Fogo Inalcançável
2 2º Capítulo - Atitudes Dolorosas, decisão difícil.
Notas iniciais
2º CAPÍTULO – ATITUDES DOLOROSAS, DECISÃO DIFÍCIL
A claridade começou a lhe incomodar, mesmo com os olhos fechados sentia que o sol já iluminava seu quarto. Levou alguns poucos segundos para se recordar da noite passada; sentiu seu coração palpitar; e um súbito gelado tomou seu estômago, será que não fora um sonho? Mas ao abrir os olhos lentamente ao mesmo tempo que se espreguiçava viu que estava nua, com apenas um lençol lhe cobrindo.
Então não foi um sonho louco.. era verdade, teve uma noite luxuosa de amor com Natsu, havia se entregado a ele. Enrubesceu. Sentou-se, permanecendo com o lençol em seu corpo, olhou em volta, o silêncio era incômodo, Natsu havido ido embora.
Entristeceu, ajeitou o lençol no corpo enrolando-o em si, levantou e com passos lentos caminhou pelo apartamento, constatando o óbvio. – Por quê? Porque se foi sem me avisar? Será que dormiu aqui comigo ou se foi logo após eu adormecer? Uma avalanche de dúvidas tomou seus pensamentos, mas logo tratou de organiza-los, Natsu nunca faria algo que a magoasse, se saiu sem avisa-la provavelmente haveria um forte motivo. Deu um breve suspiro tentando demonstrar alívio.
Resolveu que um banho seria sua melhor opção no momento.
Deitou-se na banheira, com água e espuma lhe cobrindo todo o corpo e com apenas a cabeça para fora e os cabelos preso em um coque alto, ela relaxou, em sua mente a noite passada ressurgia, detalhe por detalhe. Havia tido sua primeira vez, perdeu sua virgindade, tinha que admitir que não fora como imaginou. Em sua inocente imaginação sua primeira noite de amor seria logo após seu mágico casamento com um lindo rapaz, ou no mínimo seria após um romântico encontro.
Mas se surpreendeu, como a vida lhe pregava peças, em todos esses sonhos que criou mesmo sem querer era Natsu seu “lindo rapaz” a lhe dar a aliança, mas sempre que isso lhe vinha em mente tratava de disparar para longe, sabia que Natsu lhe tinha como uma companheira e por ela nutria grande apreço e carinho, assim como todos os outros amigos.
Se afundando em pensamentos a loira afundou-se também na banheira, deixou seu corpo descer suave peça cerâmica ficando agora com os lábios cobertos pela água quente.
Natsu realmente era enigmático, sempre agindo de forma transparente, estourado e de atitude, nunca se incomodando ou se envergonhando em demonstrar a importância que seus amigos tinham para ele. Imaginar que o rosado lhe via com outros olhos parecia ser ingenuidade de sua parte, pois ele sempre ficou à vontade ao seu lado, não demonstrava atração nem mesmo quando a via em trajes mínimos ou quase nua, ou nua por completo como já aconteceu em algumas situações.
Começou a desejar que sua mãe estivesse viva, queria tanto conversar com ela, tinha tantas dúvidas tantas perguntas, a forma como teve sua primeira relação com Natsu fora totalmente inversa aos seus princípios, não sabia como reagir quando o vise novamente, ou o que esperar dele de agora em diante, será que ele a procuraria novamente? Será que ele a chamaria para conversar? Estavam em um relacionamento?
— huummm – Murmuro esse que saiu em borbulho devido a água que cobria seus lábios. Começou a ficar aflita novamente, Lucy tinha mais de vinte anos cronologicamente, mas psicologicamente ainda era uma adolescente insegura e inexperiente, queria tanto alguém para conversar, tirar essas interrogações de sua cabeça, mas jamais teria coragem de contar o que aconteceu para Erza, Mira, Cana ou qualquer outra amiga. Afinal nem ela própria sabia o que havia realmente acontecido na noite passada.
A água começou a esfriar, nem viu o tempo passar. Saiu de seu longo banho, secou-se, vestiu seu típico traje, a curta saia azul com uma fenda na coxa esquerda, seu top com mangas longas e largas, sua meia que alcançava até a metade da coxa e sua bota marrom. O cabelo preso em dois rabos um de cada lado e sua franja solta.
— Humm... Acho que vou deixar meu cabelo crescer! – Devaneou a maga analisando as madeixas no espelho.
O frio na barriga foi aumento à medida que via que não podia mais enrolar, tinha que ir para a guilda. Não fazia ideia de como iria olhar para Natsu, mas sabia que ela teria que passar por essa constrangedora situação. Tinham que conversar e entender o que realmente aconteceu noite passada.
