Fogo Inalcançável

17 17º Capítulo - Promessas...


Notas iniciais
Olá migos!! ^^ Primeiramente gostaria de agradecer uma pessoinha pra lá de bacana e especial, ela é intitulada como Guardiã das Estrelas... e que guardiã viu ^^ Amei sua recomendação migles :} Fique muito feliz, encontro tanta dificuldade em cada capítulo, posto duvidosa se realmente ficou bom... mas me realizei ao ver como você enxerga essa fanfic que eu tanto amo ^^ Muito obrigada mesmo!! Enfim... Capítulo novinho chegando... Espero que gostem e boa leitura!! Nos vemos nas notas finais ok? Ok! ^^

Happy estava desconsolado. Sentado tristonho na cama de Lucy, que tentava anima-lo.

— Não se preocupe Happy. Natsu acabou de chegar e foi um pouco difícil nosso primeiro encontro, ele saiu um pouco irritado, provavelmente não te esperou por achar que te encontraria na guilda. – Falou, alisando os pelos macios do Neko, que mantinha a carinha triste e desanimada.

Happy, soube por uma das meninas de Fairy Hills que Natsu e Gildarts estavam de volta, imaginando que o rosado logo iria para a casa de Lucy ele voou para lá, mas grande foi sua decepção ao entrar no apartamento da loira e ver que Natsu nem perguntou ele e que Lucy parecia completamente aflita e angustiada.

— Será que agora o Natsu não me quer mais como seu companheiro? – Perguntou desanimado, deixando Lucy entristecida também, pois até mesmo ela se perguntava como Natsu iria tratar seu fiel amiguinho.

— Não encha a cabeça com essas coisas. Deixe ele descansar, amanhã você poderá encontrar ele e matar a saudades. – Lucy não sabia muito como animar o amigo. Pois Natsu sequer havia perguntado pelo Happy.

— E como ele reagiu ao ver Nashi? – O azulado apesar de triste ainda se preocupava com Lucy e Nashi. Ele queria saber se seu amigo não havia estragado tudo com seu comportamento frio e arrogante.

Desta vez foi Lucy que formou um olhar decepcionado, olhou para a vista da janela e pareceu pensar nas palavras que usaria para respondê-lo.

— Não consigo sequer imaginar o que passou na cabeça dele. Confesso que foi muito difícil me deparar com ele aqui...no meu quarto e tão perto da Nashi, eu entrei em desespero. — Falou decepcionada consigo mesma, sentindo-se uma covarde. — Mas, amanhã será outro dia né?! Uma coisa de cada vez. – Falou e sorriu esforçadamente. Tentando mostrar para o amiguinho que estava tudo bem.

...

Na guilda havia mais uma pessoa triste e precisando de algum apoio. Depois de toda a agitação Canna fugiu para o jardim dos fundo da Fairy Tail, sentada em um banco de madeira perto da piscina; como observado por Gray, era uma noite fria, porém muito agradável. A vista era linda, o mar parecia prestigiar a lua que se refletia espetacularmente nas águas escuras. A morena estava buscando um pouco de paz, tentando refletir e organizar seus pensamentos.

Normalmente ela iria para a banheira de Lucy. Mas agora a loira andava muito ocupada para poder consolá-la. Bisca e as outras meninas se entretinham lá dentro da guilda, e ela ficou ali, estava desanimada demais para disfarçar aquela conhecida tristeza, nem mesmo beber com os rapazes estava sendo possível.

Ela olhava triste para o horizonte, o cabelo balançava com a brisa do mar. Apesar das risadas escandalosas e do clima de festa e descontração que ela trazia para a guilda Canna era uma pessoa triste e sozinha. A falta da mãe e a ausência do pai a deixou vazia. A única coisa que a mantinha de pé e disposta a lutar era a sua amada guilda e seus amigos.

Seus devaneios se foram ao notar que alguém se aproximava, mas não teve disposição para ver quem era, na verdade pouco se importava. Mas se surpreendeu quando um homem grande e velho sentou-se ao seu lado.

— Como passou esses meses? – A voz preguiçosa e grossa fez o coração da maga ficar apertado. Ela estava irritada demais para responder, apenas o olhou de soslaio e voltou a fitar o horizonte. Gildarts suspirou, e começou a olhar para a mesma direção que a filha. Ele sabia que Canna nutria uma magoa sem precedentes, e não podia culpa-la.

— Não precisa fingir que se preocupa. – Depois de alguns segundos finalmente conseguiu lhe responder.

Gildarts se corroía por dentro. O orgulho em saber que aquela linda moça era sua filha não lhe cabia no peito. Mas o arrependimento também. Não foi um pai presente, não pode acompanhar cada momento importante da vida da filha.

— Oras... achei que havia me perdoado! – Falou decepcionado.

— Achei que você havia entendido que eu era sua filha. – Retrucou.

— E eu entendi Canna. Por que esta dizendo isso? — Perguntou, sem ter coragem de tirar os olhos do céu para olhar a feição decepcionada da filha.

— Sumir por quase um ano, e não se dar ao trabalho de se despedir. Isso não é algo que um pai faria. – Falou áspera.

— Eu sempre fiz isso minha filha. Não achei que você fosse ficar magoada. Me perdoe! – Sentiu uma fisgada no peito ao ver que mais uma vez falhou na tentativa de ser um bom pai.

— Não precisa se preocupar. É culpa minha, por esperar alguma coisa de você. Está tudo bem! Acho que finalmente compreendi que o fato de você saber que é meu pai não muda nada, nem na minha nem na sua vida. – Respondeu fria, e com um sorriso incompreensivo no rosto o olhou rapidamente antes de se levantar e voltar para dentro da guilda.

