Forasteira

19 Abrindo o jogo


Notas iniciais
Gente, mais uma recomendação... Sério. Tem dias que eu penso se estou sonhando ou se esta história realmente está conquistando tantos corações.... Muito obrigada Mother of Mercy pelas suas lindas palavras. Eu fico honrada que vocês me acompanhem com tantas fics incríveis por ai :)

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Ai, este capítulo... Eu amei escrevê-lo. Ele é tão doce e honesto. Eu acho que vocês vão se apaixonar! Assim espero. Beijos enormes da Amora.

Não. Aquilo não era real. Não podia ser... Ela estava delirando e neste delírio, Daryl estava em cima dela dizendo que a amava. Que a amava como um homem ama uma mulher. Não um amor fraterno, de irmãos. Mas um amor-amor. Daquele tipo que costuma resultar em casamento e filhos.

Só tinha um detalhe nisso tudo: não iria ter casamento algum, muito menos filhos. Primeiro porque Daryl não era cigano e segundo porque Luna era fruto de uma promessa sagrada segundo a qual deveria se manter casta até o fim dos seus dias. E quebrar este juramento era jogar fora todo o sacrifício que seu pai havia feito por ela. Arturo havia aberto mão de ter um filho homem que pudesse sucedê-lo no comando do clã, que pudesse levar seu nome adiante através de gerações, coisa que uma filha mulher não poderia proporcionar jamais. Também havia aberto mão de ver suas sementes florescerem, porque Luna nunca lhe daria netos. Ou seja, sua família começou e acabou em Luna.

E agora, qual era sua situação? Sua situação era que ela havia fugido de seu acampamento enquanto ele era tomado pela morte. E havia feito isso pelas mãos do homem que a beijou a força e que estava agora em cima dela dizendo que a ama como mulher. Ela devia enterrar um de seus punhais em qualquer parte do corpo de Daryl, pegar Yanka, sua mochila e sair daquele antro de perdição onde suas tradições ciganas estavam fadadas a desaparecer para todo o sempre. Elas teriam grandes chances de morrerem. Mas morrer lutando e morrer como cigana era a escolha correta. Era exatamente isso que ela deveria fazer. Então porque não fazia? Ou melhor, porque não tinha nenhuma vontade de fazer?

Aliás, por falar em falta de vontade, Luna não tinha vontade alguma de mudar nada naquela cena bizarra que se desenrolava diante dos seus olhos: Daryl Dixon se declarando para ela da maneira mais verdadeira que ele conseguiu encontrar. Ao modo Dixon, imobilizando-a e mudando toda a sua vida, exatamente como no dia em que ele a salvou do abraço mortal daquele zumbi na floresta.

Parecia que anos havia se passado. E eram só alguns dias...

E agora? O que ela, Luna, faria com aquela confissão?

- Luna? Você tá bem? Fala comigo! – Daryl a sacudia de leve. Ela queria dizer que sim, mas não tinha forças. Até que uma ideia perpassou por sua mente. “Se eu tivesse ficado e morrido com meu povo nenhuma dessas escolhas difíceis estariam se apresentando a mim agora...”.

- Me deixe morrer. Eu quero morrer... – ela sussurrava para completo horror de Daryl.

- Você quer morrer porque eu a beijei? É isso?

E antes que a parte racional do seu cérebro pudesse filtrar as palavras vindas do coração, sua boca se mexeu e ela respondeu do jeito que não teria gostado de responder:

- Me deixe morrer antes que eu queira que você me beije de novo... – seus olhos estavam vidrados, olhavam para Daryl mas pareciam estar olhando através dele.

- Porque não podemos só ficar juntos, cigana? Não deve ser difícil... Até o Glenn sabe fazer isso... – Daryl afrouxou suas mãos e libertou os braços dela e agora tirava alguns fios de cabelo da frente do rosto de Luna.

- Porque eu não consigo parar de imaginar você e Carol juntos e porque eu não sou mulher para você, eu não sei as coisas deste tipo de vida. Carol tem razão. Eu não sei como é ter um homem. E nem deveria querer aprender... – Daryl passou a mão pelo seu rosto, acariciando-a – E, principalmente, porque não é quem eu quero me tornar. O que eu quis a vida toda foi ser normal. Me casar e depois viver tudo o que eu poderia viver como mulher casada sem precisar abrir mão daquilo que meu pai só me permitiu fazer porque eu jamais me casaria, como estudar ou caçar...

Daryl teve pena dela. Ele detestava este sentimento de pena. Mas não tinha como não se compadecer. Era muito peso nas costas de alguém tão delicada. Luna era muito mais frágil do que ele pôde supor. Aquela versão dela caçando na mata, atravessando a floresta descalça era só uma parte da verdadeira Luna.

