[Final do capítulo anterior]

Isabella ainda estava com as mesmas roupas da festa, a única diferença era o cabelo, que agora estava solto. — Ela pareceu pensar sobre o assunto e desviou os olhos, levando as mãos até nuca e a massageando.

“Edward, talvez devêssemos deixar essa conversa para outro dia. Hoje o dia foi complicado, você mesmo deve reconhecer isso, eu estou exausta e...”.

“Por favor, Isabella, me dê a oportunidade de contar pra você a minha história desde o início. Prometo que você não precisa dizer nada, somente me ouça e no final... Bom, no final nós veremos o que fazer.” – Completei.

Eu não sabia qual seria sua reação ao saber de toda a verdade desde o inicio. Eu abria o jogo do que houve entre mim, Félix e Kate. Contaria a ela tudo sobre Irina, das coisas idiotas que eu fazia e sentia naquela época. A única coisa que eu esperava era que ela me compreendesse e pudesse me perdoar no final.

Mas aquilo eu já sabia que não seria tão fácil assim.

“Tudo bem, Edward! Já é mesmo a hora de colocarmos as coisas no lugar.” – Murmurou e sentou-se de a minha frente.

[Fim do capítulo anterior]

Continuação...

[POV EDWARD]

Me sentia nervoso.

Isabella me observava esperando alguma iniciativa da minha parte, afinal, eu que precisava lhe dar explicações. Porém, tudo o que eu pensava lhe dizer, parecia vir como uma avalanche em minha mente, tudo ficava confuso e embaralhado, uma confusão completa, tudo que pensava parecia errado para ser explicado. Aquela seria a primeira vez que falaria sobre aquele assunto com alguém, sobre meus sentimentos.

“Eu não sei por onde começar...” – Lhe disse, tentando esclarecer o real motivo de tanto suspense e enrolação.

“Talvez do começo seja uma boa opção.” – Aconselhou, parecendo mais que óbvio.

Ok, Tudo bem, ela poderia ser sarcástica o quanto quisesse, eu merecia isso. Antes de começar toda explicação, suspirei pesadamente e pisquei algumas vezes antes de fixar meus olhos em um ponto fixo no chão.

“Você já conhece uma parte da história, eu lhe contei quando esteve em meu escritório na primeira vez, se lembra? – Perguntei e Isabella assentiu. – Mas quero lhe contar desde o início. Quero dizer tudo, absolutamente tudo, é fundamental que você compreenda desde o inicio – Continuei. – Como você sabe, eu e Félix éramos amigos. Muito amigos. Éramos como irmãos, unha e carne, até Rosalie às vezes sentia ciúmes pela minha amizade com Félix, mais forte até que minha ligação de irmão com ela – Esclareci. – Eu e Félix nos conhecemos quando ainda éramos duas crianças irresponsáveis e sonhadoras no colégio. Eu era o nerd quieto da turma, Félix, ao contrario de mim, era o popular que esbanjava simpatia pela escola. Nossa convivência para muitos não parecia perfeita, mas para nós não nos importávamos com o que os outros achavam, não ligávamos para o que as pessoas diziam. Várias vezes, eu o ajudei em diversas matérias que ele não conseguia passar, e Félix, é claro, me ajudava a deixar de ser menos Nerd – Sorri fraco, me lembrando das nossas atrapalhadas. – Porém, nem sempre o que é perfeito dura para sempre.”

Suspirei, voltando a adquirir a postura séria. O inicio da conversa...A conversa onde entrava todo meu sofrimento e do meu ex-amigo. Foi ali que o inferno pessoal teve início e, mesmo sem que Isabella soubesse, aquele também foi o inicio do inferno pessoal dela.

“O que aconteceu?” – Perguntou curiosa se aproximando.

Isabella, que até então estava de pé, agora se sentou sobre a mesa de vidro da sala. Fazendo com que ficasse de frente para mim.

Senti minha respiração falhar. – Sua aproximação só piorava um pouco mais o meu nervosismo. Sim, ela conseguia me deixar nervoso. Porém, não era um nervosismo ruim, era algo bom. Eu não queria que ela saísse dali.

E mesmo querendo continuar com meus olhos fixos nela, voltei a encarar o ponto fixo do chão... O mesmo que eu observava a alguns minutos atrás. Olhar ele era como se eu estivesse falando sozinho, me dava coragem para expulsar todas as palavras para fora sem sentir vergonha ou dor por aquilo.

“Eu e Félix continuamos sendo grandes amigos quando fomos para a faculdade... Até nisso nós éramos parecidos, desde pequenos sempre dizíamos que iriamos nos formar em direito. Félix sempre dizia que seria um advogado renomado e de grande sucesso.” – Falei, lembrando-me perfeitamente de nossas conversas quando adolescentes.

“Parece que ele conseguiu isso não é mesmo?” – Um sorriso singelo, porém lindo, surgiu sob os lábios ainda contornados pelo batom que Bella usava.

Eu conhecia Isabella muito bem para saber que ela estava feliz pelo amigo. Procurei não dar atenção a aquele fato e decidi continuar contando sobre o passado.