Gildarts permaneceu sentado no banco, apenas conseguindo rezar para que Natsu não se tornasse a cópia exata de seu mentor.

[…]

Aquele vento gélido e tenebroso atingia sua face, sentia os fios de seus cabelos dançarem descontroladamente ao serem tocados pelo mesmo vento.

A angustia em seu peito era insuportável, seus olhos começavam a se umidecerem... estava com uma mão posta sobre o peito esquerdo na vaga tentativa de acalmar seu pequeno coração sofrido.. Olhava pra o topo daquela colina, que antes era tão bela, mas que com a nuvens negras e com uma densa áurea pairar sobre aquele local agora nada mais era que uma colina sem vida.

Via ali ele... com sua pequena eu seus braços.. Dessa vez enxergava perfeitamente a Nashi, seu rostinho redondo e olhinhos puxados, ela chorava e esperneava implorando para voltar para seus braços, mas Lucy não tinha forças, não conseguia gritar, não conseguia correr. Tão pouco salvar sua filha.

A única força que teve foi olhar para o seu lado, vendo Erza, Levy, Mira, Gray e todos seus amigos desacordados no chão, pareciam machucados. Voltou seu olhar desesperado para o alto da colina, gritava por dentro, seu peito parecia rasgar ao sentir tamanha dor, pois sabia que nada poderia fazer... ninguém era páreo para ele.

Lucy acordou assustada, normalmente o choro manhoso de Nashi era seu despertador, mas não fora o chorinho de sua filha que a acordou naquela fria e nublada manhã. Jogou a franja para trás da orelha, e se levantou tentando ignorar mais uma vez o pesadelo que insistia em atormentar seu sono. Desde o nascimento de Nashi, aquele terrível pesadelo havia mudado; como se já não fosse possível, ficando ainda mais angustiante e tenebroso. Suspirou exaurida, tentando não se deixar atormentar.

Ajeitou a camisola e seguiu para o berço de Nashi vendo a pequena com o rostinho rosado formando um biquinho dengoso, os olhinhos nada tinha de lágrimas, só era seu jeitinho de avisar que estava com fome. Sorriu ao apreciar sua pequena, mas infelizmente seu coração não foi capaz de deixar aquela aflição passar, o fato de Natsu estar de volta, não saiu de sua mente sequer um segundo durante aquela tortuosa noite. Nem mesmo quando decidiu se entregar ao sono.

Respirou fundo, e tentou se concentrar em Nashi. A pequena usava um macacãozinho rosa escuro, realmente parecia um pijaminha, ela era sensível ao calor então por mais que Lucy a embrulhasse ela se desenrolava de toda a coberta, parecia não necessitar de cobertorzinho, principalmente quando dormia. Lucy fez um bico ao ver que mais uma vez ela estava totalmente descoberta, temia que sua pequena pegasse um resfriado.

— Cada dia você se parece mais ainda com seu pai! – Comentou, lembrando que Natsu também dispensava qualquer pano sobre si durante seu sono. A pequena ao ouvir a voz de Lucy sorriu banguela, soltando aquele sonzinho gostoso de risada de bebê, se agitando toda na esperança de ser acolhida por sua mãe.

A loira pegou sua pequena, a levando para a cama e se sentando, ajeitou sua filha em seu braço usando o colo como apoio, desceu a alcinha da camisola e começou a amamentar a gulosinha. Enquanto Nashi se alimentava Lucy acariciava seus cabelinhos rosas, passava delicadamente a mão livre nos fiozinho finos. Não sabia que era possível, mas a cada dia era mais dependente de Nashi. A pequena era o motivo de sua alegria, de sua força, dependia inteiramente de Nashi para respirar. Nunca imaginou que existiria tamanho amor assim.

— Luxy... – Chamou o outro dengoso, que estava sentado na poltrona; que era sua cama, esfregando os olhos ainda murchos devido ao sono.

— Bom dia Happy! – Comprimento a loira, que não se importava em ter Happy ali enquanto amamentava Nashi. Tudo de pior já havia acontecido, a avalanche de perguntas impróprias, inocentes e óbvias feitas pelo azulado. Depois de muitos constrangimentos e muitas respostas finalmente Happy entendia melhor sobre amamentação, e outros cuidados com a bebê. Aliás, ele era um grande ajudante.

Vendo que Nashi estava satisfeita Lucy se levantou, apoiou o pequeno corpinho de Nashi em seu ombro e deu uns tapinhas delicadamente por alguns minutos, fazendo a rosadinha arrotar.

— Happy você cuida da Nashi enquanto eu tomo banho? – Pediu gentilmente.

— Hai... – Respondeu animado, esquecendo rapidamente do sono e da preguiça e voando para a cama de Lucy.

— Apenas a distraia, e NÃO coloque peixe mastigado na boca dela viu!! – Repreendeu lembrando-se da vez que Happy tentou alimentar Nashi com o peixe que ele tinha. – Se ela chorar vai ser por pura manha, mostre o dragãozinho de pelúcia dela que ela ficará quietinha.

— Hai!! – Happy gostava quando Lucy confiava seu bem mais precioso em suas mãos, se sentia grato por poder conviver tão próximo de Nashi e cuidar dela. Para um exceed não havia dádiva maior.

Lucy foi tomar banho, deixando Nashi deitada no berço aos cuidados de Happy. Não escutando nenhum choro ela decidiu que seria uma boa hora para relaxar na banheira demorando um pouco, descansar na banheira de alguma forma sempre a ajudava a organizar seus pensamentos e a se acalmar.

