CAPÍTULO ANTERIOR

Lá estava ele, parado de costas, sem camisa e segurando a filha em um dos braços, enquanto o outro segurava uma mamadeira. As mãozinhas de Nessie estavam sobre a dele, como se quisesse ajudar a segurar o objeto, era possível ver suas perninhas movendo-se no ar, como se estivessem esfregando uma nas outras. Edward conversava com ela baixinho, como se fosse alguma conversa que só os dois pudessem escutar. Eu tentei compreender, mas era impossível, constatei que ele estava falando em outro idioma... Em francês. Edward estava falando em francês com minha filha, eu só não sabia o que ele falava.

Continua...

Capítulo 39

[Pov Edward]

Ela era tão pequena e frágil. A pessoa mais linda que eu já tinha visto... Isso, claro, além da mãe dela.

Eu estava começando a chegar à conclusão que talvez Emmett estivesse certo, eu estava me tornando um “Mané”. Nem eu me reconhecia mais. Mas foi agora, segurando minha filha nos braços e brincando com ela que tive a certeza de que eu não conseguiria mais viver sem Renesmee.

Aquela foi a primeira vez que vi Nessie sorrindo. Talvez ela já tivesse feito isso com a mãe outras vezes, mas agora ela fez pra mim, um simples gesto que fez com que meu dia ficasse mais alegre, como uma pessoa que ganhou um prêmio na loteria.
Vê-la alegre me deixava alegre e vê-la triste me deixava triste, aquelas eram as coisas que eu não conseguia identificar ainda, nem explicar, porém, eu tinha certeza do sentimento que já havia criado por ela, era um sentimento muito forte.

Estávamos em uma bolha só nossa, uma bolha que nunca estive com ninguém. E foi naquele momento que pela primeira vez eu expus o que sentia para ela, minha filha.

“Quand je t'ai vu dans mes bras, c'était comme si j'avais le monde entre eux. Tu es tout pour moi, ma princesse.”

***Tradução:Quando eu vi você em meus braços, era como se eu tivesse o mundo entre eles. Você é tudo para mim, minha princesa.***

[POV Bella]

Continuei parada observando por alguns segundos aquela cena.

Tentei ser o mais silenciosa possível para não assustá-los. Aquela era a primeira vez que os via em um momento tão pai e filha.
Renesmee parecia tão bem que me perguntei se os métodos que Esme vinha ensinando Edward estavam realmente funcionando, pois bem, pela cena a minha frente parece que eu já tinha minha resposta.

Eles ainda estavam virados de costas, estavam alheios a tudo e a todos ao redor. Eu não queria tirar aquele momento deles, mas teria que atrapalhar, porque Ângela já estava nos esperando no carro e ela não poderia se atrasar ou perder o horário do voo por minha culpa.

Aproximei-me com cautela e pensei em algo rápido para chamar a atenção deles sem assustar.

“Você não deveria deixar a porta aberta, isso pode ser perigoso.” – Comentei e Edward se virou rápido, ficando agora cara a cara comigo.

Mesmo tendo usado a voz mais serena possível, o susto ainda pareceu ter pegado ele desprevenido. Edward estava branco, mais branco do que já era, se é que aquilo fosse possível. Dei graças a Deus por ele ter boa coordenação e um bom equilíbrio, a última coisa da qual eu precisava era parar em um hospital com Renesmee naquele momento.

“Você me assustou.” – Disse ele tentando se recuperar.

“Desculpa, eu não queria assustar vocês. A porta estava aberta e, eu acabei não resistindo e entrando. – Corei por me dar conta da indelicadeza que cometi – O apartamento estava silencioso e por um instante pensei que todos tivessem saído.”

“Não precisa se desculpar. Emmett ou Esme não devem ter fechado a porta direito, isso acontece com frequência, tenho que trocar essa fechadura mald... – Cortou a fala – Deixa pra lá.” — Assenti, ele se controlou para não falar palavrão na frente de Nessie, isso era bom. – Aproveite para aproximar um pouco deles.

“Parece que ela dormiu.”

