Fogo Inalcançável
25 25º Capítulo -Seu pior erro? Cobiçar a garota de um demônio.
Notas iniciais
Seria este o segundo dia de treinamento com Natsu. Lucy não tinha forças sequer para levantar da sua cama. Estava estirada no colchão, o edredom jogado de qualquer jeito para o canto, olhava para o teto com um olhar ameno, suspirou. Olhou para a janela, parecia ser um belo dia, o sol já brilhava no céu azul, e aquele frescor do amanhecer já se invadia por seu novo quarto. Para seu agrado constatou que seu quarto é bem iluminado e que as luzes do sol conseguiam se adentrar no cômodo facilmente pelas duas janelas. Suspirou satisfeita, adora aquele frescor do iniciar do dia.
Se virou no colchão, sorrindo apaixonada ao ver quem estava dormindo ao seu lado. Nashi estava bastante agitada na noite anterior, já era tarde da noite e a pequena ainda pedia por colo, chorava ao ser posta no berço e mais ainda quando se via longe de sua mamãe. O jeito foi coloca-la para dormir consigo. Agradeceu imensamente por Erza lhe presentear com aquela cama. A ajeitou com travesseiros e cobertores para a segurança da pequena e a colocou ali, do seu ladinho, dormiram grudadinhas. E sem duvida fora o melhor sono de sua vida. Descansar sentindo o cheirinho inebriante de sua rosada, afagando sua barriguinha gorducha. Não existia nada melhor do que isso.
Se encolheu ficando em um perfeito “S”, a envolveu com seu braço e delicadamente aproximou seu rosto na cabecinha rosada da pequena, tragou o cheirinho dela, era uma fragrância tão entontecedora que a loira fechou os olhos sem notar, ficaria ali para sempre... Mas não podia, abriu os olhos e suspirou cansada, sentindo uma ansiedade lhe tomar, treinar com Natsu não fora nenhum pesadelo mas também nada fácil. “Fique tranquila, o primeiro dia sempre é o mais difícil.” Disse Erza, tentando encorajar a loira, que se lamuriava na guilda na noite de ontem. Depois de passar as últimas horas da tarde com o Dragon Slayer do Fogo.
Flash Back ON
— Vamos me mostre o que sabe fazer? — A pergunta veio em tom desafiador. Ele a olhava com seriedade, um olhar frio e rígido... longe do olhar enérgico do velho Natsu.
— Como assim?! Quer que eu te ataque? — Perguntou confusa. Arregalando os olhar e sentindo o frio na barriga tomar proporções maiores.
Estavam em uma das muitas campinas que contorneiam Magnólia, ao longe se via a cidade e ao oeste o trilho do trem. Sendo um campina havia-se poucas árvores, muitas rochas e colinas denivelando a vista.
Assim que Gray, Juvia, Wendy Charle e Gajeel saíram para a missão Lucy pegou sua filha e estava indo para perto de Mira e Kinana quando Natsu cruzou seu caminho, pediu para deixar Nashi aos cuidados do pessoal, deu-lhe um tempo para se preparar e lhe falou que estaria naquela campina a esperando para iniciarem o treinamento, partindo na sua frente tão sisudo quanto sério. O coração palpitou e as mãos ficaram suadas e tremulas, custou para encontrar coragem em deixar sua filha na guilda e rumar para onde o rosado estaria, enrolou, procurou desculpas para não ir, titubeou os passos, mas vendo a hora passar e vendo que ele já poderia estar possesso a aguardando resolveu por fim rumar até aquela campina. Não tinha jeito, de fato precisava treinar, melhorar sua resistência e adaptar-se com sua magia novamente. Erza, Gray e os demais já haviam se privado por meses para a ajudar, não teria coragem de tomar mais tempo deles novamente.
— Por que tivemos que vir até aqui? — Questionou incomodada, olhando ao redor e brevemente se esquecendo com quem estava falando.
Natsu piscou impaciente, e soltou ar tentando manter-se o mais passivo possível.
— Quer treinar onde então!? No salão da guilda ou no meio da rua? — Perguntou irônico, vendo a loira formar um bico em desgosto ao constatar que ele estava certo. Treinar nos arredores da cidade era comum para os magos, tanto que os cidadãos nem costumavam trilhar por ali, receosos de serem acidentalmente vítimas de alguma manobra exagerada de um dos magos de Fairy Tail.
Mesmo sendo uma tradição dos magos em treinarem naquelas regiões Lucy nunca estivera por ali, aliás não era do seu feitil treinar. Suspirou ansiosa, olhando ao seu redor, vendo ali somente ela e Natsu. Happy também ficou na guilda, junto de Nashi e Porlyusica, foi uma ordem de Natsu mas ela também achou que fosse o melhor a se fazer. Mas, se ver sozinha com Natsu era um tanto que incômodo.
— Já basta ter enrolado para chegar aqui, agora quer tomar mais ainda meu tempo? — A voz rouca e ríspida a despertou a fazendo sobressaltar-se levemente com o susto, vendo Natsu cruzar os braços e lhe fitar com os olhos serrados em impaciência.
— Como vamos treinar se você mal tem paciência comigo?! — Perguntou num tom choroso, suspirando cansada e também cruzando os braços.
Natsu respirou fundo, como ela conseguia ser assim? Tão....
— Só não fique no mundo da lua. E pare de olhar pra mim como se eu fosse um inimigo pronto pra te atacar. — Disse, tentando manter um tom ameno, e demostrando que se incomodava com os olhares trêmulos e inseguros de Lucy.
— Hai hai... Gomem, vou me concentrar. — Foi a vez da loira em respirar fundo, era difícil confiar cem porcento em Natsu, para ela Natsu parecia ser outra pessoa e estava custando para se acostumar com ele. Ajeitou a saia azul de pregas e a blusinha curta e branca. — Só não estou acostumada a treinar, então preciso que seja mais claro. — Foi clara e calma nas palavras, já se esforçando para não se mostrar tão insegura.
— Ok. Preciso ver como está sua velocidade e força... Então me ataque.
— Mas não estou acostumada a atacar diretamente.
— Esse é o problema, você fica muito vulnerável se não estiver com seus espíritos. Melhorando seu nível de força e resistência consequentemente irá melhorar sua magia também, deixando tanto você quanto seus espíritos mais poderosos.
— Hai.. — Concordou desanimada, só de constatar que mais uma vez, Natsu tinha razão.
— Então preciso ver em qual patamar você está agora, só assim conseguirei traçar um melhor treinamento para você. Então, quando estiver pronta é só me atacar.
Lucy agitou a cabeça em concordância, impressionada com a postura de Natsu, nunca havia conversado com ele sobre esse assunto, via agora que o mago parecia entender muito bem sobre como treinar alguém. Respirou fundo corrigindo a postura e parecendo ficar em alerta, Natsu permanecia no mesmo lugar e na mesma posição, de braços cruzados, pernas levemente abertas, sua pose dura de sempre, não deixando de lhe fornecer uma aura respeitosa. Ele parecia tão impenetrável, inatingível... demostrava estar completamente calmo, juntando com o olhar enviesado e rígido, fitá-lo e pensar em alguma maneira de atacá-lo a deixou levemente amedrontada.
