Forasteira

8 A queda do acampamento


Notas iniciais
MIL PERDÕESPELO ATRASO! Tive duas semanas difíceis... Mas agora vou dar um gás. Espero que gostem e que venham mais leitores... Divulguem para os amigos se curtirem, tá? beijos enormes. Amora

Daryl sabia que aquele caldo estava fervendo e ia entornar a qualquer momento. O que quer que Yanka tenha dito na língua estranha deles tinha deixado o tal Yago putíssimo e ele sabia reconhecer um homem a ponto de cometer uma loucura. O cigano estava com aqueles mesmos olhos selvagens que Daryl se acostumou a ver em seu próprio pai minutos antes dele iniciar uma bela surra de cinta.

- Yanka é criança, Yago. Pára com isso! — Luna protegia a pequena, que se agarrava às suas pernas.

- Eu vou matar você, gadjó desgraçado! — disse olhando de Daryl para Luna — E depois vou arrancar seu couro, Luna. Falsa! Merimé! Pensa que eu não sei o que você ia fazer... — Ele se aproximou de Luna e apertou seu rosto com uma das mãos. Dava para ver que Yago fazia questão de ser bruto e que gostava do olhar de medo que a cigana sustentava agora — Você pensa que ele ia se deitar com você e depois se casaria com você? Te daria um nome, antes de fazer 10 filhos em você? HAHAHAHA Você é estúpida, como qualquer outra mulher. Ele ia tratá-la como uma puta rameira e ia jogá-la fora como lixo depois de ter te revirado do avesso. — Disse e cuspiu no chão de novo — Mas quem sabe não é isso que você deseja ser, não é? Uma puta nas mãos de um gadjó qualquer...

Dessa vez foi Luna que virou um tapa na cara de Yago.

- IMUNDO! Eu o odeio! Odeio pelo o que disse — e deu um segundo tapa no cigano — e o odeio pela forma como acha que pode me tratar. Porco! — Luna convulsionava de raiva — Pois saiba, Yago que eu preferiria que cravassem um punhal na minha garganta antes de me casar com você e ter que me deitar com você! Eu preferiria me deitar com este e todos os outros gadjós antes de você! — Luna berrava, mas viu de relance a mão de Yago se fechar em punho e descer em direção ao seu rosto. Fechou os olhos se preparando para receber a surra que nunca aconteceu.

Daryl se enfiou entre eles e recebeu o soco no lugar de Luna. Uma nova briga começou entre os dois. Yago estava claramente em desvantagem e outro cigano se preparou para atirar, mas um segundo estampido foi ouvido.

- Agora vamos ficar bem calminhos por aqui. Melhor pegarem suas tralhas, a porra das suas tendas e irem embora. Têm centenas de walkers vindo pra cá agora mesmo e, se não se importarem, eu e meu irmãozinho aqui vamos dar o fora! – Merle avisava diante do corpo do homem que acabara de matar. – Anda, Daryl!

Daryl olhava de Merle para Luna. Ele queria leva-la e não tinha como este convite ser feito de maneira mais sútil.

- Vem com a gente. Eu protejo você. Posso fazer isso...

- Daryl, não posso... – Luna se agarrava a Yanka que chorava aos soluços.

- Traga a menina... No nosso grupo temos outras crianças. É seguro.

- Vai logo, Daryl! Não posso ir com você. Mas, espero que tenha uma boa vida! Agora vaaaai! – Luna gritava, parecia expulsá-lo dalí. Daryl se levantou, foi até ela estendeu a mão para ela e ....

- Arghhhhhhh! Meu Deus o que é isso, agora? – Luna levou as mãos às costas e retirou o que estava pendurado. Um punhal.

- Era pra ter pego nesse gadjó bastardo, filho de uma mãe... Achei que ele fosse raptá-la. Luna! Desculpa... Ajudem elaaa! – Yago berrava ainda mais alto. Daryl segurou a cigana em seus braços.