“Depois de ter me dado um banho de vômito, e passar a tarde toda vendo desenho, nada mais justo que ela dormir.” – Notei que ele sorriu fracamente.

“Ela vomitou em você?” – Perguntei descrente e tentei me controlar para não rir da desgraça alheia.

“Um pequeno acidente causado por minha culpa, eu não devia ter sacudido ela tanto depois dela ter mamado.” – Explicou-se ainda olhando para Nessie com carinho.

“Precisamos ir. Ângela está me esperando impaciente no carro lá embaixo, ela vai viajar e nem ao menos arrumou as malas ainda.”

Edward levantou os olhos de Nessie e me encarou.

“Pode segurá-la pra que eu possa ir lá dentro colocar uma roupa? Aproveito e trago a bolsa com os pertences dela.” – Ele disse se aproximando.

No primeiro instante hesitei. Mas só quando ele se aproximou que me dei conta da merda que estava fazendo.

Edward já havia se aproximado. Aproximado até demais. Por um instante pude sentir o perfume... Era o mesmo perfume que no passado me atormentava e me fascinava, o mesmo cheiro. O cheiro que só ele tinha, um que há muito tempo eu não sentia, e o pior, aquele cheiro estava mexendo comigo de novo.

Eu jurava que podia sentir o sangue correndo rápido pelas minhas veias, talvez eu até estivesse corando... Isso piorava ainda mais as coisas.

Edward parou a alguns centímetros de mim, se inclinando em seguida.
Nossos rostos ficaram muito próximos. Tão próximos que eu podia sentir a sua respiração quente contra a minha bochecha. – Senti minha respiração falhar com tanta proximidade. – Senti Renesmee sendo colocada em meus braços com cuidado e aquilo fez com que nossos braços se tocassem. Edward pareceu perceber a mesma coisa, pude notar quando a pele do seu braço se arrepiou e ele tentar, sem sucesso, disfarçar aquilo.

Apesar da proximidade e a bolha que se criou a nossa volta, foi Edward a desviar os olhos e cortar aquela ligação. Antes, porém, pude ver que ele engoliu em seco só então fechou os olhos com força e se afastou, sumindo em seguida pelo grande corredor que ligava os ambientes do apartamento.

Tudo aquilo era estranho. Edward quando estávamos casados, nunca ligou para mim e tão pouco para meus sentimentos, mas agora ele parecia querer fazer acender tudo o que ele mesmo havia apagado. Ele me confundia, com palavras e com atitudes, e tudo pareceu piorar quando a aproximação dele e Renesmee foram se estabelecendo. Agora Edward parecia outra pessoa. Um novo homem... Ou talvez pudesse ser só mais um engano meu, ou outro teatro criado por ele.

Caminhei devagar até voltar para a sala do apartamento e esperei que Edward voltasse. E não foi preciso esperar muito para aquilo acontecer, logo ele já estava de volta.

Eu não podia negar que Edward era uma tentação para qualquer mulher. Ele era realmente bonito, e ficava ainda mais bonito quando estava em trajes formais como as que estavam agora, vestindo uma calça jeans escura, uma camiseta polo azul marinho e um tênis, nada parecido com aquele executivo que vivia dando ordens para cima e para baixo com o temperamento do cão.

“Vamos?”

“O que?” – Perguntei confusa.

Droga! Eu estava tão distraída o analisando que mal percebi o que ele havia dito.

“Você disse que Ângela estava te esperando lá embaixo e que estava com pressa.”

“Ah, sim, verdade!” – Corei.

Era a segunda vez só aquele dia e olha que nem foi preciso muitas horas para acontecer.

“Não precisa se incomodar, eu posso muito bem ir sozinha até lá.” – Tentei puxar a bolsa de Nessie das mãos dele, mas ele relutou.

“Faço questão. Além disso, quero parabenizar Ângela pela gravidez.” – Sorriu.

“Tudo bem” – Murmurei.

Essa foi a minha única resposta. A única que fui capaz de lhe dar naquele momento. Talvez fosse uma atitude imatura da minha parte, mas não gostei nem um pouco daquilo. Desde quando Edward parabeniza alguém por uma gravidez?