Mas, conforme os minutos iam passando ela estranhava Nashi não sentir sua falta. Saiu da banheira se enrolando na toalha, talvez na verdade, era ela que não conseguia ficar muito tempo longe de sua pequena Nashi. Quando chegou no quarto viu Happy de pé sobre a armação do berço e se surpreendeu ao ver Léo com Nashi nos braços. Não podia negar que era uma bela cena, o rapaz elegante e charmoso segurando com tanto cuidado sua filha.

— Ela está cada dia mais linda! – Falou admirado, observando os traços delicados da pequenina, que por sua vez parecia muito confortável nos braços do tio.

Lucy sorriu meiga, ver seus amigos do mundo celestial amando e mimando tanto a Nashi era incrível, era um sentimento confortante e quente, ver que sua filha era tão amada por aqueles que ela tanto ama. Por um momento se esqueceu que estava apenas de toalha e se aproximou de Léo, que estava de pé frente ao berço de Nashi.

Observou a filha nos braços do amigo, e antes que ela pudesse dizer algo ele logo observou um fato.

— E você está com um corpo perfeito, de forma alguma parece ter dado a luz há poucas semanas atrás! Com certeza está preparada para mais uma gravidez. – Disse em tom pervertido, fazendo a loira perceber que estava apenas de toalhas.

— Quando você vai parar de fazer essas observações indecentes!? – Disse, correndo para o banheiro totalmente ruborizada. – E vocês dois não descuidem da Nashi. Só vou me vestir. – Avisou.

Como dito Lucy se vestiu rapidamente, saiu do banheiro penteando os cabelos, deu uma olhada em Léo, e mesmo com o coração angustiado ela conseguiu sorrir... ele sempre a vazia sorrir. Agora era a vez de Nashi tomar banho, então seguiu para a cômoda da filha e abriu a gaveta.

— Você nos visitou há dois dias, Aquarius e Sagitarius surgiram lá na guilda essa semana. Não que eu não queira a visita diária de vocês, na verdade eu adoro, mas me parece que vocês estão preocupados com alguma coisa. Está tudo bem? – Perguntou, enquanto escolhia a roupinha que Nashi iria usar. Lucy era observadora, sabia que eles davam cada segundo para estar com Nashi, mas com certeza algo a mais os faziam ir até ela.

Léo permanecia vidrado em Nashi, inconscientemente balançava pra lá e pra cá, e assim como Rogue, também sorria ao ver a mãozinha pequena dela tentando segurar seu dedo. Mas prestava atenção ao que Lucy dizia. Happy também prestava atenção na conversa.

— Sabemos o que passa no seu coração Lucy, estamos conectados em você. Sentimos o seu medo, a sua ansiedade. E isso nos deixa inquietos também. Sabemos que Natsu voltou.

Lucy parou por um momento e olhou para Léo, se ele tivesse a encarado teria visto um olhar preocupado e triste. Mas ele não olhou por simplesmente saber que ela estava com aquele olhar.

— Gomen... – Apertou contra o peito o vestidinho que segurava. — Foi tão apavorante... não imaginei que ficaria tão amedrontada com a presença dele. — Disse, a um fio de desabar novamente.

Happy não gostava de escutar os temores de Lucy sobre Natsu, e vendo como Lucy reagiu ao primeiro encontro dos dois até mesmo ele começava a ficar preocupado e duvidoso sobre o atual perfil de seu dono.

— É válido você sentir todos esses medos Lucy, isso vai deixa-la mais forte. E não se sinta fraca diante de Natsu, sei que ele amedronta qualquer um, é o mago mais forte que já conheci. – Disse honesto e um tanto impressionado. — Mas você é muito poderosa também, superou todas a adversidades e trouxe Nashi ao mundo. E Ela é sua fonte de poder inestimável. Por ela vocês será capaz de qualquer coisa, até mesmo enfrentar Natsu Dragneel. — Concluiu sério, direcionando o olhar para a loira, que pareceu absorver a força que seu amigo lhe transmitia.

— Gomen Happy... deve ser difícil ver que estamos tão preocupados com Natsu. – Léo se desculpou com o pequeno azulado.

— Hai... – Respondeu entristecido. Não encontrando palavras que poderiam dizer o contrário de tudo aquilo.

— É bom ser realista e analisar todas as possibilidades, isso prova que você está mais madura e forte, mas pense também nas possibilidades positivas. E lembre-se você tem todos nós do seu lado, todos loucamente apaixonados por Nashi. – Falou carinhoso, se controlando para não morder o pezinho gorducho da pequenina.

— Arigatou Léo, e Happy!! – Ficou mais aliviada, era sempre uma oscilação de sentimentos, no último ano sua vida nada mais parecia do que uma enorme montanha russa.

— Bom... – Encerrou o assunto, colocando Nashi de volta no berço. – Vamos continuar visitando vocês, e qualquer necessidade é só nos chamar! – Falou convicto, piscando confiante para a loira e se reverenciando levemente.

Num piscar Léo partiu para seu mundo. Lucy suspirou, sorriu um tanto que aliviada pela conversa e olhou para Happy que estava sentado na cama.

— Happy! – Chamou o gatinho. – Não fique preocupado, Natsu ficou muito tempo fora, e muita coisa mudou tanto na minha vida quanto na dele, estou com medo sim, é verdade, mas vamos enfrentar tudo que está por vir juntos, certo? – Pediu atenciosamente, sabia que era difícil para Happy presenciar esses momentos tensos, e de forma alguma queria deixá-lo angustiado.

— Aye!! – Respondeu, finalmente um pouco mais animado.

...

Diferente do que pensou Lucy saiu de seu apartamento encorajada, nem acreditava que estava indo para a guilda firme e forte junto com sua princesinha e Happy. Realmente Gray estava certo, ela não calculou o baque que teria ao ver Natsu depois de tanto tempo, foi muito inesperado, foi tudo um grande choque.

