Fogo Inalcançável
16 16º Capítulo - Os dias passam rápido, Natsu está de volta Parte II
Notas iniciais
Pov’s Lucy
Lucy viu Natsu parado frente ao berço de Nashi, ele estava imóvel olhando para a filha, foi estranho e assustador vê-lo ali.
Chamou seu nome, que saiu em puro reflexo. Vendo ele se virar, ela estremeceu, não o via há um ano, ele estava visivelmente mais forte, parecia até mais alto, os cabelos mais compridos a feição séria e olhar penetrante. Estremeu por estar novamente sob aquele olhar, ele ali tão perto da filha... Agora a realidade batia em sua porta, aquele era o momento da verdade, onde teriam que se entender pelo bem de Nashi, teriam que entrar em um acordo. Suas mãos tremiam e sua mente divagava entre o medo e a ansiedade, ver Natsu tão perto da filha fazia eu coração doer. Seu maior medo, era Natsu rejeitar Nashi.
— Natsu!? … O o que faz aqui?! – Soltou quase que inaudível.
Assim que ele ouviu sua voz ele se virou, tão calmo e tranquilo, parecia saber que ela estava ali o fitando apavorada, a olhou nos olhos, um olhar imponente e penetrante que tirou todo o vestígio de ar que ainda existia em seu pulmão. Pareceu que ficou horas sobre aquele olhar.
Foi quando a pequenina resmungou manhosa, como que se quisesse a atenção do pai, Natsu voltou seu olhar pra ela, era tão pequena. E olhando para Nashi ele respondeu:
— Vim conhecer minha filha.
Aquela voz.. uma voz um tanto rouca e firme que ressoou pelo quarto. Seu coração, como que se já não fosse possível, acelerou ainda mais.. . Puxava o ar mas não sentia seus pulmões enxerem.
Se culpou por não conter as reações de seu corpo, pois fora impossível não sentir nada ao ouvir a voz dele.
[...]
Chegaram um pouco mais tarde do que imaginou, mas estava aliviado por já estar em Magnólia. Mesmo passando das nove a cidade ainda estava bastante agitada, era uma noite um tanto fria, mas ainda sim era uma noite agradável, via famílias aproveitando suas refeições nos restaurantes e lanchonetes, amigos e casais apaixonados passearem pelas ruas de mãos dadas ou abraçados. Caminhava tranquilo, ora e outra desviando de crianças sapecas que corriam alegres pela calçada.
Com tanta gente na rua o moreno claramente chamava a atenção por onde passava, fazendo as belas moças, e até mesmo as mais velhas suspirarem ao ver aquele rapaz musculoso, alto e de feição seria caminhar despreocupado pelas ruas. Gray caminhava vagaroso para seu apartamento, tomaria um banho e depois iria para o apartamento de Lucy.
Gray sempre perspicaz e atento notava os olhares sobre si, mas já estava acostumado, o que de fato lhe incomodava era a nítida sensação de que algo não estava nos conformes, algo ou alguma coisa estava desequilibrando a tranquilidade daquela noite. O mago mesmo caminhando fechou os olhos, os passos eram lentos, porém firmes, de olhos fechados ele buscava mais concentração, resmungou baixinho, as mãos que estavam descansando nos bolsos da calça ficaram tensas, passou a dar atenção para cada sensação, cada barulho, então, mesmo com a brisa fresca vinda do mar Gray sentiu um calor incomum, rapidamente abriu os olhos, tirou as mãos dos bolsos e olhou para trás, sem pensar correu para o apartamento de Lucy.
Como um verdadeiro mago, Gray corria feito o vento, ultrapassava obstáculos sem qualquer dificuldade. Não sabia ao certo o que estava fazendo, tão pouco o que faria quando chegasse ao apartamento da amiga e encontrasse seu velho amigo, só conseguia pensar em Lucy e Nashi, e que elas talvez estivessem precisando de ajuda.
Gray sempre viu Lucy como uma grande amiga, talvez, muito talvez, logo que ela chegara na guilda ele tenha sim, se atraído por ela, mas tão logo a amizade deles foi trilhando seu próprio caminho, uma amizade pura, sem intenções e poderosamente forte, e o fato da loira estabelecer uma forte ligação com seu amigo Natsu, com certeza se tornou o maior motivo para Gray jamais vê-la com outros olhos. Achava engraçado o fato de sentir-se sempre responsável pela segurança de Lucy quando Natsu não estava por perto, e sorria sarcástico ao perceber que era seu instinto em querer proteger algo que ele sabia ser precioso para Natsu.
Seu coração se apertou ao perceber que corria com todas suas forças para proteger Lucy de Natsu. Gray tinha medo do que poderia vir desse encontro, Natsu sempre foi tapado, desprovido de inteligência e leigo nos quesitos “Mulheres”, mesmo quando ainda era o Natsu de sempre ele sempre fazia ou falava algo que no mínimo chateava Lucy. Agora, tentava imaginar como seu amigo estaria, depois de quase um ano afastado, depois de todos seus problemas.
[...]
