Fogo Inalcançável

23 23º Capítulo - Adaptação. Início de um novo romance. - Parte I


Notas iniciais
Mores, o capítulo em si ficou com quase 12.000 palavras. Não tão grande para dividir, mas ainda sim grande para manter em um só capítulo. Entenderam? kkkkkk Essa primeira parte é um pouco maior, com bastante dialogo (ao meu ver), mas bem gostosinho para ler ^^ A parte II é menor, mas teremos momentos intensos - Vamos assim dizer - ( ͡° ͜ʖ ͡°) Boa leitura!! E quero comentários viu.. Nas duas partes ¬¬ faz favor. Beijinhos ^,^

Sentia-se um peixe fora d'água, olhava receosa por todo o quarto. Só sabia da existência daquele cômodo, pois por duas vezes já havia se aventurado em limpar a casa do rosado. Antes era usado apenas para esconder as tralhas e lixos que Natsu e Happy colecionavam, agora, depois de toda limpeza e organização era seu quarto e de Nashi. Bisca e Mira pintaram as paredes em um tom de cinza claro, e haviam duas janelas estilo medievais que se destacavam em uma delas, o piso, assim como no restante da casa é de madeira, porém Levy e Juvia passaram cera e lustraram cada centímetro dele, deixando-o com um tom mais vivo e brilhoso.

Erza arranjou uma cama de casal para a loira, grande e confortável e Gray montou o bercinho e a cômoda da pequena Nashi na parede oposta onde ficou a sua cama, ao lado da mesma estava sua penteadeira. Para o agrado da loira já havia uma estante no quarto, estava velha e empoeirada, mas depois de uma pequena restauração ficou perfeita para receber seus inúmeros romances e enfeites. Por sorte também conseguiu levar sua poltrona, ou melhor, a poltrona de Happy, que ficou bem instalada no canto da parede ao lado da estante.

— Até que ficou bom! — Falou satisfeita. Olhando para cada detalhe com as mãos na cintura. Admirada por ter conseguido fazer toda a mudança naquele dia mesmo, graças a ajuda de seus companheiros, claro.

Arfou um pouco ansiosa, deixando a expressão satisfeita se esvair por um instante. Sentou na cama percebendo naquele momento o quanto ela era confortável e alta. Mas a ansiedade e insegurança não a deixou apreciar por mais tempo aquele colchão. Olhou para os lados, estava tudo bem arrumado, aconchegante... O bercinho da filha, os fluflus, ursinhos tudo bem organizado, mas não era sua casa. Como seria de agora em diante? Ela tinha seu próprio quarto, mas teria que dividir o restante da casa com ele. Céus, como isso foi acontecer?! Na manhã daquele mesmo dia acordou em seu apartamento, seu tão amado apartamento, no qual lutou tanto para pagar cada aluguel e agora iria dormir ali. Buscou ar para ver se junto com o oxigênio encontrava forças também. Era para o bem de sua filha pensou, pela segurança dela. Por Nashi ela se submeteria a tudo. Até mesmo dividir o mesmo teto com aquele dragão desorganizado, barulhento, preguiçoso e desconhecido.

Sim, desconhecido. Natsu há muito não era o mesmo, e isso já não era novidade para ninguém. Porém ainda a assustava, sabia lhe dar com o velho Natsu, conseguia até mesmo fazê-lo a obedecer quando precisava. Conhecia suas manias, sua impulsividade. Mas esse Natsu, sério, contido em palavras e de olhar impenetrável a assustava. Não era medo que sentia, mas um temor... como que se o velho Natsu tivesse partido e um outro tomava seu lugar.

Jogou-se para trás, deixando seu corpo afundar no confortável colchão, olhava para o teto mas não o observava em si, seu olhar era perdido e confuso.

"— Que dia!!" — Pensou em um suspiro, deixando vir em sua mente a imagem daquele mago pálido de cabelos tão negros... Por algum motivo logo soube que ele é tão ou mais poderoso que Natsu, e isso a deixou apavorada. Um arrepio subiu pela espinha ao lembrar-se do risco que sua filha correu. "- Se não fosse o Natsu..." — Arfou em pavor. Não queria nem pensar no que poderia ter acontecido. Soltou o ar mais uma vez, passando a mão na testa e jogando a franga bagunçada para trás. — Será que eu, Erza e Gray daríamos conta dele? — Se indagou. Logo constatando que não. Que não dariam conta de Zeref sem Natsu ali.

Ficou por alguns minutos perdida em seus pensamentos, até escutar de longe a pequena chorar. Ela estava na sala com Happy e pelo horário já sabia bem o motivo do choro. Buscou forças para levantar seu corpo cansado daquela cama que a convidava a ficar ali, tratando de seguir para onde sua pequena estava.

Ao chegar na sala viu seu chaveirinho deitada sobre uma enorme camada de cobertores e mantas que ela estendeu no chão, frente ao sofá. A deixou ali junto de seu solzinho emborrachado, seu dragãozinho de pelúcia roxo e de Happy... O Azulado a entretinha enquanto Lucy terminava de organizar o quarto delas. Happy era muito bom em brincar com Nashi e a distrair, mas se surpreendeu ao ver a pequena já com a mamadeira na boca e Happy segurando o objeto para que o mesmo não caísse, já que Nashi ainda não tinha coordenação o suficiente para segurar a mesma.

— Oi Luxy... Nashi começou a chorar, então achei que ela estaria com fome. — Falou orgulhoso, tirando de Lucy um sorriso satisfeito. Ela havia deixado uma mamadeira pronta antes de voltar para o quarto, mas não imaginou que Happy iria se dispor a servir a pequena.

— Arigatou Happy.. Você é um ótimo ajudante. — Disse se aproximando e sentando-se ao lado dos dois, sobre os cobertores. Passou a mão delicadamente na testa de Nashi, ajeitando a franja e secando as pequenas gotinhas de suor que se juntavam ali. Nashi sugava o leite com tanto vigor que chegava a arfar em busca de ar.. Tirando da loira um olhar apaixonado.

— Você é muito comilona minha pequena.. vai com calma. — Falou amorosa. Olhou então para Happy, que se atentava em cuidar para não derrubar a mamadeira, já que ela era grande demais para suas pequenas patinhas. — E.. e Natsu? — Perguntou, sentindo um certo desconforto em ter que perguntar por ele.

