Fogo Inalcançável

22 22º Capítulo - Garotas gostam de romance. - Parte II


Notas iniciais
Segunda parte! Me perdoem possíveis erros e boa leitura!!!

O estranho mago estava bem ao lado do berço de Nashi, próximo a grande janela. Estava parado, observando a pequena que parecia agitada e chorosa.

— Ela é linda Natsu. — Falou despreocupado, com seu olhar sereno e sorriso gentil.

— Saia de perto dela!! — Não se surpreendeu ao ver Porlyusica e Makarov na outra extremidade do quarto ambos imóveis, Zeref simplesmente congelou o tempo para os mais velhos.

Gray e Erza surgiram atrás de Natsu, com Lucy logo no encalço. E para seu completo desespero a loira viu que de fato havia alguém no quarto com Nashi, sentiu um dor na espinha subir até sua cabeça e o coração por um momento parou de bater...

— Natsu... — Exclamou o nome do mago apavorada, como sempre fazia quando sentia medo. Erza não permitiu que ela avançasse mais, colocou seu braço em sua frente, a ruiva e Gray se mantiveram atrás de Natsu, sabiam que não seria seguro darem mais algum passo.

Zeref desviou seu olhar frio e escuro para a loira assim que a ouviu chamar por Natsu. Sorriu docemente.

— Sua filha é tão linda quanto você... Lucy. — Falou sincero, fazendo Lucy estremecer, aquele olhar frio e inexpressivo do mago era aterrorizante. A loira só conseguiu olhar para sua filha que se agitava no berço, esticando as perninhas e levantando os bracinhos... estava querendo chorar, parecia sentir que algo ruim acontecia. Olhou novamente para Zeref, que estava próximo a janela e contra a luz. Aquela silhueta?

— É você... — Falou baixinho, em tom de que acabara de descobrir algo. E de fato havia... seu pesadelo. Não era Natsu que pegava sua pequena.. Era ele. E tal constatação só serviu para a deixar em completo torpor de desespero. De alguma forma conseguiu se esquivar de Erza e passou por Gray, correria para sua filha e a pegaria, não permitiria que a tirassem dela, mas Natsu se pôs a sua frente antes que a mesma conseguisse passar por ele. Sentiu um baque ao seu chocar com as costas de Natsu, e no choque pôs as mãos no casado dele, e foi lá que se apoiou. Fechando as mãos e espremendo o tecido.

— Não deixe ele levá-la Natsu. — Clamou desesperada.

O rosado sentia Lucy tremer... Apenas a olhou por cima do ombro, seu olhar sério, altivo e imponente.

— Falei que iria protegê-la não falei... Não se preocupe. — O tom de sua voz... a lançou para um sentimento nostálgico. Por um instante lembrou-se do antigo Natsu. E por um instante ainda maior deixou de sentir medo.

Natsu então olhou para Gray, que prontamente entendeu o pedido. O moreno deu os poucos passos que precisava para pegar Lucy pela cintura e a puxar para longe de Natsu. Que assim que percebeu que ela estava longe, levemente flexionou suas pernas, olhou para Zeref como que se estivesse mirando em algo e se lançou sobre ele. Deixando para trás um rastro de fogo e um calor insuportável, apenas para Erza e Gray.

Escutaram um estrondo e um som de vidro se estilhaçando. Natsu se chocou contra Zeref e ambos voaram pela janela afora. Zeref não esperava que ele o atacasse com a filha tão perto e pouco conseguiu fazer naquele milésimo de segundo em que Natsu se lançou em sua direção.

Nashi começou a chorar, assustada pelo barulho que o ataque do pai causou, Lucy logo correu para seu encontro, pegando e a apertando com força... em alento por ter a filha nos braços. Só então começou a tentar entender o que havia acontecido ali.

— Natsu! — Chamou Erza correndo para a janela e vendo que ambos caíram intactos no jardim dos fundos. Não seria uma queda daquela que machucaria o rosado.

— Lucy, fique aqui com Nashi... — Avisou Gray, correndo para fora do quarto com Erza logo atrás.