O nó na garganta e os batimentos frenéticos do coração impedia que sua respiração fruísse adequadamente. Da onde estava no momento que o avistou ela permaneceu, não moveu um passo a mais. Ficou imóvel o observando, escutava no fundo a risada sapeca de sua filha, que provavelmente resmungava e se distraia com as mãozinhas colocando-as na boca. O mundo parecia estar habitado apenas pelos três, e o relógio parecia não mais fazer seu trabalho. “— O tempo congelou?” pensou apavorada.
"— O-o que venho fazer aqui? — O quê? Porque perguntei isso?! É óbvio que ele veio constatar se realmente há um bebê ali. Veio ver com seus próprios olhos se realmente é pai, enquanto eu já enfrento a realidade de ter uma filha já há muitos meses”. – Se culpou por perguntar, aquele olhar, aquele rosto a fazia estremecer. Como podia estar tão vulnerável ainda, ela teve um ano para ficar mais forte, e naquele momento parecia estar mais vulnerável do que no dia em que Natsu partiu.
“- Conhecer minha filha.” — Repetia em sua mente o que ele havia lhe dito.
Natsu observava Lucy, quando que ouviu a pequena resmungar manhosa, e imediatamente voltou seu olhar para ela. De todas as sensações estranhas que sentiu em sua vida, de todos os sentimentos incontroláveis que o dominou, aquilo, que ele sentia naquele momento era com certeza o mais misterioso, o mais incompreensível que sentia. Seu coração batia forte, o cheiro de Lucy, misturado com aquele novo invadia seu olfato e dominava seus sentidos. Era absurdo ficar tão desorientado assim.
— Nashi Dragneel? – Falou firme, mas calmo. Não era de fato uma pergunta, apenas tentava se acostumar com aquele nome.
Lucy ainda estava assimilando o fato de Natsu estar ali, com elas, o medo a dominava e suas pernas fraquejavam. Ajeitou-se, puxando a toalha mais para cima e segurando firme o enlace que mantinha o pano macio preso em seu corpo.
— Hai... – A voz saiu fraca porém um pouco serena, só em ouvir o nome da filha seu coração se acalmava.
Natsu, que apesar de todos os defeitos era muito esperto em outros quesitos, logo notou o significado do nome. Seus lábios que se mantinham tênues formaram um leve sorriso, quase imperceptível, mas Lucy notou. Ele sorriu de canto e voltou seu olhar para sua filha.
— É um bom nome! – Falou sem conseguir desviar os olhos de Nashi, que se agitava animada no berço. Ele havia gostado desse nome assim que o mestre lhe disse. Era um nome forte e único. — Vou cria-la. — Falou sucinto e decidido, como que se tivesse tomado essa decisão naquele instante.
Lucy engoliu o ar e arregalou os olhos, a pele sempre tão alva, foi capaz de ficar mais pálida. Ao notar o silêncio Natsu olhou para a loira e não se conteve.
— Não se apavore! Sou o pai dela não sou? Vou cumprir com o meu papel. Apena isto. – O tom saiu um tanto arrogante e irônico, parecendo achar graça do desconforto de Lucy.
Seu coração se acalmou, relaxou os músculos que haviam ficado rígidos somente com a ideia de Nashi ser tirada de seus braços. Mas logo a angustia da raiva a tomou, a loira percebeu o tom usado por ele, e isso a irritou. Seu coração apertou-se, e seu maxilar trincou em ódio contido.
— Criá-la! ... E como fará isso? Por acaso usou sequer um minuto da sua agitada vida pra pensar nisso?! – Soltou áspera, finalmente recuperando a postura e sendo capaz de usar um tom mais firme; mesmo que em seus olhos estivessem desenhados o desespero e medo que sentia naquele momento.
Natsu soltou um ar de impaciente, ela estava o acusando e o depreciando antes mesmo que ele pudesse fazer algo. Isso o irritou. Viu que não seria fácil se restabelecer naquele lugar, tão pouco chegar num acordo com Lucy. O um ano em que esteve fora foi capaz de fazê-lo esquecer-se daquela vida, se habituou facilmente em viver em jornada, sem cama, sem teto... já sentia falta daqueles dias. Ele olhou firme para Lucy, os olhos ônix se chocaram com os castanhos. Lucy estremeceu novamente com o poder daquele olhar, se sentiu um coelhinho encurralado por um dragão.
— Ela é minha herdeira! Você ser mãe dela é só um fato. Se ficou tão apavorada com a ideia de que posso tirá-la de você é porque sabe que eu posso fazer isso. Então não me venha com essa atitude de garotinha irritada pro meu lado. – Falou tão calmo e ameaçador que amedrontaria até a mais fria alma.
Ao ouvir aquelas palavras inesperadamente se lembrou de quando eram grandes amigos, de quando ele a puxou e falou “Venha comigo”, da parceria única que tinham um com o outro, Natsu nunca a tratou com estupidez, sempre a protegia e a salvava. De repente eles se envolvem amorosamente, ela engravida, dá a luz e agora, está ali sob aquele olhar, escutando tais palavras.
