Fogo Inalcançável
13 12º Capítulo - Sentimentos intensos em uma noite tempestuosa.
Notas iniciais
Fairy Tail estava agitada e barulhenta como sempre, muitos dos membros estavam lá, alguns sentados pelas mesas do salão bebendo, jogando e “brigando”, outros conversando enquanto aguardavam a tempestade passar. Cada um entretido ou concentrado em seus próprios pensamentos, alheios ao que um grupo de magas passavam naquele momento.
Porlyusica soltou uma ar pesado, ficou visivelmente preocupada. — “É cedo demais!!” pensou. Mas não tinha muito o que fazer. Ela sentou numa cadeira ao lado de Lucy, olhou bem em seus olhos e falou:
— Seu bebê está querendo nascer, acho que chegou o dia. — Em seu olhar não pode esconder o temor.
— Mas.. não está na hora ainda... Porlyusica-san – Exclamou Lucy ficando extremamente aflita, não estava preparada para dar a luz, seu coração batia forte e acelerado em seu peito.
— Fique calma, vai dar tudo certo. — Falou Porlyusica olhando amorosa para a jovem mãe.
As magas que estavam perto de Lucy se assustaram, olharam entre si tentando descobrir se todas haviam ouvido a mesma coisa. O clima de tranquilidade desapareceu, parecia que a tempestade havia ultrapassado as grossas paredes da guilda e as atingido.
— Porlyusica-san, o que devemos fazer? – Perguntou decidida, Erza estava com o coração na mão, mas de nada adiantaria entrar em desespero, como uma verdadeira guerreira ela respirou fundo e se preparou para a batalha que estava por vir.
— Bem... — Iniciou a rosada mais velha, tentando organizar seus pensamentos. — Preciso do Gray e Gajeel aqui, para levarem Lucy para cima, e alguém vá informar Makarov.
— Juvia irá chamar Gray e Gajeel-san. — Se prontificou em ajudar, logo se apressando em direção dos magos que estavam entretidos em alguma brincadeira boba, pois Gray corria eufórico atrás de Happy que sorria sapeca ao se desvencilhar das mãos do mago, graças as suas enormes asas brancas.
Bisca tratou de ir informar Makarov sobre a situação de Lucy. Mira que estava em seu balcão secando alguns copos, mas sempre atenta logo notou que algo acontecia e imediatamente largou seus afazeres e se aproximou de Porlyusica e de uma Lucy pálida e assustada.
— Lucy está entrando em trabalho de parto. – Informou Porlyusica, vendo a albina se aproximar preocupada. Mira imediatamente focou em Lucy e se abaixou frente a ela, com seu olhar profundo e gentil formou um sorriso choroso, estava emocionada por finalmente chegar o grande dia.
— Vai dar tudo certo Lucy... estamos aqui com você. – Não questionou nem demonstrou preocupação, sabia que ainda era cedo para o nascimento, mas, tais atitudes não seriam úteis, muito menos de ajuda para a loira.
Gray sorria maldoso, Happy estava preso em uma gaiola de gelo, aquele gato azul o tirava do sério, nem se lembrava do porquê, mas o azulado o tinha irritado e depois de uma pequena perseguição, conseguiu prendê-lo em sua criação de gelo.
— Luxyyy... socorro!! .. — Choramingava Happy. — Vou contar para Luxy que você fica mexendo no baú de roupas intimas dela. — Ameaçou descaradamente.
— Pare de inventar mentiras!II — Vociferou, aquele gato era diabólico.
— Gray-sama! — A voz delicada e cortes fez o mago do gelo parar de torturar Happy e olhar para a azulada atrás de si. Pela feição séria de preocupada de Juvia Gray logo viu que o assunto era sério.
Se aproximou da azulada, com Happy ainda preso na gaiola.
— Gray-sama, preciso que chame Gajeel. Lucy está entrando em trabalho de parto. — Falou sem meios termos, estava aflita e não queria perder tempo. Notou que mesmo com a barulheira que os magos vaziam, muitos ali puderam ouvir o recado. Pois a encararam incrédulos com o que ouviram. Principalmente Gray e Happy.
— Porlyusica-san. – Chegou afobado, com Juvia, Gajeel e Happy em seu encalço. — Lucy... — A chamou preocupado, indo em direção da loira e se abaixando frente a ela, colocou sua mão sobre a barriga de Lucy e a olhou nos olhos... Lucy estava um pouco pálida e parecia suar.
— Luxy... — Voou para o colo de sua amiga, recebendo logo um afago em sua cabeça.
— Estou bem... Não quero que fiquem preocupados. — Falou sorrindo. Vendo Happy e Gray a encarando, em seus olhares era nítida a preocupação. Os dois sempre temeram esse dia, o dia do nascimento... sabiam que seria um processo doloroso e difícil para Lucy.
Porlyusica procurava manter a calma, estava de pé, ao lado de Lucy, com as mãos apoiadas na cintura e observando toda a movimentação.
— Erza. Como o planejado, ok?
— Ok!! — Respondeu em continência.
Erza ficaria no salão mantendo a ordem e a segurança da guilda. Por mais que quisesse ficar com Lucy ela sabia que seria de maior ajuda lá em baixo. Olhou para Lucy e se aproximou dela, se encurvando para poder olhar nos olhos de sua amiga.
— Ganbatte!! — Apenas falou, seus olhos transmitiam puro amor para Lucy, que diante de tal, sentiu seu coração bater um pouco mais calmo.
— Hai!! — Respondeu, vendo Erza se afastar do grupo, certamente estaria indo a procura de Laxus.
Lucy que estava com as duas mãos sobre sua barriga, notou que a dor estava sutilmente mais aguda, e apesar do frio ela estava começando a suar. A cada segundo que passava estava ficando difícil manter-se sentada, a ansiedade e nervosismo estavam a tomando. O que mais a preocupava era seu chaveirinho que parecia inquieto, sentia os pezinhos dele se mexer sem parar, salientando pequenos caroços em sua barriga. Gray a olhou surpreso, ele ainda se mantinha próximo de Lucy com a mão em sua barriga, e teve a oportunidade de sentir os movimentos do bebê.
— Seu bebê realmente está pronto para nascer... — Falou carinhoso para Lucy.
— Sim... vai dar tudo certo né Gray? — Perguntou assustada, frágil e sensível com tudo que acontecia.
— Claro que vai! — Respondeu em um sorriso charmoso.
Makarov chegou, com Bisca e agora com Canna logo atrás, os três totalmente desesperados, com os olhos arregalados e a respiração descompassada. Makarov não conseguia formular se que uma palavra tão pouco tomar alguma atitude. Perdidos eles olhavam angustiados para Lucy, Porlyusica olhou para o trio e suspirou derrotada, daqueles três não viria nada de útil.
Viu Levy voltando em passos apressados, com um copo de vidro em mãos, assim que se aproximou Juvia usou sua magia para encher o copo com uma água cristalina. As duas pareciam conseguir controlar toda a ansiedade, e procuravam ajudar Lucy. Porlyusica observava a cena e logo soube que as duas azuladas seriam de grande ajuda.
