Fleurir
11 Sentimentos
Notas iniciais
Fleurir — Capítulo 11
Sentimentos
"Momentos bons e ruins fazem parte da vida. A diferença é que um marca e o outro ensina".
— Frases infinitas.
Sorriu ao ter esse pensamento, quando sozinho se permitia reações espontâneas, já havia ficado tempo demais ali, estava na hora de começar a trabalhar, levantou-se e vestiu a calça, seguindo para o quarto dele, ainda pensando na mulher que havia lhe mostrado que ele também era capaz de amar.
XXX
Ainda estava escuro, porém já estava acostumada ao caminho, não me importava mais com a escuridão… Há tempos havia a tornando minha companheira, principalmente quando retornei. Eu sofri por minha ingenuidade em relação a Inu-Yasha, sofri por acreditar que ele me esperaria, e sofri ao perceber que não poderia mais voltar para meu tempo.
Ajeitei a aljava em meu ombro, eu precisava aprender, se fosse viver ali, como já vivia há mais de um ano, precisava melhorar em muitas coisas. Youkais eram parte de minha vida novamente e dessa vez não haveria Inu-Yasha, como das outras vezes, para me proteger sempre que eu precisasse... Sorri levemente, mesmo naquele tempo ele havia falhado… Levantei o olhar e como sempre Takeo me aguardava não muito longe do castelo. Sempre tão protetor!
— Bom dia Keo — eu disse lhe dirigindo um sorriso e ele me retribuiu, porém os chocolates estavam avaliativos — Aconteceu algo?
— Seu cheiro — ele disse quando parei ao lado dele, me olhando melhor — Seu cabelo na verdade — ele pegou uma mecha dele, estava amarrado com a fita como sempre e ele estava na altura do quadril — ele fede a sexo.
Senti minhas bochechas vermelhas, era verdade que eu havia tomado banho, mas não havia lavado o cabelo por julgar não haver tempo. Ele me olhou de novo e sorriu, talvez perante meu embaraço.
— Sério? — eu estava sem jeito.
— Sim — ele disse achando graça — Mas não se preocupe, apenas eu posso sentir, sabe — ele deu de ombros — claro, se houvesse outro youkai no templo, isso seria um problema…
— Me desculpe — eu disse me sentindo mais envergonhada do que tudo. Eu era uma sacerdotisa, sabia sobre pureza — eu… — mas não sabia o que dizer.
— Não precisa esquentar a cabeça — ele disse caminhando, comigo seguindo ao seu lado — Bem, você sabe que deve manter a pureza… — ele me interrompeu antes de eu começar a falar — Mas isso é fácil de se fazer.
— Manter a pureza? — eu perguntei com interesse.
— Percebi um pouco de interesse aqui? — ele perguntou debochado e eu me senti sem graça — Alguém pretende continuar com esses encontros selvagens...
— Keo… — eu choraminguei envergonhada, mas ele tinha um pouco de razão, eu não pretendia parar com aquilo… Se assim ele quisesse, é claro — Eu ainda não sei se vai continuar — eu não olhei para ele quando falei.
— Você está a fim do senhor do Oeste? — ele perguntou sugestivo, e eu não tive coragem de olhar para ele. Eu estava sim a fim de Sesshoumaru há um tempo, mas não tinha certeza de quanta vazão poderia dar a esses sentimentos… Pelo menos até a noite passada — Vou tomar o seu silêncio como afirmação.
— Ele mexe comigo sim, não posso mentir — eu disse desviando de um galho — e agora, depois de ontem a noite — eu fiquei sem jeito, afinal Takeo era homem — eu não sei o que ele quer…
— Ele vai falar — Takeo disse me dirigindo um sorriso caloroso — Sobre a purificação que eu falava anteriormente, ela é possível, então pode continuar com seus encontros sexuais — ele sorriu e eu acabei me irritando.
— Assim como você faz? — os olhos dele se arregalaram em surpresa — Eu pretendo aprender essa purificação, pelo menos quando eu for exercer minha função de sacerdotisa.
— Assim como eu faço — ele disse sem graça e eu me arrependi da forma como falei — Vem, vamos conversar um pouco.
Takeo seguiu por um caminho que deu em uma clareira, bem florida e colorida, ele se sentou no meio dela, com as flores o envolvendo, me mostrando o lugar a frente dele, e eu o acompanhei, me sentando também. Os chocolates estavam sérios, mas amorosos. Takeo era como um irmão para mim.
— Eu não queria falar daquela forma — eu disse colocando minhas coisas ao meu lado no chão — eu prometi que guardaria segredo, e bem, eu estou fazendo a mesma coisa, não?
