For You I Do Everything
42 Capítulo 41
Notas iniciais
[Capítulo anterior]
Tirei sua mão do meu rosto devagar, usando a minha mão livre. Pisquei algumas vezes e olhei para baixo encarando Renesmee que ainda estava acordada com seus olhinhos fracos abertos. Não demoraria a que viesse dormisse. – Voltei a olhá-lo.
“Por favor, nós precisamos conversar, mas não na frente dela. – Lhe disse referindo-se a bebê – Espere alguns minutos e logo ela irá dormir.”
“Tudo bem. Estarei lá embaixo, se precisar de mim é só me chamar. Eu volto daqui uma hora para ver se ela já dormiu.” – Disse e concordei.
Edward se aproximou mais e depositou um beijo com carinho na cabecinha de Nessie. – Pensei que ele iria se afastar rápido e sair do quarto, mas pelo contrário...
Edward aproximou a cabeça perto do meu rosto e seus olhos iam dos meus para a minha boca. Eu estava perdida. Eu sentia que estava perdida. – Minha respiração pareceu falhar por alguns segundos, quando acreditei que não podia mais respirar, Edward aproximou ainda mais seu rosto do meu e senti sua boca sugar meu lábio inferior.
[Fim do capítulo anterior]
Continua...
[Pov Bella]
O que eu estava fazendo? Ou melhor, o que ele estava fazendo? Porque eu subitamente não me afastei dele e comecei a fazer um escândalo como qualquer outra mulher em meu lugar faria?
Seu lábio puxou delicadamente o meu lábio inferior. O gosto doce e a textura macia continuavam sendo os mesmos depois de tanto tempo. Um simples roçar de lábios que expressou amor, desejo, tristeza, dor e um mudo pedido de perdão... – Um perdão que eu ainda achava que não estava pronta para lhe dar. – Edward percebeu que eu não me movi nenhum centímetro e sutilmente se afastou, deixando sua testa encostada na minha. O quarto permaneceu da maneira que estava antes, em silêncio. Não era nada constrangedor ou incomodo, mas também não sabíamos como agir. Eu não sabia como agir.
Continuávamos parados da mesma maneira que antes, Edward ainda abaixado a minha frente e eu sentada com Renesmee em meu colo. Nossas testas ainda juntas e eu podia sentir o calor que saia do seu corpo, sua respiração acelerada misturada com a minha... Renesmee se agitou entre nós e isso fez com que Edward se afastasse.
Nossos olhares presos um no outro. Seus olhos verdes estavam dilatados e possuíam um brilho que os deixava mais esverdeados e chamativos. Tão chamativos quanto eu jamais havia visto antes.
Edward soltou um suspiro alto antes de se afastar completamente, ainda me olhando.
“Volto daqui a alguns minutos.” – Disse simplesmente, saindo sem esperar que eu me manifestasse.
Agradeci internamente por aquilo. – Olhei para Nessie que estava com os olhinhos pesados, pronta para dormir. Ela já havia parado de chorar, o que era um bom sinal. Eu sabia o que estava acontecendo, ela não precisaria ir ao médico, aquilo não passava de um mal estar por ter comido uma comida diferente do que estava acostumada no seu dia-a-dia, sua médica já tinha me explicado que aquilo podia acontecer algum dia, mas mesmo com todos os cuidados eu teria que ficar de olho para o caso disso pior e levá-la ao médico.
Aproveitei aquele tempo sozinha para pensar no que havia acontecido há poucos instantes. Edward acabara de me beijar. A quem eu estava tentando enganar? Aquele singelo beijo mexeu comigo de todas as maneiras possíveis, do aspecto emocional ao físico, trazendo lembranças boas e ruins, uma sensação de nostalgia do conhecido e desconhecido. – Joguei meu corpo para trás, escorando no encosto da poltrona. Fechei os olhos e deixei que minha língua passasse sobre o lábio que ele havia beijado. – Suspirei alto. Eu estava perdida, isso era fato! Tudo o que eu menos precisava no momento era um conflito interno comigo mesma a partir de agora, mas pelo visto era o que eu teria.
Permaneci com Nessie naquele quarto por mais algum tempo. Algumas vezes Marie aparecia perguntando se ela estava bem ou se eu precisava de ajuda, neguei todas as vezes.
Marie era um anjo que caiu do céu na hora certa. – Pensei.
“Bella, aí está você!”
Rosalie passou pela porta do quarto falando alto. – Era a primeira vez naquele dia que a vejo – Automaticamente levei minha mão até a boca fazendo sinal para que fizesse silêncio e apontei para Nessie que dormia na cama de Edward.
“Desculpa, eu não sabia que ela estava dormindo.” – Disse sussurrando.
“Tudo bem, Rose, Renesmee não estava bem e precisei vir ficar com ela.” – Expliquei.
“O que ela tem?” – Se aproximou preocupada.
“Não sei muito bem, mas acredito que seja intoxicação alimentar ou algo que não a fez bem. Logo passa e ela estará bem novamente.” – Sorri fracamente.
Rosalie me encarou com seu melhor sorriso branco.
“Você está esplêndida!” – Comentou animada.
Corei pelo elogio. Abaixei a cabeça envergonhada e em seguida voltei a encará-la, dessa vez eu a olhei e sorri abertamente.
“Olha só quem fala! Você também está incrível, Rosalie! Vermelho? – Perguntei com malícia – Emmett deve estar louco para arrancá-lo de você.” – Brinquei, me referindo ao seu vestido e rimos juntas.
“Tenho que concordar. Já perdi as contas de quantas vezes lancei tapas nas mãos de Emmett hoje.”
Para quem não conhecia Rosalie e Emmett, eles eram um casal “fogo”. Pelas conversas que Rosalie contava para mim e Alice, ele era louco pela cor vermelha, principalmente se a cor estivesse nela. Como se não bastasse o vermelho vivo do vestido, ele ainda possuía o corte que ia do inicio da nuca até o final de suas costas, deixando o rastro perfeito da linha de sua coluna à mostra, sem contar a parte frontal que destacava seus seios perfeitos.
“Eu sei que não é o momento apropriado pra isso, mas... mamãe está louca atrás de você.” – Comentou.
“Deus, eu esqueci completamente que fiquei de ajudá-la. Onde está Marie? Você a viu?” – Perguntei, indo até a grande janela de novo que dava a vista a grande parte do jardim e a avistei sentada em uma das mesas, cercada de alguns convidados, acompanhada de Esme e Carlisle.
“Será que você pode chamá-la para mim, Rose? Preciso que Marie passe o olho em Nessie, pelo menos até que eu possa cumprimentar Esme e Carlisle.” – Lhe pedi.
