Fogo Inalcançável
18 18º Capítulo - Terreno perigoso, não mexa com o dragão errado.
Notas iniciais
Caminhavam sem pressa pela estrada que lhe davam acesso para a fora dos domínios de Magnólia. Natsu evitava pegar qualquer tipo de transporte, apesar de toda mudança em sua personalidade e do absurdo aumento de poder o seu ponto fraco ainda era o mesmo... O maldito transporte. Sentia-se enjoado, zonzo e completamente sem forças dentro de um trem, navio ou seja lá o que fosse capaz de se locomover. Achava humilhante essa fraqueza, então tentava ao máximo evitar tal.
Happy parecia desconfortável andando ao seu lado, o pequeno não sabia muito bem se deveria falar algo, perguntar algo ou simplesmente o acompanhar calado. Logo na partida eles trocaram algumas palavras, Happy esboçou sua empolgação por estarem finalmente juntos novamente, e lhe contou acontecimentos que julgou serem importantes para Natsu, como o ataque que Lucy sofreu, a ajuda que ela recebeu dos seus amigos do mundo espiritual, da noite tempestuosa em que Nashi escolheu para nascer e alguns outros acontecimentos, mas recebeu do rosado apenas pequenos acenos e mínimos olhares. Receoso diante da postura arrogante de Natsu ele optou por ficar calado.
E assim caminhavam a quase uma hora, uma hora em que o pequeno azulado se mantinha calado, com certeza uma das tarefas mais difíceis para o neko.
— Natsu? Não vai querer saber mais nada sobre esses últimos meses? – Perguntou receoso, enfim não conseguindo mais manter-se calado.
O rosado desceu seu olhar para o pequeno que caminhava ao seu lado, as mãos estavam no bolso da calça e o olhar era frio.
— Se algo importante tivesse acontecido, o velho já teria me contato ou você teria me falado há uma hora atrás. — Respondeu displicente, voltando seu olhar para a estrada de terra e pedregulhos a frente.
— Bom.. nem tudo chega aos olhos e ouvidos do mestre e eu com certeza não lhe contei tudo. — Olhava insistente para seu amigo, conseguindo caminhar sem tropicar nas pequenas pedras.
— Quer me contar algo? — Perguntou, mantendo o olhar para frente. Sabia que Happy queria lhe dizer algo, conhecia seu companheiro.
— Muita coisa na verdade, a começar pela Nashi...
— Não precisa. — O interrompeu..
— Não quer saber sobre Nashi? — Perguntou decepcionado. Estava ansioso para contar tudo sobre a pequena.
Natsu nem se deu ao trabalho de responder Happy, olhava seriamente para frente... o neko abaixou suas orelhinhas e manteve o olhar decepcionado. Natsu de fato não era mais o mesmo. Mas não se deixou se esmorecer, Happy era um neko insistente, folgado, intrometido e provocativo. Não deixaria seu amigo se perder naquela triste escuridão que o tomava.
— Sabe... — Puxou assunto, como que não querendo nada. Natsu parecia pouco notar que o pequeno iniciava outra conversa. — Fairy Tail está mantendo boas relações com as outras guildas oficiais, principalmente com Sabertooth.
Olhou para Natsu, que soltou ar de desinteresse olhando para o outro lado, totalmente alheio ao que o pequeno amigo falava. Diferente de muitos Natsu não conseguia, por mais que tentasse, ser estupido com Happy.. talvez fosse essa tal ligação que exceeds tem com os Dragon Slayers.
— Os magos de lá nos visitaram bastante esses últimos meses, principalmente Sting. — Soltou a esmo.
— Deve estar interessado em alguma coisa, aquele dragãozinho não passa de um invejoso aproveitador. — Disse sem remorso, mesmo não guardando qualquer sentimento negativo sobre o Dragão Branco. Apenas estava sendo sincero sobre a personalidade vaidosa e excêntrica de Sting.
Happy apenas o olhava, não concordou nem discordou. Enfim se calando e caminhando ao lado do amigo.
— Vamos nos apressar, não quero demorar mais que dois dias nessas missões.
— Aye!
[…]
Fazia quase um dia e meio que Natsu havia partido com Happy, a guilda parecia enfim se acostumar com a ideia de que o rosado e Gildarts estavam por perto. A normalidade se instaurou sobre a cidade e sobre os membros de Fairy Tail, alguns podiam até dizer que sentiam a nítida sensação dos “velhos tempos” em que tudo era alegria, diversão, lutas e conquistas.
Mas, diante daquele dia tranquilo de sol e céu azul, algumas magas olhavam desconfiadas para a mesa distante delas, que estava próxima a enorme janela do salão. Viam Lucy conversar empolgadamente com Sting e Yukino, ela sorria e parecia se divertir com o assunto.
— Será? — Questionou Bisca, olhando duvidosa para o casal. Se perguntando se realmente seria possível estar surgindo algo mais ali.
— Espero que não. — Falou Levy, apoiada no balcão sustentando seu queixo em uma das mão, olhava decepcionada para a loira. Aquela cena a incomodava, e muito... não sabia bem o porque, mas não gostava em ver Lucy com outro Dragon Slayer.
— Are Are.... Vamos deixar Lucy em paz, não tem nada demais nisso. — Disse Mira, atrás do balcão sustentando em uma das mãos uma bandeja com alguns copos e canecos sobre a mesma.
As magas suspiraram derrotadas, de nada adiantaria ficarem ali encarando Lucy. O que elas mais queriam era que a loira realmente fosse amada e respeitada por um cara bacana e amável, mas no fundo esperavam que essa cara fosse o pai da sua filha e seu eterno parceiro de time.
Gray se entretinha com Gajeel em um jogo qualquer de baralhos, parecia alheio ao que acontecia. Erza se aproximou sentando-se ao lado do mago do gelo, inclinou-se sobre a mesa quase deitando seu dorso sobre o móvel de madeira, e assim como Levy apoiou seu queixo na mão.
— Quer participar? — Convidou Gray não tirando os olhos do molho de cartas em suas mãos.
