Flower of science
17 Operação shopping a meia noite
Notas iniciais
POV´S MÔNICA:
Estavamos no enorme e altíssimo telhado do shopping limoeiro.Para minha sorte era um teto plano,olho em volta para o horizonte,as luzes da cidade brilhavam um pouco distante como um oceano luminoso,os prédios refletiam do outro lado do rio na água de superfície cor metálica por causa do reflexo da lua cheia. O rio expressava seu calmo movimento com leves ondinhas iluminadas em destaque pelas luzes da cidade.
O vento que soprava era quente e suave me fazendo sentir sono,deveria ser meia noite:
–Vem Mô,conseguimos abrir!-Cebola chega ao meu lado e me estende a mão para me ajudar em levantar.
Todos os seguranças estavam dormindo graças meu spray sonífero que a Marise havia me dado,as portas automáticas estavam fechadas por isso conseguimos subir pelas escadas até o teto.Adrian tinha conseguido a chave da porta com um dos seguranças apagados.
Levanto e vou em direção a pequena porta do telhado.Marise entra na frente com cautela e quando vê que esta tudo bem faz um gesto para que entremos.Lá dentro havia escadas de metal que iam para baixo.
Todos começamos a descer fazendo com que nosso pés fizessem barulho no metal.Adrian carregava seu inseparável revolver preso em seu cinto preto.Logo estávamos em uma sala de limpeza,havia rodos,vassouras e produtos,o cheiro fez com que eu enjoasse um pouco.
Alice empurra a porta dupla para frente,ela era feita de alguma coisa mole e assim que foi empurrada abre cambaleante,talvez fosse feita de alguma espécie de plástico para facilitar o trabalho dos funcionários ao empurrarem os carrinhos de limpeza pelas entradas.
Assim que passamos pela porta avistamos todo o shopping coberto pela completa escuridão.Adrian liga a sua lanterna e sorri de um jeito malandro ao ver o interceptor central de luz:
–Sejam bem-vindos.-ele ri e puxa a alavanca vermelha para baixo fazendo as luzes acederem como um raio,coloco minha mão como um leque cobrindo meus olhos da luz repentina.-Bem,basicamente entrei no sistema e desliguei todos os alarmes e destravei as portas das lojas,e os seguranças só vão acordar daqui a três horas por causa do sonífero da Mônica.
Cebola olha para ele espantado e com uma certa admiração;
–Fala como se isso fosse fácil.
Adrian sorri de um jeito convencido:
–Eu sei muito bem como invadir um sistema.-ele olha para mim com um certo orgulho.-E você sabe muito bem como usar um spray garotinha,vou te dar um spray de pimenta de natal.
Faço uma cara confusa:
–Para que?
Adrian olha discretamente para o Cebola:
–Só por prevenção,nunca se sabe.
Dou um riso abafado para que ninguém perceba.Marise dá um passo a frente olhando em volta:
–Bem,vamos logo,não temos muito tempo.-ela faz um gesto para que a seguíssemos.
Andamos pelo corredor brilhante e totalmente iluminado,as lojas estavam todas abertas como se fosse um horário comum,a não ser pelo shopping estar totalmente vazio a meia noite.
Sem perceber estou andando como uma garotinha de nove anos saltitando pelos corredores.Cara...que dá hora! eu estava andando dentro de um shopping fechado! Eu poderia fazer o que quisesse!!:
–Mônica...porque você está pulando?-Cebola pergunta com um sorriso de graça no rosto.
Começo a rir com uma onda de nostalgia subindo pelo meu corpo,antes que eu responda meus olhos se arregalam diante da loja a minha frente:
–Americanas.-digo com admiração enquanto meus olhos brilham.
Adrian que estava quieto começa a se agitar sobre o piso branco e lustroso do shopping:
–EU PRECISO ENTRAR!!!
Alice o segura pelo braço:
–Não,temos uma coisa para fazer.-ela cerra os dentes.-Além do mais,não é só porque o shopping está aberto que podemos fazer o que quiser,a mercadoria tem um custo querido.
Adrian começa a rir deixando todos confusos,ele tira uma nota de cinquenta do bolso e balança com alegria:
–Eu sei disso,por isso trouxe dinheiro,nunca roubei nada e você sabe disso...querida.-ele pisca o olho para Alice de um jeito engraçado.-O que será que dá para fazer com cinquenta contos?
Pulo de alegria e tiro uma nota de cem do bolso:
–E o que será que dá para fazer com cento e cinquenta contos??