Por alguns segundos o silêncio se instalou no lugar, uma brisa passou entre eles fazendo as madeixas douradas de Lucy balançarem, aproveitou o ar gélido para suga-lo pelas narinas e tomar impulso em avançar, não tinha habilidade em ataques, contando com os meses em que esteve parada não se surpreenderia em sequer se aproximar de Natsu, mas iria tentar, estava ali para isso... Melhorar seu desempenho como maga.
Ma, enquanto isso, Natsu ouviu um barulho vindo de uma das rochas que estava a poucos metros deles, parecia ter alguém ali, sentiu um cheiro abstrato, parecia ser o cheiro de Lucy com mais alguém, ficou confuso e olhou atento para a rocha. “Quem está ali!?” Estreitou os olhos desconfiado descruzou os braços e ficou mais atento com a presença inesperada, avançaria e verificaria se teria algum intruso ali. Porém, se surpreender ao sentir seu braço direito ser enlaçado por algo, olhou para o lado e viu um chicote preto enlaçado em seu pulso, mirou seus olhos e viu Lucy mais próxima, com o braço esticado segurando seu chicote, notando então que ela havia o enlaçado. Vendo que conseguiu atingi-lo ela correu em círculo, iria contorná-lo e assim o fez, fazendo Natsu, por reflexo, levar seu braço para trás. Lucy agilmente movimentou seu braço levando toda a sinergia para o chicote em sua mão, que formou uma grande curva que se deslizou por toda sua extensão, manobrou o braço mais uma vez formando outra curva no chicote, o intuito era para enlaçar o outro braço de Natsu, e conseguiu, o prendendo com os braços para trás. Puxou o chicote apertando o nó, afim de impedir que Natsu conseguisse tirar suas mãos dali.
Tudo não passou de três segundos, desde o momento que Lucy o fitava insegura até se ver ali de mãos literalmente atadas. “Ela foi rápida...” constatou surpreso.
— Muito astuta em me distrair com o cheiro atrás da rocha. — Logo soube que tudo não passou de uma investida de Lucy em distrai-lo. — Quem é?
Antes de Lucy responder uma outra Lucy surgiu por de trás da grande rocha, sorrindo travessa e desinibida para Natsu.
— Gemini.. — Respondeu orgulhosa, ainda segurando o chicote com toda suas forças, Natsu a olhou por cima dos ombros, pois ela estava em suas costas. — Desde que restabeleci minha magia após o nascimento de Nashi eu percebi que consigo invocar meus amigos do mundo celestial apenas pensando neles. A caminho daqui eu chamei Gemini e combinei que quando os chamassem novamente era para se esconderem em algum lugar e se transformarem em mim. Não sabia se eles também conseguiam reproduzir o cheiro exato de cada pessoa, mas resolvi arriscar.
— Lucy-san sabe que o cheiro dela te deixa distraído. — Respondeu Gemini com o mesmo tom de voz que Lucy, porém um tanto que sínica.
— Geminiiii... — Repreendeu apavorada, odiava essa vulnerabilidade que tinha com o Gemini, pois os mesmo sabiam todos seus pensamentos e não eram nadas discretos quanto a isso. — Podem ir.. arigatou pela ajuda.. — Se reverenciou desesperada, torcendo para que seus amiguinhos partissem logo. Respirou aliviada ao ver a Lucy sapeca e atrevida lhe dar um tchauzinho e sumir, não antes de lançar uma piscada atrevida para Natsu, que apenas arqueou as sobrancelhas para aquela versão da loira.
— Não é idêntico, mas me deixou confuso... por isso baixei a guarda e me distrai por um instante. Se fosse um cheiro comum não iria me abster tanto assim. Foi ardilosa Lucy... — Falou, ainda a fitando por cima dos ombros, a loira podia ver apenas metade da face do mago, mas pode constatar surgir um sorriso satisfeito nos lábios dele, a fazendo inflar orgulhosa. Olhando bem não fora tão mal assim para um ataque, ainda mais vendo quem era... Conseguiu distrair o Dragon Slayer e prendê-lo em seu chicote.
— E agora? — Ele perguntou, fazendo Lucy o olhar confusa.
— O quê?
— Me prendeu com o chicote, mas ainda estou de pé.. E agora o que vai fazer?
— Bo-bom... eu consegui prender você.. acho que... — Parou de falar quando viu Natsu fácil e simplesmente afastar os braços estourando o chicote e se libertando.
— Com um inimigo mais fraco essa sua investida já lhe daria a vitória, mas para um mago mais forte serviria apenas para uma distração. Tenha sempre dois planos prontos em sua cabeça.
— Ha-hai... — Ficou assustada ao vê-lo se libertar tão facilmente de seu chicote, que aliás era um chicote muito resistente e que já ajudou em inúmeras situações de risco e nunca ficou avariado como ficou agora.
— Não se preocupe, depois arranjamos outro chicote para você. — Falou em desdem, vendo a cara perplexa da loira.
— Ha-hai... — Era só o que conseguia falar.
— Mas vamos contar um ponto para você, conseguiu me distrair e me prendeu por alguns segundos.
— Sério? Um ponto para mim??! — Perguntou animada, enlarguecendo um sorriso brilhoso e saltitando no lugar.
— Sim... não é qualquer um que consegue me atingir assim. — Falou em admissão. — Agora eu vou te atacar... — Lucy não escondeu o susto ao ouvir aquilo.. — Não se preocupe não irei de machucar. Mas você tem que se defender, se esquivando ou evitando um confronto não importa, só tente se defender ok?
— Ha-hai... — Estava se sentindo mais confiante depois do primeiro ataque, mas ouvir que Natsu avançaria para cima dela a deixou insegura novamente. Respirou fundo, e piscou lentamente como forma de encontrar concentração.. — Ok.. estou pronta! — Falou decidida, se colocando em alerta novamente.
Natsu estava a poucos metros de si, sorriu de canto ao ouvi-la, o coração disparou ao vê-lo avançar, ele arriscaria um soco? Um chute? Não conseguia prever o que ele faria, jogou um dos pés para trás como forma de conter qualquer contato brusco, tentaria desviar pois entrar em confronto direto seria tolice. Arfou surpresa quando ele simplesmente sumiu de sua vista. “Que rápido?” Sentiu então seus braços serem levados para trás de seu corpo, ficou aturdida, não conseguia se mexer... o coração bateu ainda mais forte ao sentir a presença de Natsu bem atrás de si.
Ele não desferiu um golpe e sim a prendeu com suas próprias mãos.
