For You I Do Everything
41 Capítulo 40
Notas iniciais
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Renesmee estava para completar cinco meses, estava a cada dia mais linda e mais parecida com os Cullens. Seus cabelos estavam bem crescidos, logo eu teria que cortá-los, os olhos sempre verdes como os do pai. Ela havia ganhado mais peso também, e por esse motivo suas dobrinhas ficavam mais evidentes.
Aproveitei aquele momento livre da manhã para passar brincando com ela, aproveitei também para arrumar algumas das suas coisas no seu quarto enquanto ela me observava fazer tudo.
Esperei pacientemente a babá chegar, mas nada. Estava começando a me preocupar quando escutei a campainha tocando e fui abrir a porta, dando de cara com alguém que eu jamais esperava.
Fim do Capítulo anterior
Continuação...
[POV Bella]
“Marie?” – perguntei incrédula.
Eu não acreditava que ela estava ali, parada bem na minha porta.
“Minha menina!” – Sem esperar qualquer reação minha, ela me puxou para um abraço apertado.
Sem me conter, eu retribuo o carinho.
Meu Deus! Era Marie ali! A minha segunda mãe, a mulher que me apoiou e me ajudou em todos os momentos de sofrimentos. – Só percebi que estava chorando quando ela nos afastou e enxugou a lágrima que escorria pela minha bochecha.
“Minha menina, você está tão linda. Tão mudada.” – disse me analisando.
“Agora sou mãe, a mudança acontece naturalmente.” – ri.
“Quero conhecer nossa anjinha. Quando meu menino me contou que o bebê de vocês era menina, eu quase tive um infarto.”
Dei espaço para que ela entrasse no apartamento e fechei a porta.
“Ele contou a você?”
“É claro Isabella! Mas agora, onde ela está?” – disse animada e olhando para todos os lados do apartamento.
Sua animação era contagiante. – Peguei suas mãos e fui guiando até entramos no quarto de Nessie. Ao entrarmos, Marie ficou relutante em segurar ou não Nessie no colo, por fim ela não resistiu.
“Desculpa falar isso, mas ela não tem muita coisa de você, Isabella. Ela é o Edward puro!” – Revirei os olhos.
Ela não era a primeira e nem seria a última a falar aquilo.
“Não precisa se desculpar porque todo mundo fala isso, eu já me acostumei.”
“Ainda tenho vontade de matar você por ter saído de casa daquele jeito.” – Marie disse. Ela passava a ponta dos dedos delicadamente pelo contorno do rostinho de Nessie.
“Foi preciso Marie. – Murmurei – Marie, como veio parar aqui?” – Perguntei me roendo de curiosidade.
Ela pareceu pensar por alguns segundos e depois desviou os olhos, como se tentasse fugir do assunto, mas já sabendo que não conseguiria.
“Eu... Eu...”
“Não minta!” – Marie sempre gaguejava quando precisava mentir. Era assim quando eu morava na mansão e por motivos maiores ela precisava inventar uma vez ou outra algo para Edward não me machucar mais do que já fazia.
“Bella, minha menina, deixe que Esme te explique isso.”.
Esme? O que Esme tinha haver com Marie ter aparecendo na minha porta àquela hora da manhã? E onde estava a velha babá que não havia chegado?
Foi então que uma luz veio iluminando minha mente como um flash. Só podia ser. Não havia outra explicação sem ser aquela. – Encarei Marie e ela me olhava desconfiada, como se perguntasse em que eu estava pensando.
“Só me responda uma coisa Marie: Isso tem alguma coisa haver com Edward?” – perguntei de maneira séria.
Ela ergueu as sobrancelhas. Alí já podia ter minha resposta.
“Eu não acredito que ele se meteu nos meus assuntos de novo!” – Surtei. Acabei falando até um pouco mais alto do que deveria.
“Isabella, por favor, se contenha.” – Marie olhou para minha filha e ela parecia um pouco mais agitada por causa do susto que eu lhe dei. – “E não, a culpa não é dele. Dessa vez Edward não se meteu nos seus assuntos, se foi alguém, esse alguém é Esme. Porém ela teve seus motivos.” – explicou.
“E foi por isso que você apareceu aqui? Foi Esme que te enviou?”
“Sim. Ela ligou para a casa do Edward e pediu para que eu cuidasse da garota enquanto você estivesse na empresa.”
“O que houve com a babá?” – Eu tentava entender toda aquela confusão. Nada do que eu pensava fazia sentido, muito menos o sumiço da babá.
“Como eu disse: É melhor deixar que ela te explique.” – Eu estava chocada.
Marie esticou os braços e olhou o relógio no pulso.
“Pelas minhas contas, você já deveria ter saído daqui a meia hora atrás, portanto adeus Isabella.”
Ela tinha razão, estava mesmo atrasada. Atrasada até demais.
Despedi-me de Nessie e de Marie e lhe disse que quando eu voltasse do trabalho, queria ter um tempo para conversar com calma com ela. Ela não se fez de rogada, disse que me esperaria e que estava disposta a ficar ali o tempo que fosse preciso.
Sai correndo do apartamento e peguei o primeiro táxi que passou na frente do edifício. Não demorou muito e o veículo estacionou na frente da campainha de publicidade de Esme. Eu entrei passando rápido entre as pessoas e as cumprimentando como podia. Segui para o escritório de Esme, ela teria que me dar uma boa explicação para aquela confusão, eu jamais imaginei abrir a porta da minha casa e me dar de cara com minha antiga governanta, ou melhor, a governanta do Edward.
Abri a porta da sala de Esme e tive a surpresa de vê-la conversar alterada com uma senhora loira, que aparentemente, tinha a mesma idade que minha antiga sogra e atual chefe. – Estranhei – Eu não lembrava de Esme ter marcado nenhum compromisso para aquele dia, muito menos uma reunião a sós com alguém do porte daquela senhora.
“Desculpe. Eu não sabia que estava acompanhada.” – Comentei com receio.
As duas mulheres me olhavam com o semblante sério. Tudo indicava que eu havia aparecido na hora errada e no momento errado.
Esme me encarava como se pedisse para que eu saísse dali o mais rápido possível, já a outra senhora, me olhava como se estivesse me avaliando.
“Tudo bem Isabella, Miranda já estava de saída.” – Esme falou. Mas a outra mulher pareceu a ignorar por completo, virando-se para mim e sorrindo fracamente.
“Então você é Isabella? Já ouvir falar muito de você. – Ela estendeu a mão em minha direção em cumprimento. Eu retribuo o gesto com um aperto gentil. – Sou Miranda Condé Nast.”
Aquele sobrenome não me parecia estranho. Mas não conseguia me recordar de onde o ouvi antes, mas tinha a certeza de já tê-lo escutado.
“Esme, vejo você na sua festa, querida. E não se esqueça daquilo que conversamos. Minha proposta ainda está de pé se você concordar com TODAS as minhas exigências.” – Depois disso a mulher saiu da sala, levando consigo sua única bolsa, que era evidente, custava milhões de dólares.
Franzi os cenhos quando ela passou por mim. – O ar de superioridade dela exalava pelos poros, era possível senti-los até mesmo por quem estivesse fora da sala.
“Desculpa-me de novo, Esme. Eu não fazia ideia de que estava em reunião e como você sempre me deu passe livre para sua sala, eu acabei entrando sem bater e...” – Fui impedida de terminar.
“Você me fez um favor, eu estava a ponto de meter a mão na cara daquela desgraçada.”
Eu nunca tinha visto Esme naquele estado. Muito menos a ouvido dizer tal coisa.
“O que houve?” – Perguntei não contendo de curiosidade.
“O que houve? Você não a recolheu, não é mesmo?”
“Eu deveria?”
“Sim. Com toda certeza você deveria. – Esme me olhou diretamente – Aquela é Melinda Condé Nast, nada mais, nada menos que a dona da revista mais conceituada do mundo.”