Assim que passou pela janela Zeref conseguiu se esquivar do punho flamejante de Natsu, caíram no gramado ambos de pé, fazendo o solo em volta deles se afundar e a terra saltar para cima, os estilhaços de vidros ainda caiam sobre eles quando Natsu lançou seu ataque, não chamou por nenhuma magia, apenas soprou um incrível jato de fogo contra Zeref. O mesmo que sempre tão sereno e tranquilo conseguiu apreciar a esplêndida chama vindo em sua direção, sorriu ao ver o poder do mago, era incrível... tão poderoso que parecia quase incontrolável.. Após contemplar aquele extraordinário poder tratou de sair, surgindo no lado oposto de onde Natsu enviou o ataque.

— Não seja apressado Natsu. Só vim conhecê-la. Se quisesse sequestra-la já teria feito isso meses atrás, e vocês só notariam quando eu deixasse.

— Não me provoque... Não é essa sua magia de imobilização que vai me deter — Falou desdenhoso. — Qual seu interesse em conhecer Nashi?

— E por que não me interessaria? Ela é sua filha.

— Não chegue mais perto dela... Se me quer eu estou aqui. Mas nunca mais chegue perto de Nashi ou dessa guilda. — Ordenou, o olhar injetado em Zeref, o desafiando a contraria-lo.

Zeref sorriu.

— Estou orgulhoso de você Natsu, tem uma linda família. Mas quando eu te chamar você terá que me seguir. — Concluiu tranquilamente. — E não sou eu que ofereço perigo à sua filha. Tem olhos muito mais gananciosos sobre ela... Fique atento. — O alertou, puxando para o canto dos lábios mais um tímido sorriso, desaparecendo da vista de Natsu.

— Maldição!!! — Vociferou enfurecido, fazendo um mar de fogo surgir por debaixo de seus pés, queimando no mesmo instante alguns metros de gramas ao seu redor.

— Cadê ele? — Perguntou Erza atônita. Como assim? Levaram uns cinco segundos para chegar ali. Como poderia Zeref ter sumido assim tão rápido? Gray também ficou atordoado ao chegar e ver uma pequena destruição ao redor de Natsu, e que Zeref não mais estava ali.

— Ele sumiu. — Olhou para a dupla, que pareciam tentar compreender o que aconteceu ali. – Ele deve ter congelado o tempo para vocês. Ele faz isso quando e com quem quiser. — Voltou seu olhar para onde Zeref estava, ainda inconformado por ele ter sumido diante de seus olhos. Sem um arranhão sequer.

Lucy estava sentada na poltrona com a filha em seu colo, ainda a abraçava com força e tremia enfraquecida diante do susto. O vento entrava a vontade pelo quarto, agora sem qualquer sinal de que existia uma linda janela ali, a não ser pelo buraco na parede.

— Lucy?! — Ouviu a voz de Makarov e o olhou, com os olhos avermelhados e trêmulos.

— Zeref esteve aqui. — Logo disse, fazendo Makarov sentir as pernas vacilarem, só não entrou em maior desespero pois viu Nashi nos braços da loira.

— Você está bem? — Perguntou Porlyusica, tentando recompor os sentidos ao sair daquele estranho transe e se aproximando preocupada de onde Lucy e Nashi estavam, o som dos pequenos vidros serem esmagados pelas botas de Porlyusica ressoou pelo quarto.

— Sim. — Respondeu chorosa. Enfim deixando aquela angustia desesperadora sair de seu corpo.

— Venha, deixe-me pega-la, você não está em condições de segurar Nashi agora. — Pediu, se inclinando devagar para pegar a bebê, que continuava chorando assustada. Lucy deixou sem contestar.

Levy, Juvia e Mira entraram exasperadas.. querendo saber se estavam todos bem. Assustando ao verem o estrago na parede.

— Nashi não se machucou? — Perguntou Levy, correndo para perto de Porlyusica.

— Não.. ela está bem, só está assustada. — Respondeu a mais velha. Tentando ninar a pequena, para que ela se acalmasse.

— Cadê Natsu?? — Perguntou Makarov, saindo daquele torpor.

— Está lá no salão... Zeref desapareceu. — Avisou Mira. Que assim que respondeu o mestre seguiu para onde estava Lucy, agachando em sua frente e a olhando temerosa.

