For My Dream
32 XXVIII - Eu quase alcancei.
Notas iniciais
A ruiva andava com pressa pelos corredores da pequena enfermaria. Tudo o que mais queria no momento era ver Lucy, matar a saudades de alguém que lhe contribui tanto e o que menos queria era ver Ultear. Eis a razão de sua pressa.
Dava tantos passos, – ou talvez fosse só impressão – e parecia nunca chegar ao consultório da loira. Finalmente avistou a porta onde a plaquinha com o nome da doutora era vez pendurada. Suspirou um tanto aliviada por não ter esbarrado com Ultear. Aquela era a pior coisa que poderia lhe acontecer num dia que, até o momento pelo menos.
Deu três batidas, que mesmo sendo de leve, ecoaram naquele lugar silencioso. Escutou a voz da loira no interior da sala dizendo-lhe para adentrar ao local e ela o fez prontamente querendo se enfiar ali logo para que as chances de ser vista, não só por Ultear, mas também por outra médica que poderia desconfiar diminuíssem.
Fechou a porta com cuidado para evitar o barulho e virou-se com um enorme sorriso já preparada para cumprimentar a loira. No entanto, esse sorriso morreu ao ver a morena sentada em uma das cadeiras em frente à mesa da dona da sala. Engoliu em seco. Queria muito falar com Lucy, contar e receber novidades, mas agora só desejava sair rapidamente dali.
— Ah, sinto muito. Eu já estou de saída – disse sorrindo amarela virando-se para sair.
— Se Lucy lhe pediu pra entrar então é porque ela não pensa que você está atrapalhando, certo? – a voz da morena soava sarcástica e aquilo irritava profundamente a ruiva.
— Não estou me desculpando por achar que estou atrapalhando, tampouco me importo. O que tenho pra falar com a Lucy é em particular, se essa não é a melhor hora, não ligo de sair. – finalizou sorrindo de canto. Ela nem mesmo sabia o que era aquilo. De onde tirara coragem para enfrentar Ultear e retribuir um sorriso cínico?
— Hum entendo... E o que você tem pra falar com ela é sobre o seu final de ano com Jellal? – perguntou com certa irritação na voz, porém, controlada.
— Talvez. Pensando bem, se você quiser ouvir eu não vou me incomodar. – ela alargou seu sorriso.
— Eu garanto que tive festas tão boas quanto as suas, talvez até melhores. Obrigada, mas recusarei e deixarei vocês sozinhas. – dito isso deixou a sala.
Erza não entendeu muito bem o que ela quis dizer com aquilo. Então ela havia desistido de Jellal? Aquilo seria ótimo, perfeito na verdade. Nem mesmo passou por sua cabeça a possibilidade de Ultear dedurá-la. Capaz de ela estar confiante de que aquilo não iria acontecer.
Sentou-se na cadeira ao lado da que Ultear estava há poucos segundos. E passou a fitar Lucy mandando-lhe um olhar e um sorriso fofo que a loira entendeu rapidamente que algo relevante havia acontecido.
— Antes de você me contar o que aconteceu eu quero saber o que foi aquilo. – começou a doutora cruzando os braços.
— Aquilo o quê? –tinha ideia do que a amiga estava falando, só não tinha certeza.
— Como assim? Você bateu de frente com a Ultear! Pensei que tivesse medo dela.
— Bem, eu não posso ter medo pra sempre, tenho que enfrentar os desafios às vezes. – ela encolheu os ombros – Não posso deixa-la pisar em mim sempre.
Lucy sorriu graciosamente apoiando os cotovelos na mesa. Ela passou a fitar Erza de forma ansiosa querendo saber o que estava deixando-a tão feliz.
— Você está certa... – a loira se aproximou sentando-se ao lado de Erza – Enfim, vai me contar o que aconteceu ou não?
O rosto de Erza começou a mudar de cor. Não era muito de falar sobre essas coisas com as outras pessoas. Era uma leiga antes de passar pela experiência, perdera um pouco de sua vergonha, mas ainda assim, não sabia como falar sobre.
— B-bem é que... – ela abaixou a cabeça dando um meio sorriso tímido.
— Você e o Jellal transaram? – disse com um enorme sorriso e um tanto alto. Não pôde nem mesmo ver a mão da ruiva acertar seu rosto. O impacto a fez ir um pouco pra trás, quase caiu da cadeira. Erza era realmente forte. Pousou a mão sobre o rosto querendo diminuir a ardência – Erza! – ela olhou para a ruiva que possuía a face totalmente avermelhada.
— N-não fale tão alto. – disse colocando o dedo sobre os lábios.
— D-desculpe. – elas riram – Então é verdade mesmo? Foi bom?
— Lucy!
— Só estou perguntando. Se você me contar eu conto sobre Natsu e eu.
— N-não... Eu não preciso saber sobre as suas intimidades.
— Somos amigas, poxa. Enfim, o que tem a mais?
