Folie à Deux
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Enquanto caminhavam até a cafeteria, Will encontrou Brian no campus, que quase quebrou o pescoço ao ver que Hannibal estava ao seu lado. Mesmo assim, ele acenou para Graham, que retribuiu.
Will não sabia dizer se era porque ele não gostava de Lecter, ou se apenas estava surpreso de vê-lo justamente com ele. Conhecia Hannibal há alguns minutos, mas sabia que apesar dele realmente ser muito charmoso, ele não parecia o tipo que matinha amizade com qualquer um.
Perguntou-se por que ele o convidou para almoçar.
Essa pergunta foi respondida por Hannibal logo em seguida. Eles sentaram-se em uma mesa no canto, na parte do lado de fora da cafeteria. Hannibal abriu a mochila, procurando algo, e depois a fechou, com um olhar frustrado.
– Não acredito que terei que comer uma dessas porcarias. – ele reclamou, olhando para o cardápio em cima de mesa. – Eu sou muito cuidadoso com o que coloco na minha boca, por isso, acabo preparando eu mesmo as minhas refeições.
– E porque não fez isso hoje?
– Bom, como a aula que acabamos de ter é a única que teremos hoje, eu costumo ir direto para o meu dormitório, e comer algo lá. – ele parou, e sorriu. – Mas eu estava curioso em relação a você, e decidir convidá-lo para almoçar.
Will franziu a testa. – Descobriu alguma coisa interessante?
– Me pergunte quando terminarmos de almoçar.
– Vinte minutos vai fazer de você um especialista?
– Vinte é amplo. Com dez minutos eu consigo decifrar a maioria... Mas ouso dizer que você não se encaixa na categoria de pessoas comuns. – ele disse, como se fosse um elogio.
Will pediu uma mini pizza e uma coca, e Hannibal preferiu acompanhá-lo apenas com um suco, dizendo que comeria alguma coisa de verdade depois.
– Então, Will, em qual área da psicologia você pretende se formar?
– Criminal.
– Tem talento para os monstros. – não era uma pergunta. – Eu estudo psiquiatria.
– Então é mais um que gosta de estudar os doidos.
– Parece que temos isso em comum.
–Will! – Brian o chamou, se aproximando. – Eu vou com o Jimmy no laboratório, se você quiser vir para marcar um horário, e etc.
– Olá Brian.
– Lecter. – ele o cumprimentou brevemente, e se voltou para Will.
Hannibal indicou com a mão. – Pode ir, Will. Eu estava pretendo ir para o meu dormitório logo em seguida.
– Certo. Obrigado por ter me emprestado a matéria. – ele agradeceu. – E pela companhia durante o almoço.
– O prazer é meu. – ele sorriu para Will, que retribuiu antes de seguir Brian para dentro da faculdade.
Este estava esperando que eles se distanciassem de Lecter para perguntar. – Então, você se juntou com o cara mais misterioso da faculdade.
– Eu o achei... interessante. Mas qual é o problema?
– Do Hannibal? – disse Brian, balançando a cabeça. – Nenhum. Ele é provavelmente um dos mais inteligentes, só é isolado. Tem uma garota que não desgruda dele. Ninguém tem muito certeza o que eles dois são.
– Ele a chamou de amiga.
– Nunca se sabe, não é?
...
No dia seguinte, Will resolveu que era hora de sair para procurar estágio. Uma das vantagens de estudar em uma faculdade tradicional é o FBI tinha preferencia em contratar os alunos de lá, tirando que a central era localizada a duas horas de lá.
Brian e Jimmy mencionaram que estudavam duas vezes por semana no FBI, trabalhando lá há dois semestres e que eles estavam precisando de mais pessoal. Avisaram que seria mais fácil de conseguir o estágio se Will conseguisse a recomendação de um bom professor. Então ele foi falar com o Sr. Anderson, que pediu que ele procurasse Jack Crawford, para quem ia telefonar falando de Will.
– Você é Will Graham. – disse Jack, quando este se apresentou. – Um dos melhores alunos, e conseguiu praticamente uma bolsa de 100%. Estou certo?
– Sim, Senhor.
– E o seu professor disse que você tem habilidades especiais.
– Eu não chamaria assim.
– Como você chamaria?
– Eu posso assumir o ponto de vista de muitas pessoas, então consigo reconstruir o pensamento de assassinos.
– Você faz conexões que não pode explicar.
– Não, as evidências explicam.
Jack concordou. – Então acho que a sua imaginação pode ser bem usada aqui.
Will conseguiu o estágio, tinha sido fácil demais até, e Jack havia acrescentado que ele poderia começar a ajudar em algumas investigações em pouco tempo, principalmente se continuasse se destacando nas aulas que teria ali também.
Não sabia se isso era uma boa ideia, porque precisaria passar por um teste de instabilidade. Mas tudo bem, ele tinha algumas semanas para trabalhar nisso.
Naquela noite, Will acordou todo suado, a cama muito molhada. Ele tinha acabado de ter um pesadelo. Agradeceu por não ter gritado, se não Brian iria acordar. Não queria voltar a dormir, então resolveu dar uma volta pelo campus. Ele sempre gostou de caminhar à noite, no silêncio, o ajudava a pensar.
Enquanto andava no campus, ele escutou um grito. Primeiro, achou que a sua imaginação estava lhe pregando peças, e então ouviu de novo, estava vindo do estacionamento. Foi correndo até lá, e a voz de duas pessoas discutindo ia ficando mais próxima. E então viu. Um garoto tentando forçar uma menina muito, muito novinha a ficar com ele, dentro de um carro.
Andou cautelosamente, evitando fazer barulho, e abriu a porta do carro pegando os dois de surpresa. A menina estava assustada, e não sabia se continuava tentando se libertar dos braços do outro, ou tampar os peitos com as mãos.
– Sai daqui, cara! – ele disse para Will. – Não está vendo que estamos ocupados?
– Deixa a garota em paz.
– O que?
– Deixa. Ela. Em. Paz. – Will ameaçou, e por sorte o idiota decidiu que não era melhor brigar, e só empurrou a garota para fora do carro.
– A gente termina a nossa conversa depois, Hobbs. – ele disse, e saiu com o carro.
Will quis correr atrás dele, e dar a surra que ele estava merecendo. Mas a garota em seus braços estava tremendo demais e ele precisava ajudá-la.
– Ele te machucou?
– Não. – ela respondeu, soluçando. – É meu namorado. Eu juro que ele nunca tentou fazer nada disso. Ele bebeu e...
– Qual o seu nome? – perguntou Will, enquanto a garota cobria a parte da frente exposta com as mãos. A sua blusa deveria ter ficado no carro.
– Abigail.
Ele tirou a jaqueta e colocou em volta dela. – Eu sou o Will. Vamos, eu vou te tirar daqui.. Você quer ir denunciar?
– Eu só quero ir para o meu quarto.
– Tem certeza? – ele insistiu.
– Por favor. – Abigail pediu, começando a chorar.
Will assentiu. – Ok. Mas eu te levo até lá.
Ela agradeceu, e ele levou a garota na porta do seu dormitório. Abigail tinha apenas dezoito anos e aquele era o seu primeiro ano na faculdade. O idiota no carro era Denis, sete anos mais velho, e segundo a garota ele tinha bebido e ficou com raiva porque ela queria terminar.
Will voltou para o seu quarto, feliz pelos pesadelos terem o acordado, só Deus sabe o que aconteceria com Abigail se ele não tivesse chegado a tempo.
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