“Félix conheceu uma garota... – Suspirei franzindo o cenho e procurando não transparecer meu incomodo. – Eu não sabia nada sobre a garota que ele estava namorando, Félix nunca havia me contado sobre ela, eles namoraram por um tempo enquanto ainda estávamos no início da faculdade. Eu nunca liguei para o fato do meu melhor amigo jamais ter me dito que estava em um relacionamento com alguém, naquela época eu estava mais focado em agradar Carlisle e ser o filho perfeito que ele sempre sonhou em ter – Debochei soltando um sorriso sarcástico. – Félix e a garota terminaram o namoro, só então eu soube do romance. Não fiquei chateado por não saber de nada, pelo contrário, eu ofereci o meu ombro amigo para o caso dele precisar, mas ele nunca precisou. Depois de alguns meses eu também conheci uma garota na faculdade, o nome dela era Kate.Naquela época eu acreditava que a melhor coisa foi tê-la conhecido, mas estava enganado...” – Desviei meus olhos do ponto fixo e encarei a morena a minha frente.

Ela estava séria, suas expressões não transpareciam nada. – Eu queria ter o poder ler sua mente, saber o que ela estava pensando, contudo, talvez não fosse a hora de saber aquilo.

“Eu e Kate namoramos por algum tempo... Na verdade foram quase dois anos. Nos conhecemos na faculdade através de amigos, mas ela também fazia grande parte das aulas comigo,então acabamos nos aproximando e nos conhecendo melhor. Demorei um tempo para apresentar Kate ao Félix... E não, antes que pense que isso foi por vingança por ele ter feito o mesmo comigo, essa opção nunca passou pela minha cabeça, eu nunca encontrava tempo com meu melhor amigo – Expliquei. – Desde que havia começado a sair com Kate, Félix se afastou de mim. Começou aos poucos, primeiro ele dizia que não podia sair tal dia porque a mãe necessitava dele para alguma coisa, outras vezes dizia que precisava estudar, mas nós sempre estudávamos juntos, não era aquilo. Até pensei que fosse ciúmes de melhor amigo, mas nada justificava as atitudes dele. Os dias iam se passando e, cada vez mais, eu ia vendo Félix se distanciando de mim. Cheguei a perguntar a ele várias vezes o que tinha de errado ou se eu havia feito algo de errado, e nada, Félix sempre respondia a mesma coisa, sempre dizendo que estava tudo bem e que era coisa da minha cabeça, mas não era.”

Suguei o ar e em seguida o soltei com força.

“Combinei com Félix uma semana antes para que nós nos encontrássemos em um restaurante perto do campus. Havia chegado o grande dia, finalmente consegui combinar de apresentar o meu melhor amigo para a minha namorada. E eles se conheceram. Foi tudo muito estranho. Kate aquele dia não parecia a jovem feliz e cheia de energia que sempre era. Ela estava abatida, chateada e incomodada com alguma coisa que eu não notei no momento. Félix também parecia desconfortável, entretanto, ele soube fingir melhor que ela. No dia eu não estava ciente das coisas que estavam acontecendo, estava feliz demais para notar algo de errado em um momento que para mim era perfeito. Kate e Félix agiram como se estivessem se conhecendo pela primeira vez, o encontro ocorreu perfeitamente bem, sem nenhum constrangimento.”

Burro. – Eu era um perfeito burro.

Kate e Félix fizeram-me de idiota o tempo todo, era isso que me deixava louco, PORRA! Eles eram as pessoas que eu mais confiava no mundo! Ele era meu amigo e ela a mulher que eu amava. – E mesmo me sentindo o pior dos idiotas do mundo eu continuei...

“Quando completamos um ano de namoro, Kate resolveu ter uma conversa comigo. Foi então que ela me disse que já conhecia Félix, e que eles já haviam ficado juntos antes dela me conhecer.”

Pela expressão de Isabella, ela estava confusa e no seu lugar eu também estaria.

“Qual foi a sua reação?” – Perguntou me analisando.

Me segurei para não sorrir com o seu ato de preocupação. – Isabella parecia estar em tal grau de concentração que sua postura era rígida, como se fosse uma profissional terapêutica.

“Eu agi normalmente – Respondi tranquilamente a sua pergunta. O que? Bella pensava que eu iria atrás de Félix com uma arma e atiraria nele? Claro que não. – Eu confiava em Kate. Confiava cegamente. Mais que em qualquer pessoa na vida. Quando ela disse a verdade e se abriu para mim, foi como se ela estivesse me dando o voto de confiança que eu precisava para me entregar de vez a nossa relação.”

Notei Isabella se mover desconfortável com algo.

“Algum problema?” – Perguntei olhando a sua volta.

“Nenhum. Continue.” – Exigiu.

“Não tivemos nenhuma briga e nenhum desentendimento – Continuei. – Conforme o tempo foi passando, Félix voltou a se relacionar comigo, e claro, com Kate. Os dois se tornaram grandes amigos. E foi isso que gerou ciúmes da minha parte. Um ciúme que eu jamais senti antes, me tornando uma pessoa desconhecida até para mim mesmo. Possessivo, ciumento, querendo sempre mostrar que Kate estava ao meu lado e que ela me pertencia. Ela não gostava daquilo. Não gostava do companheiro que eu estava me tornando. Kate sempre deixava claro que a relação entre ela e meu melhor amigo não passava de amizade, o namoro deles já havia acabado e que agora eram só amigos, nada mais. Porém, eu sabia que não era só isso, Kate ainda gostava dele, qualquer pessoa podia notar só pelo olhar dela para ele. Félix também tentou explicar que não passava de uma amizade. Ele até chegou a me dizer que o término do namoro foi por parte dele e que nunca teve ao menor intenção de reatar ou jogar contra mim.” – Expliquei.

“E onde entra Irina nisso tudo? – Isabella perguntou – Miranda disse que Irina e Kate eram irmãs, que ela é a mãe de Kate.”