— Lucy?

A loira a olhou.

— Está tudo bem. Nashi está bem e o perigo já passou. Ok?

— O-ok. — Parecia estar em choque. Nunca sentiu tanto medo em toda sua vida.

Depois de alguns minutos Lucy conseguiu se recompor, não o suficiente para o coração bater no ritmo normal, nem para parar de tremer, mas o suficiente para manter-se de pé e andar. Desceram para o salão, Porlyusica ainda carregava Nashi, que não chorava mais, mas ainda resmungava e soluçava.

— Luxyy... — Chamou Happy voando para Lucy e se jogando em seu busto fazendo a loira o abraçar, um abraço fraco e tremulo.

— Está tudo bem Happy... Não se preocupe. — Disse carinhosa, olhando pelo salão a procura de Natsu. Os magos estavam agitados, todos procurando entender o que havia acontecido. Num momento Natsu subiu pela escada e no outro ele estava transtornado no jardim.

— O que está acontecendo Ojiisan? — Perguntou Laxus surgindo ao lado de seu avô, assim que o mesmo terminou de descer a escadaria. — E chega de segredos. — Ordenou irritado, não com seu avô. Mas irritado por não saber como proteger a guilda.

— Só vamos nos recompor que falarei com todos vocês. — Respondeu atordoado, olhando atento para cada filho no salão vendo que todos estavam bem, e por fim dando atenção para seu neto. — Chega de segredos. — Concordou com o mago do trovão.

Lucy continuava a procurar por Natsu, e finalmente avistou ele conversar com Gajeel, parecia irritado, de longe pode ver as veias de seus braços saltados.. a postura rígida... Mas não se intimidou, foi em seu encontro.

— Natsu. — O chamou, assim que se aproximou o suficiente.

O Dragon Slayer olhou para trás, logo se virando ao ver Lucy o fitar. Cruzou os braços e lançou seu olhar frio e irritadiço sobre a loira. Lucy não pode conter o nervosismo em estar diante de tal olhar. Mas, lembrou-se de minutos atrás, quando grudou nas costas dele, sentiu o seu calor e imenso poder.. veio em sua mente o olhar que ele a lançou por cima do ombro e das palavras dele: "Falei que iria protegê-la não falei. Não se preocupe." Seu coração bateu forte ao deixar tais palavras ressurgirem em sua mente. Colocou o punho sobre o peito, tentando acalmar aquele órgão pequeno e sofrido que batia dentro de si.

Fechou os olhos para se acalmar, mas ao fazer isso sua mente a arremeteu para o momento em que Natsu avançou para cima de Zeref... sobre aquele que atormentou seus sonhos por meses, e com intensa força o tirou de perto da filha deles..

— Você está bem? — A pergunta a fez voltar para o presente. E olhar aturdida para ele. Não tendo forças de responder apenas assentiu. Sentiu um remorso a fisgar por acreditar que Natsu não seria um bom pai para Nashi... Espremeu os olhos e chacoalhou levemente a cabeça, tentando dissipar tantos pensamentos que corriam soltos em sua mente, e desciam frenéticos para seu coração.

— Arigatou! — Agradeceu..

— Pelo quê? — Estreitou os olhos, tentando compreender do que Lucy se referia.

— Por proteger Nashi... — Olhou firme para os olhos puxados do mago.

— Não me agradeça Lucy... É minha obrigação. Proteger vocês duas. — Falou tranquilo, não perdendo o tom ríspido de sempre. Lucy abriu os olhos um pouco mais, “nós duas?”. — E como Nashi está? Ela está bem?

— Sim... Porlyusica está com ela. Acho que vou leva-la para casa... — Falou pensativa, por um instante se esquecendo que falava com o rosado.

— Mais uma coisa. — Falou, atraindo a atenção da loira. — Você e Nashi iram pra minha casa, não tem a mínima possibilidade de deixa-las sozinhas no seu apartamento, mesmo com Happy e Gray por perto.

Lucy arfou surpresa.. — Pra sua casa? .. Mas.. Mas e minhas coisas, as coisas de Nashi?

