Fogo Inalcançável

12 11º Capítulo - Uma tempestade se aproxima.


Notas iniciais
Oi migos ^^ Cheguei um pouquinho tarde, mas cheguei ^^ Capítulo acabou de sair do forno, então me perdoem prováveis erros.. Onegai >. https://www.google.com/search?q=glicinia&hl=pt-BR&authuser=0&rlz=1C1SQJL_pt-BRBR789BR789&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiXhKuc8engAhVLGbkGHcMZAiIQ_AUIDigB&biw=1536&bih=754#imgrc=CBvtCgVMtclUlM: Boa leitura!

Era uma manhã tranquila em Magnólia, Porlyusica, Gray e Happy ajudavam Lucy a preparar seu quarto para a chegada de seu bebê. A velha maga lustrava uma cômoda de madeira rustica com maçanetas em formato de rosas na cor rosé gold, que Lucy havia comprado para guardar as roupinhas do seu bebê. Gray estava empenhado em montar o engenhoso bercinho de seu sobrinho ou sobrinha, e Happy estava ao seu lado, disposto em inferniza-lo ao máximo possível, pois de acordo com Happy, Gray não era competente o bastante para tal serviço.

Enquanto isso a loira dobrava as roupinhas do seu anjinho, eram tantas que sua cama sumia em meio a tantas pecinhas, tudo devido à impulsividade de consumo da loira e de todas suas amigas.

— Porlyusica-san... uma flor... a Suitopi, ela tem algum significado? – Perguntou a loira que mesmo focada nas roupinhas cheirosas e recém-lavadas do seu bebê se perdia em suas angustias. Fazendo Gray revirar os olhos por ela insistir em pensar em tamanha bobagem. Lucy ainda vinha sofrendo com tal pesadelo, e a cada noite sua angustia piorava, o mau pressentimento estava dominando seu coração.

— Despedida... uma Suitopi significa adeus! – Respondeu tranquilamente. — Posso saber o porquê da curiosidade?

— No pesadelo com que venho tendo, a flor que meu bebê está segurando é uma Suitopi. – Disse aflita, no sonho ela sentia que sabia o significado da flor, mas sempre que acordava mal se lembrava do nome da planta.

— Isso realmente está te atormentado! Talvez seja sim um sinal, como pode não ser. Não se preocupe com isso agora ok?! Não fará bem a você nem ao bebê. — Mesmo relutante Lucy assentiu; realmente ficar martelando naquele assunto estava lhe deixando ainda mais cansada e irritada. Então, por enquanto iria tratar de esquecer esse pesadelo.

Afim de se distrair e tentar ter um dia tranquilo, Lucy chamou Gray e Happy para darem uma volta na praça, Porlyusica autorizou o passeio, caminhar era um ótimo exercício, e Lucy já não tinha tantas recaídas desde que Aquarius lhe transferiu uma parte da magia do mundo espiritual. Porém, Porlyusica estabeleceu suas regras; seria um passeio de apenas uma hora e eles estavam proibidos de irem ao centro da cidade ou caminharem por muito tempo. Mas Lucy não resmungou, ela apenas queria achar um lugar tranquilo para sentar e apreciar a leitura de um bom livro.

...

Magnólia certamente era umas das cidades mais belas de Fiore, as ruas sempre movimentadas por pessoas falantes e animadas, os córregos das águas do mar cortando a cidade, as incríveis pontes arqueadas sobre os mesmos, os prédios um tanto medievais sempre decorados por belas janelas e flores, o comércio sempre a todo o vapor. Aquela agitação, os sons da vozes e risadas, era tão aconchegante.

A loira caminhava graciosamente na larga e típica rua pavimentada de paralelepípedo de Magnólia, o dia de sol a fez colocar um lindo vestido azul celeste com comprimento até na metade das coxas, as manguinhas eram estilo cigana e uma fitinha dourada abaixo dos seios fazia sua bela barriga se ressaltar, o modelito delicado e casual a deixou exuberante, os belos fios dourados visivelmente mais compridos estavam soltos ao vento, e para se sentir mais confortável calçou um chinelinho de tirinhas brancas cintilante, não havia um que não olhasse admirado para a bela e jovem maga grávida.

Gray caminhava ao seu lado atento a tudo, ele sabia que essas caminhadas eram necessárias para a loira, já bastava ela ficar sem fazer missões e evitando ir à guilda, mantê-la o dia todo de repouso no apartamento certamente não a faria bem. Mas ele não podia negar a apreensão de algo dar errado e Lucy acabar ferida, porém, ficava mais aliviado ao saber que Gajeel estaria na praça mais próxima os aguardando, com os dois Lucy estaria mais protegida.

— Luxy... você está linda!! – Disse o gatinho azulado, que caminhava ao lado do casal de amigos. Lucy então foi despertada de seus típicos devaneios de mamãe e olhou para o amiguinho, que mesmo caminhando a encarava firmemente, admirado com a beleza que a loira exalava.

— Arigatou Happy... você anda muito gentil comigo ultimamente! – Disse ruborizada, apesar de tudo ainda não havia se acostumado com os constantes elogios que recebia.

— Mas ele está certo. Com certeza você é a grávida mais linda de toda Fiore. – Gray comentou categoricamente, sem demonstrar qualquer desconforto. Não era difícil para o moreno falar tais coisas, mesmo antes da gravidez de Lucy, sempre que tinha oportunidade ele lhe dizia algo sobre sua aparência, achava graça em deixar a loira sem jeito... E claro, realmente se surpreendia com a beleza da loira.

Lucy mais uma vez sorriu gentilmente para os companheiros, sabia que eles estavam sendo sinceros, mas também boa parte de todos esses mimos e carinhos eram para suprir a falta que o pai de seu bebê fazia. Mesmo assim Lucy estava eternamente grata a todos, por se esforçarem tanto por ela e seu bebê.

