Fogo Inalcançável

3 3º Capítulo - O que temos que fazer agora é ficarmos mais forte.


Notas iniciais
Capítulo novo :D Mais um pouquinho de drama ... não faz mal né? ^^ Boa leitura. *.*

3º CAPÍTULO- O QUE TEMOS QUE FAZER AGORA É FICARMOS MAIS FORTE

O regresso para casa foi tranquilo, Lucy a todo o momento evitou ficar próxima de Natsu, esse que também ficou calado, soltou poucas palavras desde que voltara para o hotel, a missão ele concluiu antes que o resto do pessoal fosse atrás dele. Por enquanto sabia que manter distância da loira seria mais fácil, sempre que a via e sentia seu cheiro seu instinto animal o dominava fazendo-o agir sem pensar.

A loira disfarçou bem, conversou banalidades com Wendy e Charle durante toda viagem e Happy só dava atenção ao seu peixe. Desembarcando em Magnólia Natsu se prontificou em levar o relatório à Mira junto com Happy, para manter as aparências Lucy assentiu e agradeceu delicadamente. As meninas então seguiram seu caminho separadamente. Depois de alguns minutos caminhando rapidamente; e de amigavelmente cumprimentar amigos e conhecidos que encontrava pelo o que parecia um longo e tortuoso caminho; Lucy finalmente entrou em seu apartamento, respirou fundo sentindo o cheiro aconchegante de seu lar e então desabou... Sentia-se arrasada, fechou a porta e nela se encostou chorando dolorosamente. Sabia que sairia machucada mas não imaginou que doeria tanto. Se privar de mais sofrimento ao dar um basta naquilo tudo só lhe causou mais sofrimento. Que ironia.

Fungava e soluçava, parecia uma criança carente por atenção, as lágrimas grossas e salgadas castigavam sua pele macia, e no meio de toda aquela dor surgia um sentimento de alívio, sabia que havia tomado à atitude correta, e que de agora em diante não correria risco de mais decepções e magoas. Sabia o que seria bom naquele momento; escrever para sua mãe e depois tomar um longo banho, foi isso que com muito esforço fez.

...

Caminhava com as mãos atrás da cabeça e olhava para o céu refletindo sobre suas atitudes diante de tudo que aconteceu com Lucy; não sentia tristeza; apenas um incômodo por saber que não a teria mais para saciar seus desejos, nunca teve intenção de magoá-la, admitia que sempre foi um cara estourado e agia sem pensar direito, perdeu a conta de quantas vezes Gildarts tentou ensiná-lo a se controlar e calcular seus movimentos antes de executá-lo, mas cada dia ficava mais difícil manter a calma e a lucidez, a voz que ecoava em sua cabeça era poderosa e convincente, quando via já tinha feito alguma coisa que há alguns meses atrás jamais seria capaz de fazer.

—Natsuu, me dê o relatório eu entrego para Mira! – Foi quando percebeu que haviam chegado à Guilda, Happy o olhava curioso e deu uma sorrateira risada ao ver que Natsu estava tão distraído, recebendo o papel do amigo o neko seguiu em direção a Mira.

Afundado em seus pensamentos Natsu só notou os olhares em si quando sentou numa banqueta próxima do balcão, olhou em volta e pode ver nos olhares de seus amigos o receio e medo de que ele estivesse mais uma vez consumido pela força desconhecida de seu ser. Mas por sorte não estava, estava apenas confuso e frustrado.

Olhou pela guilda a procura dela; que tolo; sabia que ela não estava lá pela ausência de seu cheiro suave. Respirou fundo... por quê estava a procurando? Balançou a cabeça na tentativa de sair desses devaneios e voltou a passear com os olhos pelo salão, avistou Gray e Gajeel encostados nos fundos do amplo cômodo, ambos com uma caneca, provavelmente com alguma bebida de alto teor alcoólico dentro. Gray o observava e assim que viu que Natsu o olhava levantou sutil a caneca e acenou com a cabeça, chamando-o silenciosamente para acompanhá-los na bebedeira. Natsu não queria beber, temia que com álcool no sangue fizesse mais besteiras, mas talvez conversar seria uma boa.

Se aproximou dos amigos e sentou sobre a mesa que estava perto deles, seu olhar estava perdido e não escondia o confusão nos pensamentos, Gray o analisava frio e sério como sempre, Natsu era seu melhor amigo; prova disto era a eterna rixa entre eles; um sempre querendo ser melhor que o outro, mas sabia que Natsu sempre foi superior, sempre soube da capacidade do amigo, não só a respeito de seus poderes mas também em sua personalidade sincera e explosiva.