— Não sei bem Luxy... Depois que você conversou com ele lá na guilda eu não o vi mais. — Respondeu alheado. Pouco notando o olhar inseguro que Lucy carregava.

Lucy suspirou, era angustiador saber que estava na casa dele e que a qualquer momento ele chegaria.

— Eu estou muito feliz por estarmos todos morando juntos. — Falou o pequeno gato, finalmente tirando os olhos de Nashi e olhando reluzente para Lucy.

— Eu também Happy. — Mentiu. Não que estive arrasada por estar morando com Natsu, mas também não estava feliz. A insegurança e a estranheza de morar em uma nova casa se incumbia de dominar seus sentimentos naquele momento, impedindo que ela sentisse qualquer outro tipo de sentimento. Um silêncio tomou o ambiente. Lucy observava Nashi. E Happy se divertia ao ver o quanto a pequena era desesperada em sugar o líquido branco.

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O céu estava azul e com poucas nuvens, alguns pássaros voavam por ele.. foi o que notou, pois estava deitado no gramado com os braços para trás da cabeça observando o céu. Procurou um lugar distante para se isolar, ou fazia isso ou perderia o controle. Foi o que sentiu. Andou sem rumo pela cidade assim que falou com Lucy e “ordenou” que ela fosse com Nashi para sua casa.

Magnólia é rodeada por pequenas montanhas, e deu graças por isso. Andou sem rumo até próximo o farol da cidade, uma torre gigante rente ao mar no cume de uma montanha. Foi lá que encontrou a oportunidade de se esconder... em volta do farol havia um gramado verde e algumas árvores a fazer sombra nessa grama, foi lá que jogou seu corpo e arfou irritado. Serrou os olhos, e os músculos de seus braços ficaram rígidos, pois no mesmo instante que descansou seu corpo lembrou-se dele.

"— Maldito!!" — Sua mente vociferou.

Nunca se sentiu tão desarmado do que naquele momento. Ao ver Zeref? Não.. Nunca teve medo de ninguém. Nunca se desarmou diante de ninguém. Foi ela... ela agarrada em sua jaqueta, tremendo. Lucy sempre teve esse efeito sobre ele, foi tolo em acreditar que não mais se abalaria ao ouvir a voz suplente dela. Agora, além do dever instintivo que corroía dentro de si em protegê-la tinha mais alguém, mais uma pessoinha pequena, chorona e manhosa, com cabelos na mesma cor do seu e rosto tão angelical quanto da maga celestial. Arfou ainda mais irritado, tirando os olhos do céu sobre si e olhando para um canto qualquer.

O coração batia forte e raivoso, algo o perturbava. Algo dizia que ele não pertencia aquele lugar, que a vida dele era outra... Sentia seu poder tão forte e intenso dentro de si que parecia que iria o rasgar a qualquer momento. Um instinto predador e demoníaco tomava seus pensamentos na maior parte do dia, mas bastava lembrar da sua herdeira que tudo ia ao chão, o fazendo sentir-se fraco e frustrado. Agora teria que lhe dar com elas, dentro de sua casa... Nem poderia evitar de ficar por perto, pois fora justamente esse o motivo de manda-las para lá, para ficar o mais perto possível e protegê-las.

Pensando nisso, quando foi que passou na sua cabeça essa loucura de manda-las para sua casa? Quando refletiu sobre isso? … Pois quando viu apenas havia falado, quando deu por si Lucy já o fitava assustada com a ideia de dividirem o mesmo teto.

Respirou fundo, mesmo divagando em seus pensamentos conturbados sentiu o cheiro de outro Dragon Slayer se aproximar. Sabendo quem era nem se deu ao trabalho de desviar seu olhar para ele, que chegou logo sentando no gramado recostando as largas costas na árvore que estava ali a lhes fazer sombra.

— O que quer? — O indagou, em tom ríspido e entediado.

— Não aceita nem mesmo a companhia de outro dragão? — Fingiu magoa, fazendo Natsu revirar os olhos.

Gajeel também sempre dava suas escapadinhas quando podia, e devido a isso já conhecia muito bem os melhores lugares para isso. Não se surpreendeu ao ver Natsu em um dos lugares que ele mais gosta de ficar.

— Por que não vai ficar com Levy ou qualquer outro? — Estava incomodado com a presença inesperada.

— Estão todos ajudando a loirinha com a mudança. — Respondeu desinteressado, arrancando do gramado um caulinho verde e cumprido e o colocando na boca, se acomodou mais e fechou os olhos, não seria Natsu que o faria sair dali. — Sai antes que me colocassem para trabalhar. — Abriu um dos olhos e olhou de soslaio para o rosado, que permanecia na mesma posição. — O que vai fazer?

— Com o quê?

— Colocar as duas no mesmo teto não é o suficiente, você sabe disso.

— E o que você sabe?!!

— Que passou da hora de ficarmos só esperando.

Pode não parecer, mas era uma conversa amigável, se ignorando o tom ríspido e as respostas grosseiras de ambos.

— O velho não me deixa fazer o que quero. Quer que fique aqui as protegendo. — Falou frustrado.

— Ele tem medo... Até mesmo você não será páreo contra o Conselho, Zeref e Tartaros.

— Não me subestime... Não é atoa que todos eles estão no meu pé. — Falou em meio sorriso, um sorriso cínico e desdenhoso.

Gajeel voltou seu olhar para o horizonte, o sol estava a se por e o céu começava a ficar naquele tom alaranjado que ele tanto gostava, mas que jamais admitiria a alguém.

— E como vai ser morando no mesmo teto que a loirinha.. hem cabeça de fósfaro?! — Perguntou prepotente e malicioso, só queria atazanar o esquentadinho.

— Tshi... Não enche. — Apenas resmungou, incrivelmente ignorando a provocação e parecendo pensar como de fato seria de agora em diante.