— Lu-chan? Como você está? – Perguntou Levy entregando cuidadosamente o copo para Lucy e colocando sua pequena mão sobre a barriga da Loira, quase que de imediato sentiu o bebê se mexendo, o que a fez se surpreender arregalando os olhos e sorrindo por flagrar tal momento.
— Ele está se mexendo bastante. – Disse sorrindo, achou graça da expressão da amiga. – E estou bem sim Levy-chan, não se preocupe! – Porém, sua voz saiu mais fraca do que imaginou, e para aliviar a preocupação dos demais, ela manteve o sorriso no rosto.
— Certo... — Já estava pronta, conseguira organizar seus pensamentos. — Gray! Leve Lucy para o quarto reservado para ela. Gajeel! Se junte com Laxus e Erza, vocês serão responsáveis pela segurança da guilda, não queremos surpresas durante o parto. – Ordenou seriamente recebendo dos magos um uníssono “sim senhora”.
— Levy e Juvia, sigam Gray, as duas serão de grande ajuda. — As duas magas se surpreenderam com a ordem, mas vendo Porlyusica sorrindo gentil para elas, logo se levantaram animadas, prontas para ajudar.
Então a rosada desceu seu olhar para Makarov que marchava de um lado para o outro, se perguntando o que iriam fazer, como iriam se organizar, algumas palavras saiam desconexas tornando-se impossíveis de discernir, fazendo Porlyusica revirar os olhos.
— Makarov... se recomponha, não quero me preocupar com a segurança de Lucy e do bebê enquanto estiver realizando o parto, então preciso que você mantenha a ordem na guilda, Erza irá te auxiliar. — O velho mestre olhou para Porlyusica, que logo soube traduzir o que se passava na cabeça de seu velho amigo. Se aproximou dele para que os demais não ouvissem. — Eu sei, é cedo demais... mas preciso que esqueça a conversa que tivemos lá na sua sala. Agora a situação é outra e temos que saber lidar, vai dar tudo certo, não se preocupe.
A expressão de Makarov mudou, olhou firme para sua amiga e assentiu, estava preocupado com Lucy, mas ele, melhor do que ninguém, sabia que ela estava em boas mãos. Então finalmente conseguiu respirar fundo e se recompor, passou uma das mãos na testa e olhou para a velha amiga.
— Arigatou Porlyusica-san!! Não se preocupe com mais nada, apenas tome conta da nossa Lucy! – Pediu suplente. Porlyusica sutilmente assentiu grata por ele ter se controlado rapidamente.
Porém os problemas não haviam acabado, pois Gray permanecia parado olhando aflito para Lucy, parecia não saber como a carregar, estava angustiado em ver a loira sentindo dor, por mais que ela se esforçasse ele via em sua face alva a aflição e desconforto. A pedido de Porlyusica ele tinha que leva-la para o andar de cima, mas não sabia como tocar na maga, parecia que qualquer contato ela quebraria.
— Gray! Não se preocupe... estou bem. – Disse Lucy com sua voz tão doce e carinhosa quanto fraca. – Venha, me ajude. – A loira ergueu um dos braços, como sinal para o moreno dar suporte para ela se levantar. Todos pararam e olharam para a cena, era incrível como Lucy os surpreendia a cada dia, se mostrando tão forte e inspiradora.
— Não deixe ela cair Gray!! — Pediu Happy preocupado.
— Hai hai.. — Respondeu se levantando com Lucy em seus braços.
— Onde está Wendy? – Perguntou Porlyusica olhando para os arredores em busca da baixinha.
— Acho que ela está na Fairy Hills com Charle. – Respondeu Happy, já imaginando o que Porlyusica queria. – Irei pedir para Jet ir chama-las. – Muito atento e querendo ajudar ele não esperou ordens e logo tratou de procurar Jet pelo salão.
A rosada agradecia mentalmente pela eficiência e dedicação de cada um. Olhou para Gray que carregava Lucy em seus braços seguindo para o segundo andar, a loira estava com a cabeça apoiada nos ombros largos do moreno, parecia estar cansada, porém calma. Juvia e Levy acompanhavam a dupla, disposta em ajudar no que fosse necessário durante o parto.
Makarov olhou por toda a guilda, observou a agitação, viu Erza atravessando o salão Laxus ao lado, Evergreen e Bickslow logo atrás, o quarteto conversavam seriamente e apontavam para vários pontos da guilda. Mira passou apressada por eles, rumo a escadaria, estava com alguns panos brancos em mãos, era mais uma decidida em ajudar no parto. Olhou para a enorme vidraça, raios cortavam o céu e clareavam seu caminho, mostrando que nuvens negras pairavam sobre Magnólia.
— Bisca, Canna.. façam-me o favor de irem passando a notícia para os demais, quero que todos fiquem atentos e preparados, não queremos mais surpresas esta noite. O negai! – Pediu para as magas, ele não estava disposto para tal atitude, queria se concentrar e manter-se calado, só assim conseguiria controlar os sentimentos tão opostos que fluíam em seu coração.
Canna e Bisca trataram de acatar as ordens do mestre, e rapidamente formaram grupos pela guilda e passaram a notícia, trazendo muita alegria, mas também apreensão em todos. Foram meses de muita ansiedade e preocupação para a guilda, estavam ansiosos para que a loira trouxesse ao mundo seu filho, mas também preocupados pela situação ausente de Natsu e a saúde frágil de Lucy.
Foi notável a agitação da guilda, a chegada de um membro tão especial era motivo para comemoração e não aflição, todos buscavam manter-se positivos e sabiam que Lucy se sairia muito bem, então logo trataram de comemorar antecipadamente, queriam que o filho de Natsu e Lucy viesse ao mundo em meio a alegria e paz, e assim fizeram; o que de fato ajudou os mais aflitos a se sentirem positivos e confiantes.
— Porlyusica-Samaaa! ... gomen! — A foz infantil e macia, mas visivelmente desesperada era de Wendy, que corria em direção a rosada, com Charle atrás, ainda vestida em sua capa de chuva lilas, afinal, a tempestade seguia firme e forte lá fora.
— “Sugoii.. que rápido!!” Porlyusica se surpreendeu.
— Jet, arigatou! – Agradeceu Happy, que ficou na porta esperando a chegada deles. Jet assentiu satisfeito por ter ajudado, e seguiu orgulhoso para perto de Droy, Max e dos outros magos.
Quando Wendy finalmente se aproximou do grupo ela se apoiou nos joelhos tentando controlar a respiração descompassada; mesmo Jet não usando sua magia de alta velocidade foi difícil acompanhá-lo.
— Não se preocupe Wendy, chegou bem na hora! – Olhou atenciosa para a pequenina que estava se culpando por não estar presente quando foi solicitada. – Mira, Levy e Juvia já estão lá em cima com a Lucy. Vamos!– Informou educadamente, seguindo para a escadaria e prontamente sendo seguida pela maga do céu.
— Wendy! – Charle chamou sua amiga que não havia notado que ela se manteve ao lado de Makarov, segurando Happy pelo rabo.