— Ficou pensando em qual ataque eu usaria que se esqueceu que eu poderia apenas imobiliza-la... O que vai fazer agora? O inimigo te prendeu e pode fazer o que quiser com você? — A voz rouca e séria soprou em seu ouvido, mesmo sentindo o calor que Natsu emanava ela pode também sentir um frio percorrer seu corpo, a fazendo respirar exasperada. A mão grande e forte do rosado prendia as suas duas pequenas e delicadas, sentia que ele estava bem próximo de seu corpo e isso a enfraqueceu por algum motivo que não quis admitir.
Lucy buscou no fundo de sua mente um resquício que fosse de coerência, precisava se manter calma, como permitiu se perder naquele calor, tinha que pensar. Como escapar? Como? Tentou tirar suas mãos da dele, forçou os braços, puxou o corpo, puxou com força mas tudo em vão, apenas com uma mão Natsu a prendia sem qualquer dificuldade.
Suspirou derrotada, olhou de lado, por cima de seu ombro levantando os olhos achocolatados para Natsu.
— Ok.. Você venceu... não tenho forças para escapar. — Falou frustrada. Natsu se afundou naqueles olhos e quase embriagou-se com a fragrância viciante da loira. Sobressaltou rapidamente, a desprendendo de sua mão. Por um instante Lucy achou tê-lo visto aturdido por algo.
— Tudo bem? — Perguntou confusa, não entendendo o motivo de Natsu se afastar tão rapidamente.
— Sim.. — Respondeu sério. Respirou algumas vezes e retomou sua postura antes de continuar. — Você pensa rápido, conseguiu me distrair usando meu olfato aguçado. Consegue manter-se calma e pensar antes de agir.. só precisamos investir na força física. — Parecia distraído.
— Hai.. Mas... você me imobilizou rapidamente. Não fui tão bem assim. — Concluiu decepcionada.
— Isso não importa...- Desconversou — Para o primeiro dia você se saiu bem.
Lucy ficou um pouco confusa com a reação de Natsu, mas ao ouvi-lo falar que ela se saiu bem lhe deu um ânimo a mais. Por Natsu a estar elogiando? Não. Mas por também notar que ela tem sim habilidade e capacidade de se tornar uma maga melhor e mais forte.
O sol estava iniciando seu espetáculo do crepúsculo, o céu começava a tomar um tom alaranjado e uma brisa mais gelada passou por eles, incomodando somente Lucy, ter Natsu tão perto e tê-lo agora afastado fez seu corpo reclamar da ausência de calor.
— Por hoje chega... Amanhã vamos treinar no período da manhã. — Falou se virando, começaram o treinamento um pouco tarde, e ficar longe da guilda até o anoitecer não era uma boa ideia para magos tão visados como eles. O melhor seria iniciarem o dia treinando, era mais seguro.
— Hai. — Respondeu animada apressando seus passos para acompanhar Natsu, olhou para ele, parecia tão sério, o maxilar travado e o olhos severos voltados para frente. Gostaria de conversar com ele, puxar algum assunto, mas seu coração a repreendeu. “melhor não” voltou seu olhar para frente. Natsu a olhou de soslaio ela mantinha um sorriso doce e tranquilo nos lábios e um olhar sereno que chegava a reluzir com o brilho do crepúsculo. Voltou a fitar o caminho, os dois em silêncio, porém juntos.
Flash Back OFF
— Até que não foi tão ruim assim... — Falou pensativa.
— Ohayou Luxyy.. — O gatinho despertou, ouvindo sua amiga loira balbuciar algumas palavras.
— Happy.. Ohayou. — Sentou-se na cama com delicadeza, não queria acordar Nashi. Olhou para o neko e sorriu. Se assustou ao ouvi-lo, estava tão entregue em seus pensamentos que havia se esquecido que não estava sozinha no quarto.
— Nashi acordou?
— Ainda não
— Escutei você falando algo, achei que estava conversando com ela.
— Não. — Sorriu docemente. — Estava pensando em algumas coisas, só isso.
— No treinamento de ontem??
— H-haii.. como você sabe?
— É óbvio, ontem você passou o dia todo choramingando pra Erza e pra Mira que não queria ir treinar com o Natsu.
— Hai hai... é que nunca gostei desse tipo de coisa. Você sabe. — Conversava tranquilamente enquanto prendia as madeixas loiras num coque alto. Sempre iniciava seu dia assim, conversando com Happy, rindo ou se irritando com a astúcia do neko.
— Sim... pena que o Natsu pediu para eu ficar com Nashi, gostaria de ter visto vocês treinando. — Disse provocativo, já tampando a boca com uma das patinhas.
— Não foi tão ruim assim fique você sabendo. Natsu até disse que me sai muito bem. — Se vangloriou.
— Ele falou isso? — Perguntou envenenado.
— Sim...
— Para de ser mentirosa... fica tão perdida no mundo da lua que esta começando a acreditar nas suas loucuras. — Deu risada maldosamente, apenas afim de provocar sua amiga.
— Neko desaforado.. — Lançou um travesseiro no felino desbocado, que não esperava pelo ataque sendo atingido.
— Luxyyy sua chata.. — Choramingou... fazendo Lucy sorrir, poderia ser irritante, intrometido e desbocado, mas adorava ter aquele gatinho em sua companhia.
…
Ouviu alguns toques na porta, ignorou e jogou um dos braços por cima dos olhos, mas os toque insistiram. Bufou irritado, se levantou e foi até a entrada já resmungando, o cabelo bagunçado e vestindo somente sua calça clara e de cós baixo.
— O que quer olho morto... — Atendeu já resmungando, antes mesmo de abrir a porta já sabia que era Gray e Juvia ali.
— Isso é jeito de receber uma visita?! — Perguntou sarcástico, mantinha os braços cruzados, vestia seu sobre-tudo branco de gola alta, com uma blusa preta por baixo justa e também de gola alta. Juvia estava bem ao seu lado vestindo seu tipico vestido azul, comprido e com uma enorme fenda na perna direita, sorria timidamente para Natsu, ambos pareciam reluzir para os olhos mais atentos.
Natsu pouco se importou, deixou a porta aberta e voltou para o sofá, caindo preguiçosamente no mesmo.
— Grayyy.. Juvia... — Cumprimentou Happy, surgindo pelo pequeno corredor que havia no fundo da sala. — Voltaram cedo da missão.
— Ohayou Happy!! — Cumprimentou Juvia.
— Acabamos de chegar, vim ver se Lucy e Nashi estão vivas. — Falou desdenhoso, entrando pela sala e lançando um olhar provocativo em Natsu, que só fez em revirar os olhos pelo atrevimento do moreno.
— Venham, Lucy está terminando de cuidar de Nashi. — Chamou Happy, fazendo Gray e Juvia os seguirem até o quarto.
— Ohayou Lucy!! — Entrou, já saudando sua amiga, em tom baixo ao ver que a loira tinha Nashi nos braços, sentada na poltrona a amamentando.
— Gray... Juvia!! Ohayou! — Se alegrou ao ver os amigos, logo notando algo diferente nos dois. — Tudo bem? Como foi a missão? — Perguntou desconfiada, olhando atentamente para cada traço no rosto dos dois magos.