— Leve-as. — Falou simplesmente. — Ainda está cedo, acho que com a ajuda de Gray conseguimos deixar tudo em ordem. — Concluiu, seguindo para onde Makarov e Gildarts estavam.

A loira ficou parada no mesmo lugar, com a mão ainda sobre o peito. O coração estava em puro frenesi. Ficou tão incomodada de passar apenas algumas horas na casa do rosado, como conseguiria morar lá? Suspirou enfraquecida, um suspiro que denunciou rendição. De fato sabia que Nashi estaria infinitamente mais segura morando com o pai dela.

— Mestre? — Gildarts apontou na porta. Vendo Makarov em sua mesa.

— Entre Gildarts, queria mesmo conversar com você.

O mago ruivo entrou, fechando a porta e sentando desleixado na cadeira que ficava a frente da mesa do mestre. Arfou cansado.

— Então ele apareceu..

— Sim... Não levou Nashi porque não quis... — Falou em desalento, o olhar estava caído e sem qualquer brilho. — Jamais seremos páreos.

— Nem parece o nosso mestre falando algo desse tipo. — Se surpreendeu com a negatividade do mais velho.

— Tem muitos olhos sobre nós Gildarts. Muitos olhos... Não sei se daremos conta. Mesmo com Natsu aqui. Nosso tempo está se esgotando. Apenas estou sendo realista meu caro. Natsu o sentiu e o enfrentou porque ele permitiu. Apenas por isso.

Makarov já conhecia os poderes de Zeref, e depois de se recusar por um tempo teve que admitir para si mesmo que ninguém é páreo para aquele mago, nem mesmo Natsu.

— Tem certeza? — Não se deixou abater com as palavras do mestre.

— Como assim?

— Tem certeza que ele deixou Natsu livre da sua magia? Será que Natsu simplesmente é imune? — Levantou um sobrancelha e sorriu convencido.

— Bom... fiquei tão imerso em preocupações e frustrações que nem parei para pensar nisso. — Confessou, colocando a mão no queixo e olhando para longe, como que se tivesse compreendendo o raciocínio de Gildarts.

— O que importa agora é não perdermos a esperança. Fiquei sabendo que Natsu levou Lucy e Nashi para morar com ele. Quer notícia melhor que essa? Admito que jamais imaginei que isso aconteceria.

— Também fiquei satisfeito ao saber. E Erza me contou que nunca viu tamanha destreza e poder vindo de Natsu. Ele arrancou Zeref do lado de Nashi em uma velocidade que os olhos dela não conseguiram sequer acompanhar... — Parecia deixar de lado todo aquele temor e negatividade.

— Parece que Nashi é o ponto de equilíbrio de Natsu. — Piscou cansado, se jogando contra o encosto da cadeira, colocando os braços sobre os apoios da mesma e assumindo uma postura mais desleixada que a anterior. — Temi tanto que ele não aceitasse a filha, que a desprezasse. Fico feliz que ele já saiba o quão valioso e delicado é sua relação com aquela menininha.

— Sim... Por um momento acreditei que ele não se controlaria mais. — Respirou aliviado, olhando então para Gildarts. — Mas... e você? Tem conversado com Canna-san?

Foi a vez de Gildarts em suspirar desanimado, baixando o olhar.

— Por que puxar tal assunto mestre?

— Por que você anda bebendo além da conta, passa o dia em tabernas e arranjando confusão. — Saiu em tom de repreensão, mas ao mesmo lançou um olhar preocupado sobre o mago mais novo.

— Como o senhor sabe?

— Sempre sei por onde meus filhos andam... Sabe a angustia que sentia ao imaginar Natsu desprezando a própria filha?

— hm.. sei.

— É a mesma angustia que sinto ao ver a relação que você e Canna tem. Sei que sente que fracassou como pai e que agora nada mais pode fazer, mas sua filha ainda está aqui, não importa quantos anos ela tenha sempre será sua filha e sempre precisará de você. Pare de se acovardar e vá se entender come ela.

Gildarts piscou cansado, aquele assunto o deixava exausto. Por um instante se sentiu na pele de Natsu quando ele dava sermões e conselhos sobre a criação de sua filha. Sorriu... Uma geração transcendendo a outra.