Passei por ele carregando Nessie enquanto ele tratava de fechar a porta e carregar a bolsa de bebê dela.

Mesmo com o silêncio entre nós o clima não era tenso, pelo contrário, era tranquilo, pelo menos agora minha filha não precisaria conviver mais em meio a tantas brigas e desentendimentos bobos. Agora se tivéssemos que discutir alguma coisa, que essa coisa fosse longe dela.

Passamos pelo Hall de entrada e, novamente, fui cumprimentada pelos funcionários que estavam ali trabalhando e também pelo porteiro fofo. Despedi-me gentilmente do senhorzinho e Edward já devia ter percebido a maneira que todos me chamavam por ali, porque se em algum instante ele percebeu, ele não comentou nada e nem os repreendeu em nenhum instante, aquilo não parecia o incomodar nem um pouco. – Estranhei.

Atravessamos a rua e paramos onde o carro de Ângela estava estacionado. Minha amiga estava encostada do lado de fora do veículo e percebeu quando nos aproximamos.

“Olá. Como vai você, Ângela?” – Edward perguntou educadamente.

“Muito bem, e você?”

“Nunca estive melhor.” – Sorriu e percebi o olhar dele sobre mim.

Aquele gesto não passou despercebido por Ângela, e ela me encarou descaradamente procurando respostas, porém, eu a ignorei por completo. Pelo menos por enquanto. Fingi que nada estava acontecendo e, como meus braços estavam ocupados demais pelo corpinho de Nessie, eu não podia abrir a porta do carro.

“Pode me ajudar, por favor?” – Pedi para que algum deles fizesse alguma coisa.

Edward foi quem abriu a porta e me deu espaço para ajeitar Nessie na cadeirinha de criança no branco traseiro do veículo.

Quando terminei, certifiquei se ela estava segura e Edward me entregou a bolsa com os acessórios dela. Coloquei a bolsa ao lado da sua cadeirinha e voltei a me posicionar normalmente ao lado de fora do carro, ainda sem fechar a porta.

“Obrigada por cuidar dela, Edward.” – Agradeci e o olhei.

“É minha filha, não precisa agradecer. Esme disse que a babá não pôde ficar com ela hoje e, de qualquer forma, isso foi ótimo.” – Disse ele sério.

Aquela era de toda, a pior parte, a partida. Era como se nós nunca soubéssemos como agir, pelo menos eu não sabia como agir. – Apenas assenti e voltei encarar Ângela que ainda estava ali parada apenas nos observando.

“Vamos Ângela?” – A chamei e ela concordou – “E mais uma vez, obrigada Edward.”

Ele apenas assentiu e passou ao meu lado, se inclinando para dentro do carro e devagar, depositou um beijo nas bochechas de Nessie para não acordá-la. – Ele voltou a arrastar o corpo para fora do carro e encarou Ângela.

“Ângela, fiquei sabendo sobre o bebê, parabéns!” – Disse lhe lançando um sorriso torto.

Minha amiga pareceu surpresa pelo cumprimento, porém, em nenhum momento deixou transparecer isso. Ela simplesmente o agradeceu timidamente... Bem o jeito de Ângela de ser.

“Nos vemos no sábado?” – Seu olhar voltou para mim com curiosidade.

Ele pensava mesmo que eu faltaria ao primeiro evento de Esme?

“Claro. Estarei lá. Até sábado, Edward.” – Estiquei minha mão em um cumprimento formal e ele a encarou. – Tive a impressão de ver um leve sorriso sarcástico nascendo entre seus lábios, mas rapidamente desapareceu, dando lugar novamente a versão séria de Edward Cullen. – Ele esticou as mãos e apertou as minhas, retribuindo o cumprimento.

O choque que o contato nos causou fez com que afastássemos as mãos.
O choque não havia sido só comigo, ele pareceu sentir também, pois, na mesma hora ele puxou a mão da minha e me encarou assustado, parecendo procurar respostas para aquilo. Antes que qualquer resposta ou pergunta fosse dita eu fechei a porta do carro e me afastei. Abri a porta do passageiro e me sentei lá. Esperei Ângela se despedir de Edward e entrar no lado do motorista, dando partida em seguida com o carro.