— Arigatou Gray. – Negou educadamente, olhando desinteressada para o amigo e depois para Gajeel que lhe retornou com um olhar rápido parecendo saber o que a ruiva queria.
— O que quer saber Erza-san? — Perguntou o moreno mais alto, soltando um olhar cansado para a ruiva. Sabia que não tardaria o dia em que a Titânia o colocaria contra a parede.
— Até quando o mestre pretende nos privar sobre os problemas que vem enfrentando com Natsu e Zeref? — Óbvio, tanto Erza quanto Gray já desconfiavam de tal , apenas esperavam pela hora certa para poder abordar Gajeel.
Gray sorriu de canto, ainda parecendo interessado no jogo. Mas assim como a amiga, também ansiava em iniciar tal assunto com Gajeel. Ambos sabiam que o mago do ferro era uma ferramenta importante nessa trama toda.
— Acho que se depender dele, até o último dia. — Respondeu sério, colocando as cartas sobre a mesa e olhando para Erza e Gray, a ruiva se endireitou voltando a manter uma postura mais ereta. — E eu sou bom em guardar segredos... e é por isso que Makarov sempre me escala para certos tipos de missões, ele sabe que diferente de vocês não irei me entregar ao laço da amizade e dar com a língua nos dentes. — Concluiu áspero, Erza levantou uma sobrancelha e fitou Gajeel com irritação, Gray bufou em desgosto diante da resposta.
Então, Gajeel olhou para os lados, com sua carranca de mal humorado, baixou o olhar sobre os dois a sua frente e pareceu querer usar um tom mais baixo, mesmo sendo difícil diante do timbre grosso de sua voz.
— Mas acho que já passou da hora de tomarem ciência sobre tudo. — Viu então um brilho ansioso brotar nos olhos de Erza e Gray.
Não estava orgulhoso por tal atitude, mas não aguentava mais guardar tudo aquilo que sabia... Makarov que o perdoasse. O tempo estava se esgotando e se por acaso algo acontecesse, o ideal seria ninguém ser pego de surpresa.
— Não se empolguem, não sabemos muito mais do que vocês dois. — Suspirou pesadamente, olhando mais uma vez para os lados. — Sei que sabem que esse treinamento nada mais era que desculpa para caçar Zeref. — Obteve acenos breves de ambos, indicando positivamente. — Pois bem, isso foi uma ordem do Conselho.
— O Conselho? Por quê? — Erza franziu o cenho em duvida e surpresa.
— Logo após dar fim a enorme batalha ocorrida em Crócus o Conselho iniciou sua investigação. Colheram informações, provas e interrogaram centenas de testemunhas. Não foi difícil Natsu se destacar em meio a tudo isso. Desde então o Conselho tem pegado do pé do velho.
— Como assim? — Gray estreitou os olhos tentando organizar as informações. Eles sabiam que sempre que ocorria grandes acontecimentos envolvendo uma ou mais guildas, ataques as cidades ou batalhas entre magos o Conselho enviava sua equipe para investigar o ocorrido e se necessário, punir os responsáveis, isso já não era novidade.
— Eles passaram a investigar o passado de Natsu, e descobriram algo... o mestre já vinha há tempos tentando coletar informações sobre o esquentadinho e muita coisa que o Conselho descobriu o velho já sabia... mas, parece que eles descobriram algo mais.
— O que eles descobriram? — Perguntou afoita.
Raciocinando sobre, ambos ficaram aturdidos. Natsu e seu passado era de fato uma incógnita para todos, incluindo para Erza, Gray e Lucy. Nada sabiam sobre o rosado: Seus pais? Onde nasceu? Quando nasceu? Mas.. nada sabiam sobre os outros Dragon Slayers também, na verdade até mesmo o passado de Gajeel e Wendy lhe eram um mistério. Porém, se tratando de Natsu existia outra questão: Por quê ele é tão poderoso? Diga lá né, todos haviam anotado na mente, o mago do fogo derrotara simplesmente todos os Dragões Slayers existentes, a exceto de Wendy com quem nunca enfrentou... mas caso enfrentasse sabiam o resultado. Não menosprezando a poderosa Sacerdotisa do Céu, de forma alguma, mas, ainda assim sabiam o resultado. Sem contar todos os poderosos magos que já derrubou, sempre se superando a cada batalha.
— Nem o velho sabe ao certo, se sabe não me contou. Apenas me incumbiu para cercar o Conselho e lhe passar todas a informações coletadas. Só sei que Zeref tem forte ligação com Natsu, e que o Conselho vê Natsu como uma ameaça.
— Uma ameaça? E o que o Conselho pretende fazer? — Perguntou Erza, sabendo que os velhotes do Conselho não ficariam de braços cruzados.
— Ai que tá... de alguma forma concederam um ano para Makarov dar fim em Zeref e Tartaros. Nesse meio tempo deram a palavra que não iriam interferir nos assuntos de Fairy Tail.
— Natsu e Gildarts voltaram antes do prazo, mas parece que não tiveram sucesso na missão. — Concluiu Gray, tão absorto em duvidas que mal conseguia acompanhar o dialogo.
— E não tiveram mesmo, conseguiram encontrar Tartaros, e Gildarts parece ter atrasado os planos deles, não sei ao certo. Mas só... Zeref permanece intacto.
— Mas, se veem Natsu como uma ameaça porque dar um prazo para ele eliminar Zeref e seus seguidores? Por que eles não mandaram seus exércitos atrás de Zeref então? — Ponderou Erza, parecendo de incomodar com as decisões sempre inúteis e egoístas que o Conselho insistia em tomar.
— Não sei, foi um acordo que fizeram com o mestre entre portas fechadas.
— E Natsu? É por isso que ele anda assim, tão estranho? — A ruiva se afundava mais e mais nesse mistério.
— Não exatamente, e ai que temos um problema ainda maior, Makarov desconfia que o verdadeiro poder de Natsu esteja despertando, e com isso trazendo à tona sua verdadeira personalidade.
— Como assim despertando? Verdadeira personalidade?
— O velho não me deu maiores esclarecimentos... Mas esse problema é maior que Zeref e Tartaros, pois Makarov teme... — Pareceu exitar. — Teme que Natsu abandone a Guilda ou algo do tipo.
