Fogo Inalcançável

5 5º Capítulo - Aceitar a decepção, sem nunca perder a esperança.


Notas iniciais
"...– Não precisam buscar palavras certas para corrigir as erradas de Natsu, ele já me decepcionou há meses atrás, só temia que ele rejeitasse o próprio filho. Se ele o rejeitou ou não é algo que só saberei daqui um ano. – Sempre boa nas palavras, e transparente nos sentimentos, firme como rocha e delicada como a mais rara flor." Oiii Meus Amores!!!!! Só uma prévia do capítulo abaixo ^^ Segue mais um capítulo que estava ansioso para ser postado!! Boa Leitura :)

5º CAPÍTULO: ACEITAR A DECEPÇÃO, SEM NUNCA PERDER A ESPERANÇA

Sentia seu suor escorrer por seu corpo, estava exausto, o sol quente de Tully o castigava, e mesmo com a brisa que balançava a vegetação do campo ele sentia um calor o consumir, sua pele queimava, e seu suor parecia ferver, ao olhar para seu treinador e vê-lo confortavelmente tomando sol sentado em uma grande rocha ele percebeu que o calor que tanto o incomodava era dele próprio.

Bufou, serrou os punhos e com os cabelos balançando ao vento olhou o enorme campo a sua frente, algumas partes completamente destruídas e queimadas, cheio de obstáculos feito por Gildarts.

— Kêssa!! Quando é que você vai levantar essa bunda dai e me ajudar a treinar de verdade!! – Berrou raivoso, passando o antebraço na testa tentando secar um pouco daquele suor, sendo completamente ignorado pelo mais velho, bufou mais uma vez. Quando recebeu a ideia de ficar uns dias naquela aldeia treinando, ele imaginou outro tipo de treinamento.

O mais velho parecia estar tranquilo se aquecendo com o calor do sol, mas na verdade estava perdido em pensamentos, temia por Natsu, não queria que ele cometesse os mesmos erros que ele. “Como Natsu reagirá com a notícia?” Era a pergunta que corroía seus pensamentos nos últimos dias. Deu um breve suspiro, ainda estava admirado por ter convencido Natsu a ficar naquela aldeia, mas torcia para que Erza e Mira chegassem o quanto antes, não sabia quanto mais conseguiria enrolá-lo, o tempo estava se esgotando, já era o terceiro dia. Finalmente abriu lentamente os olhos e preguiçosamente olhou para o mago do fogo que parecia muito irritado.

— Vamos com calma! Você precisa passar por alguns testes antes de me enfrentar. – Falou convencido, sabendo que deixaria o rapaz mais irritado ainda.

— Não saímos para treinar, saímos em uma busca, sem intervalo, sem contratempos, temos que encontrar o paradeiro de Zeref o quanto antes! Não preciso treinar! Preciso de respostas, preciso encontrá-lo. – Quando terminou de falar já nem olhava para Gildarts, estava fitando sua mão fechada em punho, seu tom soou como um pedido desesperado para não pararem, Gildarts estremeceu ao ver seu discípulo quase se perdendo no medo.

— Não pense nisso como um treinamento, mas sim uma pausa necessária, as vezes é preciso esperar, dar um tempo, o tempo é que manda, é o nosso aliado Natsu, é ele que está a jogar do outro lado da mesa e tem na mão todas as cartas do baralho. – Olhou firme para Natsu que o encarava. – Você tem que se controlar, ainda temos muito tempo. – Vendo-o dar de ombros e voltar para os treinos ele suspirou cansado, antes fosse treinamento mesmo, por céus o pessoal da guilda acreditaram nessa ideia e ninguém partiu desenfreado atrás deles, teria muito mais trabalho.

— Vamos voltar para o Hotel, Happy deve estar nos esperando para jantar. – Vendo o sol já se pôr achou melhor irem para o restaurante do hotel, assim seria mais fácil ás magas os localizarem. Deu graças por ver o rosado não pestanejar e simplesmente soltar um resmungo de desagrado.

Já no restaurante do hotel Gildarts observava o ambiente e torcia para que as magas chegassem antes que o rosado teimasse em voltar a treinar, ou pior partir rumo a caçada de Zeref. Já estavam ali a mais de uma hora, e o terceiro dia se completava, temia não conseguir segurar o teimoso por mais tempo.

— Hoje foi um dia bastante rentável, não! – Disse se ajeitando mais confortável na cadeira e tragando um cigarro. Puxava assunto com o calado Natsu, era impressionante como aquele poder o consumia cada vez mais, até sentia falta das atitudes impensadas e idiotas que o rosado fazia.

— Não acho! Esses últimos três dias só perdemos tempo. – Foi sucinto, não queria conversar, apenas terminar seu lámem com assado de lombo e voltar a treinar.

Happy não conteve a chateação em sua expressão ao ver como seu amigo estava diferente. Parou de comer seu peixe e olhou para Gildarts que retribuiu o olhar e levemente assentiu, como forma de dizer silenciosamente que está tudo bem.

— Mas foi. Você se controlou bastante. Esses dias aqui foram importantes, então por hoje chega, podemos ficar aqui descansando e amanhã partiremos. – Não iria prosseguir com o treino, e optou por sugerir a partida, queria deixar Natsu calmo e relaxado para conversar com as magas.