[ ]

Naquela noite Mira estava bem apurada nos serviços, a guilda estava cheia, ainda agitada devido a visita inesperada daquele estranho mago e do perigo que Nashi passou. A albina olhou para o salão e sorriu, apesar do susto e da guilda estar um pouco mais agitada do que o normal, ela pode sentir um conforto agradável no seu peito. Natsu protegeu Nashi e isso fazia seu coração bater ainda mais contente, e era impossível não pensar em Lucy, que provavelmente já estava tentando estabelecer na casa de Natsu.

— Me pergunto se está tudo bem com Lucy!– Falou Erza, encostando-se ao balcão, cruzando os braços e observando a farra a sua frente. Mira então olhou para a amiga, que além dela, ali também estavam Gray, Juvia, Wendy e Charle.

— Também estou preocupada Erza, mas temos que deixar que eles se resolvam sozinhos. – Falou, parando de arrumar os copos nas bandejas e se aproximando de Erza, porém, do outro lado do balcão. — Terminaram a mudança?

— Sim, com a ajuda de todos conseguimos carregar tudo que era essencial para Lucy e Nashi. — Respondeu Erza satisfeita.

Assim que Lucy lhe contou apavorada de que teria que se mudar para casa de Natsu ela não pode conter o alívio, nunca ficaria tão segura do que dormindo sob o mesmo teto que o mago do fogo. Tão logo se dispôs a ajudar, chamando Gray, Juvia, Levy e Wendy.. todos ajudaram, Gray desmontou o berço, e o montou novamente na casa do rosado, levou a cômoda, e as meninas ajudaram Lucy a se organizar com a imensidão de roupas, calçados, maquiagem, perfume e badulaques que ela insistia em levar. Até mesmo Virgo colaborou.

— Ter Natsu por perto é reconfortante, mas esse retorno dele para nossas vidas com certeza não está sendo nada fácil, principalmente para Lucy-chan. – Comentou Juvia, que estava bem ao lado de Gray. Tirando Erza de seus devaneios.

— Será que Natsu voltará a fazer missões conosco? – Perguntou Wendy, sabendo que seu amigo não era mais o mesmo Natsu que ela conhecia.

— Vamos deixá-lo se estabelecer novamente, ele chegou a poucos dias e já teve que lidar com muitas coisas. – Respondeu Erza, silenciosamente torcendo para que Natsu continue no time.

Gray ouvia as conversas das meninas, mas sua mente parecia estar longe. Se segurava para não ir até Lucy, seus músculos estavam rígidos loucos para correr e ver como a loira e Nashi estavam. Seu incomodo era notado pelas amigas, que sabiam que Gray adotou essa necessidade de proteger as duas, e com o surgimento inesperado de Zeref era inevitável não se sentir inseguro em estar longe das duas.

— Gray, se quiser você pode ir ver Lucy e Nashi. Não deixe que a presença de Natsu o afaste delas. Quanto mais magos as protegendo melhor. – Falou Erza, tentando ajudar o amigo.

— Sei que elas estão mais do que seguras ao lado de Natsu. E depois do que aconteceu hoje, ele me provou que está apto a assumir minha função. É que a adrenalina de hoje ainda está correndo em minhas veias, vai ser difícil dormir sem ter plena certeza de que elas estão bem.

— Ele deveria lhe agradecer por proteger Lucy-chan e Nashi durante todo esse tempo. – Juvia ficou indignada pela falta de consideração de Natsu.

— No começo achei que fazia isso por ele. Achava que o estava ajudando ao proteger Lucy, ao acompanhar a gravidez dela. Mas nunca foi. Não espero que ele me agradeça, não fiz isso por ele. – Falou gélido. – Vou continuar protegendo e cuidando de Lucy e Nashi, sempre que elas precisarem.

— Lucy-chan é muito sortuda, em ter Natsu e Gray para protegê-la. – Comentou Wendy, achando admirável a atitude do amigo.

— Lucy-san vai acabar se tornando fraca e super-protegida diante de tanta atenção de vocês dois, isso sim! – Previu Charle, que parou de bebericar seu chá para soltar seu comentário áspero, mas logo foi repreendida por Wendy, que não gostou da indelicadeza da amiga.