— Nanii? Natsu jamais faria isso. — Se exaltou, que tolice seu mestre pensar em algo do tipo, já Gray não ficou tão incrédulo assim, se ficou, ao menos não demostrou.
— Tem certeza Erza-san? Colocaria sua mão no fogo vendo como ele se comportou nesses últimos meses? — Desafiou a amiga, que pareceu não se abalar, definitivamente ela se jogaria ao fogo por Natsu, nunca perderia a esperança quanto a índole de seu amigo.
— Se isso acontecer o Conselho dará fim a guilda, e faram o que bem entender com Natsu. — Gray cortou o clima tenso que se formou entre Erza e Gajeel que suspirou fadigado, aquele assunto era exaustivo.
— Tem mais, descobri recentemente que o conselho está de olho em Nashi também.
— O que?!! — Sobressaltaram-se Erza e Gray em uníssono, chamando a atenção de alguns colegas que estavam ali por perto.
— Vamos nos ater por enquanto, se acalmem. O Conselho vai esperar para ver que fim dará esse atrito entre Zeref e Natsu, nos resta por enquanto esperarmos que Natsu se imponha sobre tudo isso e que deseje em seu ínfimo proteger a filha.
— Só nos resta esperar? Foi decisão do mestre? — Perguntou decepcionada, tentando se conter para não chamar mais atenção.
— Sim, ele colocou todas suas fichas em Nashi e Lucy, espera que Natsu se aproximando de Nashi ele venha a ser como antes. — Falou, olhando de soslaio para mesa a sua esquerda, onde via Lucy conversando distraidamente com a Yukino e Sting. — E falando nisso, acho que aquilo ali é problema. Devemos nos preocupar?
Gray olhou irritado para Sting. — Devemos nos preocupar se Natsu se incomodar com isso. Ai sim será um problema.
— Não sejam dramáticos. — Repreendeu Erza, apesar de toda astúcia e sagacidade não acompanhou o raciocínio dos magos. — E Natsu não se incomodaria com tal coisa, ele não tem esse instinto territorialista que nem vocês. — Natsu poderia estar sustentando uma personalidade fria e distante, mas ainda sentia que conhecia seu amigo, sabia que ele não era ciumento.
…
— Lu-chan? — Chamou a atenção da amiga, parecendo receosa em soltar as próximas palavras.
— Sim Yukino... E já falei para me chamar sem toda essa cortesia. Afinal.. somos amigas não somos? — Destacou Lucy, olhando amorosa para amiga sentada ao seu lado, que sorriu ruborizada concordando veemente com a loira.
— Gomen Lucy... — Olhou nos olhos da amiga.. — E Natsu? Soubemos que ele voltou do treinamento.
Finalmente perguntou, estavam há algumas horas conversando, mas ainda não havia encontrado oportunidade para perguntar sobre o mago do fogo, não que estivesse afoita para saber tudo, apenas se preocupava com Lucy. Queria saber se estava tudo bem entre eles, Yukino era mais uma integrante do time NaLu, torcia para que eles ficassem juntos e dessem a Nashi uma família amorosa e unida.
Sting olhou surpreso para a colega albina, sorriu de canto e seu olhar pareceu surgir um brilho em satisfação. Ansiava em saber sobre Natsu.
Lucy sorriu por costume e suspirou exaurida, deixando seu semblante levemente cansado.
— Ele voltou há uns dois dias. Mas já saiu em missão, eu acho. — Se limitou a responder.
Yukino torceu os lábios e piscou compreensiva, não sabia muito bem o que estava acontecendo entre sua amiga e Natsu, e diante da resposta não ficaria sabendo tão cedo. Era triste tudo isso, afinal, eles tinham uma filhinha justos, mas Natsu parecia tão distante. Isso a intrigava de tal maneira, mas a maga celestial de Sabertooth era gentil e educada, por mais que fossem amigas ela não sentia-se no direito de ficar cutucando nesse assunto.
Suspirou também exaurida, era exaustivo só de pensar em tudo que sua amiga estava enfrentando.
— Lu-chan... digo.. Lucy – Sorriu. — Posso ir ver Nashi? — fugiu por completo do assunto “Natsu”.
— Claro! — Respondeu prontamente. — Você sabe onde fica o berçário né? Ela já deve ter acordado.
— Sei sim.. então.. me deem licença – Pediu a jovem moça de cabelos curtos, se levantando e seguindo para o andar de cima, deixando Sting e Lucy sozinhos.
O loiro, diferente de sua colega de guilda não se cansava quando o assunto era “Natsu”, ao contrário, a conversa; para ele, ficava sempre mais interessante. Ele olhou de relance vendo sua amiga se afastar, mas tão logo voltou seus olhos azuis escuros para Lucy.
— Também me considera um amigo?
Lucy levemente se assustou com a pergunta repentina, mas não demorou para se recompor e sorrir docilmente.
— Claro! — Respondeu sincera.
Sting piscou agradecido.
— Então acredito que posso lhe perguntar o que de fato está acontecendo entre você e Natsu. — Foi aparente a mudança de expressão na face da loira, que puxou o ar com força. — Vocês eram tão próximos, nunca vi tal parceria como de vocês dois... Sempre respeitei o poderoso Dragon Slayer de Fairy Tail e quando o conheci meu respeito só aumentou, ele dava tudo por seus companheiros e pela guilda. — Falou, olhando para os arredores do salão, afim de deixar claro que falava daquela guilda em questão. — O jeito que ele te tratava... a confiança entre vocês, sempre me admirei. Agora vocês tem uma filhinha linda... ele voltou desse tal treinamento, mas não está aqui.. do seu lado. Por quê? — Concluiu, estreitando os olhos e firmando-os sobre a loira que se encolhia a sua frente.
Lucy suspirou pesarosa, fechou os olhos parecendo estar cansada e entristecida. De certo sabia que logo mais Sting iria questionar essa ausência de Natsu, ela sabia, mas realmente esperava que ele não o fizesse.
— Não posso dizer muito Sting, pois na verdade nada sei sobre o Natsu. Só o que posso lhe dizer é que ele mudou.
