Fomaríamos um Maravilhoso Nós
4 Família completa
Adoro dormir, e quando tiram de você algo que você adora, não é legal, você não fica legal. Principalmente quando você está se concentrando ao máximo para se manter em um belo sonho com um tal loiro gostoso. Estava próximo de lascar um beijo no loirinho quando… ele joga um balde de água em mim? Não… espera… o que!?
— Acorda ooo feiosa adormecida — sento rapidamente assustada na cama, quando vejo, tem uma praguinha de cabelos ruivos ao meu lado rindo da minha cara com um copo na mão — que é? Ta me olhando assim por que? Atrapalhei seu encontro com o ursinho Pooh? — disse gargalhando.
— Vai a merda May — isso só fez ela rir mais — não era o ursinho Pooh dessa vez.
— Era quem então? O leitão? — ela estava chorando e se contorcendo de tanto dar risada. Mas dessa vez não era engraçado.
— O que você quer em? Está cedo e é domingo.
— Kenna e Kota estão a caminho, mamãe disse para vir te acordar e usar qualquer meio que fosse necessário para que você levantasse logo. Caramba em Ames, parece até que eu sou a irmã mais velha. — fiquei boquiaberta, como ela ousa falar assim comigo?
— Calada, eu troquei suas fraldas, me respeita — disse levantando e indo até o banheiro — e vou contar para a mamãe que você molhou meu colchão. — disse fechando a porta.
Tomei um banho rápido e fiz minha higiene matinal. Vesti um shorts jeans claro com alguns rasgos e um cropped branco, nos pés uma sandália rasteira nude. Não lavei o cabelo e por sorte, ele estava lindo, liso na raiz e ondulado nas pontas. Adoro quando ele fica assim por conta própria. E desci para o café.
— Bom dia família! — passei dando beijos em cada um presente, até na Betina que ficou sem graça, mas me agradeceu com um sorriso lindo.
— Bom dia filha! — meus pais responderam.
— Uuu… já melhorou seu humor então — May apareceu toda de gracinha.
— May molhou minha cama, se começar a feder vou roubar a dela. — disse encarando minha mãe.
— Se você acordasse no horário que deve sua cama não estaria molhada — respondeu dona Magda com um olhar sarcástico e dando sua mão de encontro com a de May aprovando sua atitude. May me olhava com um sorriso que dizia: toma essa.
— Não acredito que está defendendo ela, é domingo mãe, e ontem acordei cedíssimo e não parei o dia todo ajeitando a casa. Tinha direito de dormir o quanto quisesse. — falei indignada.
— Ela tem razão querida — meu pai me defendeu levando a xícara até a boca fitando o líquido dentro dela enquanto virava, evitando o olhar mortal de mamãe.
— Seus irmãos chegam logo, quero todos presentes para recebê-los. Custasse o que tivesse que custar — Revirei os olhos.
— E Gerad, cadê? Vão ir jogar água nele também? — falei pegando uma torrada e sentando à mesa.
— Gerad está desde às sete da manhã fazendo Lucy e Mary de escrava. Estão lá fora jogando bola. Pobre da Lucy, levou duas boladas na cara já. — Acrescentou May.
Olhei para fora, nos fundos da casa, deu para notar eles um pouco mais distante. Gerad driblava Mary que ia com toda energia para cima dele enquanto a pobre da Lucy estava no gol se encolhendo sempre que Gerad se aproximava com a bola. Ouvi ele gritar para ela que não era daquele jeito que se defendia o gol.
— Coitadas… mãe, faça alguma coisa…não é função delas brincarem com Gerad — adverti minha mãe. Claramente Lucy não estava à vontade, mas para minha mãe, desde que seu menino de ouro esteja feliz o mundo pode explodir.
— Verdade mãe. Lucy está com cara de quem vai chorar daqui a pouco. — May me ajudou.
— Vou chamá-lo para tomar café — levantou ela da mesa com cara de preocupada, pois não tinha notado esse detalhe.
— E então Senhor Singer — comecei a chamar atenção do meu pai — estou ansiosa pela surpresa que me prometeu.
— Que surpresa? — perguntou May curiosa e decepcionada ao mesmo tempo, pois ninguém havia lhe prometido nada.
Meu pai estava sorrindo.
— Estava esperando você me perguntar — disse já se levantando, dei um salto pois entendi que deveria acompanhá-lo — May, querida, chegará sua vez também, fique tranquila. — isso não pareceu confortá-la, mas a mesma se levantou também disposta a saber do que se tratava a surpresa.
— Vez do que? — Dona Magda aparece segurando firme o braço direito de Gerad. Alguém recebeu uma bronca.
— De receber a mesma surpresa que America, querida.
— Ah sim! America, filha… você tem que prometer tomar cuidado. — suplicou minha mãe olhando nos meus olhos.
— Já conversei com ela ontem Magda, e ela me prometeu se cuidar — mamãe pareceu mais aliviada com o comentário de papai.
— Ok! Agora eu estou ficando nervosa, o que é? Falem logo! — exigi.
— Venha ver você mesma — agora meu pai estava super empolgado me guiando até… a garagem. Ai. Meu. Deus!! Será!?