Ela quis se erguer e ele a ajudou saindo de cima e apoiando suas costas com as mãos.

- Você teve sorte. Meu pai não teria feito nada disso nem por mim, nem por Merle. – Daryl retrucou.

- E quanto a Carol... Eu vou te explicar. Antes de entrar naquela floresta onde a gente acabou se conhecendo, eu passei muito tempo atrás da filha dela, Sophia. Merle tinha desaparecido... Era assim que eu gastava meu tempo. Quando encontramos a menina, ela tinha se tornado uma daquelas coisas... – Daryl parou pra respirar – Acho que foi ai que minha relação com a Carol começou a se confundir.

- Você gostava dela, da Carol?

- Eu não sei... Tinha dias que sim e dias que não. Mas... Olha, Luna... Eu sei que onde você vivia os homens se casam cedo e ficam com suas mulheres. Mas no mundo aqui fora...

- Eu sei... – ela baixou o olhar.

- Eu não sou o tipo de cara que qualquer pai iria quere pra sua filha.

- Como assim?

- Eu não tive muitas namoradas. E as mulheres com quem acabava me envolvendo eram... muito diferentes de você e não vou mentir: eu gosto de fazer sexo. Muito. – Luna corou – E eu nem sempre precisava namorar pra transar com alguma garota que eu quisesse. Mas isso... Isso o que eu sinto por você não é igual.

- Não é igual?

- Não. Quer dizer... Posso ser muito sincero com você?

Luna assentiu com a cabeça.

Daryl se sentou de frente para ela e agora a cigana estava com as pernas cruzadas, de cabeça baixa, mexendo nas moedas do seu lenço. O caçador ergueu seu queixo com as mãos.

- Posso? – Daryl perguntou de novo. Queria ter certeza da resposta.

- Pode – ela respondeu num fiapo de voz.

Ele suspirou e tomou ar.

- Se você me perguntar se eu quero você “desse jeito”, me entende? – Luna disse quase inaudível “sim” – Então, se me perguntar isso... Sim. Lógico. Eu a desejo assim. Você é linda e seu cheiro de incenso me deixa maluco de tes...,, digo, de desejo! Mas não é só isso. Aliás, tem muitas coisas antes disso. Eu amo sua coragem, o seu jeito decidido, sua inteligência e até todo esse amor que você tem pela sua gente... Eu amo você, Luna. Por inteiro.

Silêncio mortal e absoluto.

- Tem alguma ideia do quanto tá sendo difícil te falar essas coisas? Fala alguma coisa! – Daryl estava tenso e ansioso.

Luna pegou na mão dele e apertou forte.

- Obrigada por me falar. Não sei o que você fez comigo... Eu preciso pensar.

- Você disse que queria morrer antes de querer que eu te beijasse de novo... Você acha que gostou? Seja sincera.

Porque ele estava fazendo aquelas perguntas tão constrangedoras? Mas ela não podia mentir. Não depois de tudo o que ele abriu para ela. A cigana o olhou nos olhos para falar.

- Eu não me lembro tão bem. Mas do que eu me lembrei, foi bom.

- Foi bom?

- Se fosse algo que eu pudesse fazer, com certeza, eu faria de novo. – disse e sentiu como se seu coração fosse sair pela boca.

Daryl sorriu. Ele era simplesmente lindo sorrindo. Graças a Deus, ele não tinha o costume de sorrir ou Luna temia que não conseguisse resistir.

- Queria que soubesse de mais uma coisa. – Daryl disse.

- Tá. Pode falar...

- O que Carol disse sobre você ser uma mulher que não saberia como ter um homem...

- Hum? – Luna queria apressá-lo. Meu Deus, ele nunca ia parar de falar coisas constrangedoras? Estava ficando difícil de suportar.

- Ela não tem a menor ideia do quanto você é sedutora mesmo sem querer ser. E a sua boca... Tem o melhor gosto que já provei na vida. Só queria que soubesse o que eu acho. – disse, pegando a mão de Luna e dando um beijo de leve.

Ela não conseguiu não sorrir.

“Céus, eu mataria por essa mulher”, foi a última coisa que Daryl pensou.

- Daryl, Daryl... Opa, gente! Foi mal... Não queria atrap...- Glenn estava super sem-graça.

- Não atrapalhou nada, Coreia! Que foi?

- Tem alguém na cerca. Um sobrevivente. Rick pediu para eu te chamar... Temos que decidir o que fazer!

Daryl se levantou e ajudou Luna a se erguer. Juntos, eles seguiram Glenn até o lado de fora da prisão.

Notas finais
Preparem-se para uma reviravolta com R maiúsculo ;) hahahaha beijos