“Claro. Eu já volto.”
Rosalie saiu do quarto e voltei a ficar sozinha com minha filha.
Um arrepio desconhecido passou pelo meu corpo como se aquilo fosse um sinal indicando que algo estava errado. – Avistei pela janela Rosalie se aproximar de Marie educadamente e sussurrar alguma coisa em seu ouvido, fazendo que ela assentisse e saísse logo depois.
Aproveitei que Marie já estava a caminho para dar atenção a Nessie. Arrumei seu corpinho sobre a cama e as almofadas ao seu redor, fazendo com que ficasse mais confortável para ela.
“Menina Isabella?” – Chamou-me baixo passando pela porta.
“Oi, Marie. – A olhei com carinho – Me desculpa ter te tirado de lá assim. Rosalie veio até aqui me avisar que Esme estava atrás de mim.”
“Está mesmo. – concordou – Mas eu avisei o motivo do seu desaparecimento e ela pareceu compreender.”
“Obrigada.” – Agradeci.
“E como ela está?” – Disse se referindo a Nessie.
“Acho que agora está bem. Vou aproveitar que ela dormiu e deixá-la um tempo com você, se importa?” – Perguntei.
“Nem um pouco. Pode ir tranquila que daqui eu cuido muito bem.” – sorriu com carinho.
Puxei o ar pesado e o soltei. – Balancei afirmativamente a cabeça e caminhei até a porta.
“Vamos lá! Hora da festa começar.” – Disse para mim mesma ao passar pela porta e fechá-la atrás de mim.
[Pov EDWARD]
“Você está estranho, Cara.” – Emmett comentou parado ao meu lado.
“Não é nada.” – Respondi, tentando a todo custo não transparecer meu nervosismo e minha preocupação.
“É assim agora? Vai mentir pra mim? –perguntou – Eu te conheço melhor do que ninguém, Cullen!” – Rebateu.
“Ok, Emmett. Eu fui atrás da Isabella. Eu agi por impulso e acabei a beijando. Não foi nada demais. Mas só o fato dela antes ter dito que nos precisávamos ter uma conversa, acendeu uma chama de esperança em mim e quando eu vi já estava... Bem... Eu a beijei.” – Desabafei.
Emmett me encarava e pelo canto do olho e vi um breve sorriso brincalhão e malicioso passar pelos seus lábios.
“Isso é ótimo, Edward! – Acrescentou feliz – Isso não é motivo pra te deixar com essa cara de quem está prestes a ir para o corredor da morte ou de quem vai ter o pau cortado em breve.”
Soltei o ar que estava preso em meus pulmões. – Ele não compreendia.
“Emmett, você não entende. Era sim para ser um fato maravilhoso... Isso se Isabella tivesse correspondido ou pelo menos dado algum sinal de que tivesse gostado daquilo.” – Levei a taça de uísque outra vez até mais lábios e a virei.
Senti o líquido quente da bebida passando pela minha garganta e deixando um rastro de fogo por onde passava.
“Pega leve nessa porra! – Emmett tirou a taça com raiva das minhas mãos e batendo o copo de cristal sobre o balcão. – Você sabe muito bem que não é tão forte para bebidas. Você já tomou umas cinco dessas, se controla porque a última coisa que queremos aqui é um gambá bêbado.” – Completou sério.
Ele tinha razão. Eu não podia encher a cara daquele jeito, só se eu quisesse estragar aquela droga de festa.
“Agora se recomponha porque sua dama de titânio está vindo ali.” – Murmurou.
Olhei na direção que Emmett olhava e a vi, descendo as escadas da entrada da casa que dava acesso ao jardim, completamente Bela, fazendo jus ao seu nome.
Isabella estava maravilhosa. Maravilhosa como eu nunca vi antes. – A gravidez parecia ter feito muito bem a ela. Sua pele estava linda, bem tratada e parecia mais sedosa do que já era antes. Os olhos, apesar de cansados, tinham um brilho que deixava a cor castanha mais chamativa e encantadora. Os cabelos estavam mais brilhosos e reparei que estavam um pouco maiores, batendo um pouco abaixo dos seus ombros. Seu corpo estava mais evoluído também, nenhum rastro daquele corpo de menina que ela tinha antes, agora seus quadris estava mais largo e seu busto parecia ter mudado também.
Eu era podia perceber os olhares de alguns homens que a observavam e admiravam. Aquilo me fazia sentir desconfortável. Será que nenhum deles não sabia que ela era casada e mãe de família? Quer dizer... Ela não era mais casada, mas já foi... Que droga! Isabella estava solteira agora. Nada impedia que ela pudesse arrumar alguém muito melhor do que eu... – Pensar aquilo doía. Doía demais. Afinal quem era eu para falar de dor? Aquilo não era nem comparado ao que eu já tinha feito a ela e olha que ela não estava fazendo nada. Nada além de exibir a beleza natural que ela tinha.
“Limpa a baba que está escorrendo.” – Emmett bateu seus ombros nos meus em um gesto de brincadeira, mas em nenhum momento aquilo desviou minha atenção dela.
Isabella passava pelo caminho entre o gramado sorrindo e cumprimentando algumas pessoas, algumas delas ela parecia conhecer, já outras nem tanto. Algumas vezes a vi corar e, devo confessar que era fascinante, como eu não havia percebido aquilo antes? Ela era perfeita.
“Edward!” – Ouvi Emmett me chamar, mas não dei atenção.
Estava distraído demais com coisas mais tentadoras do que meu amigo.
“Edward!” – Voltou a chamar.
“Que foi droga?” – O encarei bravo.
“O que raios Miranda está fazendo aqui?” – Perguntou olhando para um ponto afastado de nós.
“O que?” – Estava descrente.
Emmett apontou para uma das mesas mais afastadas e acompanhei o seu gesto com meus olhos.
A senhora loira e elegante estava sentada em uma das mesas de Esme. Ela estava acompanhada de seu marido e algumas outras pessoas que eu não conhecia... Talvez alguns sócios ou empresários do ramo de Esme
“Edward! Emmett!” – Um loiro parou ao nosso lado meio ofegante.
“Jasper, onde você estava? Cara, Alice já te procurou mais de cinquenta vezes e isso não é exagero meu.” – Emmett bebericou sua bebida.
“Eu... Cara, eu...” – Jasper tentava dizer, mas seu semblante era de quem havia visto um fantasma.
“Ô Porra! O QUE IRINA ESTÁ FAZENDO AQUI?” – Emmett disse com descrença.
