Forasteira

63 Luna estranha - parte I


Notas iniciais
Gente, leitores amados e queridos. Mais um cap! Esta é a primeira parte de u capítulo bem longo. Daryl começa a sacar que Luna não é mais a mesma e ela o trata muito mal. E isso é só o começo. Verdade! Daryl Dixon, o cara durão, vai sofrer as piores rejeições de sua vida. Ela irá rejeitá-lo das maneiras mais dolorosas possíveis por acreditar que ele a desgraçou.

Pensei em escrever o cap inteiro e depois postar, mas como ele é grande achei que vocês ficariam com a fic muito parada. Então vou colocar em caps separados. Não fiquem chateadas, please.

Quero deixar um beijo enorme para as meninas que estão comentando e recomendando a fioc. Se você gosta de Forasteira e quiser recomendá-la, saiba que fará o coração desta autora muito, muito, muito feliz!!! ♥

Obrigada por tudo e boa leitura

Luna podia ouvir muito bem. O barulho do silêncio às vezes é o mais assustador dos ruídos. Talvez devesse abrir os olhos, talvez não. Talvez pudesse escolher simplesmente desistir de tudo e esperar ser acolhida nos braços generosos da morte. Ah, sim a morte... Nunca a desejara tanto quanto agora. Pois estava cansada de ser atirada de um canto para outro e de ver o destino brincar com suas emoções e suas crenças mais arraigadas. Além disso, sabia bem que deveria estar de volta ao local dos seus piores pesadelos. O lugar onde aquela selvageria acontecera e ela não pôde nem sequer se defender. Ainda de olhos fechados sentiu pesadas e quentes gosta de lágrima abrirem passagem e banharem sua face. Não soluçava, não arfava, eram só lágrimas silenciosas de pesar por si própria e pelo o que estava prestes a enfrentar de novo e de novo.

Um dedo áspero conteve as lágrimas fazendo atrito contra a pele da face de Luna. Aquilo não podia ser um bom sinal. Não depois de Woodbury ter sido invadida e ela ter sido sequestrada por Daryl Dixon. Oque esse cara queria, hein? Porque não procurava qualquer outra mulher sobrevivente que aceitasse lhe entregar de bom grado aquilo que ele obteve dela à força? Luna não se lembrava do rosto de seu algoz, mas naquela noite fatídica, quando ele entrou em seu quarto e a luz do luar iluminou seu rosto, a dúvida que lhe restou dentro do peito era justamente por que ele está tentando tomar à força algo que pode obter sem violência? Não dela, obviamente, pois pertenciam a mundos diferentes. Mas outras milhares de mulheres teriam se sentido muito sortudas em serem cortejadas por um homem tão bonito e de feições tão másculas. Ele tinha um ar desleixado, de gente envolvida em trabalhos pesados. A barba por fazer e o cabelo comprido desgrenhado davam ao rapaz um ar rebelde. Tudo contrastando com aqueles olhos azuis tão dóceis.

Chegava a ser um paradoxo. Certamente Luna jamais diria que olhos daquele tipo pudessem pertencer a um estuprador. De jeito nenhum. Ela teve mais medo de olhar o Governador nos olhos do que Daryl Dixon. E no entanto, veja que ironia, o primeiro salvara-lhe a vida e o segundo só a desgraçou.

- Luna, você está acordada? – ela ouviu aquela voz rouca e baixa ressoar perto do seu ouvido e não houve um único pelo em seu corpo que não se arrepiou. Luna sentia a respiração quente em seu pescoço. Depois, uma mão se aninhou na lateral de seu rosto e afagou seus cabelos, perto da outra orelha. Aquilo tinha tanta doçura. Porque ele estava fingindo que gostava dela se tudo o que queria era arrancar suas roupas e violenta-la novamente?

Num ato de coragem, a cigana abriu os olhos deixando cair mais um par de lágrimas e deu de cara com as íris azuis de Daryl Dixon. Imediatamente ela começou a tremer. Tanto que seus dentes rangiam.

- Por que está tremendo? – ele parecia confuso e preocupado e, agora, sua voz ficou ainda mais rouca.

Luna não teve a ousadia de lhe responder. Apenas ergueu o tronco do chão e se encostou numa parede próxima. Sentada podia ver que se encontrava dentro de uma cela. “A prisão! Meu Deus! Voltei para a prisão!”. Todos seus instintos de sobrevivência foram acionados e uma descarga de adrenalina pela situação de perigo a deixou em estado de total alerta.