Como um flash, as palavras de Esme fizeram sentido. É claro que eu reconhecia aquele nome, Alice sempre falava sobre ela, principalmente sobre as escolhas de modelos e o quão difícil era trabalhar com aquela senhora.
“E o que ela queria vindo aqui há essa hora? Eu não marquei nada na sua agenda, Esme.”
Esme maneou a cabeça como se negasse algo.
“Não se preocupe porque ela sempre faz isso quando quer me tirar do sério. Isabella, querida, se importa de me deixar sozinha por alguns minutos?”
“Não, claro que não. Com licença.” – Virei para sair da sala e Esme voltou a me chamar.
“Peça para que Rosalie venha aqui assim que chegar, por favor.” – Pediu e concordei.
Mas o que estava acontecendo afinal? – Essa era a pergunta que gritava na minha mente. – Não achei que aquele fosse o melhor momento para conversar com Esme sobre meu assunto pessoal, então acabei deixando para lá, outro momento seria melhor para aquilo.
Pedi a secretária de Rosalie que avisasse sobre o pedido de Esme e assim ela o fez.
Será que aquela Melinda teria algo haver com os futuros trabalhos da empresa? Bem, era claro. Talvez fosse algum problema de imprevisto com alguma modelo ou fotógrafo, seja o que for logo mais Alice me contaria o que estava acontecendo.
Depois de sair do setor de Rosalie, voltei para a área presidencial da agência. Eu não voltaria a entrar na sala de Esme enquanto ela não solicitasse a minha presença. Aproveitei aquele tempo livre para coordenar alguns trabalhos dos fornecedores e produtoras, era assustador o aumento das ofertas dos serviços a cada ano, isso sem contar a quantidade de profissionais que se formaram, a quantidade era enorme, era perceptível pelas planilhas e documentos que analisava.
A agência possuía quatro principais departamentos: Atendimento, planejamento, criação e mídia. No entanto, existem ainda outras funções, como produção gráfica, departamento fotográfico, pesquisa, RTVC, tráfego e gerenciamento de projetos. Cada função era ligada uma a outra e todas se completavam em respectivos pontos. Minha função dentro da empresa se encaixava na de atendimento, é a parte responsável pela ligação entre cliente e agência, mais especificamente responsável pela ligação entre cliente e gerência... Ou melhor, Esme.
Esme não havia solicitado minha presença nenhuma vez desde que ela e Rosalie começaram a conversar com as portas fechadas. Eu estava sem muitas tarefas para fazer aquele dia, então, optei em ficar no hall, do lado de fora da sala de Esme, ajudando Catharina, sua secretária, a se organizar nos seus afazeres de secretária.
Ouvi o barulho do elevador parando no mesmo piso que o nosso, mas não levantei a cabeça para olhar quem era... Não faria tanta diferença assim pra mim. Já Catharina assim que ouviram as portas se abrirem encarou o elevador, e pelo que pude perceber, ela pareceu ficar mais animada, me levando a encarar quem quer que fosse que estivesse ali.
“Boa tarde Catharina. Boa Tarde Isabella.” — O moreno a nossa frente abriu um sorriso bonito assim que nos cumprimentou.
Olhei de relance para Catharina e ela olhava de mim para Paul, mantendo sempre um discreto sorriso.
“Boa Tarde Paul.” – Respondemos juntas e rimos quando percebemos isso.
“Veio para conversar com Esme? Se for é melhor nem tentar, ela está nos cascos hoje.” – Adiantei antes que ele dissesse alguma coisa.
“Na verdade não. Eu não vim falar com Esme. Eu gostaria de saber se essas duas damas maravilhosas que estão bem na minha frente já almoçaram hoje?”
“Isso por acaso é um convite?” – Brinquei.
“Hm, isso depende, se a resposta for sim...” – Deu de ombros.
Olhei para Catharina e ela me encarou de volta com um olhar de súplica.
Apesar de trabalharmos na mesma empresa, não poderia dizer que nos conhecíamos bem. Desde que entrei na agência, Paul vinha se mostrando cada vez mais um amigo muito dedicado, simpático, honrado, gentil, engraçado e principalmente, educado. Mas eu não podia negar que, às vezes, dava a entender que ele não gostaria só de uma amizade.
“E então? Aceitam ir almoçar com esse cavalheiro solitário?” – Paul disse, aguardando nossa resposta.
Encarei novamente Catharina e concordei com um sorriso gentil.
“Tudo bem. Posso encontrar vocês no restaurante italiano que temos a duas quadras daqui?” – Paul perguntou.
“Claro, está bom pra você também Catharina?” – Perguntei para minha colega de trabalho.
“Está ótimo! Estaremos lá!” – Respondeu ainda sorrindo.
“Tudo bem. Vou voltar lá pra cima e encontro vocês lá em meia hora.” – Paul nos lançou uma piscadela e deu as costas voltando pelo mesmo caminho que havia vindo.
Quando as portas do elevador se fecharam, pude ouvir o suspiro alto vindo do meu lado; olhei e lá estava ela com más intenções.
“Não comece você também. Isso foi apenas um convite, um convite para nós duas.”
“Eu não disse nada...” – Catharina deu de ombro.
“Mas pensou!” – Respondi.
“Qual é Isabella, o cara está te dando mais do que mole e você não se deixa levar.”
“Eu já disse para vocês, o meu relacionamento com o Paul nunca vai passar de amizade.”
“Você é uma idiota.”
“Tanto faz.”
Eu não era lerda. Percebia as investidas dele, mas saber que as outras pessoas também conseguiam captar aquilo me deixava constrangida. Alice, Rosalie e Catharina. Todas três viviam dizendo que eu deveria seguir em frente e encarar um relacionado, entretanto, eu sentia que não estava preparada para aquilo. Era muito cedo para pensar em ter algo sério com alguém, e além do mais tinha Nessie, eu não faria algo sem pensar nela.
“E então, vamos?” – Me levantei da cadeira e esperei Catharina pegar sua bolsa.
Pegamos o elevador e descemos para o Hall da agência. Passamos por alguns funcionários, alguns já estavam ali desde que chegamos e os que não estavam, nos cumprimentaram. Caminhamos calmamente pela calçada até chegarmos ao restaurante, entramos e pedimos uma mesa para que esperássemos sentadas até que Paul chegasse.
Dez minutos se passaram e nada dele.
“Será que ele não vem? Cara, eu odeio ficar de vela.” – Provocou.
“É claro que vem Catharina. Agora para de dizer essas coisas, e tome cuidado principalmente quando estiver na frente dele, pelo amor de Deus.”
“Eu não vou fazer nada, fique tranquila.” – Sorriu e retribui.
Enquanto aguardávamos, pedimos nossas bebidas.
“Desculpem-me pela demora.” – Paul apareceu de surpresa.
Agradeci mentalmente por ele ter se sentado próximo de Catharina.
“Até quem fim! Achei que nos deixaria morrendo de fome.” – Eu disse.
“Tive uns contra tempos e tive que terminar de fazer o ensaio de uma das modelos. Pois bem, peço perdão senhoritas. – simpático – Já que fiz as damas esperarem, hoje tudo é por minha conta.”
“Não Paul, por favor, não faça isso ou eu nunca mais aceito nada que venha de você.”
“Tudo bem Isabella, então eu pago a sobremesa.” – Concordei.
“Preciso ir ao banheiro, volto em um instante.” – Pedi licença e me levantei saindo da mesa.
Caminhei calmamente na direção ao banheiro. Mas antes de entrar pela porta, fui impedida de continuar por uma mão que segurou o meu braço.
“Isabella!” – Aquela voz... Até do outro lado do mundo eu reconheceria aquela voz.
“Edward? – perguntei surpresa – O que você está fazendo aqui?”