Nos encaramos como duas crianças prestes a fazer alguma bagunça e sem pensar duas vezes começamos a correr em direção a loja.Marise nos olha incrédula:
–Vocês ouviram o que eu falei??...voltem aqui agora!!-era tarde demais,estávamos dentro da loja,ela suspira e põe a mão na testa sem acreditar.-Eles realmente são irmãos.
Alice e Cebola riem enquanto vão entrando por falta de escolha.Mark e Marise vão entrando logo atrás avaliando o local com cautela:
–OLHA QUANTO DOCE!!!-sorrio sentindo aquela fome enorme voltar,afinal eu estava grávida.
Mas antes que eu avance na prateleira Marise me segura:
–Nada disso,eu já falei para ter uma dieta saudável,se quiser comer vai ter que se controlar,pelo bem do seu bebê.-ela diz mais séria.
Minha barriga dói um pouco de fome mas termino concordando,ouço um grito entusiasmado de lá de dentro:
–O PLAYSTATION TA PEGANDO!!!!!-era Adrian correndo em minha direção,ele me pega pelo braço e me puxa.-EU SOU O PLAYER UM!!!
Mark revira os olhos achando graça enquanto nos segue juntamente com o Cebola.Marise e Alice ficam na parte de roupas.
Sem perceber Adrian me bota em suas costas me fazendo gritar de surpresa,ele segura minhas coxas e corre como um louco pela loja,rio sem parar enquanto olho para trás e vejo os meninos se esforçando para nos acompanhar.O jeito que eu estava não machucava a minha barriga,ela ainda estava pequena apesar de ser bastante visível agora. Coloco minhas mãos em seu pescoço para me equilibrar,definitivamente estávamos parecendo dois irmãos retardados correndo pelas americanas.
Ele me põe no chão quando chegamos nas partes dos eletrônicos e vai correndo até os jogos.Coro no mesmo instante quando percebo que na prateleira ao meu lado vendia preservativos,havia um com a torre Eiffel na frente,ela tinha um formato estranho inclinado para cima e tinha uma frase”i want see your tower”,arregalo os olhos ao entender o significado:
–Genteeee.-Mark chega ao meu lado e começa a rir do preservativo.-“Eu quero ver sua torre” hahahaha agora entendi porque ela está inclinada para cima,esse povo é tão criativo.
Só de pensar que aquela torre estava imitando um formato de um...:
–ÔÔ muito criativo.-dou um risinho envergonhado enquanto coro.
–UIII,essa parte é interessante.-Diz Adrian ao chegar do nosso lado.-“Eu tenho uma GRANDE surpresa para você”-ele gargalha ao ler mais uma frase escrita.-O engraçado é que eu to vendo que essa é o tamanho mini.
Os dois riem e eu faço uma careta não gostando nada do que estava ouvindo:
–Vocês querem parar de olhar...isso.-aponto para prateleira fazendo uma cara de nojo.
Adrian vira na mesma hora e parece se culpar mentalmente por alguma coisa:
–Mark...você deveria ter tirado a minha irmã daqui.-ele me pega pelo braço e me leva para uma outra área.-E você mocinha,não olhe para essas porcarias.
Percebo que Mark vai até o ps3 e o Cebola que estava vendo os jogos vem nos acompanhar:
–Eu sei o que é aquilo ta legal?-dou língua para ele.
Ele dá um leve risinho:
–Eu sei que sabe,mas para o bem do seu namorado é melhor que você continue santa,se é que você me entende.-ele sorri divertidamente.
–Estavam falando de mim?-pergunta Cebola ao ouvir a palavra “namorado”.
–Não-ele responde rápidamente.
Percebo que paramos bem na frente de um prateleira cheia de tinta,os olhos do meu irmão se iluminam,ele olha para mim e novamente para as tintas:
–Deixa eu fazer uma coisa?....posso pintar sua barriga?
Cebola olha estranhamente para ele enquanto dou um passo para trás com vontade de rir:
–Pintar minha barriga?
Ele faz que sim com uma carinha boba de criança:
–Não vai fazer mal,vou usar tinta de criança,daquelas que pinta com os dedos...você deixa?
Eu e Cebola trocamos olhares confusos.Suspiro e é quase um riso:
–Ta,mas olha lá ein?
Sento em um banco que estava bem ao lado e Cebola senta junto de mim,nos dois olhamos o Adrian com curiosidade enquanto ele pegava as tintas.O que aquela mente pensante estava fazendo?
Sinto o braço do Cebola cair levemente em volta do meu pescoço e me sinto corar quando nossos olhos se encontram,ele sorri e me dá um leve selinho,beijos em um shopping vazio a meia noite...esse vai entrar para a historia:
–Trouxe as tintas.-Adrian diz me fazendo desviar meu olhar do Cebola,eram vermelha,branca e preta.