— Charle?!... – A azulada cessou os passos e olhou para a gatinha albina.
— Ficaremos aqui... – Avisou, mantendo sua habitual expressão de superioridade. — Não seremos necessários lá, é uma situação muito delicada e especial, quanto menos espectadores melhor.
— Hai, arigatou Charle. — Wendy queria muito a companhia de sua fiel parceira, mas sabia que nada a faria mudar de ideia.
— Mas eu quero ficar com a Luxy!! – Exclamou Happy tentando escapar de Charle, só o que sabia é que queria ficar ao lado de sua amiga. Porlyusica que estava alguns degraus acima de Wendy se virou e com um rosto tranquilo e sereno falou:
— Fique com Gajeel e Laxus, já que Natsu não está aqui para proteger a guilda, você o substituirá. Ok?! – Entendia muito bem o desejo do azulado, mas como Charle havia dito “quanto menos espectadores melhor” seria mais conveniente ele ficar por ali. – Não se preocupe, assim que tudo acabar você poderá ficar lá com ela! – Foi tão gentil que trouxe estranheza para os demais, mas não se incomodou, queria deixar Happy mais tranquilo; com o tempo que passou no apartamento de Lucy ela desenvolveu certo afeto por aquele gatinho teimoso e folgado.
— Happy, darei o meu melhor para ajudar Lucy! — Sempre gentil, também tentou confortar seu amiguinho. Ambas as magas sorriram em despedida e seguiram escada acima.
Lily, que ainda estava no salão justamente esperando por Happy, se aproximou do amigo alado, colocando uma pata sobre seu ombro e o chamando para lhe acompanhar para perto de Gajeel e Freed, que já estavam na torre do sino de Fairy Tail; o melhor lugar para observar a região. Happy sentiu conforto ao saber que de alguma forma poderia ajudar Lucy, então sem relutância seguiu o amigo.
Makarov observava Porlyusica, e assim que ela desapareceu do seu campo de visão ele suspirou, fechando os olhos e buscando manter a calma. Erza se aproximou, também observando as escadas, vendo Porlyusica e Wendy seguirem para um importante missão, cada um perdido em seus pensamentos, orando e torcendo para que tudo acabasse bem.
— Mestre! – Chamou Erza quebrando o breve silêncio que pairava sobre o trio. – E Natsu?
Makarov suspirou cansado, saber que Natsu estava tão perto lhe causava um ímpeto em ordenar para que Gildarts arrastasse Natsu para a guilda. Mas sabia que essa atitude não seria a melhor solução, a guilda estava segura e sendo protegida pelos magos mais fortes de Fairy Tail, nada constava da presença de Zeref. E Levando em consideração o comportamento de Natsu, talvez o melhor seria mantê-lo longe de tudo isso.
— Irei esperar amanhecer! – Respondeu seriamente, Erza nada mais falou, se essa era a decisão de seu mestre, ela que não iria contrariar.
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Gray observava o Ambulatório “A” de Fairy Tail, quarto reservado para condições extremamente delicadas e sigilosas, nunca estivera ali, a guilda era tão grande e ele estava sempre tão ocupado ou em missões que não teve a oportunidade de conhecer todos os cômodos do prédio, aliás prédio este que era “novo” para ele, pois apesar da data da construção ele e alguns de seus amigos pouco usufruíram da guilda, devido aos anos que ficaram na ilha Tenroujima.
O quarto era amplo, com apenas uma cama grande e alta no centro, na qual Lucy já estava deitada, parecia ser confortável com seus lençóis brancos e travesseiros grandes e macios; que com certeza Porlyusica havia arrumado; ao lado da cama havia um bercinho branco todo preparado para aconchegar o recém-nascido, a janela que quase tomava toda a parede servia de moldura para o que seria uma bela vista do mar, mas que por enquanto exibia uma persistente e forte tempestade. Ele olhou a cômoda ao lado da cama, tinha a maleta de Porlyusica, frascos de remédios, panos brancos, tesoura, e alguns outros utensílios que ele desconhecia. Arrepiou-se ao perceber que era tudo para uso exclusivo no parto de Lucy.
E pensando na loira voltou seu olhar para ela, que parecia sentir mais dor, estava com os olhos fechados; provavelmente tentado controlar a dor que sentia; Mira organizava alguns panos e utensílios na cômoda, enquanto Juvia usava um pequeno pano branco para secar o suor que já escorria pela face pálida da maga. Gray olhou para Levy que estava no outro lado da cama, tirando de uma bolsa amarela um cobertorzinho e algumas pecinhas de roupas de bebê.
— Ainda bem que Porlyusica-Sama é precavida e inteligente por já ter deixado tudo pronto, até mesmo uma mala de roupas para Lucy e seu neném. – Levy falou aliviada por ter tudo pronto para receber o pequenino ou a pequenina.
— Realmente. – Gray estava perdido, observava o local e as meninas, mas não conseguia pensar no que ele poderia ser útil, estava preocupado com a amiga, no seu ínfimo desejava que eles estivessem tranquilos no apartamento dela, conversando banalidades e comendo guloseimas feitas por Mira e Porlyusica.
— Gray-Sama! É normal ficar assim, você está preocupado e ansioso, ainda mais por ser responsável pela segurança da Lucy-chan. Volte para o saguão e mantenha tudo em ordem e em segurança, nós iremos cuidar e protegê-la, eu prometo! – Juvia notou que seu Gray estava mais uma vez ficando desesperado então tratou de acalmá-lo e orientá-lo, logo percebeu que suas palavras foram úteis, pois o moreno sorriu e reverenciou-se agradecido.
Juvia estava mais do que certa, toda aquela insegurança e aflição era por ele não estar mais em sua zona de conforto, pois agora a segurança de sua amiga não dependia mais dele. E saber que ela estava tão frágil e dolorida o incomodava profundamente.
— Deixo Lucy em suas mãos! – Disse para as amigas. E antes de sair ouviu uma voz fraca e macia lhe chamar.
— Gray ... logo você irá conhecer seu sobrinho... ou sobrinha! – Lucy abriu levemente os olhos, que estavam pesados, e sorriu para o amigo que retribuiu com um sorriso tão sincero quanto carinhoso.
Porlyusica apreciou a cena da porta do quarto, Wendy estava bem atrás e também pode ver o momento carinhoso dos amigos. Gray se virou para seguir para o saguão, mas antes, olhou para Porlyusica.
— O negai, não permita que nada de ruim aconteça com Lucy e o bebê! – Suplicou o moreno, se reverenciando, na face sempre tão serena e indiferente a rosada viu um mar de angustia e preocupação.
— Hai. – Apenas respondeu, mas foi uma resposta que saiu com todo seu desejo de realizar. Então finalmente o moreno seguiu para o andar inferior, permitindo que as magas entrassem no quarto. Porlyusica fechou a porta, e num gancho embutido na mesma ela apanhou um avental branco de enfermeira e o vestiu, Mira tratou de ajudar a amarrar atrás.
