Fleurir
17 Youkai
Notas iniciais
Fleurir — Capítulo 17
Youkai
"Toda mudança visual é válida, mas nunca mude o bem mais precioso… Seu interior, sua essência, seu caráter e sua integridade…".
— Donii Black
Sorri comigo mesmo, sentindo aquele sentimento estranho preencher meu coração. Acariciei a face dela, dando um mínimo sorriso.
— Eu também te amo, minha Kagome.
XXX
Os portões já lhe eram visíveis, há quanto tempo não vinha ali? De certo havia muito tempo, Sesshoumaru ainda fazia um bom trabalho ao seu ver, mesmo que seguisse os passos do pai. Se lembraria ele de sua visita? Há quanto tempo não se viam? Talvez desde que InuTaisho partira? Não, foi antes… Ela ainda se lembrava do momento da partida dele, para conquistar o lhe era seu por direito, o trono no Oeste. Os olhos dourados fitaram o castelo brevemente melancólicos, voltou a caminhar em direção aos guardas.
— Desejo ver o senhor do Oeste — ela disse os olhando friamente, ambos engoliram com dificuldade, aquela mulher parecia emanar uma aura assassina.
— O senhor ainda está em seus aposentos — um deles disse recebendo a atenção dos olhos dourados — Poderia voltar em outro momento?
— Não — ela olhou ambos, como ousavam dar ordens a ela? — Sou Satori-Hime, por isso irei entrar.
— Perdoe minha senhora — ambos fizeram reverências a mulher do clã Daí-Youkai do Leste, conheciam-na porém nunca haviam a visto — Queira entrar, deseja que a guie?
— Não será necessário — Satori disse caminhando pelo caminho, ele estava muito bem cuidado como esperava dele, afinal Sesshoumaru era muito organizado quando queria — Faz um bom trabalho, Sesshoumaru.
Ela sussurrou para o nada, continuou a caminhar, se Sesshoumaru ainda estava no quarto, o acordaria, afinal uma mãe tem o direito de acordar um filho, correto? Muitos dos servos lhe fizeram reverências quando passou por eles, porém nenhum ousou barrar seu caminho. A porta do quarto dele a sua frente, abriu sem cerimônia.
Os olhos dourados se voltaram para o ser que ousava invadir seu quarto sem permissão, a vendo ali. Satori-Hime, sua mãe. A mulher percorreu os olhos pelo quarto, Sesshoumaru estava sentado na cama, com um lençol lhe cobrindo a cintura, continuou a mover o olhar avistando a mulher ao lado de seu filho, um cheiro humano a rodeava, mas havia outro cheiro junto… — Não deveria bater? — Sesshoumaru perguntou ácido, olhando para a mãe com certa hostilidade. Quem ousava entrar assim, e se ainda estivesse fazendo amor com Kagome?
— Não sabia que estava acompanhado — ela disse entrando e fechando a porta, devolvendo parte da privacidade do casal. Observou a mulher mais abertamente — Humana?
— Sacerdotisa — ele olhou novamente para a mulher adormecida ao seu lado, a marca em seu pescoço, afirmando que ela lhe pertencia. Satori-Hime olhou novamente para o filho.
— Sua fêmea — a mulher ressaltou, apontando para a marca em ambos os pescoços, ela deu um sorriso de canto, em claro sinal de ironia — Onde eu imaginaria que você marcaria uma humana...
— Ela é forte, e não percebe a mudança? — ambos olharam a mulher adormecida novamente, havia uma aura estranha ao seu redor, e mesmo que fosse imperceptível a princípio, um cheiro venenoso se misturava ao cheiro dela. Um cheiro a mais, como se tomasse Kagome para si.
— Miko... Possa ser… — Satori se aproximou mais dos dois, sem se importar com a nudez de ambos. Ela os observou, a forma protetora de Sesshoumaru, a maneira que olhava para ela, o olhar em alerta para ela… Ele a amava e a protegeria mesmo que o "inimigo" fosse sua mãe… — Sabe minha função dentro do clã.
— Detentora de segredos e profecias — ele comentou desviando o olhar de Kagome para a mãe novamente , havia certa curiosidade ali — Acha que tenha alguma explicação para o que ocorre a Kagome agora?
— Ela está mudando, Sesshoumaru — Satori se sentou em um futton que havia ali, pensando na descoberta de que seu filho havia se afeiçoado a alguém e ainda por cima humana — Existe uma lenda em nosso clã... Mas ainda preciso esperar.