A loira sentia sim aquela nítida angustia e aflição, suas pernas tremiam, e seu coração batia forte contra seu peito. Mas, ainda assim estava se sentindo mais forte e preparada naquela manhã, as horas em claro da noite passada e as conversas com Gray e Léo a ajudou, e muito, conseguiu em fim respirar e organizar seus pensamentos, mesmo amedrontada com o retorno dele, ela lutaria para se impor e proteger sua filha.

Ao chegar frente a guilda seu coração começou a bater com mais rapidez, parou frente ao portão e respirou fundo. Happy parecia tão ansioso quanto ela.

— Tudo bem Happy? — Perguntou preocupada, vendo seu amigo encolhido perto de seus pés.

— Aye... — Respondeu, olhando para cima tentando trazer algum sorriso convincente.

Lucy sorriu igualmente, apertou levemente sua filha, que estava repousando a cabecinha em seu ombro. Quando finalmente se sentiu pronta para entrar escutou alguém lhe chamar.

— Lucy?! – A voz grossa e masculina a fez se virar para trás, se surpreendendo ao ver Gildarts. O velho Gildarts, de botas grandes e casaco. Parecendo não ter mudado nada nesses últimos meses. — Happy? Ohayo!!

— Gildarts. – Não pôde esconder a surpresa. – O..ohayou. Quanto tempo. – Falou suavemente, tentando não engasgar nas palavras. Só de ver a pessoa que passou o ultimo ano ao lado de Natsu já a deixou um pouco mais nervosa.

— Oi Gildarts... — Cumprimentou o azulado, não conseguindo se animar muito com a presença do amigo.

Gildarts olhou compreensivo para Happy, sabia que o pequeno estava angustiados, em seguida subiu seu olhar para Lucy, mas tão logo algo; ou melhor alguém, lhe roubou a atenção. Era aquela menininha nos braços de Lucy.

— É a Nashi? – Perguntou se aproximando.

— Hai. – Respondeu sem jeito. – Já sabe o nome dela?

— Sim, Makarov nos contou no dia seguinte em que ela nasceu. – Gildarts estava distraído, olhando atento para o rostinho da neném, que com a presença dele despertou e começou a encará-lo, já dando seu típico sorriso banguela e sonolento ao mesmo tempo. Nashi não era tímida e pouco estranhava pessoas desconhecidas.

Lucy sorriu ao ver a filha toda curiosa olhando para o mais velho.

— É o tio Gildarts filha! – Falou em tom extremamente carinhoso, assim como todas as mães falam com seus pequeninos.

Ao ouvir a voz da mãe a pequena deu uma risada e parecia querer falar.

— Prazer Nashi. Você é realmente linda. Achei que o vovô Makarov estava sendo exagerado. – Gildarts amou ser apresentado como o tio de Nashi, e depois de tanto admirar a pequena obviamente Lucy não passaria despercebida. – E você está ótima Lucy, não sabia que era possível ficar mais linda ainda. – Falou galante, mas sincero e educado.

Lucy ruborizou levemente e sorriu com o elogio, certamente Gildarts não havia mudado em nada nesses últimos meses.

— Happy? — Chamou, atraindo a atenção do distraído gatinho. — Fez um ótimo trabalho cuidando de Lucy e Nashi. Estou orgulhoso. — Olhava firme para Happy, como que se estivesse falando de mago para mago.

Happy se encheu, enfim soltando um sorriso sincero. Não era Natsu ali, o elogiando, mas partir um elogio de Gildarts já fora o suficiente para ele se animar mais.

— Aye!!

— Bom... se não estou enganado vocês estavam entrando na guilda. Então, vamos?! – Falou esticando os braços e dando passagem para Lucy entrar na frente.

— Arigatou. – Agradeceu, assim que ele abriu a grande porta de madeira, lhe dando passagem.

Gildarts sorriu, e inegavelmente se perguntou como Natsu poderia relutar tanto em aceitar essa família linda que o esperava.

Assim que Lucy entrou na guilda a atenção se voltou para ela, muitos faziam questão de cumprimentá-la e ver como Nashi estava. Fazendo Lucy se sentir mais uma vez acolhida e protegida por aquela enorme família. Happy fora acolhido por Lily e Charle, ambos conseguiam imaginar o que Happy poderia estar passando.

Então Gildarts entrou, ele já havia passado na guilda na noite anterior, mas pouco pode aproveitar a companhia de seus namakas. Diferente de Natsu, o poderoso mago entrou causando alvoroço. Max, Jet, Alzack, Droy e muitos outros correram em sua direção, animados, logo lhe oferecendo bebidas e outros perguntando sobre essa tal saga de quase um ano com Natsu.

Canna, que estava no outro extremo do salão sentada sobre uma mesa, apenas observou a chegada do mais velho, vendo que ele sem qualquer preocupação tratou de ir para a farra, e encher a cara, sem ao menos tentar ver como ela estava. A feição entristecida não passou despercebida pelas amigas: Kinana, Laki e Bisca que estavam lhe fazendo companhia.

— Vá falar com ele. Não fique apenas esperando. – Falou Bisca, tentando incentivar a amiga.

— Não, estou ocupada... com isso aqui. – Falou pegando um barril e o abraçando, demonstrando que supriria as magoas com seu precioso álcool.

Lucy já estava na mesa de seus amigos, toda a trupe já estava por lá, a esperando ansiosos. Nashi que de tão acostumada chorou para ir no colo do tio Gray que prontamente a pegou e tratou de dar-lhe total atenção. Juvia também se juntou a Gray e Nashi, e com sua magia e de Gray faziam flocos de neve e pétalas de cerejeira, deixando a pequena completamente entretida.

