Fogo Inalcançável
6 6º Capítulo – Ambição e rivalidade, cuidadosamente dosadas.
Notas iniciais
6º CAPÍTULO – AMBIÇÃO E RIVALIDADE, CUIDADOSAMENTE DOSADAS
Aquele sabor doce e azedo ao mesmo tempo, devido ao chantilly e ao morango, era esplêndido, parecia que iria flutuar a cada garfada. Fazia dias que não visitava sua confeitaria predileta, aquele momento era seu, seu momento de relaxar e entrar em paz com sigo mesma. Parecia uma criança com seus olhos gulosos sobre o bolo, sentada frente a uma mesinha redonda, com a fatia sobre o móvel, não existia ninguém e nem problemas naquele momento no mínimo sagrado.
Depois daquela maravilhosa degustação, Erza caminhava por Magnólia, sempre trajada de sua saia de prega e armadura no peito, seus cabelos longos e escarlates dançavam com cada passo seu, e a franja, teimosa, insistia em cair sobre um de seus olhos. Caminhava numa bela rua ao lado do rio que corta a cidade, olhou serena para o céu azul que só transmitia calmaria. Não podia negar que se sentia um pouco calma assim como o manto azul sobre si, a postura firme de Lucy era o motivo de tudo, se sua amiga tivesse desabado defronte tudo que lhe aconteceu com certeza ela também desabaria, tomaria suas dores e sofreria com ela.
Pensando na bela amiga era impossível não se afundar em dúvidas diante dos segredos que o mestre e Natsu viam escondendo, sim, não havia dúvidas sobre isso, com toda certeza eles estavam ocultando algo para o restante da guilda, e seu coração batia forte por não estar sabendo o que era, não por curiosidade, muito menos por se sentir importante, mas porque temia por todos e desejava poder protegê-los.
Tão imersa em seus pensamentos Erza não notou duas presenças misteriosas, paradas a poucos metros de si, estava passando diante desses quando uma voz conhecida lhe chamou atenção.
— Anda muito distraída, desde quando você é assim, Erza? – Aquela voz... Olhou surpresa para onde vinha aquele timbre que lhe fazia estremecer, e ao ver aquele rosto não pode esconder a surpresa.
— Jellal!!? – Soou como sempre no seu tom duvidoso, como que se não acreditasse que ele estivesse ali. – Meredy!! – Não pode deixar de notar a presença feminina ao lado de seu velho amigo, a rosada de madeixas onduladas lhe sorriu graciosamente. Os dois como sempre escondiam seus trajes sob um enorme sobretudo.
— Estávamos nas redondezas, e foi impossível não ficar sabendo sobre a gravidez de Lucy. Resolvemos passar aqui para saber se está tudo bem. – Disse tirando o capuz e revelando seu rosto pálido e sua tatuagem, os cabelos sempre desgrenhados pareciam estar com um azul mais vibrantes.
— Fiquei muito contente pela Lucy-chan, gravidez é uma dádiva, tenho certeza que ela está mais linda e repleta do que nunca! – Meredy sorria ao dizer tais palavras, ficou feliz pela loira e se sentia ansiosa em poder um dia, conhecer o filhinho de sua amiga.
— Realmente foi de grande alegria para todos a notícia da gravidez, espero que você venha conhecê-lo quando nascer! – Erza retribuiu a gentileza, e tinha certeza que Lucy adoraria receber tal visita. Meredy acenou demonstrando empolgação pelo convite.
— Deixarei que vocês conversem mais a vontade, estarei naquele restaurante. – Sempre educada Meredy sabia que os dois precisavam ficar as sós, e aproveitaria a deixa para comer uma comida saborosa, digna de Magnólia. Recebendo um sorriso gentil de Jellal a rosada se afastou rumo a um restaurante modesto a poucos metros de distância.
Jellal vendo sua companheira se afastar, voltou a olhar para Erza, ela que parecia irradiar algo em seu peito toda vez que seus olhos a fitavam.