— Nani? Não me venha com essa velho! Podemos aproveitar a luz da lua como fizemos nos últimos meses, já descansamos o suficiente! – Se irritou, não sentia nenhum progresso nessa missão e isso o deixava aflito. – Você est... – Parou de falar e ficou sério, seu olfato aguçado lhe avisou previamente a chegada de duas inesperadas visitas. Franziu o rosto mostrando mais irritação, pois tão logo percebeu o real motivo de Gildarts o manter naquela vila. – Foi por isso que me segurou aqui? O que elas querem? – Estava profundamente incomodado por ter sido enganado.

Por um breve momento Gildarts se perguntou do que ele falava, mas logo percebeu que ele havia sentido o cheiro das amigas, por sorte nem foi necessário se explicar, ao olhar para a porta do estabelecimento teve uma bela visão de duas glamorosas magas entrando.

— Vejo que temos visitas. – Falou o mais velho se levantando como forma de cortesia.

— O que fazem aqui? – Natsu nem tentava esconder o desagrado.

— Olá Natsu, Gildarts e Happy – Mira cumprimentou graciosamente.

— Erzaaaa... Miraaa!! – Happy não conteve a alegria, sentia saudades do pessoal. Voo para os braços de Mira que prontamente o abraçou, Erza afagou seu pelos e disse com uma voz mansa e doce:

— Também sentimos saudades Happy! – Olhou para o amigo rosado que as encarava demonstrando muita irritação.

— Bom! Acho que vou tomar um banho e deixar os mais novos conversarem, Happy venha comigo tenho um peixe enorme lá em cima.

— Um peixe enorme? Hai ... já volto mina. – O iludido gatinho saiu voando seguindo Gildarts pela porta afora. Mira e Erza sorriram pela inocência de Happy, ambas se sentaram nas cadeiras vagas de frente para Natsu

— Vão me falar logo ou vou ter que descobrir sozinho?! – Sua paciência já era extinta.

As magas deram uma breve observada no ambiente, o restaurante era pequeno e estava lotado, ambas se perguntavam se ali seria o melhor lugar, mas não queriam perder mais tempo, ansiavam em dar a notícia para o amigo de que ele seria pai, mas temiam pela reação dele.

— Natsu, como vai o treinamento? – Erza procurava uma forma de começar a falar, a viajem foi longa, mas mesmo assim não conseguiram chegar em concordância em como seria a melhor forma de abordar Natsu, pois tudo dependeria do estado de espírito dele.

— Não tenho muito a falar, faltam muitos meses de treinamentos! – Falou o rosado fazendo cara de pouco caso e apoiando os braços atrás da cabeça, evidenciando os músculos.

— Mas você tem que voltar logo para a Guilda, estamos com saudades, e seu time sente sua falta nas missões. – Mira estava rodeando, analisando como andava o temperamento do amigo.

Natsu que as olhava seriamente voltou seus braços musculosos para a mesa. – Ninguém depende de mim para ir nas missões, meus interesses são completamente opostos ao de vocês e do restante da guilda. Ficar aqui é minha melhor opção, aqui eu não terei distrações. – Falou ríspido.

As magas ouviram tudo que menos queriam. Ambas temiam pela reação do amigo, claro se fosse o Natsu de antes elas não teriam dúvidas da euforia que ele causaria, mas agora ele não era mais o mesmo.

— Vão falar ou não do por quê que o mestre as mandou aqui? – Ele sabia que a duas foram designadas pelo Makarov, pois o único que sabia da sua localização era o mestre.

Erza e Mira se entreolharam afim de através de olhares decidirem quem iria tomar a frente e falar logo de uma vez. Mira sabia que Erza tinha muito mais intimidade com Natsu e sendo ela muito esperta usaria as palavras certas. Então com uma delicada piscada e um sorriso Erza entendeu que Mira passou para ela o bastão.

— Natsu, você precisa voltar conosco...agora! – Mudou seu tom, tentou ser autoritária e séria, assim como fazia quando queria que Natsu e Gray parassem de brigar, mas Natsu não era realmente mais o mesmo, ele pouco se importou com seu tom, da mesma forma e expressão que estava ele permaneceu, depois de longos segundo falou:

— Não existe nenhum motivo nem nada que me faça voltar antes de concluir essa mis... esse treinamento. – Gaguejou brevemente, o que passou despercebido pelas amigas devido a frieza de suas palavra.

— Nem Lucy? – Mira não se conteve. Mas fizera a pergunta certa, em uma só tacada atingiu o ponto fraco de Natsu, que nem se preocupou em disfarçar a preocupação, e como um relâmpago mudou sua expressão, contraiu os músculos dos braços com tamanha força que fechou as mãos em punho, e com a voz ardida em raiva perguntou:

— O que aconteceu? Alguém a machucou?

De certa forma Erza se sentiu aliviada ao ver a reação do amigo, apesar de tudo, sua atitude em imaginar Lucy em perigo era a mesma.

— Se acalme Natsu, agora ela está bem. Passou mal há três dias atrás, o mestre pediu para Porlyusica examiná-la. – A ruiva tentava achar as palavras certas.

— Então não entendo, vieram para me falar que Lucy pegou um resfriado?! – Sentiu seu coração se acalmar e seus músculos relaxarem.

— Não Natsu, viemos a pedido do mestre para te informar que Lucy está grávida. – Erza falou de uma só vez, não achou forma melhor de falar senão a mais direta.

Natsu olhava fixamente para a amiga, mas parecia ficar cada vez mais distante, lentamente foi digerindo as palavras ouvidas e arregalando os olhos, com a boca entreaberta não conseguia formular nem se quer um “O quê?”.