Parecia estar num pesadelo. Seu coração doía, com esforço apenas desviou o olhar apavorado para o berço onde estava sua filha, a única coisa que mais queria naquele momento era pegá-la e tirá-la de perto dele. Então, sem saber de onde, tirou forças para encarar novamente os olhos de Natsu, ele estava tão confiante e forte e ela tão apavorada.
Lucy não teve mais como falar, sua garganta travou, as únicas força que lhe restou era usada para segurar o choro. Lucy desceu o olhar, observando a postura de Natsu, eram palpáveis as mudanças nele, ele estava mais forte, sentia a dessidade do seu poder, e ao pensar nisso Lucy estremeceu, ele já era insuperável, sempre derrotou os mais fortes dos inimigos, agora sim ninguém seria páreo para ele. Fraquejou, usou as mãos tremulas para apertar a toalha que envolvia seu corpo. Desesperou-se ao perceber que ele tinha razão. Se ele quiser tirar sua Nashi ele tirará e ninguém irá impedi-lo. Seu olhar apavorado não passou despercebido por Natsu, que pareceu não se importar.
E como uma luz que surge na completa escuridão.
— Natsu! – A voz mansa, mas forte e grossa ressoou do outro lado do quarto a fazendo despertar daquele pesadelo. Que tão atordoada não percebeu que a porta de entrada havia sido aperta.
Lucy olhou então para Gray, e sem saber como, caminhou até ele, e parou frente ao amigo olhando pálida para ele, seu olhar apavorado e suplicante caiu sobre os de Gray que viu que ela estava desesperadamente pedindo por socorro.
— G-Gray! – A voz falha e claramente desesperada fez o moreno olhar mais preocupado ainda para Lucy. Vendo que ela estava a um fio de desabar se aproximou dela deixando que ela se escondesse em seu abraço. Lucy não tardou em buscar socorro nos braços de Gray, sentindo enfim a presença forte do moreno que tendo a amiga grudada em si percebeu o quanto ela estava tremula e gelada; mesmo com todo o calor que Natsu emanava naquele quarto. Gray olhou para Natsu, logo notou o quanto o amigo estava diferente, mas ignorou esses fatos, só o que pensava é que havia chegado na hora certa.
— Acho melhor vocês conversarem outro dia! – Deixou os comprimentos de lado. Queria muito conversar com Natsu e saber mais sobre sua jornada, poder contar-lhe sobre Nashi e lhe dar dicas de como mimá-la; estava ansioso para isso, mas o mais importante naquele momento era Lucy, que visivelmente não estava bem com a presença dele.
Natsu mantinha um olhar reprovador sobre Lucy, que procurava não olhar para ele. Observou o aperto forte que ela dava com uma das mãos no sobretudo do moreno e o quanto ela tremia, o rasado soltou o ar e falou.
— Que seja. – Ficou irritado ao constatar o quanto a mãe de sua filha era fraca. Então se retirou, mas não pela janela, caminhou rumo a porta de entrada, indo em direção a Gray e Lucy, em passos ameaçadores, e passou ao lado deles, obrigando a dupla a sentir sua áurea densa, dominadora e quente, abriu a porta, saiu e a fechou. Instantaneamente o ar do apartamento mudou, ficando mais leve e fresco.
Lucy permaneceu abraçada em Gray, finalmente permitindo que seu corpo reagisse a tudo aquilo, o choro sofrido ecoou pelo quarto enquanto tremia nos braços do amigo, apertou o abraço e escondeu o rosto tentando abafar o choro no peito de Gray, que tentando acalentá-la colocou uma mão em sua cabeça, na intenção transmitir algum conforto para sua amiga.
Gray manteve a loira em seus braços, e esperou pacientemente até que ela se acalmasse. Alguns minutos se passaram até Lucy se sentir pronta em soltar-se do amigo. Que assim que o fez ela logo se encolheu em frente a Gray e olhou para baixo totalmente desconsolada.
— Eu sou uma covarde Gray... se ele quisesse levar Nashi ele teria levado! ... – Falou em sofrimento.
— E porque ele faria isso? É do Natsu que estamos falando. Apesar de tudo, ele não faria isso. – Tentou achar alguma lógica em tudo isso, mas até mesmo ele duvidara do que falava.
— E-ele tem muitos motivos para tirar Nashi de mim... – Fungava enquanto falava, tentando secar o rosto com as costas das mãos. – Ter uma mãe fraca cuidando de um bebê tão poderoso já é o maior motivo para tirá-la de mim. – Caiu mais lágrimas.
— E por acaso você é fraca? – Perguntou em tom de repreensão, se aproximando mais da amiga para tirar os fios de cabelos grudados em seu rosto. – E todo discurso que você me fazia, dizendo que ficaria mais forte para o bem de Nashi? Não desista antes mesmo de tentar Lucy.
Nashi então começou a chorar, avisando que o lanchinho da noite já estava atrasado. Lucy se afastou de Gray e foi cuidar de sua filha, a pegando, e a apertando forte contra si, sentindo o cheirinho e o calor de sua pequena. Gray apenas observava, olhava para a amiga visivelmente abalada segurando aquele anjinho lindo, era uma cena única, nunca imaginou Lucy sendo mãe, nem passando por tamanha tribulação, ela era a única que não via o quanto era forte e o potencial que ainda estava adormecido dentro de si.