A mais velha observou o local, pairando o olhar lentamente sobre cada detalhe, olhou para as magas e depois para Lucy, e por fim respirou fundo e inspirou, deixando o ar sair pela boca.
— Irei fazer os primeiros exames! Mirajane, mantenha Lucy hidratada, e Juvia, prepare uma bacia de água quente e com um pano passe nas articulações e no rosto dela, isso ajudara a diminuir a dor. Com a magia de Juvia a necessidade de água quente e água para consumo foi rapidamente suprida.
Sempre eficientes imediatamente as magas começaram a seguir as ordens da maga veterana.
— Wendy, caso se sinta desconfortável pode falar ok!? – A Rosada estava preocupada com a mais nova, afinal ela era apenas uma criança, talvez aquilo tudo fosse demais para sua inocência, mas Wendy estava firme prostrada ao lado cama, olhou confiante para Porlyusica e deu um breve e decidido aceno positivo, e se manteve no mesmo lugar, esperando pelas ordens da médica que vendo a força da pequena deixou escapar um sorriso.
— Então, por favor, mantenha a magia e a pressão da Lucy estáveis, Lucy tem queda de pressão quando sente muita dor, e devido ao nascimento o corpo dela perderá muita magia rapidamente.
— Hai! – Respondeu a pequena azulada, que logo sentou-se próximo ao travesseiro da amiga, se concentrou e pairou uma de suas pequenas mãos sobre a testa da loira, de agora em diante ela teria que usar sua magia e toda sua concentração para manter Lucy estável o máximo possível.
Porlyusica ficou ao lado da cama, que era alta o suficiente para ela não precisar se inclinar, o que era um grande alívio para sua coluna. Olhou amorosa para Lucy. — Teria que tirar seu vestido, Ok? — Avisou, apanhando o tecido e ergueu o até nas axilas da loira, com a outra mão a ajudou a se levantar, apenas o suficiente para tirar a peça de roupa, deixando a maga celestial apenas de lingerie branca e meia calça. Assim que o fez começou a apalpar a barriga da loira, o toque era pesado, tinha que sentir a posição do bebê e para isso deslizava a mão com força por todo o contorno da barriga de Lucy.
— Levy, tire a meia-calça e a peça íntima de Lucy, por favor! – Pediu enquanto examinava a loira.
Um tanto sem jeito Levy fez o que lhe foi ordenado, e tão logo tratou de cobrir a amiga com um lençol branco. Em seguida voltou a observar Lucy.
— Lucy está sentindo dores, mas ainda não são as contrações né, Porlyusica-san?! – Observou Levy que sempre perspicaz e inteligente estava observando atentamente os sintomas da amiga, para assim poder auxiliar Porlyusica em suas decisões.
— De fato, Lucy ainda não está com contrações e a bolsa não estourou, mas o bebê já está se encaixando. – Comentou Porlyusica demonstrando preocupação.
Lucy estava alheia aos toques e aos olhares preocupados, estava ficando sonolenta; ora e outra se entregava num sono rápido, mas era despertada por fisgadas nas costas e dores fortes no baixo ventre, porém, logo fechava os olhos novamente. E em um desses devaneios ela de repente murmurou.
— Natsu! – Com certa aflição em sua voz fraca. Sua consciência foi voltando, então percebeu que havia soltado o nome do mago do fogo, com os olhos entreabertos e avermelhados ela olhou para Porlyusica, então lembrou que Natsu não estava ali, uma tristeza lhe abateu e o medo também. As magas olharam aflitas para Lucy, foi difícil ver os olhinhos da loira percorrerem o quarto até notar que o rosado não estava ali com ela.
— Lucy, fique acordada! Quero que dobre os joelhos e abra as pernas, preciso te examinar, ok!? – Pediu Porlyusica, vendo a loira se esforçar para não fechar os olhos, e seguir sua orientação. A rosada colocou uma das mãos por baixo do lençol, fez o exame do toque, constatando que Lucy não tinha dilatação ainda, teriam que esperar mais algumas horas, pois apesar da ausência de contrações e de dilatação o bebê estava pronto para nascer. Ficou preocupada, Lucy já estava muito fraca, o sono profundo, a percas de consciência eram prova disto, não queria torturar a maga por mais tempo.
— Lucy está com muita dor, apesar do bebê estar pronto para nascer o corpo dela ainda não está preparado. – Falou para as magas que estavam a auxiliando. – Não sei se arrisco aguardar a dilatação ou se tiro o bebê através de um corte cesárea, pois ambas as opções são arriscadas, Lucy está cada vez mais fraca.
Levy que estava ali justamente para ajudar nas decisões da médica sabia que Porlyusica travava um conflito intenso, ela também se sentia responsável pela amiga e assim como a rosada mais velha ela não permitiria brecha para erros, analisando metodicamente os fatos, a situação e os riscos ela logo começou a traçar qual seria a melhor opção.
— Porlyusica-san, sabemos qual é o melhor para Lucy. Não se preocupe! – Levy rapidamente constatou a melhor opção, e sabendo que Porlyusica certamente também já havia chegado na mesma conclusão.
Lucy com o rosto pálido e com olheiras observava as magas. Já estava tão cansada...
— Lu-chan... Agora você precisa ser muito forte, tente ficar consciente, e respire e inspire controladamente, ok! – Falou Levy pegando carinhosamente em uma das mãos da loira, que sorriu cansada e levemente assentiu.
Porlyusica olhou satisfeita para Levy, o que a azulada fizera ajudaria Lucy a manter o pouco de forças que ainda tinha, dando tempo para o corpo da loira se preparar para o parto.
— Teremos que esperar mais um pouco, ok Lucy? – Falou Porlyusica, que decidiu fazer o parto normal, e tendo Levy; tão esperta lhe apoiando; ela sabia que era sem dúvida sua melhor decisão, pois mesmo com Wendy para curar o corte de uma cesariana provavelmente Lucy não suportaria a dor enquanto tirasse o bebê de seu útero, anestesia não era opção, o uso deste medicamento anula qualquer tipo de magia, inclusive a magia de Wendy, que estava lhe dando forte apoio naquele momento.
Mira buscava manter Lucy acordada, Dando-lhe água para beber e a chamando sempre que a loira fechava os olhos por mais tempo. Juvia usava um pano para secar o suor do rosto da amiga. Lucy travava a maior de suas batalhas, buscava forças em cada pedacinho do seu corpo, mas a fraqueza era tanta que a impedia de raciocinar, tentava manter a respiração compassada, conforme orientação da amiga, mas estava difícil.
Com os olhos semi-cerrados devido ao sono e a dor ela focou sua visão em Mira que estava coladinha nela, ela sorria e parecia lhe dizer algo, passava uma das mãos em seu rosto, afim de mante-la acordada, porém, mesmo com os esforços de Mira a loira fechou os olhos novamente.