— Vai desembuchar ou não? – Sua voz calma, porém sonoramente firme vez com que Natsu levantasse o olhar que até então estava perdido no nada.

— É a Lucy. – Na voz foi possível sentir a incerteza, ele próprio não sabia se toda aquela frustração vinha do que aconteceu noite passada.

Gray se surpreendeu, Lucy e Natsu eram eternos companheiros, se entendiam apenas no olhar, como poderia ela causar tamanho alvoroço nos sentimentos do amigo? Achou que toda aquela aflição vinha dos problemas que ele secretamente estava enfrentando. Mas por ver que Lucy era o pivô de tudo engoliu em seco, como poderia ajudar o amigo? Sobre passados obscuros, futuro incerto e poderes crescentes ele com certeza poderia de alguma forma dar-lhe uma assistência. Mas afinal, porque Lucy era o motivo? Não conseguia imaginar circunstâncias para isso... balançou a cabeça e largou o copo sobre a mesa que Natsu usava como assento, o álcool não iria ajudar de qualquer forma.

Enquanto isso Natsu refletia se contava ou não para os amigos, temia que de alguma forma difamasse a imagem da loira, mais Gray e Gajeel muito provavelmente entenderiam, precisava desabafar ou iria sucumbir. Mas antes que encontrasse a melhor forma de falar Gajeel tomou sua frente.

— Ela se cansou do caso incerto e secreto que estavam tendo? – Gajeel que a todo o momento estava calado mas concentrado na situação tensa que Natsu enfrentava. Falou calmo com sua voz grave, e dando uma golada em sua bebida, tirando de Natsu um olhar de surpresa e de Gray um rosto de “que piada é essa?”... Se não fosse pelas circunstâncias riria da cara dos amigos.

Natsu sorriu; como pôde ser tão descuidado; claro que Gajeel perceberia, por quantas vezes veio direto para a guilda após ter Lucy em seus braços, sem dúvida o cheiro da loira ficava fundido em sua pele. Por sorte Laxus e Wendy não eram tão atentos ao olfato quanto Gajeel.

— Como assim? Do que você está falando? – em pura confusão Gray queria saber o que parecia ser óbvio para Gajeel.

— Eu e Lucy estávamos... hã ... sabe ... – não encontrava as palavras.

— Natsu e Lucy são bem íntimos, se é que me entendi! – explicou Gajeel vendo que Natsu estava por incrível que parecesse envergonhado.

Gray ficou surpreso com a notícia, esconderam muito bem, pois ele que é amigo tão próximo dos dois e muito observador não percebeu, sempre torceu pelos dois e de repente receber uma novidade dessas era muito animadora, mas respirou fundo e demonstrou chateação ao ver que eles já estavam enfrentando uma “crise”. Olhou para Gajeel e se perguntou como que ele sabia, mas tão logo se tocou.

— Você notou pelo cheiro? – Olhou para o amigo de ferro que com um leve movimento com a cabeça indicou que sim.

Então Gray entendeu tudo, homens são assim, com meias palavra e alguns acenos entendiam toda a historia, não necessitavam de detalhes nem de textos longos e exaustivos para sacarem o problema.

Gray, logo havia entendido todo o drama do rosado... olhou para os olhos perdidos e frustrados do amigo. – Fez tudo inconsequentemente e por puro prazer, e agora ela se cansou da incerteza e te mandou para o inferno? – Era óbvio, tão óbvio que seria tedioso se não fosse de Natsu e Lucy que se referia. Cruzou os braços baixando a cabeça e sorrindo torto, seu amigo havia dado uma bela de uma mancada.

— Estou me contradizendo com todos meus planos, com tudo que é certo e importante para mim, era só chegar perto dela que eu ficava louco... Kêssa ... eu sei que poderia falar o que ela queria ouvir mas não tive vontade ou coragem sei lá. Não sei o que quero. – Não escondia a irritação nas palavras, sempre de cabeça baixa observando o chão, não queria encarar os amigos.

— Em algum momento foi sincero com ela? – Perguntou Gajeel.

— Acho que sim, mas ela ficou magoada se sentiu usada. Maldita fraqueza do humano, maldita hora que fraquejei. – Estava cada vez mais irritado a medida que ia organizando seus pensamentos.

— E o que esperava... você é humano não é? – Gray questionou de forma que sua pergunta pareceu ter mais de um sentido. No seu rosto sempre a frieza. Assim como Lucy ele também andava investigando Natsu e tentando entender do porque de tantas reuniões com o mestre.