Sorrio e faço um negativo com a cabeça:
–Ta vendo filhote? Seu tio é louco!-levanto a camisa até a minha barriga está toda aparecendo,só agora eu tinha reparado como estava linda.-Vê se faz uma pintura bonita ein?
Adrian sorri e concorda,percebo que Cebola olhava para minha barriga com um sorriso bobo,não era só eu que tinha percebido o quanto ela estava bonita desse jeito.Ele levanta o olhar para mim e seus olhos brilham.
Os dedos melecados de Adrian tocam minha barriga me fazendo sentir cosquinha,rio um pouco fazendo os dois repetirem meu gesto achando graça,antes que eu olhe para minha barriga meu irmão reclama:
–Não olhe até que eu termine.
Dou língua mas termino obedecendo.Olho para as prateleiras a minha volta enquanto sinto mais cosquinha,Cebola toca no meu cabelo de leve enquanto presta atenção no trabalho de Adrian.Uma expressão de surpresa e divertimento vai passando pelo seu rosto a medida que vai identificando o que meu irmão fazia.Fico muito curiosa:
–Acabei.-ele diz e antes que eu olhe ele tapa minha visão.-Não agora,vem cá.
Cebola tapa meu olhar quando Adrian segue em frente,eles param na frente do espelho e finalmente posso ver do que se trata.
Meus olhos se arregalam de surpresa enquanto sinto uma imensa vontade de rir.Meu irmão havia desenhado uma pokebola na minha barriga,tapo a boca com a mão surpresa:
–Ounnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn- é tudo que eu consigo dizer de tão fofo,o desenho simplesmente estava perfeito.-Genteee,meu bebê um pikachusinho hahahaha.
Adrian ri do mesmo jeito:
–Eu sou demais,eu sei.
–Achei criativo a ideia.-Cebola admite.-Já que a pokebola é a casinha deles.
–Ounnnnnnnnnnnnnnnn,ai gente para com isso!!-me emociono.
Na mesma hora Alice e Marise chegam.Marise arregala os olhos surpresa e logo uma expressão de divertimento passa pela as duas:
–Ounnnnnnnnnnnn.-diz Alice.-Gente que fofo!!!
Adrian faz uma cara maliciosa:
–Eu posso fazer na sua barriga Lice,quando fomos ter um filho...vocês deixa não é?-ele faz uma carinha de cachorro pidão.
Alice desfaz o sorriso e dá um dedo para ele:
–Vai ver se eu to na esquina.
Pelo visto o clima entre eles ainda não estava lá essas coisas:
–Achei lindo-diz Marise e logo parece lembrar de alguma coisa.-Mas agora temos que ir,deixem o dinheiro do que pegaram no caixa e vamos logo ou os seguranças vão acordar e não será nada bom se isso acontecer.
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POV´S AUTORA:
Irene joga o terceiro vaso de porcelana chinesa contra a parede,seu rosto estava vermelho de fúria enquanto gritava:
–AQUELA ORDINARIA!!!-ela atira outro vaso caríssimo contra a parede.
Samuel assiste a cena impassível enquanto toma seu vinho francês,ele suspira pesadamente ao repousar a taça sobre o centro de vidro:
–Caham,entendo seu ódio mas seria melhor se você parasse de quebrar meus vazos.
A loira pega a taça de vinho com fúria e a atira contra a parede fazendo Samuel continuar impassível e ficar em uma postura mais séria:
–EU ODEIO AQUELA VADIAAAA!!! ELA E O CEBOLA ESTÃO JUNTOS,EU VI COM MEUS PROPRIOS OLHOS!!! AH MAIS EU VOU ACABAR COM ESSA FELICIDADE,AH VOU SIM!!!-seu rosto fervia de um ódio enlouquecedor e fulminante.
Os olhos de Samuel brilham discretamente de curiosidade como uma chama contida em gelo:
–E o que você vai fazer?-pergunta sombriamente para a jovem descontrolada.
Irene vira para olhar-lo e aperta os punhos com força,algo dentro de seus olhos parecem piscar com maldade,ela fala com toda a determinação do mundo enquanto sua cabeça girava com pensamentos obscuros e cruéis:
–Não podemos pegar a Mônica agora,mas eu posso ao menos acabar com aquele namorosinho enquanto isso.-ela sorri de um jeito sádico fazendo Samuel ficar satisfeito.-Eu tenho uma prova escandalosa meu querido,um prova que vai fazer aquele namoro virar pó e cinzas,algo que vai fazer Mônica cair... de uma vez por todas.Eles que me aguardem.
