Fogo Inalcançável
26 26º Capítulo - Rivalidade e ciúmes: Um oponente a altura?
Notas iniciais
Natsu estava entregue em seus pensamentos, jogado na cadeira, se deixou descansar por alguns instantes. Porém sentiu algo que o fez se levantar, fechou o punho e o olhar tomou uma sombra ameaçadora.
— O que foi Natsu? — Perguntou preocupado, vendo seu filho sair de uma momento raro de calmaria tão de repente.
— Nada, só preciso resolver uma coisa. — Saiu apressado, batendo a porta com força.
Atravessou o corredor e entrou na sala que ficava de frente com a de Makarov, era um dos ambulatórios da guilda passou pelo cômodo enfurecido e abriu a janela, saltou sem pestanejar, com habilidade apoiou-se nos parapeitos existentes na construção e pousou com firmeza no gramado do jardim dos fundos, não estava pensando direito, apenas sentiu algo que o deixou perturbado, e como um dragão atraído por uma presa ele seguiu seu instinto. Contornou a guilda, só parando na lateral da mesma pois dali pode ver algo que fez seu sangue ferver, o muro baixo permitiu uma perfeita visão deles. Mas, não se surpreendeu, soube de imediato quando Sting se aproximou, pois sentiu o cheiro da loira se misturar ao do mago de Sabertooth.
Aliás o cheiro de Lucy invadia seu olfato constantemente, assim como de Nashi... Era apenas estarem na mesma região que todo seu instinto ficava concentrado nelas, parecia que ambas exerciam um controle sobre seu poder, sobre suas habilidades, pois tudo parecia ficar voltados para elas. Imergia em seus conturbados pensamentos na sala de Makarov quando sentiu o cheiro dele se misturar ao da loira... E mais uma vez seu coração bateu forte, sentiu o sangue esquentar e a respiração entrar com dificuldade em seus pulmões.
Exatamente como refletia naquele momento. Lucy era o problema. Ela o deixa irritado, confuso e incomodado... E sentir que Sting estava tão próximo dela, mesmo depois de avisa-lo para não provoca-lo, o deixou sem juízo... perturbado. As sensações já tão confusas que transcorriam loucamente dentro de si ficaram ainda mais emaranhadas.
Analisava a postura de Sting frente a Lucy, uma parte de si tentava se impor fazendo-o repensar se deveria ou não intervir naquela conversa, refletia e avaliava a situação... até ver Sting pousar a mão na face de Lucy, no qual a mesma pareceu aceitar o carinho. Neste momento perdeu por completo o pouco auto-controle que ainda tinha, seus punhos se fecharam com força, e aquele ímpeto demoníaco que o inferniza constante e incansavelmente ficou ainda mais descontrolado. " — O que pensa que está fazendo dragãozinho!?" Indagou entre dentes, injetando os olhos nos dois. Observou Sting, o mago sorria convencido e enxergava fome naquele olhar penetrante que Sting mantinha sobre Lucy, estavam a um passo de colarem seus corpos, um passo da pele dela encostar na dele. Arfou falsamente contido diante de tal. " Um mero animal abaixo da cadeia alimentar jamais seria louco de cobiçar a presa de um dragão. Seria?" Pois bem, estava vendo ali, diante dos seus olhos que sim. "Mas Sting também é um dragão", logo corrigiu seu raciocínio.
“— E quê Dragão em seu perfeito juízo se atreve a pegar o que pertence a um Demônio? Você vai permitir isso? — Uma voz rosnou no fundo de sua mente.”
Sorriu de canto, mostrando levemente as presas. "— Claro que não!" Respondeu para si mesmo. Desde o momento em que se levantou da cadeira da sala do mestre, Natsu já sabia muito bem o que faria com Sting, e algo dentro de si clamava por isso... Bem que o loiro chegou em boa hora, já estava sedento, faminto.. não mais suportando conter tanto poder assim, precisava de fato algo ou alguém para descarregar tanta fúria e nada melhor do que aquele dragão que se atrevia em deixar o seu cheiro na pele dela.
— Maldito!! — Apenas disse, antes de seguir até os dois, sabia que Sting não fugiria, e sabia muito bem o que faria com o loiro, não tinha pra quê correr. Pois não conseguiria fugir dele. Caminhou a passos pesados, mas calmos até o casal. Estavam tão imersos um no outro que sequer notaram sua presença, já estava perigosamente próximo ainda vendo a infeliz ousadia do dragão branco tocando Lucy quando o chamou pelo nome.
[…]
— Grayyy....Erza.. — Abriu a porta já chamando pelos amigos. Gray e Erza estavam, como sempre, próximos ao balcão, com Juvia e companhia por perto. O moreno se levantou a procura de onde vinha a voz de Lucy, vendo então uma maga pálida e com expressão de pavor no rosto bem na entrada da guilda.
— O que foi? — Perguntou preocupado, já imaginando o que poderia ser.
— Natsu... — Apenas falou, chamando assim a atenção de todos para si. Só de ouvirem o nome do rosado pareceu que todos levaram um choque de alta voltagem, pois se sobressaltaram e olharam já assustados para Lucy. Infelizmente sabiam que de acordo com o atual temperamento de Natsu nada de bom viria a estar acontecendo.
Erza e Gray não pensaram duas vezes em correrem para onde Lucy estava, já Mira tratou de correr para o andar de cima, chamaria por seu mestre. Mesmo não sabendo o que de fato estaria acontecendo. Mas só de ver o puro pavor estampado na loira e de ouvir o nome de Natsu, logo imaginou que nada de bom seria.
— O que está acontecendo? — Perguntou Erza, já de frente para uma trêmula Lucy.
— Natsu e Sting... lá fora...
Gray sentiu um frio percorrer sua espinha, o que demonstra a tamanha preocupação que sentiu naquele momento, já que para um mago do gelo como ele, se incomodar um um mero frio na espinha não era assim tão comum. Isso para ele era um sinal, um sinal que seu instinto lhe mandava de quê algo muito ruim poderia vir a acontecer. "— Merda!!" — Esbravejou em sua mente. Estava atento em acompanhar os passos de Natsu para que o rosado não pegasse Sting com Lucy, até pediu para Sting esperar no lado de fora da guilda, mesmo conhecendo o olfato aguçado de Natsu ele imaginou que da sala do mestre o mesmo não seria capaz de sentir a presença do loiro. Viu que estava terrivelmente equivocado quanto ao nível de eficiência de Natsu.
Passou apressado por Lucy e assim que saiu pela porta viu Natsu e Sting próximos ao portão da guilda. Por mais que desejasse que Sting levasse uns sopapos por ser tão atrevido ele sabia que deixar Natsu se trombar com ele; principalmente depois daquele intenso encontro que tiveram da ultima vez, seria uma jogada baixa e inescrupulosa de sua parte. Pois, por algum motivo imaginava que Natsu não conseguiria se conter ao ver Sting em sua frente novamente.
E mais um arrepiou gélido percorreu seu corpo quando viu de longe um sorriso arrepiante no rosto de Natsu, o olhar era irreconhecível... Claramente constatou que aquele mago do fogo de cabelos rosas ali na sua frente não era o Natsu que cresceu junto com ele e Erza, arfou preocupado. Erza logo veio atrás, também se preocupando com o que via. Para piorar, ou não, Sting não ficava por baixo, o encarava com a mesma fúria, emanava uma aura tão amedrontadora quanto o mago do fogo.
— Merda!! ... — Gray exclamou irritado, por mais que desejasse que Natsu colocasse Sting em seu devido lugar não esperava que fosse diante de um confronto, não agora com Natsu tão instável e irreconhecível.
— Precisamos pará-los... — Lucy estava assustada, não sabia o que fazer.