— Não enche! – Irritou-se. – Lucy estava me enchendo com cobranças e perguntas. Não pude fazer nada, isso tudo nunca esteve nos meus planos e nunca cogitei em incluí-los.

— Parece que esta abrindo mão dela! – Ficou incomodado com as palavras do amigo, até ele ficava triste ao ver a frieza do rosado, imaginou Lucy tendo que encarar isso, pobrezinha. – Fique esperto Natsu, existem erros incorrigíveis.

Não havia muito que falar para o rosado, o assunto era delicado, Gray sabia que ele estava confuso e irritado, mas Natsu estava tendo oscilações de comportamento e humor, parecia que aos poucos se tornava outra pessoa. Achou que falar qualquer coisa seria inútil. O erro já estava feito, a magoa já estava ali.

— Não deixe que a raiva aumente, ou irá consumir todo sentimento de carinho e respeito que um tem pelo outro, vá atrás dela e peça desculpas seu baka, não importa se você nem saiba do porque das desculpas, o importante é pedir. É isso que ela está esperando, uma simples palavra. – Gajeel surpreendeu, por mais uma vez falar o óbvio.

Como um sino que tocou em sua mente e um sol raiar em suas lembranças Natsu se recordou das palavras ditas pela amiga.

“– Palavras Natsu. Preciso de palavras. Do modo que você fala parece que seria uma tolice eu desejar isto!”

— Era isso? Era isso que ela queria afinal, por kami...

— Natsu. — Aquele que o chamou ganhou o olhar raivoso do rosado por lhe interromper. – Venha o mestre está lhe chamando. – Era Gildarts que a poucos metros do trio o chamou alto já na intenção de interromper qualquer que fosse a conversa que estavam tendo.

— Kêssa!! – Resmungou saltando da mesa, por mais que lhe faltasse disposição para mais uma conversa cansativa com os velhos ele tinha que ir, afinal era um chamado do mestre.

Gray e Gajeel observaram o amigo se afastar e subir as escadas no encalço de Gildarts.

— Espero que ele não deixe para depois as desculpas. Se é que iria pedir.

Gray foi obrigado a concorda.

...

Quando saiu da sala de Makarov já era noite, estalou o pescoço e de soslaio encarou feio o mais velho que caminhava sereno ao seu lado. Estava cansado de tantos palpites, de tantas ordens.

— Quanto antes melhor! – Era mais uma tentativa sutil de convencê-lo.

— Não enche. – Rosnou Natsu de saco cheio saiu á frente com passos largos.

Gildarts olhava para Natsu até ele sumir de sua vista, suspirou preocupado, com as mãos nos bolsos continuou a caminhar vagaroso. Enfim a preocupação do Mestre e do conselho estava se mostrando com fundamentos agora. — Como pode a vida tomar um rumo tão diferente da que imaginamos?!

Natsu não tinha mais condições de conversar nem de aguentar seus amigos, tão logo desceu as escadas quanto rumou porta a fora. Os amigos aflitos ficaram para trás, era impossível Natsu passar despercebido entre eles, o rosado era uma figura presente e altiva na família, como que um símbolo uma inspiração, e vê-lo assim tão irritado e preocupado deixavam todos angustiados. Mas o que mais incomodava a todos era não poderem o ajudar.

— Espero que Natsu Oníi-san volte a ser como era antes. – Romeu se entristecia todo dia que via seu irmão de guilda cada vez mais irritado e distante. O silêncio e os olhares preocupados de Macao e Wakaba era a resposta de que também desejavam o mesmo que o jovem mago.

No caminho para sua casa tentava tomar sua decisão, sorriu torto e balançou a cabeça em negativa, a quem tentava enganar, já havia se decidido há muito tempo.

“- Quanto antes melhor! –“ Lembrou-se das palavras de Gildarts, sabia que ele tinha razão.

...

O sol mais uma vez raiava desinibido naquela manhã, com os olhos sensíveis devido a luz os abriu lentamente, se esticando e soltando um gemido de preguiça.

Fazia quatro dias desde que voltara da última missão com Natsu, Wendy, Happy e Charle. Quatro dias de pura correria para evitar se trombar com ele, não se sentia pronta para encará-lo.