Lucy olhava para a filha, e também achava graça das palhaçadas que Juvia e Gray faziam.

— Lucy!

— Lu-chan!

Erza e Levy chamaram a loira em uníssono, ambas em tom preocupado e sutil. Lucy olhou para as duas e sorriu, demonstrando estar preparada.

— Não se preocupem. Estou bem. – Tranquilizou as amigas.

Erza sorriu carinhosa, mais uma vez demonstrando que estaria ali, caso ela precisasse. Levy também procurou apenas dar-lhe apoio moral, muito conselhos e opiniões não seriam mais úteis naquele momento.

Gajeel já havia ido fazer parte da bagunça que Gildarts e os outros magos estavam causando, ficar parado só o deixava mais nervoso ainda, pois acabava tomando as preocupações de Levy, e se sentia culpado por não poder dizer nada do que sabia para seus amigos, então preferiu manter-se um pouco afastado.

[ ]

Enquanto isso no escritório de Makarov, tinha um Natsu irritado e impaciente de pé em frente a mesa do mestre, que por sua vez tentava não se distrair com as notáveis mudanças de seu filho.

— Essa missão acabou. Não tem mais nada lá fora para você Natsu. A guilda precisa de você, e sua filha também. – Tentava convencer o Dragon Slayer, que insistentemente exigia ser liberado para sair a procura de Zeref e Tartaros. Diferente da noite anterior, em que Natsu parecia perdido e cansado, agora ele demostrava toda sua determinação e teimosia novamente.

— Não vou abandonar a guilda, nem... minha filha. – Demonstrou estranheza ao dizer as ultimas palavras. – Só estou pedindo a merda da permissão para poder sair quando eu quiser e pelo tempo que eu precisar para checar as pistas que Zeref deixa por onde passa. Assim como eu fazia quando surgiam pistas de Igneel.

— Já lhe dei a resposta. – Falou pacientemente, se recostando em sua grande cadeira e entrelaçando os dedos.

— Kêssa!!!... Não sei por que vim perder meu tempo... não preciso da sua permissão. – Falou irritado, aumentando seu tom de voz.

— Não se esqueça de que sou o mestre da guilda tatuada em seu braço Natsu Dragneel. Não desonre sua própria promessa em servir esta guilda. Se me desobedecer você será severamente punido, tenha certeza disso meu filho. – Falou rígido, colocando limite no comportamento abusivo do rosado e mostrando que quem manda naquele lugar é ele. Natsu revirou os olhos, por mais que se sentisse no total direito de fazer o que quisesse e apesar do seu comportamento agressivo e egoísta, ele ainda dava valor em suas promessas. Sem dizer mais nada, saiu irritado da sala, batendo forte a porta.

Makarov suspirou cansado, Natsu mal havia chegado e já estava lhe dando mais dor de cabeça. Seu coração batia forte, não podia demonstrar, tão pouco falar abertamente com alguém sobre o medo que sentia ao pensar no futuro de Natsu e de Fairy Tail. Ao ver aquele mago de cabelos rosa entrar por sua sala, tão mais forte, poderoso e imponente, Makarov viu que não poderá controlá-lo por muito tempo. Naquele momento só restava Makarov apostar todas suas fichas em Lucy e Nashi.

Natsu descia pela escada, pisando pesado e irritado por ser contrariado, e seu olfato não deixou Lucy e Nashi passarem despercebidas pela multidão. Ao sentir o cheiro delas imediatamente olhou para a direção de onde vinha, viu então seus amigos. Todos conversando distraídos, Lucy estava no balcão e Nashi no colo de Gray.

Houve um breve silêncio por todos da Guilda quando o rosado apontou na escadaria. Muitos o olhavam temerosos e curiosos, mas ele pouco notava. Por algum motivo decidiu ir se aproximar daquele grupo, não seria fácil voltar a conviver com eles, nem estava disposto a tal. Mas algo dentro dele o levou até ali, e assim que se aproximou Lucy, Erza, Gray e os demais imediatamente notaram sua forte presença.

Pareceu que todos ficaram sem reação na presença dele, menos Gray que segurava Nashi e o fitava com um olhar atento, esperando ver alguma reação no mínimo descente do amigo rosado e Erza que prontamente se levantou.

— Natsu... – Falou saudosa, com os olhos marejados de saudades. Apesar de toda a pose e de fama de durona, a famosa Titânia tem um coração materno e amoroso. Ter Natsu ali, na sua frente, a deixou imensuravelmente feliz. Não guardara rancor quanto a noite passada. – Você fez falta!!

Natsu que a todo momento encarava Lucy, desviou seu olhar para a ruiva. Não podia dizer o mesmo, mas pelo menos teve a decência de retribuir a atenção.

— Erza. – Disse em forma de comprimento, levemente acenando com um mover de sua cabeça.

Ver todos ali, reunidos, sentir a mistura de seus cheiros, lhe trouxe um pouco de nostalgia. Mas longe de fazê-lo sentir falta dos velhos tempos. Mesmo estando alheio para aqueles sentimentos de saudades, ele sabia que seria desgastante e só causaria mais irritação se não cumprimentasse a todos. Então olhou para Levy, Juvia e acenou levemente a cabeça, em forma de comprimento, ambas retribuíram assustadas, era difícil não se abalar com o olhar forte do rosado.