— Até saber se ela se tornou real — Sesshoumaru completou, desviando o olhar da mãe, de volta para Kagome. Satori assentiu, mesmo que o filho não estivesse olhando.
— Até porque, a transformação contrária não poderia existir — Satori comentou com Sesshoumaru, enquanto observava as portas da varanda, elas estavam entreabertas — uma youkai se transformar em sacerdotisa… — ela fitou o filho novamente — a energia maligna seria purificada por si só...
Sesshoumaru se colocou a pensar no que sua mãe falava, se um youkai tentasse de alguma forma aprender a pureza que envolve o sacerdócio... Purificaria a si mesmo. Contudo, se Kagome se transformar em uma hanyou ou até mesmo youkai… As energias poderiam aprender a conviver juntas… ou a pura se extinguir sozinha. A mulher ao seu lado se remexeu, mudando a posição na cama, ficando de barriga para cima. As marcas em seu rosto eram duas riscas fracas, pequenas como as de Satori e as de seu braço também.
A transformação ocorria diante de seus olhos. Como ainda estava nua, Sesshoumaru a cobriu novamente, uma vez que estava com os seios de fora. Se Satori não estivesse ali, ele não se importaria com algo como aquilo. "Mamãe está apenas cuidando" sua fera sussurrou em sua mente. "Ela nunca se importou antes" Sesshoumaru respondeu azedo.
— Sesshoumaru? — a voz de Kagome fez com que o youkai a olhasse. Os olhos azuis estavam confusos, já não fitavam mais o homem ao seu lado e sim a mulher estranha que ali estava — Aconteceu alguma coisa?
— Não — ele respondeu observando Kagome se sentar, acreditava que a mulher não se lembrava mais de sua nudez — Como se sente?
— Eu me sinto estranha — ela respondeu colocando a mão na testa e focando os olhos na outra mulher novamente. Kagome não podia negar a beleza da mulher, os longos fios brancos bem presos, os olhos dourados bem pintados assim como os lábios, porém o que chocou Kagome a princípio foi a imponência da mulher. Satori fitou Kagome, que estava sentada na cama, viu quando a outra corou envergonhada, talvez por ter sido pega observando-a tão abertamente — Muito prazer, me chamo Kagome.
— Satori-Hime — a outra respondeu observando melhor a mulher a sua frente, agora que estava acordada, podia ver um belo tom de azul em seus olhos — sou a senhora do Leste, mãe de Sesshoumaru.
Kagome arregalou os olhos em surpresa, nunca imaginou que aquela mulher era a mãe de seu marido! Quantos anos ela tinha afinal? Não aparentava ser muito mais velha que Sesshoumaru e pensando assim, quantos anos seu marido tinha? Sentiu as bochechas esquentarem ao se lembrar que estava nua, diante de sua sogra. Rapidamente puxou o pano que lhe cobria anteriormente e o puxou até a altura do nariz. Ambos os youkais observaram a reação da mulher, Sesshoumaru achou graça, mas não permitiria que sua mãe presenciasse tal ato.
— Hm… — Kagome gemeu levemente envergonhada — Eu… Eu preciso me trocar… — ela falou ainda escondida atrás do pano, de olhos fechados, tamanha era a vergonha que sentia.
— Eu os darei privacidade para tal — Satori disse se levantando e seguindo na direção da varanda — estarei os aguardando aqui no jardim — abriu a porta e depois a fechou quando passou.
Sesshoumaru levou a mão aos cabelos de Kagome, fazendo com que os azuis se voltassem para ele, contudo eles estavam diferentes, havia uma leve mistura de âmbar ali. Ela descobriu o rosto, o olhando envergonhada ainda, porém o mesmo lhe tomou os lábios num beijo leve, mas que começava a esquentar. Sesshoumaru se colocou sobre Kagome, aproveitando o que podia dela. Sentiu quando a mulher levou as mãos a suas costas, acariciando sua extensão. Ambos sabiam que se continuassem, não conseguiriam parar, por este motivo Sesshoumaru se afastou.
Kagome se sentou de novo e o observou, agora mais do que nunca ela tinha certeza de quanto Sesshoumaru era belo. Viu quando ele estava escolhendo uma nova roupa para vestir — O que sua mãe estava fazendo aqui? — Kagome perguntou envergonhada, observando as costas do homem.
— Ela chegou do nada — Sesshoumaru respondeu vestindo a hakama — simplesmente invadiu o quarto — Kagome se envergonhou ainda mais imaginando se ela os pega fazendo amor.