Lancei meus olhos para sua mão que ainda estava segurando meu braço. Ele pareceu perceber isso e retirou a mão rapidamente do lugar.
“Vim almoçar com alguns amigos, e você?” – Perguntou.
Amigos... Senti-me incomodada com aquilo. Torcia internamente que aqueles “amigos” não fossem os seus antigos amigos babacas. – Pisquei algumas vezes antes de respondê-lo.
“Estou em horário de almoço.” – Respondi.
“Está sozinha?” – Edward perguntou erguendo as sobrancelhas e notei um brilho passar pelos seus olhos esverdeados, naquele dia eles pareciam mais verdes do que o normal.
“Não, estou com dois amigos.” – Apontei na direção da mesa onde Catharina e Paul estava.
Edward olhou para direção que indiquei e sua expressão mudou.
“Paul? É sério isso?”
“Olha, se você vai começar com suas besteiras é melhor eu ir.” – Virei-me para continuar o caminho, mas sua mão voltou a me impedir.
“Não! Desculpe-me, prometi que não iria ser mais um idiota e já estou sendo. – Edward disse constrangido. – Como está Renesmee?”
Sorri. Tocar no nome da minha filha me fazia lembrar do seu rostinho, fazia com que o dia melhorasse em qualquer situação.
“Está ótima. Hoje a babá furou comigo e Marie apareceu na minha casa sem avisar.”
Ele não pareceu surpreso pela notícia e sorriu.
“Aguente, elas não vão se desgrudar mais. – Alertou – Isabella, eu queria saber se...”.
“Algum problema por aqui?”
Fomos interrompidos por Emmett e Jasper que apareceram atrás do amigo. Edward revirou os olhos e parecia chateado pela intromissão dos amigos... – De onde eles saíram?
“Não. Está tudo bem. – Respondi por Edward. – Olá Emmett. Oi Jasper.” – Sorri amigavelmente para ambos e fui retribuída.
“Edward, o amigo do Jasper chegou, é melhor você vir agora.” – Emmett puxou o amigo pelo braço, fazendo com que Edward desse um passo para trás.
Só naquele momento notei que estávamos mais próximos que a distância amigável permitia. – Corei, olhei para os lados para ver se alguém nos olhava e agradeci por ninguém mais estar em volta.
Edward encarou o amigo e ambos pareciam conversar com os olhares.
“Tudo bem. – Edward girou para mim novamente – Isabella, se eu não lhe ver mais dê um beijo em Nessie por mim.”
“Claro.” – Ele se aproximou e depositou um beijo lento sob minha bochecha.
“Até mais Isabella.”
“Até mais Edward. Jasper, Emmett.” – Me despedi deles e eles saíram puxando Edward para longe.
Virei-me e continuei o mesmo caminho que estava fazendo antes, entrei no banheiro e me encarei no espelho, a imagem não era uma das piores e fiquei feliz por aquilo. Ao sair, voltei para a mesa onde Catharina e Paul estava conversando animados.
“Desculpa pela demora.” – Me sentei no meu lugar.
“Tudo bem, percebemos que estava bem acompanhada.” – Paul disse com humor, encarei Catharina e ela deu de ombros sorrindo.
“Encontrei Edward por acaso, ele e os amigos vieram almoçar.” – Expliquei sem saber bem o motivo.
“Ei, Bella, ninguém aqui está te cobrando nada. Ele é o pai da sua filha, nada mais normal do que vocês conversarem.” – Paul piscou.
“Ele era seu amigo...” – Lhe disse.
“Disse bem, era.”
“Não podem ser de novo?”
“Talvez um dia... Quem sabe.” – Piscou.
Gostaria que eles voltassem a ser amigos, era notável que Edward e Paul foram tanto amigos quanto Edward e Félix foram um dia. Fazia-me mal pensar que foi por minha culpa que toda aquela situação aconteceu, porém não era totalmente minha culpa, Edward também tinha uma boa porcentagem sobre aquilo.
“Já fizeram o pedido?” – Perguntei.
“Não, estávamos lhe esperando. Vamos lá? Estou morrendo de fome.” – Catharina chamou o garçom e cada um pediu um prato diferente.
O almoço transcorreu calmo e alegre, era bom estar com eles. Às vezes percebia que estava sendo observada e eu já imaginava quem seria, contudo, em nenhum momento aquilo pareceu nos incomodar. Depois que cada um de nós terminou sua refeição pedimos a conta, como prometido Paul pagou a sobremesa e cada um a refeição principal.
Saímos do restaurante e voltamos para a empresa. Meu turno já havia acabado e, como aquele dia era sexta-feira, no outro dia nenhum de nós trabalhávamos. Ao chegarmos à empresa cada um de seguiu para o seu respectivo andar. Paul se despediu e disse que nos encontraríamos na festa de amanhã, eu e Catharina assentimos e fomos para o nosso piso da gerência.
“E ai, gostou do almoço?” – Perguntei contendo o sorriso brincalhão para ela.
“E como não gostar? Paul é um cara muito bacana e sabe render um bom papo.”
“Sabe... Até que vocês fazem um belo par.” – Lhe disse.
“Que isso, ficou louca? Para com isso.” – Sussurrou repreendendo-me.
“É bom para verem como eu me sinto quando vocês tentam jogar alguém para cima de mim.”
Peguei minha bolsa que estava na cadeira ao lado de Catharina.
“Agora acabou o meu horário e eu tenho que voltar pra casa.”
“Vá cuidar da sua pequena, Bella. Vejo você amanhã?” – Perguntou Catharina.
“Claro, se eu não for é capaz de Alice ir me buscar pelos cabelos.” – Rimos juntas e nos despedimos.
Desci o elevador e caminhei calmamente para fora do prédio, saindo do edifício em seguida. Assim que ultrapassei a porta de vidros escuros tive a visão do volvo prateado e seu respectivo dono, escorado no mesmo e com os braços cruzados a frente do peito. – Tentei passar despercebida o ignorando, entretanto não tive sucesso.
“Estava lhe esperando.” – Disse desencostando do carro e parando a minha frente.
“O que você... Você estava aqui o tempo todo?” – Perguntei incrédula.
“Entra no carro.” – Pediu, ignorando minha pergunta.
“Não, obrigada.” – Respondi simplesmente e comecei a andar pelo caminho de sempre.
“Entra no carro, por favor? Eu estou indo para o mesmo lugar que você.”- Disse.
Estaquei no mesmo lugar e me virei o encarando.
“O que? Estava indo para minha casa?”
“Sim, eu estava. Agora, por favor, queira entrar no carro.” – Voltou a pedir calmo, mas não me mexi do lugar.
“O que você pensa que estava indo fazer na minha casa?” – Perguntei.
“Como acha que Marie foi parar lá tão rápido hoje pela manhã?” – Respondeu.
Claro. Porque eu não tinha pensado naquilo?
“Eu ainda quero saber o que aconteceu com a minha babá.” – Lhe disse contendo a voz para não começar uma pequena discussão ali na frente do meu local de trabalho.
“Se você entrar no carro talvez eu possa lhe explicar.”
Hesitei. Edward não iria desistir até que eu entrasse no carro.
“Vamos lá Isabella, não vou fazer nada com você.” – Pude notar o pequeno sorriso que surgiu nos seus lábios rosados e perfeitos.
Mesmo estando com receio eu aceitei.
Edward caminhou de volta ao carro na minha frente e abriu a porta do passageiro, me dando espaço para que entrasse. Edward fechou a porta e foi para o outro lado e entrou no lado do motorista.
“Coloque o cinto, por favor.” – Pediu como se estivesse falando com uma menina de cinco anos – Pensei.
“Vai me explicar aonde minha babá foi parar?” – Perguntei depois que coloquei o cinto e ele deu partida no carro.
“Esme pediu para que ela não fosse mais para o trabalho.” – Respondeu.