“Sim, Miranda era a mãe de Kate, e claro, de Irina – Concordei. – Miranda, na época que eu namorava Kate, ainda não possuía nenhuma ligação com moda ou agências de publicidade, foi depois da morte da filha que ela decidiu ingressar nesse ramo em memória dela. Kate sempre foi apaixonada por moda, fotografia e tudo que envolvesse o mundo da publicidade. Alice às vezes me lembra ela na questão paixão pelo que faz, tirando isso, as duas são completamente diferentes uma da outra. Uma vez Kate mesma disse que, quando mais nova, queria ser modelo. Porém, o pai nunca aceitou tal coisa. A verdade era que Kate jamais quis ser advogada, o pai que a obrigava seguir um caminho que ela não queria.”

“Então depois da morte da filha, Miranda acreditou que seria um jeito de aliviar a consciência trabalhando no ramo que a filha sempre sonhou...” – Isabella concluiu.

“É o que eu acredito.” – Falei.

“Você traiu Kate com Irina?” – Isabella perguntou tensa.

Meus olhos se arregalaram com a pergunta. De onde Isabella tirou aquela história absurda?

Claro, por nossa causa. Quem faz uma vez faz sempre, não é isso que dizem por ai?

“É claro que não! Eu jamais faria isso.” – Respondi chateado por ela pensar aquilo.

Eu não poderia culpá-la por pensar aquilo. Eu havia feito isso com ela, porque não ter feito com Kate? Talvez fossem esses seus pensamentos e ela acabou ligando os pontos completamente diferentes da realidade. Apesar de saber que Bella tinha total direito de pensar aquilo, eu me senti machucado.

“Eu fui a única tonta.” – Murmurou baixinho.

“Isabella, por favor... – Fechei meus olhos com força – Deixe com que eu lhe explique tudo. Não tire conclusões precipitadas, por favor.” – Voltei a implorar.

“Tudo bem, me desculpe. Continue.”

“Eu não conhecia Irina até começar a frequentar a casa dos Denali. – Isabella franziu as sobrancelhas e eu já sabia qual era sua dúvida... Os nomes. – O nome deles não tem nada de “CondéNast”,isso é só um nome fictício – Continue. – A principio, eu acreditava que Irina fosse a irmã perfeita, a que se preocupava e estava sempre disposta a ajudar a irmã. Porém, as coisas começaram a mudar quando comecei a perceber que ela tinha segundas intenções com todo aquele seu lado meigo e doce, aquilo não passava de uma farsa que Kate até então nunca havia notado.” – Expliquei.

“E você acreditou naquela cobra.” – Falou descrente.

“Não, eu...”

“Eu não estou perguntando Edward, estou afirmando.” – Disse curta e grossa.

Dei-me por vencido, seria inútil discutir com ela. Isabella tinha razão, eu sempre me deixava levar pela boa lábia de Irina mesmo.

“Talvez você tenha razão.” – Concordei.

“Eu tenho toda razão! – Disse chateada – Você não fez nada para impedir que Irina se aproximasse?” – Perguntou parecendo não acreditar.

“Eu tentava! Eu a evitava ao máximo! Kate acreditava que a irmã nunca trairia sua confiança, mas depois de um tempo Kate percebeu quem era a irmã de verdade. As duas se afastaram. Era estranho e triste ver aquilo acontecendo, contudo, hoje vejo que talvez se Kate nunca tivesse voltado a ter contato com a irmã, talvez tudo pudesse ter sido diferente.”

“Um dia, quando estávamos a caminho da casa de Kate, foi que notei que ela estava estranha. Kate estava quieta, pensativa, séria e triste, cheguei a perguntar o que estava acontecendo e lhe pedi que compartilhasse o que quer que fosse comigo. Mas ela não quis falar nada. A única coisa que ela disse foi que estava assim por culpa das aulas que estavam chegando ao fim, foi estranho, principalmente quando Kate segurou meu rosto e olhou dentro dos olhos, tão profundamente como eu jamais a tinha visto fazer antes, ela pediu para que guardasse em minha mente que ela me adorava e que eu tinha sido a melhor coisa em sua vida. Era como se Kate estivesse se despedindo de mim, ela parecia culpada por algo, o clima não estava nada normal e nada parecia colaborar, até o tempo estava nublado e chuvoso, deixando tudo ainda mais sombrio. Quando chegamos em sua casa, ela pediu para que eu a esperasse ao lado de fora enquanto ia buscar alguns papéis que o professor havia pedindo para que ela me entregasse, eu concordei. E foi então que Irina se aproximou. Ela sempre esperava a oportunidade perfeita para se aproximar, era só a irmã dar as costas que ela aparecia, Irina não perdia uma oportunidade. Ela não parecia ter intenções de provocação naquele dia, mas sua conversa começou a tomar uma direção um tanto quanto louca, dizendo para que eu abrisse meus olhos, porque se demorasse muito, eu não conseguiria mais passar pela porta.”

Soltei uma risada. Se não fosse trágico, seria cômico, até Kate percebia o que sempre esteve embaixo do meu nariz e eu não.

“Irina disse que Kate estava se encontrando com Félix sem que eu soubesse e que isso já fazia um mês. Então o que tinha desaparecido voltou com força total. Eu fiquei furioso por saber aquilo por Irina e não pela própria Kate. Irina também completou dizendo que a irmã andava chorando muito sem qualquer motivo, até cheguei a cogitar que podia ser por minha culpa ou de Félix, mas não era. Quando Kate voltou, Irina se afastou, foi então que perguntei a ela sobre o que a irmã havia me dito.”

“E Kate te explicou sobre isso?” – Isabella Perguntou desconfiada.

