Forasteira
36 Explicações
Notas iniciais
beijos enormes da Amora
A tarde estava especialmente quente naquele dia. Luna e Daryl ainda se encontravam jogados na cama. Haviam dormido abraçados um ao outro, quando não aguentavam mais chorar. Estavam cansados e deprimidos.
Ela abriu os olhos antes. Sentiu a respiração calma de Daryl aquecer seu colo. Sentia-se culpada? Com certeza. Mas naquele instante não tinha forças para encarar seus demônios particulares. Luna fitou novamente aquela figura deitada sobre seu corpo. O rosto do caçador parecia o de um menino indefeso. Por vezes, ele tina espasmos ao longo do sono, se mexia e balbuciava algumas coisas desconexas. A cigana não compreendia muito bem as coisas que ele dizia. Até aquele momento. Seus lábios se mexeram e disseram baixinho “Não vai... fica comigo”. Aquilo foi o bastante. Chega! Ela precisava fazer algo a respeito e então decidiu que não tinha nenhum problema se o consolasse. Deixou as mãos mergulhares no cabelo liso e agora já um pouco comprido de Daryl. Na sequência, apertou-o mais contra seu próprio peito e deu um beijo de leve na cabeça do rapaz. Daryl vivia dizendo que ela tinha cheiro de incenso. Já ele tinha cheiro de grama fresca.
O rapaz se moveu em cima dela. Acordando logo na sequência. Ele girou a cabeça, apoiando o queixo no colo de Luna e olhando-a com os aqueles lindos olhos azuis.
- Desculpa por ter dormido assim... – disse tentando se levantar. Mas Luna o segurou e forçou a deitar sua cabeça de novo sobre ela.
- Fique.
- Por quê? Achei que me detestava.
- Você precisa de carinho.
- De onde tirou isso? – sua voz era de espanto.
- Aqui. – e Luna estendeu a mão tocando o pedaço de pele perto do cós da calça que havia levantado, expondo as cicatrizes das surras de cinta que levava do seu pai. Os dedos da cigana tocaram o contorno da fivela tatuado em suas costas de forma tão cruel. Daryl se arrepiou e se encolheu um pouco. Estava incomodado e se sentia exposto. Não queria falar à respeito. Nem queria a pena que ela sentia. Mas, os dedos quentes de Luna acariciaram sua pele tão delicadamente que parecia irresistível. Ela puxou a camisa dele para baixo cobrindo o local das cicatrizes novamente. Achou que a cigana fosse questioná-lo, mas ela não disse uma única palavra. Então ele precisava falar. Aquele terror todo que ele a ahvia feito passar, achando que seria estuprada. Estuprada! Nunca... Ele escolheria morrer antes disso.
- Acho bom a gente conversar, sabe? Para eu te explicar... – disse desta vez se levantando.
- Tá certo. – Luna o acompanhou e se sentou na cama de pernas cruzadas.
Daryl suspirou e tomou fôlego. Luna abaixou a cabeça e seus longos cabelos caíram sobre os ombros. Sentiu-se protegida daquela maneira.
- Eu nunca estupraria você. Está me entendendo? – Daryl começou. – Eu não sabia que isso era algo que os ciganos costumavam fazer. Eu estou me sentindo um cretino por não ter sacado que as coisas funcionavam desse jeito...
- Yanka ainda é uma criança. Ela, como todas as outras meninas pequenas, só sabem parte desta história de sequestro. O que contam para ela é que é algo romântico, uma prova d amor. Mas a verdade é que tudo é bastante tenso. Você é roubada no meio da noite e forçada a se entregar... Muitas vezes a garota não quer, nem nunca quis ficar com o cigano que a sequestrou. Mas na volta, a obrigam a se casar com ele. Porque depois que sua virgindade se foi você não tem mais valor... – Luna tentava explicar como as coisas d fato aconteciam porque Daryl parecia sinceramente confuso.
- E você acha que não me quer? – perguntou tentando esconder o aperto que sentia no peito, mas um traço de dor estava nítido no seu rosto.