Tudo à minha volta pareceu rodar, só não sei se era pela bebida ou pela náusea que senti ao ouvir aquele nome. – Irina na casa dos meus pais. Junto a minha família. Perto da minha mulher. Perto da minha filha. – Pensar na possibilidade daquela desgraçada aprontar alguma coisa fez com que meu sangue corresse rápido pelas minhas veias. – Se aquela desgraçada viesse aprontar alguma coisa eu juro que eu mesmo acabaria com ela.
[POV Bella]
“Ali está ela!” – Rosalie disse se levantando da cadeira onde estava sentada parando ao meu lado.
Esme se levantou e me abraçou. Fui até Carlisle e o cumprimentei também. Apesar de sério, ele era um bom homem. Havia outras pessoas em volta da grande e elegante mesa, aproveitei e os cumprimentei timidamente. Grande maioria daquelas pessoas eu não fazia ideia de quem eram.
“Isabella, querida. Até que enfim você resolveu aparecer!” – Esme disse quando voltei a ficar ao seu lado.
“Desculpe-me. Minha filha está aqui e ela não está passando muito bem.” – Expliquei a todos os presentes que pareceram compreender. Algumas senhoras que estavam acompanhadas dos respectivos maridos sorriram tranquilamente me passando compreensão.
“Hô meu Deus! Minha netinha está doente e você não me avisou? Que tipo de avó você pensa que eu sou, Isabella?” – Disse parecendo constrangida, mas eu sabia que era só uma brincadeira de Esme.
“Não é nada demais, ela vai ficar bem.” – Sorri e apertei suas mãos passando confiança.
Rosalie parou ao meu lado e segurou minha mão, me puxando gentilmente.
“Venha Bella, quero te apresentar a uma pessoa.” – Disse já me afastando.
Lancei um olhar pedindo desculpas a Esme e Carlisle e eles assentiram sorrindo, conhecendo bem como a filha era.
Caminhamos entre os convidados e só paramos para cumprimentar algumas pessoas.
“Carlisle não parece muito bem...” – Comentei notando o quanto sério meu ex-sogro aparentava estar.
Rosalie me olhou, mas desviou os olhos rápido demais.
“Não é nada demais. Esqueça. Foque apenas na sua vida de agora em diante. Edward já te viu?” – Mudou de assunto, sorrindo maliciosamente.
“Já, Rose. – respondi sem muita vontade sua provocação – Para onde está me levando?” – Perguntei desviando do assunto do seu irmão.
“Quero lhe apresentar uma pessoa. Ela está louca para saber mais sobre você.” – Rosalie disse olhando para o lado no meio do grande gramado principal.
O lugar estava lindo e bem iluminado, exatamente como visto da janela lá de cima. Algumas pessoas dançavam animadas na pista de dança um pouco mais afastada, já outras preferiam se manter mais longe. Eu era uma dessas pessoas.
“Ah, Ali está ela! Venha, hora de lhe apresentar corretamente a dama de ferro.” – Sorriu.
“Achei que a dama de ferro fosse Esme.” – Comentei.
“Querida, minha mãe perto dela é uma dama de diamante.”
Então não era nada bom. Nada bom.
“Espere-me aqui que vou chamá-la. Não saia daqui!” – Rosalie exigiu em seu tom brincalhão. Assenti e a vi se afastar.
Quem seria essa dama de ferro que ela tanto queria que eu conhecesse? E Alice? Por onde aquela peste teria se enfiado?
“Isabella!” – Ouvi a voz de Rosalie e girei meu corpo para ficar de frente a ela.
Estaquei, chocada. Sim! Aquela seria a palavra certa para me definir no momento.
Miranda estava parada a minha frente, bem ao lado de Rosalie. – Mas o que ela estava fazendo ali? E porque Rosalie queria que eu a conhecesse? O que ela queria comigo?
“Acho que ela está em outra dimensão diferente da nossa.”
Sai dos meus pensamentos repletos de dúvida quando ouvi aquela frase vinda da voz da senhora elegante parada a minha frente.
“Desculpe-me. – Me desculpei corando repleta de vergonha. – Olá, sou Isabella Swan, muito prazer.” – Estiquei minhas mãos para apertar a suas.
Negativo. A mulher a minha frente não se moveu nenhum milímetro. – Ao invés de estender a mão e me cumprimentar,pelo menos com um aperto de mão como eu estava fazendo, Miranda simplesmente olhou para minha mão estendida e a ignorou. – Fiquei completamente sem graça pela sua atitude. –Talvez as palavras de Edward quando estávamos casados fosse certa: Eu não pertencia aquele mundo cheio de glamour, aquilo não era pra mim.
“Olá, Senhorita Swan. – Cumprimentou sutilmente – Creio que já nos conhecemos.” – Comentou me analisando de cima a baixo.
Rosalie nos olhava com curiosidade sem entender nada do que estava acontecendo.
“Nós nos encontramos no escritório de sua mãe, Rosalie. Fui resolver uns assuntos... Pendentes, que eu e ela tínhamos.” – Explicou Melinda, ainda sem tirar seus olhos de mim.
Aquilo estava começando a me incomodar.
“Ah, sim. Que bom que já se conhecem então. Isabella, Miranda e uma das mulheres mais influentes do país. Uma inspiração para o ramo da moda e da mídia.”
“Só faço meu trabalho bem feito, querida. O reconhecimento vem como extra. – Respondeu ao comentário de Rosalie – Quantos anos tem Isabella?” — Perguntou-me.
Pisquei algumas vezes compreendendo que aquela mulher estava tentando puxar assunto comigo. Seu semblante era calmo, apesar de séria, ela parecia ser uma boa pessoa.
“19 anos.” – Quase 20, mas ela não precisava saber daquele detalhe.
“Nova. Muito nova. Nova até demais para já ter uma vida tão vivida como a sua.” – Comentou.
Senti-me desconfortável. Eu sabia que Miranda estava se referindo a minha vida pessoal com Edward, nossa separação e a gravidez, com certeza.
“Às vezes ter a vida “vivida” é bom... Gera mais responsabilidade e aprendizado.” – Sorri forçadamente.
“Com certeza – Concordou. — Rosalie, você se importa de nós deixarmos sozinhas?” – Perguntou Miranda.
Eu olhei desesperada para minha amiga. Que por sinal, encarava Miranda com dúvida.
“Fique tranquila Rosalie, eu não vou atacar Isabella, só quero conversar com ela. Será que pode me indicar um lugar menos agitado para Isso?” – Perguntou Miranda.
“Miranda, talvez você devesse deixar isso para...” – Rosalie foi impedida de terminar de talar.
“Só me indique o lugar e eu cuido da sua mãe depois.” – Rebateu séria.