Quando finalmente chegaram no parque a loira logo suspirou de alegria ao ver que o local estava lindo como sempre. Haviam crianças brincando no enorme gramado, várias pessoas aproveitavam as sombras das árvores de cerejeira que estavam floridas e deslumbrantes para fazerem piquenique, na parte dos bancos se via alguns casais apaixonados curtindo o sol e a brisa fresca. Já Gray sentiu um grande alívio ao ver Gajeel logo à frente, vindo acompanhado de Levy e Erza.

— Já verifiquei todo o quarteirão, e Erza todo o parque. Esta tudo em ordem, não têm suspeitos nem estranhos vagando por ai. – Forneceu as informações para Gray, que ficou mais aliviado ainda.

Erza e Levy imediatamente se aproximaram de Lucy, preocupadas perguntavam a todo o momento se ela estava bem, e se queria sentar-se em algum lugar, mas, mesmo antes de Lucy poder responder, elas a arrastaram para perto do lindo chafariz que ficava na entrada do parque, sentaram num banco que recebia a sombra de uma grande cerejeira, e tão logo emendaram alguma conversa feminina. Com toda certeza Lucy não iria conseguir ler seu livro.

Gray e Gajeel ficaram encostados numa árvore, era o ponto estratégico, não tão longe de Lucy e se podia ver tudo e todos. Happy fazia companhia para os rapazes, porém totalmente distraído com seu enorme peixe que havia trazido para o lanche da tarde.

Os minutos passaram-se rápidos, o prazo de uma hora estava acabando e Lucy teria que voltar para descansar. Mas estava satisfeita, aquele momento tão curto e que passou tão rápido lhe foi gratificante, passar um tempo conversando, fofocando e sonhando com as amigas era recompensador. Erza se levantou ao ver Gray acenar, sinal que já estava na hora de irem embora.

— Deu nossa hora, venha Lucy eu te ajudo. – Se prontificou em ajudar a amiga a se levantar, estendendo suas mãos e assim que Lucy as agarrou a ajudou a tomar impulso.

As três caminhavam vagarosamente, rumo aos magos, quando Lucy escutou uma agitação na água, olhou para o chafariz e viu Aquarius, tão linda quanto rabugenta postada com glamour dentro do lindo monumento.

— Meninas, podem ir. Nos vemos amanhã! Diga ao Gray que só quero ver como Aquarius está. — Pediu Lucy, voltando para o chafariz.

As meninas nem questionaram, Lucy não estava vendo seus amigos do mundo espiritual como antes, eles não podiam abrir o portão com tanta frequência, e Lucy mesmo mais saudável não tinha condições de invocá-los, certamente ela estava sentindo muita falta deles. Então Erza e Levy seguiram caminho, deixando Lucy ir de encontro da bela sereia, que encarava Lucy com tanta veemência que até Titânia ficara sem jeito.

— Como você está gorda! Gravidez não é motivo para se descuidar. – Logo puxou a orelha da loira, que pouco se importou, sabia que Aquarius estava apenas implicando com ela. Mesmo assim olhou para si mesma tentando descobrir se Aquarius estava sendo sincera ou não, voltou seu olhar para a sereia e sorriu.

— Aquarius-san, estou com tantas saudades de vocês! – Disse tão doce e gentil que deixou a sereia um pouco desconcertada.

Na tentativa de se recompor pigarreou e sentou-se na borda do chafariz. — Chega de tantas palavras melosas garota! Vim a pedido do Léo... para saber como você está. – Lucy já sabia o motivo da visita, pois, pelo menos uma vez por semana algum de seus amigos lhe aparecia rapidamente, a fim de saber sobre suas condições.

— Estou bem! Não se preocupem. – Disse olhando para a barriga e a acariciando.

— Como pode estar bem?! Consegue ter um filho, mas não consegue ter um namorado! – Disse arrogante e convencida como sempre, apenas no intuído de provocar sua dona, ou melhor, sua amiga.

Lucy fez cara de chocada, T.T mesmo grávida Aquarius não lhe poupava insultos.

— Não seja tão cruel Aquarius-san... – Choramingou.

E mais uma vez Aquarius desceu o olhar para a barriga de Lucy, que em nenhum momento parava de acariciá-la. Foi inevitável não se lembrar de Layla, suspirou saudosa; o que passou despercebido por Lucy. Ver Layla carregar Lucy em seu ventre, e agora presenciar sua Lucy gerar mais um herdeiro era inestimável. Mas logo se recompôs, e olhou para os olhos de Lucy.

— E Natsu? — perguntou categoricamente, diferente dos amigos de Fairy Tail Aquarius não se preocupava se incomodava ou não Lucy com esta pergunta. – E não me venha com meias palavras, não pode continuar fingindo que ele não existe. – Conhecia muito bem a cabecinha da loira, e sabia que ela evitava se aprofundar neste assunto.

Lucy entristeceu, respirou fundo e mais uma vez olhou para sua barriga.

— Ele mantém contato só com o mestre, apenas sei que o regresso dele permanece confirmado para daqui cinco meses, que é quando completa um ano de treinamento. – As palavras saíram em tom de desgosto.

— E você está pronta para encará-lo? – a Dama da água permanecia imponente frente à Lucy, com o olhar firme e enganosamente reprovador, viu a loira estremecer com a pergunta e seu rosto tão alvo e delicado expôs tamanha tristeza que doeu em Aquarius, então decidiu prosseguir. – Não tema o que lhe aguarda Lucy, nunca se esqueça que você é uma Heartfliia, uma maga celestial e uma mãe. Não permita que nada nem ninguém magoe seu filho, ele vai precisar do pai, mas se o pai não o aceitar ... ele ainda terá uma mãe forte e capaz de amá-lo incondicionalmente. Entendeu?