— Mudou? Como assim? Ele não assumiu a Nashi?! — Deduziu precipitadamente, expressando desgosto com tal dedução.
— Não...digo sim... Ele assumiu sim. Ele apenas está um pouco distante de todos nós, tem tido muitos problemas nos últimos meses. — Não estava defendendo Natsu, jamais, mas também não queria expor toda a situação para o amigo loiro. — Não acho que voltaremos a ser como antes, mas aos poucos vamos nos entender.
— Então.. você e Natsu não são um casal?
— Nunca fomos. — Respondeu enfática não evitando demostrar o desconforto em seu olhar. — Nem mais parceiro de time. — Um gosto amargo tomou sua boca e um nó se formou em sua garganta.
— E como vão fazer com Nashi?
— Vai tentar participar da vida dela. Prometeu protege-la, mas... — Suspirou ainda mais cansada. — pouco se interessou em pega-la nos braços. — O nó se desfez e seus lábios se contraíram em dor, lágrimas grosas contornaram sua face. Mas logo tratou de seca-las com as costas das mãos, droga, não era para desabar assim na frente do amigo. — Gomem... Está um pouco difícil administrar tantas emoções no momento. — Falou sorrindo entristecida ainda passando a mão no rosto.
Sting assentiu compreensivo, como sinal que a esperaria se acalmar. Vendo a loira buscar folego ele se levantou e caminhou até o balcão, logo atraindo a atenção de Mira que se ocupava em suas tarefas, pedindo a ela um copo d'água. Voltou, sentou-se dessa vez ao lado de Lucy ponto o copo de vidro perto dela. Era um cara gentil e calmo, poderia ter sustentando uma personalidade mais arrogante e hostil tempos atrás, mas se encontrou. Ver uma jovem maga tão bonita entristecida, derramando lágrimas de sofreguidão era para ele um martilho.
— Não se preocupe. E não se cobre tanto, faz bem chorar. — Como dito ele era um cara calmo, falou com uma voz mansa e envolveu seu braço em torno da loira depositando sua mão no ombro dela, Lucy sentiu o calor do mago e sua presença forte sustentar seu corpo tremulo. Não se incomodou com o afago carinhoso mas se surpreendeu, não imaginava que Sting fosse tão calmo e sereno assim, a ponto de um simples gesto conseguir tranquilizar seus sentimentos.
Ninguém vira Lucy derramar as lagrimas, pois ela foi rápida em seca-las, mas viram quando o loiro a levou uma bebida e sentou-se ao seu lado. Murmurinhos ressoaram em alguns cantos do salão quando ele pareceu a consolar por algo, tomando liberdade em toca-la.
— Não estou gostando disso! — Exclamou Canna incomodada, olhando de soslaio para o casal de amigos.
Rogue, como sempre estava na companhia de Makarov, gostava de conversar com o velho mestre de Fairy Tail, o mesmo tinha sempre bons conselhos para lhe passar, o qual aceitava de bom grado.
Mas o moreno não tirava os olhos avermelhados e indecifráveis do irmão. Conhecia seu gêmeo e sabia o que ele estava querendo. De início achou que fosse unicamente por interesse em Natsu, seu irmão sempre fora devoto do poderoso Salamander, mas estivera equivocado... não era somente por Natsu que o Dragão Branco insistia tanto em ir até Magnólia.
— Sting desenvolveu grande estima por Lucy. — Voltou de suas preocupações ao escutar o velho mago sentado sobre a mesa, isso.. sobre a mesa, lhe falar.
Makarov assim como Canna era bom de gargalho, já estava ruborizado pelo álcool, mas sempre em atenção sobre tudo e sobre todos.
— Sim... — Calmo e controlado em demostrar qualquer tipo de emoção ele categoricamente o respondeu. — Mas Lucy tem uma relação com Natsu, acho essa atitude de meu irmão muito insolente.
Mesmo o álcool se misturando com seu sangue a ponto de fazer-lhe sentir aéreo e estupidamente feliz Makarov se entristeceu suspirando desapontado.
— Não precisa se preocupar Rogue, Natsu e Lucy partilham a guardar de uma linda princesinha e a parceria de magos de Fairy Tail, apenas isso. Se o que te aflige é imaginar que Natsu se incomode pode ficar tranquilo, Sting é uma boa pessoa e todos nós sabemos disso.
Makarov, digamos assim, não era um homem facilmente influenciado pelos clichês que a vida imponham nos relacionamentos. Ele torcia para que Lucy e Nashi salvassem Natsu, rezava para que eles voltassem a compartilhar aquela relação forte, de confiança e confidencialidade que compartilhavam, mas não tinha motivos para achar que Natsu e Lucy viriam a ser um casal. Não naquele momento...
Sting querer se aproximar de Lucy não lhe era um problema aparente. Por conhecer bem a loira sabia que ela não se envolveria tão cedo em um relacionamento. De fato, não tinha motivos para Rogue se preocupar.
— Mesmo assim me sinto na obrigação de me preocupar.
— Não se preocupe, isso é coisa de jovens... eles se entendem entre eles.. — Falou como um velho sábio, voltando a derramar aquela bebida roxa em sua boca.
Rogue olhou seco para Makarov, franzindo as sobrancelhas em desgosto.
— Como assim? Eu também sou jovem... — Resmungou, sem ser notado pelo mais velho.
…
O crepúsculo já fazia seu espetáculo la fora, dando a graça de deixar seus raios alaranjados iluminarem o salão da guilda, que começava a receber mais magos que voltavam de suas missões. Mira estava cada vez mais apurada, mas não tirava o sorriso sereno dos lábios, Bisca e Kinana a ajudavam prontamente.
Gray, Gajeel e alguns da turma se perdiam em assuntos banais na mesma mesa de sempre, a mesa pertencente a eles.. que ficava próxima ao balcão e também de uma das grandes janelas do prédio. O moreno por sua vez virava e mexia olhava para Lucy, a todo o momento queria ter certeza de que estava tudo bem.
A loira segurava Nashi nos braços, a pequena serelepe era puros sorrisos, fazendo Lucy, Yukino, Sting e Erza babarem apaixonados. Os quatros se mantinham de pé, conversando animadamente.