— Não sei se vamos conseguir Lucy. — Constatou Erza, que mantinha os olhos estatelados sobre Natsu. Admitindo para Lucy e para si mesma que provavelmente ninguém ali seria páreo o suficiente para se envolver na iminente luta que viria a acontecer.
— Estou manchando o título de Dragon Slayer por desejar a garota de um? Por isso estou ferrado? — Perguntou provocativo.
— Não. Tentar roubar a garota de um Dragon Slayer realmente não é uma boa ideia. — Virou a cabeça para o lado do ombro, estralando o pescoço, formou um sorriso sádico nos lábios e só pelo olhar se notava o torpor de puro ódio que tomara o mago do fogo. — Mas roubar a garota de um demônio... esse foi seu maior erro.
Sting já estava em alerta total, pronto para qualquer investida de Natsu, mas ouvir aquilo o desconcertou por alguns segundos.
— Demônio?! — Indagou duvidoso e confuso. Mas não teve muito tempo para refletir sobre tal, pois simplesmente teve que usar todo seu autocontrole para lhe dar com o calor insuportável que tomava aquele lugar, tendo que por bom senso dar dois saltos para longe de Natsu ou iria entrar em combustão instantânea a qualquer momento.
— Está fugindo?! — Sorriu convencido.
— É claro que não... — Não esperou pelo primeiro ataque de Natsu. Respirou fundo e se concentrou, chamou por sua magia sentindo logo um poder enérgico e frenético começar a fluir por suas veias, uma luz estourada tomou seu corpo, as escamas brancas cobriram algumas partes do mesmo... Logo teve que admitir que Natsu estava em um nível ridiculamente acima do nível que usou nos jogos mágicos, não sabia explicar como nem quando o Dragon Slayer do fogo conseguiu adquirir tanto poder assim, só sabia que não poderia usar poder abaixo do White Driver ou acabaria terrivelmente ferido.
Natsu observou seu rival se preparar para o confronto, sorriu desdenhoso ao ver o mago envolto daquela luz incomoda. Sting se irritou ao ver o sorriso do mago, avançou então como um raio para cima daquele que estranhamente se intitulou como um demônio. A velocidade, devido ao White Driver ficou cinco vezes acima da sua velocidade comum, em um milésimo se viu sobre Natsu, conseguindo desferir nele um soco no maxilar, tamanho impacto criou um som forte no ar fazendo Natsu ir para trás.
Sting sorriu satisfeito, o coração sobressaltou-se em ânimo. Diferente da ultima vez conseguiu o atingir, em Crócus Natsu interrompeu seu soco altamente poderoso apenas com uma mão. E agora, mal pode se esquivar. Talvez estivesse tão fora de si a ponto de perder os reflexos, ou Sting de fato estava tão o mais forte que ele. Não sabia bem, o que sabia era que o primeiro ataque fora bem sucedido e isso o fez ficar ainda mais confiante.
Já Erza, Gray e Lucy ficaram ainda mais chocados. Ver Natsu levar um soco era algo raro, isso poderia ser uma prova que dê fato o Dragão Branco seria sim, páreo contra Natsu.
Natsu sentiu o impacto deslocar sua mandíbula, a força do mesmo o jogou para trás, fazendo seus pés se arrastarem no pavimento da rua até enfim conseguir parar. Colocou a mão no queixo, puxou o maxilar ajeitando o osso no lugar. Sorriu saciado, parecia gostar de sentir aquela dor.
— Maldito!! .. — Rosnou, olhando enfurecido para Sting. — Karyū no Tekken!! — Chamou seu golpe, avançando para cima de Sting, com o punho fechado e tomado por chamas, as veias saltadas do braços evidenciavam a força que despusera naquele ataque.
Foi rápido. E suas chamas; para os olhos que observavam a cena, pareciam ainda mais fortes que a comum. Conseguindo acertar Sting na boca do estômago, o levando para trás logo se encurvando diante do impacto e da dor. Porém, em alerta e diante de tamanha adrenalina Sting logo se recompôs, conseguindo evitar o outro ataque flamejante do mago, esquivou-se de um chute potente, e usando seu Hakuryu no Tsume anulou o rugido de Natsu, causando uma grande explosão entre eles, fogo e luz se misturando entre si. Vendo uma pequena brecha Sting revidou conseguindo novamente acertar Natsu com um forte golpe de punho cerrado.
Natsu foi jogado para trás, não se permitindo cair, passando o ante-braço no queixo tirando o filete de sangue que escorria ali.
— Vai ser difícil me derrubar com esses golpes... — Falou calmamente, parecendo não sentir dor diante dos golpes que já havia tomado.
— Eu sei! Já lutei com você antes, se esqueceu?... Mas, apesar de estar gostando de sentir meu punho tocando o seu rosto eu estou cansado de perder meu tempo com você Natsu.. — Sting sentia seu poder vibrar dentro de sua pele, estava vendo um Natsu na defensiva com o rosto ensanguentado a sua frente.
Gray e Erza observavam atônicos, Lucy atrás dos dois e todos da guilda tentando passar pela porta para ver o que poderiam fazer para intervirem naquela luta, mas Erza não permitia. Assim como segurou Gray, também segurou Elfman, e os demais. Não permitiria que nenhum de seus amigos intervissem na luta daqueles dois Dragon Slayers; talvez com Gajeel como reforço ele pudessem arriscar uma intervenção, mas por infortúnio parecia que o dragão do ferro não estava ali na guilda.
— Macao, Wakaba e Droy... corram para as extremidades da rua e evitem que pedestres se aproximem. Bisca, Alzack e Warren certifiquem em deixar todo o perímetro livre. — Ordenou, olhando para os magos em sua volta, não escondendo o torpor preocupante tomar seus olhos.
— Hai!! — Concordaram em uníssono, logo partindo rapidamente para os pontos que Erza designou.
— Temos que para-los.. — Lucy falou nervosa, os olhos tremeluziam em desespero.
— Só o mestre pode intervir Lucy. — Segurou no pulso da amiga que parecia querer correr em direção aos dois magos. Olhou para trás a procura do mais velho. — Cadê o mestre? — Gritou ansiosa.
— Mira foi chama-lo. — Canna estava tão preocupada quanto. Angustiada pela demora do mestre.
— E Gajeel? Cadê ele? — Gray também sabia que com o mago do ferro eles teriam melhores chances de intervir naquela luta.
Erza já ia responder que não o estava vendo por ali, mas antes que dissesse algo sentiu alguém aparecer atrás de si.
— Estou aqui.. — Disse em seu tom grave, com Levy em seu encalço... Ela parecia cansada pois respirava descompassadamente, provavelmente fora atrás do mago. — O que aquele esquentadinho pensa que está fazendo?! — Perguntou em tom de deboche.
Sting puxou o ar satisfeito, atingiu Natsu diversas vezes, era claro que o mago do fogo estava usando toda sua força contra ele e mesmo assim fora páreo e parecia estar na dianteira. Sendo assim, sendo ele ardiloso e cauteloso não mais ficaria naquela luta, usaria todo seu limite para derrubar Natsu de vez. Sairia por cima, e usaria aquela derrota de Natsu para colocá-lo em seu devido lugar. Finalmente mostraria a real força da nova geração de Dragon Slayers.
Se concentrou e juntou toda sua magia para entrar em modo Dragon Force, Natsu poderia também usar o seu... mas vendo o caminhar daquela luta não temia que ele o usasse. A luz que envolvia Sting reluziu ainda mais, ficando até difícil de focar os olhos sobre ele, as escamas brancas tomaram mais partes de seu corpo e os músculos pareceram ficar mais rígidos, sobressaltando as veias que percorriam seus braços.