Tudo ficou escuro, o breu lhe deixou apavorada, não sabia onde estava e um silêncio ensurdecedor a incomodou, mas logo o escuro foi se esvaindo conforme uma luz forte e quente surgia, se assustou quando pode ver sua mãe no lindo jardim da mansão Heartfilia de braços abertos, tudo permanecia silencioso, sem brisa, sem pássaros, sem nada... olhou para o lado e viu uma pequenina de cabelos loiros e vestido rosa correndo para os braços de sua mãe. “- Não fique com medo querida, você não está sozinha!” – a voz doce e angelical de sua mãe aqueceu seu corpo fazendo seu coração bater mais forte ainda.
— Okaasan! – Chamou com a voz embargada, assim como antes chamou por Natsu, agora ela clamava por sua mãe. Estava com medo, com dor e desorientada, tudo que mais desejava era tê-la ao seu lado.
— Lucy!! Lucyy... acorde querida!!
Abriu lentamente os olhos, com a vista embaçada viu uma Mira aflita lhe chamando.
— Acho que não vou conseguir!– Falou Lucy com sua voz falha. Estava perdendo consciência, e devaneando.
— Porlyusica-san, porque Lucy está com tanta dor? Nem sequer teve contrações ainda! – Perguntou Juvia preocupada.
— Não podemos esquecer que Lucy não se recuperou totalmente do ataque sofrido meses atrás, e que o bebê herdou o poder do pai, de alguma forma e por algum motivo ele está drenando toda magia de Lucy... – Enquanto falava a rosada manipulava alguns frascos de remédios, os mesmo que ela receitou para Lucy durante toda a gestação. – Eu já esperava por isso, só estou preocupada por Lucy ainda não ter contrações. – Depois de colocar o medicamento em um dosador ela ajudava Lucy a ingerir os remédios e ficou satisfeita ao ver a loira engolir tudo.
— Esses remédios iram ajudá-la? – Perguntou Levy, vendo que a medicação que Porlyusica deu para Lucy pareia ser a mesma que ela tomou todos os dias durante a gravidez.
— Apenas ajudara para manter a magia que ainda lhe resta, e com a magia de Wendy será o suficiente para ela prosseguir com o parto. – Explicou pacientemente enquanto pegava em sua maleta um potinho transparente com uma substância medicinal de consistência pastosa dentro.
— O negai, passe essa pomada em toda barriga de Lucy, e Juvia, a ajude para que passem nas costas dela também, esse remédio ajudará a diminuir a dor. – Pediu para Levy e Juvia aplicarem a pasta, para que ela continuasse preparando outros remédios que Lucy precisaria após o parto.
Por longos minutos o silêncio tomou o quarto, Wendy se mantinha calada e concentrada para usar sua magia em Lucy, e as outra magas estavam empenhadas em diminuir o sofrimento da amiga, cobrindo seu corpo com compressas, dando-lhe água e aplicando a pasta que ajudava a conter a dor, fora isso nada mais poderiam fazer. Mantinham-se atentas sobre qualquer necessidade ou pedido de Porlyusica.
Quando finalmente o silêncio foi quebrado por um gemido. — Haaa! – Soltou entre dentes.
Lucy colocou uma mão na barriga, e a outra mão que era segurada por Levy ela apertou forte, com o rosto contraído em dor, Levy e Porlyusica logo perceberam que era o início das contrações.
— Graças a Kami-sama as contrações começaram, agora iremos monitorar a frequência e a dilatação, assim que os intervalos diminuírem poderemos fazer o parto. – Porlyusica falou animada, examinado os batimentos cardíacos da loira através do pulso, as garotas ouviram atentas, os sorrisos de alívio foram inevitáveis, estavam mais do que preparadas para ajudar.
Assim que terminou de conferir os batimentos da loira; que estavam em bom ritmo e controlados, graças a Wendy; Porlyusica olhou para a jovem sacerdotisa do céu que estava concentrada em sua função, mas era visível que estava tendo dificuldades, ela sentia a magia de Lucy se esvair de forma assustadora, e a cada hora estava mais difícil controlar essa drenagem.
— Aguente mais um pouco jovenzinha. Graças a você conseguimos chegar até aqui. — Disse para a pequena azulada, dando-lhe mais uma porção de coragem e determinação.
Juvia continuou usando suas águas quentes para encher uma vasilha e aquecer alguns panos brancos, ela dobrava esses panos quentes e colocava sobre a barriga de Lucy, o calor incessante daqueles panos ajudava Lucy a ficar mais calma durante as contrações.
Quase três horas haviam se passado desde que Lucy teve a primeira contração, a chuva persistente e os ventos fortes colidiam com violência na grande janela do quarto, mas não importava os esforços da tempestade em chamar a atenção, as magas não se incomodavam com o que acontecia lá fora.
Agora era Levy que procurava manter Lucy acordada e respirando calmamente, quando as contrações; que estavam bem constantes chegavam Levy deixava Lucy apertar suas pequenas mãos, não sentia dor, nada comparava a preocupação que sentia ao ver a amiga com tanto medo e tão abatida.
A dor agoniante de antes Lucy já não mais sentia, ou estavam sendo apagadas devidos as contrações que estava tendo, que estavam bem frequentes e mais fortes, ela já não conseguia manter a respiração controlada, estava mais pálida, tremia e sentia seu suor frio escorrer pela face pálida, mesmo com Mira secando-a constantemente, a sensação de algo a cortando de dentro para fora, era quase que insuportável, estava quase sem forças.
Porlyusica estava cada vez mais preocupada com as condições da maga, estava tão abatida e visivelmente cansada, temia que algo desse errado, mesmo com todos os remédios e esforços ela não poderia ter certeza se seria o suficiente. Respirou fundo e se aproximou, abaixou-se pela milésima vez entre as pernas de Lucy; a maga já não tinha forças para dobrar os membros então Porlyusica a ajudava. Examinou a loira, vendo para seu alívio que finalmente poderia dar início ao parto.
— Pois bem meninas, a hora chegou, vamos lá Lucy está na hora de trabalhar. – Falou confiante, mas procurando manter-se concentrada. Se ajeitou aos pés da cama e ergueu o lençol novamente, ajudando Lucy mais uma vez a dobrar as pernas, Mira lhe trouxe um par de luvas brancas de látex que habilmente as colocou.
— Querida, preciso que agora você use toda sua força para empurrar seu bebê ok?! Não vale desistir no meio do caminho... vai ser doloroso mais bem rápido! E Juvia fique preparada para receber o bebê, assim que ele nascer o passarei para você! – Como uma verdadeira médica veterana e experiente ela orientou Lucy da melhor maneira que pode.
Lucy mesmo sentindo toda aquela dor insana conseguiu digerir cada palavra de Porlyusica. Escutar que seu bebê nasceria em poucos minutos lhe fez sentir a melhor sensação de todas, era uma mistura incrível de ansiedade, medo, alegria, satisfação e amor, que transformou toda sua dor em nada diante da recompensa que teria. E assim sem dizer uma palavra Lucy começou a fazer força, apertando a mão de Levy que permanecia firme ao lado da cama.