— Se encaminhando para o mesmo lugar — ele disse dando de ombros — Sentimentos é uma coisa engraçada Kagome, não temos controle sobre ele e quando percebemos já estamos fodidamente apaixonados…
— Eu entendo completamente — eu disse desviando o olhar pela clareira — eu não pretendia me apaixonar por Sesshoumaru, por mais ninguém na verdade e bem… — eu dei de ombros olhando para ele novamente — acabamos transando ontem a noite e nem havíamos conversado!
— Mas houveram interações anteriores — ele me olhou e eu assenti — Vai por mim, ele te ama — Takeo abanou a mão com desdém — Youkais são mais difíceis de se envolver e quando acontece, bem, é mais pelo cheiro que ele deixou em você, escolha.
— Escolha? — eu perguntei confusa.
— Ele te escolheu como dele, e esse cheiro, afasta outros youkais, mesmo eu me sinto tentado a me afastar, porque o domínio animal dele fala mais alto — Takeo me olhou risonho — em outras palavras, o poder dele é tão grande que com o cheiro nos inibe.
— Não quero que você se afaste, você é meu melhor amigo — eu disse chateada e ele gargalhou — qual a piada?
— Eu não vou me afastar, mesmo que meu instinto diga ao contrário — eu me senti mais confortável — Isso que o cheiro está apenas em seu cabelo, imagina se ainda estivesse no corpo? — eu me senti sem graça, por quantos youkais eu não passei até ali? — Bom, como eu ia dizendo…
"Você está se encaminhando para o mesmo lugar que eu, porque eu também me apaixonei — os olhos dele desviaram de mim e vi as bochechas avermelhadas — Eu era novo, estava há pouco tempo com Mestre Fujimoto quando o conheci… Yukio"
— O rapaz que vi com você outro dia — ele assentiu.
— Eu não queria me envolver daquele jeito, sabe, era outro homem, como isso seria normal? — ele me olhou um pouco angustiado — Mas as coisas foram fluindo e acabamos nos envolvendo… — Takeo olhou para o céu que estava levemente rosado pelo amanhecer — Mestre Fujimoto não ficou muito feliz, mas não me expulsou…
— Porque?
— Porque somos ligados, pelo sangue — ele disse dando de ombros — eu me liguei a você, parcialmente, por essa pulseira — ele me mostrou a dele — mas com ele é muito mais forte, até mesmo mortal… Ele sentiu meus sentimentos e percebeu que não tinha o que fazer, eu o amava.
— Mestre Fujimoto que te ensinou a purificação — eu não perguntei e sim afirmei.
— Todos temos deslizes, não é mesmo? — ele me olhou de forma sábia, e eu comecei a pensar em suas palavras — Eu estou casado com Yukio, ele mora no templo, mas trabalha fora durante o dia — ele desviou o olhar novamente — Mestre Fujimoto é discreto quanto a isso, e agradecemos.
— Eu não queria, você sabe, vê-los — eu disse sem graça.
— O erro foi nosso — ele disse olhando para mim novamente — Não costumamos nos beijar fora do quarto, mas achamos que já estava tarde e que ninguém veria… — ele sorriu para mim.
— Costumo observar a lua durante a noite, faço isso a maioria das noites, as que tem lua — eu disse pegando uma flor e arrancando as pétalas dela — Não foi intencional, eu juro.
— Sabemos — ele pegou uma das minhas mãos e a acariciou — Não se preocupe quanto a isso, sabe, Kio é louco para te conhecer...
— Podemos nos apresentar formalmente — sorri para Takeo e desviei o olhar para nossas mãos — Ele me deu um presente, uma yukata que eu gostei muito mas não tinha como comprar... — ele merecia saber, já que havia me contado de seus sentimentos — Já havíamos nos beijado antes, umas duas vezes, eu acho…
Eu contei para ele, resumidamente, meu envolvimento com Sesshoumaru. Takeo me escutou pacientemente e dava palpites quando julgava necessário, eu estava tirando um peso de meus ombros, eu precisava colocar para fora aquele sentimento.
Amor.
— A purificação é bem simples, vai ser a coisa mais fácil que irei te ensinar — Takeo sorriu para mim, se levantando em seguida e eu o imitei — Deixe sua energia fluir, por todo o seu corpo, a sinta lhe envolver por inteiro e deixe que ela faça o que quiser, sua energia sabe melhor do que você quando te purificar.
Assim o fiz. Senti a energia me envolver aos poucos. Ela percorria todo o meu corpo, e eu sentia meu corpo mais leve, não que a forma como estava antes me incomodasse.