[XXX]

Chegamos ao apartamento e Ângela me ajudou a tirar a cadeirinha de bebe do carro e trazer Nessie com todos os seus pertences para cima.

Já eram quase oito da noite e ela ainda não havia começado a arrumar as malas da viagem, era incrível como Ângela conseguia ser tão calma com aquele tipo de coisa, só ela conseguia ser assim.

“A que horas o seu voo sai?”

“As onze.” Respondeu tranquila, indo pegar algumas roupas no roupeiro.

“Você tem certeza que está bem para viajar?”

“É claro que sim Bella. Pode ficar tranquila.” – Ela disse rindo e jogando outro par de roupas dentro da mala. – Seu sorriso diminuiu e ela caminhou até a cama, se sentando na beirada, bem perto de mim.

“Eu sei que você não gosta de falar disso, mas eu percebi o seu estado quando Edward falou sobre minha gravidez.”

“Esquece! Foi uma coisa boba da minha parte, por favor, esqueça isso.” – lhe pedi.

“Ele está mudando, Isabella.” – Ângela disse e com o olhar além de mim, como se estivesse com os pensamentos longes e falando consigo mesma.

“Eu sei.” – Murmurei mais para mim mesma do que para ela.

Ângela agora me encarava com o olhar desconfiado.

“E isso te preocupa?” – O jeito dela me olhar não era nada parecido com o de Alice. Aquele não era um olhar de julgamento, só meio provocativo e a procura de respostas. – Respostas que nem eu sabia lhe dar.

“Não. É claro que não.” – Respondi com desdém.

Era difícil transparecer algo que, talvez, não estivesse sentindo. E aquele era meu estado, eu não sabia o que estava acontecendo comigo e com minha vida.

“Tudo bem, chega disso! E não se preocupe porque serão somente duas semanas, isso passa rapidinho e logo eu vou estar de volta.” – Ângela saiu da cama e voltou para o closet. – “Onde está nossa bonequinha?”.

“Provavelmente no décimo quinto sono.” – Respondi – “Ela parece ter se cansado bastante.”.

Renesmee havia dormido desde a casa de Edward até agora. Ela parecia ter se cansado bastante, nunca a vi dormindo tanto tempo quando agora.

Ângela saiu do closet carregando alguns sapatos de salto altos e os jogando de qualquer maneira dentro de outra mala.

“Pra que tantas malas se são só duas semanas?”

“Querida, você já esteve em um lugar cheio de chefões metidos que todas as noites inventam de “jantar” em lugares tão sofisticados que se sente perdida?” – Me perguntou e eu acenei com a cabeça negando. – “Pois bem, Isabella, logo mais você estará passando por isso também e eu te direi: “Bem vinda ao meu mundo”. Sério amiga, eu não entendo como Félix suporta esse tipo de gente, ele ama mesmo o que faz para suportar essas coisas.”.

Aquele comentário de Ângela fez com que me lembrasse de Edward, ele também era um desse “tipo de gente”, mas ele também parecia como Félix e amava o trabalho, acho que esse é o motivo para estar se saindo tão bem com a empresa como vem saindo.

“Queria que estivesse aqui para a festa.” – Abaixei minha cabeça, encarando minhas próprias mãos.

“Deus sabe o quanto eu gostaria de estar te apoiando nesse dia, mas infelizmente eu não vou poder estar, entretanto, sei que Rosalie e Alice farão isso por mim.”

“Estou com medo. – Confessei – Está tudo acontecendo tão rápido Ângela.”

“Falando nisso, o que você decidiu sobre a faculdade?”

“Consegui entregar todos os documentos, mas decidi que vou esperar Nessie completar um ano.”

“Ótima decisão. Eu sei que você já abriu mão de muita coisa da sua vida, mas sua filha vem em primeiro lugar – sorriu me encorajando – Isso sem falar que você pode usar esse fato para juntar dinheiro.”- Sorriu me encorajando.