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POV´S MÔNICA:
–Muito bem,agora quero que se retirem.-Marise fala com firmeza enquanto segura o laptop configurado e instala os fios.-Só a Mônica permanece.
Cebola a olha indignado:
–Mas...
–É melhor assim.-ela diz com ainda mais firmeza.-Retirar os dados é bem menos perigoso do que colocar-los,mas...pode ser pior se a cabeça dela for sobrecarregada demais,por segurança é melhor que saiam e deixem o ambiente em silencio.
Todos se entreolham mas saem depois de um tempo.Eu e Marise estávamos no banco,para ser mais exata na parte da agencia(aquela parte que costuma ser fechada e tem um detector).Havia um enorme lustre de cristal no meio do ambiente,o chão branco e lustroso continha um tapete vermelho e cadeiras azuis,eu estava sentada em uma delas enquanto Marise instalava os fios no computador.
Minha blusa estava cobrindo a pintura já seca que meu irmão havia feito,ao lembrar disso tive vontade de rir,mas essa vontade passou imediatamente quando ela pegou as outras extremidades daquele fio.Marise percebe na mesma hora o meu medo:
–Eu vou colocar a outra extremidade na sua cabeça,foi isso que fizeram.-ela conclui.-Mas não tem porque temer Mônica,eu juro a você que não vai doer.
Fico um pouco dura ao lembrar como foi da ultima vez,o choque...e a dor...:
–Ta-digo com um baixo suspiro.-Se para acabar com o Samuel...então eu topo.
Marise dá um leve sorriso e se aproxima cautelosamente de mim,ela levanta a mão para colocar os fios em minha cabeça,na mesma hora vejo a cicatriz em seu pulso”001”,era a mesma cicatriz de cobaia que a minha.E me lembro naquela hora que a Marise nunca me faria nenhum mal,havíamos passado por muitas coisas parecidas,ela era a única pessoa que eu conhecia que havia compartilhado da mesma dor que eu.
Sinto umas picadas agudas,nada demais.
–Pronta?-ela me pergunta antes de clicar no dispositivo que estava ligada ao laptop.
Sinto minhas mãos tremerem um pouco e fecho os olhos:
–Sim.
Dito isso Marise aperta o dispositivo que faz um zumbido em resposta,sinto algo estranho como água morna caindo de leve dentro de minha cabeça e atingindo meu celebro,não doía nada mas me causava uma sensação extrema de pré-desmaio:
–Se concentre na minha voz.-diz Marise preocupada.-Tente não pensar no que esta sentindo.
Sinto aquela sensação como água derramando tão levemente e morna que me forçava a querer dormir,continuo com os olhos fechados enquanto minha cabeça caia um pouquinho para frente.Tento me concentrar na voz de Marise assim como ela pediu:
–Está quase lá,70%.-ela me informa mas sei que na verdade era uma tentativa de me manter acordada.-75%,carrega rápido não acha?
–Uhum.-minha voz vacila enquanto sinto aquela sensação parecida com a de estar enrolada em um lençol quentinho em um dia frio de inverno,era realmente tentadora.
–Opa,90%.-ela olha para o laptop e depois para mim.-Mônica...não durma querida,fale comigo.
–Humm...oi.-dou um risinho abrindo de leve os olhos que são forçados a fecharem novamente,era um sensação divina de nostalgia.
Marise mexe nos dedos um pouco nervosa com a tentativa de me deixar acordada:
–Ah sim,quando você vai ver o sexo do bebê? Pode pedir para mim já que estou fazendo seu pré-natal.
Por um momento não respondo com pura preguiça de responder por causa daquele troço,depois consigo formular algumas palavras:
–Eu não sei.-minha voz sai quase idêntica a de um bêbada me fazendo ter vontade de rir(se eu conseguisse claro).-Eu acho que...quero esperar nascer,vai ser uma surpresa e tanto.
–Entendo.-ela fala e antes que continue ouve um alto bipe do dispositivo,ela aperta um botão.
Aquela sensação vai acabando aos poucos e vou abrindo os olhos sonolentamente,Marise dá um risinho ao ver minha cara de sono.Ambas olhamos para a tela do laptop com expectativa,estava vazia,não havia nada lá:
–Droga,acho que não fizemos do jeito certo.
De repente a tela do computador começa a carregar,uma fileira de dezenas e milhares de números começam a surgir na tela,era impossível de acompanhar o ritmo em que os números surgiam,eles eram tão rápidos e numerosos que pareciam um borrão passando:
–Deu certo!.-digo com entusiasmo.
