Forasteira
11 Lar, doce lar
Notas iniciais
- Maggie! Maggie, acorda!
- Que foi? Walkers? – Maggie saltou tão alto que quase bateu a cabeça.
- Não, mas vem dar uma olhada nisso aqui... – Glenn estendeu o binóculo para ela. – Olha ali, do lado direito d acerca.
- Ai, meu Deus. Mais sobreviventes!
- Presta atenção no cara mais perto da cerca. É o Daryl!
- E o Merle. Meu Deus é o filho da mãe do Merle! – Maggie gritava.
- Você só pode tá de brincadeira... Deixa eu ver – disse Glenn, tomando o binóculo das mãos de Maggie.
- Caramba! É o próprio. Vou matar esse desgraçado!
- Temos que falar com o Rick! Vem, Glenn.
(...)
- Daryl!
- Rick, tá esperando o quê para abrir esse portão, porra! – Daryl gritava, balançando a cerca com as mãos.
- Você está com Merle. Você sabia que não temos como aceitar seu irmão...
- Que ótimo, Rick! Obrigado por me deixar aqui fora, virando comida de zumbi só porque meu irmão foi um escroto. Certo, ele foi. Mas eu sei que ele pode se redimir. E você sabe que sou e sempre fui útil para este grupo. Eu os trouxe aqui vivos. Você, sua mulher, seus filhos! – Daryl estava vermelho de raiva.
- Merle, seu filho da mãe! VocÊ ia deixar Maggie ser estuprada pelo seu amiguinho nojento! – Glenn acabava de chegar próximo a cerca – Não podemos deixar este cara aqui, Rick. Ele quase nos matou várias vezes. É um louco, um psicopata!
- Mas não é justo deixar Daryl lá fora com os zumbis, Glenn! – Maggie interferia agora.
- Você vai defender este porco agora, Maggie?
- Daryl é nosso amigo. Vamos salvá-lo! Rick...
- Glenn, eu entendo sua raiva. Você tem muita razão. Mas Daryl sói vai aceitar abrigo se abrigarmos Merle também...
- Não acho justo! – Glenn se revoltava.
- Daryl, você vai se responsabilizar pelo seu irmão. Se ele aprontar, coloco vocês dois pra fora sem pensar duas vezes, tá me ouvindo bem?
Daryl, acenou positivamente com a cabeça.
- Tem mais uma coisa. Estou com elas... – Daryl apontou Luna e Yanka.
Rick olhou aquelas duas figuras e ficou sem entender direito. A mulher e a garotinha pareciam ser de outro país. Eram... exóticas, para dizer no mínimo.
- Quem são?
Daryl não tinha tempo para explicar direito.
- Estão comigo agora. Estão sob a minha proteção. – Diante do silêncio de Rick, Daryl resolveu apelar – Ahhh, pelo amor de Deus, Rick! Tá virando o Shane agora? Desde quando você nega teto para uma mulher e uma criança, porra?
- Ela está sangrando... – Carol era quem falava, um tanto aturdida vendo Daryl novamente, sentindo seu peito aquecer.
- Ela não foi mordida. Recebeu uma facada pelas costas sem querer. Hershel precisa vê-la ou vai acabar infeccionando, ela vai morrer se ficar aqui fora, de um jeito ou de outro.
Rick concordou.
- Vamos abrir o portão, então! Venham!
Daryl se virou para Luna. Ela estava de olhos arregalados. Estava apreensiva!
- Vai dar tudo certo. Vem! Eu te ajudo. – ele passou o braço em torno da cintura dela e a ajudou a caminhar.
(...)
- Carl, vá chamar o Hershel. Diga que temos uma moça ferida. – Rick ordenou.
- Obrigado, Rick! – Daryl murmurou e Rick acenou com a cabeça, apoiando uma mão no ombro do caçador.
- Estou feliz que tenha voltado. De verdade. Mas precisamos conversar sobre tudo isso. – Disse se referindo ao grupo que Daryl havia trazido consigo.