Pegou sua chave prateada e invocou Plue, queria uma companhia para o percurso que faria até a guilda, e não teria companhia melhor do que seu fiel companheirinho albino.
Dando passos lentos Lucy caminhava pelas ruas de Magnólia, ao lado do rio que cortava a cidade, Plue sempre brincando com algo que via no chão e saltitando no meio fio, enquanto a loira lutava para não se afundar nas sensações que lhe dominavam, travava uma batalha com seus pensamentos e suas dúvidas, tão imersa acabou não percebendo que se aproximava do culpado de toda sua angustia.
Na ponte de pedras que atravessa o rio Lucy se deparou com Natsu, que estava parado a sua frente, encostado na mureta da ponte, provavelmente estava a sua espera, sua feição estava séria, com os braços cruzados, e de olhos fechados, parecia descansar, mas ele sabia que ela já estava ali, apenas pelo cheiro.
O coração da jovem loira disparou, batia frenético em seu peito, com as mãos gélidas e suadas tentou ajeitar a franja, tomou coragem para soltar as poucas palavras:
— Natsu?! O rayou! – Falou calmamente e permaneceu observando o amigo.
O mago a olhou, saindo do encosto e se aproximando dela, retribuiu a gentileza, com os olhos fixos nos da maga celestial.
— O rayou Luxy.
Foi inevitável, Lucy corou, desviou o olhar para baixo, vendo Plue grudado em sua perna.
Claro que não passou despercebido por Natsu, que não demonstrava nenhum desconforto, nem constrangimento, nem alegria, nem nada... Estava apenas sério a observando. O silêncio ficou incômodo, ela sabia que ele iria lhe dizer algo, mas por céus porque não falava logo.
— Sobre ontem e...
Foi interrompido.
— Haa... gomen ne... Só um minuto. – Disse a loira que olhava para o pequeno espírito grudado em sua perna. – Plue, obrigada pela companhia pode ir agora. – disse meiga e sorrindo gentilmente. – o pequeno assentiu e desapareceu.
Lucy com todas as suas forças e tremendo como uma gelatina olhou pra Natsu, esse que se aproximou mais, deixando-a aturdida com seu cheiro indecifrável, parecia até que seu olfato havia ficado mais apurado tanto quanto o dele.
Natsu então finalmente demonstrou algum sentimento, sorriu torto e desviou o olhar, demonstrando um pequeno desconforto também, mas tão logo voltou a encara-la novamente.
— Sobre ontem... Eu nem sei o que dizer, não consegui me controlar. – Falou sincero, demonstrando no olhar seu desconforto. Após a noite luxuosa que tivera com Lucy ele também adormeceu mas tão logo despertou, viu em seu ombro sua loira dormindo serena, teve vontade de ataca-la novamente, mas desta vez se conteve, levantou sutil e vendo um lençol dobrado no canto da cômoda o apanhou cobrindo o belo corpo da jovem.
Resolveu por ir embora ao meio da madrugada, não sabia o que iria falar para a amiga, como iria encara-la na manhã seguinte, dizer que simplesmente teve vontade de usá-la? Não seria capaz... Apesar de ser um rapaz bruto e pouco sensível quando o assunto é mulher, ele conhecia sua amiga, sabia do romantismo agudo dela, e jamais se permitiria magoá-la mais ainda.
Passou a manhã por refletir sobre o ocorrido, dizer que havia se arrependido seria mentira, porém, ele próprio não entendia a real motivação. Sabia da importância da loira em sua vida, do quanto ele a admira, que quando não está perto a falta que lhe faz é tão incomoda que o deixa irritado, daria a vida por ela. Mas ele também daria a vida por qualquer amigo seu da guilda. Bufou. Ficava cada vez mais irritado por não chegar a uma conclusão.
A única coisa que sabia era que deveria falar com ela, não queria deixá-la no escuro, sem qualquer explicação, e deixar claro que não tinha intenção de engatar qualquer relação amorosa com ela.
Quando deu por si se surpreendeu com o olhar profundo que a loira lhe lançava, percebeu que estava hesitando em pronunciar as palavras e que estava deixando-a aflita.
Sorriu sem graça, coçando a nuca, Lucy permanecia atônita e buscava não desviar o olhar, pois não teria mais forças para encará-lo novamente.
— Só não quero te magoar! – Ele próprio se surpreendeu com suas palavras, simplesmente foi sincero, sem enrolação; sem meias palavras. – Tenho muitos assuntos á resolver, e a única coisa que tenho certeza é da importação de Fairy Tail na minha vida e o quanto você é essencial nela.