Marise parecia ainda mais feliz:
–São as senhas da conta,vou apertar aqui e...-ela aperta em um botão do computador e sorri.-Pronto,ela está desbloqueada,agora é só eu dar mais um clique e...-ela aperta outro botão e dessa vez sorri ainda mais.-Pronto,foi tudo transferido.
Arregalo os olhos surpresa e boquiaberta:
–já?? E para onde foi transferida? A conta está vazia?
–Sim,esta vazia.E foi transferida para a minha,a sua,a conta de Adrian,de Alice e do Mark.-ela ri com alegria,não pelo dinheiro,mas por ter tirado a paixão do Samuel e o que ele mais queria...a grana.
–Eu tenho uma conta?-pergunto surpresa.-Mas eu sou de menor!
Ela sorri como se já tivesse pensado em tudo:
–Na verdade você sempre teve uma conta no seu nome,mas já que você é de menor os seus pais é que a administram,desculpe por eu ter mexido nas suas informações.
Pisco os olhos varias vezes surpresa e antes que eu conteste ela me interrompe:
–E nada de mais,já falamos sobre que eu quero que vocês fiquem com uma parte e encerrado.Afinal o dinheiro também passou a ser seu desde que o guardou na sua cabeça,você foi quem passou pela experiência...a experiência de dados,e não foi ninguém aqui,então você o merece tanto quando eu e qualquer um de nos.
Abro minha boca para contestar novamente e na mesma hora Adrian entra:
–E ai? Acabou?-ele parece cauteloso ao entrar.
Marise levanta e pela primeira vez realmente parece feliz:
–Acabamos!-os olhos dela brilham.-A conta daquele ordinário está zerada.
–UHUUUU.-Adrian dá um pulo de satisfação,ele também teve a vida afetada pelo Samuel e agora saboreava cada derrota do homem pelo qual odiava.-Boa Mônica! e você também Marise! Lição disso tudo...NUNCA,JAMAIS magoe sua ex mulher porque um dia...ela irá zerar sua conta.hahahahahahaha.Vocês mulheres são fodas.
Gargalho junto com a Marise,ela olha para meu irmão tentando parar de rir:
–Vamos ver se dá certo,Adrian...acesse sua conta e retire alguma coisa,nem se for cinco centavos,precisamos confirmar antes de sair.
Ele ri ainda mais alto:
–Coitada de você se pensa que eu só vou tirar cinco centavos.-Adrian vai até a parte dos caixas eletrônicos.
Dou de cara com os outros esperando no mesmo local,Cebola me olha preocupadamente:
–Ta tudo bem?
–Ta sim.-dou um rápido selinho nele.
Adrian coloca o cartão apreensivo na maquina e bate os pés de nervosismo no chão,ele mexe nos botões e todos parecem se inclinar para ver se daria certo ou não.Finalmente ouvimos um barulho.
Adrian fica boquiaberto quando 500 reais saem direto para as suas mãos,ele fica paralisado por um tempo,até que cai na real:
–PELO AMOR DE JEOVÁ!!! ME DIZ QUE ISSO É UM SONHO!!!
Fico boquiaberta assim como ele,tinha dado certo,os dados da minha cabeça realmente eram reais e funcionaram afinal! Então eu realmente carregava uma fortuna na minha cabeça? Uou:
–Estou avisando para vocês.-Marise começa a falar de maneira séria e responsável.-Não pensem que só porque o dinheiro é de vocês que vou deixar que gastem com besteira,até vocês tomarem juízo em relação a dinheiro vou ficar no pé de cada um.Nada de gastos desnecessários!
Adrian sorri de maneira nostálgica e finge concordar,duvido que ele realmente estivesse ouvindo:
–Bom,agora podemos sair daqui?-Alice parece ficar nervosa enquanto fita o relógio.-Faltam apenas quinze minutos para que os seguranças acordem.
Todos saem dali o mais rápido que podem,Marise olha para o relógio a cada corredor que viramos:
–Estão todos com as luvas?-ela pergunta preocupada e todos concordam,tínhamos colocado luvas desde o começo para evitar que deixássemos digitais,mas isso não era nada de preocupante,assim que os seguranças acordassem iam esquecer de nós e pensar que pegaram no sono,enquanto as câmeras...foram desligadas graças ao Adrian.
Perto da saída encontramos uma quitanda de sorvete,eu o Adrian ativamos a maquina rapidamente e enchemos um mega copão,ele coloca o dinheiro no caixa e continuamos a correr.O pessoal nem sequer tinha percebido que paramos,só perceberam quando nos viram correndo com um copão de sorvete,eu com minha colher e ele com a dele enquanto atacava o sorvete baunilha.Cebola ri junto com os outros ao verem a cena:
–DEIXA PRA MIM ANIMAL!!!-dou um tapa em sua cabeça enquanto corria tentando alcançar a droga do sorvete.