— Você não é o único dragão poderoso em Fiore Natsu... quis me enfrentar e agora vai ter que me superar. Espero que depois disso deixe Lucy fazer o que ela bem entende. — Falou alto, o olhar confiante e o sorriso convencido deixaria qualquer um na defensiva, Sting parecia realmente páreo contra Natsu.
Gray observava atento, Erza e os demais também. Viram então Natsu sorrir, todos entreabriram os olhos surpresos, Lucy estremeceu, foi o mesmo sorriso sádico de antes. O mago do fogo secou mais uma vez o insistente filete de sangue que se formava entre sua boca e queixo e foi tomando uma postura mais montada, mais imponente.
— Já te falei Sting...
— O quê? .. Para não te provocar? — Perguntou em desdem.
— Não... — Natsu desapareceu, fazendo todos até mesmo Sting arfarem surpresos, porém o loiro não saiu da posição de ataque, sentindo então Natsu surgir como um raio negro atrás de suas costas, sussurrando em seu ouvido. - Não sou um dragão.
Sting com agilidade se afastou, pondo a ficar de frente para Natsu novamente, se surpreendendo com a velocidade do mago e estranhando por ele não ter aproveitando para ataca-lo já que estivera em sua retaguarda. Natsu apenas sorriu de canto mais uma vez.
— O que é isso... — Se referia ao poder que emanava de Sting. — Seu Dragon Force? — Fez cara de desgosto... — Esse é seu poder supremo?... Acham mesmo que eu estava levando isso a sério?! — Sorriu pérfido.
Sting juntou as sobrancelhas em confusão... “ — Não pode ser.... ele não estava lutando a sério?”
Parecendo ler a mente do loiro, Natsu sorriu novamente, avançando contra Sting e lhe acertando em cheio um soco, o punho cerrado mas sem fogo, apenas um soco forte, e mesmo estando em seu estado mais elevado de poder Sting foi atingindo, pois seus olhos sequer conseguiram acompanhar Natsu. O impacto fora no estômago, fazendo o loiro se encurvar dolorosamente, percebendo naquele momento que os golpes dados por Natsu antes não foram nada comparados aquele.
Natsu tinha tanta certeza de sua superioridade que permitiu que Sting conseguisse se recompor. O mago lutava para puxar oxigênio não conseguindo ignorar a dor cortante que sentia no abdômen. Natsu o enganou, não estava sequer levando aquela luta a sério... até agora.
— Maldito.. — Esbravejou engasgando com o ar...conseguindo enfim endireitar sua postura — Hori Nova.. — Falou entre dentes, usaria seu poder supremo, derrubaria Natsu, o colocaria em seu devido lugar. Dobrou seu braço direito para trás com o punho cerrado estendendo-se frontalmente o braço esquerdo ligeiramente curvado com pequenos raios de luz saindo dos vincos de seus dedos. Ele então correu em direção ao Natsu, iria socá-lo com a mão direita, que agora estava coberta por uma grande coluna horizontal de luz. Era o melhor do seu melhor, seu poder supremo. Mas, Natsu usou apenas seu reflexo e sem dificuldade desviou do ataque simplesmente envergando o dorso para a esquerda, sem sequer tirar os pés de onde estava, aproveitando a proximidade de Sting para acertá-lo com um murro flamejante o arremessando para longe.
O som do impacto ecoou no vaco, Lucy tampou a boca em choque. Sting foi arremessado violentamente para mais de dez metros de distância, chocando-se contra o chão, deslizando mais alguns metros pelo pavimento de paralelepípedo até seu corpo parar. A imagem do golpe pareceu se repedir na mente de todos, como um rapley. Sem nenhum impulso, sem nenhuma dificuldade Natsu esmurrou o estômago do mago, com o punho cerrado, os músculos de seu braço rígidos ressaltando suas veias, dando a plena percepção para todos a força daquele golpe, fez isso enquanto o mesmo tentava lhe golpear com sua magia mais poderosa. A imagem seria de muita apreciação, se não fosse trágica.
Sting caiu de costas contra o chão, formando um rastro de poeira e pedras, o ar saiu por completo de seu corpo e sem duvidas várias costelas foram quebradas, pois a dor era dilacerante. Mesmo assim conseguiu apoiar os cotovelos no chão para tentar se levantar, infelizmente vendo Natsu já sobre si, altivo, imponente. O mesmo o pegou pelo pescoço, o levantando sem dificuldade numa altura em que seus pés não tocavam o chão, colocou as mãos sobre a de Natsu sem conseguir se esquivar da esganadura. A parte de seu pescoço, onde a mão de Natsu tocava, ardia... ou melhor, pegava fogo, sentia como se sua pele estivesse em contato com a brasa viva, e que a mesma estava sendo arrancada de seu pescoço. Olhou para Natsu e não o viu, o fogo, o ódio em seus olhos... Não era o Natsu que conhecia. “ — É mesmo um demônio?!” Se perguntou aturdido.
— Pode me matar, mas se esse for o verdadeiro Natsu ela nunca mais vai ser sua. — Disse com dificuldade, já que o ar passava com escassez pela traqueia.
— Ela já é minha. — Se limitou a dizer em um rosnado, apertando calmamente seus dedos no pescoço do mago, agradando-se ao apreciar aquela cena, não pararia aquela tortura até ver a vida dele se esvair por completo, mostraria a ele com quem se meteu.
— NATSU!! JÁ CHEGA!! — Ordenou Makarov, surgindo a poucos metros atrás de Natsu com uma Erza bastante tensa ao seu lado, Gildarts surgiu a sua esquerda, Gajeel a direita, Laxus e Gray atrás de Sting, ficando eles de frente para o rosado. Porém, Natsu não se deu ao trabalho de olhar para nenhum deles, seus olhos estavam injetados em Sting. Ninguém iria impedi-lo.
— Admita Natsu, ela é mais minha do que sua.. Posso tê-la para mim e por isso está querendo se livrar de mim. — Falou num murmuro sofrido, apenas Natsu podendo escutá-lo. Era audacioso, poderia estar ridiculamente em desvantagem contra Natsu, estava preso em seu agarre, era nítido a derrota, mas jamais se permitiria sentir medo. Natsu poderia matá-lo, mas deixaria claro que ele também não sairia vitorioso nessa história.
Natsu pareceu escutar as palavras do mago mas nada disse.
“- Vamos o que está esperando, mostre a ele e a todos esses mortais o seu verdadeiro poder.”
— Natsu... você venceu! ... Agora solte ele.. — Gildarts pediu calmamente, não evitando o olhar preocupado sobre o pupilo descontrolado.
— Não me atrapalhem... — Vociferou, fazendo surgir chamas tão ardidas que pareciam lavas, as mesmas correram velozmente de seus pés até em direção aos magos, que tiveram que saltar para longe em modo de proteção, apenas Makarov ficou, usando seu poder de levitação.
— Jin-san!! Natsu vai matá-lo... — Exclamou Laxus, já afoito vendo o fogo tomar todo o perímetro em torno de Sting e Natsu.
Makarov olhou para Gildarts, que estava do outro lado, o mesmo apenas assentiu, como uma resposta para a pergunta não feita. A resposta era para algo que ele não queria usar, mas Gildarts confirmara apenas com aquele aceno que essa seria a única maneira de evitar uma tragédia.
Um mago matar outro mago, guildas oficiais e tão visadas quanto Fairy Tail e Sabertooth, um Dragon Slayer eliminando outro. Isso seria a cominação de Fairy Tail. O que o Conselho faria?? Não tinha outra opção senão ir contra seu próprio filho.
Relutante Makarov fechou os olhos e juntou as mãos, a magia o mantinha flutuando e uma luz amarela como o sol de verão nasceu de suas palmas...