— Lucy desmaiou, sua magia estava fraca e irregular, o mestre ficou preocupado e chamou Porlyusica, mas foi à própria Wendy que dava os primeiros atendimentos que descobriu. – Achou melhor passar toda a informação de uma vez, enquanto ele estava quieto e atento a cada palavra.

Natsu ouvia tudo atentamente, mas custava para acreditar, parecia tudo surreal. – “Lucy está esperando um filho meu? Eu vou ser pai?” – Era apenas isso que martelava em sua cabeça, a ficha parecia que nunca iria cair.

— Natsu? Você está bem? – Perguntou Erza ao perceber que Natsu estava ficando inquieto na cadeira.

— Kêssa! Por que? Porque tinha que acontecer isso... – Deu um soco na mesa, seu olhar frio e escuro preocupou as amigas, se levantou por não conseguir ficar ali, sentia o ar pressurizado e o calor voltou a lhe incomodar, estava quente; e sentia sua pele umedecer; suava frio e sentia estar em um mundo paralelo...

— Natsu, sente-se! – Pediu Mira; que suava; Natsu estava emanando calor sem perceber, e ao ver as amigas suarem e algumas pessoas ali reclamarem do calor repentino ele resolver se sentar novamente, e de alguma forma conter o nervosismo.

— Não queria ser eu a lhe dar essa notícia, é injusto para Lucy, ela que devia lhe contar, mas o mestre esta preocupado, pediu para que lhe informássemos o mais rápido possível.

— Tanto faz quem iria me contar, só não estou entendendo tanta precaução do velho. – Falou indiferente se sentando.

Erza suspirou e baixou o olhar. — Nós não notamos a gravidez até ela desmaiar há três dias atrás, nem mesmo Lucy, mas depois da descoberta aqueles mais experientes e sensíveis a magia como Wendy, o mestre e Porlyusica podem sentir a magia que emana do ventre de Lucy, eles falaram que não há duvidas que o seu bebê herdou seus poderes Natsu. – Erza viu seu amigo estremecer, e sabia que algo amedrontador passou a perturbá-lo.

— Maldição... – Falou entre dentes desviando o olhar, ficando um pouco distante, mas tão logo fitou as duas magas e suspirou buscando manter-se mais calmo – E a Lucy, como está?

— Não sabemos, ao sairmos ela ainda estava inconsciente, Porlyusica foi a indica em dar a notícia e cuidar da saúde dela, e o mestre se encarregou de informar ao restante da Guilda. – Mira se sentia desconfortável, pensava cautelosamente em cada palavra, parecia que a qualquer momento Natsu iria explodir.

— Então eu fui o último em saber. – Não foi possível concluir o estado temperamental de Natsu.

— O mestre nos mandou porque ele queria que você soubesse imediatamente, a magia da Lucy não é suficiente para o bebê devido ao enorme poder que ele está desenvolvendo, ela está apenas de dois meses e já está bastante fraca. – Mira tentou ignorar o último comentário do amigo e prosseguir com as informações.

— Mas... o que eu posso fazer?. – Simplesmente perguntou, Erza e Mira se entreolharam.

— hã.. é... – Mira ficou perdida, não conseguia formular uma palavra se quer, não esperava por tal pergunta.

— O que você pode fazer? Como assim Natsu!! Você deve voltar conosco imediatamente. – Erza foi firme, mostrando indignação pela frieza de Natsu. — Se existe alguém que possa fazer algo esse alguém é você!

— Não tem necessidade do meu regresso, Lucy saberá se virar muito bem sem mim. – Foi tão indiferente quanto sucinto.

Erza não pode ficar nervosa, nem irritada, não podia gritar em fúria porque seu coração doía, doía ao ver que seu amigo, que vivia por eles agora estava tão mudado, seu coração se partiu e na tentativa de acalentar aquela dor colocou a mão direita sobre o peito, seus olhos entristecidos olhavam para Natsu, que estava totalmente sério. O que ela diria para Lucy? Como ela diria?

— Não entendo, o que está acontecendo Natsu? O que vocês estão escondendo de nós, como pode um treinamento ser mais importante que seu filho? Me diga Natsu!! – Erza não conseguia admitir seu amigo agir de tal forma.

— Vamos voltar Natsu! Seja o que você estiver fazendo aqui, deixe para depois, volte! – Mira demonstrava toda sua ternura em seus olhos, estava suplicando.

O mago bufou, estava inquieto, parecia impaciente. – De nada adianta eu voltar e ficar mais alguns meses com eles e ser ausente nos próximos anos. – Seus olhos caíram para um vazio perturbador. Aquelas palavras um tanto confusas de certa forma fez ressurgir mesmo que brevemente o Natsu de antes, brevemente, pois logo olhou friamente para as magas. – Não insistam para eu voltar, porque não há argumento que me convença. – Foi ríspido e firme.

Erza não podia acreditar, tinha uma vontade incontrolável de dar um soco no amigo, para ver se ele voltava a ser o mesmo, aquele na sua frente definitivamente não era o Natsu que a salvou que a ensinou a viver pelos amigos. — Nos conte Natsu, nos conte o que está acontecendo, esse não é você, porque está agindo assim? Deixe-me ajudá-lo! – Estava decidida em descobrir, até ouvir o inesperado.

— Agindo como? Estou apenas sendo sincero, agindo da forma que me sinto bem, se quer me ajudar fique na guilda junto de seus amigos. – Foi áspero, estava ficando cada vez mais irritado.