— O negai, segure-a para que eu possa preparar a mamadeira dela. – Pediu gentilmente ao se aproximar de Gray, passando a rosadinha para os braços do tio, que cautelosamente a envolveu em seus braços.
Lucy estava tremula e fraca demais para amamentar Nashi, então decidiu preparar um leitinho especial na mamadeira mesmo, que depois de pronta Lucy entregou para Gray, que com habilidade posicionou melhor Nashi em seus braços e calmamente colocou a pequena mamadeira na boquinha banguela dela. Ele já estava acostumado, pois Lucy sempre contava com a ajuda dele para cuidar da pequenina, o fazendo perceber que tem muito jeito com crianças, mas especialmente o convívio com Nashi o fez despertar instintos que jamais teve em sua vida. A ânsia de protegê-la, de vê-la crescer saudável e feliz gritava dentro de si, Gray sabia que seria capaz de qualquer coisa para proteger aquela mocinha linda que estava em seus braços.
— Gray. – Lucy se sentou em sua cama e olhava apreensiva para Gray que estava de pé. Assim que o moreno a olhou ela abaixou o olhar em constrangimento, e perguntou. – O que faço? Não estou pronta para enfrenta-lo... Eu...eu achei que estava, realmente acreditei que estava pronta. – Terminou aflita, repudiando sua fraqueza.
Gray suspirou cansado, e voltou a fitar Nashi, que mamava preguiçosamente, sugando com gosto o leite apenas dando pausa para respirar, fazendo o líquido espumar na mamadeira. Gray sorriu com a graciosidade daquela coisinha fofa, que era tão esfomeada quanto o pai.
— Você está pronta Lucy, só não calculou corretamente o quanto o regresso dele te afetaria. O que aconteceu hoje foi perfeitamente normal, você o ama. – Ao ouvir isso Lucy pareceu engolir algo amargo. – e ele é pai de sua filha. Agora você sabe que ele está de volta, amanhã certamente ele irá para a guilda, e você estará pronta para enfrentá-lo. Acredite em mim. – Falou calmo e confiante, não tirando os olhos da pequena.
Lucy pareceu duvidar, não conseguia imaginar tento forças para ir à guilda no dia seguinte, e Gray percebeu isso.
— Não ouse fugir Lucy, quero vê-la na guilda amanhã, e leve a Nashi, como você sempre faz. – Falou autoritário, obrigando a amiga a sacudir a cabeça em concordância. – E vá tomar outro banho! – Concluiu o amigo.
Foi só nesse momento que Lucy percebeu que ainda estava de toalha. E realmente o amigo estava com razão, devido ao calor de Natsu ela havia suado muito, seu cabelo estava molhado e sentia que sua pele estava salgada.
— Arigatou Gray! – Agradeceu ao amigo, agradecia por muitas coisas, por ele a mandar tomar um banho, por ele tomar conta de Nashi, por ele a segurar quando achou que iria desabar.
Lucy pegou outra toalha e uma muda de roupa e foi para o banheiro. Gray sentou na cama da loira, vendo que Nashi finalmente havia terminado de mamar ele tirou a mamadeira da boquinha dela e encaixou as duas mãos abaixo dos bracinhos de Nashi, fazendo que a pequenina ficasse de pé, assim ficou mais visível as dobrinhas das perninhas e dos bracinhos, pois Lucy havia colocado apenas frauda e um body violeta nela. Gray cheirou seu rostinho e lhe deu um beijo carinhoso na pontinha de seu nariz a fazendo rir toda sapeca.
— Acho que você vai ser a única que conseguirá dar um jeito naquele cabeça de fósforo. – Falou mansinho, e Nashi o encarou parecendo entender, e então sorriu novamente, agitando a perninhas gorduchas.
Quando Lucy saiu do banheiro já de calça e blusinha, viu que Nashi estava dormindo em seu berço e Gray observava a cidade pela janela do quarto. Sorriu, Gray estava sendo um grande amigo, não tinha nem coragem de imaginar como seria se ele não estivesse ali, ao seu lado.
— Não se preocupe Gray, pode ir descansar! Estamos bem. – falou a loira, sorrindo gentil para o amigo, que deixou a vista da janela para olhar para a amiga.
— Tá certo. Descanse também. – Pediu o moreno, dando uma ultima olhada na pequena, e antes de se retirar do quarto se aproximou de Lucy, afastando a franja e dando-lhe um beijo protetor em sua testa. Lucy apreciou o carinho, se sentindo mais protegida. O moreno então saiu do apartamento.
Lucy suspirou, fechando os olhos, na tentativa de manter a calma. Se aproximou de Nashi, e sentou-se no banquinho que estava bem ao lado do berço, apoiou um braço na lateral da grade do móvel, e descansou a cabeça sobre o braço, começou ali uma longa noite, onde Lucy apenas ficaria admirando sua filha descansar tranquilamente.
Ao sair do prédio Gray passou a caminhar calmamente, com suas mãos nos bolsos da calça como de costume, já sabendo da presença dele.