Porlyusica estava com uma mão por dentro do lençol e a outra ela apoiava nos joelho de Lucy. Mira estava sobre a cama ao lado da loira, sempre que Porlyusica pedia ela empurrava a barriga de Lucy para baixo, para ter certeza de que o bebê estava na posição. A rosada incentivava Lucy a fazer força na hora certa, e sempre que precisava emburrar a loira não aguentava de tanta dor e gemia, as vezes gritava.
— Está quase lá querida, empurre só mais uma vez. Vamos lá.. força! — Pediu Porlyusica.
— Haaa... – Gemeu mais alto, os olhos espremidos e os dentes trincados. As magas observavam a cena imóveis, era algo muito único, presenciar o nascimento de uma pessoa, ver a mãe lutar e sofrer tanto para trazê-lo ao mundo, era impossível não se sentirem emocionalmente frágeis e maravilhadas. Naquele momento, não havia muito que pudessem fazer, tudo dependia de Lucy que usou suas ultimas forças para empurrar mais uma vez.
Até que cessou os gemidos de dor... e um breve silêncio tomou o local.
Um choro... um choro que fez o coração de todas dar um pulo, um choro engasgado e manhoso, estranhando o ar gelado e a falta da mãe. Os olhos de Mira transbordaram lágrimas ao ver aquele ser pequenino nas mãos de Porlyusica. Levy continuava segurando a mão de Lucy, paralisada ao ver os primeiros suspiros do herdeiro.
Porlyusica ficou sem ar, um nó desconhecido se formou em sua garganta e seus olhos se embaçaram, olhava para aquela pessoinha, sentia em suas mãos a pele macia, o peso do corpinho, o calor... finalmente, finalmente .... Em toda sua vida nunca se sentiu tão realizada assim.
— É uma menina Lucy, você deu a luz a uma menininha linda!! – Falou admirada e com a voz embargada. Olhou para Juvia que segurava uma manta verde clara e assentiu, dando sinal para que ela pegasse a neném, que logo se aproximou e embrulhou com delicadeza a bebê, tirando-a das mãos de Porlyusica.
Juvia deixou suas emoções fluírem, sorriu chorosa e involuntariamente enquanto observava as feições inocente daquela criaturinha em seus braços. Pegar a bebê de Lucy nas mãos foi algo que lhe fez sentir uma alegria inexplicável.
Lucy não teve o privilégio de presenciar este mágico momento, pois se entregou ao cansaço e apagou, e assim que Juvia pegou a pequena Porlyusica tratou de ir cuidar de Lucy.
— Mira-chan me ajude a limpar a bebê? – Pediu Juvia que foi prontamente atendida. Enquanto Levy e Porlyusica cuidavam de Lucy.
— Wendy! bom trabalho, pode parar. – Falou graciosamente; tirando a pequena azulada de uma concentração de dar inveja a qualquer monge; se não fosse a maga dos céus certamente Lucy não teria conseguido. A jovem então cessou sua magia, olhando preocupada para Lucy, mas sabia que ela estava apenas dormindo, e por uma necessidade forte que sentiu em seu peito depositou um doce beijo da testa da vitoriosa mamãe.
— Você é incrível Lucy-chan, é a maga mais forte que conheço. — Disse gentilmente, olhando para a face exausta de Lucy. Se levantou ajeitando o vestido e foi conhecer a bebê que tanto ansiou em ver.
Lucy estava entregue ao cansaço, dormia profundamente e Porlyusica decidiu deixá-la descansar, enquanto isso a rosada e Levy cuidaram dela, terminaram os procedimentos pós-parto, a limparam e com certa dificuldade trocaram os lençóis da cama. Juvia, Mira e Wendy cuidavam daquele pequenino ser que todos aguardaram ansiosos em conhecer, deram-na banho em uma bacia sob a cômoda com as águas especiais de Juvia, Wendy escolheu a roupinha, que seria um macacãozinho de pezinho fechado na cor branca com listra clarinha em amarelo. Rapidamente se tornaram titias babonas, estavam admiradas pela pequena, como era linda.
— É uma mistura perfeita da Lucy com o Natsu! – Observou Mira, toda babona, enquanto colocava com cuidado a pequena no seu bercinho que estava ao lado da cama de Lucy.
— Hai... mas o cabelinho é tão clarinho que ainda não dá para saber a cor! – Juvia olhava atenta para cada detalhe da bebezinha.
— Meninas! Me deem licença. – Porlyusica apareceu atrás das titias, que assim que ouviram a mais velha trataram de dar-lhe espaço, então a rosada colocou as mãos na borda do bercinho e seu olhar meigo pairou sobre aquela coisinha pequena, sorriu sem perceber ao ver que os olhinhos eram puxados como os do pai, os fiozinhos ralos e finos não deixava ver que cor seria suas madeixas.
— Você é perfeita! – Falou com a voz embargada... a emoção era grande, todas buscavam um espacinho para poder admirar o filhinha de Lucy, entregues pela alegria de tudo ter dado certo.
Até que a pequerrucha abriu os olhinhos preguiçosamente; os olhos eram puxados iguais aos do pai, mas pareciam ser castanhos assim como os da mãe; e resmungou pronta para chorar. Então Porlyusica cuidadosamente pegou-a em seus braços, e a levou para Lucy; que ainda dormia; a colocando ao seu lado com um travesseiro atrás para não ter o risco de ela cair. Queria que a primeira coisa que Lucy visse ao acordar fosse sua pequena.
— Lucy... Lucy querida... acorde, você tem alguém para conhecer! – Ajeitava a franja bagunçada da maga e tentava acordá-la.
Com essas palavras a loira foi despertando, estava deitada de lado bem de frente para alguma coisinha pequena e cheirosa, seu coração começou a bater forte e um incomodo vazio que sentia em sua barriga a fez perceber que aquela coisinha cheirosa na sua frente era sua filha.
— Filha?! – Falou com a voz fraca e embargada.
— Sim, é uma menina! – Respondeu a rosada que estava ao lado da cama, com quatro choronas atrás de si.
Foi impossível evitar as lágrimas. Lucy olhava admirada para aquela bebezinha deitada ao seu lado, coladinha consigo, passou sua mão sobre o corpinho dela. — É tão pequenininha! — Falou admirada, percorrendo seu toque por todo o corpinho, passando pelas perninhas minusculas e encolhidas, a barrinha fofa e por fim chegando em seu rostinho. Suavemente colocou o dedo indicador na pontinha do nariz de sua filha que pareceu se assustar com o toque, queria certificar de que não era um sonho nem um blefe, e ao sentir na pontinha do seu dedo a pelinha macia da sua filha uma lágrima grossa escorreu, derramando todo o medo, todas as dores.
Vendo que era verdade Lucy arranjou forças para abraçar sua pequena, com um braço a puxou para mais pertinho do seu corpo, aproximou seu rosto da cabecinha dela, fechou os olhos e a cheirou, como era bom senti-la desse jeito, a pele macia da sua testinha tocando a sua pele. Respirou fundo, aliviada... — “Esse calor..” — Pensou nostálgica, se atentando no calor incomum que estava sentindo tomar seu corpo, até notar que vinha de sua filha, calor esse que era tão semelhante ao de Natsu, sorriu apaixonada.