— Natsu era meu herói, quando estava em perigo ou com medo o primeiro nome que me vinha em mente era o dele e como um reflexo do meu corpo eu o chamava... — Falava derrotada, olhando para um ponto qualquer, demostrando que se perdia em suas lembranças. — Ele surgia, tão forte e decidido em me proteger, meu coração parecia se incendiar quando o via, e eu sabia que tudo ficaria bem. Sinto tanta, mas tanta falta daquele Natsu. – Lágrimas teimosas escorreram pela face alva e a voz saiu embargada. – Agora dói muito, pois tenho medo de vê-lo, tenho muito medo dele surgir na minha frente com aquele olhar.

— Eu sei que é difícil lhe dar com esses medos. Mas acredite em você mesma e no que você esta fazendo, a força que vem de uma mãe é maior que as leis da natureza. Você estará preparada quando ele chegar, tenha certeza disto. – Falou gentil para Lucy, vê-la baixar a guarda e mostrar toda sua fragilidade quando o assunto é "Natsu" a preocupou, mas sabia que Lucy enfrentaria tudo com louvor, só queria que sua dona também soubesse disso. – Tenho que ir... Faça o favor de se cuidar! – Piscou para a loira e em um pequeno redemoinho ela desapareceu.

Lucy não queria que Aquarius partisse. Tê-la por perto era reconfortante, afinal, Aquarius esteve tão presente em toda sua vida, que estar do lado dela fazia Lucy sentir um aconchego familiar. Olhou para Gray e Gajeel que estavam encostados numa árvore olhando atentos para os arredores, Happy, porém, estava mais próximo e a encarava preocupado.

— Luxy, eu sei que o Natsu te magoou muito, mas continue acreditando nele até quando ninguém mais acreditar, ele precisa de você, só que ele ainda não sabe muito bem disso... – Sua face totalmente entristecida e o olhar grande e brilhoso mostrou toda sua sinceridade naquelas palavras. Ver Happy tentando proteger seu companheiro fez Lucy se comover, e perceber que Happy ouviu sua conversa com Aquarius, ele que também sofria com tudo aquilo. Foi se aproximando do azulado, até chegar perto o suficiente para acariciar sua cabecinha felpuda.

— Não se preocupe Happy, quando Natsu voltar iremos conversar e nos entender, e ai tudo voltará a ser como antes. – Tranquilizou o amiguinho, mesmo sabendo que jamais as coisas seriam como antigamente.

— Vocês dois realmente estão dispostos em levar bronca da Porlyusica-san? – Gray havia se aproximado sem ser notado, chegando de braços cruzados e obviamente cansado de esperá-los.

— Gomen Gray... – Se desculpou Lucy. – Realmente, Porlyusica-san deve estar surtando com esse pequeno atraso... Vamos meninos – Disse se ajeitando e sorrindo gentilmente. – Vamos para casa!

[ ]

— Kêssa... Andamos tanto, para pararmos aqui?!! – Resmungou, arremessando uma pedra no lindo lago de águas cristalinas a sua frente, enquanto seu mentor descansava na sombra de uma enorme Glicínia.

— Por que está tão irritado Natsu? – Perguntou preguiçosamente, estava cansado das reclamações do seu discípulo. – Finalmente parece que estamos mais perto dele desde aquele encontro há três meses atrás.

— Não é possível que ele esteja por aqui?! Será que pretende atacar Fairy Tail? — Ao mesmo tempo em que desacreditava sobre o paradeiro de Zeref ele tentava compreender se poderia ser verdade.

A dupla descansava em uma parte florestal da cidade de Hargeon, cidade que fica ao sul de Fiore, uma das vizinhas de Magnólia. O rosado estava irritado e parecia profundamente incomodado por estar tão perto de Fairy Tail novamente.

— É uma possibilidade, já que as pistas nos trouxeram até aqui. Já falei, deveríamos voltar para a guilda e ficarmos por lá, tudo indica que Zeref está de olho em Fairy Tail, ou melhor, em Lucy. Não é coincidência virmos parar tão perto de Magnólia.

— Não vamos voltar. A última informação que colhemos era de que Zeref está aqui em Hargeon não em Magnólia, já que é para acreditarmos nessa informação, vamos ficar por aqui. Apenas deixe Makarov avisado sobre a provável presença de Zeref na região, e avise-o que estamos por perto. — Natsu não queria pisar em Magnólia, e nada provava que Zeref realmente estivera por lá, senão os poucos boatos que colheram pelas Guildas aliadas e de alguns viajantes.

— Sei que concordamos em ficar por aqui, mas talvez a sua presença o tenha afugentado. Então, já que estamos aqui, poderíamos voltar de vez. — Tentava convencer o mago, estava cansado e com saudades de seus amigos — “Canna”. — Pensou entristecido.

Natsu sorriu em descaso. — Zeref não se incomoda com minha presença, jamais seria afugentado por mim. — Não sabia o por quê, mas parecia conhecer muito bem as manias de Zeref.

Ambos os magos estavam cansados, e não foi difícil o silêncio tomar o local. Gildarts apreciava o som da natureza que lhe trazia um pouco de paz, entre os cantos dos pássaros e os sons das folhas balançadas pela brisa da tarde ele se afundava em seus próprios pensamentos. Já Natsu estava sentado em uma grande pedra observando as ondas causadas pelas lascas arremessadas, perdido em frustrações e dúvidas.

— Pelas minhas contas Lucy deve estar prestes a dar a Luz. Não fica preocupado com a possibilidade de Zeref estar tão perto assim? – Olhou para Natsu, queria saber o que passava na cabeça do rosado, há semanas ele evitava comentar sobre Lucy e a gravidez, parecia até ter se esquecido.