— Mestre?!... — Mira logo soube... ficando aflita e fazendo Lucy e os demais a olharem... — Fairy Lawn?! — Perguntou incrédula.
Lucy voltou seu olhar apavorado para seu mestre.
— Fairy Lawn?! O poder que anula o ataque daquele que o mestre vê como um inimigo? — Recordou-se da poderosa magia.
— Sim.. — Mira respondeu dolorosamente, colocando as mãos na boca como forma para conter a aflição.
— O mestre vê Natsu como um inimigo? — Lucy perguntou em tom alto aquilo que ecoava na mente de todos.
A aura brilhosa tomava todo o corpo de Makarov, uma luz forte, aconchegante... todos podiam sentir que tal poder se sobressaia sobre o de Natsu... A luz crescia gradualmente, Makarov abriu os olhos que também estavam tomados pelo brilho. Tudo pareceu ficar em câmera lenta, o tempo parou... mas, voltou a andar quando viu Lucy correr em direção ao Natsu.
— Natsu.. Pare! ... Onegai. — Ouviu a voz de Lucy, ela não gritou, não estava desesperada, era um tom de voz brando e sereno, mas ainda sim com um olhar petrificado e choroso. De forma ágil e se esquivando das mãos de Mira e Erza ela alcançou Natsu, chegando bem ao seu lado e colocando sua mão no pulso dele, o mesmo pulso da mão que esganava gradualmente Sting. Natsu enfraqueceu.
Makarov, que segurou o golpe viu Natsu soltar Sting deixando-o cair quase desfalecido no chão. Lucy vendo que Natsu soltara Sting foi em direção ao loiro, caindo de joelhos ao lado de Sting imediatamente colocando a mão em sua testa.. tentando de alguma forma acudir o rapaz.
Todos ficaram perplexos por Lucy conseguir se aproximar. O calor era quase insuportável de onde estavam, e mesmo assim ela foi até ele e tocou em seu braço, o segurando com firmeza. Tal atitude não passou despercebido pelos olhos do mestre. “- Como isso é possível?!”. Se indagou agradecido.
Natsu, que estava de costas para Sting, virado para Makarov apenas olhou por sobre o ombro para Lucy, franziu o cenho ao vê-la socorrendo o mago de Sabertooth. Voltou seu olhar para Makarov.
— Iria mesmo usar esse golpe em mim?! — Perguntou enviesado, fazendo enfim as chamas em volta de seu corpo sumirem. Makarov sentiu um grande alívio ao ver Natsu se controlar, separou as mãos e colocou os pés no chão, fazendo assim a luz de Fairy Lawn sumir.
— Se fosse preciso meu filho... Eu usaria sim. — Confessou doloroso.
Natsu olhou para os magos que estavam em volta, todos em alerta, pareciam tensos... estavam ali para impedi-lo?
Lucy colocou a cabeça de Sting sobre suas pernas, mas seus olhos estavam voltados para Natsu, que novamente a olhou de relance por cima do ombro, fazendo a loira estremecer. Era um olhar reprovador, sombrio...
Natsu ainda respirava pesado, o olhar frio e perigoso pairou sobre todos, mas pouco se incomodou, piscou cansado e movimentou os ombros despreocupadamente como forma para estralar os ossos da clavícula. Virou-se para Lucy e um quase desfalecido Sting. A loira arfava angustiada olhando para o mago do fogo, obviamente temendo que ele terminasse o serviço que começou.
Todos ficaram calados fitando Natsu e Lucy. O Dragão do fogo tinha um olhar assustador e frio sobre ela, que somado com sua postura rígida e altiva sugava todas as forças da loira, que por sua vez o fitava com um olhar quase indecifrável. Ela fechou os lábios que antes estavam entre-abertos e trêmulos, enviesou os olhos, parou de sentir a tremelidão em seu corpo. Parou de sentir medo, mas também não sentia raiva, apenas os olhos castanhos que estavam levemente banhados de lágrimas demostrava tamanho desgosto que tomava seu ser. Enfim conseguiu forças para fugir daquele olhar de Natsu e olhou para Sting, ele parecia ter dificuldade para respirar e o pescoço mostrava ter uma grave queimadura.
— Precisamos leva-lo até a Porlyusica.. — Disse em tom baixo e preocupado, mas alto o suficiente para todos escutarem e parecerem sair daquele transe sombrio em que estavam.
— Já estou aqui... deixe-me vê-lo. — Surgiu a rosada, passando entre os magos atônicos e se ajoelhando cautelosamente ao lado do loiro o examinando de imediato.
— Natsu, para minha sala.. agora. — Ordenou Makarov, não seria sua baixa estatura que o faria perder o poder e autoridade diante do dragão. Natsu não se deu ao trabalho de olhar para o mais velho, parecia pouco disposto em obedecê-lo. Os demais magos olhavam pasmos.. Erza se angustiava por se sentir tão impedida em ajudar de alguma maneira, observava a postura de Natsu. “ — Vamos Natsu... obedeça o mestre..." — Clamava angustiada.
Para os magos de Fairy Tail eles compartilham mais do que uma guilda, compartilham doutrinas forte e sentimentos intensos, não se viam como companheiros de trabalho, se viam como uma família. Para eles, não existe nada mais importante do que esse elo. Um elo formado pelo amor e respeito um pelo outro. E Makarov é o puro e mais palpável exemplo para eles. Acatar a ordem do mestre e respeitá-lo é o princípio para todos de que amam e respeitam aquela guilda. Se Natsu desacatasse a ordem do mestre, para eles aquele seria um duro golpe, pois seria a prova de que Natsu não mais pertencia aquela guilda.
O tempo pareceu congelar novamente diante da cena, Natsu de costas para o mestre, imóvel e indiferente... Natsu observou por um momento a situação, via Sting desfalecido, todos com expressões de pavor. Mas, então tratou de sair, seguiu para a guilda passando entre os magos sem se importar com os olhares, seguiria para a sala do mestre. Ainda que aquela voz ainda ecoasse dentro de si.
Lucy passou a cabeça de Sting cuidadosamente para o colo de Levy que já prontamente estava ao seu lado, tão preocupada com a situação do loiro quanto ela. A loira se levantou e tratou de seguir Natsu.
— Lucy... melhor não. — Pediu Gildarts. Mas a loira o olhou rapidamente e chacoalhou a cabeça em negação, iria sim atrás dele, antes que o mesmo se enfiasse naquela sala e ficasse por lá horas a fio. Passou apressada entre todos, seguindo Natsu que já havia se adentrado na guilda.
O salão da guilda estaria vazio senão fosse por Juvia e Nashi estarem ali. A maga d'água estava perto do balcão, com Nashi nos braços, a pequena estava sonolenta e apoiava a cabecinha em seu ombro. A maga, considerada uma dos quatro elementos fora designada por Porlyusica para proteger Nashi. A mesma arfou surpresa ao ver Natsu caminhar em sua direção. Ele estava suado, nítido que acabara de sair de uma batalha, parecia cansado... mas de resto era tudo inexplessivel aos seus olhos. Não sabia bem o que o rasado faria.
— Natsu-san?! — Ficou em alerta, vendo que ele estava cada vez mais próximo... Mas, se tranquilizou quando se atentou melhor na feição do mago, que realmente parecia distante e cansado... porém, ele apenas tinha olhos para Nashi, que quase se entregava ao sono. Seu olhar era sereno, passou a mão nas costinha dela, quase a despertando com seu toque.
— Juvia! Leve Nashi para cima.. Onegai. — Pediu já se aproximando deles, surpreendendo a azulada, mas assentiu brevemente, apertou os braços em volta de Nashi e tratou de seguir para a escadaria mais perto.