Juvia se entristeceu com a declaração de Gray, ver ele tão certo e decido em suas palavras quando o assunto era “Lucy” a machucava. Mas a azulada era sensível, amiga e fiel, há muito havia decidido em não mais sentir ciúmes de Lucy. Não iria tentar mudar o pensamento de Gray, tão pouco se envolver em sua decisão de sempre estar ao lado da loira.

O anoitecer foi chegando, e os membros da guilda começaram a ir embora, Mira já estava dando a última arrumada no balcão para também poder ir. Juvia ficou algum tempo afastada dos amigos, havia dias que tinha forças e otimismo diante do seu quase ínfimo relacionamento com Gray, mas havia dias que se deixava entregar ao desanimo. Por mais que ele não fugisse tanto assim dela e que parecia trata-la com mais atenção e paciência ainda não era o suficiente.

Gray havia saído de lá assim que a conversa no balcão se encerrou e vendo que a guilda já estava quase fazia ela decidiu também ir embora, se despediu de Mira e Lisanna e saiu da guilda.

Na caminhada para Fairy Hills se arrependeu de negar em ir embora com as meninas. Apesar de ser uma maga de Fairy Tail e de ser considerada um dos quatro elementos da natureza, assim como qualquer donzela ela não gostava de caminhar sozinha na calada da noite.

Em umas das ruas que a levaria para seu dormitório, Juvia não percebeu Gray sentado no gramado do leito do rio, a maga apenas notou três rapazes barulhentos e risonhos vindo em sua direção.

Ela se retraiu e abaixou a cabeça para não chamar atenção, mas já era tarde.

— Olha o que temos aqui.... Uma linda maguinha de Fairy Tail. – Falou um dos rapazes ao ver através da fenda do vestido azul de Juvia o símbolo da guilda na coxa esquerda da jovem, ele era alto e levemente musculoso, usava uma camisa de mangas compridas, calça marrom e botas pretas por cima da calça. Tinha um cabelo amarelo e espetado, olhar profundo e frio. Os outros dois também tinham o mesmo porte físico e olhares maliciosos sobre ela.

— Nos diga seu nome lindeza. – Pediu outro rapaz se aproximando de Juvia, este de camisa regata e de cabelos escuro e comprido, deixando que Juvia notasse uma tatuagem em seu antebraço, enfim percebendo que era o símbolo de alguma guilda, provavelmente pouco conhecida, pois ela não reconheceu a marca.

Juvia não usaria sua divina magia com aqueles arruaceiros, ignorá-los seria o melhor a se fazer. Aliás, caso ela os machucassem muito, provavelmente traria problemas para a guilda, então decidiu desviar do trio e tentou seguir seu caminho, mas o terceiro rapaz, careca e com uma tatuagem no rosto a puxou.

— Onde pensa que vai? Só queremos nos divertir! – Sua voz áspera e sua mão suada agarrada no pulso de Juvia a fez sentir náuseas.

Juvia suspirou cansada, não importava se eram magos também, pela energia que sentia ela sabia que os três jamais seriam páreos para o poder dela. A maga apenas temia que qualquer atitude violenta trouxesse conflitos de relação entre Fairy Tail com a guilda daqueles três tarados.

— Não me obriguem a machuca-los. – Pediu educadamente.

— Hahahahaha... – Gargalhou convencido. – Você é bem convencida para uma mulher. – Falou o loiro de cabelo arrepiado. Que se aproximou de Juvia e tentou agarrá-la pela cintura. Mas Juvia saltou para trás, e vendo que eles não iriam a deixar em paz ela lançou um jato de água, que atingiu em cheio os três rapazes, que caíram contra o chão.

— Então você não é tão fácil quanto parece!! – Falou malicioso o mago loiro, que parecia ser o mais descontrolado dos três. Ele se levantou e ergueu um dos braços em direção a Juvia que tratou de ficar em alerta. Mas a azulada não imaginou que aquele mago possuía poderes telepáticos, Juvia sentiu seu corpo reprimido, não conseguindo movimentar os braços.