— Ohayou Lucy.. Tudo bem sim.. Amissão foi ótima, mas o melhor fou meu Gray-sama! Ele fez tudo que eu...
— Foi tudo ok. — Respondeu enviesado, interpondo-se frente a Juvia, para que ela não falasse mais do que deveria.
Lucy sorriu satisfeita, não precisaria perguntar em palavras o que havia logo de cara desconfiado. Ficou feliz pelos amigos. Mas, com certeza conversaria com Gray mais tarde, em busca de mais detalhes.
— E como foi o treinamento? Confesso que fiquei preocupado em imaginar vocês dois treinando, você estava tão desanimada. — Mudou logo de assunto, a questionando sobre algo que de fato o deixou bastante apreensivo.
Lucy ia responder quando Nashi chamou sua atenção, a pequena a sugava com vigor a ponto de sentir leves fisgadas no seio, olhou para Nashi ela estava afundada em si, a mãozinha fechada se agitava um pouco, tão compenetrada em tomar seu leite, que pouco notou a presença de seu tio predileto. Lucy sorriu ao ver a pressa da filha em saciar sua fome.
— Não foi tão ruim assim. — Respondeu serena. — Hoje vamos treinar pela manhã, estou um pouco ansiosa.. não estou acostumada com isso. Mas acho que vou me sair bem conforme for me dedicando mais.
— Fico feliz em ouvir isso Lucy. — Juvia se aproximou da loira, encurvou-se ao lado da poltrona para poder ver a pequenina, sorriu ao ver o rostinho rechonchudo de Nashi, que mantinha os olhinhos fechados enquanto mamava. — Trouxe um presente para Nashi. — Disse entregando um lindo embrulhinho que segurava a todo o momento para Lucy, que soltou um belo sorriso com o presente.
— Arigatou Juvia!! — Agradeceu sincera. — Veja filha, você ganhou um presentinho... — Mostrou o saquinho de tecido prateado para Nashi, que finalmente abriu os olhinhos e olhou para o que sua mãe tinha em mãos.
Lucy desfez o lindo laço e tirou dali um pulseira brilhosa e também prateada, seus olhos reluziram ao ver os pingentes nela, nem precisava de explicação, ela de cara compreendeu o significado de cada um.
— É linda Juvia.... eu amei e Nashi vai amar mais ainda. — Disse amorosa, olhou nos olhos de Juvia transmitindo o imenso amor que sentia naquele momento. — Nashi vai guardar por toda a vida, tenho certeza.
— Fico feliz que tenha gostado.
Lucy sorriu, Gray as observava, gostou de vê-las unidas, conversando e trocando olhares tão puros e sinceros. Não admitiria a ninguém, mas sentiu uma felicidade crescente dentro de si. Lucy era uma grande amiga e parte essencial de sua vida, Juvia se dar bem com a loira e se aproximar mais ainda dela e de Nashi era algo que o agradava profundamente.
— Bom.. vamos esperar vocês ali na sala. — Falou, tirando a atenção delas para si. — Nashi está concentrada em matar sua fome, não quero atrapalhar.
— Hai hai... vamos esperar vocês lá fora... — Concordou Juvia, correndo para perto de Gray e o acompanhando para fora do quarto. — Aliás, seu quarto está lindo Lucy. — Elogiou sincera, gostando de ver a decoração e os raios do sol que invadiam graciosamente o quarto.
Lucy sorriu agradecida os vendo sair porta a fora.
— Happy, me ajude aqui onegai.. pegue a toalhinha dela.. — Pediu ao amiguinho azulado que prontamente a atendeu.
— Luxy? — A chamou como quem não queria nada. — Eles se goxxxtam? — Perguntou em seu sotaque tipicamente provocativo, tirando de Lucy um contagiante sorriso, vendo que o neko é realmente observador e esperto.
— Sim Happy, eles se goxtam.
...
Lucy finalmente entrou na sala com Nashi nos braços.
— Natsu ainda não acordou? — Perguntou incrédula, vendo o mago apagado no sofá, completamente alheio a Gray e Juvia que estavam de pé ali no cômodo.
— Ele dorme feito uma pedra, nunca vi. — Observou o moreno. Logo voltando sua atenção para Nashi, indo até Lucy e pegando a pequena no colo. “Céus como senti sua falta” pensou, cheirando o pescocinho cheiroso da pequena que sorriu animada ao se ver nos braços do moreno.
— Ele pegou no sono tão rápido. — Comentou Juvia, se aproximando do sofá para constatar se Natsu realmente dormia. — Ele abriu a porta para nós e voltou para o sofá, não ficamos nem três minutos no quarto e ele já parece entregue num sono profundo.
— Ele tem facilidade para dormir. — Informou Happy, subindo no braço do sofá ficando bem perto da cabeça de Natsu. — Natsuuu.. acorda. — O cutucou, vendo o rosado abrir os olhos preguiçosamente.
— Vamos Natsu, você disse que iriamos treinar logo no amanhecer.
— Eu disse? — Perguntou cansado se pondo a sentar-se no sofá coçando a nuca despreocupadamente. Lucy revirou os olhos, mas Gray sorriu discretamente, ao seu ver alguns resquícios do velho Natsu ainda residiam naquele mago mal humorado de cabelos rosas.
— Bom.. se não se incomodam podemos levar Nashi para a guilda, assim vocês podem ir direto para o treinamento. — Sugestionou Gray, fazendo Natsu e Lucy o fitarem pensativos... Lucy olhou para Natsu, ela confiava cegamente em Gray e Juvia e deixaria Nashi com eles sem exitar, mas e ele? Não que isso fosse impedir de Lucy deixar sua filha com o moreno, mas ter o aval de Natsu seria bem melhor.
— Ok.. — Natsu concordou, se levantando e indo até Nashi e Gray. Lucy e Juvia sorriram aliviadas. — Não deixe nada acontecer com ela. — Falou baixo e seriamente, lançando um olhar acalentado para Nashi, que sorriu ao ver seu pai tão perto. Natsu deu um toque suave no narizinho arrebitado dela, a fazendo sorrir ainda mais.
— É Claro. — Gray apenas concordou.
Lucy, Juvia e Happy observavam os rapazes. A loira sentia o coração palpitar ao ver Natsu agindo de tal maneira, somente Nashi tinha esse poder com ele, em deixa-lo tão calmo e contido.
Lucy ficou grata por seu amigo se dispor em ajudar, ninguém melhor para ficar com sua filha do que o moreno. O coração se apertou ao vê-los partir, junto com Happy para a Guilda. Era difícil ficar longe da filha e ultimamente os momentos longe dela aumentavam gradualmente e isso fazia seu coração se apertar mais ainda. Voltou para dentro, fechando a porta e vendo Natsu entrar na sala com sua escova de dentes na boca, sem camisa e descabelado, parecia procurar por algo, provavelmente as roupas que lhe faltavam.
— Estão jogada ali do lado do sofá. — Avisou irritada. — Se fosse mais organizado encontraria suas roupas com mais facilidade.