Lucy sentiu alívio pelas palavras, por algum motivo tinha medo de que seu amigo profanasse palavras duras e frias contra ela, não soube entender o porquê, talvez pela súbita mudança de comportamento do Dragon Slayer. Sabia que relações amorosas eram complicadas para Natsu e por mais que ela também não tivesse experiência abordava melhor o assunto. Pôde ver no amigo que ele não sabia o que fazer ou o que falar, e pelas palavras deixou claro que manter a amizade seria mais fácil, entendeu o amigo, porém, para ela é complicado ter tido algo tão íntimo com ele e continuarem a amizade normalmente, mas teria que se acostumar com esse desconforto, pois jamais abriria mão de sua amizade com Natsu.
Iria se esforçar para manter tudo como antes, principalmente seus sentimentos. Afinal o que fizeram noite passada foi de comum acordo, ela sequer tentou resistir, sinal que também o desejava loucamente, talvez até sem saber da proporção desse desejo. O importante agora seria permanecerem unidos em um time e pelo laço da forte amizade deixaria o acaso se providenciar do resto.
— Não me magoou Natsu! – Sua voz como sempre lhe trouxe a calmaria, e juntamente com o sorriso que ela desenhou o deixou profundamente aliviado. – Vamos deixar tudo como esta, as coisas se encaixam sozinhas e se alinham perfeitamente se não houver pressão. Só vou deixar claro que me entreguei a você por um motivo tão forte que eu própria não entendo. Só não se afaste de mim. Ok!
Natsu sorriu, eles se entendiam de forma tão perfeita.
— Hai hai ... Agora vamos para a guilda pegar uma missão? – Falou o rosado dando fim ao assunto e buscando novamente a normalidade.
Lucy assentiu e começaram a caminhar lado a lado, ora e outra conversando, brigando e às vezes inevitavelmente trocavam olhares profundos, mas buscou se manter calma não queria agir feito uma boba apaixonada.
Pegaram uma missão mediana, e com o decorrer do dia a normalidade se instalou rapidamente entre eles, ao entardecer Lucy se sentia mais a vontade e conseguia olhar para o amigo sem se sentir desconfortável, realmente acreditou que tudo se encaixaria normalmente.
Quando chegaram na guilda já era noite, haviam partido numa rápida missão na cidade vizinha, apenas ela, Natsu e Happy, ao chegarem foram recepcionados por aqueles que estavam na guilda, alguns bebendo outros conversando.
Lucy avistou Erza e Wendy num canto do salão e rumou para as amigas, ter uma conversa banal de garotas era tudo que ela precisava. Natsu claro chegou faminto e foi logo buscar um pernil na cozinha da Mira e após saciar seu quase insaciável estômago ele tratou de ir perturbar Gray, partindo assim para mais uma briga.
— Vejo que Natsu está mais calmo, fiquei feliz ao saber que haviam ido a uma missão. Realmente você faz bem á ele Lucy-chan. – Disse Erza observando o amigo da mesa em que estava com Wendy e Lucy.
Lucy deu uma leve corada. – Hai, também fiquei aliviada, mas isso não significa que ele está bem, vejo que ele está se esforçando muito. – Disse preocupada, também observava o amigo sendo atingido por um pedaço enorme de gelo.
A noite transcorreu calma e divertida. Lucy interagia com seus amigos e apreciou uma deliciosa sopa que Mira fez, vendo que a hora já estava avançada tratou de apanhar sua jaqueta e de se despedir dos mais próximos que ali estavam.
— Estou indo embora, até amanhã pessoal.
Foi cordialmente retribuída por desejos de “Boa noite” e “Vá com cuidado” de seus amigos.
Saindo da guilda Lucy avistou Natsu distraído numa batalha de Guerra de braço, ele competia com Gajeel e os outros rapazes torciam ao redor.
Caminhando no seu habitual trajeto rumo ao seu apartamento se incomodava com o frio, mesmo com a jaqueta a pele arrepiava, antes este fosse seu problema, suspirou, a todo o momento lhe vinha em mente tudo que lhe aconteceu noite passada.
Já estava próxima de seu prédio quando passou em frente a um escuro beco, sentiu um forte aperto em seu pulso, assustou-se ao ver que foi puxada rapidamente para o vão escuro, com o susto deu um breve grito e fechou os olhos. Com seu corpo prensado contra a fria parede pode perceber o corpo forte colado ao seu, não teve dúvidas, abriu os olhos. Era ele.
—Natsu?? O que está fazendo? – Não entendia do porque daquela atitude, ficou preocupada.