Olhou para Gray, e pareceu surgir certa tensão nos olhares frios que os magos trocaram. Porém, Nashi roubou toda a atenção de Gray, puxando-lhe sem dó o seu cabelo. Por fim Natsu voltou seu olhar para Lucy, que estava de pé próxima do balcão, mantinham certa distância um do outro, porém, o olfato aguçado do rosado era tomado unicamente pela flagrância da loira, e isso o incomodava estupidamente. Ele a encarava com firmeza sabia que tinham algo a resolver, e quanto antes melhor.

Muitos observavam a cena, Natsu encarando Lucy com puro olhar intimidador e a mesma frente a ele mantendo-se firme, porém um pouco receosa. A maioria não sabia como era realmente a relação dos dois, que antes eram tão amigos, e estavam preocupados como eles iriam se comportar a partir de agora que tinham uma filhinha juntos.

Lucy enfim conseguiu tirar os olhos de Natsu e olhou para Gray.

— Gray, o negai, Leve a Nashi para a Porlyusica, ela deve estar no ambulatório ou no berçário. – Pediu educadamente, vendo Gray acenar em positivo e se levantando. Juvia também se levantou, iria junto com seu Gray, por estar nervosa demais para ver o que estava por vir.

Voltou seu olhar para Natsu, que se mantinha num ar de arrogância e prepotência, puxou o ar disfarçadamente buscando forças no oxigênio que tomava seus pulmões... Ele parecia tão tranquilo e ela sentia-se desesperada, prestes para afrentar um dragão. Mas por Kami-sama conseguiu disfarçar.

— Precisamos conversar! – Autoritária foi pouco até mesmo a loira se surpreendeu. Se não fosse pelos fios loiros e pela voz mansa daria para pensar que era Erza falando ali. Assim que falou se virou esperando pelo bem de Natsu que ele estivesse a seguindo.

Erza e Levy olharam assustadas para Lucy, pois ela se mostrou decidida, até mesmo Mira notou a atitude da loira e passou a observá-la, torcendo com todas as forças para que Lucy mostrasse para Natsu o quanto ela é forte.

Ao se virar a loira lançou um olhar para as amigas e um sorriso pequeno. Dizendo ali para não se preocuparem. E seguiu para a porta dos fundos, ali perto deles mesmo, que dava acesso ao jardim e piscina da guilda.

— Ok. — Apenas respondeu com sua voz rouca e séria, o rosado levantou uma sobrancelha e olhou descrente para a loira, não gostou do tom usado por ela, por um instante pensou deixa-la falando sozinha. Mas, na realidade ela estava certa, eles tinham que conversar, e o quanto antes melhor. Então, por apenas este motivo ele passou a segui-la.

O salão incrivelmente ficou em silêncio, abismados e chocados por presenciarem a cena em que prova que a única pessoa capaz de colocar rédeas no Dragon Slayer do Fogo, era Lucy.

Happy observou tudo de longe, não se entristeceu por mais uma vez Natsu não o procurar. Sabia que se entender com Lucy era prioridade para seu companheiro rosado. Lily lançou um olhar para o amigo, e lhe deu um tapinha das costas felpudas, como um apoio silencioso, Charle olhava compreensiva para o mesmo e sorriu amigavelmente, fazendo Happy voltar de seus devaneios e agradecer por ter outros exceeds ali, que o compreendiam tanto e que eram tão amigos.

— Tô vendo quem usa as calças nessa relação. – Comentou Macao, quebrando aquele clima pesado que ficara, e fazendo muitos, inclusive Gildarts, Gajeel e Romeo rirem.

Erza soltou um sorriso de alívio, sabia que a batalha de Lucy estava apenas começando, mas pôde ficar mais calma ao ver que Lucy estava realmente se esforçando, surpreendendo mais uma vez a todos com sua determinação e coragem.

[ ]

Lucy queria apenas sair de dentro do salão, o jardim dos fundos seria um ótimo lugar para conversarem, teriam privacidade e a brisa fresca do mar ajudaria a mantê-la calma, olhou para o lado esquerdo e viu que a maior arvore formava uma ótima sombra. Natsu a seguiu calado, Lucy apenas escutava seus passos no gramado verde da guilda, o vento que levemente batia em sua face não era o suficiente para refrescar o calor que Natsu transmitia. Respirou fundo e buscou mais forças ao se tocar que os passos pesados atrás de si eram de Natsu.

Enfim chegando na sombra da arvore ela se virou e olhou firmemente nos olhos do mago. Fazendo o rosado parar os passos e demonstrar alguma surpresa com a firmeza dela. Se Lucy permitisse ela acreditaria que estava em um sonho... ou pesadelo, finalmente estava frente a frente com Natsu, e por Nashi ela tinha forças de enfrentá-lo.

O rosado por sua vez parecia totalmente a vontade com tudo aquilo, não demonstrava qualquer abalo ou sentimento, seus olhos puxados a observava com veemência, cruzou os fortes braços, parecendo esperar que ela tomasse a frente da conversa. Lucy fitou aqueles olhos e lembrou-se da noite passada, mais precisamente das palavras duras de Natsu sobre ela ser mãe de Nashi ser apenas um fato. Aquilo a feriu, e não mais permitiria que Natsu menosprezasse o fato dela ser mãe da filha dele. Muito menos ameaçar de tirar a pequena de seus cuidados.

— O único motivo que me fez te chamar aqui é Nashi. Só por isso. – Falou séria, inevitavelmente ruborizando pelo nervoso de iniciar a conversa.

— Eu sei. – Falou tranquilo, mas não perdendo o tom arrogante.

Respirou fundo. E olhou mais firme ainda para aquele que antes era seu melhor amigo. Olhando o físico do mago ela foi remetida ao pesadelo que a atormentava, estremeceu e perdeu o ar de imaginar se era Natsu tirando sua filha de seus braços... respirou fundo, não tinha o direito de privar a filha por conta de seu temores, que nada mais eram do que pesadelos ridículos criados por sua mente; assim rezava que fosse.

