daryl avistou a torre e, de longe, viu Carol subir. Lembrou-se do que tinham combinado e resolveu segui-la. Estava curioso. Raramente Carol pedia conversas em particular.

Ele abriu a porta e Carol levou um pequeno susto.

- Ah, é você! Desculpa pelo susto!

- Tudo bem. Sem problemas. Então... o que precisava falar?

- Daryl, desculpa me meter em assuntos seus. Mas acho que você precisa saber...

- Saber o que, exatamente?

- Sobre esta garota que você trouxe...

- Luna. O que tem ela?

- Você gosta dela?

- Onde você quer chegar, Carol? Não tô te entendendo...

- Responda, por favor.

- Ela me ajudou e eu a estou ajudando.

- E é só isso?

- Carol... que tipo de conversa é essa?

- Vocês andaram... ficando?

- Tá de brincadeira comigo, né?

- Ainda não respondeu...

- NÃO! Não andamos ficando, nem vamos ficar. Por quê?

- Achei que pudesse estar apaixonado por ela...

- Pirou, Carol?

- Não... Eu estou preocupada porque eu conversei com ela durante o banho e ela me garantiu que não está interessada em você e que tem medo que você se apaixone porque ela simplesmente não sente nada e não vai poder corresponder... – Carol vomitou as palavras e se tivesse chovido cacos de vidro na cabeça de Daryl teria doido menos, com certeza.

- Daryl segurou o braço de Carol forte.

- O que deu na sua cabeça para ficar falando de mim pelos cantos? – ele estava nervoso. Mas, no fundo, não era com Carol. Estava espumando de raiva de Luna e de como ela o havia enganado direitinho. Então aquelas palavras “Me sinto mal”, “Tenho medo de mim mesma” e até a ojeriza que ela tinha de ser tocada por ele estavam muito bem explicadas agora.

- Eu gosto de você, Daryl. Eu me importo e não quero que ela fira seus sentimentos...

- Que sentimentos? – ele perguntou soltando Carol bruscamente.

- Não sei... Posso ter me enganado, mas tive a impressão de que você estava envolvido.

- Não fique supondo coisas ao meu respeito.

Silêncio total. Daryl estava tentando entender como não notou que Luna, na verdade, não tinha nenhuma intenção de cunho amoroso para com ele...

Então, Carol se aproxima por trás e coloca as mãos sobre os ombros de Daryl, massageando-os.

- Lembro quando você fez essa massagem em mim... A gente tinha acabado de chegar aqui na prisão.

Ela foi descendo as mãos pelas laterais do corpo dele. Acariciou seu abdome, subiu para o peitoral... O corpo de Daryl era incrivelmente irresistível. Ela se sentia atraída por ele como um imã. E fazia tempo que aquele desejo queimava dentro dela...

Daryl se virou, segurando os pulsos de Carol. Eles se olharam por um tempo. Então, ele soltou-a e tirou o colete, depois começou a desabotoar a camisa com pressa. Carol entendeu o recado e o seguiu. Arrancou a blusa que usava e abriu o sutiã. Em dois segundos estavam atracados. Daryl a prensava contra a parede da torre de vigília. Ela se livrou da calça e Daryl abaixou a sua só o suficiente para terminar o serviço. Ele passou as mãos pelos seios dela e apertou sua bunda, trazendo-a para mais perto dele. Carol fez menção de que poderiam deitar, mas o rapaz não queria se demorar naquilo. A boca dela buscava a sua. Ele cedeu a um primeiro beijo. Mas era estranho. Todos esses meses os lábios dela pareceram tão apetitosos e agora não tinham gosto de nada. Na verdade, apesar do cheiro da mulher ser bom, toda vez que ele puxava ar seu olfato esperava receber aquela lufada de incenso que, ele sabia muito bem, só Luna tinha... Era um tanto frustrante.

Carol escorregou a mão para apalpar o pênis de Daryl... Céus, ele era delicioso. Ela precisava provar... Agachou-se e começou a chupá-lo ensandecida. Ele arfava, passou a mão pela cabeça de Carol. Queria segurá-la pelos cabelos... Queria mergulhar os dedos em fios macios, como tinha feito com Luna, quando eles dormiram na floresta. Não pôde! Toda fonte de prazer que ele buscava parecia ter um link com a cigana e isso foi deixando-o com raiva. Ele puxou Carol para cima, afastou as pernas dela e penetrou-a em uma estocada só. O mais fundo que pode. Sentiu-a tremer e continuou. Sua carência de sexo era tamanha que ele e Carol gozaram ao mesmo tempo.

O caçador recuperou o fôlego e se separou dela, subindo a calça e fechando o zíper... Tinha se aliviado, mas aquilo foi bem longe do que tinha sonhado meses atrás.

- Você é maravilhoso... – Carol sussurrava – Eu esperei tanto por isso...

- Carol, eu gostei também! – fez uma pausa e continuou – Mas vamos manter isso entre nós. Não quero cobranças, nem quero um relacionamento fixo. Nunca tive enquanto este mundo era normal, não será no apocalipse que vou arranjar.

- Tudo bem, querido. Como quiser – ela deu um beijo nos lábios dele e se retirou.

Daryl ficou ali... Pensando sobre tudo. Estava com tanta raiva de Luna que teve vontade de ir lá e acordá-la para tomar satisfação. Mas, no fundo, sabia que não tinha o direito. Ela sempre fora muito clara quanto a tudo. Não iria se envolver. Cabia a Daryl agora dar um jeito de transformá-la em mais uma na multidão.