— Vai me dizer que não rola mais nada entre vocês? — No fundo queria saber qual era o lance e o que passava na cabeça daquele rosado. Gajeel acompanhou de perto todo o sofrimento da loira, o quão ela ficou frágil e abalada com a distancia dele nos primeiros meses e o quanto ela lutou para ter Nashi nos braços. Poderia ser um brutamontes ignorante e arrogante, mas ele se importava com seus amigos, e Lucy era uma em especial. Talvez por ela ser a parceira de um Dragon Slayer, e ele sendo um sabia o quanto isso era importante para um caçador de dragões.

— Não. — Respondeu sério e convicto, sem vacilar nem oscilar o olhar, que estava novamente direcionado para o céu.

Gajeel sorriu de canto, desacreditando da resposta.

— Bom... isso dá passagem livre para outros então...

Natsu não entendeu bem o que o moreno queria dizer com aquilo e no fundo nem queria entender, não estava interessado naquele assunto. Mas algo o fez perguntar.

— Vai me dizer que você...

— Eu não.. — O interrompeu antes que Natsu concluísse que ele que estava interessado. Sorriu de canto, imediatamente lembrando-se que ele já tem a sua companheira. Uma companheira astuta e baixinha. — Mas todos sabemos que tem um dragão a rondando há um tempo. Já que não tem mais nada entre vocês... então não tem porque se preocupar né. — Sorriu enviesado.

Natsu nada disse, apenas tomou sua feição inexpressiva de sempre e continuou a fitar o céu, agora pouco se importando com a presença de Gajeel.

O céu já estava escuro e tomado por estrelas quando decidiu voltar para casa. Gajeel o acompanhou, ambos com postura rígida em arrogância e poder. Fizeram todo o caminho calados, mas ainda sim um fazendo companhia para o outro. Dado certo ponto Gajeel seguiu para a guilda e Natsu rumou para sua casa.

Subindo a trilha da montanha, onde sua casa se localizava. Natsu se perdia em seus devaneios. Tinha tantas coisas para resolver, tantos problemas brotando em suas mãos. Olhou para o fim da trilha e viu sua casa, com as Luzes acessas e a janela da sala aberta. Lá estavam dois dos seus maiores problemas.

Quando a porta foi aberta, então a atenção de todos. Até de Nashi. Se voltou para a entrada da casa... Surgiu por ali o rosado. Ele viu os três sentados num amontoados de panos em frente ao sofá, Nashi tentava colocar na boca o pobre dragãozinho de pelúcia e Happy tentava em vão que isso não acontecesse. Lucy o fitou um pouco sem jeito. Suspirou incomodado, agora seria sempre assim.

— Natsuuu.. — Cumprimentou Happy animado, porém não saindo de perto de Nashi.

O mesmo apenas acenou brevemente, mantendo o feição séria. Fechou a porta e caminhou até ele, tão logo caindo despreocupadamente no sofá, gerando um pequeno vento fazendo o cabelo de Lucy balançar. De fato estava exausto e o que mais queria era dormir, desligar sua mente e não pensar em mais nada... não sentir nada.

— Bo-bom... está na hora de colocar a Nashi para dormir. — Falou, tentando respirar fundo, se apoiando com os joelhos para poder pegar a pequena, e assim que o fez se levantou de vez. — Você vem Happy?

— Ayee.. — Respondeu animado, tratando de seguir Lucy. Já estava tão acostumado a ficar do lado delas que não pensou duas vezes em segui-las. — Konbanwa Natsuu!! — O mesmo os olhou de soslaio vendo os três se afastarem para os fundos da casa, onde ficava o quarto. Suspirou cansado. Até que não foi tão difícil encontrar um pouco de sossego para dormir.

— Natsu... Natsuu.. — A voz doce ressoava em sua mente, aos poucos o fazendo despertar. Abriu os olhos e viu na sua frente a loira, com seus grandes olhos castanhos fincados sobre si.

— Que foi? — Perguntou um tanto que impaciente. Céus... estava tão cansado. Por que ela o acordava?!

— Preciso conversar com você.

— Hm... — Resmungou sonolento, colocando o ante-braço sobre os olhos, parecendo pouco disposto em ao menos olhar para ela.

— Sei que está cansado. Mas é importante. — Ela insistiu.

Natsu puxou ar, tirou o braço de cima dos olhos e fitou a loira, que mantinha uma expressão preocupada. Sentou-se no sofá, estralando o pescoço e esticando os braços fortes a fim de despertar seus músculos que estavam tão relaxados.

— Pronto. Sou todo ouvidos. — Disse em desdem. Mas Lucy o ignorou, sentou-se na outra extremidade do sofá voltando seu corpo para a direção do rosado. Não foi fácil tomar a decisão de conversar com ele naquele exato momento. Passou quase duas horas tentando tomar coragem, oscilando na certeza de ir e falar e na de ficar em seu novo quarto. Mas só de lembrar da visita de Zeref ela tinha plena certeza que deveria falar com Natsu o quanto antes. Antes que algo mais grave acontecesse.

Depois de muito ensaiar, das várias vezes que pôs a mão na maçaneta e desistiu, depois de muito observar sua pequena dormir profundamente em seu berço alheia com a mudança de lar... e vendo Happy desmaiado na fiel poltrona florida, sabia que não teria momento mais propício que esse. Depois de muito relutar e lutar ela finalmente saiu do quarto, os pés descalços a levaram até o sofá onde ele estava. Notou então que usava sua camisola rosa, curta e inapropriada, mas não voltaria para trás. Respirou fundo e desconcertada ao vê-lo dormir tão profundamente, estava jogado no sofá, somente de calça. Completamente apagado. “-Parece cansado” Foi o que pensou ao observar a face dele, e seu tórax subir e descer calmamente conforme sua respiração. Indagou a si própria se não deveria deixar para conversar no amanhecer, mas sabia que seria ainda mais difícil conversar com Natsu tendo Nashi e Happy acordados. Chegou a se inclinar e esticar o braço, iria tocar no ombro dele, seria mais fácil desperta-lo assim, mas no meio do caminho sua mão travou. Olhou tremula. Melhor Não... foi quando o chamou duas vezes.

— Vai desembuchar ou não? Estou cansado. — Falou áspero, se inclinando para frente e apoiando os braços em cada joelho, olhando para a loira. A fazendo despertar de seus devaneios e o fitar com mais atenção. Quando foi que viu Natsu tão cansado? Nunca... Nunca o viu de fato cansado. Era dorminhoco, caia no sono com facilidade, mas devido a sua infinita despreocupação com o mundo. Não por cansaço. Era estranho o ver assim.

