Forasteira

18 Dura confissão


Notas iniciais
Vomitei arco-íris. beijos da Amora!

Seus pesadelos tinham sido cruéis. Seu tio Valentin pedia que ela aguentasse firme e que guiasse Yanka pelo bom caminho, enquanto os zumbis mastigavam sua carne. Estava nauseada! Abriu os olhos e se deparou com o teto da prisão. Não era onde queria estar. Queria voltar a dormir, voltar ao sonho a tempo de salvar Valentin. Ela tentou fechar os olhos de novo, mas não conseguiu mais adormecer. Abriu-os novamente e sentiu algo em sua mão. Olhou para o lado e o viu... Daryl estava ali deitado ao seu lado, os dedos dele enroscados nos seus tão forte que parecia querer garantir que Luna não fugisse. O semblante do caçador era tão diferente enquanto dormia. Não que houvesse um ar de despreocupação. Mas ele parecia alguns anos mais novo.



Luna não sabia exatamente por quanto tempo ficou parada apenas olhando Daryl. Quando o caçador abriu os olhos eles estavam se fitando diretamente. Aqueles olhos azuis, por vezes tão ferozes, eram dóceis ao despertar. A cigana se perdeu naquela imensidão. Nunca os tinha visto tão de perto... “Não, já os vi mais de perto uma vez...”. Então se sentiu fisgada pelo gancho cruel da realidade e voltou ao momento em que ele a estava beijando a força.



– Você me beijou? – perguntou confusa.



Daryl apenas continuou olhando-a e segurou sua mão mais forte.



– Você não tinha o direito de ter me beijado... – sua voz era de verdadeiro desespero.



– Eu sei. – ele murmurou.



– Então porque você o fez? Porque me desgraçou desse jeito? E depois de ter feito amor com Carol...? – Luna chorava agora. Aquilo estava se tornando um hábito que ela detestava.



– Não tem como eu ter desgraçado você.



– Você me fez quebrar minha promessa. Não sou mais tão pura. Nunca nenhum homem havia me tocado com o seu corpo desse jeito!



– Luna?



– Eu te odeio, Daryl. Odeio o que fez comigo... – seu lamento era real.



– Não posso ter desgraçado você dessa maneira como você está falando.



– Meu pai morreria de vergonha de mim. Minha Santa Sara deve estar tão decepcionada pela minha fraqueza e eu estou em desgraça... Não sirvo para mais nada! Nunca vou conseguir olhar no rosto de Yanka e lhe dar uma palavra de orientação porque sou imunda!



– Você não é imunda!



– Sou!



– Luna...



– Por favor, solte minha mão... Pare de fazer isso!



– Não posso!



– Porque não pode? Lógico que pode!



– Não posso porque...



– Porque quer se deitar comigo também como fez com Carol?



Daryl ficou irritado ao ouvir aquilo. Ele estava tentando falar e ela simplesmente não deixava com que ele completasse uma única frase, porra. Ele se virou e num salto estava em cima do corpo de Luna, olhando-a nos olhos de forma ameaçadora.



– Cala essa boca um minuto só! Deixa eu falar!



– Não ouse! – ela apontava para seu rosto e Daryl resolveu segurar suas mãos acima da cabeça.



– Como posso ter desgraçado você se eu estou completamente apaixonado por você?



Luna abriu os grandes olhos verde-oliva como se tivesse visto um fantasma.



– Está surpresa, Luna Sara Kalí? Então espera até você ouvir uma coisa... Eu te amo! E não sei o que fazer com esta porra de sentimento porque é a primeira vez na vida que amo alguém e você está me tratando como um animal!



Ela não conseguia responder. Daryl fechou os olhos, procurando sabedoria.



– Eu amo tanto você que não tenho forças mais para lutar contra isso!



O que Luna iria fazer com aquela confissão?