- Certo! Vamos lá para dentro... Ela precisa do Hershel. – Daryl pegou a besta e a mochila de Luna e entregou a Glenn. Era a primeira vez que ele deixava alguém tocar a besta. Ele caminhou e pegou Luna no colo, sob protestos.
- Não preciso de carona, caçador!
- Já andou o suficiente.
- Não pode me pegar no colo sem meu consentimento. Agora me ponha no chão. – Luna socava as costas de Daryl com os punhos fechados.
- Não adianta me bater. – e foi entrando com ela até o pavilhão de celas.
- Daryl, que bom que está aqui de novo! — Beth bradou. – Essa é a moça ferida? Papai já a está esperando.
- Hershel, ela está aqui – Daryl foi falando.
- Ow, o que aconteceu, jovem?
Luna não sabia exatamente o que responder. Daryl a colocou sentada numa das beliches.
- Eu me machuquei com um punhal, senhor...
- Ela foi atacada pelas costas. – Daryl corrigiu.
- Deixe-me dar uma boa olhada nisso – Hershel se sentou olhando as costas de Luna. – Vou precisar abrir isso aqui, querida. Tudo bem?
- Vai precisar abrir muito? – Luna estava insegura. Aquilo era demais para ela. Deixar um homem que nunca viu na vida abrir seu vestido era forçar demais o limite das suas crenças.
Daryl se agachou diante dela .
- Ele é médico, Luna. Dá um crédito.
- Então, fica aqui. – Luna o olhou, segurando-o pela camisa xadrez. Daryl concordou. Ele não sairia dali mesmo, de todo jeito. Queria saber qual era a situação dela.
- Bem, vou desamarrar isso aqui atrás e abrir para dar uma olhada na sua ferida, certo? – Hershel disse. – Qual seu nome, jovem?
- Luna, senhor.
- Luna? Lua em espanhol? – disse enquanto removia o cadarço que prendia os trapos do vestido dela.
- É. Como sabe?
- Tive bons amigos espanhóis... Agora deixe-me ver! Hum...
- Que foi, Hershel? Tá muito ruim? – Daryl quis saber.
- Poderia estar pior. Você limpou com o quê?
- Com uísque. Era o que tínhamos...
- Melhor que nada. Mesmo assim, precisa ser higienizado direito. Você terá de lavar isso aqui com bastante sabão, querida. Precisaremos esfregar dentro da ferida e vai doer um bocado. Mas é a única maneira de impedir que comece a infeccionar. Daryl, peça para o Rick ligar o gerador. Se o banho for quente, talvez seja menos desconfortável para ela.
- Ela vai ficar bem, Hershel? – Daryl perguntou.
- Precisaremos costurar isso. Não vou mentir: será agonizante. Será diferente daquele ferimento que costurei na sua testa quando o tiro que a Andrea deu pegou de raspão em você. Aqui tenho muitas camadas de tecido pra fechar. Olha só, dá para ver os músculos! Ela teve sorte desta faca não ter atingido os pulmões...
- Vamos fazer oq eu for preciso. Eu busco um remédio para ela dormir ou algo que tire a dor... Nesta droga de prisão tem que ter algo!
- Mesmo que não tenha nada, teremos que fazer, Daryl. E rápido. Mas agora o importante é higienizar esta ferida.
Daryl concordou e saiu em disparada para falar com o Rick e encontrou Carol no meio do caminho.
- Quem é ela?
- Carol, não tenho tempo para explicar agora. Mas ela me ajudou enquanto estava na floresta com Merle e agora estou tentando fazer um pouco por ela e pela sobrinha dela. – e continuou caminhando até Rick.
Carol ficou sem entender nada. Mas sentiu que Daryl se importava com a garota. Não sabia se aquilo a deixava muito satisfeita. O rapaz era suave e dócil apenas com Carol. Eles tinham uma ligação especial que fazia com que a mulher se sentisse... bem. Se sentia querida pela primeira vez em muitos anos. Sentiu um aperto no peito. Era ciúme? Não podia ser. Mas uma coisa não podia esconder mais: desejava Daryl. E estava disposta a aproveitar a chance de sua volta para tê-lo em seus braços. Desta vez, não deixaria que a atrapalhassem.
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