— Nashi tem direito de conviver com o pai. Eu quero que você se torne uma pessoa presente na vida dela, e que mostre o seu melhor lado, coisa que não se preocupa mais em fazer com seus amigos. – O tom repreensivo foi inevitável. – Quero saber como você fará isso!

— Hã?? Fazer o quê? – Pareceu enfim se importar com a conversa.

— Entrar na vida de Nashi. – Simplesmente respondeu.

— Ela é só um bebê, que vida ela tem? – Falou prepotente.

— Ela é sua filha... Reconhece Gray como alguém especial e chora para ir para os braços dele. Essa é a vida dela. Vai querer que ela continue chorando pelo Gray mesmo com você do lado dela? – Respondeu ríspida, com apenas um dia após sua chegada, com poucos minutos um na presença do outro, e mesmo sabendo que Natsu nunca demonstrou ciúmes por nada nem por ninguém, ela percebeu o incomodo dele ao ver Gray com Nashi. Não sabia ao certo se realmente era ciúmes. mas de fato algo o incomodou.

Natsu não gostou do que ouviu, e apenas naquele momento pareceu entender o incômodo que sentiu ao ver Gray com sua filha nos braços.

— Não me provoque. – Repreendeu a loira, que pouco se abalou com o tom ameaçador dele.

— Preciso saber o que pretende fazer da sua vida. Apenas isso, não quero que faça Nashi se acostumar com você para que daqui um ano desapareça novamente. — Era um dos muitos medos que a loira tinha.

— Estou aqui não estou? O velho não vai me deixar sair deste lugar. – Falou contrariado. – Não precisa se preocupar com isso.

— Apenas procure se tornar um bom pai. – Falou séria. Respirou fundo e lembrou-se de tudo que ensaiou na ultima madrugada. – E não ouse magoar minha filha, muito menos usá-la ou querer transforma-la numa arma de fogo que nem você. Sou a mãe dela, todos menos você sabem o que passei para trazê-la ao mundo. E não será você que irá passar por cima das minhas ordens e muito menos tira-la de mim. — O olhar mudou, o brilho de seus olhos ficaram mais intensos, ela o encarou firme e não vacilou nem por um milésimo de segundo, deixando claro de que não estava flertando.

Natsu precisou admitir que se agradou da posição autoritária e firme tomada pela mãe de sua filha, mas logo voltou em si e soltou o ar em irritação, e sua feição ficou mais séria ainda.

— Não ache que vai criá-la como uma princesinha como você foi criada. Não se esqueça de quem ela herdou o poder. Não se iluda acreditando que ela terá uma vidinha tranquila e cheia de amor. Assim você só irá deixa-la mais fraca e vulnerável. Por isso estou aqui. Ninguém além de mim é capaz de protegê-la tão pouco deixa-la forte e preparada. – Ficou irritado, e Lucy viu que ele não apenas se irritou, mas estava preocupado com a segurança de Nashi.

— Preparada? Preparada para o quê? – Questionou intrigada, pois por um instante Natsu pareceu saber de algo que ela desconhecia. — Eu sei que tem algo acontecendo!! Se minha filha está envolvida nisso eu preciso saber. — Terminou, olhando preocupada para o mago.

— Já falei... Não se esqueça de quem ela herdou o poder. — Não se abalou com a preocupação de Lucy, e a respondeu com a mesma firmeza e rispidez.

— Nats... – Não pode se aprofundar no assunto, pois Natsu tratou de cortá-la.

— É só pedir...

— Hã? – Não entendeu, devido a mudança brusca de assunto.

— O que precisar, é só pedir. Vou dar tudo o que ela precisar. Não pretendo voltar em missões com a antiga equipe. Então pode ir nas missões com Gray e Erza, vou ficar em Magnólia e posso protegê-la, caso precise me afastar mantenha Gray e Gajeel por perto. – Natsu tinha uma boa reputação de estrategista, e Lucy ficou mais surpresa ainda ao ver que ele já estava organizando as melhores maneiras de ajudar na criação de Nashi.

— "Protegê-la"?!... – Falou surpresa, tinha que assumir que ouvir aquilo fez seu coração bater mais forte. – Ela não precisa apenas da sua proteção... Ela precisa do pai dela por perto, a criando e amando. – Por um minuto esqueceu-se do medo de Natsu tirar Nashi de seus braços, esqueceu-se de toda magoa e revolta e apenas desejou que ele entendesse o quão forte era a ligação entre pai e filha.

O olhar de Natsu sobre si era indecifrável, ele mantinha uma postura firme e pareceu soltar o ar pelas narinas, afim de não ser ríspido demais em suas palavras.

— É o que posso oferecer no momento. — Falou, parecendo enfim mais calmo, porém, ainda mantendo um ar de superioridade.

A resposta e o tom usado foi inesperado, mas Lucy pode sentir que seu coração bateu menos temeroso em seu peito, ver Natsu a sua frente e poder se impor e conversar com ele conseguiu lhe arrancar alguns de seus tantos temores. Ele poderia estar mais forte, e parecendo tomar uma personalidade arrogante e intimidadora, poderia não ser mais o mago do fogo bacana e maluco de Fairy Tail, mas aos menos ela estava conseguindo se manter firme frente a ele.

— Promete? — Perguntou calmamente, olhando nos fundos dos olhos de Natsu.

— O quê? — Franziu o cenho, não entendo a repentina pergunta da loira.