“Só que havia saído mesmo com Félix para fazerem alguns trabalhos na casa dele, ela jurou que não havia me dito antes por medo da minha reação. Perguntei-lhe o motivo dela andar chorando e notei que ela ficou bastante nervosa, até xingou Irina, coisa que ela nunca costumava fazer. Lhe disse que se Félix a tivesse ferido com palavras ou com alguma atitude eu acabaria com ele, contudo a reação dela me surpreendeu, Kate foi explosiva e em meio a gritos ela dizia que Félix não tinha feito nada que ela não tivesse deixado que fizesse – Fechei meus olhos com força lembrando-me claramente da cena. – Eu desconfiei do duplo sentido e perguntei o que aquilo significava, ela gaguejou dizendo que não era nada. Essa era sempre a sua resposta, sempre era nada. Me senti culpado por dias por ter desconfiado dela e me desculpei várias e várias vezes com medo de perdê-la.”

“Eu sinto muito.”

A morena a minha frente sussurrou parecendo ter pena.

“Não sinta – Respondi firme. – Eu também sentia, mas hoje não sinto mais.”

Isabella abaixou a cabeça encarando as próprias mãos e depois olhou diretamente para mim.

“E Félix?” – Questionou.

“Bem, naquele mesmo dia, logo depois do nosso desentendimento, Kate me disse que Félix estava começando a seguir a vida dele... Agora entendo um pouco dela ter me dito aquilo, de certo ela queria ativar meu desconfiômetro. Kate me disse que Félix estava conhecendo uma garota do nosso antigo colégio. Ela também disse que a garota era muito bonita. Cheguei a perguntar se era sério e até brinquei que jamais imaginei que Félix estaria se envolvendo com uma menor de idade, ela esclareceu que eles não estavam namorando, somente se conhecendo e trocando algumas mensagens.” – Senti Isabella ficar tensa.

Encarei-a. – Ela sabia de quem eu estava falando.

“Era eu... – Concluiu – Era eu a garota que Kate achava que estava se envolvendo com Félix?” – Perguntou querendo ter certeza sobre o fato um tanto quanto claro.

“Sim.” – Confirmei.

“Eu... Meu Deus! Jamais me interessei por Félix e tampouco ele por mim. Félix nunca passou de um amigo para mim. Diversas vezes nós conversamos e acabei me tornando confidente dele, era pra mim que ele contava as coisas boas e más da vida dele.” – Explicou perplexa.

“Você acabou se tornando o que eu era pra ele.”

“Eu jamais quis ou tive a intenção de roubar o lugar de ninguém.” – Falou.

“E você não fez isso!”

“Eu não posso imaginar que...” – Parou de dizer no meio da frase.

Isabella se levantou da mesa e começou a andar pela sala parecendo torturada, estava perdida demais tentando assimilar em sua cabeça tudo o que tinha acabado de ouvir de mim.

“Eu jamais imaginei que Kate chegou a me conhecer.” – Disse como se estivesse em uma conversa com ela mesma.

“Ela nunca me disse que lhe conheceu, somente que já a tinha visto.” – Esclareci sua dúvida, mesmo sabendo que talvez não fosse comigo que ela tivesse falado antes.

“Era Kate a garota que Félix se referia quando dizia que estava apaixonado. Era sobre ela que Félix se referia quando dizia que a amada estava enganando aos dois, a ele e ao amigo.” – Disse ainda parecendo perdida e transtornada.

“Félix sempre soube da verdade, Bella. Ele era meu amigo, meu melhor amigo. Ele não podia ter feito o que fez, eu confiava nele, certo ou errado eu confiava nele.”

“Você era o amigo que ele tanto se referia. Era você!” – Falou, reforçando o final.

“Provavelmente.” – Lhe respondi.

Ela negou com a cabeça como se não acreditasse em tudo que estava ouvindo.

“Félix não foi o único culpado, Edward. Kate também teve sua parcela de culpa.”

“Eu sei que teve! Os dois tiveram!” – Concordei.

Não era uma coisa que eu gostava de pensar na época, mas agora eu sabia, tive bastante tempo para isso.

“O que aconteceu quando Kate contou que estava grávida?” – Indagou Isabella.

Encarei-a franzindo o cenho e me perguntando como ela sabia sobre aquele assunto.

“Félix me contou sobre a gravidez... – A voz dela estava embargada – Ele me dizia que estava se sentindo mal por estar enganado o melhor amigo, mas jamais pensei que esse amigo fosse você.”

“Fiquei completamente surpreso. Nós transamos somente uma vez e com proteção. Porém, quando Kate disse que estava grávida, foi a melhor notícia que eu já recebi na vida. A melhor. Eu nunca me senti tão feliz na minha vida, Isabella. Eu era muito novo, nós dois éramos jovens, porém era um filho. Um filho nosso! Um filho da mulher que eu amava e estava disposto a construir uma família com ela. Quando Kate me contou sobre a gravidez só faltaram os fogos de artificio para completar a festa, contei para todos da minha família, Esme ficou surpresa pela notícia repentina, Carlisle, como sempre, foi severo, porém eu sabia que ele estava feliz por ter o primeiro neto, Rosalie também ficou radiante por ser tia. Mas tudo não era tão feliz quanto eu imaginava que era... Talvez tivesse sido mais fácil superar tudo se Kate tivesse sido sincera comigo no dia em que eu lhe perguntei sobre seus choros – Balancei a cabeça negando. – Mas ela não foi. Fui eu a ir até a maldita universidade por conta própria e a ouvir confessando tudo àquilo que a irmã um dia antes havia me dito. Aquele foi o pior momento da minha vida. Era como se o mundo girasse, como se alguém tivesse tirado o chão debaixo dos meus pés. Simplesmente surtei. Kate e Félix ainda não haviam percebido a minha aproximação, porém, quando Kate me avistou ela ficou pálida e completamente sem reação. A mesma coisa aconteceu com Félix...” – As lembranças daquele dia voltaram vivas o bastante em minha cabeça...