“O QUE?” – Eu disse um pouco mais alto por ter sido pega de surpresa.
Como assim a minha babá havia sido dispensada? E agora, o que eu faria? – Pensei.
“É, aquela babá andou aprontando umas coisas nada boas.” – Explicou.
Confesso que fiquei um pouco chateada. Como assim a babá estava aprontando? Será que ela fez algo com Esme ou com Renesmee? – Só de pensar naquela possibilidade o meu sangue fervia.
“Por favor, diga que ela não fez nada com Renesmee.” – Implorei já sentindo minhas bochechas corarem e minhas mãos suarem.
“Fique tranquila, não foi nada com nossa filha. – Suspirei aliviada – Na verdade acho que ela andou aprontando pro meu lado e eu nem percebi.”
O encarei. Como é que é?
“É, ela praticamente estava me assediando” – Edward riu.
“Não seria ao contrário?” – Perguntei séria.
Era bem a cara de ele assediar as babás da filha. Filho da puta!
“Não! É claro que não! – Disse com firmeza e descrença – Eu jamais olharia para aquela mulher, ela era vulgar demais. – Edward parou de falar e depois vi que ele me olhou de relance, voltando a se concentrar na estrada – Meu foco no momento é outro.”
Suspirei. É claro que eu peguei aquilo no ar.
“E o que ela aprontava?”
“Além de ficar se jogando em cima de mim, todas as vezes que levava Nessie para me ver? Vejamos, ela já mexeu na minha agenda sem minha autorização, ela já pediu meu telefone e da última vez ela tentou me agarrar.” – Explicou, e nessa sua última explicação ele pareceu bastante irritado.
Parece que o jogo tinha virado contra o feiticeiro. Agora não era ele que as agarrava, eram elas que o agarravam... Safadas!
“O que? Isabella, não ria!” – Edward disse parecendo chateado.
“Desculpa.”
“Eu não queria te deixar nervosa e muito menos te dar mais problemas que você já tem, então pedi para que Esme desse um jeito.”
“E por isso me enviou Marie?”
“Era a melhor opção.”
“E como você vai se virar sem ela?”
Edward desfez o semblante sério e sorriu fraco, o maldito sorriso que só ele possuía.
“Eu sei me virar sozinho, Isabella.” – Respondeu.
Assenti.
Não falei mais nada por todo o caminho, às vezes podia sentir que ele me olhava de relance e voltava a dirigir. Dentro do carro tocava uma música leve e baixa, e assim foi até pararmos em frente ao meu prédio.
“Vou lá em cima e peço para Marie descer em seguida.” – Eu disse retirando o cinto de segurança e abrindo a porta do carro.
“Não vai me convidar pra entrar? Cadê os bons modos, Swan?” – Perguntou com um leve toque de humor.
Edward na minha casa? Ele nunca entrou na minha casa.
“Eu... – Tentei procurar uma desculpa, mas todas pareciam terem sumido – Tudo bem, vamos subir.”
Nós passamos pelo hall do prédio e eu podia sentir os olhares de alguns dos moradores e trabalhadores nos encarando, provavelmente se perguntando quem era aquele que estava comigo. – Olhei para Edward e seu rosto estava sereno e parecia feliz.
Abri a porta do apartamento e dei espaço para que ele entrasse.
“Marie?” – Chamei e não ouvi nada, nenhum ruído.
Entrei no apartamento e olhei em volta a procura de Marie e Nessie.
“Bella? Ó minha querida, achei que iria demorar mais um pouco” – Marie apareceu entrando na sala com Nessie no colo.
Ela parecia não ter notado a presença do Edward ali. Pelo canto do olho notei que Edward estava sorrindo, o motivo? Pelo jeito animado da senhora que o criou. Talvez por ver o quão desajeitada Marie parecia estar naquele momento.
“Santo Deus, faz tantos anos que eu não cuido de uma criança, que acho que vou ficar louca!” – Exclamou.
“Contando que as duas cheguem vivas ao final do dia, tudo bem.” – Edward disse ao meu lado e atraindo a atenção da senhora.
Marie nos olhava sem entender o que estava acontecendo. E com razão, uma hora quero matar Edward e em outra ele está dentro do meu apartamento e no meio da minha sala, era de se estranhar.
“Meu menino, não sabia que você estava aí.”
“Deu para perceber, você estava distraída demais com essa princesinha aí! – Edward passou por mim e foi até a ela, tirando Nessie dos seus braços e a acomodando contra o seu próprio peito. – Salut, princesse!” — Disse no seu francês perfeito.
**Tradução: Oi, princesa!**
“Edward, meu querido, cuidado com o francês, não queremos sua filha ficando enlouquecida não é mesmo?” – Marie perguntou e ele sorriu pra ela.
Edward depositou um beijo na bochecha de Nessie, o ato fez com que ela abrisse um sorriso banguela encantador. Aquilo foi o suficiente para que todas as minhas armaduras fossem ao chão. Tudo ali parecia tão perfeito. Tão perfeito quanto as várias vezes eu havia sonhado com ele enquanto ainda éramos uma família. – Saí dos meus devaneios e Marie me olhava sorrindo.
“Podemos conversar querida?” – Perguntou e eu concordei.
“Edward, porque você não leva Nessie para dar um passeio no parquinho que tem aqui perto? Garanto que ela vai adorar.” – Marie disse e ele pareceu entusiasmado com a ideia.
Edward me olhou como se pedisse permissão e voltei a concordar, isso fez com que seu sorriso perfeito aparecesse e tomasse conta do seu rosto como se tivesse ganhado o melhor prêmio do ano. Marie entregou a bolsa de Nessie para Edward, que segurou no mesmo instante, ao mesmo tempo em que segurava o corpinho da pequena. Com cuidado Nessie e Edward saíram e fecharam a porta do apartamento, deixando Marie e eu sozinhas.
“Você está tão mulher, minha menina. Ainda é difícil acreditar que aquela jovenzinha se tornou esse mulherão todo.” – apontou com as mãos para meu corpo.
“Que isso, não seja tão exagerada. Venha, vamos comer alguma coisa e conversamos sobre tudo que você quiser.”
Fomos para o balcão que separava a cozinha e a sala. Marie se sentou em um dos banquinhos da bancada enquanto eu servia o café.
“Conversou com Esme?” – Perguntou, levando a xícara a boca e tomando um gole do líquido quente.
“Não tive tempo. Na verdade ela não estava em um bom dia, uma tal de Miranda apareceu por lá e o humor de Esme mudou completamente, foi estranho. – Expliquei – Contudo não se preocupe que Edward já esclareceu o que aconteceu.”
Marie sorriu.
“Então tudo bem pra você?” – Perguntou animada.
“É claro que sim, Marie! Veja lá se eu deixaria minha filha sem alguém? Fico Feliz que Esme tenha escolhido você, uma pessoa tão maravilhosa.” – Sorrimos cúmplices e Marie segurou minhas mãos com carinho.
“Desde criança eu cuidei desses meninos – Disse Marie se referindo a Rosalie e Edward – Pode ficar tranquila que sua filha estará em boas mãos!”
“Eu não tenho dúvida disso!” – Respondi.
“Fico muito feliz que esteja se dando bem com ele.” – comentou tranquila.
Desviei meus olhos dos delas e me levantei indo até a pia.
“Temos uma filha juntos, nada mais justo do que isso acontecer.”
“Não minta para você mesma, menina. Você ainda o ama.”
“Eu nunca disse que não amava.”
“Então dê a ele uma segunda chance. Dê uma segunda chance para o amor Isabella. Deixe-o lhe mostrar o quanto está mudado.” – Pediu Marie.
“Tenho medo. Tenho medo que isso seja só uma fase e que ele mude de novo, que as máscaras caiam e ele volte a ser aquele cretino de antes.” – Desabafei. Marie fechou os olhos, negando levemente a cabeça e voltou a abri-los novamente.