— Vai me evitar até quando? – A loira escutou uma voz roca ecoar em sua cabeça, que estranho, a voz foi muito presencial não parecia ser sua mente lhe culpando por fugir de Natsu covardemente. – “A não! ... não pode ser ... Será?”. Esperando estar enganada olhou para onde ouviu a voz... e o grito saiu estridente, caindo da cama com o edredom enroscado em suas pernas, bateu com força a cabeça no chão sendo forçada a fazer uma careta de dor. Por aqueles segundo esqueceu-se de tudo e olhou fuzilante para o único ser que seria estupidamente capaz de invadir seu quarto.

— QUEM MANDOU VOCÊ ENTRAR!!!

Natsu sorriu, não tinha como aquilo não ser engraçado, devia ter dado mais valor naqueles momentos que antes eram tão constantemente vividos por eles. Foi quando Lucy o vendo sorrir torto sentado na poltrona que a fez recordar daquilo que queria esquecer. Tentou se ajeitar, alisando o cabelo e puxando a camisola, olhou para os lados sem graças.

— Não estou te evitando Natsu! – Respondeu, deixando o mago surpreso por mostrar que mesmo com a pergunta inesperada e com o susto tomado ainda se lembrou para poder respondê-lo.

— Ficar quatro dias sem ir para a guilda, correndo pelos becos, se infiltrando na multidão e usando outros perfume para confundir meu olfato é o que então? – Perguntou travesso.

Derrotada pelo óbvio sentou na cama abraçada em seu grosso edredom rosa, olhou para Natsu com os olhos distantes, ele viu que a loira buscava uma resposta para si própria. Ele a olhava diferente, como que seu pensamento estivesse longe.

— Gomen ne!

Lucy deu um sutil pulo ao ouvir o pedido inesperado de desculpas, não esperava por isso. Mas antes que ela pudesse dizer algo ele continuou; puxando outro assunto.

— Vim a pedido de Levy, ela obrigou Gajeel a me obrigar a vir aqui pedir que você vá para a guilda. – Disse se confundindo com sua própria explicação.

Ele estava evitando, fugiu do assunto que ele mesmo abordou; parecia ter medo de lhe contar algo; por kami o que mais ela tinha que saber, será que ele estava com problemas? O pedido de desculpas era sobre o ocorrido entre eles ou por outro motivo? Já se sentia cansada com mais perguntas se formando em sua mente.

— H-hai, arigatou! Se puder diga a ela que logo chego lá. – Disse aturdida, ela estranhou ter uma conversa normal com ele mesmo que tão curta. Mais estranho ainda era ele entrar em seu quarto para apenas lhe passar um recado, sabendo ele que ela estava chateada e o evitando.

— Então nos vemos na guilda! – Falou ele já na janela dando impulso para saltar.

Lucy o observou até ele desaparecer de sua vista.

Sabia que Levy não sossegaria enquanto ela não aparecesse na guilda, teve sorte que Erza, Wendy e Juvia estavam em missão senão elas também não a deixariam em paz, Mira com certeza também deveria estar aflita pelo sumiço dela. Culpou-se, como pode ser capaz de preocupar suas amigas, que tipo de amiga ela era afinal.

Bom, o que evitava aconteceu, teve que encarar Natsu, e até que não foi tão ruim quanto imaginou, talvez estivesse mesmo na hora de ir para a guilda e buscar normalidade em sua vida, correu para se arrumar; tomaria café da manhã por lá mesmo na companhia de Mira e Levy.

...

— Como não ficar preocupado, é um de meus filhos que está com o destino cruzado em algo amedrontador. – Makarov observava o céu azul de magnólia sentado em sua cadeira de costas para Gildarts que de pé também observava o céu, aquele véu azul parecia ter o poder de trazer paz para aquele que o admirava, o mais velho não conseguia aceitar as palavras de Gildarts que inutilmente tentava lhe acalmar.

O brilho do sol foi roubado por algumas nuvens brancas que lhe pediam passagem, e uma sombra amena tomou o escritório do mestre.

— Apesar de tudo Natsu sempre foi um rapaz de princípios, a necessidade de proteger Fairy Tail e seus amigos, é o poder que o guia, é o que faz ser mais forte! – Tentava converse Makarov sobre o potencial de Natsu.

— Meu temor é que a guilda e seus amigos não sejam suficiente, a pessoas se fortalecem quando têm algo para proteger. Natsu precisa de raízes de vínculos profundamente fortes para enfrentar seu futuro. – Aflito pelas próprias palavras Makarov se entristeceu. As nuvens intrusas finalmente saíram da frente da estrela central, voltando o brilho quente e aconchegante bem na face de Makarov fazendo-o fechar os olhos e nesse flash Lucy surgiu em sua mente.