— Que vai sempre protegê-la? — Sentiu um sentimento nostálgico, lembrou-se dos bons tempos que Natsu movia céus e terras para protegê-la, queria que ao menos ele prometesse que faria isso por sua filha, pois no fundo sabia que mesmo com toda essa personalidade proeminentemente arrogante e fria Natsu não quebraria uma promessa como tal. Era o que esperava.

Que tola. Olha o quão ele mudou, olha sua postura imponente, seu olhar firme, sinta seu poder exalar, capaz de desmontar qualquer exército. Somente por sua filha mesmo para fazer tal pedido...Diante de tudo que aconteceu, de toda a decepção, já respirada pesadamente aguardando a resposta, não conseguindo mais olhar para o mago.

— Prometo. — Soou calmo, claro, sem perder aquele tipico tom ríspido que Natsu tinha.

Lucy olhou surpresa, enfim deixando o ar sair de seu corpo e sentindo-se mais leve. Ao menos isso, conseguira tirar do Dragon Slayer do fogo uma promessa, e por algum motivo isso a deixava incrivelmente satisfeita.

— Ok.. Por enquanto acho que estamos conversados. – Falou retornando de seus devaneios e encerrando aquela conversa. – Vou entrar. – Avisou, antes de se virar e passar a caminhar rumo a porta da guilda. Suas forças estavam se esgotando, precisava sair dali.

Seu regresso a pegou de surpresa, nem mesmo em seus mais loucos sonhos imaginaria reencontrar Natsu da maneira que reencontrou na noite passada. Ficou apavorada e sem forças. Mas agora, estava grata pelo tempo que teve nos últimos meses, e até mesmo pela ultima noite. Sabia que nada voltaria a ser como antes, que a relação deles não passou de uma relação rápida e que a gravidez fora uma consequência que ambos não esperavam. Para ela fora a melhor e mais incrível consequência de sua vida, pois lhe trouxe Nashi, mas ainda não conseguiu interpretar como Natsu realmente estava encarando tudo isso.

Perdeu muitos temores naquela conversa, mas, muitos mais ainda residiam dentro de si. Não sabia o que estava por vir e nem como fariam para isso dar certo, tão pouco se Natsu cumpriria com essa promessa. Mas, ao menos não se sentiu tão amedrontada na presença dele, não muito. Finalmente alcançou a porta de madeira, a abriu, entrou, fechou e encostou-se na mesma, podendo em fim respirar em compasso, olhou para suas mãos que tremiam feito papel ao vento.

Natsu olhava a loira se afastar, um olhar repressor, e com a feição séria. Vendo ela se adentrar na guilda ele se encostou na arvore que fazia sombra sobre eles, apoiando as costas e um dos pés nela, cruzou os fortes braços e olhou para o céu azulado.

— Kêssa!! — Resmungou cansado, se repreendendo por algo. — "Esse maldito cheiro..."

Queria entender porque esse cheiro o deixava tão fraco.

...

Alguns minutos depois que Lucy entrou Natsu surgiu também, e não foi beber com os outros rapazes, não tinha paciência em ouvir as tolices deles, tão pouco foi para perto de seu antigos amigos de equipe. Natsu foi em direção para o quadro de missões, olhou para as três primeira fileiras sabendo que era ali que ficavam a missões classe S. Com uma única mão arrancou, três folhetos. Chamando a atenção de muitos. O rosado olhou para Mira e avisou.

— Volto em dois dias, avise Gray e Gajeel. – Falava com Mira, que a todo o momento olhava serena para ele, já entendo que não era para os dois magos se ausentarem. Natsu dava passos firmes, mas sem muita pressa, olhou para o lado onde havia alguns magos bebendo, fazendo eles engolirem em seco. — Happy? Vamos.

O chamado por incrível que pareça não deixou o neko tão surpreso, de alguma forma ele já esperava por isso. Levantou voou e sem pestanejar seguiu seu companheiro.

— Dois das!? — Alguém questionou assustado.

— Mas ele pegou as missões mais difíceis!! — Outro alguém comentou.

Lucy estava subindo as escadas para ver Nashi quando viu Natsu pegar os folhetos e sair. Concluiu que teria que se acostumar com os batimentos fortes e respiração descompassada que sentia ao vê-lo e se perguntou se essa decisão de já partir em missão era motivado por Nashi, ou apenas a necessidade de ficar longe de todos.

[...]

Em um lugar desconhecido, em alguma terra inexplorada, lá estava a onipotente construção, com seus ornamentos extravagantes e espinhos gigantes. Porém, mais sombrio que a fachada da guilda é seu interior.

Em um dos enormes salões espalhados pela guilda estava Mard Geer segurando em seus braços o livro intitulado END. Ele olhava para um cervo a sua frente, que estava encurvado em reverencia. Era mais um informante, apenas mais um dos muitos que espalhou pelas cidades. Kyouka e Sayla estavam ambas de cada lado de seu mestre, sorridentes e diabólicas.

Desde a invasão de Gildarts e Natsu, os planos tiveram de mudar. Mas tão logo Mard Geer encontrou uma solução para o problema.

— Nashi! – Falou, com um sorriso em seu rosto.

Notas finais
Migles, gostaria de ter colocado mais coisas nesse capítulo. Mas... só que, entretanto... não consigo acelerar tanto assim os acontecimentos >.< Tivemos momento Gildarts e Canna... fiquei triste pelo dois :{ E a conversa entre Natsu e Lucy? A loirinha conseguiu se manter firme gente, não foi fácil... mas até uma promessa ela conseguiu tirar do rosado. Basta saber porque ele anda tão incomodado com esse "cheiro" ... Finalzinho tenso como sempre ^^ Adoro! Hehe Espero que tenham gostado ^^