Rosalie assentiu se calando, e se virou para que nós a seguíssemos. – Meu corpo agia automaticamente. Nem ao menos a mulher havia me perguntando se eu estava disposta ou disponível para conversar com ela, simplesmente deu uma ordem e segui.
Entramos em uma das salas vazias indicadas pela Rose, era o escritório particular de Carlisle.
“Por favor, não vá fazer o que não deve.” – Rosalie murmurou baixo para a mulher e saiu em seguida, fechando a porta e nos deixando sozinhas.
Encarei Miranda sem saber o que dizer ou fazer. – O que alguém como ela queria conversar comigo em particular? – Isso gritava em minha mente a cada minuto que se passava.
“Você parece tão assustada quanto um cordeiro indefeso, e isso, nós duas sabemos que você não é.” – Completou sarcástica.
Gelei. – Quem ela pensava que era para falar comigo daquele jeito? Miranda podia ser o exemplo ou a mulher mais rica que fosse, mas nem toda sua fortuna fazia com que ela fosse a mulher exemplo que todos diziam.
“O que quer dizer com isso?” – Perguntei perplexa.
“Isabella... Não seja tão ingênua. – Miranda caminhou até uma das poltronas confortáveis e se sentou em uma delas, voltando a fixar seus olhos verdes em cima de mim. – Você sabe muito bem do que estou falando.” – Completou.
“Desculpe-me, mas não faço a mínima ideia.” – Lhe disse. Eu estava mais perdida do que nunca.
Olhando para ela, agora mais próxima e com mais atenção, percebi que algo não me parecia estranho. Miranda me lembrava alguém, mas não fazia a mínima ideia de quem poderia ser.
“Sabe, acho que Esme não abriu o jogo com você.” – Comentou séria.
“E que jogo Esme teria para abrir comigo? Eu sou somente a ajudante dela, não sou nada...” – Cortou-me antes que eu pudesse terminar a frase.
“É aí que se engana. – Disse com a expressão suave – Você é a chave dela, querida. Essa festa, por exemplo; acha mesmo que Esme conseguiria fechar com uma empresa tão grande quanto a minha depois de tudo que aconteceu entre minha família e a dela?” – Perguntou com o sarcasmo de volta presente em sua voz.
Se antes eu estava confusa, agora estava mais. Acreditei que Miranda fosse uma dama da alta sociedade, lúcida e fina, mas agora estava chegando à conclusão que ela não passava de uma desmiolada que andava em cima de seu pedestal por ser milionária.
“Não precisa ficar assustada, Isabella. Você não tem culpa de nada do que aconteceu entre nossa famílias, mas talvez eu tenha com a sua... – Franzi as sobrancelhas – Bem, não diretamente, mas tenho.”
Eu não conseguia acompanhar as coisas que ela dizia. Afinal, Quem era Miranda? Porque ela me lembrava alguém? – Um flash do dia que a vi saindo do escritório de Esme começou a passar em minha mente. Aquele dia Esme parecia transtornada, assustada e nervosa. Muito nervosa. Mas o que Miranda tinha haver comigo e com minha família?
“Bem, já que Esme não te explicou o que está acontecendo acho que vou ter que lhe explicar em seu lugar. – Disse e cruzou as pernas, voltando a falar. – Você não me conhece, mas eu te conheço. Sou uma velha amiga do filho de Esme, que por sinal, também foi seu marido, o Edward.” – Concordei com um leve aceno, mas ainda sem entender o que Edward veio fazer na conversa.
“Edward namorou um longo tempo com a minha filha, mas o destino não quis vê-los juntos... – Miranda deu de ombros. – Fazia muito tempo que eu não via a família Cullen, devo ressaltar. Mas foi em um dos eventos que voltei a ter contato direto com Esme. Ela me contou que a nora estava trabalhando pra ela, confesso que fiquei surpresa por Edward ter se casado e se separado tão rápido, mas conhecemos bem como são os homens, não é mesmo? Não são todos eles que aguentam as responsabilidades.” – seus lábios se moveram em um sorriso fraco.
Fechei os olhos com força e a encarei fixamente.
“Senhora, por favor, eu não estou entendendo absolutamente nada.”
Seus dentes brancos e perfeitos apareceram pela primeira vez aquele dia. Miranda possuía um sorriso bonito. Ela deveria sorrir mais, mas aquilo não parecia fazer parte do seu dia-a-dia.
“Isabella, Esme estava enfrentando uma das piores crises que sua empresa já teve. Isso sem contar que ao mesmo tempo ela tentava lidar com a situação do filho irresponsável que vinha traíndo a esposa grávida, o divórcio deles, seu casamento com Carlisle por um fio e em seguida o desaparecimento da nora.” – Jogou tudo sobre a mesa de uma única vez.
Suas palavras foram como um soco no meu estômago. – Tudo aquilo estava acontecendo debaixo do meu nariz e eu não percebia nada? E o pior, eu ainda colaborei para que a situação piorasse.
“Não se torture por isso, afinal, foi você que salvou a grande maioria desses problemas.” – Disse ainda com seus dentes brancos e o sorriso maquiavélico presente em sua face.
“O que você quer dizer com isso? Eu não fiz nada!” – Respondi com desespero.
“A partir do momento que você pisou naquela empresa as coisas começaram a mudar, Isabella. No dia que fui visitar uma das sessões de fotos que Esme estava colaborando, eu lhe vi. No início eu não sabia quem era você, mas sabemos e conhece muito bem a sua amiga, Alice. Podemos dizer que ela não tem muito controle da própria língua.” – Explicou.
Nisso eu tinha que concordar com Miranda.
“Fiquei surpresa quando Alice disse que você era a ex-esposa do Edward, ela meio que me disse por alto o que você estava fazendo ali e então uma luz pareceu clarear muito bem a minha mente. Eu me encantei por você, garota! – Confessou. Senti minha cabeça girar. – Me encantei com o seu jeito simples, meigo, doce e ao mesmo tempo tão forte e determinado. Você me faz lembrar muito minha... – Ela suspirou – A minha filha.” – Disse por fim.
“O que aconteceu com a sua filha?” – Perguntei em um murmurou.
Ela falava da filha como se sentisse muita falta dela, era possível sentir o que imaginei ser dor, quando ela falava sobre aquilo.
“Isso não vem ao caso.” – Desconversou.
“Então... – Pigarreei – Então a senhora é a grande culpada de tudo isso está acontecendo? Toda essa festa e essa alegria de Esme são por sua causa?”
Miranda sorriu mais uma vez, mas diferente das outras vezes, esse sorriso não tinha nada sarcástico, seu sorriso era verdadeiro. – Ela se levantou e caminhou até parar a minha frente e seu olhar está preso ao meu.