Lucy sentia-se mais tranquila e leve, a visita de seus amigos de Sabertooth a fez muito bem, se manteve distraída toda a tarde, não que Nashi não cumprisse muito bem essa tarefa, mas, poder conversar, desabafar e dar risada com seus namakas e ficar ali, dentro da guilda era uma das melhores coisas que se poderia fazer.
Vendo o sol se pôr, Rogue tratou de chamar seu irmão e Yukino para irem embora, mais uma vez se empolgaram na visita, até mesmo o moreno se divertia naquele lugar. Amava com toda sua vida Sabertooth, sua guilda do coração, mas precisava que admitir que Fairy Tail tinha algo diferente, algo indiscutivelmente poderoso, que trazia uma boa sensação em seu coração.
O trio junto com Lector e Frosch enfim se despediam para partir.
Mas antes de rumar para a porta de saída Sting olhou para Lucy, sorriu charmoso e falou:
— Foi muito bom as ultimas horas. Mas, seria um prazer recebe-la em Sabertooth.
Olhou para a loira que sorriu gentil para ele, e mais uma vez ele se perdeu diante dela... ah como era bonita, rosto angelical, cabelos sedosos e corpo... bom, se não se atentasse começaria a babar, mas o que mais o deixava aturdido era seu cheiro, suave e inebriante que parecia o hipnotizar. “como Natsu pode não a querer mais?” fluiu em sua mente.
Gajeel, que estava ao lado notou o olhar devorador que Sting lançava em Lucy, o grande mago, de cabelos longos e rebeldes estreitou os olhos... e pareceu se incomodar, que ardiloso se atrever a desejar logo a garota de um Dragon Slayer.
Mas Gajeel não era o único, muitos, senão todos haviam notado o nítido interesse do Dragão Branco. De todos Lucy parecia ser a única que não notava o olhar penetrante de Sting, parecia alheia a todo o charme que ele lançava... Tão romântica e sonhadora; fora um dia... Agora era uma jovem mãe e maga, não tinha tempo para se ater a tais coisas. Sua mente já era tomada por muitas preocupações.
Mas não podia negar, ela sorria envaidecida pelas palavras sempre gentis e pelo sorriso sempre charmoso e confiante que o mago lhe lançava, aquela atenção era boa, enchia seu coração e conseguia sentir-se menos diminuída diante de tudo que vinha enfrentando.
Rogue tratou de apressar o irmão, se despediram de vez atravessando o salão rumo a porta de saída. Eram Os Dragões Gêmeos de Sabertooth, eram bonitos aos olhos das moças, poderosos e influentes aos olhos dos moços... Yukino não passava despercebida também, não era comum ver mais uma Maga Celestial por ali... Então muitos olhares, mesmo que discretamente, eram lançados para o trio.
Todos atentos por mais uma vez eles estarem ali, principalmente atentos em Sting, que caminhava com com passos de um sujeito sisudo e imponente, assim como o Dragon Slayer do fogo parecia que ele exalava poder e confiança, e diferente de seu irmão que caminhava sereno há um passo atrás de si junto de Yukino e os nekos.
— Esses Dragon Slayer... Sempre roubando a cena. — Resmungou Max, enciumado, mas olhando impressionado para os magos.
— Lembrou-me Natsu... Sting parece estar tão poderoso quanto ele. — Cogitou Bickslow para seus companheiros Evergreen, Freed e Laxus, haviam chegada a pouco tempo e observavam a guilda do andar de cima, Laxus como sempre parecendo desinteressado a tudo.
…
Assim que Sting e Companhia saiu da guilda o pessoal voltou aos seus afazeres: jogar, beber, tagarelar e tudo que Fairy Tail tinha a oferecer para eles. O sol acabara de se por, tinham muitas horas ainda pela frente.
Lucy segurava sua pequena que começava a resmungar de sono, nunca viu alguém fazer tanto drama para dormir como a rosadinha, quando o sono batia e seus olhinhos puxados ficavam rasos ela começa a choramingar, fazendo bico e disposta a recusar qualquer investida da loira em distrai-la. Não adiantava nina-la, nem saltitar pra lá e pra cá, mamazinho também não, não adiantava cantar e muitos menos coloca-la no berço... a pequena ficava irritadiça e se negava a se entregar ao sono, até o ultimo minuto, era persistente e teimosa.
— Está resistindo ainda? — Perguntou amorosa, se aproximando de uma Lucy exasperada segurando o pacotinho dengoso.
— Não por muito tempo... — Falou se animando, ao ver a pequena bocejar cansada e piscar pesado. E logo não tardou para o sono vencer mais batalha.
Levy sorriu apaixonada vendo a pequena ficar entregue nos braços da loira, aninhada em seu peito confortavelmente.
— Quer que eu a leve para a Porlyusica-san? — Perguntou em tom baixo, para não despertar o sono ainda leve da bebê.
— Seria de muita ajuda. — Agradeceu, passando cuidadosamente a pequena para os braços da azulada, que já parecia estar mais habilidosa nessa arte de segurar bebes manhosos como Nashi.
— Pode deixar que a colocarei com cuidado no berço. — Avisou, se afastando com a pequena nos braços. Lucy sorriu agradecida e aliviada, admirando sua cria nos braços pequenos da amiga. Cada dia se entregava mais naquele amor profundo que tomava seu coração.
Respirou fundo voltando-se para o balcão e vendo Mira, Bisca e Kinana bastante ocupadas, ficando então disposta a ajudar as meninas nos serviços do salão. Com Nashi entregue ao solo ela tinha que se ocupar de alguma maneira.
Do outro lado do salão Gajeel que voltara a jogar com os rapazes levantou o olhar parecendo perceber algo.
— Tem algo errado! — Pressentiu, dessa vez levantando a cabeça e se concentrando. Como um bom caçador de dragões ele sentia de longe o cheiro de problemas. Teria como explicar? Não. Ele simplesmente sentia o cheiro insalubre de problemas pairando no ar.
