Forasteira
37 Onde isso vai nos levar?
Notas iniciais
Em breve vou responder aos comentários incríveis que tenho recebido. Vocês são as melhores. De verdade! E as novas leitoras que se manifestam me deixam feliz :)
beijos enormes da Amora
Sugestão de coração de autora para coração de leitoras: leiam este capítulo ouvindo Stay, da Rihanna. A letra traduz completamente este momento e eu escrevi este capítulo ouvindo-a mil vezes...
"Something in the way you move makes me feel like I can't live without you" (Algo no jeito em que você se move me faz sentir que não posso viver sem você)
PLAY>http://www.youtube.com/watch?v=GlpiUsJ5v-c&NR=1&feature=endscreen
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O caçador foi verificar o que tinham para comer e decidiu preparar um prato com atum, seletas de legumes enlatados e um molho de mostarda com mel que ele tinha encontrado ainda na validade. Ele desceu até a cozinha do hotel para pegar pratos e talheres. Lavou-os e secou. Quando estava para subir até o terceiro andar novamente, Daryl viu algo... Uma daquelas panelas enormes de cozinha de restaurante e um fogão daqueles de acampamento com um pequeno bujão acoplado. Então teve uma ideia.
(...)
– Luna? – Daryl chama batendo três vezes na porta. – Pode abrir para mim, por favor? É rápido. Juro!
Luna estava vestindo um dos roupões do hotel. Ela fechou e deu um laço no cordão e abriu a porta. Encontrou Daryl segurando uma enorme panela.
– Ok. Eu não estava com tanta fome assim... – Luna diz.
Daryl deu um sorriso de canto de lábios.
– É água quente! – disse despejando o conteúdo da panela na banheira que estava pela metade. Experimentou a temperatura com as mãos.
– Agora você vai poder experimentar uma banheira do jeito certo, cigana.
Luna foi até o pé da banheira e mergulhou a mão na água. Era delicioso...
– Bem, agora é só jogar isso na água, né? – disse segurando o pacote de sais de banho.
– Isso.
Luna despejou metade do pacote e...
– Acho que foi um pouco demais. Vai ter espuma aqui até o teto. – Daryl riu.
– Ah, meu deus! Desculpa...
– Tudo bem! Vai lá. Aproveita. – Daryl recolheu panela do chão e saiu do banheiro fechando a porta atrás de si.
Luna se despiu com cuidado e entrou na banheira. A sensação de relaxamento imediatamente toma conta do seu corpo. A cigana fecha os olhos e tenta se concentrar nos acontecimentos das últimas horas. Daryl a sequestrando e tornando clara sua intenção de se casar com ela, mesmo que isso significasse enfrentar a autoridade de Yago.
A espuma foi se proliferando dentro da banheira e em breve a única parte do corpo de Luna que não estava completamente submersa na montanha de bolhas de sabão era sua cabeça. Aquilo era bom!
Depois de meia hora, Daryl decide verificar se estava tudo bem. Bateu na porta e não obteve resposta. Então, ele girou a maçaneta e avisou que estava entrando. Mesmo assim não obteve resposta alguma. Então ele viu: Luna estava na banheira e tinha adormecido na água quente. Ainda tinha bastante espuma e ele não conseguia enxergar seu corpo nu. Porém não conseguiu deixar de pensar que aquilo era o mais próximo que ele havia estado da cigana. Seu corpo estava ali, ao alcance do seu toque. Ele estendeu o braço mas desviou a rota e repousou os dedos sobre os cabelos de Luna. Ele viu seus grandes olhos verde-oliva se abrirem...
– Desculpa entrar assim. Eu te chamei, mas você não respondeu. Fiquei preocupado. Espero que não fique brava... – disse.
Foi então que Luna notou a complexidade daquela situação: ela estava nua e Daryl estava ao seu lado. Estavam separados por uma parede de espuma e mais nada. Seu rosto queimou como fogo. De vergonha e de tensão.
– Eu acho que peguei no sono...
– Certo. Hoje o dia foi complicado mesmo. – o caçador respondeu sem tirar os olhos do rosto dela. Não queria se distrair imaginando o que encontraria submerso naquela banheira.
– Vou me trocar e aí podemos comer? – ela praticamente sussurrou.
– Sim. Eu te espero lá fora. – respondeu saindo novamente.
Luna ficou estática por alguns minutos ainda. Mal podia acreditar no que havia acabado de acontecer. Ela, nua, na presença de Daryl. Sacudiu a cabeça, mandando o pensamento para longe.