Apesar do comentário o rosado se manteve calado, porém, em suas feições percebeu que ele mergulhou fundo em pensamentos. Mas não foi suficiente para Gildarts, ele queria que seu amigo falasse sobre Lucy, sobre seu filho e o que ele iria fazer ao regressar. Essa conversa era necessária para o próprio bem de Natsu. Gildarts estava disposto a aconselhá-lo e guia-lo da melhor maneira possível, para que seu discípulo não tomasse os mesmos caminhos que ele tomou.

— Além do mais, não tem vontade de vê-la? Não sente falta do cheiro dela? – Questionou em um sussurro, ainda deitado sob a bela árvore, voltou a fechar os olhos e a voz saiu preguiçosa e sonolenta.

Natsu não gostava de tocar nesse assunto, fato este que era totalmente ignorado por Gildarts. Ainda parecia uma mentira, “ser pai”... “ter um filho”, essas palavras pareciam não combinar, para ele ainda era surreal só de se imaginar, e conforme os meses se passavam, mais distante tudo isso ficava.

— "Falta do cheiro dela?!" – Perguntou retoricamente. – Não, não sinto. Não tenho porque me preocupar com Lucy agora, se Makarov não entrou em contato é porque está tudo bem. — Respondeu tão friamente, distante e sem expor qualquer tipo de sentimento caloroso. — Zeref estar de olho no bebê é algo que aceitei assim que soube da gravidez de lucy, cedo ou tarde ele descobriria, mas acho que ele não irá agir tão cedo assim. Não entendo porque ele viria para cá agora, talvez seja por outro motivo.

Gildarts abriu os olhos e direcionou ao rosado, que pela posição e distância ele só podia vê-lo de perfil, mas foi capaz de ver a frieza nos olhos do jovem mago.

— E por que está tão pensativo?

— Não sei. — Apenas respondeu, parecia mais calmo, mas a frieza em seu tom de voz incomodava Gildarts.

— É a primeira vez em sete meses que ficamos tão próximos de Magnólia, isso com certeza lhe incomoda. Lhe incomoda ele estar tão perto da guilda, e você não sabe o que fazer. Admita Natsu, não quer encarar Lucy e seus companheiros, não sabe o que fazer agora que tem um filho.

— Não sei mesmo. Sei que irei conhecê-lo, só não sei ainda o que farei depois disso! — Concordou sem relutar. — Só de pensar na guilda já me cansa. E sobre Lucy, o nosso caso ficou encerrado antes da minha partida, o fato dela ser mãe do meu filho não vai mudar nada.

Não era bem isso que Gildarts queria ouvir.

— Sabe que assim como você, que procurava incansavelmente Igneel, por sentir a falta dele, por sentir a necessidade de ter um pai, o seu filho ou filha também sentirá o mesmo se você se ausentar?! – Durante todo tempo Gildarts mantinha os olhos perdidos nas folhas da árvore que pareciam cair em uma cascata rosa. – Sou seu mentor Natsu, não estou aqui apenas para te deixar mais forte fisicamente e nem só para te ajudar a encontrar Tartaros e Zeref, estou aqui para tentar te guiar no caminho certo, pelo menos tentar evitar que você cometa os mesmos erros que eu cometi com Canna.

— Que erros? Canna está bem, é uma maga forte. — Realmente não compreendeu o que Gildarts quis lhe dizer.

— Canna é uma maga forte sim. — Falou orgulhosamente triste. — Mas é uma maga infeliz, ela sofre até hoje com o vazio que deixei em sua infância, o mesmo vazio que você tem, que Gray tem.. todos aqueles que cresceram sem um pai ou uma mãe.

O rosado se calou, em nenhum momento tirou os olhos das águas cristalinas do lago, que virava e mexia se movimentavam em ondas. Talvez para alguém que não o conhecesse diria que Natsu estava alheio ao que Gildarts dizia, mas estaria enganado. O rosado, mesmo que relutante admitia em seu interior que Gildarts estava certo no que dizia, mas ele carregava uma vontade de seguir um caminho só seu, porém desconhecido, vontade que era quase incontrolável. Ter um filho, amar uma pessoa, não estava em seus planos, simplesmente não conseguia encaixar essas vontades dentro de si.

— Mas sobrevivemos. Canna, Gray... e eu, estamos vivos.. E Igneel... — Falou pensativo, parecendo um pouco saudoso. — Ainda não sei muito sobre ele, mas hoje eu entendo porque ele desapareceu, se isso acontecer comigo, um dia essa criança também vai entender e vai sobreviver.

Gildarts se arrepiou, a pouca paz que sentia dissipou de vez, arrependeu-se por ter abordado tal assunto, pois algo apertou seu coração ao ouvir tais palavras. "Será que já era tarde demais para Natsu?" Suspirou cansado, olhando para os cachos e mais cachos de flores sobre si, que agora balançavam com mais velocidade, notou que a brisa suave daquela tarde tornou-se um vento triste e conturbado, assim como aquele conversa.

— Bom. — Saiu do assunto, estava ficando insuportável aquele aperto em seu coração. — Já que vamos ficar por aqui, vamos encontrar algum hotel para passarmos a noite, parece que uma tempestade se aproxima. — Falou se levantando e olhando para o horizonte, vendo que de lá aproximavam-se nuvens escuras e carregadas.

— Onee-chan vai ficar brava, deveríamos ter voltado ao amanhecer. Agora com essa tempestade se aproximando teremos que passar a noite aqui. — Falava desanimado, não gostava em preocupar sua irmã mais velha.

— Hai hai, mas precisávamos aguardar o cliente conferir todas as jóias que recuperamos, e levou o dia inteiro para isso. — Não estava tão preocupada. Sabia que sua irmã iria compreender.