A ruiva puxou o tecido de um dos dedos, tirando a luva cautelosamente. Mostrou a mão com o anel. Foi um momento de surto para a loira, o que assustou um pouco Erza.
Lucy começara a pular e gritar, abraçando a ruiva desejando-lhe infinitos “parabéns” dizendo que queria ser a madrinha.
Aquilo alegrou Erza. Ela realmente tinha uma amiga. Queria que aquilo durasse mais, mas infelizmente a ruiva tinha de sair. Seria suspeito se sumisse da vista dos outros recrutas por muito tempo.
~*~
O dia fora tranquilo para eles. Naquele dia, as atenções foram voltadas para os novos recrutas, eles precisavam saber sobre as regras, os treinos e tudo mais. Então, eles que eram do ano passado tiveram toda a tarde livre, mas já lhes fora avisado que essa mordomia não seria sempre. Os treinos ficariam mais pesados dali pra frente e isso já tinha sido mostrado com o anúncio do treino especial do dia seguinte.
A ruiva estava deitada em sua cama sendo abraçada por trás pelo amado. Detalhe: estavam ambos completamente nus. Erza sentia-se desconfortável com a situação. Até alguns dias atrás não estava sentindo tanta vergonha de Jellal, mas no momento estava querendo sair dali e se enfiar num buraco. Eles haviam feito aquilo novamente, e ela não estava se sentindo assim no calor do momento, mas agora lhe batia uma vergonha. Talvez pudesse ser o local que lhe deixava preocupada. E se alguém entrasse ali e os visse? Tinham trancado a porta, mas, obviamente, não eram os únicos a possuir a chave.
— O que foi? – ouviu a voz rouca de Jellal questionar-lhe – Você parece aflita...
— N-não se preocupe, é só sobre o treino de amanhã – mentiu. Ela não era tão boa em fazer aquilo com ele, mas pedia mentalmente para que funcionasse.
— Não há porque se preocupar. Você é uma das mais fortes, lembra? – disse dando um beijo estalão em sua nuca seguido de um sopro.
— Hum... Não sei. Não conheço as habilidades da maioria. Não foram todos que ficaram apenas aproveitando nesse recesso, alguns pegaram firme no treino tentando corrigir aquilo que lhes faltava.
— Então se arrepende de ter passado o recesso comigo? – perguntou erguendo-se para ver o rosto de Erza.
— Claro que não. – ela disse sorrindo e, dessa vez, não mentia – Foram uns dos melhores momentos que eu já tive. – dito isso teve seus lábios selados pelo azulado. – Bem... – ela fez menção de começar uma frase sentando-se na cama ainda coberta pelo edredom.
— Aonde vai? – indagou segurando o pulso da garota.
— Não estamos em qualquer lugar. Não posso ficar vestida assim... Quer dizer, não posso ficar tão à vontade. – ela tentou se levantar da cama sendo presa novamente – Jellal, o que diabos... – ela foi interrompida.
— Não pode sair a menos que peça minha permissão – disse afundando o rosto na curva do pescoço dela.
Pensando bem, não poderia haver problema de ficarem ali apenas mais alguns minutinhos. Quais eram as chances de alguém entrar no quarto? Sorriu dando destaque às suas bochechas avermelhadas.
A Erza do passado realmente não tinha ideia de que poderia ter alguém que a fizesse mudar de ideia tão frequentemente.
~*~
Todos estavam no enorme campo de treinamento. Nenhum deles nunca havia estado ali, e por quê? Não ficava no mesmo local do quartel. Ficava na floresta local da cidade.
Alguns pareciam ansiosos, outros estavam tranquilos e a minoria parecia nervosa. E por incrível que parecesse Erza se encaixava nessa minoria.
Algumas lutas já havia se passado. Passavam-se mais rápido do que o esperado. Todas tinham limites de 25 minutos. Dava empate caso ninguém acabasse antes. Erza não prestava atenção em nenhuma delas, apenas estava concentrada bolando estratégias normais mesmo sem saber quem seria seu oponente.
— Enzo Scarlet contra Rogue Cheney. – a voz do general ecoou pelo alto falante. –Andem logo!
Erza assustou-se. Não tinha ideia de quem era esse. Andou depressa entre os rapazes para chegar ao centro da arena.
Assim que os nomes foram mais uma vez anunciados de forma alta e clara, os dois recrutas destinados a se engalfinharem se aproximaram do centro do campo de batalha.
Desde o começo das lutas, a adrenalina já havia sido jogada no sangue de Erza. Ela só não entendia por que. Ela lutou contra alguns no treino especial, sendo assim, não havia motivo algum para ficar assim. Não sabia distinguir se aquilo era bom ou ruim. Poderia estar ansiosa pela batalha, ou essa ansiedade poderia indicar medo. Não um medo de perder, apenas... Medo.