Passamos na frente de várias lojas tentadoras de doces e algumas de roupas que eu e a Alice ficamos de queixo caído,mas a Marise nos chamava atenção para que continuássemos a correr.
Cebola segura minha mão ao notar que eu estava cansando rapidamente,avisto a porta da área de limpeza e logo corremos até ela.
Nesse ritmo chegamos de volta até o teto,a brisa fria da madrugada me invadiu rapidamente me dando arrepios,olho para o Cebola que parecia com os olhos arregalados de tanta aventura,dou um leve risinho:
–Bem vindo ao grupo.-dou uma piscadela para ele,essa era minha nova vida a meses.
–Mais especificamente o esquadrão anti-ciência.-Adrian sorri enquanto vai andando em direção a outra escada e com o revolver colado ao corpo.
–Já falei que esse nome tosco não cola mais.-Mark cerra os dentes.
–Acho legal agente não ter nome,simples assim.-Alice cruza os braços com frio e seu coque alto balançava contra o vento.
Percebo uma coisa,todos eles se vestiam de basicamente preto,com exceção da Marise que vivia vestindo cores claras como o branco,e eu também me vestia basicamente de cores escuras agora e eu me sentia muito bem assim,eu gostava desse estilo dark,principalmente do meu cabelo,meu irmão vivia me falando que eu parecia uma garota má.O único que parecia mais deslocado era o Cê,suas roupas ainda eram as mesmas.
Olho para a Alice que tremia de frio,Adrian aparece de repente e coloca as mãos em volta de seu pescoço,o clima entre eles não estava muito bom mas percebo um leve sorriso surgir no rosto dela ao perceber o gesto.
Sem perceber eu também estava tremendo de frio,Mark se aproxima:
–Quer meu casaco?-ele pergunta e não posso deixar de reparar o tom de preocupação em sua voz.
–Eu posso emprestar o meu.-Cebola responde com um olhar um pouco severo,seu braço estava em volta do meu pescoço.
Os dois parecem se olhar por alguns segundos de uma maneira assassina,se tinha uma coisa que Cebola fazia de melhor era notar quando algum menino se aproximava,as vezes eu amava isso,mas dessa vez eu não estava gostando nada desse clima entre os dois:
–Não preciso de casaco,obrigada pela gentileza de vocês dois.-respondo de maneira fria e acelero os passos de modo que o braço de Cebola saisse do meu pescoço.
Ando em frente sem olhar para ver como os dois haviam ficado,abraço meu próprio corpo ainda sentindo frio,eu não entendo porque fiz isso,eu só...não gosto de ver os dois brigando.Eu amo o Cebola e o Mark é meu amigo,e queria ver eles se dando bem,mas pelo visto por minha causa isso não aconteceria.
Ouço seus passos atrás de mim enquanto ando logo atrás do meu irmão,Marise vai na frente já que sabia o caminho.
Alice estava vestida com o moletom do Adrian,ele parecia tremer um pouco sem o casaco mas nem se importava.Pois é,talvez o meu irmão seja como eu afinal,podemos parecer duros mas por dentro...nossa maior fraqueza sempre vai ser aqueles que amamos.
Marise nos guia até a escada grudada na lateral do shopping,ela era totalmente reta e difícil de se descer.
Descemos um por um em silêncio até que restou apenas o Adrian e o Cebola.Meu irmão desce normalmente e dá um pulo nos últimos degraus e pousa perfeitamente no chão.Cebola vai descendo devagar até que escorrega e se estatela todo:
–CEBOLA!!!-vou correndo até ele que segurava a perna e gemia de dor.-AI MEU DEUS!! O QUE FOI? TORCEU A PERNA?
–Ai,ta tudo bem.-ele tenta levantar e quase tropeça,seguro seu braço e coloco em volta do meu pescoço.-Acho que só foi um jeito mesmo.
Marise se aproxima e analisa a perna do Cê com cuidado:
–Ele tem razão,só foi um jeito,amanhã vai estar bem melhor,mas precisa ficar na cama hoje a noite, ah sim,e tome anti-inflamátorios caso comece a inchar.
Ele concorda enquanto manca de dor,ajudo ele a andar enquanto seguimos devagar até a vã:
–Desculpa se falei alguma coisa que não devia.-ele fala baixo apenas para que eu ouça.-Notei que ficou com raiva.
Faço um negativo com a cabeça pedindo para que esquecesse:
–Ta tudo bem,vamos cuidar de você agora ta bom?-dou um selinho em sua boca.