“Ele não é mais o mesmo. Edward está tentando ser uma pessoa melhor. Está tentando ser um pai dedicado, um bom filho, um homem responsável e... Isabella; até de casa ele mudou.”
Realmente Edward estava se esforçando. Hoje ele me deu provas disso, ele não atacou Paul como se fosse um animal, pelo contrário, ele se manteve calmo até as provocações ficarem pesadas, e mesmo assim se conteve e aceitou que Jasper o levasse para longe. Em outros tempos ele certamente falaria mal, faria um escândalo com direito a palavras absurdas e daria socos em todos que se metesse no seu caminho.
“Pense com carinho minha menina, todos nós merecemos uma segunda chance.” – Disse Marie.
Escutei o barulho da porta se abrindo e em seguida a imagem de Edward e Nessie juntos passando por ela. – Talvez Marie tivesse razão, era o momento de nós, eu e Edward, colocarmos os pontos nos lugares e jogar as cartas na mesa, esclarecer ponto por ponto, e talvez assim, pudermos seguir um caminho diferente daquele que estávamos vivendo.
Nessie batia as mãozinhas uma na outra e balançava suas perninhas gordinhas alegremente no ar, ainda no colo de Edward. Só agora me dei conta que sua camiseta social negra estava manchada e Nessie completamente melecada com um líquido branco espalhado por sua boquinha e as bochecha rosadinhas.
“Que bagunça é essa? O que você deu a ela?” – Marie perguntou preocupada.
“Ela viu um menininho tomando sorvete, eu acabei comprando um e dando um pouquinho pra ela.” – Edward explicou e Marie se levantou no mesmo instante.
“Você é maluco, garoto? Ela é um bebê, não pode comer essas coisas ainda, por Deus!” – Disse desesperada e Edward a encarava assustado.
“Desculpa! Eu não sabia que podia fazer mal pra ela.” – Agora era Edward que parecia desesperado, ele olhava de Marie para mim como um pedido de socorro.
“Não é recomendando que bebês com o tempo dela, consuma nenhum alimento que contenha leite de vaca ou de outras espécies, isso pode causar alergia, intoxicação alimentar ou algum outro problema. Mas a partir dos 12 meses eles podem começar a experimentar essas coisas.” – Expliquei.
“Você não vê que ela já experimentou? E o pior, parece que gostou.” – Marie disse em reprovação.
“Fique calma, Marie, ele disse que não fez por mal.” – Aproximei de Edward e Nessie jogou o corpinho em minha direção para que eu a pegasse... Foi o que fiz.
“Desculpa, Bella, eu não fazia ideia.” – Edward parecia realmente mal por aquilo, de certa forma eu me senti mal por ele.
Homens... Eles não nascem sabendo sobre crianças, ainda mais Edward, que nunca havia tido contato com nenhum até Nessie aparecer.
“Não se preocupa, só não volte a fazer.” – Pedi.
“Anda, vamos embora. Você já me deu trabalho demais por hoje.” – Marie disse referindo-se a Edward e o empurrando para a porta.
“Até mais minha menina, volto amanhã e vou com vocês para a celebração de Esme.” – comunicou e assenti concordando.
Edward depositou um beijo leve na cabeleira avermelhada de Nessie e depois um beijo em minha testa, aquilo havia me pegado desprevenida. Eles saíram passando pela porta e a fechando em seguida. Olhei para Nessie e ela parecia um pouquinho chateada.
“O que foi meu amor? Gostou tanto assim do passeio com o papai que não queria o deixar ir embora? – Perguntei e ela retribuiu com o chacoalhar das perninhas gorduchas. – Tudo bem, amanhã você vai vê-lo de novo. Agora vamos tomar um banho e tirar toda essa sujeira? Tem um pato doido para ser desprezado por você na sua banheira.”
[Dia seguinte – A Festa]
Aquela era a décima vez que me olhava pelo espelho em menos de quinze minutos. Talvez fosse exagero, mas eu não podia parecer uma ridícula, não hoje. Olhando para minha imagem refletida no grande espelho do quarto, cheguei à conclusão que Alice tinha razão quando me fez comprar aquele vestido, ele era perfeito.
A imagem refletia o vestido longo, possuía um leve decote ao contrário que deixava uma parte do abdômen e dos meus seios amostra em um decote em formato "V" perfeito, a cor variava em tons pérolas, fazendo assim com que tivesse o contraste perfeito com a minha pele. Optei por uma delicada sandália aberta de salto alto, fino e levemente da mesma cor do vestido. Escolhi um penteado simples, deixando um pouco de cabelo preso de lado, o restante solto e liso com alguns cachos leves nas pontas. A maquiagem estava simples e bem feita, a única coisa que se destacava era o batom na cor um pouco mais forte, um tom meio puxado para o Rouge. Dei preferência às jóias como anéis e um par de brinco não muito chamativo, tudo perfeito e nada escandaloso, era apresentável para uma festa de Esme Cullen. – Suspirei – Eu não sabia o que essa noite me guardava, mas sentia que uma grande avalanche estava para vir.
Ouvi uma fraca batida na porta e autorizei a entrada, era Marie.
“Marie, vocês estão lindas!” – Exclamei quando a vi entrando com Renesmee para dentro do quarto.
Marie usava um longo vestido azul escuro, sem qualquer estampa ou decote, era incrível e elegante, eu jamais imaginaria ela usando aquilo. Ela estava linda!
Nessie não ficava atrás, minha princesa estava tão linda naquele vestidinho rosa claro que minha vontade era de esmagá-la em um abraço, seu cabelinho estava seco e penteado; como Nessie tinha bastante cabelo, sua franja ficava penteada um pouquinho para o lado, deixando com que os olhos ficassem livres da cabeleira.
“Olha quem está falando, você está incrível, Isabella.” – Se aproximou e parou perto de mim.
Nessie sacudiu o corpinho para que eu a pegasse e foi o que fiz, depositando um beijo estalado em suas bochechas quando ela já estava em meus braços.
“Hum, que cheiro mais delicioso que vem dessa garotinha. – Lhe disse com voz de bebê e cheirando seu pequeno pescoço. – Marie, eu ainda tento entender como você consegue fazer tudo ao mesmo tempo, arrumar você e Nessie juntas, Meu Deus! Eu tento fazer uma coisa e não consigo. – Encarei a senhora que ainda estava parada com um leve sorriso nos lábios nos olhando – Ela ainda está pra baixo?” – Lhe perguntei referindo-se a Nessie.
“Ela aparentou uma melhora depois do banho, mas ainda não parece totalmente bem.” – Respondeu.
“Droga! Ela tinha que passar mal logo hoje? Será que é o caso de levá-la ao médico?” – Perguntei preocupada e olhando o rostinho da minha filha.
“Crianças são assim mesmo Bella, vamos esperar mais um pouquinho e se ela piorar nós levamos ela ao médico, ok?” – Tentou me acalmar.
“Tudo bem. Mas, por favor, Marie se alguma coisa acontecer, não deixe de me chamar! Pode chamar se eu estiver ocupada ou em qualquer lugar, nada importa.” – Alertei.
“Tudo bem querida, não se preocupe. Hoje é um dia especial para Esme e, se tratando da empresa, também é importante pra você, então tente relaxar.” – Tentou me tranquilizar, porém aquilo parecia impossível.
Passei Nessie de volta para ela e olhei as horas no relógio que ficava próximo a cama.
“Você sabe se Alice deu algum sinal de vida?” – Lhe perguntei.
“Nenhum menina, a ultima vez que falei com Alice ela disse que já estava a caminho para buscá-la.” – Respondeu.
“Estranho, Alice sempre se atrasa, mas não tanto assim.”
“Quer que eu ligue para ela?” – Perguntou.