— O que quer Lucy? — Perguntou sem se virar, não queria confrontar aqueles olhos. Mas Lucy o contornou ficando no lugar onde Juvia estava, frente a ele.
— O mestre ia usar o Fairy Lawn... contra você. — Disse, sentindo um amargor tomar sua boca.
— Eu sei... — Evitava contato visual.
— O que está acontecendo? … o mestre te via como um inimigo Natsu, ia mesmo matar o Sting?
— Acho que sim... — Respondeu a ultima pergunta, olhando enfim para os olhos de Lucy, que vacilaram ao escutar sua resposta. — Realmente não se lembra do que lhe disse naquela noite? — A indagou repentinamente. Lucy pareceu exitar por alguns segundo, os olhos murcharam e sua expressão parecia ser de puro ressentimento.
— Na noite que ficamos pela primeira vez? — Perguntou incerta e insegura. Mas, sim, ela lembrava, porém não queria dizer. Eram assuntos do passado e deveriam ficar lá, intocados. Sequer imaginou que ele se lembrasse de tal.
“— Não quero te perder! Você é minha Lucy, e preciso deixar isso claro.” Ressoou em sua mente a voz rouca do mago, que após lhe dizer tais palavras lhe possuiu. Suspirou exasperada, não evitando de deixar um rubor surgir em sua face. Seria isso mesmo que Natsu se referia? Não pode ser... Impossível.
— Você é minha Lucy... Não deveria deixar outro te tocar. — Falou sério, se aproximando de Lucy e a vendo se encolher diante de ti. Lucy subiu o olhar para a face de Natsu, confusa e arrepiada ao escutar aquilo.
— E por que eu deveria acredita? — A voz saiu em tom melancólico, e um brilho contestador formou-se em seus olhos.
— E por que não acreditar?
— Porque naquela noite você também me disse que nunca me machucaria... — Lembrava de cada palavra dita, assim como também lembrava de cada toque. — Na verdade você já me disse muitas coisas. Que não cumpriu. — Jogou na cara, a voz quase se embargando diante da mágoa.
— Lucy...
— Chega Natsu... — Colocou a delicada mão na frente, como forma para ele ficar afastado. — Você me machucou, e muito. Não quero você perto de mim, não sou sua. — Firmou um olhar decidido sobre o mago. — Você não é o Natsu que conheci um dia, que me trouxe pra cá...Pra essa guilda. Você me iludiu, foi isso que você fez... Não sou sua, nunca fui.
As palavras de Lucy se chocaram forte contra seu ego. O fazendo então lembrar-se do que Sting lhe disse há minutos atrás “ — Pode me matar, mas se esse for o verdadeiro Natsu ela nunca mais vai ser sua.” Um lampejo o cortou por dentro, e aquela já típica raiva começou a domar seus pensamentos novamente. Olhou desafiador para a loira e começou a dar passos lentos e pesados em direção a ela, que inconscientemente foi caminhando em marcha-ré até suas costas se encostarem no pilar que existia bem ali, tudo para se manter o mais longe possível dele, mas foi em vão, a enorme parede foi seu obstaculo final. Natsu a deixou encurralada e sua vontade foi de correr, gritar por Gray e Erza, fugir dali.
— Gosta de ficar se enganando assim Lucy? Você é minha! Meu cheiro está impregnado em você... Sting , sendo um Dragon Slayer sabia muito bem disso... Quiz você para me desafiar. Todos que quiserem tirar você de mim eu vou fazê-los queimar até virarem pó. — Parou de andar pois seus corpos já estavam quase colados.
Lucy não sabia como organizar tantos sentimentos assim de uma vez. O coração batia em frenesi ao escutar Natsu dizer aquelas palavras... Uma parte vaidosa e de ego inflado gostou, saltitou. Mas logo sua razão a fez retrair tais sensações. Como poderia se permitir abalar diante de tais palavras ameaçadoras e possessivas?
— Você estava prestes a matar outro mago. — Falou rígida, parecendo o julgar com apenas o olhar.
— Que isso importa? — Ficou incomodado. — Você o salvou, seja grata.
— O que aconteceu com você Natsu? Esse é o resultado de te tanto poder? — Respirava ansiosa, temendo pela resposta.
E mais uma vez Lucy teve vontade de correr e chamar por Gray ou Erza quando viu que Natsu se aproximou mais ainda dela, não era medo, mas receio, não o queria senti-lo assim. Tão perto. Não tendo para onde ir...fechou os olhos, não sabendo o que viria daquela aproximação. Se surpreendeu ao sentir Natsu apoiar sua testa na dela, sentindo então o peso e o calor dele passarem para seu corpo apenas por aquele toque. De fato Natsu jogou todo seu peso sobre ela, que fez a abrir os olhos vendo a poucos centímetros o olhos perdidos e opacos do mago, que arfou cansado, parecendo enfim se desarmar.
— Meu coração...Meu coração não é mais meu Lucy....está sendo manipulado por outra pessoa...Eu nem sei se o que eu estou dizendo agora é verdadeiro... E estou ficando cansado de lutar contra ele. — Conseguiu dizer o que estava entalado há tempos. Enfim conseguiu jogar para fora...
Lucy o encarava assustada, mantendo as testa unidas e dando suporte para o corpo pesado dele, que parecia cansado demais para sustentar seu próprio peso. Lucy também se desarmou ao tê-lo tão perto, e sentir na voz dele um pedido de socorro.
— Não precisa enfrenta-lo sozinho. — Falou em tom reconfortante. Parecendo também apreciar aquela aproximação.
— Ninguém pode fazer nada... só eu. — Disse fadigado, os olhos caídos para o chão.
Lucy sentia o hálito quente do mago se chocar contra seu rosto, o peso dele contra o seu corpo, o toque suado da testa dele contra a sua. Há quanto tempo não o sentia tão próximo assim? Sua vontade foi abraçá-lo, conforta-lo, ele parecia mergulhado em uma escuridão densa e fria.
— Foi o que aconteceu lá fora? — Perguntou serena, fechando os olhos inconscientemente para melhor apreciar o calor dele.
— Não sei... mas acho que é hora de eu ir.
— Pra onde?
— Pra longe da guilda, longe de você. — Conversavam em tom baixo, quase sonolentos, pareciam inebriados um com o outro.
— De mim? Por quê?
— Seu cheiro... me deixa fraco. Só de olhar pra você...eu
Lucy tranquilamente negou com um movimentar leve da cabeça, fazendo a cabeça dele também movimentar-se junto a dela. Pareceu não se preocupar com a vontade do mago em novamente abandoná-la.
— E Nashi? Vai para longe dela também?
Natsu engoliu o ar, e olhou surpreso para a face serena de Lucy, pareceu de fato ter se esquecido da filha. Céus.... “ — Nashi...” Só de escutar esse nome seu coração parecia se encher de vida novamente.
— Não.. — Confessou.
— Então se aquiete aqui. Ninguém é capaz de suportar a solidão, se afastar só vai te fazer piorar. Vou te ajudar. Te ajudei a evitar que machucasse ainda mais Sting, e vou te ajudar quantas vezes precisar. — Natsu levantou o olhar e encarou as órbis castanhas da loira, sentindo enfim um conforto percorrer dentro de si.
Nenhum dos dois teve forças, ou concentração, para dizer mais nada. Se perdiam naquele momento, Natsu se embriagava com a fragrância da loira, sua vontade era de afundar seu rosto na curva do pescoço dela e numa mais sair dali. Lucy apreciava a sensação de proteção que sentia ao ter Natsu tão perto, seu coração batia desejoso para que ele a envolvesse naqueles braços tão rígidos... Mas ela não o pertencia, não pertencia a ninguém e não se permitiria seduzir-se novamente com aquele calor... Era o que tentava se convencer. O que sabia é que não deixaria ele sozinho, iria ser seu apoio, lutaria com ele. Pelo bem de Nashi.