— Para que tantas jóias assim. Isso não é coisa de homem!! — Comentou irritado, se não fosse aquele cliente soberbo e metódico eles já estariam em Magnólia.

Ela sorriu distraidamente, enquanto caminhavam em uma rua qualquer daquela bela cidade portuária, á procura de algum hotel para se hospedarem.

— Lisanna? — A voz rouca em tom duvidoso a fez olhar para trás.

Seu coração bateu tão forte que a caixa de seu peito chegou a doer. — Natsu?

[...]

Já fazia algumas horas que haviam voltado do passeio no parque, Lucy passará o resto da tarde deitada, assim que chegou começou a sentir-se mais indisposta que o comum, seu bebê estava bastante agitado e uma dor aguda nas costas começou a lhe incomodar. Resolveu por bem se repousar, mas as fisgadas nas costas estavam se intensificando a ponto de impedi-la de permanecer deitada.

— Calma meu chaveirinho!! Calma ... – Sussurrou para seu bebê enquanto acariciava a enorme barriga. Olhou pelo quarto e viu Gray e Happy ainda desmaiados no futon e no sofá, respectivamente. Ambos, assim como ela caíram no sono, afinal aquele entardecer pedia por isso, o belo sol e o céu azul foram tomado por nuvens cinzas, estava frio lá fora, e dava para ver que seria uma noite chuvosa. Com dificuldade se levantou da cama, sustentar aquela barriga não era fácil. Em marcha lenta e com uma mão apoiada na cintura ela caminhou para o banheiro, aproveitaria enquanto os meninos dormiam para tomar um banho.

Demorou tanto em seu banho que quando finalmente saiu do banheiro, os meninos já haviam acordado, e Porlyusica já estava na cozinha, provavelmente preparando as doses dos remédios para ela tomar.

— Finalmente, achei que havia se esquecido do mundo aqui fora! — Exclamou Porlyusica, se esticando pela porta da cozinha para ver Lucy.

— Gomem, acabei me empolgando. — Sorriu sem jeito, a água quente de sua banheira era a unica capaz de aliviar suas dores. Respirou aliviada ou ver que estava melhor.

— Bom... é minha vez. — Falou Gray passando pelo quanto já nú a caminho do banheiro.

— Tire a roupa lá dentro!!! — Vociferaram Lucy e Porlyusica em uníssono, ambas ruborizadas.

— Nunca irei me acostumar com isso. — Resmungou Porlyusica, voltando sua atenção para os remédios de Lucy.

— Hm... Porlyusica-san?! — Chamou a loira, parecia receosa. A maga mais velha voltou para a porta, fitando Lucy com um olhar reprovador, já sabia o que a loira desejava.

— Não!

— Como? Nem perguntei. — Ficou chorosa, Happy tampou a boca para cobrir a risada, era engraçado ver uma Lucy contrariada, parecia uma criança manhosa.

— Já está escurecendo e parece que uma tempestade se aproxima. — Sabia que a loira iria lhe pedir permissão para ir à Guilda, assim como a pedia insistentemente todos os dias.

— Onegaiiiiii — Suplicou. Juntando suas mãos como se estivesse rezando. — O passeio foi muito rápido e passamos a tarde aqui, estou com saudades do pessoal. — A voz era manhosa e o olhar não perdia o brilho de esperança.

Porlyusica torceu os lábios, não queria que Lucy ficasse se expondo desnecessariamente, mas era cada vez mais difícil dizer não para aquela maga mimada e chorona.

— Estou me sentindo bem e descansada, a senhora pode nos acompanhar também. — Sorriu angelicalmente.

A loira resolveu não comunicar a mais velha sobre aquela dor aguda nas costas e a indisposição, provavelmente deu um mau jeito enquanto dormia, ou simplesmente seu corpo estava reclamando pelo peso da barriga, e o banho quente e demorado havia lhe ajudado bastante. Estava no final da gestação, e tudo corria muito bem, ela só sentia um pouco de fraqueza e nada mais. Seria tolice preocupar Porlyusica com algo tão banal, além do mais, ainda faltava um mês para a chegada do seu bebê.

E Lucy sabia que qualquer dorzinha Porlyusica lhe proibiria permanentemente de sair, e isso estava fora de questão, desde o ataque da maga Lorenna, Porlyusica a manteve em total repouso, tendo poucas horas para passear, tomar um sol e ir à guilda. A maior parte de seus dias desde o ataque eram assim, em seu apartamento.

Apesar de que não era tão tedioso assim ficar em casa. Com Gray e Happy morando consigo o apartamento nunca ficava monótono e em silêncio, ainda mais quando Gajeel chegava, e a todo o momento alguém da Guilda a visitava. Erza tão pouco saia do seu lado, sempre querendo cuidar de tudo e deixá-la confortável, Levy, Bisca, Mira, Juvia e Wendy sempre chegavam com presentes e mimos, faziam penteados e maquiagem umas nas outras, e passavam horas organizando as várias roupinhas do bebê, e graças a isso não era possível se entediar ou se sentir sozinha. Mas, mesmo assim sentia falta de ir à guilda e poder ver todos os seus amigos e ficar junto deles, sentindo aquele energia que só Fairy Tail tinha.

— Hai hai. — Foi convencida. Lucy soltou um lindo sorriso vencedor. — Happy!? — Chamou o neko que já estava distraído sobre a cama de Lucy, degustando seu peixe. — Chame Gajeel, onegai.

— Aye. — Assentiu o azulado, saindo de imediato pela janela.

— Antes de tomar seus medicamentos, vá apressar Gray, não quero sair tarde daqui. — Não gostava dessas mudanças em seus planos, queria que Lucy fosse mais tranquila e obediente, planejava não deixar Lucy ir desnecessariamente à guilda, e pretendia levar a loira para Fairy Tail somente dali há quatro semanas, já que seu parto seria realizado na guilda.