[Flashback On]

Lá estava eu outra vez caindo nas mentiras criadas por Irina, quando será que ela aprenderia e tomaria vergonha na cara? Talvez nunca, essa era a resposta. Tonto! Quem mandou dar ouvidos a uma maluca que gosta de inventar coisas maldosas sobre a irmã mais nova? Agora eu estava ali, parado no meio de um corredor frio e vazio da universidade. Nenhuma alma sequer passava por ali, estava tudo em silêncio e um pouco escuro. Os alunos já haviam sido dispensados e até os professores já haviam ido embora.

O que eu estava fazendo ali? Boa pergunta. Porém, Irina tinha me dito que a irmã iria ter outro encontro com o amiguinho e talvez fosse melhor eu estar presente. – Seu tom sínico ao telefone mexia comigo e fazia com que eu agisse por impulso. Quando Irina disse que Kate encontraria Félix ali, pensei em ignorá-la, mas fiquei curioso o bastante para seguir os conselhos da loira e vir atrás deles. Contudo, parece que não havia nada, ninguém estava ali.

Permaneci parado ali por cerca de trinta minutos. Trinta minutos do meu tempo jogado no lixo. Eu mataria Irina, com certeza eu a mataria com minhas próprias mãos, tanto por ter inventado mentiras com o nome da irmã, quanto por ter me feito perder meu tempo estando ali.

Porém, quando estava prestes a pegar minha mochila e seguir para fora da universidade, um ruído chamou minha atenção. Eram vozes de duas pessoas, um homem e uma mulher. A conversa vinha do corredor que ficava a direita do que eu estava, então decidi ir até a ponta e ver quem estava ali. Enquanto eu me aproximava, as vozes ficavam mais audíveis e podia ser notado que estavam discutindo, ambos estavam alterados, tive a certeza que eram eles, Irina não estava tão errada como eu imaginava.

“Você não pode fazer isso Kate!”

Félix a puxou pelo braço, fazendo com que o corpo da mulher parasse onde estava e ela o encarasse.

“Não posso fazer o que? – Perguntou irritada – Você não tem nada mais comigo Félix, vá cuidar da sua vida e da sua nova namoradinha pirralha.”

“Eu e ela não temos nada! Isabella é minha amiga, eu já disse isso pra você mais de mil vezes, será que é tão difícil assim entender?” – Indagou sério e chateado.

“Félix, apenas me deixa em paz, por favor.” – Kate pediu parecendo exausta e vencida pelo cansaço.

De quem eles estavam falando? Seria algo relacionado à namorada de Félix? Mas porque Kate parecia tão abalada e chateada com aquilo.

“Eu não vou deixar você em paz enquanto não contar a verdade para o Edward.” – Félix falou determinado.

Me contar a verdade? Se antes a curiosidade era grande, agora ela havia me vencido. Que verdade seria aquela que Félix exigia que Kate me contasse? Ela parecia perturbada, era perceptível pelas suas ações de nervosismo, ela não conseguia manter-se quieta no lugar.

Permaneci em silêncio e ainda no mesmo corredor de antes, onde nenhum dos dois pudesse me ver. Estava disposto a saber do que toda aquela conversa se tratava e o motivo real de Irina ter me dito para vir aqui hoje.

“Shhh! Está ficando maluco! – Kate alterou a voz e sussurrou a última parte. – Quer que todo mundo descubra? — Sussurrou irritada. – Félix, por Deus, se meus pais souberem disso eles vão me matar, o que será de mim se a escola toda fica sabendo que…” – Ela foi impedida de terminar, pois Félix a impediu.

“Que esse filho que está dentro de você é na verdade meu! É esse seu medo?”

Meu coração parou.

Minha respiração falhou.

Meu mundo caiu sobre minha cabeça.

Eu não conseguia respirar, pensar e sequer me mover.

Chocado. Eu estava destroçado.

O que estava acontecendo? Aquilo só poderia ser um engano, ou melhor, uma pegadinha de mau gosto – Resolvi não intervir para ouvir o restante da conversa. Porém, as palavras que eu ouvi a seguir saírem da própria boca da mulher que eu amava me mataram.

“Félix você sabe que eu te amo, Meu Deus, eu te amo muito.”

Ela o amava!

Kate nunca, em todo esse tempo de namoro, jamais disse aquelas palavras para mim.

“Eu estou tão confusa, eu… Eu estou com a consciência pesada por estar enganado Edward. Ele não merece isso.” – Disse com a voz chorosa.

Fechei meus olhos com força depois de ouvi-la dizendo aquilo, e cheguei à conclusão que não era uma brincadeira de mau gosto, era verdade, real... Um inferno.

“Ele não merece isso...”.

“Ele não merece isso...”

“Ele não merece isso...”

E apenas agora ela pensa isso? – Debochei – Tarde demais querida Kate. – Pensei.

“Então diga a verdade a ele... A para todos.” – Félix murmurou.

“E dizer o que? Que eu e você saímos para estudar e acabamos transando?Que eu engravidei e me deitei com meu atual namorado só para dizer que o filho era dele?”

“Você sabe que essa é a verdade.” – Meu melhor amigo a acusou.

Por Deus, aquilo era sujo! Era nojento! Eu estava enjoado de ouvir aquilo.