— Achei que não sairia de lá hoje! – A voz rouca veio do outro lado da rua, o rosado estava sentado sob um barril, com uma perna jogada e a outra dobrada servindo de apoio para seu braço.
Gray sabia da presença do amigo, sabia que ele estava o esperando, mas com toda a certeza não esperava pelo comentário do mago.
— Não sabia que era ciumento foguinho! – Falou debochado.
— Não me venha com provocações. – Saltou do barril e parou de pé bem em frente a Gray.
— Então porque está tão irritadinho? – Gray se incomodava profundamente com o calor exalado pelo amigo, mas não deixou demonstrar, pois sabia que ele estava fazendo isso de propósito.
— Já que está tão próximo dela, diga a ela para não parecer tão fraca. Isso só chamara mais atenção de inimigos. — Olhava firme para Gray, demostrando sua irritação.
Os dois magos, ambos fortes, poderosos e de feições sérias, um encarando o outro, a raiva e desconforto eram palpáveis. Algumas pessoas que passavam por eles tratavam de desviar, pois dava para sentir a tensão naquele espaço ocupado pelos dois, outros apenas olhavam de longe, temendo o que poderia acontecer.
— Me esperou para dizer apenas isso? Porque não diz você mesmo a ela? – Falou se afastando do rosado e voltando a caminhar. Gray não iria cair na rede dele, sabia que Natsu estava com raiva. E o que o deixaria mais enfurecido ainda seria o descaso.
— Não me provoque gelinho!! Porque está fugindo?– Falou extremamente irritado. Vendo o rapaz moreno parar seus passos.
— Não é comigo que você tem que preocupar Natsu. — Falou, virando levemente seu rosto, sendo possível ver um sorriso inexpressivo em seus lábios. Voltou a caminhar.
Natsu voltou seu olhar para a janela do quarto de Lucy e bufou, sentindo um incômodo que não soube explicar.
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Era por volta das nove e pouco da noite e Fairy Tail parecia estar mais cheia e agitada do que de costume. A notícia do regresso de Gildarts e Natsu se espalhou rapidamente, e muitos faziam questão de estarem ali para vê-los, alguns estavam curiosos, ansiavam em ver o progresso do companheiro, outros com saudades da dupla que sem dúvida fizeram muita falta, e para os mais íntimos restava a preocupação, misturada com saudades, aflição e nervosismo.
Gildarts já havia chegado causando rebuliço e muita comemoração, fizera questão de sorrir, cumprimentar seus amigos e conversar com alguns deles. Mas não demorou muito para subir à sala do mestre... tinha muito que conversar.
Erza não disfarçava os sentimentos, o olhar sério e severo pairava perdido para o nada, estava sentada em umas das mesas junto com Juvia, Levy e Gajeel. Todos ansiosos para verem Natsu.
— Agora, sentada aqui, parece que esses últimos meses passaram em um piscar. – Comentou Erza, que olhou desinteressada para a fatia de bolo a sua frente, pela primeira vez não tinha apetite para apreciar aquele saboroso bolinho de morango que Mira havia feito com tanto carinho. A única coisa que Erza fazia no momento, era tentar a tudo custo controlar os nervos. — E Gray e Happy? Onde estão?.
— Gray-sama foi para casa, disse que tomaria um banho e depois iria ver como Lucy e Nashi estavam, e Happy foi até Fairy Hills com Wendy e Charle. — Respondeu Juvia, que estava sentada ao seu lado, assim como Erza, ela parecia angustiada com algo.
— Juvia está preocupada com Lucy-chan. O homem que ela ama e com quem teve uma linda filha está regressando depois de uma longa jornada afastados. Ela deve estar com tanto medo. – Sempre em tom educado e dramático expôs seus pensamentos, colocando uma das mãos na face delicada, demonstrando preocupação.
— Medo? – Questionou Levy, que estava ansiosa em ver Natsu e Lucy juntos novamente.
— Hai, medo, porque eu me coloco no lugar de Lucy-chan e não consigo imaginar outro sentimento senão este. Natsu sempre foi o porto seguro de Lucy, sempre fiel, companheiro, e antes de partir nesse repentino treinamento ele estava muito mudado. Lucy deve sentir que não conhece o pai de sua própria filha. Isso dá muito medo. – Explicou entristecida, parecendo sentir o que Lucy sentia.
Erza olhou surpresa para Juvia, pois a azulada delicadamente deu ênfase na palavra “treinamento” deixando claro, que ela também não havia engolido essa de treinamento. Outra coisa que impressionou foi a observação de Juvia, dando a entender claramente o que Lucy poderia estar sentindo. Até mesmo Gajeel foi obrigado a concordar, depois da simples explicação que Juvia passou.
— Eu não havia parado para pensar nisso Juvia-chan – Levy ficou pensativa. – A mudança de comportamento do Natsu com certeza é o que mais afeta a Lu-chan.
— Não se preocupem com isso, uma coisa de cada vez ok? — Pediu Erza, sorrindo e tentando controlar sua ansiedade. Olhou então para Levy e Gajeel, que estavam sentados um ao lado do outro. E para descontrair resolver perguntar. — E vocês dois? — Perguntou, olhando para Levy e Gajeel.
