Folie à Deux

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Oi amigos. Finalmente conseguir começar essa au hannigram deles na faculdade, e bom, aqui está o primeiro capítulo. Espero que gostem. Boa leitura.

Will digitou a última frase em seu blog, que consistia basicamente em analisar com detalhes, e descrever o pensamento dos assassinos de todos os mais famosos crimes que aconteceram nos últimos anos.

Algumas pessoas discutiam com ele nos comentários, dizendo que era louco por conseguir reconstruir tais pensamentos, outros recomendavam um tratamento psicológico, e alguns apenas elogiavam a sua inteligência e eficácia. Com mais comentários negativos do que positivos, ele chegou a considerar apagar o blog, mas era como uma terapia particular, o ajudava a ficar mais ou menos estável.

Desligou o seu notebook, e foi até a pia do banheiro lavar o rosto. Odiava o quanto parecia cansado, com olheiras horríveis, deveria ter envelhecido uns dez anos durante a última semana de provas na faculdade.

Faculdade essa que estava deixando para trás. Não por querer, não faria isso principalmente no meio do semestre, mas seus motivos financeiros o obrigaram. E, por ter conseguido uma bolsa bem generosa em uma faculdade tradicional, ele resolveu que era hora de arriscar. Até porque não poderia mais ficar por ali.

Sentiria falta do lugar, e mais do que tudo, sentiria falta de Alana. Uma garota bonita e gentil que compartilhava algumas das suas aulas sobre comportamento, e tinha se tornando uma ótima companhia. Ele gostava do jeito que a garota não o julgava, e mesmo estudando psiquiatria não o tratava como metade dos outros da faculdade, que pareciam o analisar toda vez que ele abria a boca.

– Eu vou sentir sua falta, Will. – disse Alana, ao entrar no dormitório de Graham e olhar para as malas já feitas em cima da cama.

Ele sorriu, e a abraçou. – Eu vou vim lhe visitar.

– Acho bom. – ela deu um empurrãozinho de leve em seu peito. – Tem certeza que não tem como ficar até o final do semestre?

– Eu não vou conseguir me concentrar nas aulas, sabendo que estou tirando mais dinheiro mais dinheiro do meu pai do que deveria.

Ela assentiu.

– Bom, então... Fique bem, Will. E boa sorte.

– Eu venho visitar. – ele repetiu, sabendo que cumpriria a promessa.

...

A faculdade da Carolina do Norte ficava a exatos 560 km² de Virginia, onde morava com seu pai. Ele chegou rápido lá, mas hesitou ao sair do carro, ficando mais de vinte minutos em absoluto silêncio, encarando a fachada de sua nova casa temporária.

– Você me liga se alguma coisa der errado, Will? – perguntou o pai, que conhecia a personalidade um tanto peculiar do filho, e sempre se mostrava preocupado.

– Eu vou ficar bem. – ele respondeu, pegando a mala e caminhando até a recepção, sem dar nenhuma olhada para trás, até ter certeza que o carro já havia partido.

O campus era enorme, e vários estudantes conversavam na entrada da faculdade, todos separados em grupinhos – que Will podia identificar claramente quais eram. Os fumantes e motoqueiros, as garotas de shopping que sempre o desprezaram e o grupinho de nerd no banco lendo e jogando algum quebra-cabeça complicado.

Suspirou, sabendo que não se encaixaria em nenhum deles tão cedo, nunca se encaixava.

Abriu a porta da recepção, a sala pequena, toda pintada de branco, mas incrivelmente arrumada. Foi até uma senhora que parecia bem simpática, e pediu informações.

– Eu sou o Will Graham. – ele se apresentou, tentando sorrir. – É meu primeiro dia, e eu queria pegar meu horário de aulas, saber o número do meu dormitório, essas coisas.

– Ok, querido. Aguarde um minuto. – ela digitou algumas informações no computador, enquanto Will ajeitava os óculos. – O número do seu quarto é 42. Você está com o jovem Brian. Aqui está o seu horário.

Ele pegou o papel e a chave na mão da senhora, guardou ambos no bolso e seguiu para dentro do campus, torcendo para que esse Brian fosse pelo ao menos, alguém simpático. A parte que menos gostava de sua faculdade antiga era o seu colega de quarto irritado, e que ficava tocando guitarra quando tudo que ele queria era se concentrar nos seus livros.

Para a sorte de Will, Brian era uma pessoa bem centrada, e não parecia ser do tipo que julgaria o seu comportamento... diferente.

– Você é o Will, certo? – o jovem moreno parado a sua frente, estendeu-lhe a mão. – Brian Zeller. Sou um futuro investigador do FBI.