- Deixa eu ver... – Daryl segurou Luna e suas costas eram uma cascata vermelho-vivo. O punhal não teve força para penetrar como deveria na carne dela, mas tinha aberto um rasgo grande logo abaixo do osso do ombro. Daryl só pensava que ela precisaria fechar aquilo para não infeccionar, mas foi tiradio do transe pela confusão que havia se armado ao seu redor.

- Wlakers filhos da putaaa! – Merle agora atirava na cabeça de zumbis que vinham numa horda gigantesca. Os ciganos também se organizavam e começavam a atirar. Algumas mulheres pegaram facas para defenderem as crianças. E Yago já estava de pé, lutando. Daryl deitou Luna no chão e tirou uma faca da calça, entregando nas mãos de Yanka.

- Olha cuida da sua tia! Se uma daquelas coisas aparecer enfia isso na cabeça dele. Seja corajosa! Jpa volto para busca-las!

- Pro- promete que volta?

- Prometo! Juro! Fica aqui, tá? Se defenda se algo aparecer! Por favor, por favor.

Daryl saiu em disparada. Ele precisava da Besta, que estava no trailer. Os errantes estavam na entrada do acampamento, que ficava no topo mais alto de uma colina. Ele sabia o que isso queria dizer. Em breve ficariam encurralados por aquelas coisas e ele não ia deixar seu irmão e Luna morrerem sem lutar. Pegou a besta e saiu bem em tempo de ver um errante chegando perto de onde Yanka e Luna estavam. Uma de suas flechas atravessou a cabeça do filho da mãe.

- Merrrrrrle! Venha pra cá! Recue!

Merle estava na linha de frente com outros ciganos e ao ouvir o irmão começou a retroceder. Elle estava indo ao encontro de Daryl e matava os walkers que via pela frente, ora com a arma, ora com seu braço-faca.

- Nossa única saída é ir para lá – disse Daryl apontando os fundos do acampamento.

- Mas aquilo é um tobogã, irmãozinho. Estamos ferrados. Se tropeçarmos e cair aos pés de um mordedor, não teremos tempo nem d pensar.

- É nossa única chance. O acampamento não vai resistir – Daryl tinha acabado de ver Valentin ter seu pescoço arrancado por um errante. As mulheres tinham se dispersado com as crianças. Aquilo era praticamente uma sentença de morte para todos.

- Então, o que estamos esperando. Bora! – gritou Merle, disparando a arma contra outros dois walkers.

- Vou levaer essas duas comigo.

-Que porra você tá falando? De que jeito quer leva-las? Num balão? Só se for... Essas duas não conseguem correr e vão nos matar, caralho!

- Merle, vou levá-las. Foda-se que você não liga pra ninguém. Não dá mais pra viver na merda deste mundo sem contar com as pessoas. Vou sair daqui com as duas e se você quiser, dê o fora então, seu desgraçado, filho da mãe. Depois de tudo que eu fiz por você...

- Pega a sua cigana. Vou carregar essa praguinha. E depois, se sobrevivermos, eu vou chutar essa sua bunda mole! – Merle pendurou Yanka nos ombros e saiu em disparada, atirando nos mortos-vivos.

- Luna, vamos sair daqui... – Daryl disparou a besta contra um zumbi que tinha deixado o banquete servido com a carne de Valentin e caminhava em sua direção.

- Preciso pegar algo na minha tenda... Não posso ir sem.

-Não dá tempo! Ou fazemos isso ou escapamos com vida.

- Você os segura e eu vou até lá e pego o que preciso – disse Liuna já se levantando.

- Fica aqui. Você não tá em condições.

- Confia em mim! Já passei por coisa pior que isso. Vou lá. Me dá cobertura?