Luna sabia a resposta para aquela pergunta de cor e salteado. Ela desejava Daryl ao seu lado, claro. Mas ainda não tinha pensado muito bem sobre fazer sexo com Daryl Dixon. Ela percebeu que nunca pensara muito bem sobre o assunto, tentando sempre afastar a ideia. Parecia algo distante de acontecer. E de repente estava ali diante da possibilidade real daquilo realmente acontecer.
- Daryl, você sabe sobre meus sentimentos. – foi o jeito que encontrou para responder à pergunta sem responder.
- Certo. Você me ama, mas não me quer da mesma maneira que eu a quero. – ele não caiu na armadilha de Luna.
- Não! Não tire conclusões apressadas... – Luna se atrapalhou.
- Eu não quero que você faça nada sem ter vontade de fazer comigo... – todos os sentimentos de rejeição do passado voltavam agora com força total e pareciam bater em sua cara. Merle nunca ligou para a vontade das garotas com quem namorava. Ele não queria fazer sexo sem que Luna o desejasse. Não. Chega! Basta toda aquela merda que ele vinha vivendo com prostitutas, mulheres casadas e garotas de bares e clubes. Ele queria se sentir querido. Até aquele momento, ele pensava que tinha encontrado isso em Luna. Porém agora as coisas estavam se desenhando de maneira bem diferente.
- Eu estou nervosa. – Luna levantou e foi se escorar na janela do quarto. Ela não queria que ele pensasse que não era desejado.
- Porque está nervosa? – o caçador quis saber.
- Porque eu não sei definir as coisas que sinto por você.
Aquela afirmação caiu como um meteoro bem na cabeça de Daryl. Porque ela tinha esperado tanto para dizer a ele que não queria mais.
- Não fique nervosa. Não vai ser a primeira vez que levo um fora. Não tenho mais 14 anos... Fique tranquila. – disse tentando manter o máximo de dignidade possível.
Luna se virou para encará-lo, chocada.
- Como assim, Daryl?
- Você está me dando um fora daqueles. E está de parabéns porque tá doendo pra cacete.! – ele ficou bravo porque aquela conversa já tinha dado tudo o que tinha que dar.
- Fora? É isso o que você entendeu? – a cigana estava chocada.
- O que mais eu poderia entender quando você me diz que “não sabe definir seus sentimentos”?
- Não foi isso o que eu quis dizer...
- Mas disse com todas as letras! – ele gritou e agora estava começando a sentir raiva. — Acho melhor a gente pegar as coisas e voltar para a prisão. Isso aqui foi um erro estupido., completou e se levantou começando a arrumar suas coisas.
Luna paralisou.
- Eu sou tão inexperiente que eu nem sequer consigo me expressar direito...
- Do que é que você tá falando? – Daryl quis saber ainda tremendo de ódio e de vergonha por ter se exposto tanto para a mulher que esperou até o último minuto para dar um chute em sua bunda.
Luna era tão ignorante quanto a sexo que não podia compreender a diferença entre amor enquanto sentimento e o amor manifestado através do desejo de fazer sexo com alguém. E este era o seu maior erro: buscar uma diferença entre os dois conceitos, pois são exatamente a mesma coisa.
Bem, na sua cabeça só tinha um jeito de adquirir conhecimento: perguntando.
- Como é que a gente sabe que quer... – ela desviou o olhar dele.
- ... fazer sexo? – Daryl perguntou um tanto descrente. Vontade de fazer sexo é algo tão primitivo, um instinto tão natural... Como se explica isso E como ela não sabe identificar? Foi então que ele se recordou do papo que tivera com seu tio Valetin, no acampamento cigano.
“A missão de Luna é nos fazer lembrar das virtudes que agradam à Deus e à Santa Sarah Kalí. Ela é a melhor de todos nós. Sua obrigação é ser justa, cuidadosa e casta.”
Luna crescera numa comunidade fechada, extremamente rígida, que vigiava cada ação sua. Foram 24 anos em que todos à sua volta só fizeram renegar suas emoções. Sexo nem estava na pauta. Era óbvio e compreensível que ela não soubesse nada sobre o assunto. E isso não fazia dela apenas uma garota virgem. Era praticamente um ser chegado de outro planeta do ponto de vista emocional. E caíra no colo justo de quem? Dele, Daryl Dixon, o cara durão que não podia sonhar em demonstrar seus sentimentos sem levar uma surra de Merle ou do seu pai. Ou sem ser tachado de veadinho, mulherzinha.