— Hai. — Respondeu animada. Indo logo cumprir as ordens da maga mais velha.

...

A caminho da guilda Lucy olhou para o céu, o lindo crepúsculo não estava visível, era um anoitecer nublado e de ventos gélido, torceu para não passar frio. A loira usava um lindo vestido salmão, justo e de mangas compridas, meia calça acinzentada e uma bota preta sem salto, um colete jeans sem manga dava todo um charme no seu look. Caminhavam vagarosamente pela rua, Gray e Gajeel, sempre bastante atentos, ainda mais porque Lucy a todo o momento era abordada por alguém, que faziam questão de elogia-la ou perguntar sobre a gravidez.

— É por isso que odeio humanos!! — Dizia Polyusica cada vez que alguém parava para conversar com Lucy. Estava ficando irritada a cada parada, estavam os atrasando para chegar em Fairy Tail.

Quando finalmente chegaram na guilda, Gajeel e Gray finalmente conseguiram relaxar um pouco, durante todo o caminho estavam tensos e atentos a tudo, a aproximação de pessoas conhecidas e desconhecidas, que estavam simplesmente querendo elogiar Lucy, era cansativo, pois cada aproximação, era um risco, um suspeito.

— Vamos ficar pouco tempo, então aproveitem. — Avisou Porlyusica, já saindo de perto indo para a escadaria que a levaria para o andar de cima.

Lucy agradeceu aos seus amigos pela companhia e proteção, e logo seguiu para uma mesa onde avistou suas amigas. Os rapazes seguiram para o fundo, onde tinha um grupo jogando bilhar e bebendo, queriam relaxar um pouco e aproveitar o descanso. Happy voou ao encontro de Charle que bebericava uma xícara de chá, sentada próxima ao balcão de Mira, estava com saudade de sua amiga albina.

— Que bom ver a Lucy aqui, fazia dias que não a víamos! – Comentou Elfman, que segurava um taco de bilhar apoiado no chão, observava Lucy sentar-se com dificuldade em sua poltrona, que havia sido posta lá do outro lado do salão, especialmente para ela.

Os rapazes que estavam próximos também concordaram. E inevitavelmente pensaram em Natsu, o que deixou o local num silêncio momentâneo e incômodo.

— Será que a criança terá a personalidade do pai? – Perguntou Macao quebrando o silêncio, ele estava sentado junto de Wakaba e Romeo numa mesa ao lado, os dois mais velhos segurando uma caneca com alguma bebida de alto teor alcoólico dentro.

Gray olhava para Lucy, que agora já havia se sentado e conversava alegremente com as garotas.

— O poder com certeza ele ou ela herdou! – Disse se lembrando de todos os cuidados e dificuldades que a loira enfrentou para poder carregar o filho de Natsu Dragneel.

— Ela está linda grávida. É uma pena ver Natsu perder esses momentos. – Lamentou Alzack, que ele sendo pai sabia muito bem a importância de ser presente durante toda a gestação.

— Natsu tomou suas decisões, e fez suas cagadas por vontade própria. Mas daqui poucos meses ele irá retornar, terá de enfrentar Lucy e irá conhecer seu filho, estaremos aqui para dar-lhe uns belos puxões de orelha... – Comentou Wakaba que tragava seu charuto.

— Seria incrível ver Natsu, que nunca teve uma família além da guilda, constituir algo somente seu; uma esposa e um filho. Ele merece, fez tanto por nós, lutou e se tornou tão forte pela guilda que ele tanto ama... ou amava! – Macao, que raramente era tão profundo e sério deixou o sarcasmo e indiferença de lado para expor seus pensamentos.

— Como assim “amava” otou-san?... Para de dizer bobagens, e ainda é muito cedo pra estar bebendo!! – Resmungou Romeo, ele não gostava de escutar seu pai e amigos comentarem sobre Natsu de forma tão melancólica.

Gray e Gajeel escutavam atentos ao assunto, e perceberam que assim como eles, muitos da guilda já não enxergavam Natsu como antes; sabiam que algo estava acontecendo com o rosado, e pareciam temer pelo futuro dele.

— Bom... Ele e Lucy tem muito o que conversar, agora eles tem um filho, e Natsu terá que adiar seja lá qual for seus planos. Logo ele vai estar aqui, o que pudermos ajudar, ajudaremos. – Disse Gajeel, dando fim ao assunto.

Alguns metros de distância as garotas conversavam distraídas, Lucy alheia sobre o que os rapazes falavam; nem de longe imaginaria que era sobre ela e Natsu; estava feliz por estar na guilda, pois fazer algo de comum no seu dia-a-dia era necessário para ela sentir que ainda era a Lucy de sempre, pois a vida regrada a repousos, cuidados, remédios e roupas cada vez maiores era algo que ainda parecia ser surreal.

— Finalmente está chegando o dia Lu-chan, logo você e todos nós poderemos conhecer esse bebezinho aqui! – Disse Levy, que estava sentada ao lado de Lucy e não parava de acariciar a barriga da amiga.

Lucy sorria com cada comentário, era quase impossível elas ficarem mais de dez minutos sem falar sobre sua gravidez. Era incrível como este assunto rendia.

— Lucy, você já pensou como vai ser de agora em diante? Não será tão simples sair em missões, tão pouco ficar mais de dois dias fora. – Bisca perguntou preocupada, sabia por experiência própria a dificuldade que era deixar Asuka sozinha, pois mesmo aos cuidados do pessoal da guilda ela sabia que sua filha sentia falta de seus pais.