— Você está bem? — Quando viu já havia perguntado, se arrependendo de imediato por isso.

Natsu estava de fato se sentindo cansado, suprimir tanto poder o dia inteiro, aturar Gildarts, Makarov.. se preocupar com ela e com Nashi, tudo isso o estava deixando exausto.

— O que quer falar Lucy? — A respondeu com uma pergunta. Lucy piscou aturdida, respirou fundo. Claro que ele não a responderia.

— Sobre Minerva. — Disse incerta. Ao ouvir tal nome Natsu a fitou com mais intensidade.

— O que tem?

— O que você sabe sobre ela? …

— Pouco. Agora é um dos demônios de Zeref. Um pião descartável que eles usam para serviços banais. — Respondeu em descaso, não deixando de olhar para Lucy, que lutava para não desviar seu olhar do dele. Não queria demonstrar o quanto estava desconfortável naquele momento.

— O que está acontecendo? — Perguntou calmamente. Seu olhar, ainda preso no dele. — Quero saber de tudo. — Disse convicta.

— Do que está falando?

— Não tenta me enrolar. Sei que Nashi herdou seu poder, sei que ela é a segunda geração de um Dragon Slayer. Mas ela é minha filha também. — O olhar tornou-se mais firme, deixando Natsu mais atento no que ela lhe falava. — Eu sempre soube que não seria fácil ter uma filha sua. Desde a descoberta da gravidez o mestre me colocou numa bolha e obrigou a todos a me proteger. Isso tem que mudar Natsu. Eu preciso saber contra quem estou lutando.

— Por que perguntou de Minerva? — Pareceu ignorar tudo que Lucy falou. Mas Lucy não estava disposta a lhe responder, ela o encarou com mais afinco e fechou sua boca a deixando numa linha tênue em seriedade. Nem cogitou a ideia de falar mais nada, até ele lhe responder. A manobra deu certo, pois viu ele suspirar em derrota, piscando pausadamente na inútil tentativa de encontrar um pouco de paciência.

— É tudo que você imagina Lucy. Todos que conhecemos, os mais perigosos estão atrás de mim. E com Nashi sendo diretamente ligada a mim, ela também é um alvo. É isso.

— Todos quem? Além de Zeref.

— Tartaros... e o Conselho.

— O Conselho? Por que? — Tartaros não lhe era novidade, mas o Conselho? Por que cargas d'água o conselho?

— O que isso importa?!

— Importa... — Disse irritada, com seu olhar injetado no dele.

Natsu se demostrou desconfortável, continuava apoiando os braços nos joelhos, aproveitou a posição para olhar paro chão. Já estava cansado, e ter que lhe dar com o cheiro da loira o estava deixando atordoado. Respirou fundo.

— Só sei que parece que a qualquer momento eu vou perder o controle. — Falou confuso, baixando o tom de voz como que se aquilo que falava fosse um segredo. — O Conselho, Tartaros e Zeref sabem mais sobre mim do que eu mesmo. — Lucy prestava atenção em cada palavra, e estreitou os olhos em aflição. “Perder o controle?” Tentou entender.

— E você acha que Zeref tem algo haver com isso que sente? — Deduziu.

— Talvez...

— Eu encontrei... ou melhor, Minerva me encontrou em Hargeon. — Viu Natsu levantar o rosto e a olhar surpreso, não perdendo o olhar feroz, parecendo enfim se libertar daquele cansaço intenso que sentia.

— Por que não me falou? — Pareceu ficar irritado.

— Não tive como.. olha como foi desde que voltei da missão. Mal conversamos. — Respondeu também irritada.

— Não importa Lucy. Maldição.... Deveria ter me contado! — Se levantou, passando uma das mãos nos cabelos rebeldes. Lucy não queria ficar por baixo daquele olhar feroz e arrogante então tão logo se levantou também. Respirou fundo, Natsu ficou nitidamente irritado, escutava ele esbravejar algumas palavras de baixo calão, andava de um lado para o outro e ela pode ver que os músculos de seus braços ficaram mais rígidos. Se preparou para receber a enxurrada de palavras reprovatórias e prepotentes que ele viria dizer. Quando o mesmo voltou seu olhar para ela. — Ela te fez alguma coisa? Te machucou? — Pareceu conseguir se recompor. Surpreendendo a loira.

— N-não... Apenas ameaçou Fairy Tail e falou de você. Falou que você não será capaz de nos proteger quando a hora chegasse... Agora sei que ela não estava blefando. Eles estão realmente planejando um ataque né. — Seu olhar transbordou aflição. — Por que você está envolvido nisso tudo Natsu?

— Isso não importa no momento Lucy. Vou proteger você e Nashi... Makarov não me permitiu sair a procura de respostas. — Falou se sentando novamente. Jogando as costas no encosto do sofá. — Não sei muito mais que você. — Pareceu sincero.

Lucy tornou a sentar-se também, não tirando os olhos de Natsu, que parecia evitar olhar para ela.

— E esse treinamento de um ano? Por que foram atrás de Zeref assim e por que voltaram antes do tempo? — Natsu arfou, não seria tão fácil saciar as dúvidas daquela loira.

— Lembra que falei que o Conselho também está atrás de mim? — A viu assentir. — Ou dou um jeito em Zeref e em Tartaros ou o Conselho vai intervir.

— Intervir? No quê?

— Eles sabem de algo que nós não sabemos. Só sei que eles me veem como um inimigo.

— Por quê? — Perguntou indignada. — Você já salvou a fuça deles inúmeras vezes.

— Te falei.. eles sabem de algo mais.

— Natsu...

— Vai dormir Lucy. — A interrompeu. — Outra hora posso te explicar melhor. — Falou fechando os olhos em cansaço.

Lucy Torceu o bico em desgosto, sabia que não conseguiria tirar mais nada dele. Mas não iria insistir, viu que não estava tão difícil assim conversar com Natsu, deixaria então para tirar mais informações dele em outro momento.

— Hai.. — Falou frustrada, se levantando. — Konbanwa. — Disse por educação, seguindo para seu quarto.