“Não, não precisa. Eu conheço bem aquela peça, ela deve ter passado em algum lugar ou inventado alguma coisa em cima da hora.”
“Ok. – Concordou – Eu e Nessie estaremos na sala terminando de arrumar algumas coisas na bolsa, qualquer coisa é só chamar.” – Avisou, concordei e elas saíram do quarto.
“Alice, Alice, o que eu faço com você?” – Sussurrei pra mim mesma.
Quinze minutos se passaram e nada da minha amiga aparecer, tentei ligar para o seu celular, mas todas as tentativas foram em vão, pois todas caíram na caixa postal. – Eu vou matar a Alice – Pensei.
Foi nesse instante que escutei a campainha tocando e depois o silêncio, provavelmente Marie a tinha atendido. Peguei minha bolsa e pronta para sair, me olhei outra vez no espelho, ajeitando melhor a parte frontal e decotada do vestido. Sai do quarto em direção à sala e vi Marie parada em pé, segurando a bolsa de Nessie e sem ela no colo.
“Cadê Renesmee e Alice?” – Perguntei estranhando.
Marie não disse nada, somente indicou com a cabeça para um ponto atrás de mim. Olhei para onde ela havia apontado e me surpreendi vendo Edward parado atrás de mim e com Nessie encostada em seu colo.
“O que você está fazendo aqui? Cadê Alice?” – Perguntei a ele.
“Ela pediu que viesse buscá-la.” – Informou, percebendo que eu ainda buscava encontrar Alice em alguma parte atrás de si. Olhei para Marie e ela ainda estava parada no mesmo lugar.
“O que aconteceu? Porque Alice não veio?” – Perguntei alarmada.
“Pode ficar calma que não aconteceu nada, ela só teve um imprevisto em cima da hora e não pode vir.” – Edward explicou e eu assenti sem muita vontade.
Eu esperava de tudo, menos encontrar um Edward de smoking negro, parado a poucos metros da saída do meu apartamento.
“Estão prontas? Já podemos ir?” – Ele perguntou.
“Eu não estou brincando, onde está Alice?” – Voltei a perguntar séria.
“E você acha que eu estou? Já lhe disse, Alice teve um imprevisto e não pode vir e por isso pediu para que eu a buscasse.”
“Alice te odeia, ela não faria isso.” – Rebati.
“Ela pode não ir com a minha cara, mas quando precisa é a mim que ela pede socorro.” – Rebateu sério.
Eu nunca, em todos esses anos de amizade vi Alice pedindo ajuda de Edward para nada, será possível que minha amiga estava ficando doida também ou será que a raiva dela estava diminuindo? Será que...
“E ai, vamos sair andando civilizadamente como pessoas normais ou você quer que eu lhe carregue no colo como estou fazendo com Renesmee?” – Perguntou sarcástico.
Sínico! – Gritei na minha mente.
Edward abriu a porta do apartamento e esperou que Marie e eu passássemos por ela. Marie pegou Nessie do colo dele e eu lhe passei as chaves do apartamento para que ele pudesse trancá-lo. Fomos caminhando em silêncio até o elevador e entramos nele. Quando chegamos ao hall alguns dos funcionários nos cumprimentaram e outros nos elogiavam – Era meio constrangedor, pelo menos para mim. – Marie, Edward e Nessie agiam normalmente e até sorriam para aqueles que lançavam alguns elogios.
Paramos em frente ao volvo prata de Edward e o encarei.
“Esse carro tem cadeirinha?” – Perguntei alerta, ele provavelmente não havia pensado naquilo.
“E você acha que está lidando com algum irresponsável?” – Disse ele abrindo a porta de trás do carro, dando espaço para que Marie e Nessie passassem.
Eu não respondi sua pergunta.
“Ok, é melhor nem responder.” – O escutei falar baixo.
Não esperei com que ele viesse abrir a porta do passageiro, simplesmente caminhei até o outro lado do veículo, abri a porta e entrei, me acomodando e colocando o cinto logo em seguida. Olhei pelo retrovisor e Marie já ajeitava Nessie na cadeirinha confortável.
“Ela não está me parecendo bem hoje.” – Escutei Edward dizendo perto do meu rosto.
Só naquele momento que reparei que ele havia entrado no carro e estava inclinado com o corpo um pouco para trás encarado Renesmee.
“Ela não amanheceu muito bem, parece meio enjoada e pra baixo. Marie está tomando conta dela e a vigiando, já lhe disse que qualquer coisa é só me chamar.” – Avisei.
“Pode chamar a mim também caso precise, Marie.” – Edward disse sério, muito sério por sinal. Marie somente assentiu e voltou a dar atenção criança.
Sem esperar ou falar nada, Edward virou-se para frente e deu partida no veículo. Ele ainda continuava sério e parecia chateado com alguma coisa que não atrevi perguntar.
O caminho foi tranquilo, só escutávamos o som dos carros ao lado de fora do veículo e a música leve e baixa que vinha do som de dentro do carro. O clima não era um dos piores, mas também não era um dos melhores. — Senti o carro ir diminuindo a velocidade até parar e olhei para a mansão Cullen, a movimentação já era evidente ali.
“Pra que tantos fotógrafos?” – Perguntei assustada.
Já imaginava que teria fotógrafos, entretanto tinham muito mais do que eu imaginava.
“Você conhece bem minha mãe, e quando ela e Alice se juntam as coisas pioram um pouco mais.” – Edward disse olhando na mesma direção que eu.
Aquilo seria um pesadelo. Passar por todos aqueles fotógrafos e imprensa não seria nada fácil. – Fechei os olhos, respirando fundo e voltei a abri-los, criando coragem para sair de dentro do carro e ir até a entrada.
Edward estacionou o carro no espaço reservado especialmente para aquilo. Era uma área aberta e já estava repleta de outros veículos da alta sociedade ali. Ao abrir a porta do veículo, percebi quando um dos jovens funcionários que trabalhavam ali naquela noite se aproximando.
“Necessita de ajuda Sra. Cullen?” – Me perguntou educadamente, pronto para estender a mão e me ajudar a sair do carro. Antes que eu pudesse responder, as mãos do rapaz foram substituídas por outra, acompanhada pela voz firme e rouca já bastante conhecida por mim.
“Não a necessidade John, eu cuido disso, obrigado.” – Agradeceu Edward com educação, mas ainda sério.
O garoto somente assentiu, saiu e voltou ao seu posto anterior.
Olhei para Edward e ele ainda mantinha a mão estendida para me ajudar a sair do carro. Sem pensar mais segurei sua mão e senti minha pele se arrepiar com nosso contato, pude notar que ele também pareceu perceber aquilo e seu olhar estava me avaliando lentamente enquanto me posicionava fora do veículo. – Corei – Edward pareceu perceber que estava “me secando” demais e saiu dos devaneios indo ajudar Marie com Renesmee.
Caminhamos até uma parte mais próxima da entrada e Edward olhou para nós com o olhar preocupado.
“É melhor eu entrar com ela Marie, você entra com Bella logo depois.” – Disse ele.
“Não. Eles vão cair em cima de você e podem machucar ela.” – Lhe disse.
“Isabella, confie em mim, sei bem o que estou fazendo. – Edward estendeu os braços e pegou Renesmee – Vem amor, vamos com o papai.” – Ele beijou a cabecinha dela e ela choramingou um pouco.
Marie passou um lenço sob os ombros de Edward fazendo com o tecido tampasse um pouco o rosto de Nessie.
“Pronto, agora os flashes não vão assustá-la tanto.” – Marie explicou e assentiu para que Edward pudesse ir.
Antes que fosse, ele me encarou.
“Passe por eles como se fosse cega, muda e surda, é o melhor a se fazer.” – Me disse, como se suas palavras fossem uma súplica. – Assenti.