— Fairy Tail e Magnólia parece estar num momento de paz desde os jogos mágicos, como estão todos da guilda? E Lucy como está lhe dando com a gravidez?
— Faz poucos meses que regressamos de Crocus, e já estou estranhando tamanha calmaria. Mas estamos bem, por enquanto! Lucy está numa gravidez delicada, mais ela é forte. – Tirando a surpresa de se deparar com Jellal e Meredy bem no centro de Magnólia, também estava surpresa por saberem da gravidez de Lucy. Mas pensando com mais calma era de se esperar, os magos de Fairy Tail tem esposas, maridos e parentes fora da guilda, sem dúvidas diante da notícia eles dividiram a alegria com seus conhecidos e esses conhecidos fizeram o mesmo. Era fácil a gravidez de umas das mais famosas magas da guilda se espalhar tão rapidamente, e o fato do pai ser nada menos que o famoso Salamander só contribuía ainda mais para a noticia correr solta por toda cidade. Sorriu com a situação, não havia parado para pensar nesses detalhes.
— E Natsu? – A pergunta tirou a ruiva de seus devaneios, e tão logo a deixou preocupada, por algum motivo a pergunta lhe soou um tanto diferente. Parecia que Jellal sabia de algo, estava preocupado com Natsu.
— O fato de perder tempo tentando disfarçar me ofende! – Falou debochada, achando graça de mesmo depois de tantos anos seu amigo tentar lhe esconder as coisas. – Me diga, sei que tem grande admiração por Lucy, mas não viria aqui apenas pela gravidez dela. O que você sabe? – Não era uma coincidência Jellal aparecer ali, tão de repente.
O mago sorriu, se sentiu um tolo por ainda tentar esconder os fatos de Erza? Mas logo seu sorriso se desfez, olhou para os lados, não queria que ninguém ouvisse o que tinha para falar, se aproximou mais de Erza e a olhou seriamente, deixando a maga precipitadamente preocupada.
— Passei para conversar com Makarov, nos encontramos na casa de Porlyusica-Sama... – Respirou fundo. – Quero que se preparem, não sei como nem quando, mas Tartaros está tramando algo, iram atacar e isto é um fato. Sei que Natsu está ausente, e não quero que a Guilda fique com desfalque de mais magos poderosos, sei que vocês dão conta, mas ficarei por perto. – aquele nome era um dos poucos que conseguia amedrontar Erza.
— Tartaros?! – Seu espanto foi palpável. – E Makarov continuará a manter isso de baixo dos panos? – Perguntou ríspida, aumentando seu tom por estar extremamente nervosa com as decisões de seu mestre.
— Makarov reservava algumas informações complementares, e já esperava por isso, como sempre ele está a um passo a nossa frente Erza, confie em seu mestre. E o conselho também já está envolvido. Não passe por cima deles. — Aconselhou a amiga.
Erza respirou fundo na tentativa de se conter, Jellal estava com toda razão, ela tinha que manter a fé em seu mestre e confiar em suas decisões. Mas o fato de obviamente Natsu estar envolvido nisso a fez refletir. – Agora as coisas estão se encaixando. – Abaixou o olhar e pôs uma mão no queixo, sinal que havia entendido algo. Franziu as sobrancelhas e voltou a fitar Jellal. – Natsu e Gildarts estão procurando o paradeiro de Zeref. Só pode ser isso... Zeref é o mentor de tudo e está controlando os movimentos de Tartaros, não tenho dúvidas, mas o que não faz sentido é irem atrás de Zeref sem mesmo saberem mais sobre Tartaros... e o que não encaixa é o envolvimento de Natsu nisso tudo... Jellal o que mais você sabe?
Ainda se surpreendia com a astúcia de Erza, a um minuto ela se afundava em dúvidas, e no seguinte já havia encaixado todos os fatos.
— Tive um encontro com Minerva Orlando. Ela está mudada, foi conjurada a um demônio e estava vagando em uma região que existia uma guilda das trevas.