— Está treinando? — Perguntou em tom de desinteresse, abrindo os olhos e a fitando. Vendo a loira se virar e o olhar surpresa diante de uma pergunta inesperada.

— Ainda não tive tempo. — Respondeu desconcertada.

— É bom arranjar. Se está tão preocupada com Nashi precisa estar preparada para defendê-la.

Lucy arfou, por mais que a irritasse ouvir tal coisa sabia que ele estava com a razão. Seu corpo parecia estar em forma, mas sabia que sua resistência física e força estavam comprometidos.

— Vou pedir para Erza e Gray me ajudarem.

— Não precisa. A partir de amanhã irei treinar com você.

Os olhos de Lucy levemente se arregalaram.

— Nanii? — Perguntou incrédula. Não bastasse morar na mesma casa, agora teria que treinar com ele.

— Foi o que ouviu. — Respondeu simplório, voltando a fechar os olhos. Deixando claro que a conversa havia se encerrado. Lucy nada pode fazer senão suspirar derrotada e voltar para seu quarto.

Vendo que Lucy saiu da sala Natsu logo voltou a jogar seu corpo sobre o sofá e repousar a cabeça no braço do mesmo. Fechou os olhos e fungou, finalmente... Logo escutou um choro manhoso, manhoso e insistente, franziu o cenho ainda tentando não se despertar, mas Nashi não parava de chorar. Como ele iria dormir assim?! Abriu os olhos e se surpreendeu a ver que já havia amanhecido. “Mas já?”. O sol tomava toda a sala e iluminava o ambiente. Viu Lucy perto da mesa com Nashi em um dos braços e agitando a mamadeira na outra mão. Estava com os cabelos longos e dourados bagunçados, vestia um roupão curto que cobria a camisola ainda mais curta.

— Ah.. que bom que você acordou!! Tome.. — Falou exasperada.

— Como não acordar com essa barulheira toda.. — Falou rabugento, sentando no sofá e novamente estralando o pescoço.

— Vai se acostumando... — Pouco se incomodou com o mal humor do rosado, estava ocupada demais para isso. Se aproximou apressada do sofá e entregou o pacotinho chorão para Natsu, que ainda sentado e confuso a pegou. — Happy precisou ir na guilda, então me ajude. — Disse dando agora a mamadeira para ele.

— Como? Eu nem acordei direito ainda.

— Eu também não. — Falou irônica, esticando os braços e lhe lançando um olhar de sobrancelhas arqueadas, como num intuito de mostrar que ainda estava de pijama e descabelada. — Dê mama para ela enquanto preparo o banho... — Falou saindo da sala rumo ao quarto.

Natsu ficou onde estava, com Nashi chorosa e a mamadeira na outra mão. Olhou para a pequena, que ficou sentada em sua perna e apoiada em seu ante-braço, na verdade era mais manha do que um choro em si, ela espremia os olhinhos puxados e colocava a mãozinha na boca, resmungava e fungava cansada, hora e outra agitando as perninhas gorduchas. Sorriu involuntário ao observa-la, era um sorriso manso quase imperceptível, mas ainda sim sincero. Nashi tinha poder de deixa-lo aquecido, era um calor diferente do dele, mais intenso e aconchegante. Parecia viciante. O mal humor e irritação por ter seu sono perturbado passou, mas ele nem notou, pois estava concentrado demais em sua pequena.

— Tome.. — Falou calmo, levando a mamadeira para a boquinha dela, que ainda fungando aceitou de bom grado, logo se acalmando e tratando de sugar o leitinho gostoso que sua mamãe havia preparado.

[…]

Custou, mas Lucy conseguiu colocar tudo em ordem e cuidar de Nashi, Natsu a ajudou em alguns momentos como dar-lhe de mama e a entreter enquanto ela tomava seu banho. Saíram para guilda juntos, Natsu sempre a alguns passos atrás, sério e calado. Mas até que fora menos assustador do que ela imaginou.

Ao chegar na guilda seguiu para o lugar de sempre, para o balcão, Nashi foi logo para os braços de Bisca, a pequena se animou ao ver Asuka que correu para pegar seus brinquedos e compartilhar com a pequena, mesmo com a grande diferença de idades elas se davam bem, Asuka era carinhosa e tinha jeito em lhe dar com as limitações de Nashi.

— Assim fico tentada em ter mais um bebê. — Falou Bisca cheirando a cabecinha de Nashi e completamente apaixonada em ver como sua filha ficava animada em brincar com a pequena, não evitando de imaginar como seria se tivesse mais um filhinho.

— Are Are... não sei porque não teve ainda. Se dependesse de Alzack vocês já teriam mais uns dois. — Falou travessa, se aproximando do outro lado do balcão.

— Nem me fale Mira, mas ser mãe e uma maga não é fácil. — Choramingou, deixando Asuka entregar para Nashi um brinquedinho.

Mira sorriu, olhando então para Lucy.

— E como estão as coisas com Natsu? — Perguntou cuidadosa, fazendo Bisca olhar interessada para Lucy.

— Estão indo... Vamos começar a treinar hoje. — Respondeu desanimada.

— Como? Você e Natsu? — Bisca perguntou quase que estérica.

— Sim... Ele vai me queimar viva. — Choramingou derrotada.

— Não se desespere Lucy, afinal é uma boa notícia Natsu estar interessado em te treinar. — Mira se animou com a notícia, de uma forma ou de outra os dois estavam se entendendo.

— Não sei pra quem essa notícia é boa. — Continuou seu drama, Lucy sempre fora chorona quando o assunto era enfrentar grandes desafios e se expor a riscos.

Mira tentaria confortar Lucy, porém Levy surgiu saltitante ao lado da loira, envolvendo seus braços no braço dela.

— Já ficou sabendo da novidade? — Perguntou em seu tom de animação e parecendo conter algum segredo no que viria a dizer. Sentou-se ao lado de Lucy.

— Não.. o que?

— Gray chamou Juvia para um encontro.

— O que??!! — Mira, Bisca e Lucy perguntaram em uníssono.

— Sério.... ela ficou tão extasiada que não dormiu a noite inteira e consequentemente não nos deixou dormir também. — Estava tão feliz pela amiga que não tirava o sorriso do rosto.