— Não consigo ser forte, quando o assunto é você. – Falou com a voz rouca e parecia irritado. Irritado porque estava pondo tudo a perder.
— O- o que você quer? – Teve certo medo em perguntar.
— Está com frio? – Respondeu a pergunta com outra.
— H-hai. – Não entendera a pergunta óbvia, a noite estava mais gélida que a anterior.
Ele então como que se já não fosse possível colou mais ainda seus corpos, uma mão já deslizava sem permissão pelo corpo da maga e a outra permanecia em seu pulso, cheirou seu pescoço sedutoramente, deixando a loira mais arrepiada ainda. Aproximou seus lábios do ouvido dela e perguntou:
— Quer que eu te aqueça? – Era curto nas palavras.
Lucy finalmente entendeu tal atitude e do porque da pergunta, apesar dos romances árduos que lia ela ainda era muito inocente. Deixando sua inocência de lado Lucy ficou tentada a ceder, só de imaginar Natsu novamente dentro de si a deixou úmida. Gemeu como resposta. Tapou rapidamente a boca, ela própria se surpreendeu, e viu um sorriso satisfeito brotar no rosto do amigo.
— Acho que não devemos! –Parecia mais duvidosa do que convicta no que falara.
— Só deixa acontecer, você mesma falou que tudo se encaixará normalmente. E depois de hoje vi que podemos levar isso numa boa. – Falou enquanto beijava seu pescoço, em nenhum momento desgrudara um centímetro dela.
— Isso vai me deixar confusa, cedo ou tarde. Não faço ideia como levar um relacionamento desse tipo. – Estremecia com os beijos dele e sua vontade era de se entregar ali mesmo. – Vamos para meu apartamento. – Entrou em contradição em uma única frase, estava ignorando sua própria sanidade.
—Não, Happy esta lá a sua espera. – Antes mesmo que ela pudesse contestar ele a beijou ferozmente.
Um beijo longo e molhado, com direito a pegadas fortes em suas grandes nádegas. Antes que o beijo secasse se é que iria cessar ele a levantou, fazendo com que suas pernas ficassem em volta da cintura dele.
Lucy pareceu esquecer que estavam praticamente na rua, era possível ver algumas pessoas transitando a poucos metros de si. Mais não tinha tempo nem forças para qualquer outra coisa se não fosse se deleitar com o beijo de Natsu e com suas apalpadas. Sentiu quando Natsu a prensou mais forte contra a parede pondo uma das mãos em seu quadril por dentro da saia puxando sua calcinha, rasgando a mesma, e com a mesma mão liberou seu membro rígido, e sem perder tempo a penetrou, antes que ela gemesse mais alto a calou com outro beijo.
O que fizeram na privacidade de seu quarto na noite anterior se repediu ali, naquele beco escuro.
Depois de longos minutos e saciados, Lucy saia do vão escuro, agora se sentindo estranhamente culpada, sensação de que fizera algo errado, mas que contradizia com seu corpo e com seu rosto que transmitia pura satisfação. Natsu já não estava mais ali, assim que se derramou dentro dela apenas se ajeitou, esperou que ela também se arrumasse e apanhasse sua calcinha rasgada do chão, com mais um beijo molhado, porém rápido ele disse: — Vá logo pra casa! – e saiu da sua frente.
Os poucos metros que faltava para seu prédio pareceram quilômetros, devido ao desconforto que sentia por ter feito sexo num beco, parecia que todos seus vizinhos estavam sabendo e a vigiando. Por céus como foi chegar nessa situação? Nunca em seus mais quentes sonhos imaginou algo semelhante.
Entrando em seu apartamento fechou rápido a porta, como que se fugisse de alguém, suspirou de alívio por finalmente ter chegado, e no segundo seguinte recordou que Happy estaria por ali, deu uma olhada pelo quarto e deparou com o gatinho alado, que mexia em seu baú de roupas íntimas.
— Lucyy ... – Estampou sua alegria ao vê-la, mais logo esboçou surpresa ao ver Lucy chegar sozinha.
A loira percebendo a reação tratou de dar um jeito no mal entendido.
— Natsu foi direto para casa, acho que ele está cansado. Mas se você quiser pode passar a noite aqui. – Disse docemente, realmente queria a companhia do amiguinho.
— Aye. – foi a resposta de pura alegria.
...
Um mês havia se passado desde sua primeira noite com Natsu, e estava vivendo trinta dias repletos de pura luxuria.
Natsu não perdia a oportunidade, sempre que surgia um momento ele agarrava Lucy, num canto discreto na guilda, num quarto de hotel onde passavam a noite durante as missões ou no apartamento da loira, a todo o momento ele a deseja e não passava vontade.