— É difícil pensar nisso, eu sei que poderei contar com vocês algumas vezes, e com Porlyusica, mas sinceramente não sei se conseguirei me afastar do meu bebê por muito tempo... vou ter que procurar missões mais próximas de magnólia e fáceis de serem realizadas, mas ainda tenho um bom dinheiro que o... que o Natsu deixou, ainda dará para ficar uns meses afastada. – Ao terminar ficou um pouco pensativa, não era nada fácil falar esse nome.

Mira olhava sorridente para as amigas, estava; como sempre; ocupada em suas obrigações, organizando e limpando o balcão. Seu sorriso se desfez ao se lembrar de seus irmão.

— Are Are.. Ainda não chegaram. — Falou preocupada, olhando por uma das grandes janelas da guilda, vendo nuvens escuras se aproximando.

— Lisanna e Elfman? — Perguntou Canna que mesmo abraçada ao seu amado barril notou a preocupação de Mira.

— Hai... Saíram em missão há dois dias, deveriam ter chegado na manhã de hoje. — Só de pensar no quanto estavam atrasados ficou ainda mais aflita.

— Não se preocupe Mira-chan, missões são assim mesmo. E com essa tempestade devem ter parado em algum lugar para passarem a noite. — Tentou aliviar as preocupações da amiga, sabia que esses três irmão carregavam traumas e tristezas do passado, e que Mira, por ser mais velha, sofria na ausência deles.

— Arigatou Canna-chan, você está certa. — Canna Sorriu, e voltou sua atenção para seu barril.

Mas Mira permaneceu em devaneios, sabia que Lisanna não estava fazendo muita questão em ficar na guilda. Lembrou-se da conversa que tivera com a caçula há uns dias atrás.

Flashback On

— Porque não vai lá? – Perguntou Mirajane, que havia largado seus afazeres para sentar-se um pouco com a caçula. — Lucy quase não vem para a guilda, deveria aproveitar a oportunidade.

Lisanna não notou a aproximação da irmã e se assustou tanto com sua chegada surpresa quanto com sua pergunta repentina.

— Não me sentiria confortável! As meninas sabem que não aceitei bem o caso de Natsu com Lucy... e ficar perto dela me deixaria mais vulnerável ainda. – Lamentou, demonstrando que até tinha certa vontade de se reaproximar das garotas.

— Somos uma família e temos que nos manter unidos, se você se aproximar elas saberão que está tentando enfrentar da melhor maneira tudo isso. Lucy sempre me pergunta se você está bem, e se preocupa por você pegar tantas missões de uma vez. Elas sentem sua falta, inclusive Lucy, apesar de não serem tão próximas ela sabe que você é uma parte muito importante na vida de Natsu e tenho certeza que ela gostaria de ouvir suas historias de quando eram crianças.

Lisanna ficou surpresa, acreditava que Lucy nem sentia sua falta, tão pouco as outras meninas. Nos últimos meses para evitar ver Lucy ela pegou inúmeras missões, e mesmo quando estava na guilda se mantinha afastada, no íntimo se entristecia ao ver que nenhuma das garotas tentou se aproximar dela.

— Eu não sabia... – Falou abaixando a cabeça.

— Lucy é tão romântica quanto você, e vocês tem a mesma idade, ela sabe dos seus sentimentos por Natsu, mas ela te respeita e respeita seus sentimentos. E as garotas não comentaram nada sobre seu comportamento nesses últimos meses. Elas entendem a sua dor Lisanna.. elas tem suas dores também, sofrem por amor, por saudades, assim como você. Elas só protegem quem acham que está mais vulnerável nessa história, que no caso é a Lucy, e eu concordo. – Seu tom gentil e carinhoso fazia a conversa ficar menos tensa.

— Eu sei... só tenho medo de me aproximar e não conseguir me controlar e acabar saindo como a vilã de novo... é muito difícil vê-la carregar o filho do Natsu, o meu Nat... – Suspirou derrotada. – Eu que sonhei em dar filhos pra ele... eu que sonhei em dar uma família para ele, e ela me roubou isso onee -san!! – Nesse ponto já havia desistido de segurar as lágrimas, era doloroso só de pensar.

Mira apenas a escutou e quando viu as lágrimas escorrendo ela se aproximou mais puxando a cadeira e secou as lágrimas da irmã.

— Essas lágrimas doem né?! ... Lucy também derramou muitas lágrimas...lágrimas do abandono, da dor de ficar desamparada, de medo... ela derrama muitas lágrimas também Lisanna – Apenas frisou, Lisanna então, levantou o olhar e encarou a primogênita.

— Eu sei o que você quer que eu perceba onee –san. Mas Ainda não vou desistir do Natsu, e usarei cada força de cada célula do meu corpo para reconquistá-lo. Respeito Lucy-san e sei que não está sendo nada fácil pra ela também, e entendo a posição de todos que ficam a favor dela! Mas irei me esforçar para conquistar o que desejo. – Disse confiante, secando as lágrimas e se recompondo.

Mirajane realmente não esperava que Lisanna desistisse de Natsu, mas ver que ela pretende pelo menos respeitar Lucy e as meninas já a deixou satisfeita.

— Não é proibido lutar pelo que quer, apenas respeite seu oponente e seja honesta. – Aconselhou antes de se levantar e voltar ao seus afazeres.

Flashback OFF

— Are Are.. — Suspirou cansada ao se recordar das palavras de Lisanna. Temia que sua irmã se machucasse mais ainda.

Porlyusica aproveitou a ida na guilda para terminar de organizar o ambulatório, e assim que terminou seguiu para o escritório de seu velho amigo. Encontrando o escritório de porta fechada; o que era raro; ela tratou de bater em chamado, ouvindo alguns sons, e depois de um curto silêncio a porta foi aberta.