— Pronto, só terá que fazer isso antes de exercer sua função — ele deu de ombros — Caso contrário não tem problema nenhum, no templo, apenas eu sentirei o cheiro…
— Hm — eu disse ainda sem graça — Mas no castelo todos os youkais saberiam que seu senhor se deitou com uma humana.
— E isso diz respeito a apenas vocês dois — ele deu de ombros novamente e pegou minhas coisas no chão — Vamos, mestre Fujimoto irá estranhar nosso atraso.
— Devo contar para ele? — perguntei insegura da reação dele.
— Apenas se quiser.
Continuamos a caminhar, o dia já estava claro, e meu coração mais leve.
—-
— Concentre-se, Kagome — eu escutei a voz do mestre Fujimoto atrás de mim, seu bastão passava por minhas costas — Você sabe onde está o alvo, me disse que já fez isso uma vez.
Eu me concentrei, respirando de forma ritmada e calma, o alvo estava atrás da árvore, eu sabia. As outras tentativas foram falhas, mas eu acreditava em meu coração que daria certo. Eu senti minha energia envolvendo a flecha e apenas a lancei. Poc. Eu abri os olhos e a flecha estava presa no alvo, mas apenas metade dela.
— Foi um avanço, mas a flecha precisa estar inteira no alvo — mestre Fujimoto disse ao meu lado, observando meu avanço e eu assenti — Pode descansar por hora, mais tarde você terá a segunda parte do treino com Takeo.
Eu assenti e fiz uma leve reverência em respeito, me retirando em seguida. Mestre Fujimoto seguiu para o templo, como sempre e eu me dirigi em direção aos quartos, Takeo estava ali, limpando a varanda e assentiu quando me viu passar, mas ele estava achando graça de algo, porém o que? Eu soltei meu cabelo o prendendo em um coque, eu estava com calor, aproveitei para afrouxar a parte de cima do kimono, abri a porta do meu quarto e entrei.
Porém percebi que não estava sozinha.
Ele estava ali, sentado próximo a porta da varanda, a estola ao lado do corpo dele, usava um kimono mais leve também, diferente do que eu estava acostumada. Os fios brancos espalhados ao redor dele e os olhos fechados. Ele estava relaxado, porém como ele havia conseguido entrar sem ninguém perceber?
— Sesshoumaru.
Os âmbares me fitaram, ele estava tão distante nos pensamentos dele que nem reparou que eu havia chegado. Eu me aproximei dele e agachei-me na frente dele.
— O que faz aqui?
Ele me fitou novamente, os olhos fitando o decote que o kimono produzia, depois voltando para o meu rosto novamente. Ele se inclinou na minha direção e me olhou no fundo dos olhos. Eu podia ver o reflexo de meus olhos no dele, o azul no âmbar.
—Você não poderia estar aqui… — comentei confusa, afinal, eu sabia que youkais não poderiam pisar aqui a não ser… — Takeo, não foi?
— Ele costuma ficar aqui? — ele perguntou por fim, me olhando sério, em outros tempos aquele olhar me faria tremer de medo — Tem o cheiro dele espalhado por todo o seu quarto.
— Costuma, Takeo é muito próximo de mim — eu disse o olhando irritada, onde ele queria chegar? — O que... — não consegui comentar mais nada, Sesshoumaru havia selado nossos lábios.
Eu perdi o equilíbrio e acabei me ajoelhando no chão, mas não fiquei assim muito tempo, uma vez que ele me fez deitar e ele se colocou entre minhas pernas, sua boca era ávida contra a minha, suas mãos percorreram meu corpo, ainda coberto pela roupa, sem pressa. Eu levei minhas mãos aos cabelos dele, o acariciando. O que eu mais gostava na roupa de sacerdotisa era que usávamos uma calça e nos dava mais mobilidade.
Ele diminuiu o ritmo, me dando dois selinhos. Se a porta fosse aberta agora, veriam uma cena no mínimo constrangedora, uma vez que eu envolvia o quadril dele com minhas pernas. Ele me olhou sério, passando o nariz por meu pescoço. — O que significa isso? — eu perguntei virando a cabeça para dar mais liberdade a ele.
— Estou apenas mostrando que você já tem alguém — ele disse passando a língua e depois dando um leve chupão — para possíveis pretendentes.
— Com Takeo? — eu perguntei puxando o cabelo dele, fazendo com que me olhasse. Os âmbares estavam sérios novamente — Está com ciúmes dele? — ele ficou me olhando, mas não disse nada. Eu me forcei, fazendo com que ele se apoiasse nas pernas e eu me sentasse — Não precisa se preocupar com Takeo.
— Ele é macho — Sesshoumaru disse me olhando irritado — Te toca, deixa o cheiro dele em você — ele estava irritado, de verdade — Esse Sesshoumaru não gosta de dividir, e não vou dividir você.