“Exatamente.”

Continuamos conversando e eu a ajudei terminar de arrumar as malas. Assim que acabamos, ela entrou no banho e eu fui para a sala esperar o motorista que vinha buscá-la para levá-la ao aeroporto.

Minha amiga vinha falando daquela viagem há quase dois meses, a tão famosa viagem para o Japão. Ela e Félix iriam sozinhos, ordens de ninguém mais ninguém menos que Edward e Carlisle. Sim, Carlisle ainda não tinha se afastado completamente da empresa e então as decisões pesadas como alguns fechamentos de contratos e negócios de muito poder passam por ele também. Sei que era trabalho, sei também que era muito importante não só para a empresa, mas até mesmo para os funcionários, mas eu não gostava de Ângela estar grávida e ter que ficar fazendo viagens, principalmente viagens para tão longe como essa. – Ri comigo mesma.

“Posso saber o porquê de estar rindo sozinha como uma doida?” – Ângela entrou na sala já pronta e me fazendo ri mais ainda por ter que expor aquilo que estava pensando.

“Eu estava rindo, porque às vezes penso que pareço mais pai dessa criança do que o próprio Ben.”

“Talvez se você tivesse um pênis, poderia mesmo ser... – Ela pausou e parou no meio da sala me olhando – Não. Nem mesmo assim. Eu prefiro os coreanos.” — Rimos juntas.

A campainha tocou e eu fui abrir para ver quem era. Mas nem era preciso adivinhar para saber que era o motorista, o coitado ajudou a minha amiga a levar todas as malas e deixou que nós nos despedíssemos.

“Você não está esquecendo que temos que conversar quando voltar né?” – Perguntei.

“Claro que não.”

“Vai ser horrível ficar nesse lugar sozinha.”

“Você não vai estar sozinha, Nessie estará aqui com você.”

“Ah, muito obrigada por tentar ajudar, mas não rolou.”

Ângela sorriu e me abraçou carinhosamente, um abraço de amiga, de irmã. Que Alice não escute aquilo.

“Não arrume confusão enquanto eu estiver fora, por favor.” – Disse com o rosto ainda enterrado nos meus cabelos. – Bufei e a afastei.

“Você nem ao menos viu o meu vestido.” – Eu disse emburrada.

“Se foi Alice que escolheu, tenho certeza que ela fez um trabalho maravilhoso. E além do mais, tenho certeza que o que mais tem no Japão é revistas, o que não vai faltar lá são “notícias”.” – Disse cinicamente.

É claro. Claro que teria as “notícias”, eu sabia muito bem que tipo de notícias seriam aquelas.

“De qualquer forma quero que você me envie fotos sua e de Nessie antes de sair. E eu vou acompanhar cada detalhe nas matérias sobre a Senhora Cullen, Esposa de Edward Cullen, O milionário todo poderoso e dono de si.” – Brincou me provocando e saiu pela porta me enviando um beijo no ar.

“EX!” – Gritei para ela antes da porta do elevador se fechar.

Não a acompanhei até o Hall porque não era preciso. Ela não estava indo para sempre, pelo menos não ainda, e eu também não poderia deixar Renesmee sozinha. – Fechei a porta assim que tive a certeza que o elevador tinha descido.

Nunca percebi a quão sozinha eu estava como estava sentido naquele momento. Sem Ângela, sem Alice, sem Rosalie, sem Edward e até mesmo Charlie. Aquela era a primeira vez que eu ficava sozinha por completo com Nessie. Era a primeira vez que assumiria tudo sozinha por completo, o pior era saber que essas duas semanas seria como um teste, um teste para saber como seria daqui um mês quando Ângela se mudasse para a casa de Ben.