— Minerva? M-mas o que ela tem haver com Tartaros? – Estava ficando tensa. O nome Tartaros a deixava apreensiva e saber que Minerva estava envolvida só a angustiou mais ainda. Por mais que tivessem uma rivalidade, sempre desejou que Minerva não se entregasse à escuridão e voltasse para sua guilda de origem, Sabertooth.
— Ela dizimou todas as guildas que restaram da Aliança Balam, eu e Meredy estávamos seguindo rastros de quem estava atacando as guildas das trevas, quando a encontramos. — Jellal respirou fundo, ao se recordar de tal dia.
FLASHBACK ON
A vila que vagavam estava deserta, casas e comércios abandonados, provavelmente a pouco tempo e as pressas, pois tinham casas com luzes acessas e portas abertas. Sinal que seguiam pelo caminho certo, há semanas vinham trilhando os passos de um misterioso ser que estava quebrando o pacto da Aliança Balam, em nunca atacar seus aliados.
— Ainda me pergunto por que estamos atrás do responsável por dizimar as guildas das trevas. – Dizia Meredy, enquanto caminhava atenta por uma das ruas da aldeia.
— Por justamente ele estar quebrando o pacto Meredy, seus atos não são sinais de bondade e sim de ânsia para ser o mais forte e intocável. — Meredy se manteve calada como sinal que havia entendido os motivos.
Na rua tiveram que desviar de escombros, estavam frente a ruínas daquilo que um dia foi uma guilda das trevas, e que agora só ostentava corpos sem vidas jogados por todo lugar em meio a todo aquele caos. Enquanto observavam o local Jellal se colocou em alerta, mantendo Meredy atrás de si como forma de protegê-la, sentiu uma forte presença se aproximando, olhava atento para avistá-lo, forçava a vista, devido a escuridão da noite que já havia tomado a aldeia, com o esforço pode ver de longe em meio aos escombros a silhueta de uma mulher, mas outros traços daquela silhueta lhe deixou abismado, ela tinha um par de chifres.
— Jellal!! – A voz saudosa e arrogante não lhe soara estranho, mas ainda sim não a reconhecia. – O amigo de Erza se não estou equivocada.
A silhueta foi tomando mais forma ao se aproximar e os traços do rosto ficaram mais nítidos, se surpreendeu ao ver um pouco de Minerva naquilo que parecia um Take Over de Mirajane.
— Gostou da minha nova aparência? Devo todos os créditos para Kyoka. — Disse se exibindo orgulhosa.
— Como conseguiu? Quem fez isso com você? – Jellal não conteve a repulsa que sentiu ao vê-la, não pela aparência, mas por todo caos que causara, não acreditava no que seus olhos viam.
— Kyoka, um dos noves portões demoníacos de Zeref. Ela me transformou, devo tudo a ela! – A resposta abalou Jellal e Meredy, ambos não podiam disfarçar o desgosto de ouvir tal nome.
— Como você se envolveu nisso, você era da Sabertooth!! – Disse Meredy incrédula.
— Sabertooth é uma guilda de derrotados, uma guilda que mantém lixos como membros. Encontrei um lugar onde minha força é reconhecida.- Disse em descaso, não lhe agradava se recordar de tal guilda. Então olhou firme para Jellal. – Mas mudando de assunto... te encontrar aqui não poderia ser em melhor hora, há dias me perguntava quando iriam me alcançar, esta era a última guilda que restava. – Foi cínica ao revelar que sabia que eles seguiam seus passos.
— O que você quer Minerva? – Jellal a questionou de forma áspera estava se irritando com a arrogância daquela maga.
— Natsu Dragneel... é de grande interesse para nosso mestre Zeref, não sabemos o por quê!! O problema é aquela guilda... eles sempre foram enxeridos e petulantes, então é inevitável que cedo ou tarde Fairy Tail irá cometer o pecado de enfrentar Tartaros. Toda união que tem, todo o vínculo será quebrado! Sei que você é aliado deles, quero que diga-os que Tartaros esta chegando, trazendo uma nova Era. – Queria amedrontá-lo, queria trazer o medo e insegurança para aquela guilda, e ao receber a permissão de Kyoka para tal feito, ficou frenética.