— Hai hai.. — Apenas disse, demostrando que pouco escutara o que a loira lhe falou, fazendo a mesma revirar os olhos.
[…]
Quando viu estavam eles novamente naquela campina, agora com o sol da manhã banhando o campo verde e suas peles. O coração batia mais tranquilo, e a ansiedade que sentia assim que acordou havia passado. A cada dia estava ficando mais fácil ficar na presença dele. O dia anterior foi uma amostra de que os treinamentos com Natsu não seria tão traumáticos e que com algum custo eles poderiam se entender.
— Ok.. vamos aquecer com cem flexões, cinquenta agachamentos e cento e cinquenta abdominais. Depois começamos a treinar.
— Naniiii... isso é o aquecimento? — Perguntou apavorada, notando que poderia estar horrorosamente equivocada quanto sua adaptação em treinar com Natsu.
[…]
A guilda começava a receber seus magos, o findar do dia era o horário que os magos retornavam de suas missões, como uma tradição encerravam seu dia ali, juntos, bebendo, conversando e sorrindo. A agitação como sempre tomava o salão, algumas mesas ocupadas, outras vazias, alguns magos frente ao quadro de missões, outros jogando sinuca e bebendo. E como sempre no balcão se via o grupo mais popular, algumas meninas de pé outras sentadas no banco da mesa que tinha ali perto. As luzes atrevidas do sol invadiam as vidraças do salão, banhavam os rostos sorridentes... Já procurou pela felicidade pura e estampada? Talvez encontre ali naquela guilda. Todos conversavam descontraídos e animados, inclusive Lucy.
— Até que não foi tão assustador como pensei.... foi cansativo, achei que morreria de tanto suar... — Contava para Porlyusica tintin por tintin tudo que aconteceu no seu segundo dia de treinamento. Estavam perto do balcão Porlyusica segurava Nashi que a cada dia parecia estar mais agitada e pesada, enquanto Lucy lhe contava sobre seu dia.
— Fico feliz por saber que estão conseguindo conviver juntos.
— Sim, eu também... senti tanto medo nos meses em que ele esteve fora... É até difícil acreditar que estamos conseguindo nos entender. — O brilho de seus olhos pareceu destoar-se um pouco.
— Mas...? — A indagou, sabendo que algo a incomodava.
Lucy suspirou...
— Ainda não é fácil. — Apenas disse, colocando a mão delicada sobre o peito, ao lado do coração. Tentando dissipar os pensamentos e sentimentos que pertenciam ao passado.
Porlyusica logo soube, não era fácil conter os sentimentos, era isso que Lucy gostaria de ter forças para falar, porém nem precisou. A rosada ajeitou a inquieta Nashi em seu braço, deu a ela seu dragãozinho de pelúcia no qual ela logo se agarrou, o agitando e sorrindo banguela.
— Você precisa resolver essa questão que ficou em aberto.
— Não ficou nada em aberto Porlyusica-san. — Abaixou o olhar.
— Não ficou nenhum resquício de sentimento ai? — Usou a mão livre para apontar para o coração da loira. — Você precisa ser sincera com seus próprios sentimentos e encará-los. Para o seu bem Lucy.
— Tudo que senti por ele passou... — Desviou o olhar. — Só não é fácil ficar perto dele, só isso. — Disse de forma pausada e sibilada.
— Pare de se enganar..
— Pra quê? Se eu não me enganar vou acabar me decepcionando mais uma vez. Não tenho mais condições de enfrentar o que enfrentei. — Os olhos transmitiram a dor ainda existente dentro da loira.
— Como você sabe que vai se decepcionar?
— Natsu me vê como uma companheira de guilda, e mãe da filha dele. Se permitiu se envolver comigo pois era conveniente na época. Não tem mais nada pendente quanto a isso. — Falou firme, porém ainda evitando contato visual com a mais velha.
— Lucy...
— Está tudo bem Porlyusica. — Forçou um sorriso. — Ele cuida e protege Nashi, e estamos conseguindo nos entender. Não é como antes e nunca mais vai ser, eu sei disso. Mas desde que ele não abandone Nashi estará tudo bem. — Olhou para a filha que mastigava o rabo do seu dragãozinho.
Porlyusica se deu por vencida, olhou para Nashi e passou a mão nos cabelinhos rosêos da pequena. Não prolongaria o assunto, Lucy estava animada antes dessa conversa e queria mantê-la assim. Olhou para a loira.
— Mas então.. Juvia e Levy me contaram que Natsu está se saindo muito bem em cuidar de Nashi... — Puxou outra conversa, vendo que Lucy soltou um sorriso mais sincero ao ser puxada para tal assunto.
— Até que está se saindo bem... — Disse em meio sorriso, os olhos castanhos tomaram novamente um brilho animado. — Acredita que ontem a noite ele deu banho e a trocou sem minha ajuda? Os dois são muito parecidos... — Porlyusica escutava cada palavra da loira, que agora conversava animada.
Sempre que podiam tomavam um tempinho juntas, Lucy adorava lhe confidenciar suas desventuras, buscar conselhos e por que não, chorar em momentos de angustia. Mas a mais velha estava feliz por ver a loira tão animada, parecia regozijar-se ao falar sobre como Natsu cuida de Nashi, os olhos brilhavam ao buscar na lembrança tudo que aconteceu durante seu dia. Ela voltou a conversar elétrica, agitando as mãos e sorrindo... Porlyusica sorriu, não pelo que Lucy dizia, mas por vê-la... feliz. Sim depois de tantas lágrimas, e algumas angustias ainda pendentes e sorrisos forçados Lucy parecia sim estar mais feliz.
Mira, Erza e mais algumas magas entraram na conversa, hora e outra se entreolhavam, para elas era recompensador ver que Lucy e Natsu estavam de certa forma convivendo bem, apesar de todas as mudanças do rosado.
— Lucy... — A voz grossa e serena de Gray chamou a atenção de Lucy, que parou de papiar com Porlyusica e as meninas para lhe dar atenção o vendo se aproximar tranquilamente.
— Oi Gray....
— Posso falar com você?
— Hai.. — Olhou de relance para Porlyusica, como um pedido de licença e caminhou até Gray.
— Como foi seu dia? — Perguntou despretensioso, com as mãos nos bolsos e parecendo tão calmo como sempre.
— Hmm... foi um bom dia. — Respondeu desconfiada. — Aliás, arigatou por ter cuidado de Nashi. — Sorriu. — Perdi a noção do tempo no treinamento.
— Não precisa me agradecer. — Expressou contentamento só de lembrar em Nashi. — O que fez no restante do dia?
— Hmm... — Olhou confusa para o moreno, mas ainda sim o respondeu. — Fiquei com Nashi, e no tempo livre ajudei Levy na biblioteca e Mira no balcão, por que?
— Natsu está com Makarov?
— Acho que sim...
— Bom...
— Bom? Por quê? — Não estava compreendendo o rodeio que o amigo fazia.
— Bom que ele não esteja aqui.