— Natsu! — A voz do mais velho tirou Lucy daquele transe e fez Natsu arfar fadigado, se afastando com dificuldade de Lucy. — Venha!
Makarov não pode mais esperar, teve que entrar na guilda precisava arrumar toda aquela bagunça, conversar com Natsu. Mas qual foi sua surpresa ao pegá-los em tal momento. Natsu parecia buscar refúgio em Lucy, parecia desarmado, desistente. Mas infelizmente teria que interromper.
Lucy sentiu falta do toque quente, viu Natsu se afastar sem olha-la nos olhos e o ar gélido voltou a bater em sua pele e a tomar seus pulmões, arfou encostando a cabeça na parede. Sentindo enfim as pernas tremerem fracamente e o coração voltar a bater.
[…]
Sting estava sedado, mas parecia apenas dormir na maca do ambulatório, com os ferimentos devidamente tratados e com curativos. Porlyusica se atentava e preparar mais um dos muitos remédios que precisou administrar no mago, ele sofreu várias queimaduras e ferimentos internos sentiria bastante dor ao acordar se ela não lhe desse os antídotos certos. Lucy se mantinha sentada em um banquinho bem ao lado da maca, estava há horas ali.
Suspirava ansiosa, o coração ainda batia aflito. Natsu estava na sala de Makarov, junto com Gildarts. Rogue já estava a caminho, fora notificado sobre o ocorrido graças ao Jet que rapidamente o avisou.
Olhava atenta para qualquer movimento de Sting. Se animando ao notar que ele dificultosamente abria os olhos.
— Sting? …
[ ]
— Isso vai nos dar muita dor de cabeça. — Analisava Macao, sentando de qualquer jeito em uma das mesas do salão, junto com todos os magos em volta, inclusive Erza, Gray e Gajeel. Já segurando um caneco de bebida, parecia cansado e preocupado com o que acabara de presenciar lá fora.
— Será? — Indagou seu companheiro Wabaka, tão cansado e preocupado quando seu amigo.
— O que você acha? Natsu quase matou outro mago de uma guilda alidada, e se esqueceu que Sting e o novo mestre de Sabertooth?! Será questão de tempo até o conselho chegar aqui. — Constatava aflito.
— Mas por sorte a rua estava vazia e só nós presenciamos tudo. — Canna tentava minimizar os pensamentos preocupantes dos amigos.
— Porém, Rogue pode muito bem ir até o Conselho, cobrar uma punição quanto a atitude de Natsu, e se Makarov for conivente com tudo isso poderá acabar sobrando para ele também. — Max estava tão pessimista quanto Macao.
— Parem de ficar criando hipóteses. Rogue não é louco de falar nada... Sting merecia isso. — Laxus cortou a melanconia dos magos, parecendo irritado por verem eles polidamente acusarem Natsu de tal atitude.
— Laxus!!! — Repreendeu Freed, sempre cortês, porém nitidamente surpreso por ouvir Laxus apoiar Natsu.
— Sting se atreveu a pisar no terreno de Natsu, homem que é homem não faz isso. — Concordou Elfman. Já era notável para todos ali o motivo de Natsu ter perdido a cabeça com o mago de Sabertooth.
— Mas Natsu passou dos limites otouto-san. Se Lucy não tivesse intervindo ele mataria Sting. — Mira se doía em admitir, mas era a verdade. Jamais poderia apoiar tal brutalidade.
— Elfman está certo... Homem que é homem não faz o que Sting fez, e o buraco é muito mais embaixo quando se trata de parceiros de magia... Um Dragon Slayer passando a perna no outro.. Dou toda razão para o Natsu, faria o mesmo. — Gajeel, que estava encostado no pilar ali próximo admitiu irritado. Só de imaginar alguém se atrever a tocar em sua azulada. Levy apenas se encolheu acanhada com a pronuncia do mago.
— O problema é que Natsu não parecia um Dragon Slayer. Aquele poder... Era absurdamente superior. — Erza se perdia na imagem de Natsu nocauteando Sting. Estava de braços cruzados próxima a mesa que por si estava cheia de magos e magas. — Acho que nem você daria conta dele Gajeel.
Todos pareceram ficarem absortos em seus próprio pensamentos, estampando em suas feições uma indagação preocupante quanto ao mago do fogo. Um silêncio melancólico tomou o ambiente.
— Preciso conversar com vocês. — Makarov surgiu, parecia triste e cansado, o olhar baixo e as mãos para trás das costas evidenciava isso. Ao se pronunciar todos os magos se voltaram atentos para ele. Suspirou pesaroso, havia dito para Laxus no dia em que Zeref apareceu ali na guilda que iria contar tudo, deixa-los a par, porém mal teve tempo para se preparar e mais um triste atrito ocorreu novamente naquela guilda. A agoniante sensação de que o amontoado de problemas e aflições cresciam descontroladamente dentro de si o tomava mais uma vez.
Olhou para Gajeel e Erza, depois para Gray que estava um pouco mais afastado, sentado no beiral da grande janela, o moreno parecia tão angustiado quanto ele. Juvia estava ao seu lado, segurava Nashi; a mesma se distraia com as caras e bocas que Asuka; que estava nos braços de Bisca, fazia para ela, na tentativa de manter a pequenina distraída e risonha.
— Se recordam do dia em que os informei sobre a gravidez de Lucy?! Perguntou retoricamente, olhando carinhoso para a pequena bebezinha nos braços de Juvia. Vendo todos sorrirem nostálgicos ao serem arremetidos para tal lembrança. — Falei que Nashi seria cedo ou tarde alvo de olhares perigosos devido ao seu poder herdado do pai.
— Lembramos sim mestre. E não nos esquecemos do eminente risco... Oficio de termos tantos Dragon Slayers na guilda. — Canna comentou.
— Sei que vocês sabem que Natsu está com grandes problemas... ele não é mais o mesmo desde os jogos mágicos. — Suspirou. — O Conselho está nos beirando... — Todos olhavam atentos para ele. — Não confiam em Natsu e o veem tão perigoso quanto Zeref e Tartaros.
A maioria expressou perplexidade ao ouvirem aquilo. Menos Gajeel, Gray e Erza que já estavam cientes. Porém até mesmo os três estavam ansiosos com aquela conversa, pois sabiam que não estavam por dentro sobre tudo que rodeava esse misterioso conflito entre Natsu, Zeref e o Conselho.
— Como assim mestre? Natsu salvou o Conselho e diversas cidades de Fiore inúmeras vezes... Como podem vê-lo como inimigo?! — Freed perguntou indignado.
— Justamente por isso. — Viu um ponto de interrogação se formar na testa de todos. — Natsu supera todos os níveis. Já viram ele perder alguma batalha?! — Olhou para seus filhos, vendo eles divagarem sobre a pergunta, constatando logo que Não, nunca viram Natsu ser derrotado. Já foi derrubado, mas sempre se levantou. Claro que ignorando as vezes em que duelou contra Erza, Laxus e Gildarts e perdeu facilmente, sabiam que não passava de momentos amigáveis entre amigos e que nenhum deles levavam essas lutas a sério. — Pois bem, quando o Conselho determinou que Natsu era um inimigo eles nos deram uma opção. Encontrarmos Zeref e Tartaros e elimina-los, porém somente Natsu estava designado para essa missão, consegui colocar Gildarts junto.
— Então esse treinamento foi uma faixada? Eles estavam a procura de Zeref? — Canna sentiu certo alivio ao saber que seu pai não se afastou devido á um mero treinamento...