“Não, Isabella. Isso tudo é por sua culpa! – Confessou – Fui eu que pedi a Esme uma ficha completa sobre você. Eu queria saber cada detalhe da sua vida, pessoal e profissional. Você não merecia ter sofrido o que sofreu, mas isso lhe deu forças, mais aprendizado e lhe fez mais mulher. – disse ainda me olhando diretamente – Mas eu também sei ser uma profissional, e foi isso que aconteceu.”
“Você se encantou comigo por me achar parecida com sua filha e resolveu ajudar Esme?” – Perguntei tentando achar o lado profissional naquilo.
Aquilo era maluco.
“Não, vocês não são parecida fisicamente. – Esclareceu – Na verdade Isabella, eu fiz Esme me prometer que me ajudaria a abrir sua mente, queria que ela lhe mostrasse cada detalhe da empresa, cada profissão, cada função... Suas amigas também não ficaram atrás. Elas ajudaram e muito bem sobre isso.”
Soltei uma longa e forte respiração e disparei a falar.
“Senhora, eu lhe agradeço por ter ajudado Esme. Ela merece isso é muito mais, fico feliz que as coisas tenham dado certo, eu não fazia ideia de que todas essas coisas estavam acontecendo com Esme. Ela nunca me disse nada. Mas obrigada. Muito obrigada por tudo. Eu nem sei como retribuir isso, eu...” – Fui novamente impedida de falar.
“Ei! Isabella, — sua voz suavizou ao chamar minha atenção e eu a encarei – Eu quero que você seja a minha nova modelo. A âncora. A principal representante da...” – Eu não ouvia mais nada.
Eu não ouvia o que Miranda falava... Muito pior, eu não dava conta das coisas ao meu redor. A única coisa que senti foi o chão sendo tirado dos meus pés ao ver a pessoa que desgraçou a minha vida entrando pela porta como um furação, raiva e ódio transbordavam pelos seus poros. Depois disso tudo, se apagou.
[Pov Edward]
“Alice, onde está a Bella?” – Perguntei.
“Cullen, eu estar me comunicando civilizadamente com você, não me faz te dar o paradeiro da minha amiga. Mas eu vou ser uma boa pessoa só dessa vez e lhe responder, eu não sei onde está Isabella. Eu também estou procurando por ela.”
“Droga!” – Murmurei.
“Talvez ela esteja no quarto com Renesmee de novo.” – Sugeriu.
“Não, acabei de voltar de lá.”
Eu estava perdido. Irina havia desaparecido e para piorar tudo Isabella também. – Aquilo não estava me cheirando bem.
“Será que ela foi embora?” – Jasper disse parando ao nosso lado, acompanhado de Emmett.
“E deixado Renesmee? Jamais.” – Alice negou.
“Qual é gente, a casa é enorme. Provavelmente ela deve estar em algum desses banheiros e ninguém a viu.” – Emmett se manifestou.
Talvez ele estivesse com razão. Mas eu sentia que não era aquilo.
“Eu vou continuar por aqui. Não posso sair dessa entrada por nada nesse mundo, então porque vocês não vão atrás dela? Cada um vai para um lado e achem a Swan.” – Alice disse.
Seu plano não era nada mal.
“Até que você é inteligente baixinha.” – Emmett brincou com ela.
Acreditem ou não, Emmett e Alice estavam virando grandes amigos. Diferente de mim, que ela fazia questão de deixar bem claro que estava somente se comportando civilizadamente.
“Tudo bem. Vou procurar por ela no terceiro piso. Emmett, você volta para o jardim e qualquer sinal eu estarei com o celular, vocês podem me avisar.” – Eles concordaram e saíram.
“Eu vou ficar com a Alice, cara. Qualquer coisa que precisar é só me chamar.” – Jasper bateu em meus ombros e eu assenti.
Subi para o terceiro piso.
Talvez Isabella tivesse mesmo feito o que Emmett tinha dito e vindo para essa área da casa. – Estranhei – Aquela parte da casa não estava aberta para que ninguém passasse. Ali era o local onde ficava a biblioteca, a sala privada de Carlisle e também um salão maior com o piano e alguns quartos de hospedes. – Parei no final da escada, olhando para os dois lados e não avistei ninguém. O lugar estava vazio e em absoluto silencio. Entrei em alguns cômodos vasculhando dentro deles se havia algum sinal de Isabella, não havia nada. Estava decidido a desistir pela busca quando ouvi um ofegar no corredor que dava acesso a sala de Carlisle. – Será que era ela? – Pensei.
Caminhei em passos lentos até a ponta do corredor. Porém, antes que eu pudesse fazer qualquer movimento, avistei Irina parada de frente a porta do escritório particular de Carlisle parecendo estar ouvindo a conversa de alguém. Eu não escutava absolutamente nada. Seja lá quem fosse que estivesse conversando lá dentro, não estavam brigando ou fazendo algo que pudesse prejudicar alguém...
Dei mais alguns passos para saber o que a ordinária da Irina estava fazendo ali. Mas antes que eu pudesse alcançá-la, Irina empurrou com força a porta de madeira pesada, fazendo com que a porta batesse com força na parede. Tive a visão de Miranda e Isabella paradas em pé próximas da outra, uma Irina completamente transtornada e logo em seguida o olhar de Isabella pairando sobre Irina como se tivesse visto o demônio em pessoa.
Mas nada disso importou quando percebi que Miranda segurou o corpo de Isabella desacordado enquanto tentava conter a fúria da filha mais velha.
“Como você pôde?” – Irina gritava e Miranda a ignorava completamente.
Sem esperar autorização invadi a sala e corri até onde Miranda estava com Isabella.
“Edward... E-Eu não... – Miranda gaguejou nervosa – Por Deus, eu não queria fazer mal a ela.”
“Com ela você se importa, mas com sua filha você está pouco se lixando?” – Irina gritou.
“Cala sua maldita boca, Irina. Aliás, o que você está fazendo aqui? – Miranda se levantou e ficou de frente a loira – É muita cara de pau sua vir até a casa dos Cullen depois de todo mal que você fez a essa família.” – Miranda disse furiosa.
Eu não me importaria se Miranda desse uma surra na filha ali mesmo. Aliás, eu acharia muito bom, era isso que Irina estava precisando, de uma bela e boa surra. Eu nunca levantei a mão para bater em uma mulher. Carlisle pode não ter sido um pai dedicado, mas foi ele que me ensinou que bater em mulher era a coisa mais repugnante e baixa que um homem poderia fazer.