Jellal sentiu um frio em seu estômago. – Natsu!! Nova Era?– Disse apenas, já temendo o que estava por vir. – O que Fairy Tail tem a ver com isso? Não estou entendo? O que Zeref quer com Natsu?
— Hahahahahahaha... Pobre Jellal e pobre Fairy Tail. Avise-os para não se meterem, apenas isso! Tartaros almeja voltar para seu criador, Zeref, e para isso estamos começando a reunir força ritualística para despertar o rei de todos, END. Quero vê-los tremer, quero vê-los ceder diante de Tartaros. – Gargalhou alto, som que perturbava qualquer ser normal que escutasse.
Jellal não conseguia formular perguntas, estava pasmo assim como Meredy que se mantinha atrás dele. Minerva ficou satisfeita com a reação que causou neles. Ela tão pouco sabia o que Natsu Dragneel tinha a ver com Zeref, e do por quê que Fairy Tail entrou em pauta nas reuniões de Tartaros, mas estava adorando tudo isso. Fairy Tail era a guilda que mais odiava, sonhava o dia em que veria a guilda entrar em colapso e ruir.
Antes que Jellal conseguisse se recompor e raciocinar com coerência Minerva já havia desaparecido.
— Nani?!! Pra onde ela foi? – Meredy se pôs a perguntar ao ver que Minerva não estava mais ali. Os dois olharam inconformados ao redor.
Minerva simplesmente desapareceu, deixando apenas um rastro de destruição.
FLASHBACK OFF
Contou com detalhes para Erza que assim como ele ficou petrificada.
— Isso foi há alguns dias. Não encontrei sentindo algum em ela me contar parte dos planos de Tartaros, então procurei uma lácrima e contatei Makarov, não tive dúvidas de que ele deveria ficar sabendo sobre isso, ele pediu sigilo e disse também estar ciente de algo mais que ajudasse, e que sobre Tartaros o Conselho lhe daria com eles diretamente. Foi quando fiquei sabendo que Natsu partiu com Gildarts.
— Tenho certeza que Natsu está atrás de Zeref!
— Erza, sei que você tem o discernimento para não contar isso para mais ninguém, mas mesmo assim reforço para que não conte nem para Lucy ou Gray. Apesar de tudo Tartaros ainda não deu as caras, nem sabemos onde fica sua sede. Não queremos criar alarde desnecessários, ainda mais nas condições que sua amiga se encontra.
— Arigatou Jellal, por me contar, você não sabe o quanto fico mais aliviada em saber o que está acontecendo. Há semanas eu desconfiava de que o mestre nos escondia algo.
— No momento minha maior preocupação é Natsu, não sabemos por que Zeref o idolatra tanto, mas bom sinal não é. E Lucy esperando um filho dele! Com certeza não é uma situação fácil para ele. – Falou demonstrando preocupação pelo companheiro.
— Natsu está com sérios problemas, há meses algo o perturba, sua personalidade e atitudes não são mais as mesmas. Realmente não está sendo nada fácil para Lucy encarar tudo isso. Um bebê está a caminho e os dois precisam estar prontos para recebê-lo. – Disse totalmente preocupada com o futuro incerto.
— Por falar nisso, Natsu e Lucy nos passaram, são mais jovens que nós e já providenciaram um herdeiro! – Disse um tanto sem jeito, olhando para os olhos de sua titânia. Queria tirá-la daquele poço de dúvidas e incertezas.
Erza enrubesceu com a indireta, não sabia o que falar, sentia suas bochechas queimarem e suas pernas ficaram fracas, era esse o efeito que ele tinha sobre ela.
— De fato, eles foram mais rápidos. – Falou sem graça, sorrindo sutilmente. – Espero um dia poder dar um amiguinho para o filhinho deles. – Sorriu, puxando a franja para trás da orelha.