Com cuidado, levantou-se da banheira e sentiu a água escorrer pela sua pele. Pegou uma toalha e se secou devagar. Sua respiração estava tão acelerada que ela pensou que fosse ter um colapso.
Foi até a mochila e escolheu uma roupa com cuidado. Por algum motivo não sabia exatamente o que vestir. Ok, ela não tinha um bando de roupas, mas tinha a estranha sensação de que nada ficava tão bem mais nela. Estava um pouco mais magra e, para falar a verdade, ao contrário da maior parte das mulheres gadjés, Luna não achava nada bonito quando emagrecia mais que 2 ou 3 quilos. Sentia-se fraca e nunca gostou de se sentir frágil.
Luna: http://www.polyvore.com/luna_hotel/set?id=81556636
Depois de muito pensar acaba optando pela saia laranja e uma blusa de amarrar. Não está incrível, mas são roupas limpas e isso já é uma vantagem e tanto. Em seguida começa a desembaraçar os longos cabelos. Ao final dá uma boa olhada no espelho e resolve continuar com seu crucifixo. Talvez o acessório consiga impedi-la de fazer coisas que não deveria...
Daryl estava sentado sobre a cama quando a porta do banheiro se abriu. A visão de Luna, para variar, o deixa imediatamente nervoso, agitado.
– Oi... – a cigana o cumprimenta mais sem graça do que o de costume. Porque estava tão tímida? Ela e Daryl haviam tido alguma intimidade, eram próximos e não tinham feito nada demais até agora. Não entendia porque estava tão nervosa!
– Oi. – ele respondeu parecendo também estar um bocado nervoso. – Você realmente não cansa de tentar me convencer de que é a mulher mais bonita que já vi em 32 anos, né? – ele disse se virando de costas e indo buscar o prato de Luna.
A garota tremeu de leve.
– Trinta e dois anos? – perguntou ela.
– É. A minha idade. – respondeu ele sem se virar. Queria um tempo para recuperar o fôlego.
– Parece mais novo... Gosto dessa idade sua.
– Ah é? E por quê?
– Acho que porque aos 30 anos o homem está no auge da sua força. É bonito de se ver. – disse corando.
– Então, eu até que dou para o gasto? – questionou entregando para ela o prato de comida.
– Não fala assim. Já te pedi mil vezes!
- Assim como?
- Se depreciando.
– Desculpe. Força do costume...
– Força do costume? Ninguém devia se acostumar a se enxergar menos bonito do que é!
– Ah, então agora eu sou bonito?
– Muito! – Luna respondeu num ímpeto de raiva. Mas assim que se deu conta do que falara, abaixou a cabeça. Ela o achava lindo mesmo, só não queria ter dito aquilo daquela maneira.
Daryl se aproximou tanto dela que o talher bateu no prato em suas mãos, de tanto que tremia. Ele colocou as mãos em seus braços e subiu até os seus ombros, fazendo um carinho de leve. Depois ele ergue o rosto da cigana com uma das mãos.
– Olha só quem está falando! A garota mais bonita deste apocalipse todo e que não tem a menor noção do quanto é sedutora...
Luna apenas continuou olhando dentro dos olhos de Daryl. Não sabia o que responder. Ela sentia vontade de tocá-lo. Mas se segurou.
– Não faço o seu tipo. – ela deixou as palavras escaparem pelos lábios.
Daryl fez uma cara entre curioso e irritado.
– Ah é? E o qual é o meu tipo, espertona?
– O mesmo tipo de todos os gadjós. Gostam de mulheres magras, peitos enormes, loiras e bronzeadas. Não sou assim. Não sei. As ciganas tem o corpo, você sabe... – ela olha e Daryl desenha uma ampulheta com as mãos. – Isso! Curvas. E raramente somos loiras, peitudas. Sei lá! Não tenho esse estilo e na escola os meninos me olhavam como se eu tivesse saído de outro planeta. Como se eu fosse um alien.
– Eram idiotas. E cegos. – Daryl rebateu. – Merle que é um cara que nunca ficou com nenhuma mulher que não fosse loira e peituda, como você descreveu, me disse que achava você “gostosíssima”. Palavras dele. – e riu.
– Sei... Até parece!
– Juro. Se tivesse estudado na mesma escola que eu, acho que eu seria aquele moleque estranho que ficaria escrevendo seu nome na porta do banheiro. – na verdade, Daryl pensou que seria o moleque que fantasiaria um encontro com ela e dormiria depois de se masturbar pensando em como seria estar com aquela garota deliciosa. Mas achou melhor não falar nada.
