Forasteira

47 A razão de Yago


Notas iniciais
Lindas, estou triste e deprimida... Meus reviews minguaram... Quas enão recebo mais, nem sei se estão realmente lendo! Enfim, estou #chatiada. Mas Luryl segue. Grandes crises à vista. Espero que não desistam de Forasteira ♥ ♥ ♥

Beijos enormes da Amora

Luna precisava de água. Estava morta de sede. Daryl tinha cochilado abraçado a ela. As mãos grandes e largas dele seguravam sua cintura por cima do lençol. Ela se moveu com cuidado para se desvencilhar sem acordá-lo. Ergueu-se, vestiu a calcinha branca e a camisa de Daryl que era gigante para seu corpo, mas estava mais em mãos. Pegou a garrafa em cima da escrivaninha e viu imediatamente a caixa com o remédio para evitar gravidez que Daryl havia pegado para ela.

Segurou a cartela nas mãos e sentou-se numa cadeira que dava para frente da cama. Dali, Luna tinha uma visão privilegiada de Daryl deitado e dormindo feito um anjo. Tão tranquilo e desarmado. Achou bonito, mas gostava mais do seu jeito intimidador. Enquanto bebia grandes goles de água potável sacou o comprimido e o analisou entre os dedos. Aquela coisa tão pequena evitaria um milagre tão grande. Evitaria que ela e Daryl tivessem um bebê. Luna adorava a ideia de ter um bebê seu. Mas nunca pensara em um pai. Ela sempre imaginava SEU bebê. Agora, as coisas eram diferentes: a cigana se pegou imaginando como seria a criança que carregaria a mistura perfeita entre ela e o caçador. Certamente teria a pele clara, cabelos negros, como os dos ciganos, o formato dos olhos, da boca e do nariz talvez fossem as características mais fortes dela. Então, imaginou que seu filho os herdaria. Mas a cor dos olhos... Deus, tinha de ser aqueles azuis límpidos. Se fosse menina, gostaria de chama-la de Lola, como sua mãe. E antes de Daryl, gostava de um outro nome do qual nem conseguia se lembrar, pois agora não se imaginava com um menino nos braços se não pudesse lhe dar o nome do pai: Daryl.

Em meio a todos estes devaneios, jogou a pílula dentro da boca e o empurrou esôfago abaixo com uma grande quantidade de água. Precisava acabar com aqueles pensamentos. Estava com medo.

Sim, olhando-o ali tudo o que ela sentiu foi medo. De perdê-lo e de amá-lo demais e depois ser trocada. Sua mãe sempre dizia que gadjés trocavam suas mulheres quando estas estavam mais velhas. Mas, Céus, Luna estava velha: 24 anos é uma idade muito avançada para uma mulher cigana e por mais que o mundo inteiro grite o contrário, ela não se sentia jovem. De forma alguma.

Levantou-se da poltrona e caminhou até o banheiro. Despiu-se e examinou seu corpo, seu rosto. Cada curva, cada traço. Procurava as maravilhas que Daryl havia descrito para ela enquanto faziam amor. Mas não encontrou. O que viu era somente uma mulher sombria, mais magra que o de costume e com uma enorme e horrível cicatriz vermelha nas costas. Embaixo dos olhos, olheiras e um ar de abatimento que não iria embora nem se dormisse mil noites e mil dias, tinha certeza. Seus seios estavam menores do que antes, entregando que a garota havia perdido peso. A barriga também estava mais chapada do que nunca, mas não de um jeito bonito. E os quadris, apesar de obviamente estarem menores, ainda se sobressaiam, acentuando as formas tão incomuns que ela tinha em relação às outras garotas. Fechou os olhos e lembrou-se de Carol. Ela tinha o corpo muito mais proporcional. Mesmo exausta e tão má alimentada quanto Luna, suas formas mantinham-se nos padrões. Os seios dela eram grandes ainda.