Vi ele caminhando em passos rápidos até a entrada principal e quando chegaram alguns metros da porta, os flashes fortes dispararam um atrás do outro.
“Meu Deus, isso parece o inferno.” – Marie sussurrou ao meu lado e eu assenti, ainda pude vê-lo passar rápido entre algumas pessoas e desaparecer em seguida, entrando no local. – Suspirei aliviada.
“Agora é a nossa vez Marie.” – Informei para a senhora ao meu lado e ela segurou as minhas mãos.
“Prometa que fará o que ele lhe disse, finja de cega, muda e surda. Não deixe que nenhuma palavra ou nada e nem ninguém faça você perder esse brilho que você possui hoje.” – Disse Marie me encarando com os olhos verdes brilhantes e eu assenti em concordância. Ela suspirou e segurando minha mão começou a me puxar para a multidão, a mesma multidão que Edward havia enfrentado poucos minutos atrás.
Quando cheguei à frente da casa e vi todas aquelas pessoas apontando as câmeras em minha direção, os flashes fortes me cegando, foi então que me dei conta de quantas vezes eu já havia feito aquilo alguns anos atrás. Era uma sensação horrível, mas que de certa forma importante para o trabalho e reconhecimento, tanto dos Cullen, quanto de tantos outros artistas pelo mundo. – Enquanto Marie eu e Marie íamos passando, era impossível não ouvir algumas perguntas sobre minha separação com Edward, se Nessie era nossa filha legítima, se eu havia conhecido a amante dele, eram uma pergunta pior que a outra. Marie tentava a todo custo afastá-los de mim, pedindo para que, por favor, se afastassem e deixassem que eu passasse.
“Isso foi a pior coisa da minha vida!” – Exclamei agitada quando já estava dentro da casa.
Marie suspirou e parou ao meu lado perguntando se eu estava bem, só assenti e olhei para os lados procurando Edward, mas não o vi.
“Bella! – Senti dois braços finos rodearem minha cintura e me puxarem para um abraço apertado – Ainda bem que chegou... Você está bem?”
Alice me soltou e me encarava preocupada.
“Agora eu estou, Alice. – A encarei – Porque foi chamar tantos fotógrafos e repórteres? Por Deus Alice, isso foi a pior tortura de todos os tempos!”
“Desculpa amiga, mas hoje é um dia importante. – Explicou – Oi Marie, desculpa não ter lhe cumprimentado antes, como está?” – Alice e Marie se cumprimentaram como se ambas se conhecesse há anos, e de certa forma era assim.
“Marie, será que você pode ir atrás de Renesmee e ver se está tudo bem com ela enquanto converso com Alice?” – Lhe pedi e ela concordou saindo, saindo de perto, deixando Alice e eu sozinhas.
Encarei Alice e ela parecia estar muito feliz. Olhei para os dois lados e notei que não havia muitas pessoas ali, então puxei ela para um canto mais afastado da casa.
“O que eu fiz?” – Perguntou já sabendo do sermão que a esperava.
“O que você fez? Alice, o combinado era você ir me buscar e quando vejo, tenho um Edward parado no meio da minha sala, dizendo que você o pediu para me buscar.” – Sussurrei franzindo as sobrancelhas.
“Bella, olha, eu sei que parece estranho, mas eu precisei mais do que nunca vir mais cedo para cá e ajudar Esme.”
“Não podia ter pedido ao Jasper para me buscar? O que deu em você? Está gostando do Edward agora?” – Lhe perguntei encarando e ela me olhou desconcertada, mas voltou a sua expressão anterior.
“Não. É claro que não. Jasper precisava me ajudar aqui também... Ah, por Deus, não faça tanto drama, pare com isso, Edward não deve ter feito nada demais.”
“Está defendendo ele?” – Disse chocada ao perceber aquilo.
Ela ia se defender, mas algumas pessoas apareceram e nos cumprimentaram.
“Por favor, depois falamos sobre isso, tudo bem?” – Perguntou.
“Tudo bem Alice. – Suspirei tentando deixar aquilo pra lá. Ela tinha razão, nada iria adiantar agora. – Onde está Esme, Rosalie e o resto das pessoas? Não vi ninguém até agora.”
“Estão todos lá dentro. Na verdade as maiorias das pessoas está lá fora, a casa está praticamente vazia.” – Explicou sorrindo gentilmente.
“Ok, então vou lá cumprimentar a todos.” – Passei por ela e antes que eu me afastasse muito, Alice voltou a me chamar.
“E Bella!” – Girei meu corpo para olhá-la.
Alice mantinha um sorriso de aprovação total no rosto, mas aquele sorriso pra quem a conhecia, sabia que não era só de aprovação, era algo além disso.
“Você está incrível, aproveite!”- Piscou pra mim e girou, voltando a cumprimentar as pessoas que chegavam.
Franzi o cenho e me perguntei sobre o que ela estava falando, entretanto cheguei à conclusão que deveria ser da festa. Alice seria sempre Alice, ela nunca mudaria. – Caminhei, entrando cada vez mais para dentro da casa. Pelo caminho fui cumprimentando algumas pessoas que conhecia e outras que não conhecia também, mas às vezes até os desconhecidos me conheciam e me cumprimentavam primeiro.
A decoração da casa estava impecável. Alice, Esme e Rosalie haviam feito um trabalho incrível, como sempre. Todos os ambientes estavam bem iluminados e bem decorados com alguns arranjos de flores, no teto lustres modernos e brilhantes, em alguns cantos possuíam algumas cadeiras de vidro e pufes. – Fui para a parte externa e fiquei fascinada. A piscina azul estava iluminada por um reflexo de luxo, deixando com que ela ficasse ainda mais bonita que antes. O espaço estava repleto de cadeiras e mesas modernas, havia uma pista de dança bem ao fundo, um pouco mais afastada de onde as pessoas estavam sentadas conversando, as jogadas de cores eram perfeitas, combinavam perfeitamente com o ambiente e a luz do natural, que ajudava a destacar o dourado e os cristais.
“Elas fizeram um bom trabalho, não acha?” – Assustei ao não perceber que Paul havia parado ao meu lado.
“Oi – Cumprimentei – Desculpa eu não vi que estava ai Paul.” – Ele me lançou um sorriso branco e simpático, estendendo a mão em seguida para pegar a minha e levá-las até a boca, depositando um beijo sob ela.
“Olá, Bela dama. Você está incrível.” – Comentou me encarando fixamente.
Senti meu rosto esquentar e desviei o olhar puxando levemente minha mão da sua.
“Obrigada. Você também não fica atrás.” – Brinquei tentando descontrair o clima que havia criado.
Algumas pessoas passaram por nós e nos cumprimentaram.
“Pelo visto temos algo em comum – comentou – Eu também não conheço metade dessas pessoas.” – disse brincando.
“Quando juntam Esme, Alice e Rosalie a coisa é bem pior, ainda bem que a casa é grande porque pode apostar isso é só o começo.” – Lhe disse.
Enquanto conversava com Paul, senti que estava sendo observada e olhei em volta a procura de quem fosse. Edward e Emmett estavam parados do outro lado e quando perceberam que eu estava os olhando desviaram os olhos.
“Paul, preciso ir ver como está minha filha, com licença.”
Sai de perto de Paul e caminhei firme até onde Edward e Emmett estavam.
“Olá Emmett, como vai?” – O cumprimentei e ele aproximou-se um pouco mais para depositar dois beijos no meu rosto.
Emmett era uma boa pessoa.
Desde que eu e Rosalie havíamos nos reencontrado depois da minha gravidez, ela ficou mais próxima e as circunstâncias fizeram com que ele ficasse também; foi nesse meio tempo que percebi que Emmett era legal, um bom tio para minha filha, apesar de parecer um pouco duro e às vezes infantil, ele era uma pessoa do bem.