–A Mônica,é só um jeito na perna,eu estou bem.-ele sorri com minha preocupação.
Reviro os olhos,porque meninos detestam admitir que precisam de ajuda?:
Eu te ajudo.-Adrian chega ao meu lado e segura o outro braço de Cebola apoiando-o em seu pescoço.-Você não pode ficar carregando peso garotinha.
Concordo e ando ao lado dos dois um pouco cansada pelo esforço.Para minha felicidade finalmente percebo que o meu irmão e o Cebola parecem conversar normalmente,talvez eles realmente virem amigos.
Chegamos a vã e ao entrar estávamos exaustos.Bocejo enquanto Adrian ajuda o Cê a sentar.Ele senta ao lado da Alice,o Mark atrás e eu e o Cebola ao lado um do outro.
Esfrego o olhos com sono e sem perceber caio exausta por cima do Cebola,ele fica surpreso mas logo depois me vê dormir em seu peito,ele sorri e passa a mão pelo meu cabelo fazendo um carinho muito bom.
Ele me olha dormir daquele jeito,meus lábios estavam levemente entreabertos e minha respiração era calma e silenciosa,segundo ele eu parecia um anjo de tão calma quando eu dormia,minhas expressões tão suaves quanto seda macia e meus olhos cor de mel escondidos pelas pálpebras levemente fechadas.Cebola se sentia feliz em me ter de volta e em seus braços novamente,olhar para mim era como se o lembrasse todos os meses que me quis ter de volta,e mesmo depois de todo o sofrimento que eu havia passado minhas expressão agora estavam serenas assim como meus batimentos suaves ecoando alguma canção libertadora e feliz.
Cebola apreciava a paisagem passar pelos seus olhos lá fora enquanto sentia minha respiração leve em seu corpo.
O nosso medo era perder um ao outro,e não deixaríamos mais ninguém estragar o que era nosso.Porque...as coisas verdadeiras simplesmente não evaporam com o vento forte da tempestade.O sol finalmente voltará a nascer.
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Uma semana depois:
–Cê,será que dá para me ajudar com essa caixa?-peço apontando para a pesada caixa de papelão,não era tão pesada assim,mas cansava bastante.
–Claro linda,é para botar dentro do caminhão?-ele pergunta ao botar a caixa no ombro.
–Aham.
Eu estava de mudança,assim que recebi o dinheiro comprei outra casa para morar assim como a Marise me aconselhou.Era um pouco distante,do outro lado do bairro,mas nada que me impedisse de ver a turma,eu havia voltado essa semana ao colégio.A Marise sempre havia ensinado o Adrian,a Alice e o Mark, e durante os meses que morei com ela eu também tive aulas,eram ótimas já que a Marise é bem inteligente mas minha mãe e meu pai queriam que eu voltasse para a escola de todo o jeito.
Bem...a casa era uma mansão,contei toda historia para minha mãe sobre a mudança e o dinheiro(não que ela soube que entramos em um shopping fechado hahaha),então ela simplesmente se apaixonou pela casa,e não vamos mentir...eu também amei.
Ontem eu tinha ido a delegacia para prestar depoimento,eu odiava quando eles me chamavam para isso,eu só queria que eles achassem o Samuel e me deixassem em pás,eu queria esquecer daquele ordinário.Ao menos a policia já tinha muitas informações.
Vejo Monicão correr pela casa vazia:
–Ei garoto!-chamo de maneira doce.-Vamos para nova casinha?
Ele late em resposta.Seguro minha malas enquanto olho a minha casa de tantos anos,eu tinha vivido muitas coisas aqui.Toda minha vida era contada por cada tijolo daquela construção.Eu sentiria saudade.
Olho pela ultima vez minha casa ao sair no jardim,meu coração de aperta:
–Adeus.-digo enquanto olho as flores plantadas por minha mãe,suspiro, eu apenas estava começando uma nova vida.
–Ta tudo pronto,seu Souza e Dona Luisa estão te esperando no carro.-Cebola chega atrás de mim e olha para a construção deserta em nossa frente assim como eu fazia.-Quer que eu vá junto de você?
–Não,ta tudo bem.-respondo rapidamente.
–Não vejo problema em te ajudar,você me ajudou quando eu dei um jeito na perna esses dias,porque não deixa que eu faça o mesmo?
Bufo:
–Porque...perna é outra coisa.
Ele ri:
–Fala sério,você me fez dormir na sua casa e me entupiu de almofadas e remédios,exagerado como sempre.