— “Seus amigos”? ... Como assim? São seus amigos também Natsu. – Mira tinha a sensação de estar falando com um estranho.

Natsu bebeu em uma golada o líquido que tinha em um copo que por todo o tempo estava ali na mesa, bateu sem delicadeza a recipiente sobre o móvel e se levantou.

— A missão de vocês era me passar a situação de Lucy certo?! Então já podem ir embora. – Falou sem olha-las, se retirando do estabelecimento.

— Não vejo necessidade de viajarmos a noite, e estamos cansadas, vamos passar a noite aqui e partiremos ao amanhecer. – Erza disse em alto tom, daria à ele uma noite de reflexão, talvez precisasse de tempo, Natsu nem pareceu escutar, deu de ombros e saiu de vez do lugar.

As magas finalmente pareceram relaxar sobre as cadeiras, só então perceberam que a todo o momento estavam tensas na presença de Natsu. Erza se incomodou profundamente com isso, não ficou tensa apenas devido ao assunto que tratara com ele, mas também por sentir constantemente que conversava com alguém muito perigoso.

— Natsu reagiu da forma que mais temiamos. – Mira estava entristecida seu coração se apertou em imaginar Lucy sendo tratada com tamanha frieza pelo pai de seu filho. Inconscientemente colocou uma das mãos sobre o peito, queria acalmar seu coração.

— Agora entendo porque o mestre nos mandou, ele melhor do que ninguém sabia como Natsu reagiria, estava apenas privando Lucy de passar por isso. Mas há algo por trás desse comportamento de Natsu, tenho plena convicção que não é por puro egoísmo que ele está fazendo tudo isso. – Erza de certa forma confiava em seu amigo, não podia, ou melhor, não conseguiria esquecer tudo que ele fez por ela e pelos seus amigos.

Mira ouvia a conclusão da amiga torcendo para que ela estivesse certa, se esse fosse o verdadeiro Natsu com certeza impediria com todas suas forças para que Lucy nunca mais o visse. Por fim se levantaram, realmente estavam exaustas, seguiram para o saguão do hotel para fazerem o check-in.

Chegando ao quarto Natsu viu Gildarts na sacada observando a cidade e fumando. Ao ouvir o rosado entrar se virou. Natsu o olhou e fechando a porta perguntou:

— Você já sabe?

— Sim, afinal, tive que te segurar nesta aldeia, ao menos tinha que saber o motivo... – Olhou para o Dragon Slayer que mantinha um olhar perdido e frustrado; brevemente se viu no lugar dele há uns anos atrás. – Meus Parabéns Natsu!

— Ainda não caiu a ficha de que Lucy esta grávida, de que serei pai. Parece tudo surreal. – Caminhava rumo à sacada.

— Sua ficha vai realmente cair quando pegar seu bebê nos braços... Um pai nasce junto com seu filho.– Falou o mais velho que voltou a admirar o horizonte, depois de mais alguns segundos suspirou e finalmente tirou o cigarro da boca pela primeira vez e encarou o rosado que já estava ao seu lado. – Não vai voltar né!?

— Não preciso voltar, isso seria um contratempo desnecessário. Eu tenho que encontrar Zeref nesses próximos meses, agora mais do que nunca!

— Não cometa os mesmos erros que eu Natsu. Queira ou não agora você é pai e seu filho precisará de você! – Suspirou pesadamente, o que mais diria? Cometeu exatamente o mesmo erro, sentia uma tristeza corroer seu ser a cada dia por nunca ter ficado ao lado da mãe de Canna e ter sido um pai ausente. Agora clamava para os céus para que seu discípulo não cometesse o mesmo erro. – O que há entre você e Lucy vocês resolvem com o tempo, mas jamais renegue seu filho.

— Renegar? Por enquanto não tenho essa intenção, apenas irei deixá-lo aos cuidados de Lucy que estará bem enquanto estiver com todos da guilda. – As palavras "por enquanto" ressoaram na mente de Gildarts, que se perguntou o que Natsu queria dizer com isso.

O rosado se encostou na proteção da sacada e bufou cansado, tinha a incomoda sensação de que as coisas estavam saindo do seu controle, fechou os olhos tentando organizar suas ideias, olhou para o quarto e viu Happy no sofá distraído devorando um peixe enorme. – “E não é que realmente tinha um peixe enorme aqui!” – Pensou.

— Preciso contar ao Happy.

— Hai, as meninas passarão a noite aqui no hotel? – Perguntou parecendo desinteressado, obtendo a confirmação do rosado. – Então irei ver se conseguiram um quarto. – Falou maliciosamente, jogando a bituca de cigarro no piso o pisoteando com a ponta da bota, e então saiu calmamente.

Natsu foi ao encontro de Happy, sentou ao seu lado, e foi nessa hora que finalmente o pequeno azulado percebeu que seu amigo havia chegado.

— Natsuu... Cadê Erza e Mira? – Falou olhando pelo quarto tentando achar as amigas.

— Elas estão em outro quarto. – Pausou, respirou e continuou. – Happy, elas partiram amanhã cedo e você irá junto.

O pequeno azulado olhou o amigo e com um pesar perguntou. – Porque Natsu?

— Lucy esta grávida. – Estranhou essas palavras. Com certeza não se acostumaria com essa atual situação da loira.

— O que?? – Toda estranheza ficou desenhada no rosto perplexo do exceed.

— Isso que você escutou, Lucy vai ter um bebê, e eu sou pai.