Nos primeiros dias Lucy se sentia acanhada e com receio de se entregar, mais depois logo ficou desinibida. A tensão de fazer sexo com Natsu em lugares poucos discretos e sob constante risco de serem flagrados era simplesmente excitante.
— Quanto mais tempo precisaremos ficar nesse trem!? – Resmungou Natsu que estava jogado no banco do trem repousando sua cabeça no colo de Lucy.
— Natsuuu, não reclame você que escolheu uma missão em uma cidade longe. – respondeu Happy que comia seu peixe.
Lucy que por toda viajem estava lendo um livro de romance, cedeu sua atenção para as reclamações do amigo, e sem perceber acariciou seus cabelos róseos sedosos e disse com um sorriso na face.
— Logo chegaremos. Definitivamente você tem que dar um jeito nesses enjoos, não sente vergonha?!
Lucy se esforçava para agir normalmente, Natsu se comportava como sempre, fora os momentos descontrolados que ele vinha tendo e as misteriosas conversas com o mestre tudo parecia como antes. O rosado nunca mais se deu ao trabalho de conversar com a loira sobre a atual situação deles, e isso estava deixando-a desconfortável.
Também ficava desconfortável por saber que ele ainda guardava segredos. Há duas semanas atrás usando o Crux como informante Lucy descobriu que ele estava participando de inúmeras reuniões com o mestre o que pra ela já não era novidade, porém, sua preocupação aumentou ao descobrir que o conselho também estava participando das reuniões, o que fazia sua cabeça ferver de tantas dúvidas. E no meio de todos esses problemas talvez ela fosse um escape, ou ele simplesmente não tinha tempo ou disposição para assumir um relacionamento agora.
Muitas dúvidas e inseguranças perturbavam a loira, porém, não era o suficiente a ponto dela resistir às investidas do mago. Enquanto isso ela procurava fingir que nada acontecia, assim como ele.
Hoje seu dragão estava tranquilo, brincalhão e resmungão como sempre. Olhou pela janela admirando a paisagem e pensou que faltavam seus amigos, Gray e Erza que haviam ido a uma missão com Júvia e Gajeel.
Finalmente desembarcaram Cidade de Hargeon, Natsu instantaneamente melhorou assim que pisou em solo firme. Wendy respirou e inspirou com prazer, a cidade era linda e da estação do trem podia se ver o porto da cidade com as cerejeiras alinhadas nos beirais das ruas, era simplesmente lindo.
— Que nostalgia!! – Falou a loira toda sonhadora que também apreciava a vista.
— Nostalgia? Já esteve aqui antes Lucy-chan? – Perguntou Wendy, que estava bem ao seu lado com um de seus fofos vestidos este na cor branca com uma faixa vermelha na cintura, suas típicas Maria Chiquinha, e segurando Charle.
— Hai Wendy, foi aqui que conheci Natsu e Happy! – Falava carinhosamente, como se buscasse em sua mente cada detalhe daquele fatídico dia. Enquanto que Natsu prestava atenção na conversa, porém com cara de paisagem.
— Então foi essa a cidade que Natsu destruiu o porto?! – Falou categoricamente a gatinha albina.
Natsu largou um belo e vitorioso sorriso.
— Não fez tanto estrago assim!! – Disse cinicamente, com Happy em seu encalço balançando a cabeça negativamente e envergonhado.
— Essa cidade seria um belo cenário para um romance literário. – Pensou Lucy em voz alta, fugindo da conversa, lembrar-se daquele dia lhe trazia mais sensações do que já poderia suportar.
— Lucy nem uma cidade como esta seria capaz de melhorar seus romances! – Profanou o azulado com sua típica cara de sapeca, tapando a boca ao rir do seu próprio comentário.
Sua risada foi acompanhada por seu dono que prontamente concordou com a observação do neko e um som alto foi ouvido por toda estação, foi Lucy atingindo as cabeças duras dos dois com seu livro.
— Acho melhor procurarmos logo um hotel para hospedarmos, logo vai anoitecer e esfriar e só marcamos de conversar com o cliente amanhã – falou Charle, séria como sempre.
O hotel que o grupo se hospedou era discreto e familiar, só havia mais um quarto disponível, mas seria suficiente para os cinco.
Entrando no quarto viram que havia duas camas e um sofá, era um quarto aconchegante e com acesso a uma bela sacada que servia como moldura para uma linda vista da cidade.
— Natsuuu, uma cama pra mim e outra pra você! – falou o exceed se jogando em uma cama.