“Eu sei droga! Mas Edward não precisa saber! Eu não quero que ninguém saiba” – Determinou.

Tarde demais.

[FlashbackOFF]

Isabella encontrava-se ainda de pé, parada a uma distância segura e seus olhos continham lágrimas presas e prestes a cair.

“Eu surtei – sussurrei.– Nenhuma vez bati no meu melhor amigo, e aquela foi a primeira vez. Queria jogar na cara deles o quanto ambos foram baixos, nojentos e mentirosos, Kate tentava me acalmar, pedia para que eu a ouvisse e que a deixasse explicar. Porém, explicar o que? O quanto eles me fizeram de otário? Como ela queria me enganar para assumir o filho de outro? Eu não queria ouvir nada, principalmente vindo dela. Eu não tinha mais o que ouvir de nenhum deles. Dei-lhe as costas e sai daquele lugar o mais rápido que pude, ainda pude ouvir Kate dizer que iria atrás de mim e que não podia me deixar dirigir do jeito que eu estava. Mas tudo o que eu queria era ficar sozinho e longe dos dois. – Continuei – Conduzi o carro completamente alterado pelas ruas de NY, estava anoitecendo e o trânsito não estava muito movimentado, foi quando por uma má sorte do destino, atravessei um sinal amarelo, não percebi que estava sendo seguido pelo carro de Kate. No minuto seguinte somente pude ouvir um grande estrondo. – Aquele foi um dos piores momentos da minha vida. – Em um momento eu estava dirigindo e no outro estava saindo do carro às pressas e indo até o veículo já conhecido por mim. – Aquela altura, Isabella já não era capaz de conter as lágrimas e muito menos eu. – Quando me aproximei, Kate já havia partido, ela já não estava entre nós. – As imagens pareciam passar na minha frente como um flash doloroso – Eu vi seu rosto ensanguentado e seu corpo sem vida sobre o volante, aquilo foi ainda pior do que eu já estava sentindo.O dia era 13 de setembro, aquela data ficaria gravada pra sempre na minha memória.”

Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

Não senti quando Isabella se aproximou e sentou-se ao meu lado, somente notei quando senti suas mãos tocarem as minhas.

“Eu a matei.” – Murmurei olhando dentro dos olhos castanhos.

“Não repita isso! Por favor, não diga besteiras! Você não a matou, foi um acidente. Ninguém podia adivinhar que o sinal fecharia no momento que ela passasse. Kate também teria que ter parado no sinal vermelho.”

“Esse é o fato Isabella, ela tentou. Kate tentou parar o carro! Os peritos disseram que os freios do veículo não pegaram na hora pela pista estar escorregadia e chegaram à conclusão que eles pararam de funcionar.”

“Mesmo assim, não foi sua culpa.” – Pronunciou em um sussurro.

“Eu fiquei possesso, Isabella. Depois da morte dela eu me fechei em uma bolha, uma bolha que ninguém entrava. Dentro de mim ainda existia ódio, um ódio por Félix. E então eu me lembrei das palavras de Kate, do dia que ela havia me dito que ele estava conhecendo uma garota.”

“Você se aproximou de mim para se vingar de Félix?” – Perguntou, mas não parecia surpresa.

“No inicio sim. Queria que Félix sentisse a mesma coisa que senti, queria que sentisse e provasse do próprio veneno, como era ser traído pelas costas.”

“Você acreditava que eu e ele tivéssemos algo.”

Assenti.

“Jamais tive nada com ele a não ser amizade – voltou a explicar. – Mesmo assim, nossa amizade se perdeu e nada foi como antes depois que comecei a ficar com você.” – Falou.

“Na época eu pensava que ele era um caso seu ou algum ex-namorado, eu sabia que vocês não estavam juntos, mas que ele se encontrava com você uma vez ou outra. Comecei com você crendo nisso, depois tudo mudou... Eu estava mudando... Mudando por você.”

Voltei a encará-la e dessa vez sendo verdadeiro como jamais tinha sido antes.

“Parece confuso, eu sei. Porém, depois de um ano que estávamos juntos como namorados, eu entendi que não estava com você por Félix, eu estava porque gostava de você.” – Confessei.

“Se gostava de mim porque fez tudo o que fez Edward? Você me traia da forma mais baixa que existia. Você levou aquela vagabunda para nossa casa, a casa que também era minha, onde nós vivíamos, e pior, você dormiu com ela na cama que dormia comigo.”

Ver Isabella jogando todas aquelas coisas na minha cara, era como se estivesse levando um soco na cara a cada frase dita por ela.

“Edward, você tem ideia de quantas vezes me magoou com palavras? – Perguntou. Eu via em seus olhos toda dor e sofrimento que causei, me lembrando de todas as vezes que disse palavras duras e severas a ela. – Você me rebaixava e me fazia sentir a pior mulher do mundo. E depois que veio a gravidez, ficou ainda pior. – Continuou – Eu estava frágil, sozinha, sem um pai ou uma mãe para me dar apoio ou me ajudar, não podia trabalhar porque ninguém daria emprego a uma mulher grávida. Sabe quantas vezes eu senti vontade de sumir? Desaparecer? Sabe quantas vezes as palavras de Charlie passavam na minha cabeça quando ele disse que eu era uma vadia como Renée foi? Ouvir essas palavras vindas do meu próprio pai foi doloroso demais – Pausou. – Era sua filha. – Murmurou se referindo a Renesmee. – A filha que você nunca sequer chegou a ir em uma consulta ou perguntar como estava.” – Isabella desabafou alterada.