— Sumimasen Porlyusica, estava conversando com Gildarts. – Disse enquanto cordialmente dava passagem para que a amiga entrasse. Acomodou-se na poltrona frente a mesa de Makarov, que ao fechar a porta retornou para seu devido lugar de mestre; a enorme cadeira atrás da enorme mesa; que aliás, comparado ao dono, tudo parecia enorme. Estava atordoado, na verdade a conversa com Gildarts não fora nada animadora.

— Entendo... E o que lhe perturba? — Logo perguntou, vendo em Makarov um olhar preocupado e distante, conhecia seu amigo e desejava ajudá-lo. Afinal, ela sabia; por cima; o que estava acontecendo, pois Makarov nem cogitou em esconder a verdade para ela quando a mesma lhe pôs contra a parede assim que viu que Natsu não voltou com Erza e Mira após o anuncio da gravidez de Lucy. Ela podia não conhecer Natsu, mas sabia que Makarov o arrastaria para Magnólia novamente, se pudesse.

— Parece que Zeref está nas redondezas. Natsu e Gajeel estão em Hargeon tentando monitorar os passos dele. — Porlyusica ficou tensa com a notícia, mas não adiantaria alarde algum, esse era um risco que todos já haviam calculado. Mas, parecia que algo mais perturbava seu velho amigo.

— Está preocupado com Natsu? – Perguntou seriamente.

Makarov suspirou derrotado, era inútil tentar esconder algo de Porlyusica.

— Estou... Natsu está cada vez mais distante, mais perdido. Eu sempre soube que havia um poder adormecido dentro dele... Desde o ataque da Phantom Lord quando ele destruiu canhão Júpiter e derrotou Gajeel, outro Dragon Slayer, eu passei a ter plena certeza de que Natsu não era como os outros Dragon Slayer, procurei investigar sobre o passado dele, mas não encontrei muita coisa, e a partir de então me propus a ajudá-lo no que precisasse, mas vejo que estou sendo tão dispensável quanto qualquer outro. – Derramou seus pensamentos.

— Você o ajudou sim, protegeu Lucy e deu a ele a oportunidade de tentar se salvar. Não há mais nada que você possa fazer Makarov! Tudo agora depende dele mesmo.

— Esse é meu temor, achei que se tornando pai ele repensasse sobre suas atitudes e lutasse com mais determinação contra aquilo que está acordando dentro dele.

— Pelo que me lembro Natsu sempre possuiu grandes desejos; desejo de proteger a guilda que tanto ama, desejo de superar os mais fortes, de ficar mais poderoso. Mas nunca passou por algo que realmente lhe forçasse a fincar raízes. Ser pai é algo grandioso, é uma oportunidade de se superar, uma obrigação. Isso o deixará mais decidido do que nunca, talvez ainda não tenha percebido, mas é só questão de conhecer seu filho. – Falou confiante, estava certa em sua sabias palavras. Tão certa que passou para Makarov um pouquinho de paz que ele tanto precisava.

— Gostaria de ter um terço de todo seu conhecimento minha amiga!! – Disse sorrindo aliviado.

— Está me chamando de velha? Seu velho!! – Resmungo, fazendo Makarov rir da amiga rabugenta.

— Mas me diga o que de fato lhe trouxe aqui?

— Apenas para lhe informar que o ambulatório “A” está pronto para Lucy, se tudo ocorrer como o planejado dentro de um mês ela entrará em trabalho de parto. – Falou satisfeita.

— Fico feliz em ouvir isso, apesar de tudo, os meses se passaram rápidos. — Parecia mais aliviado.

— Sim, cada dia a mais é uma oportunidade para Lucy acumular magia e ficar mais forte. Ela está reagindo muito bem com os remédios que desenvolvi, e com a ajuda dos espíritos celestiais ela ficou mais forte, ainda não tem condições de enfrentar um parto, mas se continuar neste ritmo em quatro semanas ela estará pronta. — Disse convicta, e aliviada. — Bom... mas já estou de saída. – disse já se levantando. — Já está tarde e temos uma tempestade a caminho, vou pedir para que Gajeel e Gray a levem embora.

O mestre assentiu, estava tão grato pelo ajuda da amiga que não seria capaz de quitar a dívida nem com toda a eternidade.

Chegando ao salão Porlyusica avistou Lucy sentada na sua poltrona, Levy, Wendy, Juvia e Erza lhe faziam companhia.

— Huum.. a tempestade chegou mais rápido do que pensei. – Falou Levy olhando pela enorme vidraça as nuvens pesadas já sobre a cidade.

Porlyusica que se aproximava do grupo ouviu o comentário da azulada e olhou para fora, vendo que realmente a tempestade aproximou-se muito rápido, seria muito arriscado irem embora naquele momento.

— Bom, estou vendo que teremos que ficar aqui durante a tempestade. – falou quando finalmente chegou próxima de Lucy, que sorriu vitoriosa, ficar ali com seus amigos era tudo que queria. Mas não conseguiu conter a careta quando uma fisgada forte atingiu suas costas mais uma vez. O que Porlyusica percebeu imediatamente.

— O que está sentindo? – Perguntou se aproximando mais ainda, e chamando a atenção das garotas que até então não haviam notado que Lucy estava com dor.

— Desde o início da tarde estou sentindo umas fisgadas, haviam passado quando tomei banho, mas agora estão mais fortes. – Falou baixinho, espremendo os olhos e buscando respirar com mais calma, enquanto a rosada apalpava sua barriga, deslizando as mãos por todo o contorno até o baixo ventre, sentindo a barriga da loira muito baixa e dura .

Porlyusica soltou uma ar pesado, ficou visivelmente preocupada. — “É cedo demais!!”.

Notas finais
Que tempestade hem?! Chegou chegando, trazendo rastros de Zeref até Magnólia, Natsu e Gildarts até Hargeon, fazendo Lisanna encontrar Natsu, uou, por essa ninguém esperava né?! E Lucy?? Omg.. >.