— O que pensa que esta fazendo? – Perguntou o amigo que tinha a tatuagem no rosto, ele parecia assustado e reprovou a atitude do companheiro. – Deixa pra lá cara. Vamos arranjar problemas se realmente a machucarmos.

— Essa vadia ousa em me derrubar com essa água imunda! – Falou raivoso a apertando mais forte ainda. Juvia então percebeu que provavelmente ele escondia o nível de seu poder com sua própria telepatia, talvez, para baixar a guarda do oponente ao parecer fraco.

Juvia sentiu seus ossos estalarem, e se culpou por manter a guarda baixa por apenas deduzir que eram três magos de baixo nível. Ela então deixou seu corpo se diluir, sua silhueta foi sumindo e água foi surgindo em seu lugar, fazendo os três magos ficarem surpresos.

— Cara, deixa ela ir embora, ela é da Fairy Tail, vamos embora. – Pediu o amigo de cabelo comprido. Não gostando do rumo que aquela brincadeira estava tomando.

Juvia estava em sua densidade líquida quando lançou mais uma rajada de água cortante. Atingindo o mago que a atacava e abrindo um corte em seu tórax.

Vendo o homem caído Juvia voltou ao seu corpo, mas o homem foi mais rápido do que pensou e ainda caído ele lançou uma força contra a azulada que a jogou para trás. Juvia ficou irritada, por simplesmente ser mulher e se recusar a ser tocada ela estava agora em uma batalha. Isso era constrangedor e humilhante. Estava perdendo a paciência e ficando pronta a atacar sem dó aquele maldito tarado.

Mas quando conseguiu se levantar e encarar aquele três magos seus olhos brilharam ao ver que atrás dos magos estava Gray com as mãos nos bolsos e olhando irritado para os rapazes.

— O que pensam que estão fazendo? – A voz grossa e em tom irritado fez com que os três desconhecidos se virassem. – Não dão valor em suas inúteis vidas? Como têm coragem de mexer com uma garota nossa? — Perguntou com o maxilar rígido, olhando raivoso para os três coitados.

Gray estava irritado, ver Juvia ser atacada por três magos só o vez perder o resto de paciência que lhe restava, mas mesmo assim sorriu convencido ao ver os três estranhos tremerem, o rapaz que parecia ser o mais forte até que tentou manter a pose, mas ele sabia quem era o moreno que o encarava.

— Só estávamos nos divertindo, não pretendíamos machuca-la. – Falou o loiro, tentando inutilmente não gaguejar. E achando que Gray estava desprevenido ele usou sua telepatia para segurar o corpo do moreno. – Vamos seus covardes, me ajudem!! – Gritou para os dois amigos, que estavam apavorados olhando para Gray, mas tentaram atacar, porém nem foi possível conhecer a magia deles, pois Gray se soltou facilmente do controle telepático do pobre rapaz, criando um enorme martelo de gelo que flutuou sobre os três magos e caiu sobre eles com toda força.

— Como permitiu que esses três insignificantes a derrubassem? – Perguntou irritado, olhando friamente para Juvia. A azulada sentia seu corpo um pouco dolorido, mas conseguiu voltar em sua postura, e olhou envergonhada para Gray. Decepcionada por ter lhe causado problemas.

— Eu baixei a guarda, não queria usar minha magia apenas por eles estarem mexendo comigo.

— E afinal, porque estavam mexendo com você? – Se perguntou o porquê de três magos de uma guilda pequena provocarem uma maga de Fairy Tail.

— Sou mulher Gray-Sama, homens de má índole; seja eles de guildas aliadas ou não; sempre nos provocam, nunca aceitam o “não”. – Respondeu entristecida, com as mãos entrelaçadas demonstrando nervosismo.

O moreno olhou para os três indigentes desfalecidos em sua frente, ele refletiu brevemente sobre o que Juvia lhe dissera, pareceu duvidoso. E voltou um olhar reprovador para Juvia.

— Mas nunca vi homem nenhum provocar Lucy ou Erza desse modo que te provocaram! – Falou duvidoso.