— Não existem trancas nesse lugar? — Kagome comentou emburrada, enquanto cruzava os braços, Sesshoumaru não entendeu a pergunta dela, porém apenas ignorou, como fazia de melhor — Que bela primeira impressão, não? — os dourados se voltaram para ela e Kagome possuía uma expressão melancólica — A mãe conhece a nora num momento íntimo com o filho...
— Youkais não são tão conservadores quanto os humanos, Kagome — Sesshoumaru se virou para a mulher que se levantava da cama. As marcas de seu corpo mais presentes agora, como ela reagirá quando perceber que se tornou youkai? Os fios negros possuíam alguns fios brancos, dando um contraste bonito ao cabelo dela — Satori não está nem aí se você está nua ou não, ela quer saber do seu caráter, se és digna…
Kagome desviou o olhar do então marido e escolheu uma roupa de sua época, a única que tinha de sua era. Satori estranharia, apostava, contudo ela queria que a outra a conhecesse por inteiro, como ela realmente era, de onde veio… Suspirou levemente ansiosa, contar sobre ela traria memórias que ela andava refreando ultimamente por saudade.
— Eu… — Sesshoumaru a olhou, observando a escolha de roupa de sua mulher, sabia que tinha algum motivo por trás e apenas esperou que ela lhe contasse — Eu quero me apresentar devidamente… — as bochechas dela tingidas de rosa — Contar de onde eu vim… A humana do futuro…
— Se assim desejar — Sesshoumaru disse acariciando a bochecha dela e a olhou intensamente — Está dando mais importância do que realmente precisa…
— É natural não é? Conhecer a mãe do cara que você ama… dá uma certa ansiedade — Kagome sussurrou a última parte, não olhava para Sesshoumaru e talvez se o fizesse teria visto o sorriso de canto que havia conseguido arrancar. — Já se arrumou? Ela está nos aguardando, não é educado fazê-la esperar.
Sesshoumaru apenas assentiu, Kagome continuou descalça, abriu a porta da varanda, caminhando sem pressa, mas com toda a coragem que possuía, estava levemente ansiosa afinal além de estar perante a mãe de seu marido, essa era também uma poderosa youkai, talvez uma das mais fortes... Satori estava sentada à sombra de uma árvore, a árvore favorita de Kagome. Os cabelos espalhados por ali, o olhar sereno da mulher, ficou claro quando Kagome a viu que ela estava mergulhada em lembranças.
A porta do quarto fora fechada e Sesshoumaru tomou a dianteira, seguindo para perto da mãe, Kagome o seguiu ainda sem jeito. Talvez estivesse mesmo dando mais importância do que precisava, todavia era algo mais forte do que ela. Satori pareceu tomar consciência de sua aproximação, porém o olhar dela focou em Kagome, o que eram aquelas vestes?
— Desculpe pelo o que viu mais cedo — Kagome comentou ainda sem jeito, ela daria um jeito de trancar a porta da próxima vez — Podemos conversar agora…
— O que são essas vestes? — Satori perguntou confusa, observando aquelas roupas que ela nem sabia dizer o que eram.
— São minhas… — Kagome disse passando a mão pela saia, atraindo o olhar de Satori para o movimento — São de onde eu vim… Do futuro.
— Futuro? — ela questionou com curiosidade, nunca havia escutado sobre aquilo. Kagome se sentou de frente para Satori, como de costume, sentou-se como as sacerdotisas sentam e começou a contar sua história para a sogra.
Comentou sobre a viagem no tempo, como era sua família e sua vida no futuro, e claro, citou sobre a Jóia de Quatro Almas, da qual havia trazido de volta ao passado. Satori estava encantada com aquilo, afinal, ela amava aprender e a conhecer coisas novas, Kagome estava ali a sua frente, contando-lhe coisas que ela nunca imaginaria. Assim como o que eram aquelas vestes — As pessoas em meu tempo usam muitas roupas diferentes das de agora.
— Muito interessante! — Satori comentou encantada, mesmo que sua expressão não demonstrasse isso. Kagome estava mais à vontade perante a youkai, porém ela ainda se sentia estranha. Muito estranha — Agora vamos falar sobre a sua mudança...
Kagome a olhou confusa e levemente surpresa — Mudança?
— Sim, você não percebeu que está youkai? — Satori perguntou a olhando e Kagome se voltou para Sesshoumaru, como se buscasse respostas e tudo o que ele fez foi assentir — Eu vou te explicar…
— Como? — ela estava confusa, porém olhando agora para ela, não havia algo diferente? Porém ela ainda não sabia dizer o que exatamente.