— Lucy vai ter um bebê? – Happy não se continha de tanta confusão, alegria e dúvidas. Queria poder entender melhor sobre essa coisa de gravidez dos humanos. – Por que você não vai voltar também Natsu?

— Estou cansado amigão, não me faça muitas perguntas Ok. Amanhã cedo vocês partiram para Magnólia e ai poderá ver a Lucy. Mas preste atenção! Quero que você vá porque vai me fazer um favor.

Happy se sentia confuso, estava feliz por poder ir embora e encontrar Lucy, queria que seu amigo fosse também, porém, conhecia seu dono e sabia que nada iria convencê-lo do contrário.

...

Amanheceu devagar em Tully, possivelmente por ter sido uma noite de pouco sono para certos magos, Natsu não entendia tanta inquietude, nem conseguiu ficar deitado, passou a noite na sacada, estava confuso, irritado, contrariado, inseguro e cansando. Happy já estava de pé também, ansioso pela viagem de regresso.

— Natsu! – Chamou o azulado, buscando a atenção do amigo que nem havia percebido que Erza e Mira haviam chegado. O mago viu as moças na porta, pareciam ter um olhar decepcionado e cansado, mas pouco se importou.

— Happy irá voltar com vocês. – Voltou a fitar a rua pela sacada e viu que Gildarts já estava o esperando, encostado numa árvore do outro lado da rua. – Não se esqueça do que te pedi Happy. – Disse, pegando seus pertences e pulando pela sacada, ignorando totalmente a amigas que apenas suspiraram entristecidas.

— Pronto Happy, para voltar para casa? – Perguntou Mira atenciosamente e recebendo um alegre “Aye” do amiguinho. O fato de Natsu liberar Happy para voltar deixou as meninas um pouco aliviadas, Happy era o fiel companheiro de Natsu, e o mesmo deixá-lo voltar com elas talvez fosse um bom sinal.

...

Lucy acordava de uma noite difícil e mal dormida, ainda sentia muita fraqueza, mas o pior era os pesadelos que a atormentava nas últimas noites, a ânsia de esperar pelo regresso das magas era quase insuportável, por vezes se perguntava se não seria melhor comunicar Natsu através da lácrima, assim ela não passaria seis longos dias nessa agonia.

Suspirou cansada, se levantando de sua cama e sorriu ao ver um Gray desajeitado dormindo no futon do outro lado do quarto, apesar de ainda estar se adaptando com a ideia de ser mãe e de lhe dar com o medo de Natsu rejeitar seu filho aqueles dias tinham sido agradáveis, o companheirismo e dedicação de todos da guilda era o que mantinha Lucy forte e confiante. Passou sua mão acariciando a barriga ainda inexistente, olhou carinhosa, já amava incondicionalmente aquela coisinha pequena que crescia dentro de si.

Estava indo ao banheiro na intenção de tomar um banho mas foi impedida por um leve toque na porta, assim como nos últimos dias sua porta não parava de receber batidas, era sempre alguém da guilda a visitando, querendo saber se ela estava bem. Com um sutil “entre” Levy apareceu com um sorriso cativante.

— O rayou Lu-chan! Como se sente? – Levy entrava no quarto com umas sacolas.

—Levy-chan, o rayou... – Sorriu ao ver a amiga. – Me sinto cada dia melhor.

— Lhe trouxe um café da manhã bem gostoso, e não saio daqui sem que você coma ao menos uma bolachinha. – Disse já indo apressada para a cozinha, na intenção de preparar logo um café reforçado para a amiga. Lucy não teve nem como recusar todo aquele carinho e cuidado para com ela, a melhor forma de agradecer seria aceitar o café.

Já de banho tomado e vestida numa roupa confortável, formada por uma legging rosa e uma blusinha branca de alcinha, fazia companhia para Levy que já estava arrumando a pequena mesa para o café. Gray também já havia acordado e saia do banheiro secando os cabelos com uma toalha rosa.

— O café já está pronto? – Perguntou colocando a toalha sobre os ombros, e se apoiando no batente da porta.

— Hai hai, só estou arrumando a mesa. – Levy respondeu delicadamente entretida com as xícaras e os pires, enfim olhando para o amigo... e ruborizando de tal forma que parecia soltar fumacinha.

Lucy revirou os olhos e cruzou os braços.

— Gray!! Vá se vestir. – Disse dando-lhe uma bronca, foi só então que o moreno percebeu o deslize e saiu a procura de suas roupas.

Na pequena mesa os três apreciavam um delicioso café da manhã, recheado de diversos quitutes, o apetite de Lucy havia melhorado significantemente, mas ainda se esforçava para se alimentar corretamente.

Levy olhava amorosa para a amiga, tentando imaginar ela com uma linda barriga de grávida.

— Será que é menina ou menino? – Perguntou a azulada enquanto mordia um bolinho.

Lucy que olhava para seu chá e soprava delicada para esfriá-lo repousou a xícara na mesa, sorriu e acariciando a barriga respondeu. – Não consigo nem imaginar, só quero que ele ou ela venha com muita saúde.

Gray sorriu com a cena, era uma bela visão ver a loira acariciando sua barriga, sentia profundamente por Natsu estar perdendo esses momentos tão preciosos, suspirou pesadamente pelo amigo.

— Hai hai.... e virá Lu-chan, todos estão muito felizes com a notícia da sua gravidez, você tinha que ter visto. Estão ansiosos para te ver. Bisca-Chan já até separou umas roupinhas de quando Asuka era bebê, e está louca para te dar umas dicas de mamãe para mamãe.