Quando chegamos na garagem, havia três carros sem placa. Duas Mercedes SUV, supus que uma era da minha mãe e outra do meu pai. Ambas eram pretas. E lindas. De baixo de um pano dourado eu sabia que tinha mais um carro, e que esse era para mim óbvio. No entanto, esse era um carro baixo. Tinha certeza que era algum modelo esportivo.
— Mãe, pai! Não acredito! — Levei as mãos à boca, meus olhos já marejados, sempre quis um carro e meus pais sabiam.
— Você sempre foi uma ótima filha. Mereceu o presente, além do mais, você ia precisar de um para ir ao colégio — nesse momento meu pai revela o que estava abaixo do tecido. Uma porsche carrera branca.
— Aaaah ela é lindaa!! — corri abraçar meus pais — Muito obrigada! Eu amei a surpresa! — meu pai me entrega as chaves. Já sabia dirigir, tinha carteira e tudo que precisava, menos um carro. Agora estou com o kit completo.
— De nada filha. Mas lembre-se! Cuidado! Afinal, essa belezinha anda que é um foguete — disse meu pai dando umas batidinhas no carro.
— Pode deixar pai — respondi radiante.
— Você pode testar ela hoje já! Tem que comprar seus materiais para o colégio que começa amanhã. Assim já vai se acostumando também — disse minha mãe.
— Com certeza — afirmo dando saltinhos de alegria — May vai comigo não é? — olhei para minha irmã que estava tão encantada quanto eu.
— Claro que vou! Mas só se me prometerem me dar uma dessa vermelha quando eu for pro meu último ano do colegial, quero uma que combine com meu cabelo — disse ela jogando seus ruivos cabelos para trás — e vou chamar ela de “Fire”. — Todos rimos. Meu pai aperta o ombro de May para tranquilizá-la, pois ela terá a Porsche dela. E então a campainha toca.
Já sabíamos de quem se tratava, ou seria Kenna com seu marido James, ou Kota. Subimos correndo as escadas pois a garagem é no subsolo. Nos agrupamos em frente a porta de entrada enquanto o convidado seguia apertando a campainha demonstrando já estar impaciente pela espera. Pedimos para as meninas que abrissem a porta apenas quando estivéssemos todos ali. Mamãe gosta do clichê. E então Mary abre a porta enquanto aguardamos todos sorridentes. Kenna, James e Kota estavam lá. Nesse momento houve apenas gritos de animação e corrida para dar abraços apertados dignos de matar saudades.
— Aah meus filhos. Que saudade eu senti de vocês! — disse minha mãe quando dava o quinto abraço em Kenna e depois em Kota.
— Ah sim! Pude notar a saudade — disse Kota em tom sarcástico — estávamos quase indo embora pela demora para atenderem a porta.
— Não seja bobo — mamãe dá um tapa no braço dele — não demoramos tanto assim — Kota não diz nada, só a olha com cara de: não era você que estava ali — é que estavamos apresentando para a America o presente dela. Agora entrem logo. — ordenou dona Magda empurrando James para dentro.
— E que presentão em irmã! Não sabe como foi difícil encomendar ela. — disse Kota com as mãos no bolso.
— Foi você que escolheu? — perguntei animada. Meu irmão assentiu — caramba Kota! Você não sabe como eu adorei. Obrigada!
— Não há de quê maninha. Vai dar altos rolês com ela — disse com um sorriso malicioso.
— Ela vai para a escola! Nada de “roles” — disse minha mãe desenhando aspas no ar — perigosos com esse carro.
— Muito bem, muito bem — disse meu pai desconversando. Ele sabe que rumo tomaria tudo aquilo — temos muito o que conversar vocês não acham?
“Meu pai, Shalom Singer, o apaziguador da pátria”. Pensei comigo mesma rindo internamente.
Aquela manhã até o almoço foi muito tranquila e agradável. Conversamos por horas, demos muitas risadas. Meus irmãos contaram como estão se virando por aqui desde que se mudaram a três anos. Kenna casou com James e como posso dizer… não faz nada da vida. Apenas aproveita. O marido dela é um grande empresário, trabalha no ramo de automóveis. Meu pai revelou que foi graças a ele que conseguiram meu carro. Kota malandro querendo todos os créditos para ele por ter conseguido o veículo. Falando nele, está seguindo os passos do meu pai no ramo imobiliário. Ele era o porta voz do meu pai aqui em Angeles. Era ele quem negociava tentando fazer as coisas prosperarem por aqui. E ele conseguiu. Meus pais estão muito orgulhosos por ele. Agora ele seguirá ao lado de papai, e futuramente ocupará o lugar dele. Estamos na mesa da sala de jantar aproveitando a deliciosa comida de Betina.
— Temos uma outra novidade para contar — Kenna minha irmã se pronunciou apertando as mãos do marido. Todos os olhares foram destinados a ela. — Nós vamos ter um bebê. Eu estou grávida! — Exclamou radiante.
A notícia foi recebida com muito carinho por todos nós. Um bebê na família. Já era hora disse minha mãe. Todos nós ficamos muito contentes com a notícia e enchemos Kenna e James de parabéns. Seguimos o almoço apenas falando dos preparativos para a chegada do novo membro da família Singer.
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