Luna se ergueu cambaleante. Pegou o punhal que tinha servido para feri-la e segurou bem firme nas mãos. Ela sabia que talvez precisasse usá-lo. E começou a caminhar até sua tenda. Daryl a cobria e gritava para que se apressasse. Ela correu o quanto teve forças. Chegando à tenda, abriu um baú e retirou uma mochila vermelha, dessas de acampamento. Virou-se bem a tempo de cravar o punhal num errante que rastejava próximo aos seus pés. Correu até o fundo da tenda e retirou a imagem de Santa Sara de um pequeno altar. Usou um dos véus depositados aos pés da sua protetora para protegê-la, enfiou a imagem dentro da mochila e pendurou uma das alças no ombro bom. Saiu caminhando, com dor. Muita dor! Daryl a esperava. A razão, ela ainda não sabia ao certo. Porque aquele homem havia decidido arriscar a própria vida por ela? Não tinha a menor ideia e não havia muito tempo para esse tipo de reflexão.

Então, Daryl mudou a besta de lado e usou o braço livre para envolver a cintura de Luna, dando-lhe apoio para caminhar amis depressa. Apesar daquilo ser uma atitude de socorro, uma energia maluca parecia percorrer o corpo de um e de outro. Era como unir dois fios desencapados: a energia transbordava e Daryl olhou para Luna, o maxilar travado. Ele estava tenso.

- Desculpa por isso, mas você precisa ir mais rápido.

- Tudo bem! – ela parou e tentou voltar-se para ver seu acampamento. Daryl a impediu.

- Não olhe. Não está bom de ver... Não quero que desista!

- Mas se está tão ruim, precisamos ajudá-los. Ficar e lutar! – Luna tentava agora se soltar dos braços dele.

- Luna, acredita em mim... Não tem mais pelo o que lutar. Alguns escaparam para a mata, mas juro que não temos como fazer nada. Não sou a porra de um bundão que deixa as pessoas que me socorreram se foderem, mas não tem nada que a gente possa fazer aqui.

- Tudo bem! E meu tio?

- Ele não conseguiu. – Daryl agora praticamente arrastava Luna com ele. E ela queria ser arrastada, embora não fosse do seu feitio dar trabalho para ninguém. Tio Valentin era um elo vivo com seu pai. E agora ele tinha tido o mesmo destino. Doía demais. Muito mais que o ombro machucado.

- Luna, escuta! Sei que está difícil. Mas olha pra mim. – ele pegou seu rosto banhando em lágrimas com as duas mãos — Precisamos ir! Yanka está com Merle. Ela vai querer você viva. Você não vai deixar aquela criança sozinha no mundo, vai? Temos de descer este barranco e preciso que você fique firme. Pode ficar firme? Eu não vou conseguir se você não me ajudar...

- Certo! Vou ajudar. Onde está Yanka?

- Ela está com Merle. Vamos fazer o seguinte: se apoia em mim. Eu vou na frente, abrindo caminho pra você. Se mantenha vigilante, se algum walker vir, atire nele. – Daryl estendeu uma arma para Luna, que a segurou sem muito jeito. Ela preferia armas brancas. Sempre preferiu.

- Tá!

E começaram a descer o barranco. Aquilo ia ser mais difícil do que Daryl tinha imaginado. Era íngreme e estava úmido. O peso de Luna parecia dobrar, mas ele não a soltaria. Isso já estava decidido. Começou a descida. Por vezes, eles escorregaram. Luna abafou alguns gritos. Depois parou de gritar. Ela estava firme de novo. Atirou em dois walkers pelo caminho e conseguia acompanhar Daryl razoavelmente bem para alguém ferida.

No meio da colina, se juntaram ao Merle e à Yanka, que aguardavam pelos dois. Yanka se abraçou à Luna, mas não houve muito tempo para encontros emotivos. Eles precisavam sair dali. Mas Daryl já reconhecia o local. No fim daquela colina havia uma outra estrada de terra que levava à uma ponte. E desta ponte eles já conseguiriam avistar a prisão. A prisão seria a salvação deles. E Daryl estava disposto a manter aquele grupo vivo mesmo que aquilo custasse a última gota do seu sangue.