— Por que Gray? O que está acontecendo? — Estava começando a ficar aflita.
— Lucy, você se esqueceu de uma coisa. — Fitou o expressão indagativa da loira. — Sting.
Lucy puxou o ar e esqueceu de soltar, os olhos levemente se arregalaram e pareceu ficar mais pálida diante de tal constatação.
— Essa não!!! — Tampou a boca com uma das mãos. Gray suspirou cansado e revirou os olhos.
— Trombei com ele lá fora, consegui fazer com que ele te esperasse lá. — Na verdade o moreno parecia estar gostando de ver a situação chata em que a amiga estava. Pois isso tudo serviria para ela admitir de vez que não está envolvida nisso tanto quanto Sting está. — É melhor conversarem a sós.
— Hai.. — Respondeu murcha, tentando já encontrar palavras para conversar com o loiro. Deixou Gray para trás e seguiu para a saída da guilda. — Como pude me esquecer do Sting? — Se perguntava inconformada. Os três dias passaram em um piscar, entretanto, não poderia se culpar, havia tantas coisas em sua cabeça naquele momento que ficar refletindo sobre um possível romance com Sting passou despercebido. Mas mesmo assim seu coração batia acelerado, iria então negar o convite de Sting? Sequer lembrou-se dele, seria esse um sinal de que não estava interessada? Arfou ansiosa, sempre sonhou em viver um lindo romance, e Sting e seu convite para um encontro não deixava de ser tentador aos olhos inocentes e sonhadores de Lucy.
Assim que saiu da guilda o viu no portão, o mesmo estampou um lindo sorriso ao vê-la. Lucy foi apenas capaz de retribuir com um tímido sorriso.
— Não parece feliz em me ver? — A cumprimentou com uma pergunta capciosa.
— Claro que não... — O coração disparou com a indagação do loiro. Não queria que ele pensasse algo negativo dela. — Como foi a viagem? — Por fim o alcançou, parando bem frente ao mago.
— O de sempre. — Os olhos caíram em tédio. — Não gosto de ir no Conselho, mas são oficios do cargo né?!
— Sim.. — Sorriu sem jeito. Sting a encarava com intensidade... — Sting... eu...
— Não me diga que está indecisa sobre meu convite?! — A interrompeu, se incomodando em vê-la tão receosa, há três dias saiu daquela cidade certo de que ela aceitaria, mas agora olhava para uma Lucy receosa e desconcertada.
— Os últimos dias foram bastante.. conturbados. Vamos dizer assim. — Respirou fundo não estava passando uma boa imagem demostrando tanto receio assim. — Definitivamente não é uma boa hora para isso. — Seu lado romântico chorava dramaticamente por estar dizendo tais palavras.
— Por quê? — A indagou tranquilamente, não tirando suas órbes azuladas de cima de Lucy, que parecia não saber o que lhe responder. — Sei que está dando ouvidos para seu lado racional. Não é momento para se abrir para outra pessoa, tem uma filha pequena que precisa da sua total atenção, é uma maga da guilda mais visada de Fiore... e tem Natsu por trás disso tudo. — Lucy o olhou compassiva, uma puxada tênue em seus lábios e um leve piscar cansado respondeu para Sting que ele estava certo.
— Gomem. — Apenas pediu.
— Não precisa me pedir desculpas. Só quero que pense em uma coisa.
— No quê?
— E seu lado emocional? E a Lucy dona daquela estante cheia de romances?... Quero fazer esse seu lado florescer Lucy, basta me dar uma chance.
— Tem tanta coisa acontecendo agora, tantos problemas...
— Esse é seu erro.
— Qual?
— Achar que se envolver com alguém seja um problema ou que vai lhe trazer algum problema.
— Talvez seja pela experiencia. — Falou dolorida.
— O problema é amar quem não merece ser amado Lucy. As vezes erramos e acabamos machucados... Mas não pode se punir para o resto da vida, você não foi feita pra ficar sozinha... — Deu um passo para mais perto de Lucy.
— E-eu não quero tomar nenhuma atitude precipitada... — Seu coração batia em frenesi, Sting estava perto demais e isso a deixou trêmula.
Sting notou que Lucy estava vulnerável, ela mantinha os braços na frente do corpo, desviava o olhar e fraquejava em seu tom de voz. Sabia que estava causando alguma reação na loira, estava perto de conseguir convencê-la, pois conquista-la talvez já tivesse conseguido.
[ ]
— Não importa o que diga... você não vai mais sair a procura de Zeref. Não por enquanto. — O tom firme e rouco era de Makarov.
— E vou fazer o quê? Esperar que Zeref apareça de novo ao lado da minha filha?
— Vamos com calma Natsu...
— Até quando.. — Vociferou impaciente. — Estou cansado de me sentir encurralado.
— Eu sei meu filho... — Olhou com intensidade para Natsu, quase que lhe implorando. — Mas preciso que espere mais um pouco... confie em mim.
Natsu olhou para o mago mais velho, estava irritado e impaciente, ficar parado preso na guilda estava sendo sufocante. Mas soltou ar em desistência... Era ordens do mestre, por mais que seu instinto lhe rasgasse por dentro lhe pedindo para procurar por Zeref ele obedeceria Makarov... Se jogou de qualquer jeito na cadeira frente a grande mesa de madeira maciça.
Makarov que estava de pé, frente a grande janela de sua sala suspirou aliviado ao ver que mais uma vez milagrosamente conseguiu conter os nervos de Natsu, estava ficando cada dia mais difícil contê-lo, principalmente depois da visita inesperada de Zeref. O tempo estava se esgotando, logo o Conselho lhe cobraria o combinado, Zeref parecia ter livre acesso na guilda e Tartaros a cada dia se tornava uma incógnita na vida deles. Tudo parecia se amontoar numa bola de problemas e aflições que só crescia desenfreado a cada dia. Seu coração se partia pouco a pouco pois a sensação que tinha era que tudo iria desmoronar sobre eles, e que não conseguiria proteger seus filhos.
Apesar do crescente desespero não permitiria que Natsu se afastasse de Nashi e Lucy. Ele sabia que o melhor naquele momento era manter o mago próximo delas.
— E Nashi? — Perguntou indo para se sentar em sua enorme cadeira. Mudou de assunto bruscamente ou sucumbiria ao desespero. E só de pensar naquela pequena rosada ultimamente estava lhe servindo como um ótimo apoio emocional.
— O que tem? — Lhe respondeu com uma pergunta, olhava desinteressado para um canto qualquer da sala, jogado na cadeira quase que deitado.
— Como vão as coisas com ela?
Natsu enfim pareceu dar atenção a pergunta, olhando enviesado para o mais velho.
— Estão indo...
Makarov abaixou o olhar desanimado, ainda era difícil manter algum assunto com aquele Natsu.