Pois é, desde que Ângela soube da gravidez, ela e Ben vinham conversando sobre a possibilidade de morarem juntos. Como Ângela sabia sobre minha história, ela acabou conversando com Ben e eles decidiram que morariam na casa dele e deixariam o apartamento para mim pelo tempo que fosse preciso. Eu fiquei feliz por minha amiga, afinal eu também já estive grávida e sabia muito bem as dificuldades de uma gravidez, principalmente no início. Era ótimo saber que Ben daria a ela todo apoio que precisasse, ele era um cara ótimo, seria um ótimo pai. – Ben Cheney, esse era o nome do noivo de Ângela. Ben era americano, mas sua descendência vinha da Coreia, fazendo assim com que ele tivesse a aparência diferente dos americanos. Eu não tinha dúvidas de que o bebê da minha amiga seria um encanto, ela torcia para que a criança nascesse com os olhos puxados como os do pai, mas isso não cabia a eles decidir. Ben tinha os olhos negros e puxados, os cabelos eram de um tom muito negro e liso, a pele dele era branquinha e ele não eram tão alto quanto Edward.

Edward. Sempre Edward.

Suspirei exausta daquele dia agitado e me deitei no sofá da sala. Fiquei ali por alguns minutos pensando em como seria minha vida de agora em diante, mas aos poucos a exaustão foi tomando conta de mim e meus olhos foram se fechando, me levando para a escuridão.

[XXX]

Abri meus olhos ao ouvir o choro abafado de Nessie vindo de algum lugar, no primeiro momento eu não identifiquei de onde vinha. Pisquei algumas vezes até notar que eu havia dormido no sofá da sala, infelizmente só me dei conta daquele detalhe quando me levantei rápido demais. Meu corpo inteiro doía, era como se um trator estivesse passado por cima de mim sem deixar nada no lugar. – Resmunguei alguns palavrões. – O choro aumentou e isso me fez correr até o quarto da minha pequena.

Ao abrir a porta, ela já estava lá olhando na minha direção. Nessie estava a cada dia mais esperta. – O choro diminuiu, mas os pequenos soluços ainda eram presentes.

Tirei o seu corpinho do berço e a coloquei em meus braços.

Era maravilhoso ter aqueles instantes matinais com ela. Eu sentia falta daqueles momentos mãe e filha, desde que comecei a trabalhar os nossos horários diminuíram bastante, foi isso que pesou na minha decisão sobre o início da faculdade. Trabalho, faculdade e filha. Muita responsabilidade, mas eu não podia me dar ao luxo de viver à custa de Edward, jamais!

Sentei-me com ela na cadeirinha de amamentar que tinha no quarto e dei-lhe o seio enquanto ficávamos em nossa bolha de conversação.

“Ei, dorminhoca? – Usei minha voz de criança e seus olhinhos lacrimejados me encararam sobre os cílios – Ontem você me abandonou e nem me deu sinal se gostou de passar o dia com o papai.”

Como uma resposta muda, ela sorriu ainda com o meu seio em sua boquinha pequena e banguela.

“É Edward, parece que você acaba de ganhar mais uma fã.” – pensei.

Renesmee estava para completar cinco meses, estava a cada dia mais linda e mais parecida com os Cullens. Seus cabelos estavam bem crescidos, logo eu teria que cortá-los, os olhos sempre verdes como os do pai. Ela havia ganhado mais peso também, e por esse motivo suas dobrinhas ficavam mais evidentes.

Aproveitei aquele momento livre da manhã para passar brincando com ela, aproveitei também para arrumar algumas das suas coisas no seu quarto enquanto ela me observava fazer tudo.

Esperei pacientemente a babá chegar, mas nada. Estava começando a me preocupar quando escutei a campainha tocando e fui abrir a porta, dando de cara com alguém que eu jamais esperava.

Continua...

Notas finais
◘ Momento Edward fofo me deixa "viada" . ◘ Quem será ali na porta? Próximo capítulo teremos várias emoções e agitação! õ/ VIVAAAA! ATÉ QUEM FIM! VEM BEWARD, VEM! Sobre meu sumiço: Não me matem!!! Eu sei que demorei, mas o importante é que voltei . E podem ficar tranquilas que não vou abonar nenhuma das minhas fics jamais, muito pelo contrario, se depender de mim vamos sempre ter fic. Bjs, espero que gostem.