Jellal a admirava, tão bela que não conseguia tirar os olhos dela, ficar na sua presença e escutar sua voz era o que gostaria de fazer para o resto da vida, mas sabia que por enquanto não poderia fazer isso, tinha que se redimir dos seus erros, vagando pelas terras de Fiore. Por que o destino tinha que ser tão ardiloso e cruel? Por que não poderia ficar ao lado da pessoa que amava?... Suspirou.
— Tenho que ir. – Disse tristemente, se afastar de Erza era o mais difícil.
— Pare Jellal, onegai... pare de fazer isso, não tem que viver assim, isso não é vida!! Viver é se despregar do passado e olhar para o futuro, fique aqui conosco. Seu futuro está aqui, se quiser. – Suplicava, não cansaria de suplicar, até o dia que ele enxergasse que ela precisava dele ali, ao seu lado.
A noite já estava caindo sobre Magnólia, a rua já pouco movimentada estava ficando deserta, mas não estava escuro nem sombrio, ao contrário, as luzes de alguns estabelecimentos e dos postes estavam acessas, essas que se refletiam no rio ao lado. Jellal respirou fundo, olhava para o rio que seguia tranquilo seu caminho, Magnólia era realmente uma cidade agradável e boa de viver. Não se lembra há quanto tempo carrega em seu coração o sonho de criar raízes em um lugar como este, sonho que sempre foi distante de sua realidade, mas agora sentia que estava mais perto do que nunca.
Erza não precisava dizer mais nada, seu corpo já mostrava seus anseios e desejos, uma mão agarrou com força o tecido de seu enorme sobretudo como pedido para não ir, para ficar perto.
Jellal se aproximou da ruiva, o desejo de abraçá-la e beijá-la já não era mais suportável, a vergonha e o medo que lhe corroíam por dentro estava se esvaindo de seu corpo, assim como sua sanidade ao sentir o cheiro doce que a maga exalava. Há quanto tempo não tinham um momento assim, a sós. Não poderia desperdiçar, não poderia fraquejar como da última vez.
Aproximou-se sutilmente, aliás já estavam bem próximos, deslizou uma mão na face macia da maga que apreciou o gesto com os olhos fechados. Seu rosto foi descendo e se aproximando de Erza, era difícil, se sentia um plebeu diante daquela rainha. Mas finalmente seus lábios quentes tocaram os macios dela, mas só o toque não era suficiente, queria sentir o seu gosto, a puxou pela cintura colando seus corpos, e pediu sutil permissão para explorar sua boca, permissão que foi concedida sem relutas.
Erza não podia acreditar, aquele momento parecia um sonho, se sentia entregue a ele. Ela que sempre fora a mais forte, sempre a que protegia. Agora se sentia protegida nos braços fortes dele, que a seguravam com firmeza. Seu coração doía de tão forte que batia, mas era uma dor permissível, dor que gostaria de sentir por toda vida. Colou suas mãos nos ombros largos dele, queria puxá-lo mais, o queria mais perto, mais colados, a sensação de sua língua viajando na boca dele era viciante, como era bom beija-lo, ter esse contato, sentir seu gosto. Apreciando aquele momento Erza estava alheia a qualquer um que a visse ali, numa rua aos beijos com um estranho, se sentia uma adolescente. Não buscavam ar, não queriam parar, o fôlego buscavam um no outro.
Mas tiveram que cessar o beijo, infelizmente não poderiam ficar ali para sempre. Os corpos ainda juntos, apreciando o calor um do outro, se olharam levemente envergonhados, era difícil para ambos, sempre se amaram desde a infância, e finalmente assumir um ao outro esse sentimento tão forte e intenso não era nada fácil.
— Jellal... – A satisfação que sentia por finalmente tomarem essa atitude era indescritível. Queria mais uma fez suplicar para que ele ficasse.
— Um dia iremos ficar juntos, e nunca mais sairei do seu lado. Mas mesmo que ainda esse dia não chegue, desde hoje somos um só Erza. – Falar aquilo foi libertador, sentiu seu coração saltar de seu peito por finalmente ser corajoso o suficiente para deixar claro que seus futuros estão destinados um ao outro.