A discussão de mãe e filha continuou acontecendo. – Eu estava desesperado demais para dar atenção naquelas duas loucas. Tudo o que importava pra mim no momento era fazer Isabella acordar e me dizer o que estava acontecendo. Tudo que eu queria agora era vê-la bem, tirá-la daquele lugar e levá-la para longe de toda aquela bagunça. – Busquei meu celular no bolso da minha calça e digitei qualquer mensagem enviando para Emmett.
“Preciso de sua ajuda. Venha rápido.” – Foi isso que enviei ao meu amigo. Não estava em condições de entrar em detalhes.
“Eu achava que você jogava baixo Miranda, agora vejo que é pior que eu imaginei.” – Irina disse com ódio.
Eu não sabia muito bem ao que ela se referia, pois não tive a chance de escutar a conversa que Isabella e Miranda estavam tempo, seja o que for, pareceu ter tirado o controle da loira completamente. Eu nunca a tinha visto assim antes.
“A quem você quer enganar se fazendo de coitada Irina? Você sempre teve inveja da sua irmã. Sempre queria tudo o que era dela, foi assim desde pequena e só piorava enquanto vocês cresciam. Você sempre se fazendo de boa moça, de amiga, companheira... E sabe o que é pior? O seu pai via isso e me alertava. Alertava-me e eu sendo burra, ainda te defendia. Mas as coisas mudaram Irina. Mudaram e agora o seu inferno pessoal começou.” – Miranda disse a encarando com o olhar frio e triste ao mesmo tempo.
Emmett e Rosalie invadiram a sala antes que Irina retrucasse qualquer coisa.
Rosalie avistou o corpo caído de Isabella sobre meu colo e veio rápido até mim, ajudando a colocá-la deitada sobre o sofá. Emmett tentou acalmar Miranda e Irina, infelizmente não tendo sucesso.
“Emmett, tira Irina daqui. AGORA!” – Gritei raivoso. Só de ouvir a voz dela já me dava ódio.
“EU NÃO VOU SAIR DAQUI ATÉ ESSA DESGRAÇADA ACORDAR E NÓS ACERTARMOS NOSSAS CONTAS! ELA NÃO VAI ROUBAR O MEU LUGAR! NÃO VAI!” – Repetiu aos gritos.
Aquilo foi o a gota d’água. Quando dei por mim eu já estava puxando com força Irina pelo braço e um Emmett atrás de mim tentando me fazer soltá-la.
“Edward, não piora as coisas, cara!” – Tentou separar minhas mãos que prendiam o braço dela.
“Está na hora de eu e essa desgraçada termos nosso acerto de contas. – Lhe disse ainda puxando Irina pelo corredor e parando de frente a outra porta. Encarei Emmett. – Dá o fora daqui Emmett. O assunto agora é meu e dela.”
Ele me lançou outro olhar de desaprovação, mas se afastou.
“Eu não vou sair daqui até ela acordar.”
Abri a porta que dava acesso a um dos quartos de hospede e dei espaço para que ela entrasse.
“Entra.” – Aquilo não soou como um pedido e sim como uma ordem.
“Não.”
“Você prefere entrar por bem ou por mal, Irina?”
“Você está transtornado... Deixa-me ir embora Edward.” – Tentou outra vez se afastar e antes que isso acontecesse, eu a puxei novamente pelo braço. Seu corpo cambaleou e voltou para dentro do cômodo que estava com a porta aberta. – Tranquei a porta quando passei por ela e a encarei com os olhos cerrados.
“Você me machucou” – Disse alisando o braço onde até então eu tinha segurado.
“Isso não chega perto de como eu queria machucar você. – Murmurei – O que você pensa que veio fazer aqui, Irina? Na casa da minha família. Com a minha família presente, minha esposa e minha filha. O que você está aprontando?” – Perguntei pausadamente.
“Não estou aprontando nada! Se você ainda não se deu conta, minha mãe está aqui e é a grande culpada por essa festa está acontecendo.” – Respondeu cinicamente.
Maneei a cabeça. – Não. Não era aquele o motivo que ela estava ali.
“Quem veio com você?” – Voltei a perguntar.
“O que?” – Se fez de desentendida.
“Você continua mentindo muito mal Irina.” – Provoquei.
“Eu não sei do que você está falando.” – Desconversou.
“Devo dizer que conheço muito bem aquele loiro que estava ao seu lado quando você entrou... Como é mesmo o nome dele? Ah, Já sei! James, não é mesmo?”
Ela engoliu em seco.
Aproximei-me dela e parei somente quando estávamos a centímetro de distância, cara-a-cara. Olho no olho. Ódio no ódio.
“Eu vou lhe avisar só mais uma vez, Irina. – Aproximei mais para perto do seu rosto – Tente alguma coisa contra mim ou a minha família, que eu juro que eu acabo com você.”
“Isso se eu não te pegar primeiro.” – Rebateu provocando. Vadia!
Cerrei os olhos ainda a mirando.
“Isso foi uma ameaça?” – Se ela sabia ser cínica, eu era três vezes pior.
“Um aviso.”
“Então acho que você deveria usá-lo para você mesma. – Me afastei – Agora suma daqui! Desapareça! Morra se possível! – Ri contra minha vontade e continuei a dizer tudo o que há muito tempo eu deveria ter dito a ela – Quando é que você vai entender que você perdeu Irina? Você nunca significou absolutamente NADA! Você só sabe manipular as pessoas. Usá-las... E olha, — bati palma com ódio – devo confessar que você faz isso muito bem. – Continuei –Tenho pena de Kate por ter tido uma irmã tão repugnante como você. Você não presta! Fazia-se de irmã boa, ingênua, se dizia ser amiga e companheira dela. Eu não duvido nada que você tenha soltado fogos de artificio quando Kate foi enterrada. Você sempre teve inveja e queria tudo o que era dela, inclusive a mim...” – Sacudi a cabeça tentando conter o ódio e prendi meu lábio inferior.
“Eu ainda não acredito que fui tão idiota de ter me deixado levar por você, uma vadia manipuladora que só sabe olhar para si mesma. – desabafei com ódio tanto de mim quanto dela – Eu perdi a oportunidade de ter a minha família por sua culpa. Eu tive a mulher mais especial em minhas mãos e por sua culpa eu a perdi.”
“Como se eu tivesse forçado você a ir parar na minha cama. Você a traía porque quis. Você fez todas essas coisas que fez porque quis Cullen!”
“Não! Eu fiz porque pensava que você era a santa que dizia ser. A irmã perfeita e amiga de Kate. Você sabia muito bem ficar atrás de mim o tempo todo e me torturando com palavras, dizendo o tempo todo o quanto Kate ficaria feliz de nos vermos juntos, que Isabella não passava de uma traidora que na primeira oportunidade faria a mesma coisa que sua irmã fez!”