Era a primeira vez que eu a via tão verdadeira, expondo o que sentia e pensava. E o pior, eu podia sentir toda dor que a causei. Era eu o culpado de tudo aquilo, todo aquele inferno.

“Eu só quero saber o porquê disso. Porque você fez isso se disse que me amava? – Perguntou – Por Félix? Por Kate? Por Irina? Valeu a pena ter jogado toda nossa vida no lixo?”

Neguei com a cabeça. – Jamais tinha valido a pena.

“Você não entende...” – Murmurei.

“Então me expliquei!” – Clamou.

“Irina...”

Isabella bateu as mãos sobre as coxas expondo seu nervosismo e se levantando em seguida.

“Irina! Sempre a maldita Irina.” – Declarou raivosa.

“Por favor, Bella, não grite. – Pedi — Você vai acordar Renesmee, se quiser eu vou embora, mas não a acorde.”

Se nossa filha acordasse as coisas ficariam piores, ela não tinha culpa e provavelmente estava exausta por não ter passado bem o dia todo.

“Ok me desculpa. Continue.” – Voltou a pedir novamente e se controlando.

Soltei um longo suspiro carregado de tensão.

“Depois do ocorrido com Katie, Irina se tornou uma amiga pra mim.”

Isabella soltou uma gargalhada alta cheia de sarcasmo.

“Amiga? Faça-me o favor.”

“Entenda, foi Irina a me contar a verdade que a irmã escondia de mim. Foi ela que me jogou naquela sinuca, me alertou e disse para que eu fosse naquela universidade atrás de Kate. Depois de tudo, eu acabei acreditando nela e depositando a minha confiança nela, pensando que ela só queria me ajudar.”

Isabella concordou mordendo o lábio inferior ainda chateada.

“E o que tudo isso tem com a gente?” – Perguntou dura.

“Quando estávamos juntos Irina dizia que a intenção de Félix com você era as mesmas que ele tinha com Kate. Eu passei a ter ciúmes e ficava pensando sobre aquilo, o ciúme atrai a insegurança e por insegurança deixei me levar pelos consolos e palavras de Irina. Como disse, eu acreditava que tudo que eu fazia era por vingança, pelo menos eu queria me convencer que era aquilo. Não queria abrir mão de tudo e dizer que estava realmente apaixonado por você.”

Passei as mãos no cabelo o deixando mais bagunçado que já era. – Eu queria que aquilo acabasse. Queria que tudo aquilo nunca tivesse acontecido e que eu pudesse concertar todos os danos que eu havia feito e dito. Porém, a cada segundo parecia mais difícil e mais distante daquilo acontecer.

Lembrei-me das palavras ditas por Bella a poucos instantes atrás, sobre ter levado Irina a nossa antiga casa. – Aquele foi o erro mais absurdo que um ser humano poderia ter feito na terra.

“Eu não me lembro de como fui parar com Irina naquela casa. Lembro somente que estava em um bar com algumas pessoas e depois sentir as coisas girando ao meu redor.” – Comentei torturado tentando lembrar mais coisas daquele dia, mas nada vinha a mente.

Era verdade, eu não me lembrava dos detalhes daquela noite. Eu nem ao menos sabia onde Isabella estava aquele dia, só lembro que pedi Irina para me levar para casa e nada mais. Quando despertei no outro dia, a loira estava nua ao meu lado e dizia que havíamos transado ali. Na minha cama. Na cama de Isabella. Na nossa cama.

“Eu me senti mal, Isabella. Porém, não dei importância por querer mentir a mim mesmo, que não sentia nada.” – Expliquei.

Era baixo, eu consegui ser mais baixo que Kate e Félix juntos.

“Isso me dá enjoou.” – Exclamou com o rosto contorcido em puro asco.

“Eu não a julgo porque também sentiria isso se estivesse no seu lugar... Na verdade eu sinto nojo de mim mesmo por aquilo – Falei. – Depois que você assinou o divórcio foi como se tudo tivesse perdido o sentido – murmurei. – Confesso que me senti feliz no início, finalmente você estava livre de mim. Mas não era aquilo que eu queria, no fundo não era. – Continuei – Fomos obrigados a casar cedo demais por um erro cometido por nós dois, Isabella. Eu tinha acabado de terminar a faculdade, tinha planos, queria mostrar a Carlisle que era bom o bastante para não ser o capacho dele, mas ai tudo veio como uma bomba e explodiu no meu colo... Você estava grávida. Outra irresponsabilidade cometida por mim, um prato cheio para que Carlisle infernizasse ainda mais minha vida.”

“Você acha que foi só você que abriu mão das coisas? – Perguntou incrédula – Não foi só você que teve a vida acabada, Cullen. Eu não fui para a faculdade, fui expulsa de casa pelo meu próprio pai, estava terminando o colegial e ainda suportava uma relação que, por ser cega demais, acreditava que podia virar amor.”

“E mesmo com tudo isso você ainda foi mais forte que eu!” – Proclamei vencido.

“Sim, eu fui! Fui porque a partir do momento que eu li “positivo” naquela folha de papel eu jurei que não viveria só por mim, mas pelo meu filho também.” – Disse.

“Você sempre foi mais adulta e responsável que sua idade demostrava.” – Constatei.

Isabella sempre havia sido uma garota incrível. Desde que a conheci, ela sempre era a melhor aluna, tirava notas altíssimas e recebia elogios de todos a sua volta, não somente pelas notas boas, mas também pela pessoa que ela era. Uma garota que na época tinha tão pouca idade e que já se mostrava madura e uma mulher incrível. Simpática, bem educada, esforçada, uma ótima filha, bom exemplo, amiga, conselheira e que tinha sonhos.