Com a pergunta repentina e diante de um olhar audacioso de Erza Levy enrubesceu a ponto de soltar fumaça.
— O o que tem??? — Perguntou a pequena azulada, completamente desconcertada.
— Não estão fazendo que nem Lucy e Natsu e mantendo tudo em segredo não né? — Questionou pervertida, se divertindo com a cara de espanto de Levy.
— Erza-san!! Onegaiiii — Levy sacudia as mãos como sinal para Erza parar com tais conversas. Gajeel sorria de canto vendo a reação da sua pequena, mas também levemente envergonhado pela audácia de Erza.
Finalmente conseguiram relaxar um pouco e aproveitar aquele clima aconchegante que pairava ali. A guilda por si só já era agitada, barulhenta e movimentada, mas naquela noite parecia um pouco mais... Era tantos sons, tanta vozes e risadas.
Mas o grupo parou de conversar ao notarem algo pairar sobre ali, Erza olhou para a porta, mudando sua expressão.
— Ele chegou!! – Essa sensação? Era mesmo Natsu?
Natsu abriu a porta da guilda e entrou, o calor foi instantâneo, chamando então a atenção dos outros membros que olharam surpresos para o rosado. Diferente de antigamente ele não entrou animado, avisando de sua chegada, tão pouco indo logo provocar seus amigos. Ele apenas entrou, e começou a caminhar em direção ao balcão de Mira, abrindo caminho entre os amigos que o esperavam ansiosos, mas que logo murcharam seus sorrisos e olharam amedrontados para Natsu.
Ninguém foi capaz de se aproximar dele, Natsu exalava poder, caminhava com uma postura imponente a passos firmes, seu olhar não vacilou em nenhum momento mantinham-se frios e inexpressivos, pouco se importou em olhar para os colegas de guilda.
Todos o fitavam em absoluto silêncio, e assim como Lucy também notaram as mudanças na aparência do mago do fogo, que estava visivelmente mais forte, os braços mais torneados e os ombros mais largos, os cabelos estavam mais compridos e arrepiados, sem contar do traje que lhe dava um ar de seriedade e poder.
Ele trajava um sobretudo azul marinho com linhas na costura na cor dourada, o sobretudo não tinha mangas em nenhum dos braços, diferente da mania de ficar exibindo o peitoral, agora ele vestia uma blusa por baixo do sobretudo, era preta e bem justa, pois se via perfeitamente o abdômen trabalhado do mago, o cachecol permanecia enrolado no pescoço, mas a gola alta do sobretudo se sobressaia, quase encostando em seu cabelo. A calça era parecida com as que ele sempre usou, porém preta, Natsu usava botas ao invés das sandálias e um cinto de fivela dourada completava o look.
Laxus estava encostado em um pilar há poucos metros do balcão de Mira, o grandalhão estava impressionado, não pelo físico do amigo que sempre o chamava para uma luta, mas sim pela energia que o rosado emanava, quando o mesmo passou por ele e seus companheiros de equipe, Laxus olhou nos olhos de Natsu que pouco notou sua presença.
— É o Natsu que conhecemos? – Perguntou Evergreen chocada ao ver Natsu passar por todos sem dar um sequer “Oi”.
— Não. – Respondeu Laxus, voltando a fechar os olhos e fazer jeito de despreocupado como sempre. Mas estava apenas disfarçando, assim como Gray, Erza e Juvia Laxus era mais um que não acreditou nessa de sair em treinamento, ele sabia que havia algo muito maior por trás. E ao ver Natsu percebeu que era hora de se preocupar.
Mira talvez seria a única naquele salão que não parecia estar chocada, surpresa, assustada ou seja lá o que mais. A albina segurava uma flanela branca, como sempre atrás do balcão com seu vestido rosa e franja amarrada por um lacinho. Lisanna estava ali, no balcão sentindo seu coração bater frenético no peito. Ambas sorriram gentis para o rosado que se aproximava.
— Natsu. Seja bem vindo! – Recebeu o amigo. Sentindo realmente alegria em ver o rosado finalmente de volta.
— O mestre? Ele está aqui? – Perguntou em desdém, pouco olhando para a amiga, ele já fitava a escada, parecendo se preparar para o que estava por vir.
— Hai. E está te esperando, pode subir. – Respondeu tranquilamente, ainda com seu sorriso gentil.
Natsu voltou a andar, indo para as escadas, passando pela “invisível” Lisanna. Foi assim que ela se sentiu. Seu coração mais uma vez se apertou. Tinha certeza que Natsu ao menos a cumprimentaria. Mas ao invés disso passou por ela, a deixando completamente desconcertada e arrepiada pela áurea amedrontadora que ele transmitia.
Mirajane então desfez o sorriso e olhou angustiada para as costas largas de Natsu que começava a subir os degraus, seu coração batia apertado. Sem dúvida pensava em Lucy e o quanto Natsu poderia magoá-la. Logo voltou seu olhar e viu Lisanna desconsolada, se esforçando para não chorar.