Seu estado de alerta chamou atenção de Gray, Makarov e dos demais que estavam por perto, que de imediato passaram a se concentrar.
[ ]
— Natsu!!! — Chamou em sem tom severo de repreensão.
A porta da guilda fora aberta e da lá saiu Makarov, Gajeel, Gray e Erza. Olhavam da porta uma dupla de dragões se encarando, era palpável a tensão entre eles. Pareciam prestes a se gladiarem.
Mesmo com o chamado de seu mestre Natsu permaneceu afrontando Sting com seus olhos retraídos em raiva, com uma postura dura, não deixando de lhe fornecer uma aura que lhe impunha respeito. Estavam frente ao portão da Guilda, muito provavelmente Natsu trombara com o trio assim que eles saíram.
Porém, Sting não estava intimidado; mesmo mantendo poucos centímetros de distancia. Sabia do potencial de Natsu mas não o temia, pois conhecia seu próprio poder e não se menosprezava, mantinha-se firme perante o Dragão do fogo
Rogue estava a alguns passos longe, junto de Yukino, Frosch, Lector e Happy, todos tensos diante do clima tenso que pairou ali, sobre os dois dragões nitidamente raivosos.
— O que está acontecendo? — Perguntou Lucy, surgindo enfim atrás de Erza e Gajeel. Seus olhos tremeluziram ao ver Natsu parado no portão, frente a Sting, ambos se encarando veemente, um tentando se impor sobre o outro.
Ao ouvir a voz da loira ele lançou seu olhar repreensor sobre ela, fazendo todos seguirem seu olhar até a loira que estremeceu diante de tal, sentiu que teria feito algo errado diante do olhar que Natsu lhe enviou, mas não soube ao certo o quê.
Engoliu em seco quando o rosado voltou seu olhar para Sting; que em nenhum minuto sequer desviou os olhos do mesmo, ambos se encararam por breves segundos. Qualquer um que passasse por perto sairia correndo imediatamente, completamente intimidados pelos olhares frios e raivosos dos dois.
— Chega Natsu! — Encerrou Laxus, surgindo de alguma forma; sabe-se lá como, ao lado dos magos, preparado para intervir caso houvesse qualquer movimento brusco entre os dois. Se uma briga começasse entre aqueles dois dragões, seria difícil.. melhor, seria impossível para-los.
— Sting, melhor vocês irem. — Avisou Gray que se aproximou tão rápido quanto Laxus.
— Gomenasai!! — Pediu Rogue, antes de olhar para Sting. O obrigando apenas com aquele gesto a se afastar de Natsu ou ele se arrependeria drasticamente. O loiro notou a repreensão no olhar de seu irmão, soltou ar e enfim pareceu sair daquele transe sinistro.
— Gomem.. — Se desculpou por tradição, reverenciando levemente para os que os fitavam, se virando mas não antes de lançar um olhar desafiador para Natsu. Por fim partindo dali.
…
Depois daquela estranha situação Natsu ignorou a todos, entregou o relatório nas mão do mestre e chamou Happy, saindo dali. Nitidamente mais irritado que o comum.
Voltaram aturdidos para dentro, cada qual imerso em seus devaneios tentando entender o que havia acontecido lá fora.
“ — Ainda acha que seu amigo não é territorialista, Erza-San?!” Falou Gajeel em tom de deboche, para a ruiva que ficou sem entender direito o que viu. A mesma voltou para dentro junto de uma Lucy igualmente perdida. Tentaram todos retomarem suas atividades, já que nada; aparentemente, havia acontecido.
— Você foi rápido Laxus. — Observou Freed, quando seu amigo voltou para o andar de cima, lugar de onde ele nem notou que o mesmo havia saído.
— Ainda acha que Sting é páreo para Natsu? — Questionou Laxus, ao seu amigo de time Bickslow, que sorriu convencido.
— Ninguém é inalcançável caro Laxus... nem mesmo Natsu.
…
Gray se mantinha encostado no pilar de tijolos do portão da guilda, com as mãos nos bolsos da calça e de olhos fechados. Esperava pacientemente pela loira. Como sempre acompanharia ela e Nashi até em casa.
Aguardava lá fora, pois a loira voltara correndo para dentro com Nashi nos braços, ela havia esquecido a mantinha e o dragãozinho tão querido da pequena que chorava sentida pela falta de seus bens preciosos.
Olhou preguiçoso para o céu, que noite...
— Ainda por aqui? — Questionou, pareceria um doido a falar sozinho mas sentiu a presença dele.
Natsu encostou no outro pilar, apoiou um dos pés no mesmo e cruzou os braços, ressaltando os músculos definidos. Não estava disposto a respondê-lo, mas por algum motivo se manteve ali.
— Eu sei que estou te devendo uma. — Falou, olhando entediado para o lado contrário de onde estava Gray. O moreno não pode conter a surpresa no olhar ao ouvir Natsu falar aquilo, suspirou retomando sua tipica frieza e mago do gelo.
— Não me deve nada. Lucy merece todo meu cuidado e atenção.
Natsu não o retrucou. Mas guardava o débito, muita coisa em si se transbordava em confusão, seus sentimentos eram conturbados e uma infinita raiva tomava seu ser, mas ainda conseguia manter certos princípios, com por exemplo: Nunca dever nada a ninguém e também proteger aqueles que um dia ele considerou ser sua família. Por mais que tentasse, lutasse e resistisse um sentimento estranho o impelia a se preocupar com o bem estar de Lucy, Nashi e até mesmo dos demais membros de Fairy Tail.
— Vai acompanhar Lucy e Nashi? — O despertou de seus pensamentos.
— Não, só vim para avisar Happy para que continue na casa dela.
— Tem certeza? — O tom de ambos eram calmos, Natsu porém, sem perder aquela tipica aspereza em seu timbre.
Mais uma vez, ficou sem resposta. Suspirou se desencostando do pilar ainda mantendo as mãos no bolso.
— Com você de volta podemos revezar. Sabe disso. — Só esclareceu, não esperava que ele lhe desse algum parecer. Suspirou fadigado, Lucy estava demorando, será que Levy e Bisca a abordaram?