— No clã Daí-Youkai existem lendas, das quais aguardamos, ou não, acontecerem — Satori começou a falar atraindo os olhos da garota para si — Havia uma, que muitos de nós não acreditávamos ser possível, a lenda da youkai-sacerdotisa… — Sesshoumaru se sentou ao lado da mulher que havia tomado para si, observando o quão tensa ela estava — Os Inu são muito orgulhosos quanto a sua prole, e quanto mais forte a mãe, melhor.
"Então muitos de nós, protetores dos segredos do clã, achávamos essa lenda impossível… Um youkai Inu com uma humana e ainda por cima sacerdotisa… — Os âmbares se voltaram para o filho ao lado da então esposa, a surpresa desse fato ainda lhe afetava, afinal justo Sesshoumaru que gritava ao quatro cantos que odiava humanos, estava com uma — a lenda era muito simples, um grande youkai Inu, se apaixonaria por uma humana bondosa, o caminho deles se cruzariam muitas vezes, até que em determinado momento se entrelaçariam…"
"Será nesse momento que ele a marcará e quando ocorresse, as energias se fundiriam dentro dela, fazendo assim algo novo surgir, uma youkai nunca vista — Satori prestava atenção nas reações da mulher a sua frente, contudo ela apenas fitava o chão a sua frente, muito pensativa — a youkai-sacerdotisa, que poderá usar seu poder espiritual mesmo sendo uma youkai, porque dentro dela, as energias estão em equilíbrio, sem que uma energia afete a outra, pois ambas estão em perfeita harmonia em seu ser”.
— Entende que apenas o amor de Sesshoumaru poderia tornar tudo isso real? — Os olhos azuis com âmbar se voltaram para a mulher — Entende o quanto ele te ama? — Kagome apenas assentiu para a mulher, sem olhar para Sesshoumaru — Bom, agora preciso tratar de negócios com o meu filho, porém ficaria muito grata se pudesse me falar mais sobre o seu futuro.
— Contarei sim — Kagome disse ainda meio aérea, eram coisas demais para se pensar.
— Estarei o aguardando no escritório, Sesshoumaru — Satori disse se levantando e caminhando de volta para a varanda — Por favor, não demore.
— Fique a vontade, mãe — Sesshoumaru disse a olhando por cima do ombro, Kagome ainda sem se mover. Quando Satori saiu de seu campo de visão ele se voltou para a sua fêmea, sabia que era coisa demais para ser assimilada na cabeça dela — Como você está? — Sesshoumaru passou a mão pelas costas dela, numa carícia que ele não estava tão habituado.
— Eu estou bem, só estou com a cabeça um pouco cheia agora — Ela disse o olhando e dando um sorriso fraco — Sua mãe lhe aguarda agora, podemos conversar depois… — Kagome disse passando a mão no rosto dele, depois o dando um selinho — Termine seu serviço, estarei lhe aguardando.
Sesshoumaru não queria ir e deixar sua fêmea naquele estado, contudo ele tinha coisas a resolver com a mãe, que necessitavam de um cuidado especial. Kagome o viu caminhar pelo caminho que a mãe dele havia feito anteriormente, ela estava feliz por poder ficar com Sesshoumaru e ser de igual para ele, porém o novo a assustava demais. Sentiu a pulseira em seu pulso, ela estava ali contra sua vontade e sabia que tinha dedo de Takeo nisso, ainda mais quando levantou o olhar e ele estava ali, a sua frente.
— Como chegou aqui? — ela perguntou o olhando surpresa.
— Pode apostar que com muito cuidado — Takeo comentou se aproximando dela e se sentando ao seu lado — Eu senti que algo havia acontecido a você, pela nossa ligação de mestre e familiar… — Takeo pegou a mão da mulher entre as suas, a olhando nos olhos — Ele a marcou.
— Sim — ela disse apoiando a cabeça no ombro dele, por um momento se sentia cansada demais — e eu conheci a mãe dele…
— Quer conversar? — Takeo apoiou a cabeça dele na dela, ele sentia pela ligação que Kagome estava levemente perdida e ele a ajudaria, afinal era esse o seu papel, ser o que seu mestre precisasse e agora Kagome era uma youkai… Ah céus, como ele poderia refrear a alegria que sentia?
—-
Sesshoumaru estava em seu escritório, sua mãe estava sentada de frente para ele, observando sua reação.