— Não fique assim. Ele não cumprimentou nem mesmo a Erza. – Tentou fazer a irmã notar que além dela, todos os seus amigos também foram completamente ignorados por Natsu.
A guilda tomou um banho de água fria, os magos estavam entristecidos pela frieza de Natsu. Outro que ficou desconsolado foi Romeo, não foi fácil para o menino ver seu grande herói totalmente corroído. Macao apenas puxou o filho para seu lado, colocando sua mão no ombro do jovem na tentativa de consolá-lo.
— O que aconteceu com Natsu-san Otou-san? — Perguntou aflito, seu pai ficou tentando encontrar uma resposta, sem saber como acalmar o jovenzinho.
— As vezes as pessoas simplesmente mudam Romeo. — Respondeu Wakaba, decepcionado com a frieza e Natsu e ao mesmo tempo impressionado com a presença forte do mesmo.
Erza observou tudo de onde estava, controlando a vontade insana de pegar Natsu pelo pescoço e socá-lo sem piedade. Como ousa entrar em Fairy Tail com tamanha prepotência?! Se quer cumprimentou seus namakas... Sua parte Tirana estava raivosa e revoltada. Mas respirou fundo, arfou cansada olhando para baixo. — “O que esta acontecendo com você meu amigo?”
— Acho que vai ser pior do que imaginei! – Gajeel falou, arqueando a sobrancelha e olhando para onde Natsu havia subido.
— Ainda bem que Happy está Wendy e Charle, ele ficaria arrasado com esse comportamento de Natsu. – Levy falou, aliviada por Happy não ser obrigado a passar por isso, sendo ele o que com certeza mais sentia falta do rosado.
[ ]
O mestre estava sentado em sua enorme cadeira, atrás de si a também enorme janela de sua sala, ostentando um lindo céu escuro enfeitado por suas estrelas é uma bela Lua.
— Fico feliz de vê-lo aqui Gildarts. — Estavam há um tempo conversando, Gildarts já havia lhe contado com maiores detalhes sobre o ocorrido em Tartaros. Agora estavam apenas relaxando.
— Eu também mestre... — Falou, sorrindo tranquilo e se esticando na cadeira, colocando os enormes braços por de trás de sua cabeça. — Senti falta daqui. — Soltou um sorriso satisfeito
Makarov nem podia acreditar, finalmente Gildarts e Natsu haviam voltado, finalmente seus filhos estavam de volta. Sabia que ainda teriam um caminho árduo pela frente. Essa jornada de um ano não fora como o almejado, mas eles tiveram algumas conquistas.
O velho mestre saiu de seu devaneios ao ver a porta atrás de Gildarts ser aberta e Natsu surgir por ela, tirando de Makarov um sorriso amoroso.
— Natsu, seja bem vindo meu filho. — Falou contente, sentindo seu coração saltar ao ver seu filho ali n sua frente.
O rosado não expressou muita coisa, apenas assentiu levemente a cabeça, foi um cumprimento sutil … mas era um cumprimento. Fechou a porta se aproximando da mesa e sentando-se ao lado de Gildarts.
— E agora? O que vamos fazer? — Foi logo perguntado, parecia um soldado pronto para voltar para a guerra.
— Vamos com calma Natsu, acabamos de chegar.. quero descansar.
— Exato, não tem muito o que podemos fazer no momento. Vocês estão de volta, mas ainda temos dois meses antes do prazo se encerrar. Quero que descansem no momento, conversaremos em alguns dias. — Priorizou Makarov, que se surpreendeu com o silêncio que veio a seguir, "Como? Natsu não ia o retrucar e nem discordar de sua ordem?". Viu então que Natsu parecia cansado, o mago do fogo estava apoiando os cotovelos sobre os joelhos, inclinado para frente, olhava perdido para o chão. Ele parecia perdido em seus pensamentos, então Makarov logo soube.
— Foi ver Lucy? — Perguntou, conseguindo atrair a atenção de Natsu que puxou o ar com mais necessidade e se jogou no encosto da cadeira de couro negro, depositou um dos braços no apoio de madeira da mesma colocando a mão na têmpora... manteve um olhar baixo direcionado para um canto qualquer da sala. Pela postura o velho logo soube a resposta.
— E Nashi?
— O que tem? — Lançou um olhar petulante para o mostre.
— Não se comporte assim Natsu! Não se esqueça com quem está falando!! — Repreendeu Gildarts, lançando um olhar reprovador para o rapaz ao lado.
— Tudo bem Gildarts. — Acalmou o mago, demostrando que não se incomodara com tal malcriação de Natsu. — Como foi ver sua filha pela primeira vez?
O rosado soltou o ar, e olhou novamente para algum canto qualquer daquela sala, parecia tentar encontrar alguma resposta.
Pov’s Natsu — Flashback ON
Chegou na cidade ao anoitecer, sentiu o cheiro de maresia e das cerejeiras, a brisa gélida do mar de Magnólia tocava suavemente sua pele, de certa forma lhe trouxe algum conforto, conforto que não imaginou que sentiria. Gildarts havia seguido para a guilda, para onde ele também preferia ter ido, mas foi fortemente impedido por Gildarts, que nos últimos dias estava mais autoritário e mal humorado. Era insistente e não aceita objeção senão a obediência de Natsu que mesmo relutante o acatava.