A ruiva sentia seu corpo flutuar, escutar aquelas palavras era seu sonho. – “Isso foi um pedido de casamento?”— Pensou, já se empolgando em se imaginar finalmente vestida de noiva.
Por fim se separaram ao verem Meredy sair do restaurante, Jellal acenou para a rosada, num pedido silencioso para que ela o aguardasse ali mesmo, voltou seu olhar para Erza.
— Nos vemos em breve! Estarei por perto.– Era difícil se despedir então quão logo fosse seria melhor. – Se aproximou novamente de Erza e lhe deu um beijo na testa. Meredy de longe corou com a atitude carinhosa de seu amigo.
— Hai! – Foi o que conseguiu falar, se para ele era difícil, para ela era quase que insuportável vê-lo sair para mais uma jornada sem rumo em busca de redenção. Sentiu o frio lhe tocar quando ele se afastou indo de encontro com Meredy. E logo os perdeu de vista devido a escuridão. Naquele momento conseguiu se aproximar um pouco do sentimento corrosivo que Lucy com certeza também sentia.
...
Sua banheira de águas quentes e cheirosas já não era mais a mesma, sempre que entrava nela algo lhe obrigava a sair rapidamente, fosse para apartar brigas ou socorrer certo gatinho azulado de ser congelado. Estava cada dia mais difícil relaxar em seu banho, que antes lhe era tão necessário e sagrado. Mas talvez agora fosse possível ter uns minutos de paz, pois Gray estava entretido na cozinha preparando uns lanches e Happy estava com Wendy e Charle na guilda. Respirou fundo, e se ajeitou na banheira cheia, não pode conter um gemido de satisfação, ao sentir a água quentinha em sua pele... mas boa parte daquela água caiu para fora devido ao susto que levou quando ouviu Happy gritando por socorro, com certeza Gray estava tentando congela-lo novamente. – "Como isso é possível?!! Happy mal havia chegado e já conseguiu irritar Gray?!"
— Graaay, deixe Happy em paz... você sabe que ele é muito pequeno você ira machucá-lo. – Disse ainda na banheira, em um tom alto, mas sem perder a calma. Suspirou se levantando. – Por Kami, já estou tendo aulas práticas de como lidar com crianças. – Resmungou para si mesma, e dando uma leve risada. Pegou sua toalha, se secando, agora com a presença de dois meninos em seu apartamento, não tinha mais como ficar vagando de toalha pelos cômodos, vestiu sua lingerie, então olhou para sua barriga, talvez fosse sua imaginação, mas parecia ter uma pequena, mínima saliência ali, acariciou o local e sentiu certa diferença.
— Gray! Acho que minha barriga está começando a crescer! – Disse animada, saindo do banheiro, já vestida numa camisola branca que lhe vinha até metade das coxas.
O mago estava na cozinha preparando um lanche, e apareceu na porta segurando um prato e uma fatia de pão, Happy apareceu atrás, com outra fatia na pata, sinal de que havia pegado na comida de Gray, o que com certeza teria sido o motivo dos berros de Happy minutos atrás. Gray viu a amiga de pé no quarto com uma das mãos sobre a barriga, tratou de deixar o que fazia na cozinha e ir ver se ela estava com razão, se aproximou da loira e colocou a mão esquerda em sua barriga, se concentrando. Há dias Lucy teimava que sua barriga já estava maior, mas sempre que alguém conferia apenas deslizava a mão em uma barriga lisinha. Gray era muitas vezes obrigado a conferir se ela estava mesmo certa.
Happy observava a cena, ver Gray sendo tão gentil com Lucy era reconfortante. Mas ficava chateado por não ser Natsu ali ao lado dela.
— Realmente, ela está mais inchada e durinha! – Disse contente em ver que seu sobrinho ou sobrinha estava crescendo. – Incrível como cresce rápido, há poucos dias não dava para sentir nada.
Lucy desenhou um sorriso satisfeito no rosto, sentou em sua cama e olhou para Happy.
— Quer sentir Happy? – Era bom dividir aquele momento com seus queridos amigos.