Eu sorri, e depois acabei gargalhando, eu não podia acreditar que o grande lorde Sesshoumaru estava com ciúmes, e de uma humana. Ele ficou me olhando impassível, eu sentia a raiva dele, mas não conseguia parar de rir.
— Desculpa — eu disse segurando no kimono dele, falando 'ai ai' ainda por cima, a cara séria dele me fez querer rir de novo, mas me segurei — Veio aqui apenas por causa de Takeo? — eu o olhei e ele nada disse, mas eu senti que era uma afirmação — Sesshoumaru, eu tenho essa liberdade com Takeo, porque ele não se interessa por mim.
— Agora — ele parecia uma criança birrenta, que fofo! Eu segurei no rosto dele e o dei um leve selinho.
— Não, ele nunca vai se interessar por mim — eu dei um sorriso sincero e Sesshoumaru me olhou em dúvida — Takeo não gosta de mulher, entende? — eu vi a confusão e depois o entendimento através dos olhos dele — Takeo já tem um parceiro, Yukio, muito bonito por sinal — eu dei de ombros — por isso nos tocamos sem maldade, porque temos sentimentos fraternais, nada mais que isso.
Sesshoumaru me olhou novamente, os âmbares estavam mais tranquilos agora e eu quis rir novamente, porque para mim, era irreal que aquele youkai me quisesse de alguma forma, e mais, me amasse de alguma maneira.
Senti a mão dele me acariciando a face novamente, e ele me beijar novamente, era um beijo carinhoso e com vários sentimentos misturados. Escutei a porta da varanda abrir e me afastei dele às pressas. Takeo estava ali, nos olhando divertido — Sei que a coisa está muito boa aí, mas você precisa voltar a treinar — ele olhou para mim enquanto falava e depois olhou para Sesshoumaru — Preciso te levar agora, meu mestre irá percebê-lo.
— Ok — eu disse me afastando dele, mais envergonhada do que tudo. Sesshoumaru nem pareceu se abalar e se levantou — Estou te esperando no campo — eu disse saindo do meu quarto, deixando os dois youkais para trás.
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Ambos a observaram partir, ainda levemente desnorteada e envergonhada. Takeo havia permitido que Sesshoumaru entrasse quando o mesmo veio até o limite da barreira em busca de Kagome, ele necessitava vê-la, ainda mais quando ele sabia que o outro a tocava vezes demais na opinião de Sesshoumaru.
Takeo o levou para o quarto dela, sabia que ela estava terminando uma parte do treinamento e eles teriam algum tempo para conversarem. Porém ele ficou por perto no caso do mestre vir para aqueles lados.
— Me siga — ele disse quando a mulher sumiu no corredor. Sesshoumaru pegou a estola que ainda estava no chão e seguiu o youkai. — Sei que Kagome é uma mulher maravilhosa e linda, mas pode acreditar nela quando diz que não me interesso nela — os âmbares pousaram nas costas do outro youkai — claro, se eu me interessasse por mulheres… — deu de ombros.
— Ainda assim não seria fácil — Sesshoumaru disse mais rápido do que conseguiu pensar, mas não retirou o que disse. Takeo o olhou por cima do ombro e sorriu.
— Eu sei, mesmo que as circunstâncias fossem outras, ela sempre cederia a você no fim — Takeo não era idiota, sabia que Kagome admirava Sesshoumaru de outros tempos — Talvez ela já te desejasse antes mesmo de seu retorno…
Os âmbares o fitaram novamente e nada disse. Sesshoumaru não era idiota, ele sabia que não desejaria Kagome se não houvesse aquela convivência entre eles, era a presença dela que havia despertado uma necessidade nele e se ela não existisse, ele nunca se interessaria por uma humana. A floresta já estava a frente dele, e estavam no mesmo local que Takeo havia o pego.
— Só vou te fazer um pedido — Sesshoumaru se virou para Takeo quando cruzou a barreira, os âmbares não mostravam a curiosidade que seu ser sentia — Se não a quiser mais, ou se não a deseja verdadeiramente, se afaste enquanto ainda há tempo, enquanto haverá menos dor — os chocolates estavam sérios dirigidos ao outro — Kagome é uma pessoa incrivelmente bondosa para sofrer por rejeição novamente.
— Hm — foi tudo o que o outro disse, dando as costas ao azulado e partindo.
Aquele pedido de Takeo era sem fundamento, afinal, Sesshoumaru já havia decidido que queria Kagome para si, como sua parceira e se ela o quisesse, assim seria. Para todo o sempre, ou até quando lhes fosse permitido.
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