— Ela quer colo o tempo inteiro.. — Continuou, em tom baixo e mantendo o olhar desviado. — Chora pra conseguir o que quer, é mimada, birrenta e bagunceira... sem contar que vive com fome. — Makarov, já sentado em sua cadeira o fitou surpreso, os olhos brilhavam ao escutar o rosado falar. Viu então Natsu se calar por um breve momento, e um sorriso de canto surgiu em sua boca e ele enfim olhou para seu mestre... — Mas é uma garotinha legal. — Teve que admitiu.
Makarov lembrou-se das tantas conversas que teve com Natsu, das inúmeras tentativas de convencê-lo a se aproximar de Nashi quando ele ainda estava em missão com Gildarts. Assim como Lucy ele temia grandemente que Natsu não se apegasse a paternidade e tratasse a pequena Nashi apenas como mais um problema. Por mais que seu sexto sentido sempre lhe mostrasse que a rosada seria o ponto de equilíbrio para Natsu, uma parte de si ainda desacreditava. Mas agora, vendo Natsu incrivelmente mais calmo e com um sorriso mínimo, mas ainda sim um sorriso, no rosto o deixou esperançoso e absurdamente mais feliz.
— E Lucy? Fiquei sabendo que está ajudando no treinamento dela.
Makarov viu então a feição de Natsu se transformar, o sorriso mínimo sumiu, o tom de voz tomou uma rispidez maior e o olhar que parecia estar mais tranquilo voltou a ficar frio e distante.
— Está se saindo bem... — Se limitou a responder. Pois só de pensar no treinamento sua mente lhe levou até o dia anterior, onde ficou ridiculamente atordoado quando a teve presa em suas mãos.
Não admitiria para ninguém, mas ter Lucy e Nashi vivendo em sua casa estava sendo no mínimo complicado. Nashi o deixava calmo, sentia uma tranquilidade incomum surgir quando a tinha em seus braços, o sorrisinho banguela o calor, só de vê-la seu coração batia mais calmo. Mas Lucy era o problema, ela o deixa irritado, confuso e incomodado.
Nunca exitou em dizer que o que aconteceu com Lucy aconteceu e ficou no passado, não mentiu quando disse que ela era apenas a mãe de sua filha. A respeita, é uma boa maga, se deixou levar pelos desejos e acabou a iludindo, não era essa sua intenção. Nunca quis machuca-la. Mas já andava confuso e conturbado nos últimos meses, com a agoniante sensação de ser controlado por um lado obscuro de seu ser, um lado sádico, deturbado e feroz, e o que lhe incomodava era que esse seu lado enlouquece só de sentir o cheiro daquela loira. E parece que isso só vem piorando...
Natsu estava inerte em seus pensamento, relaxado na cadeira. Porém sentiu algo que o fez se levantar, fechou o punho e o olhar tomou uma sombra ameaçadora.
— O que foi Natsu? — Perguntou preocupado, vendo seu filho sair de uma momento raro de calmaria tão de repente.
— Nada, só preciso resolver uma coisa. — Saiu apressado, batendo a porta com força.
[ ]
Talvez Sting estivesse certo, pois ele estava tão calmo, mantinha um sorriso convidativo e o olhar sereno sobre ela. Qual pessoa melhor do que Sting para enfim dar uma chance para seu coração já tão magoado?
Enquanto se perdia em seus pensamentos, tentando a todo custo encontrar uma resposta sentiu um toque quente em sua face. As pernas tremeram e o coração bateu mais forte quando viu que era Sting com uma de suas mãos em seu rosto, era um toque suave mas firme ao mesmo tempo, ela olhou para ele e brevemente se esqueceu de respirar com aquele olhar que ele mantinha sobre si.
Sting parecia realmente disposto a convencê-la, realmente a querer. Aos olhos do rapaz de alguma maneira aquele olhar exitante e triste de Lucy a deixava ainda mais tentadora.
— Pare de tentar fugir de mim, seus olhos já me dizem tudo Lucy Heartfilia. — Falou, se agradando ao ver que Lucy aceitou seu toque, pois a mesma fechou os olhos levemente inclinou seu rosto para sua mão que a tocava, quase ronronando feito uma gatinha com o carinho.
Estavam tão próximos, o cheiro já tão viciante da loira o tomava por completo, era inebriante que se perdia naquele momento só dos dois, ansiava em poder provar aquele lábios delicados. Lucy mandou as favas os pensamentos temerosos e se entregou naquele sentimento confortável que a tomava. Era bom sentir aquele toque carinhoso em seu rosto... Talvez ela devesse...
— Sting.. — A voz séria e em tom de cumprimento, já tão conhecido para os dois soou repentinamente os fazendo olharem surpresos para o lado. Não viram da onde ele veio, se da guilda ou da rua, parecia ter simplesmente brotado ali, mas estava ali olhando injetado para Sting, assustadoramente calmo e indecifrável. Lucy se assustou ao vê-lo e sem perceber se afastou um pouco de Sting, o que deixou o loiro um tanto incomodado.
— Natsu. — O tom foi de cumprimento, assim como o rosado o fez. Não demostrando que se surpreendeu com a chegada inesperada dele. Naquele momento Natsu e Sting já estavam um virado para o outro, com a loira quase entre eles.
Lucy sabia da relação de amor e ódio entre os dois, Sting idolatrava Natsu, depois o odiou e em seguida o desafio, logo mais passou a respeita-lo e idolatra-lo novamente, pensou que haviam se entendido depois de Crócus, mas percebeu que fora um equivoco de sua parte, os dois ainda mantinham aquele ar de rivalidade, silenciosamente competindo um com o outro. O por quê?... ela não sabia. Talvez fosse igual a relação de Gray e Natsu? Não... Não era igual, com Gray era diferente, Natsu o provocava como um irmão pirracento. Lucy não sabia o que esperar daquela conversa, ver Natsu encarando Sting de forma tão incisiva a deixou desconfortável, para piorar em nenhum momento ele se deu ao trabalho de olhar para ela. A fazendo se sentir invisível ali entre eles.
— O que faz aqui?
— Desculpa se for rude, mas acho que não é do seu interesse. — Respondeu falsamente polido.
— Te fiz uma pergunta Sting. O que faz aqui? — O tom ficou mais sério e opressivo.
Lucy intercalava seu olhar entre os dois, não compreendendo muito bem o que acontecia ali. Lembrou-se então do último encontro dos dois, onde visivelmente estavam em atrito por algum motivo.
— Já que faz tanta questão em saber. Vim para conversar com Lucy. — Sorriu sínico. — Aliás você nos interrompeu.
Nem quando seu nome foi pronunciado Natsu a olhou, e isso era torturante.
— Natsu... — Finalmente teve coragem de dizer seu nome, se colocando na frente de Sting e ficando ainda mais perto de Natsu. — Sting e eu tínhamos algo pendente para conversar, não é nada que venha ser do seu interesse. — Se arrependeu por incomodar-se em Natsu não a olhar... ah como se arrependeu. Pois assim que se pôs e sua frente ele a olhou, e esse olhar pareceu atravessa-la, e por um segundo acreditou que ele poderia ler seus pensamentos e a incinerar de dentro para fora.