– Então talvez trabalhemos juntos. – Will apertou a mão do garoto, e explicou em seguida. – Eu faço psicologia criminal.

– Gosta de estudar os doidos, huh?

– Mais ou menos isso.

Brian concordou, e apontou para as camas no canto do quarto. – A minha é a de cima, sinto muito.

– Sem problemas.

– Ah, e eu uso o banheiro primeiro de manhã. – avisou. – Bom, a não ser que eu acorde tarde, mas é bem difícil. Metade das prateleiras são suas e, por favor, eu só tenho duas regras de convivência. A: Privacidade; B: Sem barulhos se eu estiver estudando.

– Parece que vamos nos dar bem, concordo com as duas.

– Ótimo. – ele pegou uma jaqueta de couro, e se virou para Will antes de sair. – Você vem? Primeiro dia, aposto que está doido para socializar, conhecer a galera.

– Você não imagina o quanto. – Will respondeu o seguindo, sem ter certeza se seria uma boa ideia dando o quão antissocial ele sabia que era.

...

Brian lhe apresentou ao melhor amigo Jimmy Price, um sujeito simpático com uma voz engraçada, que também pretendia trabalhar no FBI. Eles comeram batatas-fritas com ketchup, até o celular de Will o avisar que a sua primeira aula começaria em vinte minutos.

A melhor parte: ele não conhecia nada da faculdade, então demorou quarenta minutos para encontrar a sala e teve entrar na mesma com todos os olhos o seguindo.

Sentiu-se como se estivesse na escola de novo, sempre o aluno novo, sempre o estranho. Foi andando rápido até o final da sala, e torceu para que conseguisse falar com alguém que pudesse lhe emprestar a matéria perdida.

– Ok, senhores. – o professor Anderson começou. – Agora eu quero que vocês sentem-se com a dupla de sempre, que vamos começar uma atividade em grupo. Sr. Graham, você fica com... – ele passou os olhos pela sala. – Lecter, a sua parceira não veio hoje?

– Ela não faz mais aula de psicologia comportamental.

– Excelente. – ele disse, e então acrescentou. – Quer dizer, todos nós sentiremos falta da Bedelia. Mas Graham, você já tem um parceiro para as próximas aulas.

Will se levantou de seu lugar, e foi até o jovem muito bem vestido com um terno branco impecável – ele se arrumou melhor do que o próprio professor. Lecter sorriu de lado, misterioso e indicou a carteira a seu lado.

– Graham? – ele perguntou.

– Will Graham.

– Hannibal Lecter. – se apresentou, e então percebeu que ele estava olhando para baixo, evitando os olhos. – Não é muito fã de contato visual?

– Olhos são distrativos. Você vê demais, e não vê o suficiente. – Will começou. – E é difícil focar quando você está pensando “Ah, esses brancos são tão brancos”, ou “Ele teve ter hepatite”, ou “Isso é uma veia estourada?” – Hannibal sorriu. – Então sim, eu tento evitar olhos o máximo que eu posso.

– Graham? – o professor o chamou.

– Sim?

– Você pode conhecer seu parceiro mais tarde, eu estou tentando começar a passar os slides pra explicar.

– Perdoe o bom Will, Sr. Anderson. – Hannibal se desculpou por ele. – Eu fiz uma pergunta, e ele respondeu. A culpa é inteiramente minha.

– Então pare de distrair os alunos novos com o seu charme, Lecter.

A aula passou incrivelmente rápido. Will gostava da maneira como Anderson falava, e como ele não era um daqueles professores que insistiam em encarar para ele durante todo o tempo estava falando como se tivesse um nariz de palhaço em seu rosto, ou algo do tipo.

Ele também apreciou a companhia de Hannibal, que ofereceu o material ao assumir que Will ainda não tinha pegado. O jovem deixou o número de seu dormitório para que ele levasse ao terminar, ou o entregava na próxima aula, como achasse melhor.

– E o trabalho para casa? – perguntou Will.

– Minha memória é boa. – disse Hannibal. – Mas talvez eu lhe cace pelo campus em busca de minhas anotações.

– Não se preocupe, em dois dias eu já devo ter terminado. – Will garantiu, e o sinal tocou. – Até a próxima aula, então?

– Claro. – o outro assentiu. – Bom, ao menos que você queria me fazer companhia durante o almoço. Como o Sr. Anderson observou no início da aula, minha companheira não veio hoje.

Notas finais
Então, o que acharam? Se puderem dizer nos comentários, eu ficaria muito feliz.Eu já estou o próximo, e vou postar em breve.Até mais, beijos!