— Que boa notícia! Juvia deve estar radiante. — Mira colocou as mãos na face, tentando conter a alegria.

— Sim, o encontro será hoje a noite, mas ela já está se arrumando. Aiiin Juvia é uma garota de sorte. — Falou sonhadora, sentindo uma leve fisgada de inveja da azulada.

— Sim... Ela é mesmo — Concordaram Lucy e Mira, tomando a mesma expressão sonhadora de Levy.

— Oras... no que vocês estão pensando?! — Bisca não foi capaz de compreender suas amigas.

— Are are Bisca... você também é uma das poucas magas de sorte nessa guilda. Não a culpo de não compreender o que estamos sentindo agora. — Mira era discreta quanto aos seus sentimentos, mas assim como as outras meninas ela também idealizava um romance perfeito em sua cabecinha albina.

— Receber um convite para um jantar é algo comum para você. Alzack sempre foi carinhoso e romântico, nunca escondeu seus sentimentos. Vocês vivem uma linda história de amor. Tanto que vocês já tem uma filhinha juntos. — Completou Levy. Fazendo Lucy lembrar que ela também havia recebido um convite para um encontro... Céus, com tudo que aconteceu acabou por esquecer sobre a conversa com Sting. E pudera, em menos de vinte e quatro horas sua filha quase fora sequestrada, e agora moravam com Natsu. Respirou fundo, não contaria sobre o convite proposto por Sting. Não enquanto ela não tivesse plena certeza de sua decisão.

— Hmm.. mas e a Lucy? Ela também já é mamãe. — Falou Bisca, tirando Lucy de seus devaneios.

— Já tenho uma filha, mas nunca tive a grande sorte de Juvia. O que aconteceu entre Natsu e eu não foi bem encontros românticos. — Falou, sentindo um amargo incomodo tomar sua boca.

— Mas você ficou com o cara que você sempre gostou. — Bisca falou sisuda, levemente incomodada com a inocência de suas amiga. — Acho que vocês estão idealizando demais o Romance. Nem todo encontro romântico é perfeito ou nos leva para uma relação com um “final feliz” e nem todos os momentos inconsequentes e carnais; vamos assim dizer, representa falta de romantismo e sentimento. — Bisca era nova, porém construiu um bom relacionamento Alzack, e observando as amigas ela sabia bem sobre o que falava.

Lucy, Mira e Levy começaram a divagar com a observação de Bisca, cada qual se perdendo em seus próprios pensamentos.

— Do que estão falando? — A voz grossa e em tom tedioso fez as magas sobressaltarem as tirando daquele momento de “papo feminino”. Gray olhou desconfiado para elas, mas pareceu não ter escutado o assunto.

Lucy agradeceu mentalmente por seu amigo ter aparecido. O assunto com as amigas já estava tomando rumo para algo muito incomodo para ela.

— Venha... precisamos conversar. — Falou Lucy animada, não deixando Gray sequer sentar-se um pouco, o agarrando pelo braço e o puxando para o jardim. — Meninas.. fiquem de olho no meu chaveirinho.. Onegai. — Pediu, antes de sumir porta a fora com o moreno.

Bisca sorriu, Lucy queria realmente falar com Gray, mas ela sabia que a loira também aproveitava a deixar para fugir do assunto.

— Mas e você Levy. Gajeel-san ainda não se declarou? — Perguntou Mira, lançando uma piscadela travessa para a baixinha.

— Miiiira-chan.. Pare Onegai.. — Se espremeu em vergonha, fechando os olhos e tentando esconder o rubor nas bochechas. Fazendo Mira e Bisca sorrirem animadas com a reação exasperada da maga.

— Da onde surgiu tanta animação? — Perguntou aturdido com o comportamento enérgico da loira, que o arrastou até uma mesa próxima da piscina, era redonda com um sombreiro fixado no centro.

— Me conta tudo!! — Ordenou, pondo a se sentar em uma das cadeiras .

Gray sentou na cadeira ao lado, lançando um pequeno sorriso charmoso. Sabia que não demoraria para as garotas da guilda, principalmente Lucy ficarem sabendo sobre o convite. Mas não imaginou que seria tão rápido assim, logo nas primeiras horas do dia.

— Não faça esse sorriso para Juvia, ou ela irá te atacar. — Falou travessa. Ahh se Gray soubesse como aquele sorriso desarmava as garotas.

— Do que está falando?

— Nandemonai... Apenas me conta tudo. Por que convidou Juvia tão de repente para um encontro? — Seus olhos brilhavam animados em direção ao moreno. Lucy estava empolgada e disposta a ouvir cada detalhe.

— Juvia é uma garota legal. — Se limitou a responder.

— Só por isso? — O questionou. — Admita, você gosta dela. — Sorriu ao ver o desconforto estampado no rosto do amigo.

Gray olhou para a amiga, soltou um longo suspiro.

— Acho que está na hora de encontrar alguém bacana. E Juvia parece ser uma boa opção.

— Juvia não é uma opção Gray. Ela é a garota certa para você. — Falou sabiamente, adorando estar na posição de aconselhadora amorosa.

— Não seja exagerada Lucy. — Revirou os olhos , não deixando de achar graça da atitude da amiga.

— Mas estou sendo franca. Vocês foram feitos um para o outro. — Disse mais séria.

— Hm... E que papo era aquele que “vocês idealizam demais o romance”? — Perguntou, mostrando que sim, havia escutado a conversa delas, tirando de Lucy um olhar surpreso.

— Parece que Bisca acredita que nem todos os casais necessariamente precisam seguir o protocolo. Sabe... Encontros românticos para se conhecerem melhor, conversas casuais, buquês de flores, passeios na praia durante um entardecer... — Pareceu flutuar ao pensar nesses momentos. — Mas eu não compartilho dessa opinião. Acho que todos devemos nos conhecer muito bem antes de dar qualquer passo a mais na relação. Veja eu e Natsu por exemplo.

— Passo a mais na relação?

— Sim. Dar o primeiro beijo, terem a primeira noite juntos, são coisas muito importante para o casal. Tem que acontecer no momento certo. — Estava certa no que falava, por experiência própria. — Então, a trate com atenção, sorria para ela e deixe ela falar o que quiser, não tenha pressa. Você está começando do jeito certo Gray, estou muito orgulhosa de você.