Daryl, agora ela podia ver bem, usava uma camisa xadrez marrom sem mangas, que parecia ter tido a parte dos braços rasgadas e um colete de couro por cima. Ele segurava a besta em uma das mãos e quando a cigana deslizou o olhar mais para baixo pôde ver uma faca grande presa no cós da sua calça. O rapaz era obviamente loiro, apesar dos fios mais escuros que ostentava agora. Estava ajoelhado com apenas um dos joelhos encostados no chão e a outra perna flexionada. Seu olhar parecia tentar decifrar as reações que Luna estava tendo agora. Daryl estendeu-lhe a mão que estava livre, como que pedindo para segurar a da garota. Sem sucesso. Ficou alguns segundo parado naquela posição, mirando-a com as orbes azuis cintilante e Luna jurou ter visto um fio de dor em sua face. Por fim, ele desistiu dessa tática e se arrastou para mais perto dela. O medo dominou cada músculo dela, fazendo com que se encolhesse contra a parede atrás de si. Ela puxou os joelhos e os segurou forte com os braços, junto ao peito. Mais um pouco, teria virado uma bolinha em forma de gente.

Aquilo arrasou coim o coração de Daryl. Ela estava absolutamente apavorada com a presença dele. Luna parecia teme-lo mais que a qualquer mordedor e isso não era fácil de suportar.

- O que fizeram com você, Cigana? – ele murmurou, os olhos ainda fixos na garota que mais parecia um animal ferido e acuado. Ele se aproximou um pouquinho mais e um gemido de dor escapar dos lábios carnudos de Luna e sua respiração acelerada fazia um barulho agonizante.

- Eu não vou te machucar, Luna. Fica calma! – Daryl deixou as palavras saírem de sua boca quase sem acreditar que precisava dizer a ela, sua mulher, que ele nunca teria coragem de lhe causar dor. – Você não quer que eu te toque, é isso? – perguntar aquilo doeu.

- Não. – ela respondeu seca.

- Tudo bem. Não vou encostar em você, então. Prometo – aquilo tinha doido um pouco mais. – Pode me explicar porque você está com medo de mim?

Definitivamente, Daryl Dixon era um cara de pau. Ele ataca seu acampamento, a sequestra, a estupra várias vezes e depois simplesmente pergunta porque ela tem medo dele? Só podia ser uma pegadinha, uma piada de mal gosto.

Luna suspirou profundamente.

- Pelo menos, me deixe saber de onde saiu todo esse asco que você tem de mim agora... – ele pediu, com a voz mais controlada do que antes.

- Não devia ser necessário. É autoexplicativo, não acha?

- Não! Não acho nada autoexplicativo! Num momento, estamos juntos. Depois de alguns dias, você me trata como um desconhecido. – Daryl tentava esconder a irritação e ser paciente com ela, mas estava difícil e ele ainda sentia muita dor pela forma como estava sendo tratado pela única mulher que ele amou em toda a droga dos seus 32 anos de vida.

- Desconhecido? – Luna riu, sarcástica. – Tenho certeza que você não acha que eu seja uma desconhecida pra você.

- Não, não acho mesmo. Estávamos juntos antes dessa merda acontecer. – Daryl cuspiu as palavras.

- Juntos? Qual é a sua concepção de estar juntos?

Daryl realmente não entendia aquele papo e tudo parecia ficar mais difícil a cada frase que ela professava.

- Aposto que não se deu ao trabalho de tentar saber se eu queria mesmo estar junto de você não é, Daryl Dixon? – ela tinha olhos ferozes agora. Verde e selvagens. E ainda arfava, mas agora era de raiva. O caçador costumava ficar maluco de tesão toda vez que Luna resolvia chama-lo pelo nome inteiro. A forma como ela prenunciava Daryl Dixon era sexy. No entanto, naquele momento Luna não parecia em nada aquela garota que, apesar de lhe impor sérios limites, também gostava de sua companhia.

- Como assim, não me dei ao trabalho? Eu esperei você o tempo inteiro. Eu a salvei do seu acampamento, arrisquei minha vida e a do meu irmão por você. E teria feito tudo de novo!

- Você atacou o meu acampamento. Você esse louco desse Rick Grimes botaram fogo num acampamento cheio de mulheres e crianças indefesas só para roubar as poucas armas que tínhamos. Como puderam ter coragem disso? – ela gritava, ensandecida.