— Lucy... — A chamou com rigidez. — Saia.... — Mandou. Lucy estremeceu, diante de tal.
— Por que a está afastando Natsu? — Perguntou desdenhoso, fazendo Lucy se virar e olhar para Sting. — Não é ela o motivo de estarmos aqui? — Foi sínico novamente, e ousado, pois se atreveu em envolver seu braço na cintura de Lucy a puxando para mais perto de si. — Deixe-a ficar onde ela quiser. — Desafiou Natsu com o olhar.
Lucy sentiu um calor envolver sua pele, e não fora o toque de Sting que lhe causou essa sensação, logo soube qual era a fonte daquele intenso colar que começava a dominar aquele local.
— Avisei para não me provocar Sting. — Pareceu tomar uma postura mais rígida, os olhos ficaram escuros e furiosos.
Lucy começou a achar que não fora uma boa ideia ficar entre os dois dragões. Se sentia perdida e sua vontade era de sair correndo a procura de Gray. Estava ficando cada vez mais desesperada entre os dois quando sentiu sendo puxada para longe de Sting, percebeu então que fora agarrada pela mão quente e forte de Natsu que a pegou pelo pulso e a puxou. Lucy nada pode fazer senão ficar ali do lado de Natsu.
— Não quero mais vê-lo por aqui, muito menos perto dela. — Lucy olhou assustada e incrédula para Natsu.
— Não sabia que era tão territorialista assim Natsu... Mas você não tem nenhum direito em me privar de ver ela. Não é Lucy? — Sting tentava a todo custo não demostrar desconforto com o calor insuportável que Natsu emanava, mas estava ficando difícil, olhou para Lucy e se perguntou se ela não estava também incomodada com a elevação exagerada da temperatura, já que a mesma parecia sequer notar o calor que os envolvia.
— Ela quem? Hm...? Eu? — Se perguntava confusa, o coração bombeando loucamente no peito a cada pensamento que vinha em sua mente. Era isso mesmo? Natsu estava afastando Sting dela? … Seu olhar demostrava o puro desespero ao ver que os dois a encararam, Natsu ainda segurando firmemente em seu pulso.
— Não vai responder Lucy? — Natsu a cobrou. Fazendo a mesma titubear e os olhos castanhos procurarem outro lugar senão só dois indagativos de Natsu.
Lucy balbuciava palavras desconexas, abria e fechava a boca. Céus... o que estava acontecendo ali? Nunca imaginou que Natsu se incomodaria com sua aproximação com Sting. Era ciúmes? Ou apenas seu lado competitivo falando mais alto? ... Não importava, Natsu não tinha direito algum em impor nada em sua vida. Quem era ele para achar que poderia se meter em sua vida particular? Começou a ficar tão irritada quanto os dois... Só porque dividiam a guarda de uma filha isso não significava que ele teria passagem livre para ditar regras em sua vida... A usou, a abandonou... e ainda se achava no direito de mandar nela?
— Natsu... Sting está certo. Você não tem nenhum direito em impor o que podemos ou não. — Falou, se soltando da mão de Natsu.
— E o que o Sting sabe? Em Lucy? — A indagou, ficando de frente para ela e se aproximando ainda mais de seu corpo, se é que era possível, Lucy precisava levantar a cabeça levemente já que Natsu era mais alto. Não estava mais amedrontada nem assustada, ela apenas o encarava, com os olhos compenetrados nos dele. Se achou que havia ficado hipnotizada por Sting minutos atrás, agora estava completamente consumida pelo olhar de Natsu. — Por acaso se esquece do que te falei naquela noite?? — Parecia ainda mais feroz, raivoso... o tom mais rouco e a postura imponente. Sting tentava compreender como Lucy suportava tanto calor.
— O que você me disse? — Perguntou em devaneio, tentando buscar na mente sobre o que Natsu se referia.
O mago do fogo então voltou seu olhar para Sting.
— Ainda se intitula como um Dragon Slayer? Você se acha nesse direito?
— Sou mais digno que você Natsu.... Usa seu poder para amedrontar as pessoas, até mesmo Lucy.
— Por acaso estou te deixando amedrontado também? — Sorriu convencido, se afastando de Lucy e dando um passo para mais perto de Sting.
Sting sorriu de canto. — Não seja tão prepotente. Não é o único que ficou mais forte nesses últimos meses. — Sting sempre foi forte, chegou a cometer pecados para ficar ainda mais poderoso, mesmo assim perdeu facilmente para Natsu nos Grande Jogos Mágicos... Mas a experiencia não foi em vão. Não desperdiçou os últimos meses, se entregou ao seu poder, se deu ao direito de explorar cada célula de seu corpo, superou todos os limites. Perder daquela forma para Natsu abriu seus olhos, e graças a isso agora ele tinha controle sobre seu poder, conhecia seus limites. Coisa que Natsu não parecia mais ter. — Como disse, sou mais digno de ser um Dragon Slayer do que você.
— E porque se acha mais digno? — Perguntou em deboche, mas ainda sim lançando um olhar desafiador sobre Sting.
Mas o Dragão Branco não ficava muito longe, estava tão intimidador quanto Natsu, sabia que cedo ou tarde teria de enfrentá-lo, se Natsu soubesse o quanto ele se preparou para esse momento. Teve vontade de rir, estava tão ansioso para testar seus limites. Dessa vez não se deixaria entregar pelas emoções, como da última vez.
— Porque nunca a machucarei como você a machucou.
Pronto. Lucy arfou e congelou por um segundo. Olhou para Sting e depois para Natsu, e um temor apavorante instalou-se em seu peito ao sentir a auro esmagadora que Natsu tomou.
— Então... não sou digno de ser um Dragon Slayer por ter magoado Lucy... É isso? — Um sorriso indecifrável tomou seus lábios, Sting ficou em alerta, percebeu que conseguiu deixar Natsu ainda mais irritado. — O que você não sabe é que não sou um mero Dragon Slayer. — Disse em desdem. Lucy olhou confusa para Natsu. — Mas você, sendo um, está bastante encrencado... Falei para não me provocar Sting, não diga que não te avisei – Abaixou a cabeça mas manteve o olhar altivo vidrado no loiro.
— Natsu... Pare! ... Sting!! — Vendo que não conseguiria evitar o inevitável Lucy correu desesperada para a guilda, chamara Gray, Makarov ou qualquer um que pudesse intervir entre os dois. Mas, tanto Natsu quanto Sting agradeceram mentalmente por Lucy ter se afastado.
— Estou manchando o título de Dragon Slayer por desejar a garota de um? Por isso estou ferrado? — Perguntou provocativo.
— Não. Tentar roubar a garota de um Dragon Slayer realmente não é uma boa ideia. — Virou a cabeça para o lado do ombro, estralando o pescoço, formou um sorriso sádico nos lábios e só pelo olhar se notava o torpor de puro ódio que tomara o mago do fogo. — Mas roubar a garota de um demônio... esse foi seu maior erro.
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