Para Lucy não existia mais nada nem ninguém, seu mundo passou a girar em torno daquela pessoinha pequena grudada em si. Depois de tantos meses, finalmente sentiu seu corpo relaxar.
— Você é o amor da minha vida! Seja bem vinda filha!
[ ... ]
Antes da tempestade.
Não sabia como, nem porque, mas estava ali, em um pequeno restaurante de Hargeon, com Elfman e Lisanna sentados na sua frente.
Gildarts estava ao seu lado, visivelmente animado por encontrar dois amigos de Fairy Tail, conversava empolgado com Elfman enquanto ambos devoram esfomeadamente pedaços enormes de carnes. Já ele, estava de braços cruzados, sentado de qualquer jeito na cadeira, alheio a tudo e a todos ele observava pela janela ao seu lado a tempestade começando seu espetáculo. Estava sem fome, não sabia se era por causa da tempestade ou não, mas aquela noite parecia estranhamente diferente, algo o deixava inquieto e angustiado.
Sentiu-se observado então olhou para a albina a sua frente, ela o olhava carinhosamente e soltou um sorriso charmoso ao ver que ele a fitava. Suspirou cansado.
Sempre foi fácil se relacionar com Natsu, sempre risonho, barulhento e brincalhão, eles se perdiam em suas conversas, passavam horas a fio cuidando de Happy ou procurando uma missão ideal para eles. Sua presença era sinal de alegria e calor, as brigas estúpidas com Gray, os desafios para lutas com Erza, a birras que fazia por não poder ir em missão Classe S, tudo virava risadas, tudo era incrivelmente alegre com Natsu, mas agora...
Não estava fácil manter qualquer assunto com ele, estava calado e parecia não querer interagir, com um olhar distante e vazio, parecia irritado com algo. De fato estava diferente, mas isso não a abalaria, afinal o Natsu era o Natsu. Ela se apaixonou por ele, por aquele mago que estava ali, na sua frente.
Não acreditava o quanto o destino fora gentil consigo.
Flasback ON
— Natsu? — Seu coração disparou ao vê-lo parado atrás de si.
— O que fazem aqui? — Perguntou Gildarts. Também se surpreendendo com a incrível sorte de encontra-los por lá.
— Natsu, Gildarts... Quanto tempo!! — Comemorou Elfman.
A dupla de viajantes se aproximaram dos irmãos. Lisanna tremia, parecia estar sonhando, mas o calor que tocou sua pele a vez saber de que não era um sonho.
— Natsu... — Exclamou, olhando aliviada para o amigo de infância. E como um reflexo o abraçou. Pegando Natsu de surpresa.
A albina não se conteve, enrolou seus delicados braços no pescoço de Natsu e aproximou seu frágil e pequeno corpo no dele, pode finalmente tocar em sua pele. Mas ela estremeceu, a presença de Natsu era intensa demais. — “Que calor!!” — pensou. Ao seu ver ele estava visivelmente mais forte, só que algo a mais havia mudado, não soube dizer o quê. — “É isso que Lucy sentia?” — Se perguntou. Não conseguindo por muito tempo manter o abraço ela se afastou.
Natsu não teve reação ao receber o abraço, não a retribuiu apenas esperou Lisanna se afastar.
Mesmo se afastando do abraço, ela manteve seus olhos sobre ele, não podia acreditar que estava frente a frente com Natsu.
— Lisanna-chan, quanto tempo! — Cumprimentou Gildarts.
— Gildarts-san!! Como vai? — Finalmente se deu conta da presença do mago mais velho, lhe direcionando um meigo sorriso.
Elfman sabia dos sentimentos de sua imouto-san para com Natsu, se alegrou por sua irmã ter a sorte de encontra-lo e poder, ao menos um pouco, suprir a saudade que a pequena sentia pelo mago a frente.
— Muito bem. O que fazem por aqui? — Perguntou Gildarts, vendo que Natsu não estava interessado em puxar assunto algum.
— Viemos realizar uma missão. — Respondeu Elfman. — Mas fomos pegos por essa tempestade. — Olhou para o alto, vendo que as nuvens escuras e carregadas já cobriam o céu de Hargen.
— Nós também... Bom, vamos passar a noite naquele hotel. — Mirou para o pequeno prédio do outro lado da rua. — Sei que ainda há quartos vagos, talvez seja a melhor opção para vocês também. — Informou, sabendo que todos os outros hotéis estavam lotados, Hargeon era uma das mais belas cidades de Fiore, sempre recebendo visitantes de todos os lados, e a tempestade fizera muitos deles retardarem suas partidas.
— Arigatou Gildarts-san. Lisanna, vou fazer o check-in, procure um lugar para jantarmos. — Pediu Elfman, já indo em direção do hotel. Não queria correr o risco de perder os quartos vagos.
— Hai. — Respondeu a seu irmão, mas não tirando os olhos da dupla a frente. — Gildarts-san, Natsu. Onegai, nos acompanhem. — Suplicou a albina, Gildarts, sempre atencioso com as magas, principalmente com a bonitas de imediato aceitou o convite, e somente com o olhar obrigou Natsu a aceitar também. O rosado sabia que seria muito mais cansativo se ele recusasse.
Flasbach OFF
— Estão todos com saudades de vocês Natsu, porque não voltam? Já que estão tão perto? — Perguntou Lisanna olhando admirada para o mago do fogo.
— Parar aqui em Hargeon foi uma necessidade, concluindo aqui teremos de partir novamente – respondeu sucintamente sem olhar para Lisanna, sério e visivelmente entendiado.
— Que bela coincidência! Não esperávamos encontra-los tão próximos de Magnólia. — Falou Elfman, limpando a boca com um guardanapo.
— Sim, passamos os últimos sete meses nas regiões do norte de Fiore. Voltar para tão próximo de Magnólia foi uma bela surpresa para nós. — Falou sorrateiro, fazendo o rasado revirar os olhos.
...
Por fim estavam todos satisfeitos, caminhavam juntos rumo ao hotel. Elfman, sempre animado e conversador atraia toda a atenção de Gildarts, que se divertia com as histórias do grande mago. Já Lisanna estava constrangida e sem reação, a imponência de Natsu a deixava completamente sem chão. Ele não olhava para seus olhos, não conversava, se que soltou seu belo sorriso cativante, parecia ser outra pessoa. Ela caminhava ao seu lado, com as mãos unidas e de cabeça baixa, apesar de tudo seu coração palpitava forte por poder caminhar ao lado dele.
— Boa noite! — Falou Natsu, assim que entrou no Hotel, já indo para a escada do andar de cima. Gildarts o fuzilou com o olhar e Elfman se entristeceu, ele, assim como os demais colegas da guilda sabiam que Natsu estava passando por momentos conturbados, e vê-lo tão distante e indiferente era profundamente incomodo, mas tentou não se abalar.
— Bom.. também vamos descansar, né irmãzinha? Boa noite Gildarts-san. — Se despediu de seu amigo mais velho.
— Boa noite Gildarts-san. — Se despediu gentilmente, seguindo seu irmão.