— Ok... — Aceitou os conselhos da amiga. Olhou sereno para a face da loira. — E o seu convite? Já se decidiu? — Perguntou, levantando uma sobrancelha ao indaga-la.

O sorriso doce e o olhar gentil da loira deu lugar para uma feição duvidosa. Demostrando através do seu silêncio que ela pensava seriamente no assunto. Gray então tratou de lhe fazer mais um pergunta.

— Já pensou o que Sting pode imaginar quando saber que você está morando com Natsu? — Viu Lucy engolir em seco, parecendo não ter pensado sobre isso até aquele momento.

— Você está fazendo isso de propósito Gray. — Falou derrotada, colocando os braços sobre a mesa e escondendo seu rosto sobre eles.

Gray cruzou os braços. Não queria se meter na vida da amiga, mas sentia-se na obrigação de abrir os olhos dela para todas as variáveis situações que ela estava propensa a enfrentar caso aceitasse o convite de Sting.

— Muitas coisas tem acontecido nesses últimos dias. Não tive tempo de pensar em todos os detalhes. — Tentou se explicar, levantando o rosto e olhando chorosa para o amigo. — Para piorar Natsu falou que vou passar a treinar com ele a partir de hoje.

Gray se surpreendeu, tão logo soltando uma risada divertida não conseguindo se conter ao ouvir aquilo.

— Não tem graça Gray, Natsu pode acabar me matando. Você sabe disso. — Continuou a choramingar, ainda inconformada com a ideia.

— Pare de drama... Isso é uma boa ideia afinal. — Sorriu para a amiga.

[…]

A noite parecia ser a mais agradável que pode apreciar em toda sua vida. O céu estrelado acalmava seu coração ansioso e a brisa fresca balançava suavemente seus cabelos azulados. Olhou para sua frente mal podendo acreditar que era Gray do outro lado da pequena mesa. Ele a levou em um restaurante tradicional da cidade, perto do porto. O estabelecimento tinha como a vista o lindo mar que banhava a cidade, a noite fresca e de céu estrelado permitiu que eles sentassem na parte externa, em um deck amplo com algumas mesas espalhadas por ele, havia lindas floreiras ornamentando o contorno do deck e em cada canto do mesmo havia tochas de bambu iluminando o ambiente.

— Esse restaurante é lindo! — Falou admirada, olhando cada detalhe a sua volta.

— Parece que sim.

— Sempre quis vir aqui. — Admitiu docemente.

Juvia estava extasiada, e como não estaria? Estava jantando na companhia de Gray, só os dois em uma lindo restaurante. Sem toda a agitação da guilda. Estava em tamanho torpor de alegria que suprimia seu comportamento por vezes exagerados e dramáticos, parecendo mais contida com seus sentimentos.

— O que houve? — O tom de voz sério a trouxe para a realidade, fazendo seu coração bater ainda mais acelerado.

— Na-nada.. Por que?! — Perguntou assustada, temendo ter feito algo inconveniente.

Gray sorriu de canto, relaxando um pouco mais na cadeira.

— Fique calma. Parece que está tão tensa.

— Gomen Gray-sama... Não quero irrita-lo com meu comportamento.

— E por que isso hoje?

— Sei que meu jeito tão intenso o incomoda. Normalmente não consigo me conter... — Falou colocando as delicadas mãos na face e espremendo os olhos graciosamente. — Mas hoje é um dia especial pra Juvia... Juvia não pode estragar tudo.

Gray sorriu, o mesmo sorriso que Lucy pediu para ele não fazer na frente de Juvia, a sorte foi que a azulada não viu.

— Já me acostumei com o seu jeito. Não se preocupe.

Juvia o fitou aturdida.

— Se acostumou? Não irá se incomodar se Juvia o abraçar sem permissão? Ou se Juvia começar a falar todos os planos e desejos que tenho?

— Não... Bom, não muito...

— Juvia está tão feliz!! — Falou animadamente, deixando seus olhos reluzirem seus sentimentos mais puros.

O jantar se transcorreu como o esperado, com muita conversa, diversos assuntos pairaram naquela mesa, claro que todos iniciados por Juvia que gesticulava animadamente, vezes e outra se remexendo na cadeira. Gray a respondia sucintamente, mas prestava atenção em cada palavra que saía de sua boca. Para quem olhasse de longe diria que Gray estaria alheio a conversa da moça, mas, para os mais atentos seria possível notar o sorriso contido nos lábios do moreno e do olhar calmo e admirado que lançava para a moça de cabelos azulados.

Gray cresceu contendo suas emoções, sua frieza se tornou sua proteção. Foi difícil descongelar seu coração, muito difícil... Quando chegou em Fairy Tail ainda insistia em se esconder atrás daquela muralha de gelo que construiu dentro de si, mas que aos poucos foi derretendo, cada um que surgia em sua vida fora o responsável. Makarov, Erza.. Natsu... cada membro daquela guilda barulhenta e agitada; Lucy e Nashi.. essas duas foram as que mais tiveram exito em degelar seu coração. Por culpa daquelas duas ele estava ali, exposto e completamente sujeito a se perder diante daqueles olhos azuis escuros de Juvia.

Mas não poderia culpar somente Lucy e Nashi, a própria Juvia tinha uma porção significativa de culpa também. No início ela o assustava, todo aquele sentimentalismo, afagos, lágrimas e cenas de ciúmes. Ele não compreendia, e isso o incomodava profundamente. Mas, acompanhar dia a dia tudo que Lucy passou nos últimos meses e ver Nashi surgir em sua vida o despertou... te mostrou um pouco o outro lado da moeda.

Após o delicioso jantar foram caminhar calmamente por Magnólia, seguiam para a Catedral Cardia, naquele horário as luzes se acendiam e alguns comerciantes levavam suas barraquinhas de quitutes para próximo da igreja, atraindo muitas pessoas naquele ponto.

— Juvia adorou o jantar Gray-sama. — Caminhavam lado a lado, em passos lentos. Gray mantinha suas mãos nos bolsos e Juvia mantinha as suas entrelaçadas uma na outra.