— Erza é Erza Gray-Sama, qual homem teria coragem de provocá-la? E com Lucy é diferente, todos da cidade sabem que ela tem uma filha com Natsu, e antes disso sabiam que eles sempre estavam juntos. Nenhum homem seria tolo em mexer com ela. E mesmo com a ausência de Natsu, ela tinha você ao lado dela. – Falou meiga, sorrindo gentil para o moreno. – Todos sabem que mexendo com Lucy estariam mexendo com você ou com Natsu.

Gray olhou para Juvia, desceu seu olhar, notou as curvas dela, os cabelos azulados, a face alva e delicada. Mesmo que ele não demonstrasse, era óbvio que a achava linda, algo que provavelmente outros também achariam.

— Não achei que esses tarados ousariam mexer com magas de Fairy Tail apenas no intuito de assedia-las. – Pareceu decepcionado.

— Eles sabem que somos honestas, que não usaríamos nossos poderes com alguém que não é mago ou que é mais fraco.

— Você sempre faz este caminho?

— Hai.

— E sempre vem sozinha?

— Normalmente sim, às vezes Gajeel me acompanha, principalmente quando Levy está junto, mas acho que eles devem ter saído mas cedo. – Respondia cada pergunta de seu mago, não tendo tempo para pensar do porque de tantas perguntas.

Gray olhou para os três homens novamente, e via Juvia entre eles. Era uma moça aparentemente frágil e atraente, assim como Lucy, mas diferente da loira ela não tinha alguém para lhe dar apoio ou protegê-la, percebeu enfim que Juvia era sozinha, ela não tinha um companheiro ou companheira constantemente ao seu lado.

— Vamos! Eu te acompanho. – Falou, indo em direção a Juvia e passando por ela, seguindo o caminho para o dormitório feminino.

— Gray-Sama! – Falou surpresa.

— Se quiser sair em missão comigo, Erza, Wendy e Lucy é só pedir, acredito que elas não iram se incomodar. Assim você poderá acompanhá-las na hora de ir embora, e quando não for possível me chame que eu te acompanho. – Sugestionou enquanto caminhava, tentando inutilmente não demonstrar que estava preocupado, dando passos vagarosos, permitindo que Juvia o acompanhasse.

— Hai. – Respondeu animada, seguindo seu Gray.

O casal se afastou, e se esqueceram completamente dos três coitados caídos ao chão. Caminharam em silencio até a guilda, não era um silencio incomodo. Ambos estavam perdidos em seus pensamentos, pararam quando chegaram na entrada do dormitorio. Juvia se colocou na frente de Gray e o olhou animada, logo se assustando com o olhar do moreno sobre si, ele parecia refletir sobre algo.

— Você gosta de romances? — Perguntou seriamente, com as mãos nos bolsos e olhando firme para a garota.

— Romances? … Bom, que garota não gosta? — Sorriu docemente.

— Quero te levar para jantar amanhã. Você aceita? — Confessava que nunca cogitou em fazer tal proposta, gostava de Juvia e a achava atraente, mas não tinha interesse em convida-la para sair. Mas, depois da conversa com Lucy, decidiu enfim tomar essa atitude. Se fosse para dar início a algo mais com essa menina dramática de cabelos azuis, que fosse da maneira correta.

— Meu Gray-sama está me convidando para um encontro?

— Não é um encontro... apenas te chamei para jantar. — Desviou o olhar , já se irritando com a empolgação da azulada.

Juvia saltitou não contendo a alegria e pulou nos braços do moreno, envolvendo seus delicados braços no pescoço dele. Gray foi obrigado a tirar as mãos dos bolsos e as envolver na cintura da maga. — Hai. — A resposta saiu abafada, pois ela afundava seu rosto no vão de seu pescoço. — Juvia mal pode esperar.

Notas finais
Altas tretas né non? Sting convidou Lucy para um encontro gentemm.. pirando aqui. Será que a loira vai aceitar? E como vai ser esse lance de morar na casa do rosado? hmmm... Preparei o terreno para momentos hots ( ͡° ͜ʖ ͡°) #sótôavisando Espero que tenham gostado. Me perdoem ter ficado tantos dias sem postar, mas acredito que esses dois capítulos me redimiu né ^^ Beijinhos e nos vemos em breve ^,^