Observou os irmão se afastando, suspirou cansado puxando do bolso um cigarro, já levando direto para seus lábios.
— Pobre Lisanna-chan. — Gildarts era mais observador do que parecia ser,
...
Durante a tempestade
Colocou suavemente uma das mãos na nuca da dela, entrelaçando em seus dedos os cabelos sedosos, ela tremia com seu toque e espremias algumas palavras que até mesmo para o Dragon Slayer do fogo era difícil de distinguir, sem perder tempo encaixou seu nariz na curva do pescoço da maga, se embriagando com seu cheiro floral.
Um raio poderoso o despertou de seu sono, o tirando daquele sonho, aliás há quanto tempo não sonhava? Olhou raivoso para a janela de seu quarto, andava tão irritado que até a inocente tempestade o incomodava. Estava sendo uma noite difícil para descansar, cobriu os olhos com o ante-braço e buscou seu sono novamente.
Aquela inquietude... parecia que sua intuição tentava lhe avisar algo, o coração ora e outra batia frenético e seu instinto lhe avisava que algo acontecia e isso o deixava mais nervoso, não gostava daquelas sensações... Desistiu, sentou-se na cama virado para a janela, apoiou os braços nos joelhos, se encurvou olhando para o chão, estava cansado, levantou a cabeça e observou o céu tomado por raios e relâmpagos. Mas algo o despertou, olhou para a porta antes que dois toques suaves na madeira ressoassem de lá, já sabia quem era.
Levantou cansado e seguiu para a porta, a abrindo e logo avistando Lisanna, que parecia nervosa e envergonhada.
A albina perdeu o ar quando Natsu abriu a porta, ele estava apenas com sua tipica calça, exibindo seu físico invejável... os braços fortes, os cabelos bagunçados e a expressão séria em seu rosto a deixou arrepiada.
— O que quer? — Perguntou um pouco impaciente, estava sem sono, mas nem por isso queria ser perturbado.
— Senti sua falta Natsu, estava tão ansiosa pelo seu regresso, contava os dias, mas o destinos cuidou para que nos encontrássemos. — Falou inocente, pouco conseguia olhar para os olhos do Dragon Slayer, pois seu rosto queimava.
— E por que estava ansiosa pelo meu regresso? — Perguntou, cruzando os braços despreocupadamente.
— Você é muito importante pra mim Natsu, e estava sendo uma tortura ficar naquela guilda sem você.
— E por que veio até meu quarto? — A questionou seriamente, tentando entender o que passava na cabeça daquela garota.
— Para ser sua... — Respondeu, finalmente olhando firme para os olhos do mago.
Natsu a fitou, seu olhar sério não permitia que ela pudesse compreender o que ele pensava. Se surpreendeu com a ousadia, a garota de cabelos brancos de fato era bonita, ele não podia negar. A albina vestia apenas uma uma camisola de cetim na cor verde claro, era curta e de alcinha, a peça ressaltava perfeitamente bem suas curvas, daria para se saciar.
Ela viu Natsu a fitar dos pés a cabeça, esqueceu de respirar, estar sobre o olhar de Natsu era tanto amedrontador quanto satisfatório. Sabia que estava sendo analisada pelo rapaz, e não se incomodou, era vaidosa e tinha uma ótima alto estima, sabia que seu corpo era atraente, não tinha como Natsu não a desejar.
Sorriu, soltando um ar arrogante. — Sabe o que posso fazer com você aqui dentro? — Indicou de relance seu quarto.
Seu coração bateu forte. Lisanna que ainda estava no corredor se aproximou mais de Natsu, pouco se importava se alguém passasse por ai.
— Sei... — Respondeu, colocando suas delicadas mãos na nuca de Natsu, fez questão de encostar seu corpo no dele. Finalmente estava sentindo aquele calor que só Natsu possuía, finalmente sentia seu corpo forte colado ao seu, estremeceu, e suas pernas perderam as forças quando sentiu as mãos firmes de Natsu em sua fina cintura, era um toque forte e quente, a fazendo colar mais contra seu corpo.
— “Era isso que ela sentia?” — Se perguntou, sentindo inveja por Lucy ter passado por aquelas mãos.
E tão logo tentou descobrir o que estaria por vir, ela nunca se deitara com ninguém, Natsu a tomaria pela primeira vez, ela não sabia o que fazer... procurou seguir seu instinto, mas antes que ela fizesse algo sentiu Natsu colar seu rosto em seu pescoço. Um arrepiou subiu pelo seu alvo corpo. Desejou que ele a levasse de vez para dentro daquele quarto.
Natsu havia decidido. “— Porque não” pensou. Ele era homem e tinha suas necessidades, por alguma razão estava sem sono e tinha uma garota na sua frente, disposta a se entregar pra ele. Porque não em devora-la? A noite pedia por isso, pois a tempestade abafaria seus gemidos.
Sorriu de canto, estava com fome e iria se divertir. Pegou na cintura da maga e a puxou para si, queria sentir seu corpo e achou graça ao sentir ela estremecer com seu toque. Levou seu nariz até o pescoço da garota, queria cheira-la antes de arrasta-la para dentro, tragou seu cheiro... -” Que cheiro é esse?”. Se incomodou.
— Vá para seu quarto Lisanna. — Falou rouco, a afastando de si.
Lisanna olhou aturdida, ainda fraca pelo seu toque.
— Por que? — Perguntou assustada e confusa.
— Não é uma boa ideia, você é muito nova e é da Fairy Tail, magas novas são problemáticas.. e tudo que não preciso agora é de mais uma garota me trazendo problemas. — Respondeu cansado.
— Não quero te trazer problemas Natsu, só quero que se sacie comigo, só isso. Nunca te cobrarei mais nada além disso... — Tentava convencê-lo desesperadamente.
— Quer o mesmo destino que Lucy? — Perguntou irônico.
— Não sou igual a Lucy. — Natsu notou sua irritação ao pronunciar o nome da loira. — Se você me levar para dentro de seu quarto eu provarei isso. — Estava determinada. — E o que você teve com ela não se compara com o que podemos ter, olhe nosso passado Natsu, fui feita pra você e nada mais. — Chegou tão perto, esteve nos braços dele, não permitira perder essa chance.
— Esqueça Lisanna... Volte para seu quarto. — Deu um passo para trás e mencionou em fechar a porta, mas Lisanna o impediu com sua mão.
— Sei que me desejou, porque não me quer mais??! — Começava a chorar em desespero, não queria perder. — Me deixa entrar Natsu.
— Volte para seu quarto. — Estava perdendo a paciência.
— Eu não sou a Lucy Natsu! — Gritou estérica.
Ele a olhou fixamente, seu olhar de descaso e cansaço a fez estremecer.
— Por isso mesmo. — Fechou a porta.
Não sabia porque daquele incômodo. O cheiro da albina era bom, como uma jovem maga ela possuía uma agradável flagrância, mas ao tragar aquele cheiro de imediato soube que jamais ela seria capaz de saciar sua fome. Ela sequer tinha o cheiro floral.
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