— Hai Happy, que sorte a nossa! – dessa vez era Natsu que já estava todo jogado na outra cama.
— Como o esperado de vocês dois, seus folgados! – Resmungou Lucy que ainda estava de pé na porta junto com Wendy e Charle. — Uma cama é para Charle e Wendy e a outra é para mim, você e Happy ficam no sofá. – Concluiu o óbvio.
— Vocês são muito frescas, se aproveitam por serem mulheres. Época boa era quando saiamos em missão apenas eu e Happy.
— Não reclame Natsu, você que nos chamou para a missão, e sabemos muito bem que não sai em missão sem a Lucy. – falou Wendy achando graça das caretas que Natsu fazia.
— Hai hai, então vamos comer algo que eu estou com fome, Luxy quanto você trouxe de dinheiro? – Falou o rosado esfregando a mão na barriga.
— Você é um poço sem fundo! Acabamos de jantar antes de subirmos. – choraminga Lucy só de pensar que todo seu suado dinheirinho ficaria no restaurante do hotel.
A lua já reinava no céu há algumas horas e o frio deixava a noite ainda mais aconchegante. Wendy e Charle dormiam profundamente em uma cama, Natsu e Happy estavam no sofá, à outra cama que seria para Lucy ainda estava fazia.
Todos já estavam dormindo quando Lucy saiu de seu longo banho, já trajava seu pijama, que era uma linda camisola de cetim azul claro. Penteava seus cabelos quando começou a observar seus amigos dormindo serenamente, e como um ferro que é atraído por um ímã seu olhar pairou sobre o rosado.
Natsu estava deitado no sofá, com o braço esquerdo caindo para fora, Happy dormia profundamente sobre sua barriga e uma manta cor de creme os cobria. O rosado havia tirado a jaqueta para dormir, e mesmo com Happy deitado sobre si era possível apreciar os músculos do rapaz, seu tórax subindo e descendo calmamente conforme sua respiração. Seu coração palpitava, e sua pele se arrepiava ao admira-lo. Como ele era atraente.
— Por Kami, como fui deixar chegar nessa situação?! – Resmungou baixinho a loira. Admitia arrependimento por ter se entregado para Natsu, como havia previsto tudo aquilo se tornou confuso e doloroso para ela. Sendo sempre tão romântica e sonhadora havia imaginado de outra forma como seria sua primeira noite de amor e como seria seu namoro. E também nunca acreditou que seria com Natsu, pois sempre teve a ideia de que ele não se atraia por ela e a via apenas como uma grande amiga e companheira.
Toda aquela situação com Natsu era completamente impropria para uma garota como ela. Eles apenas saciavam os desejos um do outro. Na verdade para a loira quando Natsu a procurava ela se enchia de alegria e fantasiava que eles eram um casal feliz e cheio de amor. Mais depois, acordava nua e sozinha em sua cama, e quando encontrava Natsu na guilda ele agia normalmente, e isso estava acabando com ela.
Suspirou mais uma vez, como poderia ser tão tola, era óbvio que um cara bruto que foi criado por um dragão agiria assim com uma mulher. Natsu apenas se importava com seus poderes, a guilda, os amigos, e estava apenas precisando de uma distração. Só que aquilo estava a matando lentamente, será que ele não se importava com os sentimentos dela?
Seus olhos se transbordaram em lágrimas, aquilo doía.
Sentia-se usada e chateada, iria mais uma vez dormir com aqueles pensamentos negativos, suspirou exausta, quase todas as noites se afundava em dúvidas e magoas. Olhou para a sacada do quarto parecia convidativa, a vista da cidade talvez lhe trouxesse um pouco de paz.
Ao abrir a porta sentiu o vento gelado contra sua pele, mas dava para resistir, queria apreciar a vista nem que por poucos minutos. E ali de braços cruzados com os cabelos dançando com o vento Lucy suspirava e sem querer lágrimas escorriam. Não foi isso que sonhou para si, sempre sonhou em viver um belo romance, ser amada loucamente, afinal que fim daria aquilo tudo que estavam fazendo? Com certeza quem sairia mais machucado nessa historia seria ela.
Olhou para o céu, apesar do vento e do frio o céu estava estrelado; — “que bela pintura”— Pensou. Todas aquelas estrelas; era realmente lindo; respirou fundo, fechando os olhos e calmamente inspirou, secou as lágrimas com as costas da mão. Havia tomado uma decisão.
Sorriu dolorosamente para o nada e com o corpo mole e o coração apertado foi se deitar.