— Aye!! – Estava esperando o convite, e tão logo aceitou voando para o colo da maga, se aproximou da barriga, encostando seu rosto naquela região e os braços abertos, como que num abraço. Sorriu ao ver que tinham razão. – Então seu ovo está aqui dentro mesmo? – Falou inocente, tirando de Lucy e Gray gargalhadas contagiantes.
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Na manhã seguinte, Lucy já estava na guilda, fazendo companhia para Mira, que secava uns copos no balcão, Gray estava com Gajeel em uma das mesas, mas sempre de olho na loira, levava a risca as ordens do mestre, e desde o dia que descobriram a gravidez ele não saia de perto dela.
— Estou cada dia mais ansiosa para ver o rostinho do seu bebê Lucy. – Dizia Mira empolgada, também havia tocado na barriga de Lucy e sentiu uma leve diferença.
— Hai, a cada dia que passa esse momento fica mais próximo. – Sua voz doce trazia a ansiedade de também poder conhecer seu bebê.
Levy se aproximou, sabia do que estavam falando e adorava participar do assunto. A gravidez de Lucy rendia, e conversar sobre algo tão milagroso era revitalizante.
— Levy-Chan, venha, sinta minha barriga, ela está crescendo. – Ao ver Levy se aproximar não conteve a ansiedade em mostrar sua barriga de grávida, Levy claro, logo se aproximou e a tocou sorrindo ao sentir aquela saliência mínima, seus olhos transbordaram de alegria. Alguns ali perto viram a cena e não tardou para formar uma fila diante de Lucy, todos querendo sentir seu bebê crescer.
Lucy sorria, dividir aquele momento com todos da guilda era a única coisa que preenchia o vazio que certo mago havia deixado em seu coração. Após todos passarem por Lucy ela finalmente pode se sentar novamente, ficando entre Levy e Juvia que acabará de chegar, também no intuito de tocar a barriga da amiga.
A guilda não estava tão cheia, muitos haviam partido em missões, os poucos ali estavam distraídos em suas conversas, e não viram pela porta da guilda surgir três magos, alguns olhares mais atentos caíram sobre eles, Makarov e Erza que sempre receptiva se aproximou, com um agradável sorriso.
— Sting, Rogue e Yukino! Que bela surpresa! Lector e Frosch sejam bem vindos também! — Cumprimentou animada.
O grupo sorriu com a gentileza da Titânia, os exceed foram os primeiros a entrar, e ao virem Happy, Charle e Lily conversando sentados sob uma mesa correram ao encontro deles.
— Ficamos sabendo sobre a Lucy e Natsu e fiemos visitá-la. – Disse Yukino gentilmente, já procurando pelo salão sua amiga e xará de magia.
— Ela está logo ali. – Apontou Erza, vendo a ansiedade da albina de Sabertooth, que assim que avistou Lucy partiu ao seu encontro.
— Peço desculpas por não avisarmos com antecedência a nossa visita, esperamos não estar atrapalhando. – Sempre educado, Rogue já se retratava pela visita inesperada. – Devido a euforia de Sting e Yukino, não pude sequer planejar com antecedência a visita.
— Imagine, somos amigos. Sempre que quiserem as portas estarão abertas. E sem dúvidas essa visita deixará Lucy muito feliz! — Makarov mesmo de longe prestava atenção, e tratou de deixar os visitantes mais a vontade.
A dupla de irmãos entrou, indo de encontro para o grupo que estava perto do bar. Yukino muito empolgada abraçava Lucy, um abraço forte e caloroso que Lucy retribuía com prazer.
— Lucy, como você está? – Disse Yukino, se afastando do abraço e segurando as mãos de Lucy, assim podendo admirar a futura mamãe.
— Estou bem! – Era o que conseguia responder. Estava se sentindo sem jeito diante de tanta atenção em um dia só.
— Parabéns Lucy, que seu herdeiro venha com muita saúde. – Desejou Rogue, olhando carinhoso para a loira que lhe retribuiu.
— Arigatou Rogue!