— Porlyusica-san logo chegará, aí poderemos ir para a guilda. – Não conseguia conter a ansiedade de voltar para Fairy Tail, mesmo estando afastada das missões não conseguia passar muitos dias sem ir à guilda.

...

O dia passou devagar, mesmo tomando os remédios que Porlyusica fizera, ainda se sentia fraca. Pelo que a rosada disse levaria alguns dias para seu corpo aceitar a medicação e começar a reagir. Estava sentada próxima a uma das grandes vidraças do salão, observava o iniciar do pôr do sol, sentia o calor da estrela aquecer sua pele que estava sendo irradiada pela luz que atravessava a janela. Era um belo entardecer.

— Se sente melhor? – Perguntou o amigo que estava sentado em sua frente, ele não sabia o que era mais belo a luz do sol banhar Magnólia ou o alvo rosto da amiga que sorria serenamente.

— Hai, adoro apreciar o pôr do sol... Sempre me sinto melhor! – Respondeu sonhadora e carinhosamente, olhou para o amigo sempre tão calmo e brevemente fez um bico de desgosto. – Só não estou gostando de fazê-lo ficar comigo, já faz dias que você, Erza e Wendy não saem em missão.

— Não se preocupe com isso, nossa missão é cuidar de você, temos nossas economias para nos manter. – Falou tranquilo se jogando para trás e apoiando os braços atrás da nuca. – Olhou para o pôr do sol que sua amiga voltou a fitar e vendo que o dia estava por acabar. – Logo Mira e Erza chegaram. – Disse como que tentando preparar sua amiga.

Lucy permaneceu serena admirando o céu, dando apenas um leve suspiro. – Hai, hai.

E realmente o grupo viajante chegará a Magnólia, os três caminhavam devagar rumo a Fairy Tail. Mira estava entristecia por não ter convencido Natsu a voltar e não escondia em sua face o desapontamento. Erza estava mais contente, os três dias de viajem lhe serviu para refletir e juntar algumas peças sobre Natsu. Sabia que ele e Gildarts não estavam em apenas um treinamento e estava determinada em descobrir tudo. Agora Happy estando ali com eles, seria mais fácil persuadi-lo a contar, apesar de nos três dias não ter tido sucesso nas perguntas que fizera no azulado.

Finalmente ficaram de frente a fachada da Guilda, Mira e Erza respiraram fundo, então entraram, cumprimentaram os amigos que ali estavam, todos felizes pelo regresso das magas, mas muitos se preocuparam em ver que Natsu não estava junto, também cumprimentaram Happy alegremente, demonstrando que sentiram saudades do neko alado, o trio ia adentrando pelo salão, passava por todos, que os seguiam com o olhar, marchavam rumo ao mestre que estava sentado no balcão.

Lucy viu a entrada dos amigos e um vazio profundo tomou seu estômago, o olhar decepcionado foi quase que de imediato. Gray não se continha de raiva do amigo, como pode ele não regressar? – “Maldito Natsu!!” –Deu um soco na mesa em fúria. A loira se manteve sentada, e voltou a admirar o céu agora quase escuro, buscava socorro na vastidão do véu estrelado.

— Finalmente chegaram. – Makarov se sentia aliviado pela chegada das magas, sabia que Natsu não tinha vindo junto e entendia a decisão do mago, apenas torcia para que seus amigos e principalmente Lucy entendesse mesmo sem saber o real motivo. – Happy seja bem vindo. – Cumprimentou o gatinho que sorriu alegremente. – Lucy esta sentada logo ali na companhia de Gray. Acho que o melhor agora é vocês conversarem.

— Arigatou mestre! – Disse o azulado, seguindo Mira e Erza. Todos observavam o trio e se perguntavam do porque de Natsu não estar ali, era visível a decepção em seus olhares. Mas talvez o olhar mais atento e menos decepcionado seria de um acerta albina, que observava de longe sua irmã e titânia se aproximarem de Lucy.

Makarov e Canna vendo que não seria uma conversa fácil para elas e percebendo a curiosidade de todos tratou de dispersar alguns curiosos.

— Bom minaa, vamos... vamos ... quem vai ser homem o suficiente para me confrontar numa arduosa disputa.. – Canna conseguiu, chamou a atenção de muitos com sua típica rixa para ver quem bebe mais que ela. Aqueles que não se interessarão pela competição ao menos perceberam que foi um chamado indireto para pararem de observar.

Caminhando ao encontro de Lucy, Erza só era capaz de ouvir seu próprio coração bater forte em seu peito, suava frio. Ainda não sabia que palavras usar. Lucy que a todo momento olhava para o horizonte ao sentir a aproximação das meninas e de Happy, se virou e seu olhar se cruzou com o de Erza que estava no centro do trio, Lucy sorriu, foi mais um sorriso doido; por dentro tremia e algo semelhante ao um nó cego apertou seu coração; abaixou o olhar derramando suas teimosas lágrimas. – “Kessa, não era para chorar Lucy!!”— Se repreendeu, e logo secando as teimosas gotas salgadas.

Gray olhou para o amiguinho, era estranho ver Happy e não ver Natsu, eles estavam sempre juntos. Os dois se encararam, e com um sorriso maroto Gray o cumprimentou em silêncio. A loira o fitou também, e com um olhar exausto devido a tantas lágrimas ela conseguiu sorrir.