A cigana pensou se a noite de amor da mãe de Sophia com Daryl tinha sido parecida com a dela. Mas, não... Carol mostrara as marcas. Ela era mais experiente, sabia como agradar a um homem, não se importava de fazer malabarismos, posições, de levar até alguns tapas. Afinal, estava roxa. Coisas que Luna não se imaginava praticando. Tapas? Jamais! Não levava tapas nem de seu próprio pai!

A insegurança estava atingindo seu ápice. A cigana olhou pela fresta da porta... Aquele homem era tão bonito. Como podia deseja-la? “Quantas garotas loiras, lindas e peitudas não passaram por sua vida? Não o tocaram de maneira melhor...?”, pensava.

Resolveu encher a banheira e tomar um banho gelado mesmo. Enquanto se deixava soterrar por montanhas de espuma fria, a garota abraçou os joelhos, puxou-os em direção ao peito e deixou as lágrimas caírem... Estava com dor. Uma dor no peito que parecia quere mata-la aos poucos. Ela tinha raiva por ter entrado naquele jogo perigoso de amar. Também odiava o fato de Daryl ter tido outras mulheres. De ter ficado nu par elas, de ter deitado sobre seus corpos e se mostrar um perfeito cavalheiro na hora de amá-las. Ao passo que as invejava, também tinha desejo de enfiar um punhal na cabeça de cada fêmea que tinha passado pela cama de Daryl Dixon.

Luna precisava dar um fim naquela sensação. Estava vulnerável, nem raciocinava direito. Fato é: não era uma adolescente apaixonada. Por tanto, não podia se comportar como uma. Tinha Yanka para criar e Yago... O filho de Yago no ventre de Carol... Céus! Como pôde se colocar em primeiro plano quando havia coisas tão mais importantes para cuidar? Enfim, a culpa somou-se à raiva, ao ódio e ao ciúme e a derrubaram de vez. Soluçou sem se preocupar se seria ouvida. So deixou as lágrimas caírem. Virou o rosto para a parede e perdeu-se no imenso mosaico de pastilhas brancas e vinho.

Foi quando sentiu a água tremular. Olhou para frente com dificuldade de focar a imagem pelo fato de estar chorando há tanto tempo. Para seu absoluto espanto, Daryl Dixon entrava na banheira com ela.

E ele a fitou com um olhar que Luna nunca se esqueceria. Era um olhar dez vezes mais ameaçador, um imperceptível sorriso malicioso de canto de boca, uma sobrancelha arqueada. E as orbes azuis fixas nela.

Luna sentiu-se envergonhada, quase violada. Sua respiração acelerou. A moça atirou água sobre o próprio rosto para se recuperar.

- Está tudo bem? – ela perguntou baixo.

Ele negou com a cabeça.

- Está com sede? Alguma dor? – sondou Luna. Seu olhar fixo e quase psicopático deixava sua espinha arrepiada.

Ele negou, também com a cabeça.

- Fome. – disse o caçador quase num murmuro. A voz mais rouca do que nunca.

Ela o encarou, nervosa.

- De você. – o caçador completou, avançando contra o corpo de Luna, cobrindo a com seu tronco largo e segurando os ombros da garota com as mãos enormes...

Nos poucos segundos que conseguiu resistir, Luna entendeu seu medo: Daryl Dixon era um alfa. Ele tinha um cheiro e uma aura diferente. Fora feito para ser seguido, embora não percebesse. E os alfas escolhem suas fêmeas. Quantas quiserem. E dominam a matilha. O problema é que Luna também era um alfa. Porém, no meio daquela loucura, ela gostou do papel de caça. Gostou de ser apreciada como o melhor pedaço de carne que a fera dentro de Daryl desejava estraçalhar. Os sacrifícios que ele estava disposto a fazer para tê-la, a inebriava. Era bom ser desejada uma vez pelo melhor, pelo alfa. Mas ela sabia que a qualquer momento ele poderia ir embora. Ou poderia escolher outras presas saborosas. Assim eram os alfas... Perdê-lo seria uma questão de tempo. Yago estava certo desde o começo.

Notas finais
:(