Caminhava em passos firmes pela rua, muitas pessoas que ainda circulavam pelas ruas logo notavam a presença forte do mago, e ao olharem percebiam que era Natsu, muitos sorriam ao verem que ele havia retornado, e estupidamente cochichavam surpresos com o regresso dele, inútil pois Natsu os escutava claramente, e tinha aquelas que suspiravam ao admirá-lo e também murmuravam palavras pecaminosas. Mas o rosado pouco se importava, caminhava calado, parecia estar bravo, devido a carranca de mal.
Estava indo para o apartamento de Lucy, fazia o caminho que tanto fez antigamente, mas nunca em nenhuma dessas vezes sentiu o que estava sentindo naquele momento. Apesar de tudo Natsu via Lucy como uma grande companheira, estava ciente do sofrimento que a causou, ao seu ver, tudo o que fez era justificável, o problema era Lucy ser muito dependente e apegada a ele. Apesar de se sentir coerente em tudo que fez ele sabia que para a loira não fora nada fácil enfrentar esse último ano.
E deixando de lado toda a relação conturbada que tinham, agora tinha uma questão ainda maior, um filho, ou melhor, uma filha. Era um sentimento estranho, uma sensação estranha saber que agora era pai, da última vez que esteve naquela cidade era apenas um mago, que tinha apenas que pensar em si próprio. Agora ele era um pai. Depois de tantos meses ignorando este fato, parece que somente agora sentia o peso desta realidade.
Avistou o prédio da loira, se lembrou da última vez que esteve lá, e das noites passadas naquele quarto. Estranhou as lembranças que começaram a surgir, no último ano nada disso passou por sua mente.
A porta nem foi opção, sem nenhum esforço escalou até a janela, que como sempre estava descuidadosamente aberta. Apoiado na janela já quase dentro do quarto viu que Lucy não estava ali, desceu cauteloso do batente saltando por cima da cama, o quarto era iluminado apenas pela luz da lua, já que a luz do quarto estava apagada, notou também a porta do banheiro aberta e com a luz acessa.
Na primeira impressão nada havia mudado, a cama ao lado da janela, o edredom rosa, o tapete, a cômoda, exceto por uma coisa, no lado direito do quarto havia alguns móveis diferentes, uma cômoda que ao seu ver era a cara de Lucy, toda cheia de frescuras de meninas, desceu o olhar e notou que havia um berço branco bem ali, ao lado da cômoda, também adornado por enfeites e ursinhos rosas. Arfou, sentiu-se encurralado, pois teve medo de ver o que tinha naquele berço.
Foi quando seus sensíveis ouvidos captaram gemidos manhosos. Se aproximou do berço, da distância que estava pode ver algo pequeno se agitando, eram mãozinhas e pezinhos, olhou... Seu coração deu uma batida forte que o peito doeu, sua pele se arrepiou, esqueceu-se de respirar e de piscar, apenas congelou seu olhar para aquele serzinho pequenino. Era tão pequena e gorducha, o cheiro dela invadia seu olfato, e o calor que aquela coisinha pequena emanava aquecia sua pele, o que era estranho já que se sentia sempre aquecido pelo seu próprio poder.
Piscou vagaroso na intensão de descobrir se aquela visão era realmente real, e sim, ali na sua frente estava o bebê da Lucy, um bebê gorducho de pele branquinha e bochechas rosadas. O rostinho suave lembrava os traços da loira, e os olhos puxados e grandes parecidos com os seus, o cabelinho era rosa, Natsu franziu o cenho, aqueles fiozinho tinha a cor exata do seu cabelo. Se aproximou mais ainda do berço e sentiu um cheirinho único, um cheiro que nunca havia sentido antes, era uma mistura com o cheiro da loira, uma mistura inexplicavelmente perfeita, jamais se esqueceria daquele cheiro.
“- Minha filha?” — Se perguntou, parecendo ser a primeira vez em que realmente percebeu que era Pai.
A pequena olhou para ele, trocaram olhares, dois olhares puxados e pareceu que o mundo parou de girar, ela quietou e apenas fixou os olhinhos nos dele, acreditou que ela fosse chorar estranhando sua presença, mas depois de alguns segundo ela soltou um sorrisinho banguela e se agitou mais ainda, esticando os bracinhos de forma descompassada. Viu que ela era sapeca e risonha.
— Natsu!? – A voz que não escutou por um ano o despertou. Virou-se para a direção de onde veio aquela voz.
Viu uma Lucy parada frente à porta do banheiro, o cheiro dela dominou o quarto, como foi estranho, por meses se sentiu imune ao cheiro dela. Passou por tanta coisa, lutou com tantos demônios, magos poderosos, ficou enjaulado, foi surrado, mas nunca se sentiu fraco e encurralado daquele jeito.
Vê-la ali parada, perfeitamente parada, o fez fraquejar e pela primeira vez duvidar do que foi certo e errado em suas decisões neste último um ano.
Flashback OFF
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