Notas iniciais
Meninas, cada comentário maravilhoso que recebo. Vocês fazem meu dia. Não têm a menor ideia do quanto eu me sinto abençoada. Muito obrigada pelo carinho. Vamos preparar os lencinhoss que a coisa a partir daqui vai ficar TENSA!

Beijos enormes da Amora

O sol machucava a vista de Luna. Sempre fora sensível à luz e seu pai dizia que o verde-oliva se transformava num verde cristalino quando a filha olhava direto para a luz solar. Ela ainda estava de olhos fechados. “Deve ser tarde. Devo ter dormido demais”. Lutou contra a culpa e quis continuar deitada por mais cinco minutos. Maldição! A claridade era infernal. Nunca notara que entrava tanta luz na prisão assim...



“Espera: não entra luz nas celas!”. Luna despertou. Deu de cara com um teto claro e um lustre com um ventilador acoplado. Seu coração disparou. Ela não queria compreender o que havia ocorrido. Mas precisava.



Sua cabeça parecia pesar toneladas. Teria batido em algum canto? Ou teria apanhado de alguém. “Yago me trouxe para Woodbury? Já fizemos a troca?”. Ela estava completamente confusa, não se lembrava de nada. “Água... Preciso de água”. Tomou impulso para sair daquela cama estranha em que se encontrava mas foi puxada com força para baixo. Sua cabeça fez um barulho esquisito quando se chocou contra a madeira da cabeceira. Luna ofegou. Estaria ela perdendo o controle sobre seu próprio corpo? Apesar de estar deitada, ela sabia que suas pernas estavam bambas. Respirou fundo e tentou novamente se levantar. Novamente sem sucesso. O que estava acontecendo, em nome de Deus?



Foi então que sentiu o atrito... O pulso machucado ardia agora. Ela girou a cabeça lentamente com medo de constatar o óbvio e ali estava: sua mão direita estava presa à cabeceira da cama. A esquerda igualmente. Luna estava atada e sentiu que aquilo não poderia ser nada de bom.



Enquanto sua mente bolava mil e um planos para escapar daquela situação, uma pessoa entrou no seu campo de visão. Ela se esforçou para focá-la. O choque fez cair seu queixo.



– Daryl? – sussurrou.



Ele segurava uma garrafa de água destas de plástico. Largou-a em cima de uma escrivaninha e se sentou ao lado do tronco de Luna. Retirou alguns fios de cabelo que caiam pela face da cigana e passou a mão pelo seu rosto. Uma expressão de culpa surgiu no rosto do caçador.



– O que é isso, Daryl? Onde estamos? – ela falava quase sem ar, num fiapo de voz que, ele sabia, era o tom que Luna usava quando estava apavorada.



– Calma, Luna. Estamos seguros. – ele tentou escolher bem as palavras, mesmo sabendo que havia falhado miseravelmente nesta missão.



– Não, não estamos. Eu estou presa. Olha aqui! – ela se perguntou se Daryl estava tão distraído que não notara seus pulsos atados à cama! – Quem fez isso com a gente? Onde estamos? – ela agora começava a suar por puro nervosismo. Os dentes trincados de tensão.



– Ninguém prendeu a gente. Estamos em um hotel abandonado na cidade. Fique tranquila. Eu limpei a área. Nada de errantes... – ele estava adiando explicar à garota o porquê sela se encontrar amarrada daquela maneira.



Então, um lampejo de sensatez atingiu Luna em cheio e seu coração se comprimiu.



– A prisão foi atacada? Deus, estou presa porque fui mordida, não é? – a esta altura ela não conseguia mais segurar o pranto e as lágrimas lavavam seu rosto por inteiro. – Daryl, você não pode deixar Yanka me ver assim! Por favor, acabe logo com isso! Me dê um tiro na cabeça... Não quero virar uma dessas coisas... – ela estava entrando em surto para total desespero de Daryl que tentava fazer com que se aquietasse. Ele se sentiu um verdadeiro filho da puta por estar patrocinando aquele estado de desespero da mulher que amava.



–Não, não! Ninguém foi mordido. Nem você. Fica calma. Por favor! – e então ele segurou os pulsos atados dela para impedir que continuasse se debatendo e se machucando ainda mais. Por alguns instantes os grandes olhos verde-oliva da cigana se encontram com o seu. Agora ela via, Daryl tinha certeza. Ela sabia que tipo de monstro ele era.



– Daryl – disse baixinho sem que as lágrimas parassem se escorrer de seus olhos – porque estou presa? – não conseguiu segurar um soluço.