Se encostou novamente no pilar, tinha que admitir que ficou um pouco inquieto com Natsu ali, ele parecia calmo e controlado, lembrou da conversa mais cedo que tivera com Gajeel e Erza, suspirou mais uma vez, verdadeiro poder? Sua verdadeira personalidade?.Poderia o velho estar certo e ele agora estar ao lado de outra pessoa no mesmo corpo de seu amigo? Soltou ar mais uma vez, apoiando a cabeça na parede e fechando os olhos, não queria imergir em tais pensamentos.
— O que aconteceu entre você e Sting? Parecia que ia arrancar a cabeça dele a qualquer momento? — Perguntou calmamente, se mantendo na mesma posição.
Dessa vez quem soltou ar foi Natsu, forçando os braços cruzados.
— Só estávamos conversando. — Respondeu entre dentes.
— Só isso? — Abriu os olhos e olhou para o rosado.
— Só.
Gray arqueou uma sobrancelha em descrença, era óbvio que algum atrito havia surgindo entre os dois dragões, ele sentiu a aura pesada entre os dois quando se aproximou.
— E Nashi? — Questionou, respirando tranquilamente, há muito tempo não conversava com Natsu, aquele momento lhe trazia certa nostalgia.
— O que tem? — Limitou-se a perguntar.
— Ela é uma garota incrível. De uma chance pra conhecê-la e você irá se surpreender.
Natsu piscou fadigado, soltando o ar mais uma vez.
— Não fale como um velho. — Apenas resmungou, se desencostando do pilar e passando a caminhar, já dava por hoje, ia para casa.
Gray sorriu desdenhoso.
[…]
A hora voava quando estavam na guilda, e o ar gélido do iniciar da madrugada já caia sobre seus cabelos e face.
Gray levava Nashi desmaia em seus braços, envolvida em um cobertor felpudo, todo infantilizado em cores azul, rosa e amarelo. A loira caminhava ao seu lado, parecia imersa em seus pensamentos e Happy mais a frente entretido com as estranhezas de Plue.
— Sting está interessado em você. — A arrancou de seus pensamentos com esse anunciado surpresa.
— Gray!! Pare com essas coisas. — Ruborizou, fechando os olhos e sacudindo as mãos para que o amigo sessasse esse assunto constrangedor.
— Vai me dizer que não notou?
— Não notei porque não tem interesse nenhum. — Tentou se recompor, e manter um tom mais sério.
— Hmm.. — Resmungou descrente. — Pare de enrolar o rapaz. Isso vai dar encrenca.
— Não me venha com “Hmm” Gray Fullbuster, e Juvia? Se alguém é mestre em enrolação aqui esse alguém é você. — O repreendeu, tentando se esquivar daquela conversa.
— Não fuja do assunto. — Era ligeiro, não deixaria ela escapulir assim, jogando a brasa na sua mão.
— Não estou fugindo. — Respondeu, parecendo conseguir controlar o desconforto por falar de sua vida amorosa, — Não tem interesse, muito menos enrolação... está parecendo as meninas.
— Então talvez somente você ainda não tenha notado... Você deve ter algum cheiro que deixa os Dragon Slayer alvoroçados só pode.
— Pare Gray... que tolice. — Bufou incomodada.
— Estou falando sério, pois o Dragão Branco está interessado em você. Jura que não notou? — Olhou para a loira, não queria que ela nem tentasse mentir para ele. A mesma desviou o olhar para o chão e deixou os ombros caírem levemente.
— Talvez... mas não tenho nenhum interesse por ele. Tenho muito carinho, claro, ele é uma boa pessoa, mas não quero me envolver com ninguém. Não posso me aventurar nisso tendo uma filha pequena.
— Nashi é seu único motivo para não se envolver com Sting?
— Não... quer dizer, não sei. Não penso sobre relacionamentos há um tempo. Eu não tenho experiência em me envolver assim. — Respondeu confusa, quando o assunto era "namoro" a loira se enrolava e se constrangia facilmente, mesmo sendo mãe, tinha pouquíssima experiencia sobre o assunto.
— Mas e Natsu?
— Natsu não foi um envolvimento Gray, foi um erro. — Falou dolorida.
— Um erro que resultou nesse pacotinho aqui. — Olhou para a pequena que dormia profundamente em seus braços.
— Sim... — Sorriu apaixonada.
— Não acha que seria legal tentarem se entender, pelo bem de Nashi? Afinal, se envolveram tão bem a ponto de produzir uma criança, tenho certeza que existe sentimentos fortes nisso ai.
— Sim, existia sentimentos. — Piscou entristecida, caminhando vagarosamente ao lado do amigo. — O jeito que tudo começou, foi muito rápido.. mas tão logo descobri que sempre o amei, me perdi naquela loucura e me entregue à ele. — Suspirou derrotada. — Mas não foi assim com ele Gray. Eu era apenas uma garota inocente com quem ele podia se divertir. — Nunca havia conversado com o moreno sobre a real relação que teve com Natsu.
— Natsu pode ter vários defeitos, mas não acho que ele faria algo desse tipo.
— Mas fez. E você testemunhou, ele sequer veio ver como eu estava durante a gravidez. Tenho certeza que em algum momento eles estiveram aqui por perto. Eu sei que esses meses não foram fáceis pra ele também... mas, eu engravidei, carreguei por oito meses a filha dele dentro de mim, ele não me apoiou, não se preocupou.
Gray notou algo peculiar naquela conversa, algo que talvez não se atentara anteriormente. Nas conversas passadas Lucy sempre deixava claro seus medos, aflições e temores contra Natsu, mas agora viu que ela nutria algo muito maior por ele, Mágoa e ressentimentos.
— E o que aconteceu com esse amor?
— Hm?
— Me falou que descobriu que sempre o amou. Esse amor acabou?
Lucy olhou para frente, parecia buscar alguma resposta, abriu e fechou a boca por diversas vezes. Até enfim respondê-lo.
— Sim. — Respondeu sucinta, fazendo Gray a fitar com ar de descrente.
— Duvido... Se ele surgisse no seu apartamento você não resistiria ao charme. — Quebrou o clima pesado, não queria estender por mais tempo aquela conversa.