— Sim. Porém não tiveram muito avanço. E o prazo dado pelo Conselho está se esgotando.
— E parece que a preocupação do Conselho não é em vão. Vendo como Natsu se comportou hoje. — Laxus constatou.
— E o que vamos fazer mestre? — Erza deu um passo a frente, já mais preocupada do que estava.
— Tenho um plano... É de alto risco e por enquanto não posso dizer mais do que isso. Mas preciso que todos vocês fiquem em alerta e cuidem um do outro. Quanto ao Natsu e ao acontecido de hoje, acredito que ficará tudo por baixo dos panos.
— Então mais uma vez vamos ficar de braços cruzados esperando mais um ataque? — Gray indagou, parecendo um pouco mais incomodado que os demais ali presente.
O moreno estava desconfiado e desacreditado sobre tudo que ouviu e viu.
— Basicamente sim, Gray. — Respondeu Makarov, olhando seriamente para o moreno, que por sua vez franziu o cenho em dúvida. Mas no segundo seguinte um brilho tomou seu olhar, o fazendo suspirar friamente. Parecendo entender a resposta dada entre-linhas pelo mestre.
— E por que Zeref venho até aqui dias atrás? E o que Tartaros tem a ver com tudo isso jin-san?
— Gajeel andou investigando, e tememos que eles também estejam de olho em Nashi. — Alguns olharam para o moreno carrancudo encostado no pilar, não muito surpresos por ele já estar por dentro de tudo. Sabiam há tempos que o mestre sempre o escalava para missões de espionagem e rastreamento. — Porém, não temos nada muito concreto ainda. Só o que consegui coletar até o momento é que Zeref e Tartaros tem alguma ligação muito forte com Natsu. — Os olhares dos magos, até mesmo de Erza que já sabia, foram tomados por um brilho misto de angustia e preocupação.
— Mas nada disso tudo explica o motivo de Natsu estar tão estranho e distante de todos nós. — Levy divagou em voz alta, tentando entender melhor toda essa história.
— Ao contrário Levy, tudo isso se interliga de alguma forma, mas eu ainda não sei explicar como. — Makarov a olhou serenamente. — Só posso dizer à vocês que Natsu está se perdendo, ele possui uma grande fonte de poder que é desconhecida para nós, mas não para Zeref e Tartaros, e ele está se perdendo dentro desse poder.
Uma aura melancólica e densa tomou o grupo, novamente cada um imergindo em seus pensamentos. Makarov compreenderia caso eles não entendessem a situação de Natsu, pois, por mais que ele tenha aberto o jogo ainda sim deixou muito coisa no ar, não por querer, mas infelizmente pouco sabia para dividir com seus filhos. Só sabia que eles precisariam se unir mais do que nunca e que se protegerem. Porém a duvida começou a bater forte em seu coração ao ver os olhos vagos e perdidos de seus filhos, estavam assustados e não era por menos, Natsu quase matou outro mago talvez ele de fato não fosse mais digno de fazer parte da família.
— Se ele está se perdendo, vamos fazê-lo se encontrar. — A voz firme de Macao ressoou lá de trás, fazendo todos receberem uma carga de energia e confiança, logo olhando destemidos para o mestre, como sinal de que concordavam plenamente com o mago. — Não só por ele, mas por Lucy e Nashi também.
— Não podemos permitir que Nashi fique sem o pai dela mestre. Nunca vamos desistir dele. — Gray falou, se levantando e cuidadosamente pegando Nashi nos braços. — E eu sei que o Natsu vai conseguir dar um jeito nisso tudo. — Disse confiante, tirando de Makarov um sorriso choroso e acalentado, por ouvir e ver seus filhos sempre dispostos a tudo.
…
— Sting?! … — Falou ansiosa ao vê-lo abrir os olhos.
O loiro, mesmo sentindo dor e bastante sonolência ainda conseguiu formar um sorriso nos lábios ao ver a maga ao seu lado.
— Não me olhe assim... Vou ficar bem. — Disse vagaroso, se preocupando com o olhar preocupado de Lucy.
— Como não... você está todo machucado. — Disse aflita.
Porlyusica escutou as vozes em tom baixo e olhou, vendo Sting acordado. Achou melhor sair da sala, sabia que eles precisavam de privacidade naquele momento.
— Quanto tempo fiquei apagado. — Perguntou olhando para a janela e vendo o céu escuro tomado por estrelas.
— Algumas horas apenas...
— E Rogue?
— Está a caminho...
— Merda, vou escutar até umas horas.
— Não seja bobo... olha seu estado e se preocupa com isso?
— Rogue me avisou..
— Sobre o quê?
— Para não me aproximar de você. Gray também... Mas meu irmão vai fazer questão de esfregar isso na minha cara por um bom tempo.
— Natsu não tinha nenhum direito em se sentir ofendido por estarmos conversando... Muito menos o direito de te empurrar pra essa luta.
— Ele não me obrigou Lucy... eu sabia muito bem onde estava pisando. E... eu estava louco para poder enfrenta-lo novamente.
— Por isso se aproximou de mim?! — Perguntou receosa.
— Não... — Respondeu rápido e firme, olhando nos fundo dos olhos da loira. — Onegai.. não pense isso de mim. Jamais te usaria como empecilho. Mas eu sabia que Natsu viria atrás de mim... e isso me agradou.
— Por que essa ânsia em enfrentá-lo?
— Natsu sempre esteve um nível acima de todos os Dragon Slayers Lucy. Precisava saber o quão longe é esse nível e se eu consegui supera-lo. Mas... ele é insuperável... — Lembrou-se das palavras de Natsu... “ ..demônio..” Talvez ele não estivesse blefando.
— Eu sinto muito por tudo isso... Ele perdeu o controle, ele não queria ter chegado naquele ponto...
— Conversou com ele? — Lucy olhou insegura para o mago.
— Sim... — O coração apertou-se ao lembrar de Natsu apoiado em si, tão entregue, calmo. Parecia que ele só confiava nela. Lembrou-se do calor, do cheiro dele... E Sting mesmo com os olhos serrados pode notar o olhar perdido de Lucy.
— Você o ama... — Disse mais para si mesmo do que para a loira, que olhou desconcertada para ele.
— Não.. — Respondeu no impulso, logo tentando se recompor. — Não o amo. — Abaixou o olhar, e se punindo por nem conseguir demostrar confiança nas próprias palavras.
— Então vai aceitar o meu convite? — Lucy olhou incrédula para Sting.
— Ainda vai insistir nisso?
— Oras... — Sorriu faceiro. — Acha que mesmo levando uma surra vou me deixar intimidar pelo Natsu.
— Nem deve... Mas... acho melhor não aceitar o seu convite, por mais que eu tenha gostado de receber essa proposta. E não é por conta do Natsu, deixei claro que não pertenço a ninguém... muito menos a ele. Só que realmente não é uma boa hora para me envolver com alguém. — Disse calma, sem se atropelar nas palavras e com o olhar decido e amoroso sobre o mago.
— Sei que você se vê como um objeto quando Natsu diz que pertence a ele. Mas para um Dragon Slayer isso é algo muito mais intenso do que as palavras podem expressar. — Lucy olhava atenta para Sting. — Eu sei como Natsu te enxerga, e ele não te vê como uma garota qualquer...
— Está defendendo o Natsu?! — Tentava entender o rumo daquela conversa.
— Não... — Parou para respirar devido a dor que parecia voltar a percorrer seu corpo. — Não estou o defendendo, mas quero que essa magoa que fica estampada em seu rosto desapareça.
— Mágoa?!