Suspiro e dou língua para ele:
–Ah vem logo! Bora tomar um banho de piscina quando chegar lá,to mesmo precisando, meu filhote ta começando a pesar.-digo passando a mão carinhosamente na barriga.
A piscina certamente me deixaria mais leve.Cebola me ajuda com as malas e logo depois entramos no carro dos meus pais e me despeço mentalmente da minha antiga casa.”Vou sentir saudades”.
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Depois de vinte minutos dentro do carro chegamos a enorme mansão.Ela tinha uma entrada de vidro juntamente com alguns toques rústicos com a madeira,o primeiro andar tinha uma enorme varanda de mármore branca.
Basicamente era uma casa com muitos toques de madeira com vidro,o que eu acho que dava um ar moderno mas bastante confortante.O jardim da frente era enorme,tinha um vasto gramado tão vivo que iluminava o ambiente com um verde primavera.A grama era traçada com um caminho de mármore branca até a entrada,o caminho rodeava a fonte central que ficava bem no meio,a noite ela era iluminada.
Havia um garagem na lateral da casa com espaço para três carros.Atrás tinha outro jardim que era bem maior,com uma piscina enorme,uma horta e mais distante um lago lindo rodeado por arvores,uma delas tinha um balanço daqueles feito com pneus, o que me fez pensar no meu bebê,seria um ótimo lugar para ele morar.
Eu mal via a hora de brincar com ele pelo jardim.A porta de entrada era feita de madeira bastante clara e com um espaço de vidro que dava uma boa visão do corredor.
Subo os pequenos degraus de mármore até a porta enquanto seguro minha mala e Cebola me ajuda com as outras,ele olha em volta fazcinado:
–UOU! Caraça! Que casa ein?
Meus pais ainda tiravam as malas do carro,o caminhão da mudança já já chegaria.
Abro a porta de entrada revelando e casa por dentro.Era bastante clara e cheia de vida,os vidros permitiam que a luz passasse trazendo uma energia ótima,mas antes que eu pise dentro ouço uma voz familiar:
–LINDAAAAAA!!!-viro rapidamente e dou de cara com um Audi preto estacionado na rua,era o Adrian.
–MANINHO!!!-solto a mala e corro em direção a ele.-Meu Deus homem!! Você comprou um carro!!
Ele dá uma piscadela marota:
–Estava tentando tirar minha habilitação a meses e você sabe disso,finalmente consegui!-ele encosta com as costa no carro.
–Claro que você vai me dar carona quando eu precisar não é?-faço biquinho para ele.
–Quando eu poder,seu irmão acaba de conseguir uma vaga na faculdade de computação,só me falta escolher a área.
O encaro boquiaberta e depois começo a dar gritinhos e o abraço fortemente:
–Parabens!!!! Vai ser um bom invasor de sistemas.
–hahahaha que graça.-ele me dá língua.-Quero ser investigador,vou investigar através da internet sistemas clandestinos e outros crimes,vou ser o cabeça das operações.
–Eu sei que vai-o abraço mais forte.-Em falar nisso passei na nova casa da Marise e peguei o berço que você deu ao pikachusinho.
Ele me olha surpreso:
–Serio? naõ pensei que fosse pegar o berço,nos estamos ricos,você poderia comprar um melhor e....
–Nenhum substitui o que você me deu, eu amo aquele berço e não vou de jeito nenhum comprar outro.-digo emburrada.
Cebola se aproxima de nos e os dois trocam um toque,pelo visto nessa uma semana tinham se falado bastante:
–Você falou que se mudou.-digo para Adrian pois só agora eu tinha lembrado do que ele me disse esses dias.-Onde está morando agora?
Um sorriso enorme surge na boca do meu irmão,era um sorriso tão irônico que me fez se arrepiar,ai meu Deus o que será que ele tava aprontando:
–Sabe essa mansão bem ao lado da sua?-ele ri apontando para a casa visinha.-Pois é maninha,somos vizinhos!
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POV´S AUTORA:
–Quando pretende acabar com aquela garota? Estou cansado de esperar,quero as senhas da minha conta o quanto antes.
Irene sorri de um jeito perverso ao fitar a enorme janela de vidro:
–Calma Samuel,a pressa é inimiga nessas horas,eu sei exatamente o que fazer,vou acabar com aquele namoro e ao mesmo tempo teremos a Mônica de volta.-seu olhos piscam com maldade como raios entre nuvens negras.-Preste atenção...ouça meu plano, iremos agir no nono mês de gestação daquela ordinária,é só esperar...o bebê é uma isca mais do que perfeita.E logo logo...seremos ricos.Pobre Mônica,irá perder seu maior tesouro...o “filhote” dela,estão com dias contados.
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