Ouviu os cochichos sobre o oponente ser forte, mas ela não o viu ter tanto destaque assim no início, nem mesmo havia reparado nele. Talvez seja porque ela tinha coisas demais para se preocupar na época.
Parou no meio do campo a alguns metros de distância do moreno. Fulminou aquela espada com o olhar enquanto se perguntava qual era o tipo de técnica dele. Passou a fitar as orbes rubras do garoto a sua frente. Ele não parecia estar ali para brincar. Sua atenção foi rapidamente desviada para o General que levantou o braço anunciando o início da batalha.
Erza foi pega de surpresa. Ela havia ficado tanto tempo pensando enquanto Laxus falava? Ela não havia dado nem um pouco de atenção.
Seus olhos quase não puderam acompanhar o movimento do rapaz a sua frente. Antes mesmo que pudesse notar, ele já estava saltando em sua direção com o punho cerrado em direção ao seu rosto.
Por um milissegundo conseguiu dar um salto para trás caindo de lado no chão, mas era exatamente isso que queria. Colocou sua mão no chão dobrando o braço para que conseguisse voltar para a direção do rapaz. Fez isso com uma das pernas esticadas acertando em cheio o rosto do moreno que cambaleou para trás.
Caiu agachada com os pés no chão logo se levantando novamente. Pelo visto aquilo não seria tão difícil assim, mas ajudaria saber qual era o nível dele.
Olhou para ele que estava parado à sua frente, do mesmo jeito e quase à mesma distância de antes da luta começar. Ele possuía um ar estranho.
— Sinto muito, mas não estou com paciência e quero acabar com essa luta logo. – disse num tom calmo. Seu olhar parecia arder em chamas.
Erza ansiou para saber o que ele faria e, pelo visto, não seria brincadeira. Deu alguns passos para trás. Não sabia o quão grande aquilo poderia ser.
Uma aura negra começou a rodear Rogue lentamente, para pouco depois, arder como chamas em volta dele. Erza sorriu fingindo que esperava algo como aquilo, mas na realidade, não tinha ideia de que alguém ali utilizasse magia de sombras.
Esticou o braço para o lado pouco acima de sua cabeça. Uma enorme espada surgiu em sua mão. Continha alguns espinhos no começo, mas o resto parecia muito bem afiado. A ponta era retangular. Aquela espada fazia parte de uma de suas armaduras, que obviamente, não poderia ser vestidas por ela por serem femininas demais. Mas ela gostaria, afinal, elas lhe deixavam bem mais forte.
Arrastou a espada no chão colocando-a um pouco atrás de si. Inclinou o corpo para frente segurando a espada com suas duas mãos. Fazia tudo sem desafixar o olhar do de Rogue. Sussurrou um “venha” que pôde ser entendido por ele, apenas pelo movimento de seus lábios.
E foi isso que ele fez. Arrastou o pé esquerdo para trás dando um impulso em direção à ruiva. Ela, prontamente, colocou a espada diante de si como modo de defesa, porém, ele desviou da mesma atingindo-a pela lateral com um chute.
Não foi tão forte e não fez tanto efeito assim em Erza. Ao que parecia, o moreno pretendia dar um sequência de chutes como aquele na oponente e assim, deixa-la fraca pra usar um golpe mais forte, mas não o fez. Ou melhor, não conseguiu concluir isso. A ruiva virou repentinamente com a espada dando cortes surpreendentemente rápidos para o tamanho da arma.
Rogue deu alguns pulos para trás sendo, incisivamente, perseguido pela oponente.
Erza queria acertá-lo pelas costas, assim, poderia derrotá-lo sem machuca-lo tanto. Saltou por cima do moreno, que, num movimento inacreditavelmente veloz, puxou a tão misteriosa katana. Esta, no mesmo momento, roteou-se de sombras. Erza não pode nem mesmo pensar. Estava saltando por cima do rapaz naquele momento, não podia prever seus movimentos.
Aquilo teria machucado feio. Foi sorte, ou quase isso. Pousou no chão de costas para ele sentindo apenas uma pequena ardência em sua barriga. Olhou para o ferimento, sendo nesse momento que seus olhos se arregalaram; Sua roupa estava rasgada, do umbigo até o colo.
Ela paralisou. Nem mesmo respirava. E o pior: Estava de frente para os demais recrutas que assistiam a luta, juntamente com Laxus e com o Coronel. Pouquíssimas camadas restaram de suas ataduras e mesmo que partes delas ainda estivessem lá, seu busto não era invisível. Ela quis sumir. Desejou, por um único segundo, nunca ter estado ali, nunca ter desobedecido a seu pai, nunca ter se interessado por magia.
Com pouquíssima coragem, aprumou seus olhos para o restante, encontrando um Jellal tão assustado quanto ela, uma feição surpresa de Gray tornando-se num sorriso de deboche e o cenho franzido do General que começara a dar passos firmes até ela. Não existiria salvação para aquilo. Tudo o que se passava em sua mente ali era "Eu quase consegui alcançá-lo".
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