– Você podia me mandar um bilhete. Seria mais fácil, não é?
– Pra quê? Pra você me dar um fora em vez de me dar um beijo escondido atrás do colégio... — disse divertido.
– Você sempre foi o conquistador da família? – Luna perguntou enquanto sentava e começava a comer, finalmente.
– Não. Merle era. Eu era só o irmão estranho do cara mais forte do bairro.
– Se eu tivesse que escolher, jamais escolheria seu irmão... – disse um tanto tímida. Daryl não conseguiu não sorrir. O coração de Luna quase parou.
Eles comeram em silêncio. Quando terminaram, Daryl recolheu tudo e levou lá para baixo. Luna se encolheu na cama, abraçando os joelhos com os braços.
O caçador voltou e tomou o lugar ao lado da cigana. Continuaram mergulhados naquele silêncio constrangedor. Na janela, o céu já estava tingido de azul. Era noite e Daryl não conseguiu pensar que ele adoraria que tudo tivesse saído como tinha imaginado. Nessa hora, com certeza já teriam consumado o ato.
Luna se deitou e Daryl a acompanhou puxando o lençol para cobri-los. Ela se virou de lado e ele fez o mesmo de forma que ficaram se encarando.
– Desculpe por decepcioná-lo.
– Como assim?
– Para conseguir a aprovação do casamento, precisamos... Você sabe... – ela abaixou os olhos.
– É...
– Não é que eu não queira. Eu só não me sinto preparada.
– Eu entendo. – ele disse acariciando o rosto da cigana.
Novo momento de silêncio.
Daryl passou a língua pelos lábios, molhando-os um pouco. Ele tinha aquele hábito e Luna já tinha reparado naquilo. Achava um charme.
– Do que você tem medo? – ele finalmente perguntou a questão que martelava na sua cabeça.
Ela pensou um pouco e respondeu:
– De doer, de ser ruim, de te decepcionar, de você não gostar de mim, do meu corpo... – disse num fiapo de voz.
– Eu prometi pra você que não ia te machucar. Lembra? Não vou! E me decepcionar? De que jeito? Eu nunca vi seu corpo e já o acho maravilhoso assim, por baixo desse monte de tecido deve ser ainda mais bonito. – ele parecia sincero e por um átimo, Luna achou que toda aquela vergonha de ficar nua na frente dele era uma grande besteira. Mas o crucifixo no seu peito não a deixava esquecer. E então sentiu raiva. Ódio por depender de algo que não conhecia. Aquele ato parecia determinar toda a sua vida dali por diante e era algo que a espantava. Odiava que fosse daquela maneira.
– Quer saber? O amor seria muito melhor sem esse papo de sexo! Por que precisa ser tão difícil para mulheres. Eu me sinto tão sem controle... – desabafou
– Não fala isso. Sexo é gostoso.
– Não posso saber sobre isso, Daryl. Eu nunca fiz! Primeira vez, lembra? – perguntou entre o desespero e a desesperança, apontando para si própria
– Na verdade, é minha primeira vez também... – Luna arregalou os olhos. Como ele ousava mentir justo naquele momento?
Então ele aproximou seu corpo do dela tão perigosamente que ela podia sentir todo o calor que ele emanava envolve-la. E algo dentro da sua barriga gelou. A sensação era parecida com estar no primeiro carrinho da montanha-russa e despencando numa descida de 90 graus.
– Luna, eu nunca fiz isso também.
– Daryl, você já fez sexo. E não foi uma, nem duas, nem três vezes apenas. Você me contou! – os olhos da cigana já estavam cheios de lágrimas. Odiava ser enganada. Ela era de outra cultura, era diferente, mas não era idiota.
– Mas nunca fiz sexo com alguém que amo. Nunca fiz sexo por amor, Luna.
A declaração fez com que ambos ficassem tão ofegantes que suas respirações tornaram-se barulhentas. Luna ergueu o rosto para enxerga-lo melhor e não teve tempo para olhar seus olhos azuis por muito tempo. Daryl havia grudado seus lábios no dela e passado a perna por cima de suas pernas prendendo-a de uma maneira tão... sensual. O caçador envolveu sua cintura e terminou de puxá-la para perto do seu peito e a beijou. Um beijo tão quente e apaixonado que Luna pensou que desta vez não escaparia de um enfarto. Talvez, realmente não quisesse escapar mesmo de morrer de amor... Então, simplesmente se desarmou e se deixou ser beijada como nunca havia sido antes.
(CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO)
Notas finais
beijos enormes da Amora
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