Um alívio tomou seu ser, deixando seu coração bater mais calmo, o mestre era um homem fiel ao seu sexto sentido, permitiu que sua mente confiasse em sua intuição e na aconchegante sensação de calmaria diante da imagem da loira.

...

Lucy chegou na guilda se sentindo insegura e um pouco desconfortável, olhava sem jeito para os amigos, mas foi recebida com carinho e mimos, Mira a arrastou para o balcão e Levy a todo momento puxava conversas sobre diversos assuntos. Sabiam que ela estava sofrendo por algo, talvez, muito talvez devido ao Natsu, mais não iriam questioná-la, se ela não queria falar a respeitariam e o que poderiam fazer é se esforçarem para que ela se sentisse melhor.

Natsu ir ao apartamento da loira foi estratégia de Levy, o único capaz de amedrontar Natsu e convencê-lo a ir buscar Lucy seria Laxus ou Erza mas com a ausência dos dois Gajeel até que prestou para o serviço. Sabia que o problema de Lucy era Natsu, sem dúvidas, algum desconforto surgiu entre eles; o porquê ela não sabia; poderia ser briga de amigos, desentendimentos ou uma confissão amorosa rejeitada, não importava, o importante era mandar Natsu para lá, assim eles seriam obrigados a pelo menos se olharem, isso daria passagem para Lucy se sentir mais confortável e vir para a guilda.

A loira sorria diante das conversas descontraídas das amigas, como foi tola em acreditar que o melhor seria ficar em seu quarto, seu lugar era com sua família. Estava aos poucos se sentindo mais forte e confortável. A poucos metros estava Natsu sentado em uma mesa junto com Happy, o rosado não disfarçava os olhares sobre a loira e se sentia aliviado em ver que ela estava se esforçando em ficar bem. Abaixou o olhar e ficou analisando o chão, bufou exausto, um olhar preocupado e escuro tomou seus olhos que novamente se voltaram para ela, irritou-se em saber que novamente iria magoá-la.

As horas deslizavam, realmente ficar em boa companhia fazia o tempo fluir mais rápido. Levy precisou ir a Fairy Hills buscar umas anotações para mostrar ao mestre, Mira foi liberada pela loira para fazer seus serviços no balcão. Acabou por ficar sozinha, mas não se incomodou, olhou por todo o salão e alguns a olhavam e sorriam em comprimento, alegremente ela retribuía. Não queria ir para casa e não queria pegar nenhuma missão nem sozinha e muito menos com Natsu, não por não querer a companhia dele mas sabia que seria muito desconfortável para os dois ficarem sozinhos por enquanto, decidiu que esperaria o regresso de Erza, Wendy e Gray para irem todos juntos, assim seria mais fácil lhe dar com a presença de seu amigo rosado. Olhou para o andar de cima da guilda e vendo algumas instantes com livros perfeitamente alinhados em cada prateleira, sorriu ao descobrir o que poderia fazer.

Lucy estava sentada em um dos inúmeros bancos do salão da Guilda, na mesa tinha alguns livros e anotações e ali ela ficou entretida o resto da tarde, nas últimas semanas havia esquecido como era bom ler, era sua terapia e fazer isso na guilda só melhorou seu humor, talvez as coisas pudessem sim voltar ao normal.

Estava uma tarde calma e gostosa, e começava a esfriar, hora e outra olhava para a enorme janela a sua frente para admirar o lindo crepúsculo. Na guilda tinha aqueles que sempre costumavam passar a tarde ali, Levy conversava animadamente com Gajeel e Mira estava a fazer seus serviços cotidianos.

Distraída em sua leitura mal percebeu a presença de Natsu, só notou quando escutou um ruído do banco da frente quando o mago se sentou.

— Natsu! Nem notei você se aproximando. – Disse surpresa por agir tão calma na presença dele.

— O que você está fazendo? – Perguntou mesmo sendo óbvio.

— Lendo. – Respondeu sucinta, então o olhou, repousou o lápis sobre o livro, duvidosa engatou outra pergunta. — Porque foi ao meu apartamento? Não importa o quanto te obrigassem, se você não quisesse não teria ido. E porque me pediu desculpas? – Os quatro dias afinal lhe fora útil, estava mais preparada para encará-lo, o medo que imaginou sentir foi tudo de sua cabeça.

Natsu soltou o riso sem graça pelo fato da loira o conhecer tão bem, realmente, se não quisesse não teria ido, mas queria, essa era a resposta, tão simples que talvez a loira nem desconfiasse dela. Foi em seu apartamento porque queria, queria vê-la mais uma vez dormindo serena, vê-la mais uma vez acordando e se assustando com ele, agora o pedido de desculpas era mais complexo para responder.