“Kate era a vadia que foi pra cama com seu melhor amigo e engravidou dele. Ela que mentiu pra você! Ela não merecia você, Edward.”
“E você me merecia? Pelo amor de Deus, lave sua boca para falar de Kate.”
“Está a defendendo?” – Irina perguntou descrente.
“E se eu estiver? Qual o problema?”
“Que droga, Edward. Você não vê que eu fiz tudo isso por amor? Eu te amo.” – Ela tentou se aproximar e tocar meu rosto, mas eu a empurrei.
“Não chega perto de mim! – exigi – Eu tenho nojo de você, Irina!” – Cuspi as palavras.
Seus olhos se encheram de lágrimas que não chegavam a cair. O ódio que havia desaparecido há alguns instantes atrás agora estavam de volta, fazendo com que seus olhos brilhassem.
“Tudo foi em vão... – murmurou torturada – Eu achei que com a morte de Kate você viria correndo para mim, pois assim eu poderia lhe consolar e te dar tudo aquilo que ela não tinha lhe dado. Mas quando eu achei que tudo estava indo bem essa desgraçada dessa garota apareceu e como se não bastasse, você e Félix voltaram a disputar. A mesma história se repetia. É como se Kate tivesse voltado para se vingar de mim por causa da mort...” – Irina parou de falar e me encarou.
“Por causa de que?” – Lhe perguntei.
Uma lágrima escorreu pelo seu rosto com semblante de dor, como se estivesse sendo torturada.
“Nada. – respondeu – Quer saber Edward? Fique com a idiota dessa mosca morta, seja feliz com ela, façam quantos filhos quiserem e morram felizes para sempre. Só me deixa em paz.” – Irina me empurrou e abriu a porta saindo correndo.
O que tinha sido aquilo? – Irina havia começado a dizer alguma coisa sobre a morte da irmã, mas não completou. Isso me deixou mais desconfiado do que antes. Será que Irina... Não, ela não faria uma coisa daquela, isso seria homicídio. Somente uma pessoa louca e com graves problemas psicológicos planejaria a morte da própria irmã.
Estava perdido demais em meus próprios pensamentos quando senti uma mão leve apertando meus ombros, fazendo com que meu corpo pulasse devido ao susto.
“Desculpa, eu não queria lhe assustar. – Disse com voz doce e delicada – Será que você pode nos levar pra casa?” — Perguntou timidamente.
Hipnotizado. – A imagem dela com a criança em seu colo deixavam-me bobo.
“Edward?” – Voltou a chamar-me.
“Sim, claro. Eu levo vocês.”- Respondi e tirei a bolsa de Nessie dos seus seus ombros.
“Quer que eu a leve?” – Perguntei.
“Não, deixe ela aqui. Ela me trás calma.” – Sorriu fracamente e eu assenti.
Sabia bem do que Isabella falava, eu sentia a mesma coisa quando tinha Renesmee em meus braços. – Dei espaço para que elas passassem e voltei a fechar a porta daquele quarto. Aparentemente não havia mais ninguém ali naquele piso. Torcia para que Isabella não tivesse ouvido nada da conversa que tive com Irina porque se não as coisas se tornariam mais complicadas ainda.
Descemos as escadas dos pisos com cuidado para que elas não caíssem. A festa ainda acontecia, sinal que o escândalo não havia feito um grande estrago. Passamos despercebido por algumas pessoas e outras nem tanto. – Pedi para que Isabella fosse para o carro que eu já a encontraria, precisava antes buscar a chave do carro e dizer a meus pais que estava de partida. Ela compreendeu e concordou, saindo em seguida.
Andei um pouco mais para dentro da casa em busca de Esme e Carlisle. Não foi difícil achá-los, estavam no mesmo lugar de antes, só que agora acompanhado por todos: Marie, Rose, Emmett, Jasper e Alice. – Me aproximei e eles notaram minha presença. – Esme me encarou preocupada e eu somente maneei a cabeça em um pedido de “agora não”.
“Só vim comunicar que estou levando Isabella pra casa.” – Avisei.
“Ela está bem?” – Miranda foi a perguntar.
“Ela vai ficar bem.” – Lhe respondi e ela assentiu.
“Pode nos ligar se precisar de alguma coisa.” – Alice foi a dizer e concordei sem dizer nada.
“Preciso da chave do meu carro.” – Pedi a Emmett.
Ele se levantou e parou próximo de mim.
“Tem certeza que está bem para dirigir?” – Perguntou sussurrando pra que ninguém ouvisse.
“Estou mais sóbrio que nunca, por favor, as chaves.” – Estendi as mãos em sua direção.
“Não vá com seu volvo, tome, vá com o meu.” – Me entregou a chave da sua BMW.
“O que tem de errado de eu ir com o volvo? A cadeirinha de Renesmee está lá.” – Contestei.
“Não importa. Pegue a cadeirinha de Renesmee e coloque na merda do meu carro e vá.” – Disse tenso.
Emmett nunca agia daquela maneira a não ser se ele estivesse bastante irritado.
“Pode ir tranquilo e depois eu busco ele no seu apartamento. – referiu-se ao carro e me entregou a chave. – Não vá fazer merda.”
“Porque você sempre acha que vou fazer alguma coisa errada?” – Perguntei sacudindo a cabeça.
“Não sei... Talvez por te conhecer bem. – Piscou com um simples sorriso. – Agora vá antes que a dama de titânio venha atrás de você e esqueça sua carona.”
“Tudo bem.” – concordei.
Despedi-me de todos e voltei pelo caminho que havia feito antes. A quantidade de pessoas havia diminuído, provavelmente muitas já tinham ido embora. Não vi mais Irina e muito menos o tal James. Eu não o conhecia, mas sabia que ele era um grande “amigo” dela.
Passei pela porta de entrada e fui para o estacionamento. – Isabella estava abraçada a Renesmee encostada ao volvo. Aproximei-me dela e, ela abriu os olhos que estavam fechados.
“Podemos ir?” – Perguntou parecendo cansada.
“Sim. Só precisamos fazer uma pequena troca.” – Comuniquei abrindo o carro e tirando a cadeirinha de Nessie.
“O que está fazendo?” – Perguntou-me.
“Não posso usar o volto. – Ela me olhou curiosa – Não pergunte o porquê, eu não faço a mínima ideia.” – Me adiantei.
“Tudo bem. – Deu de ombros — Eu só quero sair o mais rápido possível daqui.” – A voz dela estava repleta de cansaço, era perceptível.
“Tudo bem, vem – a chamei – Vamos com o carro do Emmett.”