“Olá Bella, está linda.” – Disse ao me olhar. Emmett propositalmente olhou para Edward em seguida e agradeci com um sorriso sincero.
Notei que Edward e ele trocaram um olhar e pelo canto do olho, percebi Edward fazer uma leve careta e voltar a se concentrar no ponto fixo no meio do jardim que ele estava encarando desde que me aproximei.
“Onde está Renesmee?” – Perguntei para Edward.
“Se você estivesse realmente interessada em saber sobre ela, já teria vindo procurá-la ao invés de ficar jogando conversa fora com idiotas por ai.” – Respondeu secamente.
O encarei incrédula e Emmett o lançou um olhar de reprovação.
“Ela está lá dentro da casa com Marie, Isabella. Aqui está um pouco frio para ela.” – Emmett explicou, enquanto eu ainda encarava Edward sem acreditar no que ele havia dito.
Pisquei algumas vezes tentando me recompor e repeti pra mim mesma que não iria discutir ali. Não naquele dia que era especial para as pessoas que eu considerava demais. – Respirei fundo.
“Obrigada Emmett.” – Lhe agradeci antes de me virar e ir para dentro da casa.
Passei pela grande porta de vidro transparente que da casa e subi os degraus para o segundo andar da mansão. Estava tudo quieto e silencioso, era perceptível que aquele espaço da casa não estava liberado para o transito dos convidados, o longo e largo corredor possuía várias portas brancas que eram os quartos. – Caminhei até o quarto onde imaginei que Marie levaria Nessie, o antigo quarto do Edward. Aproximei da porta e a abri devagar, sem fazer nenhum ruído que pudesse assustá-las, e como o imaginado elas estavam lá.
A mulher estava sentada perto da grande janela que dava para o jardim onde a festa acontecia, Nessie estava deitada sob seu ombro, pude perceber que seu rostinho estava vermelhinho, ela havia chorado.
“Oi.” – Disse baixo para não assustá-las e Marie me encarou sorrindo fracamente.
“Desculpe ter desaparecido, ela não estava bem lá embaixo.” — Explicou olhando carinhosamente para minha filha.
“Tudo bem, Marie. Ela piorou?” – Me aproximei preocupada.
“Um pouco minha menina. Quando fui encontrar Edward ela já chorava bastante, ele estava desesperado procurando Esme para ajudá-lo.” – Explicou.
Caminhei até Marie e puxei Nessie para meus braços com cuidado. Ela choramingou um pouco e senti seu corpinho balançando um pouquinho devido aos soluços do choro recente. Deitei-a com o rostinho entre meu pescoço, alisei suas costinhas e depositei um beijo em sua testa.
“Ela está quente, Marie.” – Observei ainda mais preocupada que antes.
“Você se lembra da última vez que ela passou mal? Consegue se lembrar das recomendações da médica? – Me perguntou e assenti – Ótimo. Na bolsa dela tem alguns acessórios, acho que é bom dar um banho ou tirar essa roupinha dela.” – Assenti novamente.
“Pode deixar Marie, eu faço isso. Você pode, por favor, ir lá pra baixo e avisar Esme que não vou descer enquanto ela não estiver melhor?”
“É claro. Tem certeza que não quer ajuda?”
“Não precisa, eu assumo a partir daqui.” – Lhe abracei com cuidado para não apertar o corpo miúdo que estava entre nós.
“Qualquer coisa me chame, sabe que estarei sempre disponível.”
“Obrigada, Marie.” – Sorri fracamente para a senhora e ela saiu do quarto, deixando minha filha e eu sozinhas naquele quarto que me trazia lembranças pesadíssimas.
Suspirei cansada e me sentei onde Marie estava sentada há poucos minutos atrás.
A imagem do entardecer estava linda vista pela janela. O quarto se mantivera escuro e somente a luz que vinha refletida do lado de fora iluminava o ambiente, era uma vista privilegiada para qualquer pessoa. O céu estava sem qualquer sinal de nuvem e seu tom era meio azul mesclado com laranja. Os sons do primeiro piso não chegavam ali e isso era ótimo.
Segurei Nessie por baixo dos ombrinhos e fiz com que ela se sentasse sob meu colo, depois a deitei e tentei colocar a mamadeira em sua boquinha, mas ela chorou e empurrou o objeto para longe.
“Filha, você tem que comer. Vamos lá, ajuda a mamãe. – Conversei com ela e tentei novamente colocar a mamadeira em sua boca. Sem sucesso – Tudo bem.” – Concordei.
Deixei a mamadeira sob a cômoda, me dando por vencida.
Com cuidado, me ajeitei no sofá confortável que estava sentada. Fiz uma manobra para conseguir me livrar do pedaço de pano do vestido que cobria meu seio e ofereci Nessie, vendo se ela negaria o peito também, mas pareceu render algum efeito e ela aceitou de bom grado.
Matava-me vê-la tão frágil e doentinha. Era como se eu quisesse tirar todas suas dores e passar pra mim mesma e ela não sofresse, porém aquilo era impossível. Olhar seu rostinho branquinho e os olhinhos verdes me trazia tranquilidade e paz, mesmo naquelas circunstâncias.
Vi que não estava sozinha quando senti uma respiração quente próxima ao meu pescoço. – Virei-me um pouco assustada para encarar a pessoa que estava a poucos centímetros de mim.
“Edward? Você me assustou.” – Sussurrei para não assustar nossa filha que havia se acalmado um pouco.
“Desculpe. Eu não queria assustá-la.” – Respondeu em um tom baixo como o meu, a diferença é que sua voz sussurrada ficava rouca.
“Tudo bem. – Encarei seus olhos, que eram tão verdes quanto os de Nessie. – Ela não estava bem, me desculpe tê-la deixado com você todo aquele tempo, eu precisei conversar com Alice e...” – Fui impedida de terminar minhas desculpas.
Seus dedos agora estavam sob meus lábios impedido com que eu dissesse qualquer outra coisa.
“Perdoe-me. Perdoe-me por tudo isso Isabella. Perdoe-me por ter sido um idiota agora a pouco com você, eu não podia ter feito aquilo, mas te ver perto de Paul ou de qualquer outro homem me deixa sem rumo. Eu fico cego. Por favor, me perdoe por aquilo.” – Suplicou parecendo agoniado.
Fiquei por alguns instantes sem saber o que lhe responder, agora estava explicada sua grosseria, tudo era ciúmes. Edward estava com ciúmes.
Ciúmes... Um sentimento horrível e devastador, eu sabia bem como era sentí-lo. Sabia muito bem, pois quando nossa relação estava desgastada, por diversas vezes senti aquilo. Sabia também que pelo olhar de Edward, ele estava sentido as mesmas coisas que eu sentia quando o via com outras mulheres.
Tirei sua mão do meu rosto devagar, usando a minha mão livre. Pisquei algumas vezes e olhei para baixo encarando Renesmee que ainda estava acordada e seus olhinhos fracos abertos. Não demoraria a que viesse dormisse. – Voltei a olhá-lo.
“Por favor, nós precisamos conversar, mas não na frente dela. – Lhe disse referindo-se a bebê – Espere alguns minutos e logo ela irá dormir.”
“Tudo bem. Estarei lá embaixo, se precisar de mim é só me chamar. Eu volto daqui uma hora para ver se ela já dormiu.” – Disse e concordei.
Edward se aproximou mais e depositou um beijo com carinho na cabecinha de Nessie. – Pensei que ele iria se afastar rápido e sair do quarto, mas pelo contrário...
Edward aproximou a cabeça perto do meu rosto e seus olhos iam dos meus para a minha boca. Eu estava perdida. Eu sentia que estava perdida. – Minha respiração pareceu falhar por alguns segundos, quando acreditei que não podia mais respirar, Edward aproximou ainda mais seu rosto do meu e senti sua boca sugar meu lábio inferior.
Continua...
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