O moreno apenas sorriu, não tirando seu olhar do caminho a frente.

— Gray-sama... Por que convidou Juvia para esse encontro? — Perguntou insegura.

— Por quê essa pergunta? — A olhou rapidamente de soslaio. Tentando compreender o que se passava na cabeça daquela azulada.

— Eu te observo mais do que imagina Gray-sama.. — Sorriu docemente, também mantendo seu olhar para o caminho que faziam. — Sei que demostra ser indiferente e tranquilo, mas apenas é cauteloso com tudo que envolve em sua vida. Lida com seus problemas com cuidado, teme perder seus melhores amigos e por isso se sente continuamente responsável por eles. Sei que admira Natsu, e tem por ele um sentimento fraternal e competitivo. Como dois irmãos pirracentos. — Falou sorrindo e olhando de canto para Gray. — E sei que jamais me convidaria para um encontro assim. — Deixou o brilho de seu olhar se esvair.

— Você está certa. Mas se esqueceu de observar que as pessoas também mudam. — Olhou para a moça. — Sabia que tenho jeito com crianças?

— Hmm. Não. — Respondeu incerta.

— E que sou um bom conselheiro amoroso?

— Também não..

— Viu...Há um ano atrás eu jamais pegaria uma criança no colo e hoje sinto falta se não ver Nashi e até mesmo a Asuka. Sem contar que era fora de cogitação eu perder meu tempo para ouvir as lamentações de uma garota chorosa e romantizada. As pessoas mudam Juvia. Eu mudei para melhor. — Falou, deixando um sorriso convencido se formar em sua face.

Juvia sorriu serenamente, ouvir as palavras de Gray a deixou mais leve e empolgada. Continuaram a caminhar até chegarem na catedral, Juvia não pode conter o olhar empolgado ao vislumbrar o lugar, lanternas japonesas iluminavam toda praça, pessoas sorridentes circulavam, outras tantas faziam filas no carrinhos de pipocas e doces diversos. Estava um noite bastante animada. Ouvia-se até uma banda desconhecida tocar uma musica contagiante por ali.

— É sempre assim? — Perguntou surpresa.

— Sim... nunca tinha vindo aqui nesse horários?

— Não... Estou feliz por vir aqui pela primeira vez com o meu Gray-sama. — Falou apaixonada, grudando no braço forte do moreno que tratou de acompanhar os passos ansiosos da garota.

Se distraíram nas horas seguintes, provando os diversos doces que as barraquinhos coloridas vendiam. Juvia exalava alegria, seus olhos brilhavam e seu sorriso não se desmanchava nem por um minuto. E as mãos delicadas não se desgrudavam do braço de Gray.

Estranhou quando repentinamente Juvia se desprendeu de seu braço, a olhou já vendo ela se afastar.

— Juvia já volta Gray-sama. Não saia dai. — Pediu já se afastando. Deixando Gray parado no meio da praça. Suspirou e colocou as mãos nos bolsos, imaginou que ela teria ido lhe comprar algum mimo bobo representando todo o amor dela por ele ou algo do tipo. Passou então a olhar calmamente para cada detalhe ao seu redor, cada pessoa que passava animada na sua frente e cada criancinha enérgica que corria em círculos em volta dos pais. Uma paz momentânea o tomou. Juvia ressurgiu diante de si com um sorriso doce nos lábios.

— Será que ela vai gostar? — Disse, estendendo o braço e abrindo sua mão, mostrando que segurava um pequeno objeto.

— O que é isso?

— Uma pulseira, mas ela é diferente, pois é possível ir colocando vários pingentes. É para Nashi, procurava por isso há meses. Olhe... coloquei um pingente do fogo representando o Natsu, uma estrela representando a Lucy, um floco de neve que é você, e uma fada representando toda a guilda... Nashi pode ir incluindo conforme ela crescer. Sei que ela é pequena ainda mas...

— Ela vai adorar. — Concluiu admirado com a doçura de Juvia. A azulada estava atenta olhando para a pulseira e explicando os significados dos pingentes que não notou o olhar que o moreno mantinha sobre ela. — Claro ela não poderá usar agora... Mas tenho certeza que Lucy vai guardar com muito carinho até Nashi ter idade para usar. — Falou manso.

— Juvia está muito feliz. Além de estar com meu Gray-Sama também encontrei o presente que tanto queria dar para Nashi. — Disse inocente, colocando a pulseira em um saquinho prateado brilhoso e enlaçando com o cordãozinho que já havia nele. Gray não tirava os olhos de Juvia, observando a maneira carinhosa e delicada que ela tratava o presente.

— Bom, vamos indo, está ficando tarde... vou te deixar em Fairy Hills. — Ao chama-la para ir embora ele se virou e tranquilamente pegou na mão de Juvia que se surpreendeu com o toque, mas que imediatamente apertou os delicados dedos em torno da mão forte do rapaz.

— Hai. — Respondeu ainda mais apaixonada, tratando de acompanhar os passos de seu amado.

Ao chegarem em frente a Fairy Hills Juvia o fitou ansiosa, a noite havia sido um sonho que se tornou realidade, passou algumas horas a sós com seu Gray-sama, teve toda a atenção dele direcionada para ela e ninguém mais. Mas agora não sabia como se despedir de seu amado.

— Não quero me precipitar Juvia... — Colocou as mãos nos bolsos e ficou de frente para ela. — Sei que somos amigos há um tempo, porém acho que precisamos ir com calma. Ok? — Ficou na defensiva, temeroso em dar um passo em falso e acabar magoando a maga.

Juvia sentiu uma pontada de decepção ao ouvir tais palavras. Porém compreendia a posição tomada por seu Gray. Ela sabia que o moreno estava tomando por lição tudo que Natsu e Lucy haviam passado.

— Eu adorei nosso encontro Gray-Sama. — Sorriu docemente para ele.

— Konbanwa...

— Konbanwa Gray-Sama.

Notas finais
Muito dialogo né... Conversinha básica ente Lucy e Natsu, Gray e Lucy, Juvia e Gray omg... Mas espero que tenham gostado^^ Notaram o quanto Natsu evitou olhar pra loira? parece ter medo dela rsrsrs... Já já posto a continuação.