Fomos até a BMW negra que estava estacionada a poucos metros. Abri a porta e encaixei a cadeirinha de Nessie lá, conferindo se estava presa com segurança.
“Pronto, pode colocar ela agora.”
Isabella ajeitou o corpinho desacordado de Renesmee sobre a cadeirinha e prendeu os cinturões sob o corpinho dela. – Fechei a porta e abri a do passageiro para que Isabella pudesse entrar e se acomodar. Fechei a porta e fui até o lado do motorista, entrando e dando partida no veículo.
O carro estava em silêncio, o ruído que vinha do lado de fora abafados pelo vidro fechado. – Isabella estava com a cabeça escorada sobre o vidro da janela, aquele silêncio todo começou a me incomodar.
“Você fugiu de mim.” – Comentei, decido a iniciar uma conversa.
Isabella abriu os olhos, mas não me olhou. Seus olhos estavam fixos no para-brisa do carro e no caminho que fazíamos.
“Eu não fugi de você. – Explicou-se – Um pouco antes de você ter saído do quarto, Rosalie entrou e disse que Esme estava me procurando. Precisei deixar Nessie com Marie e ir atrás dela.”
Suspirei.
“Tudo bem. – Silencio novamente – Será que dá para conversarmos e parar com esse silêncio?”
“Eu estou exausta... Não só fisicamente, mas mentalmente estou esgotada.”
“Eu sinto muito por tudo que aconteceu mais cedo.”
Ela desencostou a cabeça do vidro e me encarou pela primeira vez.
“Porque não me disse que ela estava ali?” – Perguntou.
Isabella com certeza estava se referindo a Irina. – Droga! Como eu faria para que ela acreditasse que eu também não sabia que ela estaria ali. – A olhei de relance e voltei a fixar meus olhos na estrada.
“Acredite ou não Isabella, eu também não sabia que ela apareceria na festa.” – Expliquei.
“Miranda é...”
“A mãe dela.” – Expliquei novamente.
“Meu Deus, isso é muito confuso.” – Exclamou Bela soltando os cabelos que estavam presos somente de um lado.
“O que Miranda queria com você?”
“Porque não me disse que sua família estava passando por tantas coisas?” – Perguntamos ao mesmo tempo.
“Ela te contou, não foi? Não queria lhe dar mais problemas do que já tinha.” – Tentei convencê-la, porém não pareceu ter tido muito efeito.
Voltamos a cair no silêncio de antes e por sorte nós já tínhamos chegado ao seu prédio. Estacionei o carro na vaga e a ajudei a tirar Renesmee do carro sem que a acordasse. – Parece que além da aparência física, minha filha havia herdado meu sono pesado também. – Sorri.
Passamos pela entrada e entramos no elevador.
“Porque está sorrindo?” – Isabella perguntou e eu olhei para o rostinho de Renesmee que estava sobre seus ombros.
“Parece que ela herdou meu sono também.” – Sorri mais abertamente.
Ouvi Isabella suspirar e pigarrear. Voltando a olhar a filha e em seguida beijar as bochechas dela.
“Ela sempre foi tranquila, nunca me deu trabalho.” – Comentou orgulhosa.
Senti-me culpado. Eu jamais tinha presenciado aquela começo da vida de Renesmee. – Doía saber aquilo, ainda mais sendo por minha culpa.
O elevador parou. Seguirei a porta para que Isabella saísse e ela foi até a porta do apartamento.
“Será que você pode pegar a chaves, por favor? – Perguntou-me – Está no segundo bolso à esquerda.” – Apontou para a bolsa que estava pendurada sobre meus ombros.
Mexi na bolsa e encontrei o amontoado de chaves que havia visto mais cedo em suas mãos antes de sairmos. – Passei por ela e abri a porta, dando-lhe novamente espaço para que passasse. – Aproveitei o momento que ela entrava e acendi as luzes, iluminando o apartamento.
“Ângela está bem?” – Lhe perguntei.
Era estranho estar naquele apartamento sem a presença da amiga dela também. Era a primeira vez que ficávamos sozinhos desde então.
“Está. Falei com ela mais cedo hoje, ela disse que o Japão é um lugar bem estranho e que está sobrevivendo de McDonald's.” – sorriu.
Eu sabia bem o que eles estavam passando, já havia ido antes ao Japão e realmente, algumas coisas lá chegavam a ser um pouco assustadoras. Mas o lugar era lindo, vivo. A cultura podia ser um pouco diferente da nossa, porém não perdia o encanto.
“Vou trocar a roupa e colocá-la para dormir.” – Comentou se afastando e entrando no largo corredor.
O que eu tinha que fazer? Ir embora? Talvez fosse o correto a fazer. – Mas desde quando eu era correto? – Perguntei a mim mesmo – Se Emmett estivesse se referindo aquilo, talvez ele estivesse com um pouco de razão quando pediu para que eu tivesse juízo.
Aguardei alguns minutos parado ali na sala. – Decidi me sentar mesmo sem ser convidado. Eu não iria embora tão cedo mesmo. – Hoje eu só sairia daquele lugar depois de ter contado toda história da minha vida para Isabella. Sabia que estava exausta, ela mesma havia dito aquilo no carro, mas se as coisas começaram, elas teriam que terminar.
Ouvi o ruído de uma porta se fechando e passos se aproximando. Era ela.
Pela sua surpresa, acho que ela não me esperava encontrar ali ainda.
“Acho que já passou da hora de nós termos essa conversa. – Lhe disse sério – Sente-se Isabella, a história é um pouco longa.”
Isabella ainda estava com as mesmas roupas da festa, a única diferença era o cabelo, que agora estava solto. — Ela pareceu pensar sobre o assunto e desviou os olhos, levando as mãos até nuca e a massageando.
“Edward, talvez devêssemos deixar essa conversa para outro dia. Hoje o dia foi complicado, você mesmo deve reconhecer isso, eu estou exausta e...”.
“Por favor, Isabella, me dê a oportunidade de contar a você a minha história desde o início. Prometo que você não precisa dizer nada, somente me ouça e no final... Bom, no final nós veremos o que fazer.” – Completei.
Eu não sabia qual seria sua reação ao saber de toda a verdade desde o inicio. Eu abria o jogo do que houve entre mim, Félix e Kate. Contaria a ela tudo sobre Irina, das coisas idiotas que eu fazia e sentia naquela época. A única coisa que eu esperava era que ela me compreendesse e pudesse me perdoar no final.
Mas aquilo eu já sabia que não seria tão fácil assim.
“Tudo bem, Edward! Já é mesmo a hora de colocarmos as coisas no lugar.” – Murmurou e sentou-se de a minha frente.
[CONTINUA...]
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