Levantei do sofá que até então eu estava sentado e me aproximando dela.

“Por favor, Isabella, acredite quando eu lhe digo que eu não sou mais aquele homem que você conheceu. – Implorei. – Eu não sou mais aquele Edward que foi um estúpido por não ver a mulher maravilhosa que estava bem a minha frente. Eu não sou mais o imbecil influenciado por palavras de outras pessoas, eu mudei. Eu mudei pelo amor que eu sinto por Renesmee, pelo amor que eu sinto por você! Por você, Isabella, eu me tornei outra pessoa! – Admiti. – Então, por favor, me dê uma chance de te provar que isso é verdadeiro, que meu amor por vocês é verdadeiro e que eu posso ser merecedor do seu amor. Dê uma chance para nós dois, por favor.” – Clamei.

Ela parecia receosa e em duvida. Seu olhar estava perdido e confuso.

Eu odiava vê-la daquela maneira, queria poder abraçá-la e dizer que estava tudo bem e que ficaria tudo bem. Queria protegê-las e mostrar tudo o que eu não pude mostrar antes... Mas esse era o problema: Querer não é poder.

Sem me importar se Isabella se afastaria de mim ou não, se bateria em mim ou não, ousei segurar seu rosto entre minhas mãos e nos aproximar mais do que o permitido. – Queria que ela olhasse nos meus olhos e visse dentro deles que eu estava sendo sincero e seria capaz de qualquer coisa para provar.

“Eu sei que nada do que eu disser vai mudar as coisas que fiz e disse a você. Nenhum pedido de perdão será o suficiente para que você volte a confiar em mim. Mas por favor, jamais pense que nunca amei você, ou que você é uma “tonta”. – Usei suas próprias palavras para expressar o que eu não queria que ela pensasse sobre ela mesma. – Você nem imagina quanta saudade eu sinto de você! Sinto demais a sua falta e me arrependo por ter causado tantas discussões desnecessárias e por motivos fúteis. Você deve imaginar o quanto é difícil para mim estar aqui agora lhe dizendo todas essas coisas das quais eu nunca disse a ninguém, como jamais me abri para pessoa alguma. Quando você foi embora me lembrei de várias coisas que aconteceram anos atrás. Naquela noite que lhe dei o nosso primeiro beijo. – Murmurei com os nossos rostos próximos um do outro. Eu podia sentir sua respiração quente contra meu rosto e, provavelmente, ela também podia sentir a minha. – Lembro das conversas que tivemos quando sem perceber você me iluminava. No dia que você cuidou de mim enquanto estava doente, e principalmente, do dia que você me disse que estava esperando um filho meu. Sei que minha reação não foi de nada o que você esperava, mas por trás daquele imbecil existia um homem realizado e transbordando de felicidade. Você me deu o maior presente que um homem pode ter, uma filha. Uma filha linda e perfeita. Assim como sempre sonhei. – Sorri feliz, ainda mantendo nossos rostos próximos e olhos conectados um aos outro. Sentia as lágrimas nos meus olhos, porém, não queria que elas caíssem, estávamos conectados o bastante para que ela pudesse sentir tudo o que se passava em mim. Verde e castanho, a combinação perfeita. – Nosso casamento não foi planejado, não estava nos nossos planos meu pai forçar tanto algo que nós dois não queríamos. Porém, mesmo assim você foi guerreira o bastante para encarar as responsabilidades e assumir seus próprios atos. No início eu pensava que o que eu sentia por você era o suficiente e nada comparado ao que eu sentia por ela, — Me referi a Kate sem dizer seu nome – mas você provou ao contrário, e cada dia que se passava eu tentava me convencer que não estava apaixonado por você. A cada dia que você mostrava-se determinada e forte meu amor por você aumentava. A sua presença trás paz ao meu espirito, e saber que chegarei ao final do dia e vou poder conversar com você e ter minha filha em meus braços, isso me faz sentir mais vivo, feliz e com desejo de acordar no outro dia para viver tudo de novo, sem me preocupar com rotina, porque eu sei que nada será igual. Viver sem vocês deixa o meu mundo cinzento e o meu coração despedaçado, incompleto. Pense nas minhas palavras. – Declarei e continuei – “Eu não estou lhe pedindo uma resposta, mas, por favor, vamos nos perdoar amor.” – Falei.

Aquela era a segunda vez que me referia a ela daquela maneira, a primeira foi quando estávamos perdidos no corpo um do outro, repletos de amor e prazer. Naquela noite em meu quarto nós não fizemos sexo e sim amor! O mais puro e verdadeiro amor! A prova disso estava a poucos metros de nós, onde algumas paredes e uma porta nos separavam... Nossa filha.

Agora cabia a ela, Isabella, acreditar em minhas palavras ou não.

Notas finais
Boa noite meninas! Demorei, mas voltei. Esse capítulo me deu uma canseira, Deus é justo! SOBRE A FIC: Bem, agora acho que esclareci muitas questões nesse capítulo né? Principalmente o motivo do Edward ter sido tão babaca com nossa Bella. Vamos combinar que Félix foi um babaca e Kate também, eu quis matar eles na minha cabeça... Se bem que eu matei uma... KKKKKKKKK (BichaMá). Bem, cabe agora a Bella tomar decisões e acho que nosso Edward não vai gostar nem um pouco delas. Vejo vocês nos próximos capítulos ♥. OBS: Tenho uma noticia boa! A fic já tem rumo para ser finalizada, não está tão longe, mas agora cada capítulo terá uma emoção diferente. Bjs.