— Pare Gray! — Revirou os olhos.
— Confessa que adora a atenção de um dragãozinho, que eu paro. — Provocou, sorrindo travesso.
Lucy suspirou, sabia que o amigo estava tentando tira-la daquele poço profundo e escuro.
— Confesso que nunca mais confiarei nele, não cegamente, e que jamais me limitarei a tal tolice de achar que ele me ama e que podemos ser uma família.
Gray não pode rebater, muito menos brincar com aquelas palavras. Viu Lucy mergulhada na mais triste escuridão e em suas palavras soar na mais pura convicção. Eles continuaram a caminhar, agora calados, Lucy imergiu novamente em seus pensamentos e Gray não se dava a esse direito, tinha Nashi nos braços e Lucy ao seu lado, precisava leva-las em segurança para casa, aquele dia já estava sendo longo demais.
[…] Alguma horas atrás.
— Sting.. Rogue!? — Seu tom um tanto reprovador e duvidoso ressoou na rua já escura da Guilda, via o trio se distanciar junto com seus exceeds. Tão logo que abriu a boca Sting se virou, não demostrando surpresa por finalmente encontrar; ou melhor, ser encontrado por Natsu,
Ao verem Natsu e Happy logo trataram de darem meia volta e se aproximarem da dupla.
— Natsu! Finalmente... Há quanto tempo. — Rogue o saudou cortês.
— Natsu-san. Konbanwa! — O cumprimentou ruborizada pela surpresa ao vê-lo tão de repente, não deixando de notar o quão o rosado parecia mais forte e poderoso.
Natsu mantinha o olhar em Sting, mas ao ouvir as saudações desviou rapidamente para os outros dois, dando um breve aceno como resposta.
— Happy?! — Frosch se alegrou, fazendo Happy sair da tensão que sentia ao ver Natsu encarar os gêmeos.
— Frosch, Lector... hisashiburi! — Se aproximou dos coleguinhas.
— O que fazem por aqui? — Em seu profundo não se importava, mas por algum impulso teimoso dentro de si se viu obrigado a perguntar.
— Viemos visitar nossos amigos. Espero que não se incomode. — O loiro respondeu tranquilamente, esboçando um sorriso tranquilo em seus lábios.
— Porque me incomodaria, Fairy Tail e Sabertooth zelam pelas boas relações. — Respondeu sério, mantendo um olhar frio sobre Sting.
— Confesso que Nashi é a maior culpada. — Yukino falou sem jeito, fazendo Natsu a fitar para logo a ver se encolhendo diante de seu olhar.
— Sua filha é linda Natsu, você e Lucy estão de parabéns. – Elogiou Rogue. Mesmo parecendo estarem num assunto tranquilo seu corpo se mantinha tenso e em alerta diante do Dragon Slayer do Fogo. Pressentia que ele estava sendo hostil naquela abordagem.
O rosado nada disse, ficou curioso ao vê-los por ali, mesmo após Happy ter lhe dito. Mas tão logo perdeu o interesse.
Vendo o rosado lhes lançar um olhar desinteressado e sentindo um vento gélido passar por eles Rogue se interpôs.
— Bom acho que devemos ir. — Encerrou aquele vago encontro.
Yukino ansiava para que Rogue desse um fim naquela reunião, Natsu emanava poder e frieza que a deixava aturdida. Mas, por alguma razão conseguia compreender porque Lucy se entregara ao mago. Ruborizou envergonhada com tal pensamento.
— Foi um prazer poder encontra-lo Natsu-san. Espero nos vermos novamente, tenha uma boa noite! — Se despediu Rogue, representando a todos de seu time, pois Yukino permanecia encolhida atrás de si e Sting parecia em um torpor incomodo por ter se trombado com Natsu.
Voltaram a caminhar e uma brisa os atingiram, fazendo seus cabelos balançarem, o vento atingiu primeiro o trio e depois venho de fronte a Natsu. O rosado puxou o ar e estreitou os olhos, fechou o punho.
— Sting?
Vendo que o mago do fogo proferiu apenas seu nome ele se virou e travou seus passos. Rogue e Yukino deram mais um ou dois passos até pararem também.
— Porque o cheiro dela está em você? — Por quê perguntou? Não sabia.. por quê se importou? Também não sabia... Mas sentir o cheiro da loira exalar das mãos de Sting fez sua mente se inebriar e sua respiração ficar descompassada.
Rogue puxou ar e ficou em alerta, claro que havia notado o poder tenebroso que o rosado emanava.
Mas Sting sorriu prepotente.
— E por acaso se importa? — Ele nutria grande estima por Natsu, mas... se atreveu a desejar a garota do Salamander, estava pisando num terreno perigoso, como dito por Gray, agora era tarde demais para dar para trás, tinha que ser tão louco e prepotente quanto o mago a sua frente.
Natsu largou seus passos em direção a ele, calmo, sem pressa.. mas passos firmes. Parou a poucos centímetros do loiro dando para ver que o rosado era um pouco mais alto.
Sting, assim como Gray, se incomodou com aquele calor que Natsu exalava, mas não se intimidou, manteve o olhar firme nos olhos onix brilhosos do rosado.
— Não brinque comigo dragãozinho... — Soltou entre dentes.
— Sei que tem uma filha juntos, mas também sei que não existe mais nada entre vocês. Então, por que se importa? — Completou e repetiu a pergunta.
— Eu te perguntei.. Por que o cheiro dela exala das suas mãos? — Perguntou com inquisição e frieza.
— Se te incomoda tanto, pergunte a ela. — Provocou, em um tom falsamente polido.
Natsu inflou, pareceu ficar maior e emanar uma aura poderosa, vindo a intimidar qualquer um que estivesse a um raio de cem metros. Rogue, Yukino e os exceeds ficaram paralisados diante de tal.
— Sabe quem eu sou? Está mexendo com o Dragão errado!!
[...]
Saindo dos limites de Magnólia, ainda naquele noite de ventos gélido.
— Vai mesmo insistir nisso?
— Se ele realmente acha que é dono daquela loira, ele vai ter que fazer por merecer.
Fale com o autor