A olhou fixamente buscando a melhor forma de lhe contar, na verdade quando lhe pediu desculpas naquela manhã foi por lembrar instantaneamente que iria magoá-la novamente. Afinal, não seria capaz de cumprir a promessa de não se afastar dela.

— Uma vez me disseram que o lugar em que alguém está esperando você, é o lugar para onde você deve voltar. – Falou com sua voz rouca em tom baixo para somente ela escutar.

— Hum talvez seja verdade, mais o que isso responde o que eu te perguntei? – Ficou confusa.

— Tem alguém me esperando em algum lugar que não é aqui.

Lucy ao ouvir aquilo franziu o olhar, se mostrando confusa.

— Porque isso Natsu? Não estou entendendo! – Seu coração deu uma batida forte como se que tentasse prepará-la para mais uma decepção.

— Não vou te falar mais do que já sabe, não tem necessidade de você saber, só queria que você soubesse de antemão que vou iniciar uma série de treinamentos com Gildarts, de início ficarei um ano fora em treinamento. Mas com o tempo provavelmente terei que me afastar mais vezes...- Hesitou por um estante. – Então... o compromisso de sermos um time e a promessa de sempre irmos juntos nas missões terá que ser quebrada.

Lucy apenas via Natsu ficar cada dia mais distante, mais Inalcançável. Seu coração doía. Como poderia ser tão inocente? Achou mesmo que poderiam voltar a serem como antes e juntos se tornarem mais forte para Fairy Tail. Abaixou o olhar e sua franja caída criou uma sombra em sua face, era possível ver apenas seus finos lábios estremecerem e em seguida seus dentes trincarem. Sorriu sarcástica, toda vez que tentava se levantar ele lhe passava uma rasteira, e desta fez foi uma bem traiçoeira. Olhou para o livro em suas mãos, num sorriso falsamente convencido disse entre dentes.

— Estou cansada.. dizem que quando você machuca alguém, você se torna amargo, e eu estou vendo que isso é verdade...você não para de me machucar e cada dia mais está mais distante do Natsu que um dia foi. Conhecer a dor nos ajuda a crescer Natsu, e crescer significa ser capaz de tomar suas próprias decisões... acredito que você já seja bem crescidinho... ENTÃO FAÇA O QUE QUISER COM SUA VIDA! EU NÃO DOU A MÍNIMA PRA ESSAS PROMESSAS ESTÚPIDAS! – As últimas palavras saíram mais alto do que imaginou. Com uma pancada que dera na mesa ao fechar o livro e pegando impulso se levantou. Todos ali se assustaram, nunca viram Lucy realmente nervosa. Mira ficou apertando o copo que estava em sua mão aflita vendo que seus amigos estavam novamente em conflito.

Lucy recolheu rapidamente seus livros e em passos firme saiu da guilda, trombando na porta com Gray, Erza, Wendy e Charle que acabavam de chegar da última missão. Lucy até tentou mas foi impossível não verem os olhos banhados em lágrimas da loira que apressou os passos para fora da Guilda fazendo com que Erza fuzilasse Natsu com o olhar, mas ele ficaria para depois, primeiro tratou de seguir a loira.

— Wendy, fique aqui ok. – Pediu educadamente saindo em disparada atrás da loira. Wendy deu um rápido “Hai” e preocupada avistou aqueles que estavam na guilda olhando para eles como que se ali acontecessem um espetáculo. Com Charle no colo ela olhou para Gray que já caminhava firme em direção ao provável culpado de tudo.

Natsu não se importou com a cena, parecia estar igualmente nervoso e desesperadamente tentado se controlar, levantou-se e socou a mesa, foi em direção ao balcão sentou em uma das banquetas, e Mira que guardava uns copos o olhou preocupada e perguntou?

— Não vai atrás dela Natsu-kun?

— Para quê? Seria perca de tempo, não tenho mais nada pra dizer! – respondeu sem olhar para a albina.

A maga viu então Gray se aproximando e tratou de se dirigir para os fundos, daria a eles mais privacidade.

Gray que mesmo pegando apenas o desfecho da situação entendeu o que ocorria ali. Sentou-se ao lado de Natsu o encarando, era palpável a irritação nos olhos do amigo. – O que você vez desta vez? – Parecia cansado ao perguntar. Estava cansado das mancadas que Natsu dava.