Luna agora olhava-o com ansiedade. Esperava que ele tivesse a resposta.
Daryl suspirou...
- Não sou bom com palavras, você sabe. Mas é uma sensação parecida com ser um metal e a outra pessoa ser um enorme imã. Você até quer tomar a direção contrária, mas tem um negócio aqui – e apontou para o umbigo – que te puxa em direção à outra pessoa. Você sente vontade de... – como ele ia dizer isso? – entrar dentro da pessoa que te atrai... E isso meio que rola literalmente, entende?
Ele caminhou na direção da cigana que já não conseguia encará-lo. Daryl tocou seu rosto e deixou suas mãos se perderem nos longos fios de cabelo em torno do seu rosto. A vontade de beijá-la era tão grande que precisou usar toda sua energia para se manter firme. Na verdade, ele pensou que tinha descrito perfeitamente como era sentir vontade de transar com alguém que se ama, porque ele estava ali por puro magnetismo. Luna era seu imã e isso estava bem claro para ele.
- Consegui explicar direito? – ele perguntou.
- Acho que sinto que venho tentado ignorar que você me atrai, exatamente como um prego seria atraído por um imã. – ela confessou.
- Isso é bom! – ele murmurou aproximando seu rosto do dela. Para sua surpresa, Luna não recuou. Ele tocou de leve seus lábios e explorou um pouco sua boca com a língua... “Ah, que gosto é esse?”, ele pensou. – Quando eu beijei você, o que sentiu? – perguntou.
Luna engoliu em seco.
- Estou ansiosa. Só não sei por que. Eu costumava ficar ansiosa pelo beijo. Agora você me beija e a ansiedade não passa... – ela encosta a testa nos ombros largos de Daryl e apesar do resto do corpo dela não estar em contato com o dele, o caçador já sentia o efeito que Luna causava nos seus nervos. Ele estava começando ficar excitado. Da última vez, estavam deitados e ele conseguiu esconder isso dela. Mas de pé, seria impossível disfarçar. Então, ele a puxou para a cama e fez com que eles se sentassem de novo.
Seguiram em silêncio por um tempo. Luna quebrou o silêncio novamente. Precisava de um tempo sozinha.
- Tudo bem se eu for tomar um banho? Está muito quente... Tem água aqui?
- Tem, sim. E ali estão suas coisas. – disse apontando a mochila dela em cima da escrivaninha.
- Você é um sequestrador bastante precavido. Obrigada. – disse dando um beijo na sua bochecha. Daryl retribuiu cheirando seu pescoço e sorrindo minimamente.
Ela pegou a mochila e entrou no banheiro.
Antes que ela
- Tem uma banheira ai. Eu a limpei pra você. Vou ver o que podemos comer. Você vai ficar bem?
- Vou, sim. E eu nunca usei uma banheira antes... Como é que funciona?
Daryl ficou feliz em ensiná-la mais aquilo. Ele assumiu a preparação da banheira.
- A gente fecha o ralo e deixa a água encher a banheira. Quando estiver cheia, jogue uns desses ai dentro. – disse mostrando sais de banho num saquinho. – Vai formar uma espuma e ai é só entrar e aproveitar. A água tá fria, mas se quiser ficar até amanhã podemos pensar nu jeito de aquecer. – olhou para ela e sorriu.
- Vou ver o que podemos comer, ok? – ele avisou.
- Tá certo. Obrigada... Acho que podemos ficar, sim. Obrigada, caçador! E desculpa pelo meu surto hoje de manhã... Eu o interpretei mal.
- Tudo bem. Tome seu banho.
Ele saiu e fechou a porta atrás de si, desobedecendo sua vontade de ficar e dar um bom banho naquela mulher maravilhosa que ele havia deixado ali.
(CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO)
Notas finais
beijos enormes da Amora
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