— Cabe a você decidir o que sente ou não por ele. Mas só de ouvir o nome dele você estremece Lucy... Isso fere o meu ego, mas é a verdade. — Sorriu ao dizer aquilo, admitindo a si mesmo que enfim perdeu aquela luta contra Natsu, em todos os âmbitos.
— Natsu é uma parte importante da minha vida. Ele me trouxe para Fairy Tail, me protegeu e me ensinou a ser uma maga, e me deu Nashi. — Um sorriso se formou só de mencionar o nome da filha. — Mas tudo que aconteceu entre nós eu enterrei, e não pretendo desenterrar.
— Tudo bem... — Fingiu acreditar. — Se um dia se sentir pronta para embarcar numa aventura cálida e romântica é só me chamar. — Falou charmoso, soltando um sorriso maroto e fazendo Lucy sorrir pela ousadia do rapaz.
[…]
Lucy passou a noite na guilda, na verdade, muitos magos passaram a noite ali. Uma noite em claro, para muitos. Rogue chegou na guilda já de madrugada, chegou sozinho nem mesmo permitiu que os exceeds o acompanhassem. Passou as horas seguintes na sala de Makarov, onde tomou conhecimento sobre a situação delicada em que Fairy Tail e Natsu vinham enfrentando.
O velho mestre achou conveniente também expor a verdade para os aliados, talvez assim minimizasse o risco de Rogue querer levar o caso para o Conselho. Mas de imediato o moreno de Sabertooth demostrou total compreensão e até mesmo se reverenciou diversas vezes em pedidos de perdão pela atitude do irmão. Após a reunião foi para o ambulatório, vendo Lucy e Porlyusica cuidando do mago, não se admirou ou sequer demostrou qualquer reação ao ver o loiro cheio de ataduras e visivelmente dolorido sobre a maca. Apenas se limitou a lhe lançar um olhar repreensivo e enfático... como forma de lhe dizer “Eu te avisei...” fazendo Sting apenas lhe revirar os olhos.
O sol já brilhava no céu quando Lucy finalmente conseguiu ir até o quarto onde Juvia e Erza estavam, as duas magas passaram a noite com Nashi e cuidaram da pequena enquanto Lucy ajudava Porlyusica. A loira entrou em passos leves no cômodo, vendo a pequena mamar gulosamente nos braços de Erza.
A ruiva usava apenas a saia de pregas e a blusinha regata que sempre trajava por baixo da armadura. Estava sentada em uma das camas de solteiros que existia no quarto olhando atenta para a pequena que tentava segurar a mamadeira com suas mãozinhas pequenas e gorduchas.
— Ela deu muito trabalho? — Perguntou em tom baixo, vendo a outra cama ao lado tomada por fraldas, roupinhas e produtos de cuidados para bebês. Juvia que estava dobrando o cobertor rosa da pequena quando sorriu animada.
— Imagina... foi uma noite divertida. Né Erza-san?!
— Sim... Nashi é uma bebezinha incrível.
Lucy sorriu, era nítido que a pequena havia feito as duas magas passarem a noite em claro, elas estavam com os ombros caídos e com olheiras profundas.. Seu chaveirinho era agitado, manhosa e bagunceira. Sem contar que as magas não estava acostumadas com as intensas trocas de fraldas e mamadas no decorrer da noite.
— Vão descansar meninas. Eu cuido da minha pequena agora.
— Não se preocupe Lucy...podemos ajudar mais. — Erza se negou, não tirando os olhos da pequena que finalmente terminava de tomar seu leitinho da manhã.
— Eu insisto. Vocês estão exaustas que eu sei... — Se aproximou de Erza, vendo que Nashi finalmente notou sua presença. — Já me ajudaram muito cuidando dela durante a noite. — Nashi se agitou nos braços de Erza quando viu sua mãe, esquecendo-se completamente da mamadeira. Erza se levantou e com cuidado passou a pequena para os braços de Lucy, que assim que a pegou logo afagou seu rosto no pescocinho dela. Sentiu saudades da filha, foi difícil ficar longe dela por tantas horas.
— Arigatou Erza.. Juvia.. Eu e Nashi amamos vocês. — Agradeceu com um olhar choroso e um sorriso sincero. Profundamente agradecida pelo apoio das amigas.
Erza sentiu seu coração se partir. Lucy estava mais uma vez lutando contra seus próprios sentimentos.
— Você vai ficar bem? — Apenas perguntou, triste por não ter tido oportunidade de conversar com a loira após o ocorrido.
— Vou ficar.
— Nos chame se precisar de algo. — Juvia de dispôs, sentindo uma angustia, pois se estava preocupada com a situação de Natsu imaginou como Lucy então deveria estar.
— Arigatou. — Agradeceu mais uma vez. As três trocaram olhares de cumplicidade e afeto, como forma de despedida e finalmente Erza e Juvia saíram do quarto. Deixando Lucy e Nashi a sós.
A loira suspirou, ajeitou a pequena nos braços e a olhou.
— Você deixou suas titias loucas que eu sei... — Fez coceguinhas na barriguinha gorducha da pequena, que sorriu sapeca com o toque. — Fique aqui só um minutinho, enquanto a mamãe arruma esse quarto, ok?!
Falou em tom amoroso, como qualquer mãe coruja, colocando Nashi no seu bercinho, a fazendo se distrair com os seus brinquedinhos favoritos. Se voltou para o quarto e respirou fundo, o cômodo estava bem desorganizado. O berçário ainda estava passando por reforma devido a janela que fora violentamente quebrada por Natsu e Zeref, e temporariamente estavam usando outro quarto como berçário, por conta da mudança repentina de aposentos muitas coisas foram levadas as pressas, sem que pudessem organizar calmamente.
Se concentrar naquela tarefa seria uma ótima atividade no momento. Estava exausta e não pregou os olhos na noite passada, mas sabia que se fechasse os olhos por um minuto a imagem dele lhe viria a mente e o que mais queria naquele momento era descansar, porém, ironicamente para poder descansar ela tinha que se distrair... Arfou buscando forças, começando enfim a retirar os livros infantis que estavam jogados sobre a cama e os colocando numa caixa de papelão que encontrou no chão.
Mas logo que iniciou a tarefa escutou a porta sendo aberta, olhou para a mesma acreditando que seria Erza ou Juvia, se surpreendendo ao ver Lisanna surgir pela porta de madeira.
— Lisanna?! — Não imaginou o que a albina queria, deixou os livrinhos coloridos que tinha em mãos sobre a cama e levou toda sua atenção para a maga.
— Minha irmã me contou o que aconteceu. — Falou em tom ameno, fechando a porta atrás de si e indo para mais perto de Lucy. — Eu estava em missão com Evergreen, chegamos há pouco tempo. — Parecia ter uma preocupação terna em seus olhos.
Lucy suspirou só de lembrar sobre a noite anterior.
— Foi um momento tenso para todos. Mas agora estamos bem. — Imaginou que Lisanna tenha ficado aflita diante dos fatos, então logo tratou de amenizar a situação.
— E Natsu? — Perguntou enfática. Lucy estranhou o tom usado pela albina, mas tentou ignorar.
— Eu não sei... Não o vejo há um tempo. Talvez esteja com Happy ou Gildarts.
Lissana escutou a resposta, e a cada palavra que saia da boca de Lucy seu olhar ficava cada vez mais irritado e desafiador.
— Isso tudo é culpa sua... — Soltou ríspida, fazendo Lucy sobressaltar-se diante da repentina acusação. Lisanna se aproximou mais de Lucy, ficando à um passo da maga. — Se não tem capacidade para lhe dar com um Dragon Slayer do nível do Natsu, saia do caminho. — Ralhou furiosa, fazendo Lucy tomar um susto com a repentina alteração que tomou aquela conversa.
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