— Por que sou sempre o vilão? Não fiz nada demais apenas disse a ela que terei um treinamento de um ano fora da cidade, ela reclama que não lhe conto nada e quando conto ela reagi como uma garotinha mimada. – Duro nas palavras bufava de nervoso.

— Nani, você vai partir num treinamento? Essa é nova pra mim... Mas você tem que entender que para Lucy é difícil aceitar, conhecendo ela e sabendo da positividade que ela tem sobre as coisas com certeza ela acreditava que vocês poderiam voltar a serem novamente bons amigos, mas agora ela viu que você apenas irá se afastar mais ainda dela. Lucy preza pelos amigos Natsu, ela te ama assim como ama toda dessa guilda e ficar sabendo por cima o que esta acontecendo com você está dando a ela a sensação de desprezo da sua parte. – Falou calmo olhando para o amigo que ainda não teve coragem de encará-lo, sabia o que falava, conhecia muito bem a amiga e entendia o que ela sentia. Ver seu amigo se afastando era incomodo para ele também e mais incomodo era a pouca importância que Natsu parecia dar para isso.

— Eu sei, mas o que eu poço fazer? São ordens que devo cumprir, ela deveria agradecer por eu avisá-la. Ela só pensa em me criticar, é muito fácil criticar uma pessoa sem saber o que ela está enfrentando. – Suas palavras fez Gray se surpreender, o que será que ele queria dizer com isso?

— É da natureza humana não perceber o real valor de uma coisa, ao menos que a percam. Talvez o melhor para vocês dois agora seja a distância. – Deu sua opinião e rezou que de alguma forma isso pudesse ajudar o amigo.

— Lucy falou que esta cansada, e eu também estou... A cada dia que passa, o passado parece mais radiante, feliz, amigável, e o futuro fica cada vez mais sombrio Gray. Tenho que fazer isso por um único propósito e não é pelo “bem de nós dois” não existe “nós dois” é para o bem de todos, mas se essa distancia de alguma forma ajudá-la então farei com mais prazer ainda. – Disse friamente voltando seu olhar para o nada.

Gray suspirou entristecido, a frieza do amigo incomodava até mesmo o mago do gelo. E aquelas últimas palavras? O que Natsu quis dizer sobre futuro sombrio? Ficou angustiado pelo amigo, será que o longo treinamento era para evitar esse “futuro sombrio”? Se enchia de perguntas mas não iria questionar Natsu, respeitaria seu silêncio.

Lucy perdida em frustração e tristeza nem havia percebido que Erza a seguia, apenas notou quando a mesma colocou uma de suas mãos em seu ombro, um toque suave; num pedido para parar a caminhada e ao mesmo tempo demonstrando que estaria ali; Lucy se virou e o olhar carinhoso da ruiva sobre si lhe acalentou.

— Será que um dia, quando o dia amanhecer e eu despertar essa dor terá dissipado? – A voz embargada pelo choro doeu em Erza que estreitou o olhar ainda mais acalentador e sorriu.

— Não sei Lucy. – Sua voz mansa e serena trazia calmaria naquele momento tenso. – Às vezes é exatamente pela dor que sentimos em nossos corações que nossos sentimentos podem ser tão fortes, por isso todos carregam dor em seus corações, até mesmo porque a dor de um amigo é sua dor também. – Sofria junto com sua amiga.

Lucy a olhou chorosa fungava e com as costas da mão tentava secar algumas lágrimas, quem passava por elas olhavam curiosos, duas lindas magas de Fairy Tail conversando tristemente entre lágrimas era de chamar a atenção de qualquer um, uns e outros olhavam tristemente e pareciam se preocupar com elas.

— Venha, vou te deixar no seu apartamento. – Abraçou o braço da loira e começou a caminhar lentamente. Não iria perguntar o motivo de tanto sofrimento, sem duvidas Natsu era o causador, mas deixaria as perguntas para depois no momento o mais importante era cuidar de sua amiga que mesmo cessando as lágrima continuava com o olhar choroso.

...

Natsu permanecia sentado naquela mesma banqueta alheio a qualquer um que circulava por ali, ninguém era ousado ou corajoso o suficiente para chegar perto, ele não estava com a melhor das caras, olhava para o nada totalmente perdido em frustração e dúvidas.

— E então, quando iremos partir? – Chegou sem ser notado e sentou relaxado na banqueta do lado, Natsu o olhou de canto e do mesmo modo permaneceu.

— Só preciso esperar o Happy voltar, ele foi pra algum lugar com Wendy e Charle, ai poderemos partir ainda hoje. – Tão sério que nem parecia ser o Natsu. Então olhou para o mais velho girando seu corpo na direção dele, parecia querer perguntar algo, mas hesitava.