Passava das duas da madrugada quando Lucy sentiu um conhecido calor aquecer sua pele e um braço pesado passar por sua cintura por baixo do cobertor, abriu os olhos e se virou para o amigo.
— O que pensa que está fazendo Natsu? – Falou em um sussurro para não acordar as meninas e Happy.
— O que você acha? – Nesses momentos ele era sempre assim, áspero e direto.
— Não dá Natsu, assim não, chega! – falou Irritada, havia tomado sua decisão, mais não imaginou que teria que executá-la logo ali.
— Eu sei que é arriscado, mas é só não fazermos barulho todos estão dormindo profundamente... e não vou conseguir esperar até chegarmos em Magnólia. – Também sussurrava, e puxou para mais perto de si a sua loira ficando então com seus corpos colados.
Lucy gemeu baixinho ao ter seu corpo grudado ao do amigo, sentir o corpo dele junto ao seu nunca deixaria de ser umas das melhores sensações, e sentir aquele calor que ele emanava era sem duvida a melhor de todas.
— Não me referia somente a hoje – falou insegura, ali não era um bom lugar para isso. –Não dá mais Natsu, tudo isso está me matando. – Falou em pura dor se encolhendo na cama tentando se afastar de seus braços.
Natsu bufou, por que ela tinha que ser tão melosa, não tardaria o dia em que ela exigiria mais daquilo tudo. Ele sabia, mas tinha que ser justo hoje? Então a sentiu tremendo, e estava gelada mesmo com ele tão perto. Um nó se formou em sua garganta, ela estava assustada? Com medo? Não entendia.
Gostava de poder ter Lucy daquela forma, sem muitas explicações, sem complicações, mas para ela com certeza era de outra forma, não entendia, eles eram bons amigos, ele a protegia, estava sempre ao seu lado e já haviam conversando sobre isso no dia seguinte da primeira noite. O que mais ela queria dele?
— Venha. – Chamou Natsu se levantando da cama e pegando Lucy pela mão.
— Aonde vamos Natsu?
Ele a guiou pelo quarto, rumo à sacada, meticulosamente abriu a porta saiu com Lucy ainda sendo puxado pela mão, já na área externa ele fechou a porta.
Lucy instantaneamente sentiu a pele reclamar de frio, abraçou seus braços e se encolheu olhando confusa para Natsu que nada usava além da sua típica calça.
Natsu percebendo o incômodo que Lucy sentia pelo frio a levou para o canto da sacada, fazendo com que ela se encostasse na parede ao lado da porta. Aproximou-se dela colando seus corpos, apoiou o antebraço na parede bem próximo da cabeça da loira e com o outro braço a abraçou pela cintura. Lucy sentia a respiração quente de Natsu e o calor dele a aquecendo.
— Agora estamos mais a vontade. – falou o rosado.
— Não tenho mais nada pra falar Natsu! – falou seria virando o rosto.
— Se quer falar sobre isso estou te dando agora à oportunidade de falar!! – Estava sério e demonstrou impaciência. – Preciso de você! O que mais precisa saber? – Dessa vez saiu em um sussurro abafado, pois aproveitou o rosto virado da loira pra cheirar sua pele na região do pescoço.
— Natsu para! Não diga isso!... Já falei, temos que parar, só estou me magoando. Sei que não tem nada de próspero para nós se continuarmos permitindo isso. Não sabemos porque nos entregamos desta forma, não entendemos nossos próprios sentimentos, e o que mais me dói é você nem tentar entender.
— Talvez não tenha nada para entender Lucy, às vezes só temos que fazer o que nos da vontade, e a única coisa a ser feita é se entregar.
Usando seus braços o empurrou. – Não tem como eu me entregar sem esperar nada em troca, é de mais para mim, até quando achou que eu suportaria? Chega! Procure outro brinquedinho para sua distração. Um que possa estar sempre disponível quando lhe der essa vontade.
— Como assim “distração”? – Natsu se irritou com as palavras da loira – Você não é minha distração Lucy – Não tinha certeza de nada mais sabia que ela não era sua distração. — Você é meu porto seguro, meu combustível. Viciei em você! Não consigo ficar longe de você. Não se rotule como uma distração, pois você não é! – Se surpreendia, era mais sincero para ela do que para seus próprios pensamentos.
— Eu sei que não sou Natsu, mais é o que está parecendo. – Era possível sentir a magoa em sua voz.
— O que você quer então Lucy?! Quer que eu assuma um relacionamento sério com você? Qual a necessidade disso? Eu só tenho você e só quero você. Todos sabem o quanto você é importante pra mim. Do que mais você precisa? – Perguntou um tanto quanto áspero.