— Cancele — ele disse colocando a mão em cima mesa, porém estava muito irritado naquele momento — Você conheceu minha mulher.
— Que eu não sabia da existência até agora — Satori disse o olhando séria. Óbvio que iria cancelar o casamento arranjado, Sesshoumaru já tinha uma esposa — Eu irei cancelar, não precisa dessa cara fechada.
— Sabia que não vinha nada de bom — Sesshoumaru comentou e sua fera o repreendeu por maltratar a mãe — Casamento arranjado…
— Já foi, Sesshoumaru — Satori comentou com desdém, olhando a decoração do escritório do filho. Era uma coisa engraçada o quão parecido com o pai ele era — Sabe, eu estive pensando… — Sesshoumaru a olhou como se ordenasse um continue — Levarei Kagome comigo para o Leste por um tempo.
— Porque? — ele perguntou quando se sentou melhor na cadeira.
— Kagome deve aprender a ser uma Daí-Youkai, ou o mais próximo que ela conseguir ser — Satori-Hime o respondeu — E quem melhor do que eu a treiná-la? Ela precisa aprender a usar o veneno dela, e eu posso ensiná-la como ninguém.
— Porque você faria isso? — Sesshoumaru ainda estava com o pé atrás em relação a mãe e a esposa.
— Porque eu gosto dela — Satori disse olhando nos olhos de Sesshoumaru, e pela primeira vez, percebeu alguma alteração em sua expressão — Farei o convite a ela e se ela aceitar…
— Não irei me opor.
Eles voltaram a conversar sobre outras relações entre oeste e leste.
—-
— Obrigada por me ouvir, Keo — Kagome disse para o youkai que lhe acariciava a cabeça. Ele conversou com Kagome e a explicou o que havia mudado nela, porque ele conseguia ver melhor do que ela.
Explicou a mudança interna, as energias em perfeito equilíbrio dentro dela, o lado humano dela se fora, porém a bondade dela continuou ali, e claro a mudança externa. As marcas no corpo, as mechas brancas nos fios negros, os olhos… Kagome já aceitava mais a ideia de ter virando uma youkai e mais, que ainda continuava pura aos olhos de Kami para continuar a ser uma sacerdotisa. O que ela mais amava fazer…
— Esse é o meu papel — ele disse lhe dirigindo um sorriso e acariciou novamente a cabeça dela. Ele deixou que a energia dele a envolvesse, dando a calma que ela necessitava. Ela ainda não sabia identificar nada, então não percebeu que Sesshoumaru se aproximava.
— Takeo — Sesshoumaru o cumprimentou quando se aproximou. Satori observou a cena a sua frente um tanto quanto confusa, estava claro que a fêmea de seu filho estava num momento "íntimo" com o rapaz a frente deles — Como está?
— Estou bem — ele disse observando a mulher ao lado de Sesshoumaru. Parecia muito com ele, talvez fosse a mãe dele — Kagome meio que me chamou inconscientemente para ajudá-la…
— Ele me ajudou a colocar os pensamentos em ordem — Kagome disse se sentando novamente ao lado de Takeo — Eu entendo melhor agora as coisas.
— Entendo — Sesshoumaru comentou, ele olhou para a mãe e percebeu a confusão dela — Este é Takeo, ele é o familiar de Kagome — Sesshoumaru os apresentou devidamente — esta é Satori-Hime, minha mãe.
— Muito prazer — Takeo disse fazendo uma reverência em cumprimento — Agora que ela já está melhor, eu preciso voltar aos meus afazeres.
— Mande lembranças ao Mestre Fujimoto e ao Yukio — Kagome comentou enquanto Takeo partia. Satori a olhou como se pedisse uma explicação — Yukio é o marido dele — ela deu de ombros.
— Bem, o papo está bom, mas eu preciso voltar agora — Satori disse enquanto observava Kagome — Você quer vir comigo para o Leste para aprender a ser uma Daí-Youkai?
Os olhos azuis se voltaram para ela. Era algo que necessitava não era? Aprender a como ser youkai para não dar vexame com o marido. Olhou para Sesshoumaru, ela não sentia uma recusa no convite, então deveria aceitar?
— Aceito.
— Então estarei lhe aguardando em minhas terras nos próximos dias — Satori disse dando as costas a ambos — os deixarei agora.
Ambos observaram a mulher partir, Sesshoumaru se aproximou de Kagome e a envolveu pela cintura, sentindo o aroma dela que tanto o agradava.
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