— Happy, senti saudades!! – Sua voz adocicada e mansa só fez Happy quase abrir o berreiro da tamanha saudades que sentiu da amiga.

— Luxyyyy.... Natsu não venho, mas eu estou aqui pra cuidar de você! – Falou já se jogando no busto da amiga que o abraçou forte, esfregando seu rosto no pelo macio do gato.

— Arigatou Happy!! – Foi sincera, a presença dele dava uma sensação de que Natsu estava por perto.

— Como se sente Lucy? – A voz serena de Mira vez com que Lucy a olhasse com a mesma serenidade.

— Me sinto bem. – Sua voz saiu tristemente doce. – Olhou para Erza que estava visivelmente desconfortável. – Erza? Arigatou, não precisa ficar assim, se ele optou por não vir, tenho certeza que não foi por falta de insistência. – Sorriu gentil, tentando confortar a amiga.

Erza se sentou e Mira se acomodou ao seu lado, Happy permanecia nos braços da loira, sentindo o coração da maga celestial palpitar forte, totalmente controverso se comparado com sua feição calma.

— Lucy, Natsu pediu para cuidarmos de você e do bebê! – Erza a olhava firme e buscou forças para demonstrar confiança e tranquilidade, pouparia a amiga das palavras de indiferença do rosado, e antes que Mira pudesse dizer algo mais que melhorasse a dura realidade, Lucy as interrompeu.

— Não precisam buscar palavras certas para corrigir as erradas de Natsu, ele já me decepcionou há meses atrás, só temia que ele rejeitasse o próprio filho. Se ele o rejeitou ou não é algo que só saberei daqui um ano. – Sempre boa nas palavras, e transparente nos sentimentos, firme como rocha e delicada como a mais rara flor.

Ninguém ali conseguiu dizer mais nada, admiravam a determinação da loira, realmente o rosado não transpareceu rejeitar seu filho mas também não mostrou com convicta claridade a aceitação, então Erza e Mira também se calaram, a missão de contar para Natsu elas haviam cumprido, agora iriam prosseguir com a missão mais importante, cuidar de Lucy.

O clima tenso que mira imaginou que surgiria, não surgiu, ao contrário sentia muita paz e tranquilidade, se aliviou por ver que Lucy é uma garota decidida e forte.

— Are, are, então... acho que tem muita coisa a fazer naquela cozinha. – Disse se levantando e ajeitando seu vestido rosa. – Lucy, se precisar de algo é só me chamar ok? – Lucy assentiu sorridente vendo a albina seguir para sua cozinha.

Wendy, Charle, Levy, Juvia e Gajeel chegaram em manada, ansiosos para verem se Lucy estava bem, se sentaram ao redor da mesa, Happy finalmente largou os braços da loira ao ver Charle, indo cumprimentá-la sem esconder a empolgação.

— Charuruuuuuu... senti tanta saudades!!

— Fica longe seu neko ingrato, sem um mínimo de etiqueta partiu em viagem sem se despedir. – Na sua pose firme e indiferente Charle mostrou que ficou chateada pela repentina viagem do amigo.

— Gome ne Charuruuuu.... – tentava a todo custo abraçá-la, mas ela desviava com maestria.

A cena claro, serviu para descontrair os amigos, que começaram a rir dos dramas de Happy, Lucy estava aliviada por vê-lo ali, seguro e saudável.

— Lucy? – Uma voz masculina e cordial soou de repente; surpreendendo a loira; e fazendo com que todos dessem atenção ao belo rapaz de pé atrás de Lucy.

— Léo! – Lucy ficou feliz ao vê-lo, desde que os seus amigos do mundo celestial descobriram sobre sua gravidez eles sempre revezavam uma visita inesperada, claro abriam os portões por conta própria para não desgastar a dona.

O líder dos doze espíritos celestiais do zodíaco se aproximou da lateral da mesa, se encurvando e fitando de perto sua dona, colocando uma das mãos charmosamente no queixo da mesma.

— Na ausência de Natsu, eu assumirei a paternidade. – Foi tão charmoso que Lucy cogitou aceitar a proposta.

— Léo... – Tentava repreender o amigo, mas não tirando o sorriso envergonhado do rosto.

— Mas sempre estaremos aqui Lucy, não precisa temer, faremos de tudo para proteger você e seu herdeiro. – Deixando as gracinhas de lado Léo falou sério, firme e convicto, e representando a todos seus amigos do zodíaco.

— Eu sei! Nunca duvidei disso... Não tenho nem como agradecê-los por tanto amor!

— Só estamos retribuindo todo amor que você nos dá. – Deu uma breve piscada ajeitando a postura, se despediu antes de partir para seu mundo. – Mina, nos vemos por ai.

Até mesmo Erza ficava admirada pelos encantos de Léo, sempre educado, culto, era realmente charmoso.

— Você tem muitas vantagens por ser maga celestial, hem Lucy. – Falou Levy, maliciosamente, tirando de Gajeel uma carranca seguida de um resmungo, que fez todos rir.

Lucy sentiu seu coração bater forte, sua alma se acalentou de estar ali, entre amigos, na sua guilda, não tinha do que reclamar. Tinha tanto para falar e com certeza queria ouvir muitas coisas de Natsu, mas teria que esperar, então iria ficar ali e aproveitar aquele momento de aconchego e paz.

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Já estava na hora de Porlyusica medicar Lucy, e mesmo não querendo atrapalhar, ela foi obrigada a interromper, se aproximou do grupo, chamando a atenção de todos.

