Notas iniciais
Boa leitura!

Oito horas dentro de uma lata voadora. Oito. Horas! Sem contar que quando chegamos ao aeroporto, tivemos que esperar mais três horas para o embarque. Por que o voo atrasou?... Não!... E sim porque minha mãe nos fez chegar com tantas horas de antecedência. Por que!?... Porque ela é louca! Fez nos apressarmos alegando que tínhamos pouco tempo mas era só para que ela tivesse controle, ela sabe que pessoas apavoradas seguem ordens muito melhor que as em sã consciência. Eu disse que ela é autoritária.

Agora com os nervos mais tranquilos, minha mãe volta a ser o amor que sempre foi. E por isso, estou morrendo de raiva. Mas vou relevar. Já chegamos à Angeles e agora estamos em um táxi a caminho de nossa nova casa. Admito que estou ansiosa para conhecê-la. Meu pai disse que é maior que nossa casa em Carolina, e nossa casa em Carolina é enorme. O clima daqui é muito gostoso, é quente, mas não muito, o ideal diria, com uma brisa deliciosa. A cidade é linda, muito movimentada e as pessoas parecem simpáticas. Tem muita arquitetura histórica, mas também modernas. Bastante espaços verdes o que achei um máximo.

O taxi seguiu por mais alguns minutos até chegarmos em um bairro residencial de altíssimo padrão, as casas eram enormes e muito bonitas. Paramos em frente a uma, simplesmente deslumbrante.

— Chegamoos! — cantarolou minha mãe.

— Ual! Essa será nossa casa? Ela é incrível! — May comentou com os olhos brilhando e um sorriso de orelha a orelha.

— Caramba! Mãe, pai… a casa é incrível mesmo! Eu amei! — disse. Eu estava tão radiante quanto May. Meus pais acompanhavam nossa euforia com a casa nova. Estamos todos muito alegres e ansiosos para conhecê-la melhor.

— Nem preciso perguntar se gostaram então — disse meu pai super contente — vamos logo!

— Pai, quem é ela? — Havia uma mulher madura na porta de casa nos aguardando com um enorme sorriso.

— Essa crianças, é Adelaide, minha nova assessora. Adelaide essas são América e May, minhas adoráveis filhas, meu garotão Gerad e minha esposa Magda você já conhece. — Apontou meu pai respectivamente para cada uma de nós.

— É um prazer conhecê-los, sejam muito bem vindos à Angeles. Espero que tenham feito uma boa viagem.

— O prazer é nosso — May e eu respondemos em uníssono.

— Ah sim! Fizemos uma excelente viagem, ocorreu tudo tranquilamente. — Disse cinicamente minha mãe. May e eu nos entreolhamos com cara de indignação. Mal sabe Adelaide o que ela nos fez passar.

— Que ótimo! Então vamos entrando para conhecer a nova casa de vocês — disse Adelaide enquanto abria a porta para nossa passagem.

A parte interna da casa era tão linda quanto a externa. Muito bem iluminada pela luz natural que invade a casa pelas enormes portas janelas. De longe enxergo a piscina. Tudo moderno e já mobiliado, pronta para morar. Segundo Adelaide tem 6 suítes e dois quartos. Ela é realmente linda.

— Meninas o quarto de vocês é só subir a escada pegar o corredor e são as duas primeiras portas a direita. São iguais, então é só escolher quem fica com qual. Gerad o seu é a terceira porta. — indicou a assessora. Subimos correndo para conhecer.

Deixei que May escolhesse, afinal, realmente eram iguais, e tinham a mesma vista para a parte de trás da casa. Assim que ela escolheu o da segunda porta eu comecei a me acomodar no meu novo cantinho. O quarto era enorme, um banheiro lindo e um closet gigante. Adoro. O quarto ainda não tem minha cara, mas vou decorá-lo a meu gosto com o tempo.

— Meninas! — Chama minha mãe, admito que ainda estou nervosa com ela, então seu chamado vai lá na minha alma me irritando profundamente, mas o que posso fazer a não ser atendê-la?

— Sim mãe. — May chega junto comigo e sentamos na ilha da cozinha. Notei que a assessora não estava mais ali. Então chegou a hora de conversar e se organizar para essa nova vida.

— Bem… agora querendo ou não, estamos iniciando um novo ciclo — meu pai começa a introduzir, minha mãe ao lado dele segurando sua mão — ainda somos a família que sempre fomos, só que em um lugar diferente. Angeles vai sentir a pressão da presença dos Singer agora. — Meu solta essa sorrindo muito orgulhoso. Minha mãe dá uma cotovelada em sua costela o fazendo saltar.