— Pode perguntar! Sou seu mentor, não sirvo apenas para deixá-lo mais forte, mas para tirar sua dúvidas também. – Sorriu gentilmente, sabia que não estava sendo nada fácil para o mago do fogo.

— Quero ir nesse treinamento, quero me entregar e me tornar forte, não tenho dúvidas de que tenho que ir e nada vai me impedir. Mas... – hesitou por uns instantes fazendo cara de incômodo. – Mas é normal eu estar com medo?

Gildarts sorriu, era bom ver que Natsu tinha esses sentimentos.

— O medo não é uma coisa ruim Natsu, ele lhe mostra suas fraquezas.

— Mas tenho medo de não me tornar poderoso o suficiente, medo de mim mesmo. Meus amigos e Fairy Tail sempre foram o motivo para eu lutar e querer ser sempre mais forte, mas estou magoando eles e de alguma forma me incomoda ver que eu não me importo, isso faz sentido pra você?

— Conhecendo tanto coragem quanto medo, andando por ai derramando lágrimas, é assim que você se torna um verdadeiro homem. – Se sentiu orgulhoso por poder dar conselhos para seu discípulo, finalmente estava usando seus próprios erros e arrependimentos para uma coisa boa.

Natsu parecia guardar em sua mente cada palavra do mais velho, respirou cansado e juntou forças para se levantar, olhou para Mira que estava distraída lavando uns copos atrás do balcão.

— Mira, está noite estarei partindo em um treinamento de alguns meses, por favor, avise Erza e Gray. – Mira o olhou e não conseguiu disfarçar a surpresa, respondeu com um educado “Hai” e soltando um breve sorriso de despedida, agora sabia do porque que Lucy andava tão triste. Olhou para Gildarts e o mesmo a encarava com serenidade como querendo dizer para ela não se preocupar.

— Nos encontramos na saída da cidade. — Olhou para o mais velho que assentiu positivamente. Iria para casa queria pegar alguns pertences e tentar relaxar sozinho enquanto Happy não voltasse.

Natsu olhava perdido em cada detalhe de sua sala, estava a algum tempo esperando Happy chegar, o azulzinho havia ido tomar chá com Wendy e Charle, convite especial da albina, mas fora Wendy que deu a ideia, tudo para poder dar um espaço para o rosado. A Jovenzinha azulada tinha pouca idade e experiência, mas sabia que Natsu precisava de um tempo sozinho.

Happy surgiu entrando pela janela aberta, com suas pequenas assas. – Natsuu!! – Disse alegremente pousando suave sobre a mesa, Natsu desviou brevemente o olhar para ver seu amiguinho, mas logo voltou a fitar o teto.

— Happy, partiremos hoje para o treinamento. – dizia calmo, finalmente seus ânimos estavam mais serenos, continuava a olhar para o teto. Happy desmanchou o sorriso do rosto e não fez nenhuma questão de demonstrar que não estava feliz, não pela ida deles para um treinamento, mas sim por deixar seus tão queridos amigos para trás, e pensando neles instantaneamente lhe venho Lucy em sua mente, com certeza ela seria a que mais faria falta.

— Não entendo do porque não podermos ao menos levar a Lucy. – Disse triste olhando para seu amigo que nada demonstrou além de frieza e desinteresse.

— Veja o que você quer levar, te esperarei lá fora. – Simplesmente ignorou a reclamação do amigo, levantou-se e pegou sua mochila saindo da casa sem ao menos olhá-la pela últimas vez, afinal ficariam muito tempo fora.

Happy suspirou derrotado nem teve a chance de se despedir de Lucy pelo menos. Mas não queria irritar seu dono e tratou de pegar alguns peixes e colocá-los em seu lenço verde, e assim que amarrou o lenço em seu pescoço olhou para a sua casa, respirou fundo na esperança de guardar aquele cheiro aconchegante de seu lar em sua memória, nos pensamentos se despediu – “ Até mais casa, logo voltaremos!” – fechou a janela por qual entrou a travando e saiu pela porta trancando-a, o som da tranca ecoou pela casa que ficou escura e silenciosa.

Notas finais
Natsu bipolar gente!! XD Achei o episódio um pouquinho chato :( mas eu queria deixar bem claro como foi difícil a partida de rosado, e o quanto ele está confuso. Fantasminhas camaradas, não me assombrem :´((( fico triste ... mandem suas opiniões, comentem vai!!!!! *.*