- Quê? Do que você está falando? – Daryl respondeu gritando também. – Pirou de vez, Luna?

- E como se não bastasse você me escolheu. Escolheu me trazer aqui apenas para satisfazer suas necessidades físicas. Você é nojento. Eu te odeio! Te odeio! Eu era virgem, sabia? – ela protestava e gritava e tremia. Tudo ao mesmo tempo. A raiva fluía através dela e era quase palpável para Daryl, que estava completamente em choque com aquele discurso sem nexo algum.

- Eu sabia que você era virgem. E eu nunca te toquei sem sua permissão. – ele murmurou, ainda incrédulo.

Aquilo era demais para Luna. Ele estava tentado acabar com a reputação dela fazendo parecer que ela tinha se oferecido pra ele, que tina se portado como uma qualquer. Num impulso, a cigana avançou sobre o homem à sua frente, ignorando que ele era mais forte do que ela e estava armado. Daryl não reagiu. Ele não segurou seus braços, não tentou contê-la, nada. A saudade que sentia de Luna era tão grande, seu desespero por tê-la um pouco mais perto parecia estar tão no limite, que ele simplesmente se absteve de reagir quando ela lhe aplicou dois tapas ardidos no rosto e desabou chorando, sentada sobre os joelhos com as mãos escondendo o rosto de vergonha e raiva.

Ela o odiava ainda mais por tê-la deixado bater nele sem se defender. A quem pretendia enganar? Daryl Dixon não era nenhum mocinho e isso ficou bem claro pra ela durante a sessão de hipnose com o Governador e todas as coisas das quais se lembrou. A forma como o caçador gostava de estar dentro dela à força e como se excitava ainda mais ao ver o medo em seus olhos.

- Daryl, já chega. Luna está confusa e fraca. Precisa descansar. É melhor você sair um pouco. – Hershel estava agora à entrada da cela. Luna abaixou as mãos e viu um senhor de cabelos muito brancos e muletas, fitando-a com piedade. Por algu motivo, ela soube que nele poderia confiar, apesar de fazer parte do grupo do xerife e de Daryl Dixon.

- Eu só queria conversar com ela, Hershel. Ela precisa saber... – ele foi interrompido.

- Não vê que ela não está em condições de compreendê-lo? Só a está fazendo sofrer mais. Por favor, saia. Vou cuidar dela. – Daryl teve vontade de cravar a faca em sua cintura no crânio do velho. Como ousavam tentar tirá-la de sua presença depois de tudo o que ele sofreu para buscá-la? Na luta contra os homens do Governador quase perderam T Dog e Merle, que tentou enfrentar o dono de Woodbury com a porra de um braço só. A sorte foi que Maggie havia levado uma das granadas que sobraram da fuga do CDC e eles a utilizaram para conseguir ganhar algum tempo e fugir daquele antro. Depois dessa operação quase suicida, ele chega à prisão e encontra uma Luna arredia, que parece odiá-lo e ignora que selaram uma união. Por falar em união...

- Onde está a sua aliança? – Daryl toma a mão esquerda de Luna em busca da joia e não a encontra. Ela recolhe a mão bruscamente.

- Que aliança? – pergunta assustada.

- O par desta aliança! – Daryl ergue o dedo anelar da mão esquerda com raiva.

Luna olha chocada para a mão do caçador e percebe que ele ostenta um anel de compromisso ali. Ele era casado antes desse apocalipse zumbi? Como podia ser tão asqueroso a ponto de lhe capturar e ter relações sexuais com ela tendo sido casado? A cigana não imaginava que seria capaz de sentir mais nojo daquele homem, mas ele conseguiu fazê-la sentir.

- Chega, Daryl. Estou falando sério. Saia! Vou conversar com ela. Luna está agitada. Quer que ela passe mal? Que tenha um colapso? – o senhor na porta agora entrava na cela e se colocava entre Daryl e Luna.

Daryl levantou, pegou sua besta, deu uma última olhada em Luna e saiu batendo os pés. Parecia furioso.

Notas finais
Spoiler enlouquecedor: Luna sofrerá o pior dos castigos. Ela enfrentará uma provação tão grande que chegará quase a enlouqecê-la. E Daryl, tadinho, vai ficar abalado e - pasmem - teremos uma cena dele chorando de soluçar. Vai dar vontade de abraçar e colocar no colo!

#Oremos, #Aguardem, #Comentem

beijos enormes da Amora