— Palavras Natsu. Preciso de palavras. Do modo que você fala parece que seria uma tolice eu desejar isto! – Estava mais magoada.
Natsu não foi capaz de compreender plenamente o que Lucy realmente queria, mas tinha suas suspeitas, ela queria compromisso, juras de amor... – Não posso! – Se afastou mais ainda da loira, mas vendo-a estremecer de frio se aproximou novamente colando seus corpos. — Você é meu ponto fraco, te quero a todo o momento, mas não posso te oferecer nada por enquanto senão meu calor. – Lutou para falar de forma suave e calma para que a loira pudesse entender perfeitamente o que ele sentia.
A bela loira não pode evitar que uma lágrima teimosa escapasse, virou o rosto na tentativa de não se expor mais ainda ao rapaz, mas claro que fora inútil, Natsu suavemente virou o rosto da maga e com o polegar secou suas lágrimas.
Vê-la assim o desarmava.
— Por quê?! Porque Natsu? Eu não entendo. Porque foi ao meu apartamento naquela maldita noite? Porque disse que eu era sua? Simplesmente porque sentiu vontade? É isso?!! – Sua voz era de pura magoa, se controlava ao máximo possível para não demonstrar tamanha dor que sentia.
— Você é minha Lucy! – Usou um tom autoritário e agressivo, Lucy arregalou os olhos e sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Mesmo que fosse delicioso escutar isso também a assustava. – Independente daquela noite, você sempre foi minha e sempre será. Não preciso tê-la como namorada nem taxa-la com qualquer outro tipo de relação, pois de qualquer forma você me pertence. – Natsu foi presunçoso nas palavras, cheirou Lucy no pescoço, mantendo-a presa contra a parede.
O olhou com os olhos banhados em lágrimas, a franja caia bagunçada devido ao vento.
— Suas palavras machucam mais que suas atitudes, não diga que sou seu porto seguro, pois não sou, não diga que precisa de mim porque você sabe que não precisa, não me iluda mais Natsu! – Falava com a voz embargada, tremia de raiva. Viu Natsu vacilar com o olhar, pareceu surpreso com o que ouviu. Sorriu dolorosa. O afastou devagar e entrou com o coração despedaçado.
Natsu continuou na varanda, Lucy era muito importante para ele, iria respeitá-la, e não existia mais nada para falar, foi sincero em dizer o quão importante Lucy é em sua vida, só não foi mais sincero, pois sabia que iria machucá-la. Foi fraco e egoísta, não controlou o desejo insano de possui-la de marcar em sua pele alva que ela tinha dono.
Olhou para a bela cidade abaixo de si apoiando as duas mãos no parapeito da sacada, bufou de raiva, como podia machucar tanto alguém que ele daria a vida para proteger, ele realmente era um idiota. Mas sabia que por hora não poderia fazer nada, sua vida estava muito confusa e instável assim como seus sentimentos. Muitas coisas estavam por acontecer, muitos buracos para tapar, ele tinha que se concentrar nos treinamentos e nas futuras batalhas.
Talvez colocar um ponto naquela situação fora a melhor escolha.
— Kêssa... – bufava de raiva, por mais que tentasse se justificar pelas suas atitudes ele próprio não se convencia, não tinha explicação para o que havia feito com sua Lucy.
Cansado, decidiu por voltar para seu sofá. O dia seria longo. Ao entrar no quarto viu Lucy deitada na cama encolhida em conchinha, parecia dormir, mas sabia ele que a noite seria longa para ambos.
No dia seguinte Charle tratou de despertar todos, Happy claro foi o primeiro e mais disposto a se levantar.
Lucy despertou juntamente com Wendy, sua feição era de cansaço, mal dormiu. Sentada na cama tentando arrumar coragem para se levantar viu que Natsu já havia saído do quarto.
— Happy, onde está Natsu? – Perguntou à loira.
— Não sei bem Luxy, ele levantou bem cedinho e disse algo como “Vou procurar o Lorde Bufalo” — Disse o azulzinho demonstrando que não estava se lembrando bem do ocorrido.
— Lorde Bufalo é o senhor que solicitou a missão não é Charle? – Perguntou Wendy que amarrava seu lacinho nos longos cabelos azuis.
— Sim Wendy, isso quer dizer que ele iniciou a missão sem nós. – Concluiu a gatinha albina.
Todos ficaram se perguntando pela tal atitude de Natsu, mais Lucy sabia bem, ele queria terminar a missão o quanto antes e sozinho ele realizaria rapidamente, assim poderiam ir embora logo e não seriam obrigados a suportarem a companhia um do outro.
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