— Sei que o processo de adaptação não é fácil, mas com o tempo tudo se ajeita. — Disse dona Magda com um sorriso amistoso — Certo! As coisas aqui não são muito diferentes da Carolina, a não ser pela escola. O ano letivo aqui começa antes, no caso começou semana passada, isso para o seu colégio America, — fala direcionando seu olhar para mim — O de May e Gerad, por sorte, começa apenas segunda. — limpo a garganta, não gostei das minhas aulas já terem se iniciado —Seguem os mesmos horários que vocês já estavam acostumados. E em relação ao meu trabalho e do seu pai, também segue a mesma coisa. Como podem ver, não é nada muito diferente exceto pelo local e pessoas. — Ou seja, quase tudo. Se a mudança fosse apenas dos horários, ok, mas mudamos tudo. Dona Magda não vê isso pelo jeito.

— Muito bem pessoal — meu pai nos tira daquela conversa chata — quero apresentar a vocês algumas pessoas e vejo que elas acabam de chegar — disse meu pai olhando para a janela. A campainha toca e ele vai abrir — entrem por favor — ele acompanha as mulheres até onde estávamos. — essas são as senhoritas Anne, Mary e Lucy. Elas que irão cuidar de nossa casa a partir de hoje. Sejam gentis com elas. E essa é a senhora Betina, nossa renomada chef de cozinha. — disse meu pai passando o braço pelos ombros de Betina de forma calorosa. Parece até que já se conheciam.

— Betina já trabalhou para nós quando Kota era pequeno e você estava no forninho America — acrescentou minha mãe. Agora eu entendi o carinho.

Sem pensar duas vezes, May e eu fomos cumprimentar com abraços as moças que vieram trabalhar para nós. Pareceram surpresas com nossa atitude mas retribuíram contentes. Elas eram bem tímidas exceto por Mary, ela era muito animada e engraçada. Senti olhares pesados de Anne sobre ela. Mas no geral gostei muito de todas. A comida de Betina era divina. Nunca comi nada parecido. Já vi que vamos nos dar muito bem.

O resto do nosso sábado se resumiu em organizar tudo, as meninas são bem prestativas e rápidas, minha mãe as adorou. Apesar de ainda ter muito para ajeitar, já conseguimos adiantar bastante coisa. E nesse vai e vem memorizei todos os cômodos da casa, e teve um em particular que eu me emocionei ao descobrir. Uma biblioteca com um belíssimo piano de cauda branco disposto no centro do cômodo. Com certeza aquele era meu local favorito da casa até o momento. Eu amo música. É meu refúgio em tempos difíceis, minha calmaria em tempos agitados. Pratico muito o violino e o piano, por isso fiquei muito contente de encontrá-lo.

Já era noite e eu estava de olhos fechados apreciando a leve e graciosa melodia que soava a cada tecla que eu tocava do piano. Ouço a porta se abrir, mas eu estava tão conectada que não consegui prestar atenção no convidado. Que esperou pacientemente a última nota se esvair.

— Espero muito que possamos ser felizes aqui. — Uma voz calma e calorosa invade meus ouvidos.

— Nós seremos pai, você vai ver. Principalmente agora que a família ficará completa, já que Kenna e Kota estão por perto.

— É verdade gatinha. Sua mãe está radiante por conta disso — disse meu pai com um belo tom de alegria e satisfação na voz, sentando-se ao meu lado da banqueta — até marcamos um almoço para amanhã.

— Que bom! Estou morrendo de saudade deles.

— Eu também. — disse com um sorriso cansado no rosto — E eu tenho uma surpresa para você, vai chegar amanhã. E já quero que me prometa que tomará cuidado. — Arqueei a sobrancelha. Do que ele está falando? Que surpresa é essa?

— Que surpresa? — perguntei já sabendo que ele não me diria.

— Se eu contar não será mais surpresa — ele advertiu rindo — agora, me prometa que tomará cuidado!

— Como posso prometer sem ter a mínima ideia do que é? Vai que eu prometo nunca mais comer torta de morango? Como vou viver assim? — pergunto em tom brincalhão cruzando os braços ao mesmo tempo. Meu pai me olha com uma cara que dizia que eu sei que ele jamais faria isso — tudo bem pai. Eu prometo tomar cuidado com essa tal surpresa. Tá legal?

— Ótimo! Tenho certeza que você vai adorar. Agora — meu pai se levanta — acho melhor você ir se deitar. O dia foi muito longo e já está tarde. Precisa descansar.

— É verdade… e que dia longo em! — já fui me levantando passando o braço pela cintura do meu pai caminhando para fora da biblioteca — Dona Magda surtando já de madrugada, espera eterna em uma poltrona de aeroporto, pés fora do chão firme por oito horas, casa nova, empregadas novas — fui listando todos os ocorridos do dia enquanto subíamos as escadas e meu pai ria de mim, até que chegamos a porta do meu quarto. — Boa noite pai, te amo.

— Boa noite gatinha, também te amo.

Fechei a porta atrás de mim. E me permiti soltar um longo suspiro. Eu realmente estava cansada. Fui direto para o banheiro tomar um banho. Assim que terminei, coloquei meu babydoll azul claro e me joguei na cama. E imediatamente uma pessoa que não tive tempo de pensar antes, invadiu meu pensamento instantaneamente. Sorri igual uma boba com as lembranças.

Ah Maxon, o que será que você andou fazendo desde a última vez que nos vimos?