— E Natsu? – Perguntou Sting, que não sentia o cheiro de seu amigo rival. Fazendo com que Rogue lhe lançasse um olhar reprovador.
— Ele não está, ficará longe por uns meses, deixou Lucy aos nossos cuidados. – Mira respondeu sucinta, não gostou da petulância de Sting, pois Lucy não pôde deixar de se abalar, abaixando o olhar e retraindo o corpo, o que não passou despercebido pelos visitantes, Yukino que estava ao seu lado apertou sua mão, afirmando naquele gesto que estava ali com ela, mesmo não sabendo ao certo o que estava acontecendo.
Naquele momento Rogue e Sting também viram que algo perturbava aquela guilda, mas jamais questionariam, afinal era assuntos de Fairy Tail, não tinham o direito de se intrometerem. Yukino se entristeceu ao ver que nem tudo estava sendo flores para Lucy.
— Bom se esse é o caso, podem contar conosco no que precisarem, também teremos prazer em sermos úteis para Natsu e Lucy. – Disse Sting que olhou para Lucy e desceu seu olhar para o ventre da maga. – Sua barriga já está crescendo Lucy-chan! Está linda! Deveria tirar fotos de todos os estágios e mostrar para Natsu quando ele voltar. – Todos ficaram boquiabertos por ele ter notado a mínima barriga de Lucy, e depois do espanto demonstraram gostar da ideia do loiro, que um pouco sem graça continuou. – E-é bem... se fosse eu, eu gostaria de poder vê-la grávida, então tenho certeza que Natsu também.
— Boa ideia Sting, até mesmo porque poderei guardar de lembrança. – Sorriu para o amigo, não tinha muito contato com o mesmo, e se surpreendeu por ele tratá-la tão bem. Provavelmente queria ganhar pontos com Natsu.
— Rogue temos que voltar! Aquela guilda sozinha já deve estar em ruínas. – Sempre esperto e participativo Lector lhe lembrou de que ninguém ficara para tomar contar da guilda.
— Lucy! Virei te visitar mais vezes, se cuide e cuide desse bebezinho. – Disse Yukino se despedindo de Lucy com mais um abraço e em seu ouvido lhe disse baixinho. – Seja forte Lucy-chan!! – Se afastou e sorriu para a loira que a olhava com os olhos relutantes para não derramarem nenhuma lágrima. Piscou para a amiga e se virou, ficou preocupada com Lucy, Natsu sempre esteve ao lado dela, e ele não estar ali, naquele momento tão delicado não era bom sinal.
— Arigatou pela visita mina, venham quando quiserem. – Agradeceu Lucy contente pela atenção recebida. Olhava para a amiga albina que se afastava com os dois rapazes, sorriu ao saber que tinha amigos tão valorosos mesmo fora de Fairy Tail.
...
— Você poderia ao menos se controlar! – Disse repreendendo o irmão, mas não perdendo a compostura de sempre.
— Não sei do que está falando! – Sting caminhava tranquilo, com os braços atrás da cabeça e olhando para o céu.
Yukino caminha logo em frente junto de Lector e Frosch, distraídos em uma conversa banal e empolgante, pelos gestos que faziam.
— Sting, Lucy está esperando um filho de Natsu, nessa você já perdeu, definitivamente. – Disse Rogue, se referindo a rivalidade que Sting nutria com Natsu, sempre querendo ser melhor e superá-lo em tudo que o rosado fazia. – Se realmente admira e respeita Natsu, pare já com isso. E não me force mais a vir aqui dessa forma.
— Respeito e admiro Natsu, mas ele não respeita Lucy e isso me deixou irritado, o que seria mais importante para ele do que seu filho e aquela linda maga? – Disse olhando para frente, e colocando as mãos nos bolsos, parecendo se irritar. Olhou para o irmão que caminhava ao seu lado. – Do jeito que fala parece que estou querendo tomar Lucy de Natsu. – Sorriu debochado. — Apenas ficarei por perto.
Rogue suspirou, temendo pelo irmão, que parecia ter esquecido a força do Dragon Slayer do fogo.
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