– Yanka... – ele começou – Ela disse que havia uma maneira de nos casarmos legitimamente sem precisar da aprovação de Yago. – ele experimentou parar e verificar a expressão de Luna. Não era nada boa. – Ela contou sobre... Sobre a tradição que os ciganos têm de roubar noivas e...



– IMPURO! OBSCENO! – Luna gritava, explodindo de raiva e se debatendo tão forte que a cama chegava a se mover. – EGOÍSTA!



“Não, não pode ser real. Ele vai mesmo fazer isso...”. A mente inquieta de Luna girava, girava, girava. Ela acreditara nele, confiara nele. E ela o amava tanto... Para quê? Para ele se comportar como um homem comum? Um daqueles que crê que a mulher é tão menor que o homem que se sente no direito de possuí-la à força e de dispor de sua vida e de seus sentimentos como, onde e quando bem desejar! A dor da decepção era lancinante. Ela achou ter encontrado em Daryl Dixon um ser puro, tão verdadeiro e honesto que chegava a ser bruto. Ledo engano!



Daryl esperava ser xingado. Mas nunca imaginou que seria tão duro se sentir odiado por Luna. Ele teria prefiro enfrentar uma hora de errantes.



– Roubar mulheres é tão nojento! Dos nossos costumes, este é o mais grotesco de todos. E você não pensou duas vezes em apelar para esta saída horrível! – ela chorava agora como uma criança. Daryl sentiu que ele estava prestes a morrer também. Ela arfava e chorava e gritava. Tudo ao mesmo tempo. O caçador permanecia sentado ao seu lado sem saber por onde remediar aquele terrível engano. Deus, ele a perderia de vez e não podia perdê-la porque aquilo significava abrir mão de sua própria vida!



O pranto da cigana foi cessando e ela tomou fôlego. Levantou o olhar magoado e raivoso até encontrar a íris azul do seu algoz. Ela apertou os olhos e franziu a testa, vociferando entredentes:



– Agora, caçador, chegou a hora daquela parte em que você me estupra e derrama meu sangue. – ela fez uma pequena pausa, parecendo possuída. Daryl sentiu um ferro em brasa atravessar seu coração, que quase parou, tamanho espanto pelas palavras e pelo ódio que emanava de Luna. Ela conjugava o verbo estuprar e o sujeito da frase era ele, Daryl Dixon. Sentiu a comida fazendo o caminho de volta através do seu esôfago. Ele fez força para empurrá-la de volta. Vomitar em cima dela não ia ajudar, definitivamente.



– O QUE ESTÁ ESPERANDO? – ela voltou a gritar. – Eu mesma tiraria meu vestido, Daryl Dixon, mas vejo que sua intenção é me violentar da maneira mais clássica, não é? Vamos acabar logo com isso, querido esposo – ela disse irônica, girando a cabeça para o lado oposto de Daryl, como quem sente nojo e angústia.



Um choque de realidade se abateu sobre ele. Então, na verdade, o sequestro das noivas, pelo o que ele entendera, nem sempre era vontade de ambas as partes. Merle não havia contado que alguns destes raptos acabavam funcionando como um estupro e que a mulher se via na terrível situação de ter que tomar por marido seu próprio estuprador.



Daryl se atirou sobre Luna e começou a desamarrá-la e só saiu de cima dela quando soltou completamente seus dois pulsos. Teve medo que ela o abandonasse. E foi exatamente o que fez. Assim que se viu livre, Luna saltou da cama e correu em direção à porta. Queria sair, fugir, sumir da presença daquele monstro antes que ele mudasse de ideia. Então, ela cometeu um erro. Virou-se para vê-lo. E Daryl estava de cabeça baixa. Não chorava, mas seus olhos azuis estavam marejados.



Luna pensou que devia estar muito louca e psicótica. Pois voltou e se sentou na frente dele, na cama.



Ele nada disse.



– Eu não estou no meu juízo normal. Que Deus possa me perdoar, mas eu amo o homem que ia me estuprar. Eu amo você, Daryl Dixon. Porque está fazendo isso comigo? – ele chegou mais perto e a envolveu nos seus braços fortes e quentes. E então, eles choraram juntos e em silêncio. Choraram a desgraça de terem se encontrado e se amado em pleno inferno. Choraram pelo amor impossível que deixaram nascer e crescer em seus corações. E choraram por não poderem ter morrido ali, naquele instante em que estavam completamente entregues um ao outro, banhando-se em lágrimas e deixando que o amor os afogasse.



(CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO)



Notas finais
Quero saber a reação de vocês! Eu dou um braço por isso!!! Ficaram chocadas com a postura da Luna? E do Daryl? E agora o que vocês sentem que deve acontecer com o nosso casal?

Contem TUDO para mim, tá?

beijos enormes da Amora