— Está na hora do seu remédio Lucy. – Falava enquanto colocava sobre a mesa a bandeja que tinha em mãos, onde continha alguns frascos, seringas, dosadores e outros equipamento e utensílios médicos.

— Que remédio é esse? — Perguntou Erza.

— São remédios de reposição de magia e suplementos mágicos, eu os desenvolvidos há um tempo atrás, mas como Lucy estava muito fraca resolvi medicá-la com eles enquanto desenvolvo um mais adequado à magia dela.

— Eu preciso tomar entre duas a três vezes por dia. – Falou tristemente. – Não tenho magia suficiente para meu bebê. – Sentia-se inútil.

Erza esticou os braços e colocou suas mãos sobre a de Lucy, que tremia, demonstrava num simples toque que estava ali, por ela e com ela. Porlyusica se aproximou entregando para a loira um pequeno dosador, com um líquido alaranjado e espesso dentro. Sem olhar muito para o remédio Lucy tomou rapidamente e franzindo o rosto demonstrava ser um remédio nada agradável.

— Preciso melhorar o sabor também. – Falou a rosada pegando o dosador de Lucy.

Todos observavam atentamente, preocupados com a saúde da loira.

Após devolver o dosador na mesa Porlyusica olhou para Lucy.

— Por hoje será o suficiente, já está esfriando, volte para sua casa e fique de repouso. – Pediu educadamente, estava desenvolvendo certa afeição pela loira e queria que ela se cuidasse muito bem, para não correr nenhum risco desnecessário.

— Estou bem, me sinto disposta. Só irei jantar e já partiremos! Senti falta da comida da Mira – Sorriu meiga.

...

— Luxyyy... Gray não precisa mais ficar aqui, eu te protejo de qualquer coisa. – Happy dizia enciumado, o moreno que pouco se importava com o olhar emburrado do azulado continuava sentado na poltrona lendo uma revista qualquer.

— Happy, você vai ter que se acostumar, assim como você Gray irá morar aqui por vários meses, eu preciso de vocês dois! – Lucy que estava sentada frente a sua escrivaninha, na inocente intenção de ler seu romance, mas Happy não permitia, ela tinha que responder suas inúmeras perguntas... “Cadê seu ovo Lucy?”, “ Porque não vamos morar na minha casa e do Natsu?”, “Como que o ovo foi parar dentro da sua barriga Lucy?”

— Luxyy... – Chamou-a dengoso, roubando mais uma vez a atenção da loira. – Você não goxxxta mais do Natsu?

A pergunta chamou até a atenção de Gray, que apenas subiu o olhar para Happy que estava sentado na cama de Lucy. A loira olhou para o gatinho surpresa pela pergunta repentina.

— Porque me pergunta isso Happy?

— Eu sei que o Natsu está agindo muito estranho, e está tendo atitudes que está o distanciando de vocês... Mas onegai, não desistam dele!! – Suplicou o exceed.

Lucy e Gray se olharam tentando adivinhar se pensavam o mesmo, e sim, estavam, Happy sabia de algo mais, algo que eles não estavam cientes.

— Ainda gosto do Natsu Happy, ele sempre será meu amigo, e é pai do bebê que cresci aqui. – Acariciou sua barriga e olhou carinhosamente para o gatinho. E não estava dizendo isso apenas para acalmar seu amiguinho, na verdade foi simples demais em dizer o quanto gosta daquele rosado, pois seu coração teimoso ainda insistia em bater frenético apenas ao ouvir aquele nome.

Happy então puxou seu lenço pegando um pequeno objeto metálico, se aproximou de Lucy e o entregou, só ai sendo possível identificar duas chaves, a loira o olhou duvidosa, mas mesma assim pegando as chaves oferecidas.

— A chave maior é da minha casa e a menor é de um cofre do Natsu, onde têm todas as economias dele, ele me pediu para eu regressar com Erza para poder te entregar. Ele disse que o valor que tem lá é o suficiente para pagar o aluguel por um ano, seus gastos e as despesas com o bebê. – Falou calmamente, tentando não esquecer nenhum detalhe, olhando fixo para a loira, Gray não conteve o sorriso satisfeito, por fim de algum jeito seu amigo agiu feito homem.

Lucy olhou para as chaves em sua mão, realmente ela estava preocupada com os próximos alugueis, não queria ficar dependendo dos amigos por tanto tempo, seus olhos tomaram um brilho esperançoso, se perguntava o motivo de Natsu ter tomado essa atitude. Era a prova de que ele assumiu seu filho? Que se preocupava com ela? Talvez momentaneamente as perguntas ficassem sem respostas, porém, o que mais importou naquele momento, foi um conforto que sentiu através daquela atitude.

Notas finais
Eita, então Natsu não saiu para um simples treinamento :O ... Será que ele terá sucesso nessa missão?! E o fato de seu filho(a) ter herdado seu poder o deixou perturbado... por que será? E a atitude dele diante da notícia? Não foi assim tão ruim né, ele foi sim, frio e egoísta, mas no final vemos que ele não foi tão egoísta assim!! ^^ Será isso um bom sinal? Espero que tenham gostado :} Logo postarei o próximo!! E me mandem suas sugestões: MENINO ou MENINA? Vocês escolhem ^^ Então comentem!! Fico profundamente feliz a cada comentário recebido :) Fantasminhas?? Eu não me esqueço de vocês ^^ então não se esqueçam de mim :'( ... Comentem meus amores!! *.*